{"id":3010972,"date":"2025-10-20T09:00:00","date_gmt":"2025-10-20T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/3010972.html"},"modified":"2026-05-13T12:59:15","modified_gmt":"2026-05-13T12:59:15","slug":"unesco-digitalizacao-etica-e-justa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=3010972","title":{"rendered":"UNESCO: Digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9tica e justa"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Blogue.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22808236_V0j9b.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Num contexto em que as bibliotecas escolares expandem a digitaliza\u00e7\u00e3o e o acesso aberto do patrim\u00f3nio ca\u00eddo em dom\u00ednio p\u00fablico, \u00e9 importante refletir sobre quest\u00f5es \u00e9ticas (e pol\u00edticas) deste processo, especialmente quando o patrim\u00f3nio digitalizado se transforma em recurso econ\u00f3mico para incrementar o poder de uma minoria de grandes empresas de tecnologias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A \u00a0Confer\u00eancia Mundial da UNESCO sobre Pol\u00edticas Culturais e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Mondialcult 2025, reabre esta discuss\u00e3o, destacando, entre outras, a \u00e1rea dos <strong>direitos culturais e da cultura no ambiente digital. <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Organizada pela UNESCO e pelo governo de Espanha, teve lugar em Barcelona, entre 29 de setembro a 1 de outubro e reuniu governos de 120 pa\u00edses, para al\u00e9m de ONG internacionais, sociedade civil e setor privado.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para compreender a vis\u00e3o da UNESCO, destacam-se as posi\u00e7\u00f5es da Relatora Especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Culturais, Alexandra Xanthaki, apresentadas na sess\u00e3o online Direitos Culturais no Ambiente Digital, coorganizada pela UNESCO, IFLA, Creative Commons e governo de Espanha.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. Expans\u00e3o da digitaliza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio: quem beneficia?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas expandiu-se o acesso digital ao patrim\u00f3nio e h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que disponibilizam, em acesso aberto, as suas cole\u00e7\u00f5es digitais com licen\u00e7as abertas e ferramentas para reutiliza\u00e7\u00e3o publica, permitindo que o patrim\u00f3nio possa ser usado, partilhado, editado e expandido livremente.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tirando partido deste contexto, empresas de tecnologias procedem \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural, aumentando o seu poder, alcance e lucros, em nome da preserva\u00e7\u00e3o e progresso globais e da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso, incluindo futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para a UNESCO a prioridade \u00e9 <strong>garantir o acesso inclusivo e equitativo ao patrim\u00f3nio no ambiente digital, promovendo a cultura como um bem publico global<\/strong>. <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-mondialcult-2022-2667013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mondialcult 2022<\/a> estabeleceu os princ\u00edpios, Mondialcult 2025 visa p\u00f4-los em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>2. Os Estados t\u00eam o dever de impor limites <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A digitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; e o AA (acesso aberto) &#8211; <strong>tem benef\u00edcios, mas deve ser equilibrada e ter limites. <\/strong>Deve ser implementada de acordo com, pelo menos, os seguintes crit\u00e9rios:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>Envolvimento\/participa\u00e7\u00e3o inclusiva da comunidade de origem, criadora do patrim\u00f3nio;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Consentimento livre e informado e soberania de dados dos criadores, que devem continuar a beneficiar das suas obras;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Sensibilidade cultural e respeito pelo tratamento das suas obras.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>No encontro online em que nos baseamos, <em>Direitos Culturais no Ambiente Digital<\/em>, o movimento de AA esteve representado pela <em>Creative Commons<\/em>, ONG que promove o AA e equitativo, no ambiente digital, ao patrim\u00f3nio que \u00e9 do dom\u00ednio p\u00fablico, que est\u00e1 fora das obriga\u00e7\u00f5es de direitos de autor.