
No âmbito da candidatura ao projeto “Todos juntos podemos ler”, a Escola Básica António de Ataíde tem vindo a desenvolver um conjunto de atividades que promovem a inclusão, a valorização da diversidade cultural e o desenvolvimento de competências de leitura, escrita e literacia digital em língua portuguesa, dirigidas a alunos estrangeiros (cerca de 20 alunos).
Para a concretização do projeto “ALL in – Todos Somos p’Arte”, a direção da escola atribuiu horas a docentes que integram a equipa responsável pela sua implementação, da qual a professora bibliotecária faz parte.
A primeira atividade, intitulada “Cubo de Identidade”, iniciou-se com uma verdadeira “viagem” pelos países de origem dos alunos envolvidos. Nesta viagem simbólica, os alunos contactaram com as personagens do livro “Força Africana: O dia em que o Sol desapareceu”, cujas vivências, características e percursos se aproximam das suas próprias experiências. A partir deste ponto de partida, foi lançado o desafio de cada aluno criar um cubo de identidade pessoal, onde representou elementos significativos do seu país de origem. Este trabalho permitiu não só valorizar as raízes culturais de cada aluno, como também dar a conhecer à comunidade escolar a riqueza da diversidade existente na escola.
Posteriormente, os alunos transformaram os seus cubos em apresentações em PowerPoint (PPT). Esta etapa revelou-se fundamental para o desenvolvimento das competências de escrita em língua portuguesa, bem como para a promoção da literacia e capacitação digital. Em seguida, em trabalho de grupo, selecionaram diapositivos das suas apresentações e construíram cubos coletivos, representativos de cada país. Estes cubos formam atualmente uma estrutura expositiva num dos corredores de acesso às salas, junto à biblioteca, dando visibilidade ao projeto perante toda a comunidade escolar.
No final de cada sessão, ia sendo lido em voz alta um excerto do livro “Força Africana: O dia em que o Sol desapareceu” pela professora bibliotecária. Em uma das sessões, os alunos tiveram ainda a oportunidade de conversar com a autora, Paula Cardoso, que se disponibilizou a deslocar-se à Biblioteca Escolar para este encontro.
Outra atividade marcante do projeto foi a leitura de parte do conto “A flor vai ver o mar”, de Alves Redol, autor local. Esta experiência foi enriquecida com a visita a uma exposição sobre o teatro neorrealista, proporcionando aos alunos um contacto direto com o património cultural e artístico local. Para reforçar a ligação entre a obra literária e a exposição, a leitura foi dramatizada pela professora bibliotecária e pela técnica superior do Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira, utilizando o próprio espaço expositivo como cenário.
Na sequência desta experiência, um artista plástico ligado ao museu dinamizou uma oficina de artes visuais na escola, permitindo aos alunos explorar diferentes formas de expressão artística.
Paralelamente, foi desenvolvido um coro de leitura em voz alta, a partir do conto trabalhado, incentivando a leitura expressiva e colaborativa.
Num outro momento, os alunos criaram nuvens de palavras inspiradas no conto e, a partir destas, preencheram um guião com as suas ideias e com base nas personagens da história, sendo desafiados a escrever microcontos em grupo. Esta atividade teve como objetivos promover a criatividade, o trabalho colaborativo e a consolidação das competências de escrita em língua portuguesa junto de alunos estrangeiros.
De forma inovadora, os alunos, apoiados pelos professores, recorreram também à IA Generativa (Copilot) para melhorar os seus textos. Posteriormente, realizaram uma análise comparativa entre as versões originais e as sugestões geradas pela ferramenta, identificando melhorias ao nível da estrutura, do vocabulário e da clareza textual. Este processo contribuiu para o desenvolvimento do pensamento crítico e da literacia digital.
Como culminar desta atividade, os microcontos serão ilustrados manualmente pelos alunos, servindo essas ilustrações de base para a criação de uma curta-metragem, que será posteriormente divulgada junto da comunidade educativa através das redes sociais. As imagens serão digitalizadas e animadas com recurso à ferramenta Animated Drawings.
Este conjunto de atividades evidencia o papel fundamental da biblioteca escolar enquanto espaço de inclusão, criatividade e inovação pedagógica, onde todos os alunos encontram oportunidades para aprender, partilhar e crescer, tornando visível esse crescimento.

O projeto conta ainda com a colaboração de diversas entidades parceiras, nomeadamente os Museus Municipal de Vila Franca de Xira e do Neo-Realismo, bem como a Biblioteca Municipal- Fábrica das Palavras. À semelhança das atividades já acima referidas, esta última tem articulado com a equipa do projeto, oferecendo um ateliê de teatro com a Crinabel e uma Sessão do Conto “Nha Identidade Crioula-Africana”. Outras atividades encontram-se já programadas para breve.
Tal como pode ser observado, na reportagem divulgada no programa Rumos (RTP África), os alunos referem que adoraram as visitas de estudo, o contacto com a obra de Alves Redol e a escrita de contos, destacando, no entanto, a construção dos cubos de identidade como a atividade mais significativa, por lhes permitir partilhar aspetos dos seus países, culturas e “matar saudades”. Os docentes envolvidos reconhecem a importância deste projeto, o trabalho desenvolvido em prol da inclusão e o apoio às aprendizagens dos alunos participantes.
Tem sido particularmente gratificante observar a participação empenhada destes alunos nas atividades, realizadas fora do seu horário letivo, com elevada assiduidade. Sentem-se envolvidos, motivados e cada vez mais integrados na comunidade escolar.
“Eles sabem que podem confiar, e é muito reconfortante saber que podemos fazer a diferença na vida destes meninos!” — testemunho da Professora Teresa Henriques, coordenadora do projeto.
Link para o blogue do projeto: Todos Somos P’Arte!