{"id":3059644,"date":"2026-03-05T07:18:00","date_gmt":"2026-03-05T07:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/3059644.html"},"modified":"2026-05-13T12:45:49","modified_gmt":"2026-05-13T12:45:49","slug":"interculturalidade-e-humanismo-o-outro-sou-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=3059644","title":{"rendered":"Interculturalidade e Humanismo &#8211; O outro sou eu"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2026-03-11 Interculturalidade e Humanismo - O outr\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22845698_cBuMa.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O que \u00e9 um ser humano?<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para L\u00eddia Jorge [1], Pr\u00e9mio Pessoa 2025 (a primeira mulher de 37 escritores), \u00e9 um <\/span><strong>ser em liberdade<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> e, segundo o m\u00e9dico e professor do filme <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">O menino selvagem <\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">de Fran\u00e7ois Truffaut, <\/span><strong>sens\u00edvel \u00e0 justi\u00e7a<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; o menino selvagem reage com raiva \u00e0 injusti\u00e7a de n\u00e3o ser recompensado quando responde corretamente, uma vez que sempre o foi anteriormente.\u00a0 A justi\u00e7a permite a equidade entre seres humanos, que na sua ess\u00eancia s\u00e3o iguais, tendo todos o mesmo ADN.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A biblioteca escolar desenvolve uma abordagem humanista <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e intercultural <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de m\u00faltiplas formas. Apresentamos algumas a partir de exemplos colhidos em question\u00e1rio da Rede de Bibliotecas Escolares<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> de resposta <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">volunt\u00e1ri<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">por parte dos professores bibliotec\u00e1rios no ano letivo 2024\/2025.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. A leitura e a escrita<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para as bibliotecas <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">escolares, <\/span><strong>a palavra \u2013 a partir do seu exerc\u00edcio, a leitura e a escrita, \u00e9 o elemento humanizador fundamental<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> porque a leitura\/escrita funciona como gatilho para desenvolver todas as compet\u00eancias humanas (mem\u00f3ria, imagina\u00e7\u00e3o, c\u00e1lculo\u2026). E isto \u00e9 essencial porque a intelig\u00eancia\/pensamento &#8211; humano ou artificial &#8211; tem como mat\u00e9ria-prima a linguagem e, se o n\u00e3o a desenvolvermos, perdemos autonomia, identidade, cultura e somos mais facilmente manipulados.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E \u00e9 importante que esse trabalho de <\/span><strong>leitura\/escrita se realize autonomamente, implicando esfor\u00e7o mental<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDelegar tarefas cognitivas a chatbots de uso geral cria riscos de pregui\u00e7a metacognitiva e desinteresse. (\u2026) embora os alunos com acesso a ferramentas de GenAI de uso geral produzam resultados de maior qualidade do que seus colegas, essa vantagem desaparece \u2014 e \u00e0s vezes inverte-se \u2014 em provas quando o acesso \u00e9 removido\u201d [2].<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na biblioteca s\u00e3o muitas as formas de desenvolver a palavra, atrav\u00e9s da oralidade, da leitura\/escrita e do uso de tecnologias digitais, ajudando a construir rela\u00e7\u00f5es e um contexto intercultural e mais humano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>A) Contos com valor(es) e hist\u00f3rias do mundo<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A biblioteca do <\/span><strong>Agrupamento de Escolas de Canelas<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, Vila Nova de Gaia, no \u00e2mbito da iniciativa, <\/span><strong>Contos com valor(es)<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, realiza com o 1.\u00ba Ciclo uma sess\u00e3o de anima\u00e7\u00e3o do livro (f\u00e1bula), <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">A mala<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando, um dia, um estranho aparece, exausto e s\u00f3 com uma mala, todos ficam curiosos. Porque \u00e9 que ele est\u00e1 aqui? De onde \u00e9 que veio? E o que estar\u00e1 dentro da mala?\u201d [3].\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s a sua apresenta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de Kamishibai (teatro de papel), a professora bibliotec\u00e1ria introduz o di\u00e1logo sobre a atitude dos personagens, por exemplo:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li aria-level=\"1\"><strong><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u2019Eu c\u00e1 n\u00e3o confio nele. Como \u00e9 que sabemos que est\u00e1 a dizer a verdade?