{"id":853600,"date":"2009-11-23T00:19:00","date_gmt":"2009-11-23T00:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/853600.html"},"modified":"2026-05-14T05:18:25","modified_gmt":"2026-05-14T05:18:25","slug":"usos-e-representacoes-da-internet-na-familia-e-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=853600","title":{"rendered":"Usos e representa\u00e7\u00f5es da internet na fam\u00edlia e na escola"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: left;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><\/span><\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Ktgp5ZkbTjk\/SwlFBhDlNII\/AAAAAAAAAgY\/zhE7Qhzk_aM\/s1600\/cri+e+net.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/crienet.jpg\" yr=\"true\" \/><\/a><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\">J\u00e1 se encontra dispon\u00edvel o relat\u00f3rio da 1\u00aa fase do estudo <b><i>Crian\u00e7as e internet: usos e representa\u00e7\u00f5es: a fam\u00edlia e a escola,<\/i><\/b> coordenado por Ana Nunes de Almeida, do <a href=\"http:\/\/www.ics.ul.pt\/instituto\/\">Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa<\/a>, comiss\u00e1ria \u00a0e interveniente na confer\u00eancia &#8220;Inf\u00e2ncia, Crian\u00e7as e Internet,&#8221; a decorrer na Gulbenkian<b>\u00a0<\/b>. <\/span><\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\">Para a realiza\u00e7\u00e3o do estudo foi aplicado um question\u00e1rio a\u00a0<\/span><span style=\"font-family: Arial;\">\u00a03039\u00a0crian\u00e7as e jovens dos 1\u00ba, 2\u00ba e 3\u00ba ciclos do ensino b\u00e1sico, maioritariamente entre os 10 e os 15 anos de idade. Estiveram envolvidas 50 escolas, p\u00fablicas e privadas,\u00a0pertencentes \u00e0s 5 Direc\u00e7\u00f5es Regionais de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial;\">Um estudo fundamental para o conhecimento e reflex\u00e3o sobre o uso da Internet no meio familiar e na escola, do qual citamos, aqui, algumas notas conclusivas:<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><i>A introdu\u00e7\u00e3o das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o no quotidiano das crian\u00e7as \u00e9 um facto incontorn\u00e1vel. Os resultados do inqu\u00e9rito ilustram um quase universal acesso ao computador com liga\u00e7\u00e3o \u00e0 internet. Contudo, apesar desta not\u00e1vel inova\u00e7\u00e3o que parece atingir largas franjas de popula\u00e7\u00e3o infantil, descobrem-se alguns sinais de diferen\u00e7a no interior da tend\u00eancia marcante. Na perspectiva das crian\u00e7as, e apesar da presen\u00e7a e at\u00e9 por vezes abund\u00e2ncia de equipamentos na escola (ex.: n\u00ba de computadores, n\u00ba computadores ligados \u00e0 internet, exist\u00eancia de banda larga), os usos da internet no processo de ensino-aprendizagem ficam bem aqu\u00e9m do retrato desenhado pelas estat\u00edsticas oficiais ou pelos testemunhos recolhidos junto dos pr\u00f3prios dirigentes dos estabelecimentos de ensino. No campo educativo, as crian\u00e7as dizem usar pouco a internet na sala de aula, na rela\u00e7\u00e3o com a escola ou com os professores; muito raramente \u00e9 introduzida no ensino de disciplinas curriculares que n\u00e3o as TIC ou a \u00c1rea de Projecto. A internet \u00e9 utilizada sobretudo como complemento ou enriquecimento de tarefas e de trabalhos escolares que, antes, se faziam sem ela. Na escola, na sala de aula, a navega\u00e7\u00e3o na net \u00e9 directivamente feita sob encomenda (do professor), enquadrada em objectivos pr\u00e9-definidos, com restri\u00e7\u00f5es de tempo. A explora\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto, o deambular n\u00f3mada e sem hor\u00e1rio entre sites e conte\u00fados, o ensaio experimental de novas compet\u00eancias ou funcionalidades podem certamente em alguns casos ocorrer na