Alain de Botton, considerado um filósofo do quotidiano, autor de uma vasta obra em que tenta pensar os problemas do nosso tempo a partir de ideias dos grandes filósofos clássicos, esteve em Lisboa como orador das conferências Inovar a Reforma. Durante a estadia concedeu uma entrevista ao jornal Destak, de que citamos dois excertos, mas sugerimos vivamente a sua leitura integral:
O que é a «Escola da Vida»
A School of Life, que fundei e funciona em Londres, é uma tentativa, que começou há alguns anos, de transferir sabedoria. Normalmente na educação transferimos conhecimento, mas nunca tentamos passar sabedoria… Por sabedoria quero dizer a arte de viver, como vivemos, como amamos, como morremos. Temos a ilusão de que vamos aprendendo pelo caminho, que ao contrário de astrofísica ou da matemática é um assunto óbvio… Ou seja, julgamos que conseguimos ensinar matemática, mas que não conseguimos ensinar como se envelhece, que não há nada a aprender, mas claro que há… Estamos agora a fazer um projecto sobre o envelhecimento e teremos aulas exactamente sobre essa “matéria”. Os alunos são brancos, pretos, ricos, pobres, novos, velhos, é muito democrático.
Dar mais valor à sabedoria
Como sociedade precisamos de aprender a transformar a sabedoria que herdamos do passado, para que cada geração não tenha de descobrir do princípio o que é o amor, o casamento, como educar um filho. Queremos aprender estas lições dos nossos antepassados a tempo de nos serem úteis. Era louco pensar que cada geração tinha de voltar a descobrir a lei da Gravidade, e no entanto quando se chega às áreas da sabedoria, não sei como queremos acreditar que cada um de nós devia redescobrir como viver sabiamente e bem. É disparate e uma perda enorme de tempo. A filosofia é dedicada à sabedoria, essa parte do conhecimento que nos transmite coisas que não só são verdade,mas que além disso nos ajudam, nos fazem sentir melhor, menos sozinhas, com menos medo.
A sabedoria de Alain de Botton
Ler mais no Destak, 5 dez. >>