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Concurso Interconcelhio de Leitura – ConcIL, um espaço de leitura e de partilha

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O ConcIL volta a unir os concelhos de Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira, Vale de Cambra, Santa Maria da Feira e Arouca em torno do livro e da leitura. Este ano com um formato híbrido, este concurso tem-se revelado uma mais-valia significativa no calendário das Bibliotecas Escolares, cruzando leitura recreativa com leitura orientada. 

Nos diversos ciclos de ensino, não se tratando apenas de ler uma obra e realizar uma prova em que rapidez, memória e compreensão são convocadas com vista ao apuramento para a fase seguinte, este concurso oferece um sem número de possibilidades.

Na fase de escola, nos diversos agrupamentos destes concelhos, há escolas que optam por fazer uma abordagem à obra selecionada em sala de aula, integrando-a no trabalho curricular, usando os resultados obtidos na prova escrita para a avaliação formativa. Há outras escolas em que o Professor Bibliotecário apresenta o livro selecionado, discute-o com os alunos e desenvolve projetos com o mesmo, havendo ainda outras em que nem sequer há uma obra selecionada. Cada aluno escolhe e lê o seu livro, apresenta-o em plenário, debate-o com os colegas do respetivo ciclo de ensino, e a seleção dos alunos a passarem à fase seguinte é feita pelos pares e pelos docentes, em função de um conjunto de parâmetros definidos e conhecidos por todos. 

Também a nível municipal as abordagens são muito distintas. Nas diferentes redes concelhias, em articulação com a Biblioteca Municipal, há apuramentos que são feitos com base em debates por ciclo de ensino, seguindo a mesma lógica de que cada aluno lê o que lhe interessa ler e depois apresenta e defende a sua opção, havendo um júri que apura os que seguem à fase seguinte, mediante critérios definidos e conhecidos de todos. Há outras redes em que há apenas uma prova oral para apurar os alunos que seguem para a fase final e em que cada um responde a um conjunto de questões sobre a obra selecionada para o seu ciclo de ensino e há, ainda, outras redes concelhias em que há prova escrita e prova oral ou de palco. 

A fase final, por questões logísticas, ainda se estrutura em prova escrita e prova de palco, com júri definido pelo concelho e pelo Agrupamento de Escolas que recebe a respetiva edição, tendo este ano cabido esse papel à biblioteca Escolar da Escola Básica de Corga de Lobão, em Santa Maria da Feira. 

Um dos grandes destaques desta edição é a diversidade de metodologias utilizadas nos apuramentos. Não se fixando num modelo único e expondo os alunos a diferentes abordagens, o concurso permitiu trabalhar diversas dimensões, nomeadamente o rigor de análise e a interpretação, já que, através de provas de escolha múltipla, os alunos consolidaram a atenção ao detalhe e a compreensão textual, desenvolvendo também a capacidade de interpretar emoções e de comunicar o ritmo da narrativa através da voz, por via da leitura expressiva. O espírito crítico e a capacidade de argumentação foram estimulados com os debates realizados, tendo aí a leitura deixado de ser um ato silencioso para se tornar uma ferramenta de cidadania, onde os alunos aprenderam a defender ideias, a ouvir o outro e a construir pensamento crítico e a exposição ao confronto dos colegas e às questões do júri preparou os jovens para a articulação de respostas estruturadas sob pressão. 

Outro aspeto a destacar neste concurso é a colaboração entre equipas de Professores Bibliotecários e Bibliotecas Municipais, através do SABE, nestes cinco concelhos vizinhos, o que promove um sentimento de comunidade educativa alargada e consolida redes de trabalho coletivo. Por outro lado, quando se cruzam alunos de diferentes escolas de cada agrupamento, na fase de escola, se encontram alunos dos diversos Agrupamentos de Escolas de cada concelho, na fase concelhia, ou, na fase final, se reúnem alunos de Arouca, de Santa Maria da Feira, de S. João da Madeira, de Vale de Cambra ou de Oliveira de Azeméis, a leitura passa a ser o elo que os conecta, promovendo uma sã competitividade que resulta numa celebração do conhecimento.  

O ConcIL resulta em que, ao longo de meses, de outubro a maio, os alunos se façam acompanhar de livros, transformando a leitura num hábito persistente e não num momento fugaz. 

Este ano, parámos de crescer, já que contámos com 2746 alunos do 1.º CEB, 2562 do 2.º CEB, 3644 do 3.º CEB e 941 alunos do ensino secundário, num total de 9893 alunos de 19 Agrupamentos de Escolas dos 5 concelhos participantes, ao invés dos 10 491 participantes do ano anterior. Contudo, analisados os números, crescemos no 2.º e no 3.º CEB, importante conquista, por serem os ciclos de ensino em que começa e se instala a erosão dos hábitos de leitura. Tivemos menos participantes no 1.º CEB e no ensino secundário, talvez fruto da maior necessidade de os alunos destes ciclos de ensino interiorizarem o novo modelo proposto. 

Após a fase municipal, feito o balanço com os alunos, a opinião generalizada é de que o novo modelo deve ser mantido, por ser mais desafiante e mais propiciador da criação de comunidades de leitura em que leitura individual se transforma em experiência coletiva. 

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