{"id":3044060,"date":"2026-01-27T09:00:00","date_gmt":"2026-01-27T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/3044060.html"},"modified":"2026-05-13T12:50:11","modified_gmt":"2026-05-13T12:50:11","slug":"ensinar-e-gostar-de-bibliotecas-sera-uma-questao-genetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=3044060","title":{"rendered":"Ensinar e gostar de bibliotecas: ser\u00e1 uma quest\u00e3o gen\u00e9tica?"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"27.01.2026.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22842268_HdgWI.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Sou professora h\u00e1 30 anos, Professora Bibliotec\u00e1ria em 17 desses 30.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pode parecer estranho dizer isto, mas olhando para estes meus 51 anos de vida, sinto que nasci para ser professora e bibliotec\u00e1ria. \u00c9 como se o meu ADN trouxesse dois carimbos com uma classifica\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de decidir. Ser\u00e1 da classe 0, por ser um ser generalista? Ou da classe 9, por querer conhecer como \u00e9 o mundo ou por escrever as linhas da vida de uma PB? Talvez da classe 8, por ser uma obra baseada em factos reais de algu\u00e9m que sempre adorou livros e ensinava as suas bonecas a ler?<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre me lembro de gostar de estar entre livros, mesmo numa casa onde, no meu quarto, s\u00f3 havia tr\u00eas: um da Anita (que eu copiava para um caderninho mesmo antes de saber ler e escrever), um sobre abelhas e outro sobre o ouri\u00e7o-cacheiro. Em compensa\u00e7\u00e3o, havia uma pequena sala de estar com um m\u00f3vel cheio de livros do C\u00edrculo de Leitores e das Sele\u00e7\u00f5es do Reader\u2019s Digest.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa altura, a terminar a d\u00e9cada de 70, quando passava no Largo do Pelourinho, pequenina e de m\u00e3o dada com a minha m\u00e3e para ir para a fila do leite, sentia uma curiosidade enorme por entrar na Biblioteca Bento de Jesus Cara\u00e7a, onde n\u00e3o havia lugar para crian\u00e7as. Apenas para pessoas \u201ccrescidas\u201d. Um p\u00fablico maioritariamente masculino, com \u00f3culos e um ar fechado. T\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">fechado como o espa\u00e7o da biblioteca. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Uma pequena sala, que eu viria a explorar anos mais tarde. A desilus\u00e3o come\u00e7ou no primeiro dia em que entrei naquela sala. Um espa\u00e7o de 20 m2 com 3 arm\u00e1rios fechados \u00e0 chave, cautelosamente guardados por um bibliotec\u00e1rio de \u00f3culos e de cara\u2026 fechada.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">E bibliotecas nas escolas? Um sonho para meninas como eu \u2014 e apenas isso. Havia, na sala da diretora, um arm\u00e1rio fechado com alguns livros, e uma biblioteca de sala de aula, porque felizmente a minha professora teve essa excelente e audaz ideia de pedir para trazermos alguns livrinhos de casa para partilharmos. Confesso que n\u00e3o fui capaz de levar os meus tr\u00eas livrinhos, que amava com paix\u00e3o desmedida, mas li todos os que os meus colegas trouxeram. Em casa, se queria variar, tinha de ler\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Os Lus\u00edadas<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, a l\u00edrica de Cam\u00f5es,\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Grandes Vidas, Grandes Obras<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">,\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Viagens sem Fronteiras<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0ou\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">O Livro da Sa\u00fade<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, entre outros livros de capas bonitas que decoravam a sala.