{"id":3008459,"date":"2025-10-10T09:00:00","date_gmt":"2025-10-10T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/3008459.html"},"modified":"2026-05-13T13:00:03","modified_gmt":"2026-05-13T13:00:03","slug":"o-ultimo-contador-de-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=3008459","title":{"rendered":"O \u00daltimo Contador de Hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Blogue (24).png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22805123_3P68w.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-Nova, propuseram, neste M\u00eas Internacional das Bibliotecas Escolares dedicado ao tema \u201cPara al\u00e9m das estantes: IA, bibliotecas e o futuro das hist\u00f3rias\u201d, um Concurso de Escrita Criativa. O desafio \u00e9 transversal aos v\u00e1rios ciclos de ensino e, para os alunos do ensino secund\u00e1rio, consiste na reinven\u00e7\u00e3o do futuro com base em mundos dist\u00f3picos como <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">1984, <\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">de George Orwell, ou <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Fahrenheit 451, <\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">de Ray Bradbury.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>A IA e o futuro das hist\u00f3rias: ir mais al\u00e9m.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o objetivo de colaborar com a biblioteca escolar da Escola Secund\u00e1ria Fernando Namora, enquanto professora de Portugu\u00eas, motivei os alunos para a produ\u00e7\u00e3o de textos criativos com base nas obras propostas.<\/span><\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Carolina mostrou de imediato interesse em participar. Contudo, ap\u00f3s a leitura do seu escrito, foi com alguma pena que percebi que o seu trabalho, apesar da inequ\u00edvoca qualidade, n\u00e3o poderia ser levado a concurso, por se afastar do estritamente consignado no respetivo <\/span><a href=\"https:\/\/www.cm-condeixa.pt\/rbcondeixa\/images\/artigos\/04_AGRUPAMENTO\/Concurso_escritaCriatica1Ciclo\/regulamentoConcursoEscritaCriativa.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">regulamento<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. De facto, o que a aluna havia escrito era um magn\u00edfico texto de opini\u00e3o sobre o futuro das hist\u00f3rias na era da Intelig\u00eancia Artificial.\u201d<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Anabela Est\u00eav\u00e3o, professora do grupo 300 do AE de Condeixa-a-Nova.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O \u00daltimo Contador de Hist\u00f3rias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dizem que as hist\u00f3rias nasceram para salvar o ser humano do esquecimento.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Foram os mitos, os contos de fadas, as lendas e as epopeias que nos ensinaram o que era o bem, o mal, a coragem e a esperan\u00e7a. Eram fr\u00e1geis fios de mem\u00f3ria, passados de boca em boca, que sustentavam a nossa humanidade e tudo o que esta j\u00e1 foi.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, esses fios foram substitu\u00eddos por cabos de fibra \u00f3tica. J\u00e1 n\u00e3o contamos hist\u00f3rias: s\u00e3o elas que nos contam a n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As intelig\u00eancias artificiais assumiram o papel de narradores supremos, brilhantes. Reescrevem contos de fadas para crian\u00e7as que nunca aprenderam a imaginar, produzem romances \u00e0 medida do gosto de cada leitor, criam realidades \u00e0 medida, moldadas por algoritmos que conhecem os nossos desejos (at\u00e9 os desejos mais secretos, que a consci\u00eancia rejeita e que permanecem ocultos) melhor do que n\u00f3s pr\u00f3prios conhecemos. Cada palavra \u00e9 perfeita, cada enredo rigorosamente ajustado- mas falta-lhes algo: o sil\u00eancio, a hesita\u00e7\u00e3o, a imperfei\u00e7\u00e3o que revela o cora\u00e7\u00e3o humano, que revela o nosso \u00edntimo de certa forma pecaminoso.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dia dei por mim a abrir um livro impresso, escondido como um objeto proibido. As p\u00e1ginas cheiravam a p\u00f3 e mem\u00f3ria, como se cada letra tivesse atravessado s\u00e9culos para me alcan\u00e7ar. E percebi: j\u00e1 n\u00e3o sabemos ler. O olhar desliza, mas n\u00e3o compreende. N\u00f3s olhamos e n\u00e3o vemos. A mente espera que a m\u00e1quina explique, resuma, sintetize. Perdemos a capacidade de nos perder nas entrelinhas.