\u2019\u201d <\/span>Porque ser\u00e1 que a raposa n\u00e3o confiava naquele animal estranho\u201d?\n<p><\/strong><\/li>\n<p><\/p>\n<li aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Depois, procura-se estabelecer um paralelismo com situa\u00e7\u00f5es reais do quotidiano dos alunos: <\/span>\u201cConheceram algu\u00e9m que tenha chegado recentemente de outro pa\u00eds? Se sim, como o receberam\u201d?\u00a0\u00a0\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para finalizar, <\/span><strong>\u201cE se fosses tu a ter de partir para outro lugar? O que gostarias de levar na tua mala\u201d? <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Carteira de moedas, <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">phones<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, dinossauro de peluche para dormir e a fotografia da av\u00f3 s\u00e3o algumas das respostas das crian\u00e7as [4].\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A abordagem de temas dif\u00edceis \u2013 como a migra\u00e7\u00e3o, a guerra ou a sexualidade \u2013 pode fazer-se de forma subtil, a partir da conversa em torno de uma hist\u00f3ria que v\u00e1 ao encontro dos interesses dos alunos e que, n\u00e3o fale expressamente desses temas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O di\u00e1logo que se estabelece em torno da hist\u00f3ria ajuda \u00e0 expans\u00e3o da compreens\u00e3o dos alunos e ao desenvolvimento das suas compet\u00eancias cognitivas e socio-emocionais, como a empatia e a solidariedade.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>B) Tomar o portugu\u00eas como a l\u00edngua do curr\u00edculo\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A biblioteca da <\/span><strong>Escola Secund\u00e1ria Dona Luisa de Gusm\u00e3o<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, Lisboa, atrav\u00e9s da iniciativa <\/span><strong>INCLUBE \u2013 Biblioteca Escolar + Inclusiva<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, reconhece que, apesar de sermos todos diferentes, \u201cningu\u00e9m gosta de ser tido em conta por ser diferente\u201d. Por isso, rejeita pr\u00e1ticas de aparente inclus\u00e3o \u2013 que s\u00e3o formas de paternalismo, integra\u00e7\u00e3o, toler\u00e2ncia e que n\u00e3o s\u00e3o inclus\u00e3o &#8211; que s\u00e3o formas de exibir a diferen\u00e7a, de excluir e segregar:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><strong>Feiras gastron\u00f3micas e mostras de costumes<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, dan\u00e7as e culturas diferentes e ex\u00f3ticas;<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><strong>Manuais e outros documentos exclusivos para estrangeiros<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">;<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><strong>Uso sistem\u00e1tico de tradu\u00e7\u00e3o para uma l\u00edngua franca<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, como o ingl\u00eas.\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTudo o que fugir do esp\u00edrito de fazer parte do todo acess\u00edvel para todos n\u00e3o \u00e9 inclus\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para ultrapassar a barreira lingu\u00edstica, prop\u00f5e que a l\u00edngua do curr\u00edculo seja sempre o portugu\u00eas \u201ce n\u00e3o outra l\u00edngua, sob pena de estarmos a excluir estas comunidades de uma l\u00edngua viva que se aprende por imers\u00e3o\u201d na cultura da comunidade que acolhe.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A inclus\u00e3o deve fazer-se, em todas as disciplinas, na l\u00edngua do curr\u00edculo, por exemplo, mediante simplifica\u00e7\u00e3o dos enunciados orais e escritos ou recursos visuais.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Disp\u00f5e de uma <\/span><strong>Comiss\u00e3o de Tradutores<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> formado por volunt\u00e1rios e parceiros que contribuem para a revis\u00e3o de textos em v\u00e1rias l\u00ednguas, como mandarim, hindi, nepal\u00eas, guzarate, russo, romeno, ucraniano, \u00e1rabe, urdu e b\u00falgaro.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ano letivo 2023\/2024, o INCLUBE abrangeu 749 alunos, 221 estrangeiros, de 32 nacionalidades e falantes de 42 idiomas.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>C) Bibliodiversidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>O mapa mundo dos autores da biblioteca escolar, contempla todas as nacionalidades dos alunos da escola?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fundo documental da biblioteca escolar deve, sempre que poss\u00edvel, refletir a diversidade cultural (e lingu\u00edstica) dos alunos da escola, para que possam conhecer e aprofundar a sua cultura de origem. Segundo a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Associa\u00e7\u00f5es e Institui\u00e7\u00f5es Bibliotec\u00e1rias, cujas orienta\u00e7\u00f5es a Rede de Bibliotecas adota:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cBibliotecas de todos os tipos devem refletir, apoiar e promover a diversidade cultural e lingu\u00edstica a n\u00edvel internacional, nacional e local [e no ciberespa\u00e7o] e, assim, trabalhar para o di\u00e1logo intercultural e a cidadania ativa\u201d;<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEspecial aten\u00e7\u00e3o deve ser dada aos grupos que s\u00e3o muitas vezes marginalizados em sociedades culturalmente diversas\u201d [5].