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quando passei para o \u201cciclo preparat\u00f3rio\u201d, nos anos 80, descobri que uma das salas tinha sido transformada numa biblioteca. J\u00e1 com estantes e muitos livros apetec\u00edveis. Foi l\u00e1 que aprendi, verdadeiramente, a amar ler. Passava l\u00e1 grande parte do tempo e at\u00e9 podia requisitar livros para levar para casa. Haver\u00e1 algo melhor do que isso? Levar e ler em casa\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Os Cinco<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">,\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Os Sete<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e a grande novidade do momento:\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Uma Aventura<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">! Para mim, aquele espa\u00e7o era perfeito, com duas pessoas muito simp\u00e1ticas: uma professora com fragilidades emocionais e uma assistente operacional que perdera a mobilidade no bra\u00e7o direito.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da\u00ed, todas as escolas por onde passei tinham bibliotecas e \u201cbibliotec\u00e1rios\u201d com caracter\u00edsticas semelhantes: n\u00e3o podiam dar aulas nem prestar uma assist\u00eancia eficaz.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Chegados os anos 90, algo de maravilhoso come\u00e7ou a acontecer, a que esta pessoa que vos escreve teve o privil\u00e9gio de assistir: bibliotecas municipais amplas, com v\u00e1rias salas e estantes de acesso livre. Na minha cidade, a biblioteca foi montada num centro comercial. Haver\u00e1 algo mais inovador e criativo? Na escola secund\u00e1ria vi a biblioteca descer do primeiro andar e ocupar um novo espa\u00e7o num novo bloco.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Foi ent\u00e3o que pensei como gostaria de ser bibliotec\u00e1ria e trabalhar todo o dia entre livros, para as pessoas. Mas\u2026 lembram-se dos carimbos de que vos falei? Um deles \u00e9 da classe 37, sem qualquer d\u00favida. Continuava a ser aquela menina que gostava de ensinar as bonecas a ler e a escrever. Tinha de fazer a minha op\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No meu quinto ano de servi\u00e7o, corria o ano de 1999, encontrava-me numa escola que ousara concorrer \u00e0 Rede de Bibliotecas Escolares. Fiz parte da equipa que sonhou a candidatura e tamb\u00e9m de um projeto de inclus\u00e3o \u2013 Todos Diferentes, Todos na Escola \u2013, cujo ponto de partida foi uma simples sala de aula, transformada em biblioteca provis\u00f3ria, enquanto aguard\u00e1vamos, expectantes, o resultado. \u00c9ramos um punhado de jovens professoras, animadas pela urg\u00eancia dos sonhos e pela vontade ardente de lhes dar corpo.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da\u00ed, dediquei a maior parte da minha experi\u00eancia ao trabalho com bibliotecas, ora como professora titular, ora como professora bibliotec\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, as Bibliotecas Municipais e as Bibliotecas Escolares s\u00e3o espa\u00e7os vivos, que caminham de bra\u00e7o dado com o foco nos seus utilizadores. N\u00e3o s\u00e3o uma sala. S\u00e3o salas para todos os gostos e feitios. S\u00e3o locais inovadores, de aprendizagem e entreajuda. Continuam a ter pessoas simp\u00e1ticas, mas que investiram na sua forma\u00e7\u00e3o para melhor fazer bombear o cora\u00e7\u00e3o de uma escola ou de uma comunidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As bibliotecas s\u00e3o um bocadinho de mundo perfeito, constru\u00eddo por pessoas que, com toda a certeza, t\u00eam no seu ADN um carimbo que diz:\u00a0<\/span><strong>\u201cBibliotec\u00e1rio(a) Assumido(a) e Por Sua Livre Vontade.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Por que vos contei a minha vida neste retalho da vida de uma professora bibliotec\u00e1ria? Porque a minha linha do tempo \u00e9, na minha singela opini\u00e3o, compat\u00edvel com a linha do tempo das bibliotecas portuguesas.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/><\/span><strong>E que evolu\u00e7\u00e3o bonita, n\u00e3o acham?