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10 Minutos a Ler que Abrem o Mundo: quando a sala de aula lê o PÚBLICO

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Num mundo em constante transformação, em que a informação circula à velocidade de um clique e as fronteiras entre o local e o global se esbatem, a escola assume um papel determinante na formação de cidadãos críticos, informados e participativos. Neste contexto, torna-se essencial promover uma articulação consistente entre leitura, escrita e oralidade, entendidas não como competências isoladas, mas como práticas integradas que permitem compreender e intervir no mundo.

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Ler, escrever e comunicar são, hoje, atos de cidadania. Quando trabalhadas de forma articulada, estas competências potenciam aprendizagens mais significativas, ligando o currículo à realidade e promovendo o desenvolvimento de um pensamento crítico e autónomo.

A articulação e a integração flexível do currículo em projetos afiguram-se, por vezes, estratégias difíceis de concretizar.  As múltiplas exigências feitas aos professores, nomeadamente, no cumprimento de programas e a preparação para os exames no ensino secundária, desmotiva-os para a concretização de projetos. No entanto, uma colaboração efetiva com a Biblioteca Escolar e uma articulação de projetos e atividades bem planeada e estruturada, pode fazer a diferença.

No Agrupamento de Escolas da Moita, concelho da Moita, desde o ano letivo 2022/2023 desenvolve-se a boa prática de conjugar projetos na disciplina de Português. Neste ano letivo o projeto do agrupamento “10 minutos a Ler” associou-se aos projetos de continuidade da Biblioteca Escolar: “Público na Escola – Isto também é comigo!” e “Diários de Leitura e Escrita” com o objetivo de desenvolver competências transversais dos alunos.

As atividades desenvolvidas no âmbito dos referidos projetos, cruzam a atualidade com as aprendizagens curriculares. No dia a dia da sala de aula estas práticas concretizam-se de forma simples, mas eficaz. Semanalmente, no âmbito do projeto “10 minutos a ler”, os alunos leem o jornal Público, selecionam um artigo do seu interesse e, a partir dele, elaboram um texto de opinião. Esta atividade não só promove a leitura regular, como desenvolve a escrita argumentativa e o contacto direto com temas da atualidade. Para além disso, estes textos são apresentados oralmente em sala de aula, seguidos de momentos de debate, permitindo trabalhar também o domínio da oralidade. Desta forma, a leitura, a escrita e a expressão oral surgem integradas, reforçando competências essenciais e promovendo uma aprendizagem mais abrangente. 

Um fator adicional de motivação para os alunos trabalharem estas competências, é o facto dos seus textos poderem ser submetidos à iniciativa “Isto também é comigo”, um concurso nacional promovido pelo jornal Público e pela Rede de Bibliotecas Escolares, que premeia os melhores textos de opinião a nível nacional. Ao longo deste estes últimos quatro anos foram distinguidos três alunas como vencedoras, cujo sucesso se revelou motivador para elas e para os colegas de turma. Este reconhecimento tem fomentado uma participação mais ativa dos alunos na vida escolar.

Estas práticas revelam ainda como é possível integrar o conhecimento do mundo global na escola, tornando as aprendizagens mais relevantes e contextualizadas. Ao contactar com notícias, refletir sobre problemas contemporâneos e expressar opiniões fundamentadas, os alunos tornam-se participantes ativos no seu processo de aprendizagem e desenvolvem uma consciência crítica sobre a realidade que os rodeia.

Mais do que projetos isolados, estas iniciativas representam uma visão pedagógica coerente, onde a escola se abre ao mundo e o mundo entra na escola. Assim, promove-se uma educação que não se limita à transmissão de conteúdos, mas que forma leitores, escritores e comunicadores capazes de compreender, questionar e transformar a realidade.

Porque educar é, cada vez mais, ensinar a ler o mundo e a ter voz nele!

A Professora de Português e Professora Bibliotecária,
Beatriz Sousa

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