\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante que os livros apresentem uma variedade de personagens com atributos diferentes, que potenciem um di\u00e1logo mais rico e com os quais todos os leitores se possam identificar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A biblioteca escolar dever ser uma comunidade intercultural, plurilingue e representativa de todos<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>D) Valorizar a l\u00edngua de origem<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Inclus\u00e3o de alunos migrantes em meio educativo <\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">[6], tamb\u00e9m \u00e9 importante:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mobilizar os alunos que falem a l\u00edngua <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">materna dos migrantes para media\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica;<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Solicitar aos alunos migrantes que deem exemplos de palavras ou express\u00f5es na sua l\u00edngua relacionadas com o que est\u00e3o a aprender;\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Relacionar factos hist\u00f3ricos, culturais ou efem\u00e9rides dos v\u00e1rios pa\u00edses.\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ferramentas digitais que ajudam a relacionar pa\u00edses e culturas s\u00e3o: My Life Elsewhere, Country Comparison Tool e Index Mundi [6].\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <\/span><strong>Agrupamento de Escolas Santo Andr\u00e9<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, Barreiro, comemora o Dia internacional da L\u00edngua Materna &#8211; 21 fevereiro. Considera que:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNo vasto mosaico cultural que \u00e9 o nosso mundo, as l\u00ednguas desempenham um papel fundamental na express\u00e3o da identidade, na preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e na promo\u00e7\u00e3o da diversidade. A interculturalidade como conceito central, destaca a riqueza que surge do encontro e da intera\u00e7\u00e3o [e da aprendizagem rec\u00edproca] entre diferentes culturas, sendo as l\u00ednguas maternas os ve\u00edculos primordiais dessa express\u00e3o\u201d [7].\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>E) Acolher<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Preparar a chegada para receber, de modo significativo, quem chega de novo, para que sinta que faz parte daquele lugar. <\/span><a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/A-de-Acolher.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Acolher<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 importante, mas o principal \u00e9 pertencer, numa l\u00f3gica, n\u00e3o de mobilidade, mas de quem chega para ficar.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A biblioteca escolar do <\/span><strong>Agrupamento de Escolas Ant\u00f3nio Nobre<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, Lisboa, atrav\u00e9s da iniciativa, <\/span><strong>Sinto-me em casa<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, ajuda os alunos rec\u00e9m-chegados a colocar perguntas simples no bar\/cantina\/reprografia e a interpretar e traduzir para as suas l\u00ednguas maternas textos dos manuais e enunciados de exerc\u00edcios e de provas escritas;<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acompanha-os em visitas guiadas \u00e0 escola e apresenta-lhes a biblioteca escolar, dando-lhes a conhecer livros na sua l\u00edngua materna.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A biblioteca da <\/span><strong>Escola Secund\u00e1ria com 3.\u00ba Ciclo Henrique Medina<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, Lisboa, desenvolve <\/span><strong>Mentoria interpares<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, dispondo de um gabinete de mentoria, a partir do qual os alunos mentores fazem o seu atendimento aos colegas, atrav\u00e9s da rece\u00e7\u00e3o dos alunos, de Interven\u00e7\u00f5es em sala de aula com a partilha de experi\u00eancias, de sess\u00f5es de leitura e outras iniciativas. Esta iniciativa, que funciona desde 2014 e envolve dezenas de alunos mentores, foi reconhecida pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o [8].\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os alunos do <\/span><strong>Agrupamento de Escolas Andr\u00e9 de Gouveia<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00c9vora, acolhem os rec\u00e9m-chegados atrav\u00e9s de um <\/span><strong>mural de cortesia<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> com express\u00f5es do dia-a-dia em diferentes l\u00ednguas.