{"id":3045921,"date":"2026-01-30T09:00:00","date_gmt":"2026-01-30T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/3045921.html"},"modified":"2026-05-13T12:49:29","modified_gmt":"2026-05-13T12:49:29","slug":"o-ser-humano-e-antes-de-tudo-um-animal-narrativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=3045921","title":{"rendered":"O ser humano \u00e9, antes de tudo, um animal narrativo"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2026-01-30 tempo para ler.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22842122_DTD3t.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cA vida humana est\u00e1 t\u00e3o enredada em hist\u00f3rias que ficamos completamente anestesiados em rela\u00e7\u00e3o ao seu estranho e enfeiti\u00e7ante poder. \u201c<br \/>\u201c(\u2026) Mas aquilo que \u00e9 mais impressionante, embora mais dif\u00edcil de ver, \u00e9 a forma como as hist\u00f3rias est\u00e3o constantemente a exercer a sua a\u00e7\u00e3o sobre n\u00f3s, esculpindo-nos da forma como o fluxo de \u00e1gua acaba por esculpir a rocha.\u201d<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Jonathan Gottschall, no livro <\/span><strong><em>Storytelling: Como as hist\u00f3rias nos tornam humanos<\/em><\/strong><em><span style=\"font-weight: 400;\"> (Vogais, 2025)<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, parte de uma ideia t\u00e3o simples quanto profunda: o ser humano \u00e9, antes de tudo, um animal narrativo. Contamos hist\u00f3rias para viver, para aprender e ensinar, para nos reconhecermos uns nos outros, para imaginar, para conhecer o mundo, para mapear e descobrir o mundo, entre muitas outras descobertas. Longe de serem apenas entretenimento ou ornamento cultural, as hist\u00f3rias ocupam um lugar central na forma\u00e7\u00e3o da mente humana e na organiza\u00e7\u00e3o da vida social e cultural.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A tese apresentada por Gottschall \u00e9 que a nossa atra\u00e7\u00e3o quase irresist\u00edvel por narrativas tem ra\u00edzes biol\u00f3gicas, cognitivas e evolutivas. Desde os mitos ancestrais at\u00e9 os romances contempor\u00e2neos, das hist\u00f3rias contadas \u00e0 volta da fogueira \u00e0s s\u00e9ries consumidas em plataformas digitais, o impulso narrativo atravessa \u00e9pocas, culturas e suportes. Para Gottschall, isso n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia: \u00e9 sinal de que contar hist\u00f3rias foi \u2014 e continua a ser \u2014 uma vantagem adaptativa.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Jonathan.jpg\" class=\"\" height=\"375\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22842124_Nh3T0.jpeg\" style=\"float: left;width: 300px;padding: 10px 10px;\" width=\"300\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao leitor de hist\u00f3rias \u00e9 oferecido a possibilidade de viver experi\u00eancias \u00fanicas \u2013 emocionais, sociais, morais, pol\u00edticas e muitas outras &#8211; sem sofrer as suas consequ\u00eancias reais. Ao acompanhar viv\u00eancias, conflitos, dilemas e decis\u00f5es dos personagens, o c\u00e9rebro humano ensaia respostas para compreender, adaptar-se e viver no mundo real. Possibilita exercitar o pensamento, (re)pensar, escutar e questionar. Nesse sentido, a narrativa funciona como uma poderosa ferramenta de aprendizagem, de alavanca para exercitar o pensamento cr\u00edtico e de alteridade.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gottschall mostra ainda que n\u00e3o vivemos apenas rodeados de hist\u00f3rias: n\u00f3s pensamos em forma de hist\u00f3rias. Organizamos mem\u00f3rias como enredos, transformamos acontecimentos ca\u00f3ticos em sequ\u00eancias com sentido e interpretamos o mundo por meio de narrativas. Mesmo \u00e1reas aparentemente distantes da fic\u00e7\u00e3o como o desporto, o direito, a pol\u00edtica ou a ci\u00eancia recorrem a estruturas narrativas para produzir significado e persuas\u00e3o. Essa ubiquidade revela algo essencial para quem trabalha com livros, bibliotecas e educa\u00e7\u00e3o: a leitura n\u00e3o \u00e9 uma atividade artificial imposta \u00e0 mente humana, mas uma extens\u00e3o natural de uma capacidade cognitiva profunda. Ler hist\u00f3rias \u00e9 dialogar com um modo de funcionamento b\u00e1sico do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto central do livro \u00e9 o papel das hist\u00f3rias na<strong> constru\u00e7\u00e3o da empatia<\/strong>. Ao entrar na perspetiva de uma personagem, o leitor \u00e9 convidado a experimentar emo\u00e7\u00f5es, motiva\u00e7\u00f5es e conflitos diferentes dos seus. Estudos citados por Gottschall sugerem que a imers\u00e3o narrativa pode aumentar a sensibilidade emocional e a compreens\u00e3o do outro. N\u00e3o esquecendo a fun\u00e7\u00e3o coletiva das hist\u00f3rias: permitem criar la\u00e7os, refor\u00e7ar valores e construir identidades partilhadas. Comunidades humanas sempre se organizaram em torno de narrativas comuns \u2014 mitos fundadores, hist\u00f3rias nacionais, mem\u00f3rias coletivas. Bibliotecas, enquanto guardi\u00e3s dessas narrativas, tornam-se espa\u00e7os privilegiados de preserva\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de sentido.