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo a Relatora Xanthaki e a UNESCO, <strong>os Estados devem impor limites \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o por parte do setor privado, fazendo aprovar e aplicar documentos legais vinculativos<\/strong> \u2013 diretrizes e c\u00f3digos n\u00e3o s\u00e3o suficientes \u2013 que limitem os danos, responsabilizem e transformem as pr\u00e1ticas das grandes empresas tecnol\u00f3gicas que muitas vezes n\u00e3o t\u00eam em conta os direitos das comunidades de origem. Sugere que seria mais eficaz se esta legisla\u00e7\u00e3o fosse transnacional, comum aos diversos Estados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Os direitos de autor s\u00e3o direitos culturais que fazem parte dos direitos humanos e n\u00e3o devem limitar-se aos direitos de autor comerciais, mas dizer respeito a todos os criadores e obras<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>3. Barreiras de acesso ao patrim\u00f3nio: qual \u00e9 o papel dos Estados e das grandes empresas? <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os Estados devem promover uma discuss\u00e3o mais fundamentada e equilibrada\/equitativa &#8211; que n\u00e3o chame apenas as grandes empresas de tecnologias &#8211; sobre as medidas que querem adotar para ultrapassar os <strong>obst\u00e1culos de acesso \u00e0 infraestrutura, \u00e0 compet\u00eancia e \u00e0 representa\u00e7\u00e3o digital<\/strong>, especialmente sentidos por comunidades marginalizadas e remotas [e esta \u00e9 uma oportunidade para as bibliotecas escolares que desenvolvem este servi\u00e7o p\u00fablico desde a sua origem]. A digitaliza\u00e7\u00e3o e o AA s\u00f3 cumprem a sua miss\u00e3o de democratizar o patrim\u00f3nio cultural se estes problemas de base forem ultrapassados.<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p>Os Estados s\u00e3o quem tem responsabilidades para implementar direitos humanos e precisam de tomar medidas espec\u00edficas para dizer \u00e0s suas empresas de tecnologias que precisam de limitar o seu poder quando esse poder for em detrimento dos direitos culturais de todos\u201d.<br \/>Xanthaki<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>Digitaliza\u00e7\u00e3o implementada de forma acr\u00edtica refor\u00e7a o preconceito hist\u00f3rico, gerando desequil\u00edbrios de poder. Por isso, deve ser discutida numa perspetiva interseccional, de acordo com as v\u00e1rias camadas sobrepostas de discrimina\u00e7\u00e3o e convocando todos os atores, designadamente do patrim\u00f3nio de origem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>4. Digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9tica <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Habitualmente os projetos de digitaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o implementados pelas grandes empresas de tecnologias sem a participa\u00e7\u00e3o das comunidades que os criaram, exclu\u00eddas deste processo. Segundo a UNESCO, \u00e9 necess\u00e1rio que a digitaliza\u00e7\u00e3o implemente medidas que equilibrem os interesses de todas as partes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A digitaliza\u00e7\u00e3o deve adotar uma abordagem baseada em direitos culturais que garanta:<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Participa\u00e7\u00e3o significativa e eficaz das comunidades de origem;<\/strong><\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Diversidade;<\/strong><\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Relev\u00e2ncia;<\/strong><\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Acessibilidade cultural.<\/strong><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>Deve ser uma ferramenta de empoderamento de todos, que n\u00e3o deve ser usada apenas para beneficiar as grandes empresas que t\u00eam interesses comerciais no uso destas ferramentas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Digitaliza\u00e7\u00e3o e AA n\u00e3o devem prejudicar o controlo e a soberania do patrim\u00f3nio e deve ser feita nos pr\u00f3prios termos das comunidades de origem. Porque a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 inegoci\u00e1vel, <strong>\u201cOs povos ind\u00edgenas v\u00e3o liderar cada fase dos projetos de digitaliza\u00e7\u00e3o que lhes dizem respeito e v\u00e3o ter direitos de partilha e benef\u00edcios de p\u00f3s-digitaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os algoritmos dos motores de busca priorizam fontes com mais visualiza\u00e7\u00f5es e em ingl\u00eas, europeias e norte-americanas e esta forma autom\u00e1tica das plataformas operarem torna invis\u00edveis na vida online muitas culturas e sistemas de conhecimento.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Contrariando esta exclus\u00e3o\/injusti\u00e7a epist\u00e9mica, a Funda\u00e7\u00e3o Wikimedia e infraestruturas digitais p\u00fablicas\/abertas ajudam &#8211; com a colabora\u00e7\u00e3o das comunidades de origem e, revitalizando-as e empoderando-as &#8211; a dar visibilidade e a valorizar e a dar a conhecer estas culturas e l\u00ednguas que permite novas descobertas, tomando a diversidade cultural um bem p\u00fablico que interessa a todos. Plataformas como a Wikimedia constituem um espa\u00e7o \u00e9tico e pol\u00edtico de refer\u00eancia para preserva\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es, conhecimento e cultura e luta pelos direitos culturais e humanos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para finalizar, \u00e9 importante lembrar que do investimento