escola, ali\u00e1s sobretudo fora das aulas. Por\u00e9m, estas actividades concentram-se, por excel\u00eancia, no espa\u00e7o extra-escolar. <\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><i>A casa \u00e9, assim, um lugar estrat\u00e9gico de aprendizagens \u2013 onde a internet constitui n\u00e3o s\u00f3 um recurso educativo, mas tamb\u00e9m informativo, l\u00fadico e comunicacional. A partir de casa a crian\u00e7a entra no espa\u00e7o global, exercitando-se como indiv\u00edduo activo, decisor e investigador por conta pr\u00f3pria, tirando partido e construindo o seu lugar na cultura de pares. (\u2026). \u00c9 muito expressiva a parcela de inquiridos que afirma ter aprendido a navegar \u201csozinho\u201d; por outro lado, a esmagadora maioria das crian\u00e7as declara ser a pessoa que mais a usa a internet em casa, como tamb\u00e9m se considera auto-suficiente na gest\u00e3o dos seus canais de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, nas modalidades de descoberta e visita de p\u00e1ginas Web. <\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><i>Fora da escola continua a jogar-se muita da aquisi\u00e7\u00e3o da literacia digital, dos seus usos mais sofisticados, gratificantes e multifacetados; e tamb\u00e9m a modernidade da condi\u00e7\u00e3o infantil. Da\u00ed o facto de as formas mais persistentes de clivagem digital continuarem a actuar a partir de casa, distinguindo crian\u00e7as escolarizadas, cujos pais s\u00e3o eles pr\u00f3prios consumidores intensivos destes bens e servi\u00e7os, utilizadores profissionais e competentes de novas TIC, os quais as iniciam e acompanham no seu uso, das crian\u00e7as com origens sociais desfavorecidas, residentes em \u00e1reas n\u00e3o-urbanas do Pa\u00eds, cujos pais mais dificilmente suportam (ou compreendem) a relev\u00e2ncia da compra do acesso dom\u00e9stico \u00e0 internet (a que se somar\u00e3o as defici\u00eancias de cobertura dos servi\u00e7os de acesso \u00e0 internet por parte dos diversos operadores comerciais). E da\u00ed a urg\u00eancia de a escola repensar o lugar e o estatuto da internet no sistema de ensino-aprendizagem, de modo a proporcionar a todas as crian\u00e7as, no espa\u00e7o escolar, os seus diversificados n\u00edveis de dom\u00ednio. (\u2026) Se a escola, para al\u00e9m do acesso, n\u00e3o oferecer a todos os seus alunos esse uso de qualidade e plurifacetado estar\u00e1 a vedar \u00e0s crian\u00e7as com origens familiares desfavorecidas o acesso a novas oportunidades de aprendizagem, de consolida\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias digitais criativas e, at\u00e9, de integra\u00e7\u00e3o na cultura dominante de pares.<\/i><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;\"><i>Crian\u00e7as e internet: usos e representa\u00e7\u00f5es: a fam\u00edlia e a escola<\/i> <\/span><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;\"><a href=\"http:\/\/www.crinternet.ics.ul.pt\/icscriancas\/content\/documents\/relat_cr_int.pdf\">&gt;&gt;<\/a><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 se encontra dispon\u00edvel o relat\u00f3rio da 1\u00aa fase do estudo Crian\u00e7as e internet: usos e representa\u00e7\u00f5es: a fam\u00edlia e a escola, coordenado por Ana Nunes de Almeida, do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa, comiss\u00e1ria \u00a0e interveniente na confer\u00eancia &#8220;Inf\u00e2ncia, Crian\u00e7as e Internet,&#8221; a decorrer na Gulbenkian\u00a0. 