
Imagem de yourstagedrama por Pixabay
Na Semana Internacional da Educação Artística (assinalada todos os anos na quarta semana de maio) remetemos para o texto da UNESCO, entidade promotora desta comemoração, em tradução livre. É difícil dizer o mesmo por melhores palavras.
“A arte, em toda a sua diversidade, é uma componente essencial de uma educação abrangente para o pleno desenvolvimento do indivíduo. Hoje em dia, as competências, os valores e os comportamentos promovidos pela educação artística são mais primordiais do que nunca. Estas competências – criatividade, colaboração e resolução imaginativa de problemas – desenvolvem a resiliência, alimentam a apreciação da diversidade cultural e a liberdade de expressão, e cultivam a inovação e as capacidades de pensamento crítico. Como um vetor de diálogo no sentido mais elevado, a arte acelera a inclusão social e a tolerância nas nossas sociedades multiculturais e interligadas.
A arte aproxima-nos. Uma pintura, um artefacto, uma peça de música ancestral falam muito da história das civilizações e dos laços que as ligam. Faz-nos sentir e compreender o que une a humanidade na diversidade das suas culturas e expressões, contribuindo assim para o nosso futuro brilhante e sustentável.
Esta consciência da arte pode ser adquirida desde tenra idade e mantida ao longo da vida. É com a convicção de que a criatividade e as artes, e a aprendizagem das mesmas, contribuem para a construção de sociedades prósperas e pacíficas que a UNESCO encoraja os seus Estados-membros a apoiar a educação artística, na escola e para além dela. A educação artística é uma chave para formar gerações capazes de reinventar o mundo que herdaram. Apoia a vitalidade das identidades culturais, enfatizando as suas ligações com outras culturas, contribuindo assim para a construção de um património comum. Ajuda a formar cidadãos tolerantes e dinâmicos para o nosso mundo globalizado.”
A inutilidade da arte é um “estribilho”. Por outro lado, a arte não é neutra e interpela sentidos e emoções. Observar, produzir e participar. Refletir sozinho e com os outros. Questionar e debater. Inquietar-se, entristecer-se e alegrar-se. Apreciar, amando ou detestando. Durante a pandemia que nos assola, temos sido testemunhas de como diferentes formas de arte trazem alívio em tempos de confinamento, paz em tempo de angústia, solidariedade em tempos de solidão. Comprovando-se uma perceção antiga e paradoxal em relação à arte nas nossas vidas, afinal como pode uma coisa que não serve para nada, ser indispensável ao ser humano?
Que diferentes expressões artísticas conhecemos? Como nos relacionamos com elas? E as que desconhecemos? Como podemos aprender mais sobre elas? A arte tem que ser bela? Todos podemos ser artistas? Todos somos criativos? Que relação existe entre a arte e o bem-estar? Este tema convida a perguntar ininterruptamente, pois cada resposta transporta em si um conjunto de novas perguntas.
A leitura mediada de livros álbum é uma oportunidade para criar um espaço/ tempo para pensar em conjunto, fazer perguntas e partilhar ideias, experiências e emoções sobre estas questões. Sugere-se um conjunto de livros que, pelas suas características textuais e gráficas, podem ser utilizados com alunos de diferentes faixas etárias.
O sonho de Mateus, de Leo Lionni, Kalandraka

Os ratos eram muito pobres, mas tinham grandes expetativas para Mateus. Quando ele crescesse, talvez viesse a ser médico. Então, teriam queijo parmesão ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. Mas quando lhe perguntavam o que é que ele queria ser, Mateus respondia:– Não sei… Eu quero ver o mundo.
A arte como escaparate de conhecimento e cultura do mundo inteiro; como expressão de criatividade e liberdade; como caminho para transformar a realidade. (resenha da editora)
MVSEVM. Manuel Marsol e Javier Sáez Castán, Orfeu Negro

