{"id":3016719,"date":"2025-11-04T09:00:00","date_gmt":"2025-11-04T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/3016719.html"},"modified":"2026-05-13T12:57:36","modified_gmt":"2026-05-13T12:57:36","slug":"entre-estantes-historias-e-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=3016719","title":{"rendered":"Entre estantes, hist\u00f3rias e sonhos"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"4.11.2025.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22815785_Zbu10.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 mais de 25 anos, a minha jornada como professora bibliotec\u00e1ria come\u00e7ou de forma um pouco&#8230; peculiar. Na altura, as estantes da biblioteca estavam trancadas, o acesso ao espa\u00e7o era restrito, e os utilizadores, mais do que visitantes, eram quase considerados intrusos. A ideia de um &#8220;espa\u00e7o vivo&#8221; parecia uma utopia distante, como se a biblioteca fosse um santu\u00e1rio, e n\u00f3s, os bibliotec\u00e1rios, os guardi\u00f5es das rel\u00edquias do conhecimento. Com o passar do tempo e uma boa dose de persist\u00eancia (e paci\u00eancia), fui quebrando as barreiras. Abri as estantes. Abri as portas. Abri a mente. Aos poucos, a biblioteca deixou de ser um local fechado, quase misterioso, para se tornar um verdadeiro ponto de encontro. N\u00e3o foi f\u00e1cil, claro! Por detr\u00e1s de cada mudan\u00e7a houve reuni\u00f5es, sensibiliza\u00e7\u00f5es, conversas, mas tamb\u00e9m muitos risos e momentos de (feliz) caos. Afinal, transformar uma BE n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mudar m\u00f3veis, \u00e9 mudar mentalidades. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O que me motiva todos os dias \u00e9 poder dar continuidade a este trabalho, \u00e9 criar projetos, trabalhar novas ideias, construir novas pontes. As estantes, que antes estavam trancadas, agora est\u00e3o abertas, n\u00e3o s\u00f3 fisicamente, mas tamb\u00e9m emocionalmente. <\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A biblioteca escolar passou a ser um espa\u00e7o acess\u00edvel, inclusivo e, mais importante, um lugar onde a imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites. O que mais me orgulha, al\u00e9m das estantes abertas, \u00e9 o esp\u00edrito de comunidade que cri\u00e1mos. N\u00e3o h\u00e1 mais &#8220;portas fechadas&#8221;, s\u00f3 a vontade de partilhar, aprender e crescer juntos. E, claro, nada substitui o cheirinho de livro novo ou a sensa\u00e7\u00e3o de folhear p\u00e1ginas. Por mais que a tecnologia nos ofere\u00e7a uma janela para o mundo, a biblioteca continua a ser o palco onde as hist\u00f3rias come\u00e7am. Este ano, um dos projetos que mais me encheu de orgulho foi o <\/span><strong>&#8220;Mouzinho Aberto ao Mundo&#8221;<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, proposta da Biblioteca Escolar e uma verdadeira celebra\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas nacionalidades presentes no nosso agrupamento. O objetivo era, mais do que conhecer as v\u00e1rias culturas, criar um espa\u00e7o de di\u00e1logo e partilha. O projeto envolveu v\u00e1rias disciplinas e todos os ciclos de ensino, uma verdadeira colabora\u00e7\u00e3o entre professores e alunos de diferentes idades e backgrounds. O resultado foi surpreendente. As turmas criaram casais de bonecos feitos em papel, utilizando a t\u00e9cnica dos rolinhos, representando cada um dos pa\u00edses existentes na nossa comunidade escolar. Foi emocionante ver cada turma n\u00e3o s\u00f3 a explorar as caracter\u00edsticas culturais, mas a fazer a ponte entre a arte, a hist\u00f3ria e a identidade. Al\u00e9m disso, produzimos um v\u00eddeo que integrou todos os contributos das disciplinas envolvidas, um retrato visual e sonoro do que foi a diversidade cultural na nossa escola. A biblioteca, como centro de recursos e ideias, foi o lugar ideal para dar vida a este projeto. <\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Se h\u00e1 algo que aprendi nesta jornada de mais de 25 anos, \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o, como a biblioteca, deve ser um espa\u00e7o aberto e em constante evolu\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, a chave para a transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas em deixar a porta aberta. Ou, neste caso, as estantes. Ou, ainda, abrir as portas para o mundo, como fizemos com o projeto <\/span><strong>&#8220;Mouzinho Aberto ao Mundo&#8221;<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Paula Carri\u00e7o<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Professora Bibliotec\u00e1ria, AE Mouzinho da Silveira, Moita<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #ff0000;\"><strong>__________________________________________________________________________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<div><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retalhos (3).png\" class=\"\" height=\"42\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22793291_qlmbO.png\" style=\"width: 600px; padding: 10px 10px;\" width=\"600\" \/><span><\/span><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li>Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infopedia.pt\/apoio\/artigos\/$retalhos-da-vida-de-um-medico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Retalhos da vida de um m\u00e9dico<\/a>, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo\u00a0<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSc5afn6N2wiyMUUt2SeWXWWIEDXwf6wwUJafLwjDDmTA6phjw\/viewform\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">este formul\u00e1rio<\/a>.