crescente na digitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode resultar um desinvestimento e redu\u00e7\u00e3o de financiamento no patrim\u00f3nio f\u00edsico. A digitaliza\u00e7\u00e3o tem o poder transformador de preservar, partilhar e celebrar a heran\u00e7a cultural de diferentes povos e culturas, mas, segundo a UNESCO, <strong>\u00e9 um meio complementar para melhorar o acesso f\u00edsico ao patrim\u00f3nio, que continua a ser insubstitu\u00edvel. <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li><em>Mondialcult 2025<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.unesco.org\/es\/mondiacult\">https:\/\/www.unesco.org\/es\/mondiacult<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>(2025, 26 set.). <em>Side Event Towards #MONDIACUL2025: Cultural Rights in the Digital Environment. <\/em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KBl6qmQIP2U\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KBl6qmQIP2U<\/a><\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num contexto em que as bibliotecas escolares expandem a digitaliza\u00e7\u00e3o e o acesso aberto do patrim\u00f3nio ca\u00eddo em dom\u00ednio p\u00fablico, \u00e9 importante refletir sobre quest\u00f5es \u00e9ticas (e pol\u00edticas) deste processo, especialmente quando o patrim\u00f3nio digitalizado se transforma em recurso econ\u00f3mico para incrementar o poder de uma minoria de grandes empresas de tecnologias. A \u00a0Confer\u00eancia Mundial da UNESCO sobre Pol\u00edticas Culturais e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Mondialcult 2025, reabre esta discuss\u00e3o, destacando, entre outras, a \u00e1rea dos direitos culturais e da cultura no ambiente digital. Organizada pela UNESCO e pelo governo de Espanha, teve lugar em Barcelona, entre 29 de setembro a 1 de outubro e reuniu governos de 120 pa\u00edses, para al\u00e9m de ONG internacionais, sociedade civil e setor privado. Para compreender a vis\u00e3o da UNESCO, destacam-se as posi\u00e7\u00f5es da Relatora Especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Culturais, Alexandra Xanthaki, apresentadas na sess\u00e3o online Direitos Culturais no Ambiente Digital, coorganizada pela UNESCO, IFLA, Creative Commons e governo de Espanha. 1. Expans\u00e3o da digitaliza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio: quem beneficia? Nas \u00faltimas d\u00e9cadas expandiu-se o acesso digital ao patrim\u00f3nio e h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que disponibilizam, em acesso aberto, as suas cole\u00e7\u00f5es digitais com licen\u00e7as abertas e ferramentas para reutiliza\u00e7\u00e3o publica, permitindo que o patrim\u00f3nio possa ser usado, partilhado, editado e expandido livremente. Tirando partido deste contexto, empresas de tecnologias procedem \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural, aumentando o seu poder, alcance e lucros, em nome da preserva\u00e7\u00e3o e progresso globais e da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso, incluindo futuras gera\u00e7\u00f5es. Para a UNESCO a prioridade \u00e9 garantir o acesso inclusivo e equitativo ao patrim\u00f3nio no ambiente digital, promovendo a cultura como um bem publico global. Mondialcult 2022 estabeleceu os princ\u00edpios, Mondialcult 2025 visa p\u00f4-los em pr\u00e1tica. 2. Os Estados t\u00eam o dever de impor limites A digitaliza\u00e7\u00e3o &#8211; e o AA (acesso aberto) &#8211; tem benef\u00edcios, mas deve ser equilibrada e ter limites. Deve ser implementada de acordo com, pelo menos, os seguintes crit\u00e9rios: Envolvimento\/participa\u00e7\u00e3o inclusiva da comunidade de origem, criadora do patrim\u00f3nio; Consentimento livre e informado e soberania de dados dos criadores, que devem continuar a beneficiar das suas obras; Sensibilidade cultural e respeito pelo tratamento das suas obras. No encontro online em que nos baseamos, Direitos Culturais no Ambiente Digital, o movimento de AA esteve representado pela Creative Commons, ONG que promove o AA e equitativo, no ambiente digital, ao patrim\u00f3nio que \u00e9 do dom\u00ednio p\u00fablico, que est\u00e1 fora das obriga\u00e7\u00f5es de direitos de autor. Segundo a Relatora Xanthaki e a UNESCO, os Estados devem impor limites \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o por parte do setor privado, fazendo aprovar e aplicar documentos legais vinculativos \u2013 diretrizes e c\u00f3digos n\u00e3o s\u00e3o suficientes \u2013 que limitem os danos, responsabilizem e transformem as pr\u00e1ticas das grandes empresas tecnol\u00f3gicas que muitas vezes n\u00e3o t\u00eam em conta os direitos das comunidades de origem. Sugere que seria mais eficaz se esta legisla\u00e7\u00e3o fosse transnacional, comum aos diversos Estados. Os direitos de autor s\u00e3o direitos culturais que fazem parte dos direitos humanos e n\u00e3o devem limitar-se aos direitos de autor comerciais, mas dizer respeito a todos os criadores e obras.