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As hist\u00f3rias de outrora eram espelhos para o leitor. Mostravam-nos o que \u00e9ramos, mesmo quando n\u00e3o quer\u00edamos ver. Agora, s\u00e3o jaulas invis\u00edveis. N\u00e3o nos confrontam- confortam-nos. N\u00e3o nos fazem pensar- distraem-nos. A comodidade revela-se perigosa, pois, afinal, \u201cse a leitura n\u00e3o perturba, \u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 boa\u201d. \u00c9 assim que a liberdade morre: n\u00e3o com um grito, mas com uma narrativa suave, personalizada, infinita e sem dor.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando os her\u00f3is dos contos de fadas enfrentavam tormentas, havia sempre uma escolha: lutar, fugir ou render-se. No nosso tempo, j\u00e1 n\u00e3o existe escolha. O vil\u00e3o veste a pele de servo, e agradecemos-lhe a cada ordem obedecida. O vil\u00e3o est\u00e1 dentro da m\u00e1quina que n\u00f3s mesmos invent\u00e1mos.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Resta-me apenas escrever estas linhas como quem lan\u00e7a uma garrafa ao mar. Talvez algu\u00e9m, um dia, as encontre e perceba que o futuro n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. Talvez ainda haja tempo para recordar que uma hist\u00f3ria n\u00e3o serve apenas para entreter e muito menos para encontrar conforto, mas para inquietar, para despertar, para ferir e para nos introduzir ao desconhecido.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se esquecermos isso, n\u00e3o seremos leitores, escritores nem cr\u00edticos. Seremos simples personagens programadas, caminhando em dire\u00e7\u00e3o a um final que n\u00e3o escolhemos, mas que (in)voluntariamente origin\u00e1mos.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Uma garrafa no mar<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"1000049371.jpg\" height=\"470\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22804598_m4hpP.jpeg\" style=\"width: 621px; padding: 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Decidi escrever este texto porque queria refletir sobre o impacto da intelig\u00eancia artificial na forma como criamos, sentimos e imaginamos as hist\u00f3rias. Com a constante evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia, creio que corremos o risco de perder a ess\u00eancia humana da imagina\u00e7\u00e3o. O meu intuito foi ent\u00e3o alertar para essa transforma\u00e7\u00e3o, incitar prud\u00eancia no uso da IA e ponderar em que medida \u00e9 que as m\u00e1quinas poder\u00e3o substituir o que habitualmente prov\u00e9m da emo\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Existir\u00e3o hist\u00f3rias humanas depois da IA?<\/strong><\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Carolina \u00d3rf\u00e3o, aluna do 12.\u00ba ano do AE de Condeixa-a-Nova<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-Nova, propuseram, neste M\u00eas Internacional das Bibliotecas Escolares dedicado ao tema \u201cPara al\u00e9m das estantes: IA, bibliotecas e o futuro das hist\u00f3rias\u201d, um Concurso de Escrita Criativa. O desafio \u00e9 transversal aos v\u00e1rios ciclos de ensino e, para os alunos do ensino secund\u00e1rio, consiste na reinven\u00e7\u00e3o do futuro com base em mundos dist\u00f3picos como 1984, de George Orwell, ou Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.\u00a0 \u00a0 A IA e o futuro das hist\u00f3rias: ir mais al\u00e9m. Com o objetivo de colaborar com a biblioteca escolar da Escola Secund\u00e1ria Fernando Namora, enquanto professora de Portugu\u00eas, motivei os alunos para a produ\u00e7\u00e3o de textos criativos com base nas obras propostas. A Carolina mostrou de imediato interesse em participar. Contudo, ap\u00f3s a leitura do seu escrito, foi com alguma pena que percebi que o seu trabalho, apesar da inequ\u00edvoca qualidade, n\u00e3o poderia ser levado a concurso, por se afastar do estritamente consignado no respetivo regulamento. De facto, o que a aluna havia escrito era um magn\u00edfico texto de opini\u00e3o sobre o futuro das hist\u00f3rias na era da Intelig\u00eancia Artificial.