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Literacia: muito para além de saber ler e escrever

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O Dia Internacional da Literacia é uma oportunidade para avaliar o progresso e estimular a celebração da literacia como um direito humano essencial que desempenha um papel fundamental nas nossas sociedades.

Em 1979, apenas 68% da população mundial sabia ler e escrever. Em 2020, este número tinha subido para 86,7%. Apesar deste progresso, 771 milhões de jovens e adultos em todo o mundo ainda não possuem competências básicas de alfabetização – 60% dos quais são raparigas e mulheres. A COVID-19 está a exacerbar esta questão.

Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Alfabetização, 8 de setembro de 2022

Desde 1967, as comemorações do Dia Internacional da Literacia (8 de setembro) acontecem anualmente em todo o mundo para lembrar que esta é uma questão de dignidade e direitos humanos e para fazer avançar a agenda dos países em direção a uma sociedade mais alfabetizada e sustentável.

Há muito tempo que os estudos vão apontando para a enorme importância da literacia enquanto métrica global para avaliar a saúde e a competência das comunidades. Altas taxas de literacia correlacionam-se com tudo, desde melhor acesso a oportunidades económicas, a melhor nutrição e sustentabilidade ambiental, até a mais altas taxas de esperança de vida.

O fortalecimento da literacia global é uma ferramenta para um envolvimento significativo com a sociedade e sustenta todos os Objetivos de Desenvolvimento sustentável da UNESCO, reconhecendo-se que ideais como igualdade de género, infraestruturas sustentáveis e erradicação da pobreza e da fome não são possíveis sem populações alfabetizadas. É uma ferramenta para o progresso humano.

Se hoje é claro que literacia determina o sucesso coletivo e que, como diz Audrey Azoulay, é um direito humano fundamental relativamente ao qual nós, educadores, temos um papel inalienável a desempenhar, é igualmente evidente que literacia hoje não é o mesmo que em 1967 quando o dia foi criado.

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Durante décadas e até séculos, a literacia foi associada exclusivamente à capacidade de ler e escrever. É muito grave que, em todo o mundo, 771 milhões de pessoas ainda não saibam ler e escrever ou que em muitos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento cerca de metade das crianças de 10 anos não consigam ler e compreender uma história simples.

No entanto a questão assume contornos ainda mais preocupantes, pois literacia, hoje, não pode restringir-se a saber ler e escrever. Quantos conhecem os rudimentos, mas não são efetivamente capazes de usar esse conhecimento para transformarem as suas vidas? Quantos descodificam as mensagens verbais, mas são incapazes de exercerem sobre essas mensagens o necessário pensamento crítico? Ou de organizarem as suas ideias para comunicarem de forma clara e assertiva?

E tudo se complexifica, quando saber ler e escrever, refletir e comunicar ainda não é suficiente para dominar a literacia, pois a revolução digital em curso exige um conceito muito mais robusto: a literacia é hoje entendida pela UNESCO como “um meio de identificação, compreensão, interpretação, criação e comunicação num mundo cada vez mais digital, mediado por texto, rico em informações e em rápida mudança”.

Face às dificuldades globais e aos retrocessos provocados pela pandemia COVID 19 na área da educação, em 2022, este dia é assinalado sob o tema «Transforming Literacy Learning Spaces», configurando uma oportunidade de repensar a importância fundamental dos espaços de aprendizagem para a construção de resiliência e como garantia de educação de qualidade, equitativa e inclusiva para todos.

Veja o vídeo da UNESCO:

Neste Dia Internacional da Literacia, recordamos o compromisso a que as bibliotecas escolares estão eticamente obrigadas: Contribuir para que os alunos saibam ler e escrever, mas também aceder à informação e usá-la, num mundo cada vez mais mediado por ambientes digitais. É por isso que, por muitos projetos e atividades, propostas e novidades com que as bibliotecas sejam aliciadas e se envolvam, o fundamental do seu trabalho permanece: contribuir para que todos tenham acesso à leitura e à informação, ou seja, contribuir para o desenvolvimento dos índices de literacia nas nossas escolas.

Assim, 8 de setembro é também dia das bibliotecas escolares. Que elas sejam espaços de aprendizagem de literacia transformados e transformadores: seguros, inclusivos e resilientes e que não deixem ninguém para trás.

3 Comments on “Literacia: muito para além de saber ler e escrever

  1. Excelente texto! Sou testemunha do drama que é não saber ler nem escrever. Com sete anos, era eu que lia as cartas, que o meu pai, a trabalhar longe de casa, escrevia à minha mãe. Ela viveu toda a vida revoltada por só a terem deixado ir um dia à Mestra, depois teve de tomar conta dos irmãos.
    Não havia Escolas, o meu pai, na juventude, depois de acabar o dia de trabalho, à noite, aprendeu com uma Mestra, e sabia muito bem ler, escrever e fazer contas.

  2. viva a literacia, a inclusao e tudo isso, que o post é admirávelmente correto.

    Nesta “viagem” no nosso país e nosso mundo importa capacitar, envolvendo todos. O a seguir a sociedade nao precisar de tamanhas qualificaçoes, é outro assunto.
    Ainda assim que “sentido” um pais africano pobre endividar-se para oferecer escolarizaçao aos seus, e a seguir esses recursos sairem para outros paises …

    A UNESCO pensa em grande e muito bem… mas voltando aos pobres de africa, a primeira capacitaçao eram muni-los de canas ( a tal coisa de cana de pescar ) para que pudessem trasnsformar, melhorando, as condiçoes em que vivem. (nao estou a falar de tecnologia, sim de “industrializaçao” primária dirigida á melhoria das condiçoes em que vivem )

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