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Contudo, apesar desta not\u00e1vel inova\u00e7\u00e3o que parece atingir largas franjas de popula\u00e7\u00e3o infantil, descobrem-se alguns sinais de diferen\u00e7a no interior da tend\u00eancia marcante. Na perspectiva das crian\u00e7as, e apesar da presen\u00e7a e at\u00e9 por vezes abund\u00e2ncia de equipamentos na escola (ex.: n\u00ba de computadores, n\u00ba computadores ligados \u00e0 internet, exist\u00eancia de banda larga), os usos da internet no processo de ensino-aprendizagem ficam bem aqu\u00e9m do retrato desenhado pelas estat\u00edsticas oficiais ou pelos testemunhos recolhidos junto dos pr\u00f3prios dirigentes dos estabelecimentos de ensino. No campo educativo, as crian\u00e7as dizem usar pouco a internet na sala de aula, na rela\u00e7\u00e3o com a escola ou com os professores; muito raramente \u00e9 introduzida no ensino de disciplinas curriculares que n\u00e3o as TIC ou a \u00c1rea de Projecto. A internet \u00e9 utilizada sobretudo como complemento ou enriquecimento de tarefas e de trabalhos escolares que, antes, se faziam sem ela. Na escola, na sala de aula, a navega\u00e7\u00e3o na net \u00e9 directivamente feita sob encomenda (do professor), enquadrada em objectivos pr\u00e9-definidos, com restri\u00e7\u00f5es de tempo. A explora\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto, o deambular n\u00f3mada e sem hor\u00e1rio entre sites e conte\u00fados, o ensaio experimental de novas compet\u00eancias ou funcionalidades podem certamente em alguns casos ocorrer na escola, ali\u00e1s sobretudo fora das aulas. Por\u00e9m, estas actividades concentram-se, por excel\u00eancia, no espa\u00e7o extra-escolar. A casa \u00e9, assim, um lugar estrat\u00e9gico de aprendizagens \u2013 onde a internet constitui n\u00e3o s\u00f3 um recurso educativo, mas tamb\u00e9m informativo, l\u00fadico e comunicacional. A partir de casa a crian\u00e7a entra no espa\u00e7o global, exercitando-se como indiv\u00edduo activo, decisor e investigador por conta pr\u00f3pria, tirando partido e construindo o seu lugar na cultura de pares. (\u2026). \u00c9 muito expressiva a parcela de inquiridos que afirma ter aprendido a navegar \u201csozinho\u201d; por outro lado, a esmagadora maioria das crian\u00e7as declara ser a pessoa que mais a usa a internet em casa, como tamb\u00e9m se considera auto-suficiente na gest\u00e3o dos seus canais de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, nas modalidades de descoberta e visita de p\u00e1ginas Web. Fora da escola continua a jogar-se muita da aquisi\u00e7\u00e3o da literacia digital, dos seus usos mais sofisticados, gratificantes e multifacetados; e tamb\u00e9m a modernidade da condi\u00e7\u00e3o infantil. Da\u00ed o facto de as formas mais persistentes de clivagem digital continuarem a actuar a partir de casa, distinguindo crian\u00e7as escolarizadas, cujos pais s\u00e3o eles pr\u00f3prios consumidores intensivos destes bens e servi\u00e7os, utilizadores profissionais e competentes de novas TIC, os quais as iniciam e acompanham no seu uso, das crian\u00e7as com origens sociais desfavorecidas, residentes em \u00e1reas n\u00e3o-urbanas do Pa\u00eds, cujos pais mais dificilmente suportam (ou compreendem) a relev\u00e2ncia da compra do acesso dom\u00e9stico \u00e0 internet (a que se somar\u00e3o as defici\u00eancias de cobertura dos servi\u00e7os de acesso \u00e0 internet por parte dos diversos operadores comerciais). E da\u00ed a urg\u00eancia de a escola repensar o lugar e o estatuto da internet no sistema de ensino-aprendizagem, de modo a proporcionar a todas as crian\u00e7as, no espa\u00e7o escolar, os seus diversificados n\u00edveis de dom\u00ednio. (\u2026) Se a escola, para al\u00e9m do acesso, n\u00e3o oferecer a todos os seus alunos esse uso de qualidade e plurifacetado estar\u00e1 a vedar \u00e0s crian\u00e7as com origens familiares desfavorecidas o acesso a novas oportunidades de aprendizagem, de consolida\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias digitais criativas e, at\u00e9, de integra\u00e7\u00e3o na cultura dominante de pares. 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