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>2. Literacia digital\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A literatura (e a arte) preserva a mem\u00f3ria do que \u00e9 humano e a leitura\/escrita partilhadas em comunidade, facilitam o encontro entre pessoas diferentes, ajudando a construir uma vida em comum e \u00e0 coes\u00e3o social e democracia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A abordagem da biblioteca escolar \u00e9 integrada\/contextualizada &#8211; no curr\u00edculo e na experi\u00eancia\/viv\u00eancia subjetiva\/local dos alunos &#8211; e \u00e9 global\/hol\u00edstica, trabalhando todas as literacias, com destaque para a literacia digital.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A literacia digital \u00e9 importante para uma vis\u00e3o cr\u00edtica do humano e intercultural na atualidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A experi\u00eancia que temos do storytelling e da cultura (e da internet) \u00e9 cada vez menos humanizada porque \u201co algoritmo filtra antes de vermos, recomenda antes de pesquisarmos, decide antes de decidirmos\u201d <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">[9], diminuindo a liberdade humana.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O algoritmo \u00e9 moldado por interesses comerciais das grandes empresas tecnol\u00f3gicas que enriquecem com desinforma\u00e7\u00e3o, raiva (emo\u00e7\u00f5es geram mais circula\u00e7\u00e3o\/visibilidade) e discurso de \u00f3dio, que capta mais a aten\u00e7\u00e3o e gera mais cliques, aumentando o lucro dos seus propriet\u00e1rios (capitalismo digital).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 moldado para priorizar o 1% dos criadores mais influentes, refor\u00e7ando a desigualdade e a injusti\u00e7a cultural e social<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao contr\u00e1rio do que se esperava quando foi criada, hoje a internet reduz, em vez de expandir, a exposi\u00e7\u00e3o cultural coletiva. A media\u00e7\u00e3o por algoritmos a que temos acesso n\u00e3o \u00e9 representativa da diversidade cultural global, excluindo ou n\u00e3o dando a justa visibilidade a muitas pessoas, hist\u00f3rias, idiomas, culturas e sistemas de conhecimento. E isso deve inquietarmo-nos e mobilizar a a\u00e7\u00e3o c\u00edvica.\u00a0<br \/><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>3. A capacidade de ag\u00eancia da biblioteca escolar\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A biblioteca escolar \u00e9 um espa\u00e7o aberto a todos e onde as pessoas n\u00e3o precisam justificar a sua presen\u00e7a. \u00c9 procurada para ler, conviver, estar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>O que distingue uma boa biblioteca escolar:<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 apenas o espa\u00e7o, que \u00e9 fundamental. <\/span><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/breve-historia-de-quase-30-anos-3013233\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2026 a Rede de Bibliotecas Escolares celebra 30 anos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e expande o seu alcance, pois dever\u00e3o ser criadas mais 434 novas bibliotecas escolares no 1.\u00ba Ciclo, beneficiando 50 mil alunos e, em 2027, esta medida dever\u00e1 ter continuidade porque h\u00e1 1 487 escolas do 1.\u00ba ciclo sem biblioteca;\u00a0\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nem os recursos que disponibiliza: equipamentos e cole\u00e7\u00e3o de livros, de livre acesso, em diversos suportes;\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas <\/span><strong>a capacidade de ag\u00eancia, <\/strong><strong>aquilo que faz (at\u00e9 quem\/onde chega), com qualidade, mobilizando o que tem<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, junto dos alunos e comunidade, para que todos aprendam, uns com os outros e transformem a si pr\u00f3prios e \u00e0 sociedade.<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E, por isso, \u00e9 decisivo o papel do professor bibliotec\u00e1rio, da sua equipa e dos professores e parceiros aqui reunidos e que realizam esta a\u00e7\u00e3o conjunta e a quem agrade\u00e7o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nota: Este conte\u00fado fez parte de uma comunica\u00e7\u00e3o da Rede de Bibliotecas Escolares, apresentada a 24 de fevereiro de 2026, no encontro Contornos da Palavra 2026, do Munic\u00edpio de Viana do Castelo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mendon\u00e7a, B. (2025). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">A beleza das pequenas coisas<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> [podcast]. Expresso.\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">OECD. (2026, 19 jan.). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">OECD Digital Education Outlook 2026: Exploring Effective Uses of Generative AI in Education<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/oecd-digital-education-outlook-2026_062a7394-en.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/oecd-digital-education-outlook-2026_062a7394-en.html<\/span><\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Naylor-Ballesteros, C. (2021). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">A Mala.