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">por Sandra Marques<br \/>Professora Bibliotec\u00e1ria<br \/>AE Ant\u00f3nio de Ata\u00edde, Vila Franca de Xira<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span><strong>__________________________________________________________________________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<div><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retalhos (3).png\" class=\"lazyload-item lazyload-item lazyload-item\" height=\"42\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22793291_qlmbO.png\" width=\"600\" \/><span><\/span><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li style=\"text-align: justify;\">Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infopedia.pt\/apoio\/artigos\/$retalhos-da-vida-de-um-medico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Retalhos da vida de um m\u00e9dico<\/a>, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora.<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"text-align: justify;\">Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias.<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo\u00a0<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSc5afn6N2wiyMUUt2SeWXWWIEDXwf6wwUJafLwjDDmTA6phjw\/viewform\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">este formul\u00e1rio<\/a>.<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou professora h\u00e1 30 anos, Professora Bibliotec\u00e1ria em 17 desses 30. Pode parecer estranho dizer isto, mas olhando para estes meus 51 anos de vida, sinto que nasci para ser professora e bibliotec\u00e1ria. \u00c9 como se o meu ADN trouxesse dois carimbos com uma classifica\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de decidir. Ser\u00e1 da classe 0, por ser um ser generalista? Ou da classe 9, por querer conhecer como \u00e9 o mundo ou por escrever as linhas da vida de uma PB? Talvez da classe 8, por ser uma obra baseada em factos reais de algu\u00e9m que sempre adorou livros e ensinava as suas bonecas a ler? Sempre me lembro de gostar de estar entre livros, mesmo numa casa onde, no meu quarto, s\u00f3 havia tr\u00eas: um da Anita (que eu copiava para um caderninho mesmo antes de saber ler e escrever), um sobre abelhas e outro sobre o ouri\u00e7o-cacheiro. Em compensa\u00e7\u00e3o, havia uma pequena sala de estar com um m\u00f3vel cheio de livros do C\u00edrculo de Leitores e das Sele\u00e7\u00f5es do Reader\u2019s Digest.\u00a0 Nessa altura, a terminar a d\u00e9cada de 70, quando passava no Largo do Pelourinho, pequenina e de m\u00e3o dada com a minha m\u00e3e para ir para a fila do leite, sentia uma curiosidade enorme por entrar na Biblioteca Bento de Jesus Cara\u00e7a, onde n\u00e3o havia lugar para crian\u00e7as. Apenas para pessoas \u201ccrescidas\u201d. Um p\u00fablico maioritariamente masculino, com \u00f3culos e um ar fechado. T\u00e3o fechado como o espa\u00e7o da biblioteca. Uma pequena sala, que eu viria a explorar anos mais tarde. A desilus\u00e3o come\u00e7ou no primeiro dia em que entrei naquela sala. Um espa\u00e7o de 20 m2 com 3 arm\u00e1rios fechados \u00e0 chave, cautelosamente guardados por um bibliotec\u00e1rio de \u00f3culos e de cara\u2026 fechada. E bibliotecas nas escolas? Um sonho para meninas como eu \u2014 e apenas isso. Havia, na sala da diretora, um arm\u00e1rio fechado com alguns livros, e uma biblioteca de sala de aula, porque felizmente a minha professora teve essa excelente e audaz ideia de pedir para trazermos alguns livrinhos de casa para partilharmos. Confesso que n\u00e3o fui capaz de levar os meus tr\u00eas livrinhos, que amava com paix\u00e3o desmedida, mas li todos os que os meus colegas trouxeram. Em casa, se queria variar, tinha de ler\u00a0Os Lus\u00edadas, a l\u00edrica de Cam\u00f5es,\u00a0Grandes Vidas, Grandes Obras,\u00a0Viagens sem Fronteiras\u00a0ou\u00a0O Livro da Sa\u00fade, entre outros livros de capas bonitas que decoravam a sala. Quando passei para o \u201cciclo preparat\u00f3rio\u201d, nos anos 80, descobri que uma das salas tinha sido transformada numa biblioteca. J\u00e1 com estantes e muitos livros apetec\u00edveis. Foi l\u00e1 que aprendi, verdadeiramente, a amar ler. Passava l\u00e1 grande parte do tempo e at\u00e9 podia requisitar livros para levar para casa. Haver\u00e1 algo melhor do que isso? Levar e ler em casa\u00a0Os Cinco,\u00a0Os Sete\u00a0e a grande novidade