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Leitura autónoma melhora o desempenho escolar: estudo confirma!

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Existem correlações fortes entre hábitos de leitura e sucesso escolar no ensino básico 

Um estudo recente, realizado no âmbito do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Bibliotecas Escolares da Escola Superior de Educação de Fafe (Instituto Europeu de Estudos Superiores), intitulado «A Influência dos Hábitos de Leitura no Desempenho Escolar dos Alunos do Ensino Básico», da autoria de Ana Fernandes Silva e orientado pelo Professor Doutor César Augusto Martins Miranda de Freitas, vem reforçar o papel determinante da leitura no percurso escolar dos alunos. 

O trabalho adotou uma metodologia mista, quantitativa e qualitativa, de natureza descritivo-correlacional, aplicada a 200 alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico da Escola Básica e Secundária D. Dinis, de Santo Tirso. Os instrumentos de recolha de dados incluíram questionários online e a análise das classificações escolares do 1.º período. 

Frequência de leitura e desempenho escolar 

Os resultados revelam associações positivas e estatisticamente significativas entre a frequência de leitura autónoma, a utilização da biblioteca escolar e o desempenho escolar, com coeficientes de correlação de Spearman entre rs = 0,21 e rs = 0,37 (p < 0,05). 

Observa-se uma tendência crescente de sucesso em ambos os ciclos: os alunos que leem diariamente apresentam médias globais de 4,13 (2.º ciclo) e 4,03 (3.º ciclo), comparativamente a 3,00 e 3,16, respetivamente, nos alunos que não têm hábitos de leitura. A correlação de Spearman foi estatisticamente significativa: rs = 0,37 (2.º ciclo) e rs = 0,23 (3.º ciclo). Em todas as disciplinas analisadas, os alunos que leem com maior frequência, diariamente ou três a quatro vezes por semana, obtêm médias escolares claramente superiores. 

Biblioteca escolar 

No que respeita à utilização da biblioteca escolar, verifica-se uma associação significativa no 2.º ciclo (rs = 0,31), que não se confirma no 3.º ciclo (rs = 0,06, n.s.). No 2.º ciclo, 46% dos alunos que visitam a biblioteca regularmente apresentam uma média global de 4,11, contra 3,56 nos alunos que raramente a frequentam. 

Contexto familiar 

O contexto familiar revela-se um fator mais determinante do desempenho no 3.º ciclo do que no 2.º ciclo. A disponibilidade de livros em casa apresenta correlações de rs = 0,18 (n.s.) no 2.º ciclo e rs = 0,28 no 3.º ciclo; o incentivo familiar à leitura regista rs = 0,10 (n.s.) no 2.º ciclo e rs = 0,25 no 3.º ciclo. Verificou-se ainda que ambos os fatores se correlacionam moderadamente com o rendimento escolar. 

Outros resultados relevantes 

O estudo destaca ainda um conjunto de dados de especial interesse. A motivação intrínseca, o «gosto pessoal», é o principal motor da leitura, sendo que cerca de 75% dos alunos afirmam ler por prazer e curiosidade própria. Embora a «falta de tempo» seja o obstáculo mais referido, são precisamente os alunos que a apontam aqueles que obtém melhores resultados escolares. Mais de 50% dos alunos consideram que a leitura melhora a concentração e contribui para a redução do stress. Por fim, 95,4% dos alunos do 2.º ciclo e 85,8% dos do 3.º ciclo gostariam de ler mais do que leem atualmente. 

Recomendações para as bibliotecas escolares 

Com base nos resultados obtidos, o estudo apresenta recomendações claras e de aplicação prática. Propõe-se reforçar intervenções precoces de promoção da leitura, criar condições atrativas para a leitura autónoma e recreativa no espaço da biblioteca, articular com as famílias e os diretores de turma para reforçar o incentivo à leitura em casa, e posicionar a biblioteca escolar como espaço central de desenvolvimento de hábitos leitores duradouros e de apoio ao sucesso educativo. 

Estes resultados demonstram que a leitura autónoma e recreativa assume um papel estruturante no percurso escolar dos alunos. O estudo reforça que intervenções precoces e sistemáticas, particularmente no âmbito das bibliotecas escolares, são fundamentais para promover hábitos de leitura duradouros e combater o insucesso escolar. 

Com base em dados concretos recolhidos em contexto português, o estudo confirma o que a investigação internacional tem vindo a demonstrar: a biblioteca escolar não é apenas um espaço de livros, mas um verdadeiro motor de equidade e excelência educativa. 

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