<\/span><\/em> <a href=\"https:\/\/www.tribodospequenosexploradores.pt\/product\/a-mala-or-edicare\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.tribodospequenosexploradores.pt\/product\/a-mala-or-edicare<\/span><\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Canelas. (s.d.). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Contos com valor(es). <\/span><\/em><a href=\"https:\/\/padlet.com\/equipabe\/contos-com-valor-es-oygdizhtrv8j6i56\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/padlet.com\/equipabe\/contos-com-valor-es-oygdizhtrv8j6i56<\/span><\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">IFLA\/UNESCO. (2009). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Manifesto da Biblioteca Multicultural<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/ifla-unesco-multicultural-library-manifesto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.ifla.org\/ifla-unesco-multicultural-library-manifesto\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">My Life Elsewhere. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/www.mylifeelsewhere.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.mylifeelsewhere.com\/<\/a><br \/><\/span>CEMR CCRE. (2025). Country Comparison Tool. <span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/terri.cemr.eu\/en\/country-profiles\/country-comparison-tool.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/terri.cemr.eu\/en\/country-profiles\/country-comparison-tool.html<\/a><br \/><\/span>Index Mundi. <a style=\"font-size: 14pt;\" href=\"https:\/\/www.indexmundi.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span>https:\/\/www.indexmundi.com\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">AE Santo Andr\u00e9. AESA. (2024, fev.). News. Os afetos.\u00a0 Barreiro <\/span><a href=\"https:\/\/heyzine.com\/flip-book\/3c7ba8d1b5.html#page\/28\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/heyzine.com\/flip-book\/3c7ba8d1b5.html#page\/28<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">CNE. (2023). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">DICA: Divulgar, Inovar, Colaborar, Aprender<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <a href=\"https:\/\/www.cnedu.pt\/content\/DICA\/DICA_2023\/Percursos_2023\/Eu_sou_Medina.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cnedu.pt\/content\/DICA\/DICA_2023\/Percursos_2023\/Eu_sou_Medina.pdf<\/a><br \/><\/span>Ribeiro, T.(12.\u00ba L). <em style=\"font-size: 14pt;\"><span>Dia da Rece\u00e7\u00e3o aos alunos e E.E. na 14.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do projeto Mentoria Interpares<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. Escola Secund\u00e1ria com 3\u00ba Ciclo Henrique Medina.\u00a0 <\/span><a style=\"font-size: 14pt;\" href=\"https:\/\/true-project.mog-technologies.com\/henrique-medina\/news\/dia-da-rececao-aos-alunos-e-ee-na-14-edicao-do-projeto-mentoria-interpares?id=66e9539c7bb422001945ca58\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span>https:\/\/true-project.mog-technologies.com\/henrique-medina\/news\/dia-da-rececao-aos-alunos-e-ee-na-14-edicao-do-projeto-mentoria-interpares?id=66e9539c7bb422001945ca58<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">DGE. (2024). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Inclus\u00e3o de alunos migrantes em meio educativo<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/www.dge.mec.pt\/sites\/default\/files\/Curriculo\/EBasico\/PLNM\/inclusao_de_alunos_migrantes_em_meio_educativo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.dge.mec.pt\/sites\/default\/files\/Curriculo\/EBasico\/PLNM\/inclusao_de_alunos_migrantes_em_meio_educativo.pdf<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Cardoso, G. &amp; Moreno, J. (2026, 21 jan.). <em style=\"font-size: 14pt;\"><span>A nossa comunica\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><span style=\"font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/21\/opiniao\/opiniao\/comunicacao-algoritmica-2161975\">https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/21\/opiniao\/opiniao\/comunicacao-algoritmica-2161975<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Fonte da imagem:\u00a0<em><span style=\"font-weight: 400;\">Freepik<\/span><\/em><\/span><\/span><\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 um ser humano?\u00a0 Para L\u00eddia Jorge [1], Pr\u00e9mio Pessoa 2025 (a primeira mulher de 37 escritores), \u00e9 um ser em liberdade e, segundo o m\u00e9dico e professor do filme O menino selvagem de Fran\u00e7ois Truffaut, sens\u00edvel \u00e0 justi\u00e7a &#8211; o menino selvagem reage com raiva \u00e0 injusti\u00e7a de n\u00e3o ser recompensado quando responde corretamente, uma vez que sempre o foi anteriormente.\u00a0 A justi\u00e7a permite a equidade entre seres humanos, que na sua ess\u00eancia s\u00e3o iguais, tendo todos o mesmo ADN.\u00a0 A biblioteca escolar desenvolve uma abordagem humanista e intercultural de m\u00faltiplas formas. Apresentamos algumas a partir de exemplos colhidos em question\u00e1rio da Rede de Bibliotecas Escolares de resposta volunt\u00e1ria por parte dos professores bibliotec\u00e1rios no ano letivo 2024\/2025.