\u00a0 3. Barreiras de acesso ao patrim\u00f3nio: qual \u00e9 o papel dos Estados e das grandes empresas? Os Estados devem promover uma discuss\u00e3o mais fundamentada e equilibrada\/equitativa &#8211; que n\u00e3o chame apenas as grandes empresas de tecnologias &#8211; sobre as medidas que querem adotar para ultrapassar os obst\u00e1culos de acesso \u00e0 infraestrutura, \u00e0 compet\u00eancia e \u00e0 representa\u00e7\u00e3o digital, especialmente sentidos por comunidades marginalizadas e remotas [e esta \u00e9 uma oportunidade para as bibliotecas escolares que desenvolvem este servi\u00e7o p\u00fablico desde a sua origem]. A digitaliza\u00e7\u00e3o e o AA s\u00f3 cumprem a sua miss\u00e3o de democratizar o patrim\u00f3nio cultural se estes problemas de base forem ultrapassados. Os Estados s\u00e3o quem tem responsabilidades para implementar direitos humanos e precisam de tomar medidas espec\u00edficas para dizer \u00e0s suas empresas de tecnologias que precisam de limitar o seu poder quando esse poder for em detrimento dos direitos culturais de todos\u201d.Xanthaki Digitaliza\u00e7\u00e3o implementada de forma acr\u00edtica refor\u00e7a o preconceito hist\u00f3rico, gerando desequil\u00edbrios de poder. Por isso, deve ser discutida numa perspetiva interseccional, de acordo com as v\u00e1rias camadas sobrepostas de discrimina\u00e7\u00e3o e convocando todos os atores, designadamente do patrim\u00f3nio de origem. 4. Digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9tica Habitualmente os projetos de digitaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o implementados pelas grandes empresas de tecnologias sem a participa\u00e7\u00e3o das comunidades que os criaram, exclu\u00eddas deste processo. Segundo a UNESCO, \u00e9 necess\u00e1rio que a digitaliza\u00e7\u00e3o implemente medidas que equilibrem os interesses de todas as partes. A digitaliza\u00e7\u00e3o deve adotar uma abordagem baseada em direitos culturais que garanta: Participa\u00e7\u00e3o significativa e eficaz das comunidades de origem; Diversidade; Relev\u00e2ncia; Acessibilidade cultural. Deve ser uma ferramenta de empoderamento de todos, que n\u00e3o deve ser usada apenas para beneficiar as grandes empresas que t\u00eam interesses comerciais no uso destas ferramentas. Digitaliza\u00e7\u00e3o e AA n\u00e3o devem prejudicar o controlo e a soberania do patrim\u00f3nio e deve ser feita nos pr\u00f3prios termos das comunidades de origem. Porque a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 inegoci\u00e1vel, \u201cOs povos ind\u00edgenas v\u00e3o liderar cada fase dos projetos de digitaliza\u00e7\u00e3o que lhes dizem respeito e v\u00e3o ter direitos de partilha e benef\u00edcios de p\u00f3s-digitaliza\u00e7\u00e3o\u201d. Os algoritmos dos motores de busca priorizam fontes com mais visualiza\u00e7\u00f5es e em ingl\u00eas, europeias e norte-americanas e esta forma autom\u00e1tica das plataformas operarem torna invis\u00edveis na vida online muitas culturas e sistemas de conhecimento. Contrariando esta exclus\u00e3o\/injusti\u00e7a epist\u00e9mica, a Funda\u00e7\u00e3o Wikimedia e infraestruturas digitais p\u00fablicas\/abertas ajudam &#8211; com a colabora\u00e7\u00e3o das comunidades de origem e, revitalizando-as e empoderando-as &#8211; a dar visibilidade e a valorizar e a dar a conhecer estas culturas e l\u00ednguas que permite novas descobertas, tomando a diversidade cultural um bem p\u00fablico que interessa a todos. Plataformas como a Wikimedia constituem um espa\u00e7o \u00e9tico e pol\u00edtico de refer\u00eancia para preserva\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es, conhecimento e cultura e luta pelos direitos culturais e humanos. Para finalizar, \u00e9 importante lembrar que do investimento crescente na digitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode resultar um desinvestimento e redu\u00e7\u00e3o de financiamento no patrim\u00f3nio f\u00edsico. A digitaliza\u00e7\u00e3o tem o poder transformador de preservar, partilhar e celebrar a heran\u00e7a cultural de diferentes povos e culturas, mas, segundo a UNESCO, \u00e9 um meio complementar para melhorar o acesso f\u00edsico ao patrim\u00f3nio, que continua a ser insubstitu\u00edvel. Refer\u00eancias Mondialcult 2025. https:\/\/www.unesco.org\/es\/mondiacult (2025, 26 set.). Side Event Towards #MONDIACUL2025: Cultural Rights in the Digital Environment. https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KBl6qmQIP2U \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,81],"tags":[],"class_list":["post-3010972","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientes-digitais","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3010972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3010972"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3010972\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085121,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3010972\/revisions\/3085121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3010972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3010972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3010972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}