O que é um Museu?
Será um mero local de arquivo de imagens e objectos ou um espaço que todos podemos recriar em cada olhar? E será estática a nossa visão ou transformativa?
Neste álbum silencioso de Javier Sáez Castán e Manuel Marsol, dois grandes ilustradores do nosso catálogo, um misterioso museu cativa e brinca com um visitante incauto, a ponto de não o querer deixar sair. (resenha da editora)
A Sinfonia dos Animais, Dan Brown, Bertrand Editora

Nesta história, cada animal tem uma característica que o distingue e transporta um instrumento musical. Individualmente, podem não parecer muito importantes, mas em grupo tornam-se surpreendentes. Quando – conduzidos pelo Maestro Rato – se juntam numa orquestra, o resultado é uma sinfonia afinada e maravilhosa, em que todos os músicos e instrumentos se revelam imprescindíveis e se completam. (resenha da editora)
A Orquestra, Avalon Nuovo, Editora Fábula

Em bandas sonoras de cortar a respiração ou em emocionantes apresentações ao vivo, a atuação de uma orquestra é, sem dúvida, um espetáculo único. Vem conhecer alguns dos mais famosos compositores de todos os tempos, os instrumentos que constituem uma orquestra sinfónica e importantes salas de concerto que vale a pena visitar. Com ilustrações de grande qualidade, num estilo original, elegante e sóbrio, este é o livro ideal para iniciar as crianças no mundo da música. (resenha da editora)
Dança, João Fazenda, Pato Lógico

Ele quer dançar, mas o corpo não obedece; ela é leve e balança. Ele é contido e rectilíneo; ela é descontraída e voa com ritmo. Ele vive num mundo ortogonal, pesado e previsível, até descobrir que há pesos que devem ficar para trás. Prémio Nacional de Ilustração 2015 (resenha da editora)
O Livro dos Erros, Corinna Luyken, Editora Fábula

Nos desenhos, nos textos e na vida, os erros acontecem. Este livro é sobre os erros, e sobre como se podem transformar em algo melhor do que aquilo que tínhamos sonhado ou planeado. Um livro-presente para várias pessoas e situações. Tocará todos aqueles que o lerem e a história ficará na memória de todos os leitores. Mesmo os maiores «erros» podem ser a fonte das ideias mais brilhantes! (resenha da editora)
Como Ser um Explorador do Mundo: Museu de (Arte) Vida Portátil, Keri Smith, Editorial Planeta

A qualquer momento, onde quer que estejas, há centenas de coisas à tua volta que poderão ser interessantes e que vale apena registar. Explora-as! Aviso a quem comprar este livro: Se descobrires que és incapaz de usar a tua imaginação, deverás pousar este livro de imediato. Não é para ti. Ao longo dele. Ser-te-á pedido repetidamente que…suspendas a tua descrença, realizes tarefas que te farão sentir um pouco estranho, olhes para o mundo de formas que te farão pensar de uma maneira diferente, realizes experiências com regularidade e vejas objetos inanimados como vivos. (resenha Wook)
História da Imagem para Crianças, David Hockney, Martin Gayford e Rose Blake, Edicare

A história da imagem começa nas cavernas e termina, neste momento, num tablet. Quem sabe onde irá a seguir? Junta-te a David Hockney, a Martin Gayford e à ilustradora Rose Blake numa incrível e original viagem pela história da imagem. Com eles, irás descobrir uma muito ampla variedade de obras-primas, nos mais diversos formatos e suportes. Este livro abrir-te-á os olhos para um mundo repleto de imagens e para um maravilhoso despertar para a cultura visual. (resenha da editora)
Republicação: 1.ª publicação em 2021-05-26
Bom dia! As indicações de leitura são maravilhosas. Sou uma apaixonada pelo poder da literatura infantil. Sou professora na Educação Infantil e acreditem, neste período de pandemia, ah…se não fosse a literatura narrada. O que teria sido de nós. Gratidão pela partiha!
Fiquei contente por constatar ter nas nossas BE os livros de algumas das propostas dadas. Já vou dinamizar algumas delas. São todas muito boas!

Obrigado