\u00a0\u00a0 1. A leitura e a escrita Para as bibliotecas escolares, a palavra \u2013 a partir do seu exerc\u00edcio, a leitura e a escrita, \u00e9 o elemento humanizador fundamental porque a leitura\/escrita funciona como gatilho para desenvolver todas as compet\u00eancias humanas (mem\u00f3ria, imagina\u00e7\u00e3o, c\u00e1lculo\u2026). E isto \u00e9 essencial porque a intelig\u00eancia\/pensamento &#8211; humano ou artificial &#8211; tem como mat\u00e9ria-prima a linguagem e, se o n\u00e3o a desenvolvermos, perdemos autonomia, identidade, cultura e somos mais facilmente manipulados. E \u00e9 importante que esse trabalho de leitura\/escrita se realize autonomamente, implicando esfor\u00e7o mental:\u00a0\u00a0 \u201cDelegar tarefas cognitivas a chatbots de uso geral cria riscos de pregui\u00e7a metacognitiva e desinteresse. (\u2026) embora os alunos com acesso a ferramentas de GenAI de uso geral produzam resultados de maior qualidade do que seus colegas, essa vantagem desaparece \u2014 e \u00e0s vezes inverte-se \u2014 em provas quando o acesso \u00e9 removido\u201d [2]. Na biblioteca s\u00e3o muitas as formas de desenvolver a palavra, atrav\u00e9s da oralidade, da leitura\/escrita e do uso de tecnologias digitais, ajudando a construir rela\u00e7\u00f5es e um contexto intercultural e mais humano.\u00a0 A) Contos com valor(es) e hist\u00f3rias do mundo A biblioteca do Agrupamento de Escolas de Canelas, Vila Nova de Gaia, no \u00e2mbito da iniciativa, Contos com valor(es), realiza com o 1.\u00ba Ciclo uma sess\u00e3o de anima\u00e7\u00e3o do livro (f\u00e1bula), A mala:\u00a0 \u201cQuando, um dia, um estranho aparece, exausto e s\u00f3 com uma mala, todos ficam curiosos. Porque \u00e9 que ele est\u00e1 aqui? De onde \u00e9 que veio? E o que estar\u00e1 dentro da mala?\u201d [3].\u00a0 Ap\u00f3s a sua apresenta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de Kamishibai (teatro de papel), a professora bibliotec\u00e1ria introduz o di\u00e1logo sobre a atitude dos personagens, por exemplo:\u00a0 \u201c\u2019Eu c\u00e1 n\u00e3o confio nele. Como \u00e9 que sabemos que est\u00e1 a dizer a verdade?\u2019\u201d Porque ser\u00e1 que a raposa n\u00e3o confiava naquele animal estranho\u201d? Depois, procura-se estabelecer um paralelismo com situa\u00e7\u00f5es reais do quotidiano dos alunos: \u201cConheceram algu\u00e9m que tenha chegado recentemente de outro pa\u00eds? Se sim, como o receberam\u201d?\u00a0\u00a0 Para finalizar, \u201cE se fosses tu a ter de partir para outro lugar? O que gostarias de levar na tua mala\u201d? Carteira de moedas, phones, dinossauro de peluche para dormir e a fotografia da av\u00f3 s\u00e3o algumas das respostas das crian\u00e7as [4].\u00a0 A abordagem de temas dif\u00edceis \u2013 como a migra\u00e7\u00e3o, a guerra ou a sexualidade \u2013 pode fazer-se de forma subtil, a partir da conversa em torno de uma hist\u00f3ria que v\u00e1 ao encontro dos interesses dos alunos e que, n\u00e3o fale expressamente desses temas.\u00a0 O di\u00e1logo que se estabelece em torno da hist\u00f3ria ajuda \u00e0 expans\u00e3o da compreens\u00e3o dos alunos e ao desenvolvimento das suas compet\u00eancias cognitivas e socio-emocionais, como a empatia e a solidariedade. B) Tomar o portugu\u00eas como a l\u00edngua do curr\u00edculo\u00a0 A biblioteca da Escola Secund\u00e1ria Dona Luisa de Gusm\u00e3o, Lisboa, atrav\u00e9s da iniciativa INCLUBE \u2013 Biblioteca Escolar + Inclusiva, reconhece que, apesar de sermos todos diferentes, \u201cningu\u00e9m gosta de ser tido em conta por ser diferente\u201d. Por isso, rejeita pr\u00e1ticas de aparente inclus\u00e3o \u2013 que s\u00e3o formas de paternalismo, integra\u00e7\u00e3o, toler\u00e2ncia e que n\u00e3o s\u00e3o inclus\u00e3o &#8211; que s\u00e3o formas de exibir a diferen\u00e7a, de excluir e segregar: Feiras gastron\u00f3micas e mostras de costumes, dan\u00e7as e culturas diferentes e ex\u00f3ticas; Manuais e outros documentos exclusivos para estrangeiros; Uso sistem\u00e1tico de tradu\u00e7\u00e3o para uma l\u00edngua franca, como o ingl\u00eas.\u00a0 \u201cTudo o que fugir do esp\u00edrito de fazer parte do todo acess\u00edvel para todos n\u00e3o \u00e9 inclus\u00e3o\u201d. Para ultrapassar a barreira lingu\u00edstica, prop\u00f5e que a l\u00edngua do curr\u00edculo seja sempre o portugu\u00eas \u201ce n\u00e3o outra l\u00edngua, sob pena de estarmos a excluir estas comunidades de uma l\u00edngua viva que se aprende por imers\u00e3o\u201d na cultura da comunidade que acolhe. A inclus\u00e3o deve fazer-se, em todas as disciplinas, na l\u00edngua do curr\u00edculo, por exemplo, mediante simplifica\u00e7\u00e3o dos enunciados orais e escritos ou recursos visuais. Disp\u00f5e de uma Comiss\u00e3o de Tradutores formado por volunt\u00e1rios e parceiros que contribuem para a revis\u00e3o de textos em v\u00e1rias l\u00ednguas, como mandarim, hindi, nepal\u00eas, guzarate, russo, romeno, ucraniano, \u00e1rabe, urdu e b\u00falgaro. No ano letivo 2023\/2024, o INCLUBE abrangeu 749 alunos, 221 estrangeiros, de 32 nacionalidades e falantes de 42 idiomas. C) Bibliodiversidade O mapa mundo dos autores da biblioteca