{"id":3036561,"date":"2026-01-06T09:01:00","date_gmt":"2026-01-06T09:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/3036561.html"},"modified":"2026-05-13T12:52:21","modified_gmt":"2026-05-13T12:52:21","slug":"labirintos-do-sentir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=3036561","title":{"rendered":"Labirintos do Sentir"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"06.01.2026 (1).png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22835575_1373T.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Movimentei-me durante oito anos no mundo das bibliotecas escolares. Falar sobre esta viagem n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, como tudo na vida, mas certezas h\u00e1, que posso partilhar aqui.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Uma Biblioteca n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o, est\u00e1 muito al\u00e9m disso. Uma biblioteca \u00e9 um lugar! Um lugar labir\u00edntico, \u00e9 certo, que permite uma procura, um encontro e desencontro connosco.\u00a0 Para mim foi um labirinto de procura, de prepara\u00e7\u00e3o, de projetos, de an\u00e1lise, de reflex\u00e3o, de avalia\u00e7\u00e3o, mas principalmente de crescimento. Foi um turbilh\u00e3o de a\u00e7\u00e3o\/rea\u00e7\u00e3o. Percorri cada corredor confiando,<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">no caminho a seguir.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio de cada ano, sentia sempre, penso eu, o mesmo que um pintor quando v\u00ea a tela em branco. E agora?\u2026 Os materiais estavam todos ali, mas era preciso dar luz, forma e corpo \u00e0quele lugar. Esse era um misto de adrenalina e ansiedade, que todos os anos me empurravam para a viagem. Nem sempre tranquila, ora mais calma, ora mais turbulenta, o barco ondulava ao som<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e ritmo<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">das mar\u00e9s. O Professor Bibliotec\u00e1rio, esse, \u00e9 sempre o Homem do Leme. Confiante, mesmo nos momentos mais desafiantes.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O labirinto amplia a sua sinergia, quando esse lugar \u00e9 ocupado pela partilha de um livro, de uma leitura, de uma conversa, que nos mostra que h\u00e1 mais vida para al\u00e9m da vida contida na hist\u00f3ria. Cada hist\u00f3ria cont\u00e9m um pouco de<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">n\u00f3s, do amigo, do colega, do aluno, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">c\u00edrculos conc\u00eantricos, no labirinto, acionados pela escrita de um autor, que afinal, tamb\u00e9m, fala daquilo que eu sinto. Sentimos que n\u00e3o estamos s\u00f3s, que a nossa encruzilhada caminha paralelamente \u00e0 encruzilhada do outro. E \u00e9 este lugar que nos faz Homens, como diz Afonso Cruz, \u00abPorque um Homem \u00e9 feito de hist\u00f3rias, n\u00e3o \u00e9 de ad\u00ea-\u00e9nes e min\u00fasculos ossos. Hist\u00f3rias\u00bb in\u00a0 \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Os Livros que Devoraram o meu Pai\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esta foi a minha maior miss\u00e3o, como professora bibliotec\u00e1ria, permitir que cada um encontrasse a sua hist\u00f3ria ou hist\u00f3rias, os seus dilemas, as suas ang\u00fastias, ou mesmo as suas felicidades e o seu peda\u00e7o de c\u00e9u. Proporcionar esses encontros, sugerir caminhos, mesmo estando eu, tamb\u00e9m, perdida no labirinto. Sem d\u00favida que esta foi a minha maior batalha, mas \u00e9 uma batalha que vale a pena.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Falar de bibliotecas \u00e9 falar em muito mais do que livros, mas acabo sempre por cair na tenta\u00e7\u00e3o de os enaltecer, porque s\u00e3o eles a minha paix\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">dias, lia, algures, que os livros s\u00e3o os primeiros alvos a abater pelos ditadores. \u00c9 do senso comum, que os livros s\u00e3o portas abertas para o mundo cr\u00edtico do pensamento. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Sendo as bibliotecas p\u00e1ssaros da alma e como matar uma alma \u00e9 muito mais que eliminar um corpo<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, anular a ess\u00eancia da humanidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quando uma crian\u00e7a vem, pega num livro e se senta a ler, atinge-se o \u00eaxtase m\u00e1ximo do sentido da vida e da miss\u00e3o das nossas bibliotecas.