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Storytelling: Como as hist\u00f3rias nos tornam humanos <\/em><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 um livro sedutor, apesar de n\u00e3o refletir sobre a import\u00e2ncias dos contextos e das diferen\u00e7as culturais, uma vez que as narrativas n\u00e3o neutras nem descontextualizadas. O leitor tamb\u00e9m n\u00e3o dever\u00e1 esquecer que se os poderes das hist\u00f3rias, dos livros, educam e humanizam, tamb\u00e9m podem manipular, distorcer e refor\u00e7ar preconceitos. Assim, cabe aos educadores e aos mediadores desenvolverem leitores competentes e cr\u00edticos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gottschall defende uma grande ideia: n\u00e3o contamos hist\u00f3rias apenas para passar o tempo, mas sim para nos tornarmos humanos.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para quem pretender explorar e refletir sobre a import\u00e2ncia das hist\u00f3rias, da leitura e da sua presen\u00e7a nas nossas vidas, tanto no plano pessoal, acad\u00e9mico ou profissional, aqui ficam algumas sugest\u00f5es de leitura que considero altamente recomend\u00e1veis:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Desmurget, Michel (2024). <\/span><strong><em>Ponham-nos a Ler! \u2013 A leitura como ant\u00eddoto para os cretinos digitais.<\/em><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> Lisboa: Contraponto Editores.<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Petit, Mich\u00e8le(2024). <\/span><strong><em>Somos Animais Po\u00e9ticos<\/em><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Lisboa: Faktoria K de Livros.<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Petit, Mich\u00e8le (2024). <\/span><strong><em>Ler o mundo: Experi\u00eancias de transmiss\u00e3o cultural na actualidade<\/em><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Lisboa: Faktoria K de Livros.<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rodr\u00edguez, J. (2021). La Furia de la Lectura \u2013 Por qu\u00e9 seguir leyendo en al siglo XXI. Barcelona: TusQuets Editores.\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Villoro, Juan (2025). <\/span><strong><em>N\u00e3o sou um rob\u00f4: A leitura e a sociedade digital<\/em><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Lisboa: Livros Zigurate<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>______________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>* J\u00falia Martins<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Acredita no poder da leitura. Dar a ler \u00e9 um desafio que gosta de abra\u00e7ar. \u00c9 leitora e frequenta, de forma ass\u00eddua, Clubes de Leitura.<a title=\"Saiba mais\" href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/VL-oradores-julia-martins.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saiba mais<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>______________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Leia outros artigos da s\u00e9rie<\/strong><\/span><strong><br \/><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/tag\/tempo+para+ler\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem23.png\" class=\"lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item\" height=\"67\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22630975_LsyUu.png\" width=\"348\" \/><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA vida humana est\u00e1 t\u00e3o enredada em hist\u00f3rias que ficamos completamente anestesiados em rela\u00e7\u00e3o ao seu estranho e enfeiti\u00e7ante poder. \u201c\u201c(\u2026) Mas aquilo que \u00e9 mais impressionante, embora mais dif\u00edcil de ver, \u00e9 a forma como as hist\u00f3rias est\u00e3o constantemente a exercer a sua a\u00e7\u00e3o sobre n\u00f3s, esculpindo-nos da forma como o fluxo de \u00e1gua acaba por esculpir a rocha.\u201d Jonathan Gottschall, no livro Storytelling: Como as hist\u00f3rias nos tornam humanos (Vogais, 2025), parte de uma ideia t\u00e3o simples quanto profunda: o ser humano \u00e9, antes de tudo, um animal narrativo. Contamos hist\u00f3rias para viver, para aprender e ensinar, para nos reconhecermos uns nos outros, para imaginar, para conhecer o mundo, para mapear e descobrir o mundo, entre muitas outras descobertas. Longe de serem apenas entretenimento ou ornamento cultural, as hist\u00f3rias ocupam um lugar central na forma\u00e7\u00e3o da mente humana e na organiza\u00e7\u00e3o da vida social e cultural. A tese apresentada por Gottschall \u00e9 que a nossa atra\u00e7\u00e3o quase irresist\u00edvel por narrativas tem ra\u00edzes biol\u00f3gicas, cognitivas e evolutivas. Desde os mitos ancestrais at\u00e9 os romances contempor\u00e2neos, das hist\u00f3rias contadas \u00e0 volta da fogueira \u00e0s s\u00e9ries consumidas em plataformas digitais, o impulso narrativo atravessa \u00e9pocas, culturas e suportes. Para Gottschall, isso n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia: \u00e9 sinal de que contar hist\u00f3rias foi \u2014 e continua a ser \u2014 uma vantagem adaptativa. Ao leitor de hist\u00f3rias \u00e9 oferecido a possibilidade de viver experi\u00eancias \u00fanicas \u2013 emocionais, sociais, morais, pol\u00edticas e muitas outras &#8211; sem sofrer as suas consequ\u00eancias reais. Ao acompanhar viv\u00eancias, conflitos, dilemas e decis\u00f5es dos personagens, o c\u00e9rebro humano ensaia respostas para compreender, adaptar-se e viver no mundo real. Possibilita exercitar o pensamento, (re)pensar, escutar e questionar. Nesse sentido, a narrativa funciona como uma poderosa ferramenta de aprendizagem, de alavanca para exercitar o pensamento cr\u00edtico e de alteridade.