escolar, contempla todas as nacionalidades dos alunos da escola? O fundo documental da biblioteca escolar deve, sempre que poss\u00edvel, refletir a diversidade cultural (e lingu\u00edstica) dos alunos da escola, para que possam conhecer e aprofundar a sua cultura de origem. Segundo a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Associa\u00e7\u00f5es e Institui\u00e7\u00f5es Bibliotec\u00e1rias, cujas orienta\u00e7\u00f5es a Rede de Bibliotecas adota: \u201cBibliotecas de todos os tipos devem refletir, apoiar e promover a diversidade cultural e lingu\u00edstica a n\u00edvel internacional, nacional e local [e no ciberespa\u00e7o] e, assim, trabalhar para o di\u00e1logo intercultural e a cidadania ativa\u201d; \u201cEspecial aten\u00e7\u00e3o deve ser dada aos grupos que s\u00e3o muitas vezes marginalizados em sociedades culturalmente diversas\u201d [5].\u00a0 Tamb\u00e9m \u00e9 importante que os livros apresentem uma variedade de personagens com atributos diferentes, que potenciem um di\u00e1logo mais rico e com os quais todos os leitores se possam identificar.\u00a0 A biblioteca escolar dever ser uma comunidade intercultural, plurilingue e representativa de todos.\u00a0 D) Valorizar a l\u00edngua de origem De acordo com Inclus\u00e3o de alunos migrantes em meio educativo [6], tamb\u00e9m \u00e9 importante:\u00a0 Mobilizar os alunos que falem a l\u00edngua materna dos migrantes para media\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica; Solicitar aos alunos migrantes que deem exemplos de palavras ou express\u00f5es na sua l\u00edngua relacionadas com o que est\u00e3o a aprender;\u00a0 Relacionar factos hist\u00f3ricos, culturais ou efem\u00e9rides dos v\u00e1rios pa\u00edses.\u00a0 Ferramentas digitais que ajudam a relacionar pa\u00edses e culturas s\u00e3o: My Life Elsewhere, Country Comparison Tool e Index Mundi [6].\u00a0 O Agrupamento de Escolas Santo Andr\u00e9, Barreiro, comemora o Dia internacional da L\u00edngua Materna &#8211; 21 fevereiro. Considera que: \u201cNo vasto mosaico cultural que \u00e9 o nosso mundo, as l\u00ednguas desempenham um papel fundamental na express\u00e3o da identidade, na preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e na promo\u00e7\u00e3o da diversidade. A interculturalidade como conceito central, destaca a riqueza que surge do encontro e da intera\u00e7\u00e3o [e da aprendizagem rec\u00edproca] entre diferentes culturas, sendo as l\u00ednguas maternas os ve\u00edculos primordiais dessa express\u00e3o\u201d [7].\u00a0 E) Acolher Preparar a chegada para receber, de modo significativo, quem chega de novo, para que sinta que faz parte daquele lugar. Acolher \u00e9 importante, mas o principal \u00e9 pertencer, numa l\u00f3gica, n\u00e3o de mobilidade, mas de quem chega para ficar.\u00a0\u00a0\u00a0 A biblioteca escolar do Agrupamento de Escolas Ant\u00f3nio Nobre, Lisboa, atrav\u00e9s da iniciativa, Sinto-me em casa, ajuda os alunos rec\u00e9m-chegados a colocar perguntas simples no bar\/cantina\/reprografia e a interpretar e traduzir para as suas l\u00ednguas maternas textos dos manuais e enunciados de exerc\u00edcios e de provas escritas; Acompanha-os em visitas guiadas \u00e0 escola e apresenta-lhes a biblioteca escolar, dando-lhes a conhecer livros na sua l\u00edngua materna.\u00a0 A biblioteca da Escola Secund\u00e1ria com 3.\u00ba Ciclo Henrique Medina, Lisboa, desenvolve Mentoria interpares, dispondo de um gabinete de mentoria, a partir do qual os alunos mentores fazem o seu atendimento aos colegas, atrav\u00e9s da rece\u00e7\u00e3o dos alunos, de Interven\u00e7\u00f5es em sala de aula com a partilha de experi\u00eancias, de sess\u00f5es de leitura e outras iniciativas. Esta iniciativa, que funciona desde 2014 e envolve dezenas de alunos mentores, foi reconhecida pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o [8].\u00a0\u00a0 Os alunos do Agrupamento de Escolas Andr\u00e9 de Gouveia, \u00c9vora, acolhem os rec\u00e9m-chegados atrav\u00e9s de um mural de cortesia com express\u00f5es do dia-a-dia em diferentes l\u00ednguas.\u00a0\u00a0 2. Literacia digital\u00a0 A literatura (e a arte) preserva a mem\u00f3ria do que \u00e9 humano e a leitura\/escrita partilhadas em comunidade, facilitam o encontro entre pessoas diferentes, ajudando a construir uma vida em comum e \u00e0 coes\u00e3o social e democracia.\u00a0 A abordagem da biblioteca escolar \u00e9 integrada\/contextualizada &#8211; no curr\u00edculo e na experi\u00eancia\/viv\u00eancia subjetiva\/local dos alunos &#8211; e \u00e9 global\/hol\u00edstica, trabalhando todas as literacias, com destaque para a literacia digital. A literacia digital \u00e9 importante para uma vis\u00e3o cr\u00edtica do humano e intercultural na atualidade.\u00a0 A experi\u00eancia que temos do storytelling e da cultura (e da internet) \u00e9 cada vez menos humanizada porque \u201co algoritmo filtra antes de vermos, recomenda antes de pesquisarmos, decide antes de decidirmos\u201d [9], diminuindo a liberdade humana.