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">por Marta Freitas<br \/>Professora Bibliotec\u00e1ria do Agrupamento de Escolas de Esmoriz, Ovar (2017 \u2013 2025)<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>__________________________________________________________________________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<div><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retalhos (3).png\" class=\"lazyload-item lazyload-item\" height=\"42\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22793291_qlmbO.png\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" width=\"600\" \/><span><\/span><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li style=\"text-align: justify;\">Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infopedia.pt\/apoio\/artigos\/$retalhos-da-vida-de-um-medico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Retalhos da vida de um m\u00e9dico<\/a>, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora.<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"text-align: justify;\">Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias.<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo\u00a0<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSc5afn6N2wiyMUUt2SeWXWWIEDXwf6wwUJafLwjDDmTA6phjw\/viewform\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">este formul\u00e1rio<\/a>.<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Movimentei-me durante oito anos no mundo das bibliotecas escolares. Falar sobre esta viagem n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, como tudo na vida, mas certezas h\u00e1, que posso partilhar aqui. Uma Biblioteca n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o, est\u00e1 muito al\u00e9m disso. Uma biblioteca \u00e9 um lugar! Um lugar labir\u00edntico, \u00e9 certo, que permite uma procura, um encontro e desencontro connosco.\u00a0 Para mim foi um labirinto de procura, de prepara\u00e7\u00e3o, de projetos, de an\u00e1lise, de reflex\u00e3o, de avalia\u00e7\u00e3o, mas principalmente de crescimento. Foi um turbilh\u00e3o de a\u00e7\u00e3o\/rea\u00e7\u00e3o. Percorri cada corredor confiando, no caminho a seguir. No in\u00edcio de cada ano, sentia sempre, penso eu, o mesmo que um pintor quando v\u00ea a tela em branco. E agora?\u2026 Os materiais estavam todos ali, mas era preciso dar luz, forma e corpo \u00e0quele lugar. Esse era um misto de adrenalina e ansiedade, que todos os anos me empurravam para a viagem. Nem sempre tranquila, ora mais calma, ora mais turbulenta, o barco ondulava ao som e ritmo das mar\u00e9s. O Professor Bibliotec\u00e1rio, esse, \u00e9 sempre o Homem do Leme. Confiante, mesmo nos momentos mais desafiantes. O labirinto amplia a sua sinergia, quando esse lugar \u00e9 ocupado pela partilha de um livro, de uma leitura, de uma conversa, que nos mostra que h\u00e1 mais vida para al\u00e9m da vida contida na hist\u00f3ria. Cada hist\u00f3ria cont\u00e9m um pouco de n\u00f3s, do amigo, do colega, do aluno, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de c\u00edrculos conc\u00eantricos, no labirinto, acionados pela escrita de um autor, que afinal, tamb\u00e9m, fala daquilo que eu sinto. Sentimos que n\u00e3o estamos s\u00f3s, que a nossa encruzilhada caminha paralelamente \u00e0 encruzilhada do outro. E \u00e9 este lugar que nos faz Homens, como diz Afonso Cruz, \u00abPorque um Homem \u00e9 feito de hist\u00f3rias, n\u00e3o \u00e9 de ad\u00ea-\u00e9nes e min\u00fasculos ossos. Hist\u00f3rias\u00bb in\u00a0 \u201cOs Livros que Devoraram o meu Pai\u201d. Esta foi a minha maior miss\u00e3o, como professora bibliotec\u00e1ria, permitir que cada um encontrasse a sua hist\u00f3ria ou hist\u00f3rias, os seus dilemas, as suas ang\u00fastias, ou mesmo as suas felicidades e o seu peda\u00e7o de c\u00e9u. Proporcionar esses encontros, sugerir caminhos, mesmo estando eu, tamb\u00e9m, perdida no labirinto. Sem d\u00favida que esta foi a minha maior batalha, mas \u00e9 uma batalha que vale a pena. Falar de bibliotecas \u00e9 falar em muito mais do que livros, mas acabo sempre por cair na tenta\u00e7\u00e3o de os enaltecer, porque s\u00e3o eles a minha paix\u00e3o.\u00a0 H\u00e1 dias, lia, algures, que os livros s\u00e3o os primeiros alvos a abater pelos ditadores. \u00c9 do senso comum, que os livros s\u00e3o portas abertas para o mundo cr\u00edtico do pensamento. \u00a0Sendo as bibliotecas p\u00e1ssaros da alma e como matar uma alma \u00e9 muito mais que eliminar um corpo \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, anular a ess\u00eancia da humanidade.\u00a0 Quando uma crian\u00e7a vem, pega num livro e se senta a ler, atinge-se o \u00eaxtase m\u00e1ximo do sentido da vida e da miss\u00e3o das nossas bibliotecas. por Marta FreitasProfessora Bibliotec\u00e1ria do Agrupamento de Escolas de Esmoriz, Ovar (2017 \u2013 2025) \u00a0 __________________________________________________________________________________________________________________ Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0Retalhos da vida de um m\u00e9dico, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora. 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