do momento:\u00a0Uma Aventura! Para mim, aquele espa\u00e7o era perfeito, com duas pessoas muito simp\u00e1ticas: uma professora com fragilidades emocionais e uma assistente operacional que perdera a mobilidade no bra\u00e7o direito. A partir da\u00ed, todas as escolas por onde passei tinham bibliotecas e \u201cbibliotec\u00e1rios\u201d com caracter\u00edsticas semelhantes: n\u00e3o podiam dar aulas nem prestar uma assist\u00eancia eficaz. Chegados os anos 90, algo de maravilhoso come\u00e7ou a acontecer, a que esta pessoa que vos escreve teve o privil\u00e9gio de assistir: bibliotecas municipais amplas, com v\u00e1rias salas e estantes de acesso livre. Na minha cidade, a biblioteca foi montada num centro comercial. Haver\u00e1 algo mais inovador e criativo? Na escola secund\u00e1ria vi a biblioteca descer do primeiro andar e ocupar um novo espa\u00e7o num novo bloco. Foi ent\u00e3o que pensei como gostaria de ser bibliotec\u00e1ria e trabalhar todo o dia entre livros, para as pessoas. Mas\u2026 lembram-se dos carimbos de que vos falei? Um deles \u00e9 da classe 37, sem qualquer d\u00favida. Continuava a ser aquela menina que gostava de ensinar as bonecas a ler e a escrever. Tinha de fazer a minha op\u00e7\u00e3o. No meu quinto ano de servi\u00e7o, corria o ano de 1999, encontrava-me numa escola que ousara concorrer \u00e0 Rede de Bibliotecas Escolares. Fiz parte da equipa que sonhou a candidatura e tamb\u00e9m de um projeto de inclus\u00e3o \u2013 Todos Diferentes, Todos na Escola \u2013, cujo ponto de partida foi uma simples sala de aula, transformada em biblioteca provis\u00f3ria, enquanto aguard\u00e1vamos, expectantes, o resultado. \u00c9ramos um punhado de jovens professoras, animadas pela urg\u00eancia dos sonhos e pela vontade ardente de lhes dar corpo. A partir da\u00ed, dediquei a maior parte da minha experi\u00eancia ao trabalho com bibliotecas, ora como professora titular, ora como professora bibliotec\u00e1ria. Hoje, as Bibliotecas Municipais e as Bibliotecas Escolares s\u00e3o espa\u00e7os vivos, que caminham de bra\u00e7o dado com o foco nos seus utilizadores. N\u00e3o s\u00e3o uma sala. S\u00e3o salas para todos os gostos e feitios. S\u00e3o locais inovadores, de aprendizagem e entreajuda. Continuam a ter pessoas simp\u00e1ticas, mas que investiram na sua forma\u00e7\u00e3o para melhor fazer bombear o cora\u00e7\u00e3o de uma escola ou de uma comunidade.\u00a0 As bibliotecas s\u00e3o um bocadinho de mundo perfeito, constru\u00eddo por pessoas que, com toda a certeza, t\u00eam no seu ADN um carimbo que diz:\u00a0\u201cBibliotec\u00e1rio(a) Assumido(a) e Por Sua Livre Vontade.\u201d Por que vos contei a minha vida neste retalho da vida de uma professora bibliotec\u00e1ria? Porque a minha linha do tempo \u00e9, na minha singela opini\u00e3o, compat\u00edvel com a linha do tempo das bibliotecas portuguesas.E que evolu\u00e7\u00e3o bonita, n\u00e3o acham? por Sandra MarquesProfessora Bibliotec\u00e1riaAE Ant\u00f3nio de Ata\u00edde, Vila Franca de Xira __________________________________________________________________________________________________________________ Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0Retalhos da vida de um m\u00e9dico, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias. Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo\u00a0este formul\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[115,155,163],"tags":[],"class_list":["post-3044060","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliotecas-escolares","category-professor-bibliotecario","category-retalhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3044060","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3044060"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3044060\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3084968,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3044060\/revisions\/3084968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3044060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3044060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3044060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}