\u00a0 O algoritmo \u00e9 moldado por interesses comerciais das grandes empresas tecnol\u00f3gicas que enriquecem com desinforma\u00e7\u00e3o, raiva (emo\u00e7\u00f5es geram mais circula\u00e7\u00e3o\/visibilidade) e discurso de \u00f3dio, que capta mais a aten\u00e7\u00e3o e gera mais cliques, aumentando o lucro dos seus propriet\u00e1rios (capitalismo digital).\u00a0 Est\u00e1 moldado para priorizar o 1% dos criadores mais influentes, refor\u00e7ando a desigualdade e a injusti\u00e7a cultural e social.\u00a0 Ao contr\u00e1rio do que se esperava quando foi criada, hoje a internet reduz, em vez de expandir, a exposi\u00e7\u00e3o cultural coletiva. A media\u00e7\u00e3o por algoritmos a que temos acesso n\u00e3o \u00e9 representativa da diversidade cultural global, excluindo ou n\u00e3o dando a justa visibilidade a muitas pessoas, hist\u00f3rias, idiomas, culturas e sistemas de conhecimento. E isso deve inquietarmo-nos e mobilizar a a\u00e7\u00e3o c\u00edvica.\u00a0 3. A capacidade de ag\u00eancia da biblioteca escolar\u00a0 A biblioteca escolar \u00e9 um espa\u00e7o aberto a todos e onde as pessoas n\u00e3o precisam justificar a sua presen\u00e7a. \u00c9 procurada para ler, conviver, estar.\u00a0 O que distingue uma boa biblioteca escolar:\u00a0 N\u00e3o \u00e9 apenas o espa\u00e7o, que \u00e9 fundamental. Em 2026 a Rede de Bibliotecas Escolares celebra 30 anos e expande o seu alcance, pois dever\u00e3o ser criadas mais 434 novas bibliotecas escolares no 1.\u00ba Ciclo, beneficiando 50 mil alunos e, em 2027, esta medida dever\u00e1 ter continuidade porque h\u00e1 1 487 escolas do 1.\u00ba ciclo sem biblioteca;\u00a0 Nem os recursos que disponibiliza: equipamentos e cole\u00e7\u00e3o de livros, de livre acesso, em diversos suportes; Mas a capacidade de ag\u00eancia, aquilo que faz (at\u00e9 quem\/onde chega), com qualidade, mobilizando o que tem, junto dos alunos e comunidade, para que todos aprendam, uns com os outros e transformem a si pr\u00f3prios e \u00e0 sociedade. E, por isso, \u00e9 decisivo o papel do professor bibliotec\u00e1rio, da sua equipa e dos professores e parceiros aqui reunidos e que realizam esta a\u00e7\u00e3o conjunta e a quem agrade\u00e7o.\u00a0 Nota: Este conte\u00fado fez parte de uma comunica\u00e7\u00e3o da Rede de Bibliotecas Escolares, apresentada a 24 de fevereiro de 2026, no encontro Contornos da Palavra 2026, do Munic\u00edpio de Viana do Castelo.\u00a0 Refer\u00eancias Mendon\u00e7a, B. (2025). A beleza das pequenas coisas [podcast]. Expresso.\u00a0 OECD. (2026, 19 jan.). OECD Digital Education Outlook 2026: Exploring Effective Uses of Generative AI in Education. https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/oecd-digital-education-outlook-2026_062a7394-en.html Naylor-Ballesteros, C. (2021). A Mala. https:\/\/www.tribodospequenosexploradores.pt\/product\/a-mala-or-edicare Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Canelas. (s.d.). Contos com valor(es). https:\/\/padlet.com\/equipabe\/contos-com-valor-es-oygdizhtrv8j6i56 IFLA\/UNESCO. (2009). Manifesto da Biblioteca Multicultural. https:\/\/www.ifla.org\/ifla-unesco-multicultural-library-manifesto\/\u00a0 My Life Elsewhere. https:\/\/www.mylifeelsewhere.com\/CEMR CCRE. (2025). Country Comparison Tool. https:\/\/terri.cemr.eu\/en\/country-profiles\/country-comparison-tool.htmlIndex Mundi. https:\/\/www.indexmundi.com\/ AE Santo Andr\u00e9. AESA. (2024, fev.). News. Os afetos.\u00a0 Barreiro https:\/\/heyzine.com\/flip-book\/3c7ba8d1b5.html#page\/28 CNE. (2023). DICA: Divulgar, Inovar, Colaborar, Aprender. https:\/\/www.cnedu.pt\/content\/DICA\/DICA_2023\/Percursos_2023\/Eu_sou_Medina.pdfRibeiro, T.(12.\u00ba L). Dia da Rece\u00e7\u00e3o aos alunos e E.E. na 14.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do projeto Mentoria Interpares. Escola Secund\u00e1ria com 3\u00ba Ciclo Henrique Medina.\u00a0 https:\/\/true-project.mog-technologies.com\/henrique-medina\/news\/dia-da-rececao-aos-alunos-e-ee-na-14-edicao-do-projeto-mentoria-interpares?id=66e9539c7bb422001945ca58 DGE. (2024). Inclus\u00e3o de alunos migrantes em meio educativo. https:\/\/www.dge.mec.pt\/sites\/default\/files\/Curriculo\/EBasico\/PLNM\/inclusao_de_alunos_migrantes_em_meio_educativo.pdf Cardoso, G. &amp; Moreno, J. (2026, 21 jan.). A nossa comunica\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica. https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/21\/opiniao\/opiniao\/comunicacao-algoritmica-2161975 Fonte da imagem:\u00a0Freepik \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[115,42,168],"tags":[],"class_list":["post-3059644","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliotecas-escolares","category-cidadania","category-interculturalidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3059644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3059644"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3059644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3084898,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3059644\/revisions\/3084898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3059644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3059644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3059644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}