\u00a0 Gottschall mostra ainda que n\u00e3o vivemos apenas rodeados de hist\u00f3rias: n\u00f3s pensamos em forma de hist\u00f3rias. Organizamos mem\u00f3rias como enredos, transformamos acontecimentos ca\u00f3ticos em sequ\u00eancias com sentido e interpretamos o mundo por meio de narrativas. Mesmo \u00e1reas aparentemente distantes da fic\u00e7\u00e3o como o desporto, o direito, a pol\u00edtica ou a ci\u00eancia recorrem a estruturas narrativas para produzir significado e persuas\u00e3o. Essa ubiquidade revela algo essencial para quem trabalha com livros, bibliotecas e educa\u00e7\u00e3o: a leitura n\u00e3o \u00e9 uma atividade artificial imposta \u00e0 mente humana, mas uma extens\u00e3o natural de uma capacidade cognitiva profunda. Ler hist\u00f3rias \u00e9 dialogar com um modo de funcionamento b\u00e1sico do c\u00e9rebro. Outro ponto central do livro \u00e9 o papel das hist\u00f3rias na constru\u00e7\u00e3o da empatia. Ao entrar na perspetiva de uma personagem, o leitor \u00e9 convidado a experimentar emo\u00e7\u00f5es, motiva\u00e7\u00f5es e conflitos diferentes dos seus. Estudos citados por Gottschall sugerem que a imers\u00e3o narrativa pode aumentar a sensibilidade emocional e a compreens\u00e3o do outro. N\u00e3o esquecendo a fun\u00e7\u00e3o coletiva das hist\u00f3rias: permitem criar la\u00e7os, refor\u00e7ar valores e construir identidades partilhadas. Comunidades humanas sempre se organizaram em torno de narrativas comuns \u2014 mitos fundadores, hist\u00f3rias nacionais, mem\u00f3rias coletivas. Bibliotecas, enquanto guardi\u00e3s dessas narrativas, tornam-se espa\u00e7os privilegiados de preserva\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de sentido. Storytelling: Como as hist\u00f3rias nos tornam humanos \u00e9 um livro sedutor, apesar de n\u00e3o refletir sobre a import\u00e2ncias dos contextos e das diferen\u00e7as culturais, uma vez que as narrativas n\u00e3o neutras nem descontextualizadas. O leitor tamb\u00e9m n\u00e3o dever\u00e1 esquecer que se os poderes das hist\u00f3rias, dos livros, educam e humanizam, tamb\u00e9m podem manipular, distorcer e refor\u00e7ar preconceitos. Assim, cabe aos educadores e aos mediadores desenvolverem leitores competentes e cr\u00edticos.\u00a0 Gottschall defende uma grande ideia: n\u00e3o contamos hist\u00f3rias apenas para passar o tempo, mas sim para nos tornarmos humanos. Para quem pretender explorar e refletir sobre a import\u00e2ncia das hist\u00f3rias, da leitura e da sua presen\u00e7a nas nossas vidas, tanto no plano pessoal, acad\u00e9mico ou profissional, aqui ficam algumas sugest\u00f5es de leitura que considero altamente recomend\u00e1veis: Desmurget, Michel (2024). Ponham-nos a Ler! \u2013 A leitura como ant\u00eddoto para os cretinos digitais. Lisboa: Contraponto Editores. Petit, Mich\u00e8le(2024). Somos Animais Po\u00e9ticos. Lisboa: Faktoria K de Livros. Petit, Mich\u00e8le (2024). Ler o mundo: Experi\u00eancias de transmiss\u00e3o cultural na actualidade. Lisboa: Faktoria K de Livros. Rodr\u00edguez, J. (2021). La Furia de la Lectura \u2013 Por qu\u00e9 seguir leyendo en al siglo XXI. Barcelona: TusQuets Editores.\u00a0 Villoro, Juan (2025). N\u00e3o sou um rob\u00f4: A leitura e a sociedade digital. Lisboa: Livros Zigurate ______________________________________________________ * J\u00falia Martins Acredita no poder da leitura. Dar a ler \u00e9 um desafio que gosta de abra\u00e7ar. \u00c9 leitora e frequenta, de forma ass\u00eddua, Clubes de Leitura.Saiba mais ______________________________________________________ Leia outros artigos da s\u00e9rie \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[115,169],"tags":[],"class_list":["post-3045921","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliotecas-escolares","category-tempo-para-ler"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3045921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3045921"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3045921\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3084960,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3045921\/revisions\/3084960"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3045921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3045921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3045921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}