<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de 25 anos, a minha jornada como professora bibliotec\u00e1ria come\u00e7ou de forma um pouco&#8230; peculiar. Na altura, as estantes da biblioteca estavam trancadas, o acesso ao espa\u00e7o era restrito, e os utilizadores, mais do que visitantes, eram quase considerados intrusos. A ideia de um &#8220;espa\u00e7o vivo&#8221; parecia uma utopia distante, como se a biblioteca fosse um santu\u00e1rio, e n\u00f3s, os bibliotec\u00e1rios, os guardi\u00f5es das rel\u00edquias do conhecimento. Com o passar do tempo e uma boa dose de persist\u00eancia (e paci\u00eancia), fui quebrando as barreiras. Abri as estantes. Abri as portas. Abri a mente. Aos poucos, a biblioteca deixou de ser um local fechado, quase misterioso, para se tornar um verdadeiro ponto de encontro. N\u00e3o foi f\u00e1cil, claro! Por detr\u00e1s de cada mudan\u00e7a houve reuni\u00f5es, sensibiliza\u00e7\u00f5es, conversas, mas tamb\u00e9m muitos risos e momentos de (feliz) caos. Afinal, transformar uma BE n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mudar m\u00f3veis, \u00e9 mudar mentalidades. O que me motiva todos os dias \u00e9 poder dar continuidade a este trabalho, \u00e9 criar projetos, trabalhar novas ideias, construir novas pontes. As estantes, que antes estavam trancadas, agora est\u00e3o abertas, n\u00e3o s\u00f3 fisicamente, mas tamb\u00e9m emocionalmente. A biblioteca escolar passou a ser um espa\u00e7o acess\u00edvel, inclusivo e, mais importante, um lugar onde a imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites. O que mais me orgulha, al\u00e9m das estantes abertas, \u00e9 o esp\u00edrito de comunidade que cri\u00e1mos. N\u00e3o h\u00e1 mais &#8220;portas fechadas&#8221;, s\u00f3 a vontade de partilhar, aprender e crescer juntos. E, claro, nada substitui o cheirinho de livro novo ou a sensa\u00e7\u00e3o de folhear p\u00e1ginas. Por mais que a tecnologia nos ofere\u00e7a uma janela para o mundo, a biblioteca continua a ser o palco onde as hist\u00f3rias come\u00e7am. Este ano, um dos projetos que mais me encheu de orgulho foi o &#8220;Mouzinho Aberto ao Mundo&#8221;, proposta da Biblioteca Escolar e uma verdadeira celebra\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas nacionalidades presentes no nosso agrupamento. O objetivo era, mais do que conhecer as v\u00e1rias culturas, criar um espa\u00e7o de di\u00e1logo e partilha. O projeto envolveu v\u00e1rias disciplinas e todos os ciclos de ensino, uma verdadeira colabora\u00e7\u00e3o entre professores e alunos de diferentes idades e backgrounds. O resultado foi surpreendente. As turmas criaram casais de bonecos feitos em papel, utilizando a t\u00e9cnica dos rolinhos, representando cada um dos pa\u00edses existentes na nossa comunidade escolar. Foi emocionante ver cada turma n\u00e3o s\u00f3 a explorar as caracter\u00edsticas culturais, mas a fazer a ponte entre a arte, a hist\u00f3ria e a identidade. Al\u00e9m disso, produzimos um v\u00eddeo que integrou todos os contributos das disciplinas envolvidas, um retrato visual e sonoro do que foi a diversidade cultural na nossa escola. A biblioteca, como centro de recursos e ideias, foi o lugar ideal para dar vida a este projeto. Se h\u00e1 algo que aprendi nesta jornada de mais de 25 anos, \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o, como a biblioteca, deve ser um espa\u00e7o aberto e em constante evolu\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, a chave para a transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas em deixar a porta aberta. Ou, neste caso, as estantes. Ou, ainda, abrir as portas para o mundo, como fizemos com o projeto &#8220;Mouzinho Aberto ao Mundo&#8221;. \u00a0 Paula Carri\u00e7oProfessora Bibliotec\u00e1ria, AE Mouzinho da Silveira, Moita __________________________________________________________________________________________________________________ Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0Retalhos da vida de um m\u00e9dico, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias. Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo\u00a0este formul\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32,115,157,163],"tags":[],"class_list":["post-3016719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aprendizagem","category-bibliotecas-escolares","category-leitura","category-retalhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3016719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3016719"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3016719\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085095,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3016719\/revisions\/3085095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3016719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3016719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3016719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}