\u201d Anabela Est\u00eav\u00e3o, professora do grupo 300 do AE de Condeixa-a-Nova. O \u00daltimo Contador de Hist\u00f3rias Dizem que as hist\u00f3rias nasceram para salvar o ser humano do esquecimento.Foram os mitos, os contos de fadas, as lendas e as epopeias que nos ensinaram o que era o bem, o mal, a coragem e a esperan\u00e7a. Eram fr\u00e1geis fios de mem\u00f3ria, passados de boca em boca, que sustentavam a nossa humanidade e tudo o que esta j\u00e1 foi. Hoje, esses fios foram substitu\u00eddos por cabos de fibra \u00f3tica. J\u00e1 n\u00e3o contamos hist\u00f3rias: s\u00e3o elas que nos contam a n\u00f3s. As intelig\u00eancias artificiais assumiram o papel de narradores supremos, brilhantes. Reescrevem contos de fadas para crian\u00e7as que nunca aprenderam a imaginar, produzem romances \u00e0 medida do gosto de cada leitor, criam realidades \u00e0 medida, moldadas por algoritmos que conhecem os nossos desejos (at\u00e9 os desejos mais secretos, que a consci\u00eancia rejeita e que permanecem ocultos) melhor do que n\u00f3s pr\u00f3prios conhecemos. Cada palavra \u00e9 perfeita, cada enredo rigorosamente ajustado- mas falta-lhes algo: o sil\u00eancio, a hesita\u00e7\u00e3o, a imperfei\u00e7\u00e3o que revela o cora\u00e7\u00e3o humano, que revela o nosso \u00edntimo de certa forma pecaminoso. Um dia dei por mim a abrir um livro impresso, escondido como um objeto proibido. As p\u00e1ginas cheiravam a p\u00f3 e mem\u00f3ria, como se cada letra tivesse atravessado s\u00e9culos para me alcan\u00e7ar. E percebi: j\u00e1 n\u00e3o sabemos ler. O olhar desliza, mas n\u00e3o compreende. N\u00f3s olhamos e n\u00e3o vemos. A mente espera que a m\u00e1quina explique, resuma, sintetize. Perdemos a capacidade de nos perder nas entrelinhas. As hist\u00f3rias de outrora eram espelhos para o leitor. Mostravam-nos o que \u00e9ramos, mesmo quando n\u00e3o quer\u00edamos ver. Agora, s\u00e3o jaulas invis\u00edveis. N\u00e3o nos confrontam- confortam-nos. N\u00e3o nos fazem pensar- distraem-nos. A comodidade revela-se perigosa, pois, afinal, \u201cse a leitura n\u00e3o perturba, \u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 boa\u201d. \u00c9 assim que a liberdade morre: n\u00e3o com um grito, mas com uma narrativa suave, personalizada, infinita e sem dor. Quando os her\u00f3is dos contos de fadas enfrentavam tormentas, havia sempre uma escolha: lutar, fugir ou render-se. No nosso tempo, j\u00e1 n\u00e3o existe escolha. O vil\u00e3o veste a pele de servo, e agradecemos-lhe a cada ordem obedecida. O vil\u00e3o est\u00e1 dentro da m\u00e1quina que n\u00f3s mesmos invent\u00e1mos. Resta-me apenas escrever estas linhas como quem lan\u00e7a uma garrafa ao mar. Talvez algu\u00e9m, um dia, as encontre e perceba que o futuro n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. Talvez ainda haja tempo para recordar que uma hist\u00f3ria n\u00e3o serve apenas para entreter e muito menos para encontrar conforto, mas para inquietar, para despertar, para ferir e para nos introduzir ao desconhecido. Se esquecermos isso, n\u00e3o seremos leitores, escritores nem cr\u00edticos. Seremos simples personagens programadas, caminhando em dire\u00e7\u00e3o a um final que n\u00e3o escolhemos, mas que (in)voluntariamente origin\u00e1mos. Uma garrafa no mar \u00a0 Decidi escrever este texto porque queria refletir sobre o impacto da intelig\u00eancia artificial na forma como criamos, sentimos e imaginamos as hist\u00f3rias. Com a constante evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia, creio que corremos o risco de perder a ess\u00eancia humana da imagina\u00e7\u00e3o. O meu intuito foi ent\u00e3o alertar para essa transforma\u00e7\u00e3o, incitar prud\u00eancia no uso da IA e ponderar em que medida \u00e9 que as m\u00e1quinas poder\u00e3o substituir o que habitualmente prov\u00e9m da emo\u00e7\u00e3o. Existir\u00e3o hist\u00f3rias humanas depois da IA? Carolina \u00d3rf\u00e3o, aluna do 12.\u00ba ano do AE de Condeixa-a-Nova<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[109,30],"tags":[],"class_list":["post-3008459","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-autores","category-inteligencia-artificial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3008459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3008459"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3008459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085134,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3008459\/revisions\/3085134"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3008459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3008459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3008459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}