{"id":2961580,"date":"2025-06-05T09:00:00","date_gmt":"2025-06-05T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2961580.html"},"modified":"2026-05-13T13:12:46","modified_gmt":"2026-05-13T13:12:46","slug":"porque-lemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2961580","title":{"rendered":"Porque lemos?"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Blogue.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22764783_lm11r.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Porque lemos: setenta escritores sobre a n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, editado por Josephine Greywoode [2], \u00e9 uma antologia de 70 ensaios curtos de autores contempor\u00e2neos que oferecem uma perspetiva singular, rica e complexa sobre o ato de ler, explorando as raz\u00f5es pelas quais lemos, de que modo lemos, o valor da n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o para a nossa vida pessoal e coletiva, bem como a fluidez da sua fronteira com a fic\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre o livro, apresentaremos uma s\u00e9rie de 3 artigos, destacando alguns ensaios.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img1.png\" class=\"\" height=\"417\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22764781_Qpi7S.png\" style=\"float: left;width: 250px;padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Richard J. Evans<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, historiador brit\u00e2nico e especialista da Segunda Guerra Mundial, destaca que \u201c<\/span><strong>A capacidade de ler, por si s\u00f3, n\u00e3o nos torna moralmente \u00edntegros ou respons\u00e1veis<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. (\u2026) quanto mais se sobe na hierarquia das SS, a organiza\u00e7\u00e3o que levou a cabo o Holocausto, maior \u00e9 a probabilidade de encontrar homens com habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas avan\u00e7adas. A posse de um doutoramento n\u00e3o impediu Josef Mengele de selecionar v\u00edtimas judias para serem gaseadas em Auschwitz ou de realizar terr\u00edveis experi\u00eancias m\u00e9dicas em algumas delas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAlgumas pessoas leem para confirmar ou aprofundar os seus preconceitos\u201d, refor\u00e7ando o seu (discurso de) \u00f3dio, racismo e discrimina\u00e7\u00e3o &#8211; <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Minha Luta<\/span><\/em> <span style=\"font-weight: 400;\">de Adolf Hitler, <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Os Protocolos dos S\u00e1bios de Si\u00e3o<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> s\u00e3o antissemitas, contra os judeus &#8211; ou \u201cassimilarem a ideologia de um Estado ditatorial\u201d &#8211; <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">A Hist\u00f3ria do Partido Comunista de Toda a Uni\u00e3o (Bolcheviques): Breve Curso<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> encomendado por Estaline.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Evans considera que, t\u00e3o importante como saber <\/span><em style=\"font-size: 14pt;\"><span>porque lemos<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 <\/span><strong style=\"font-size: 14pt;\">saber <\/strong><strong style=\"font-size: 14pt;\"><em>como lemos<\/em><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><strong>Na era da internet a leitura com a inten\u00e7\u00e3o de interrogar o texto e avaliar criticamente o que ele transmite tornou-se mais urgente do que nunca<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Vivemos num mundo de comunica\u00e7\u00e3o repleto de teorias da conspira\u00e7\u00e3o e de not\u00edcias falsas [\u2026 que] s\u00e3o t\u00e3o amplamente aceites que parece imposs\u00edvel elimin\u00e1-las das mentes dos que as assimilaram. A palavra escrita continua a ser o instrumento mais poderoso para as combater, apresentando evid\u00eancias e desmentindo\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo <\/span><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>David Edgerton<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, historiador, professor e escritor, <\/span><strong>o mundo atual \u00e9 logoc\u00eantrico. <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Muitos escritores passam muito tempo na escrita aditiva das redes sociais. \u201cA palavra escrita, antes sagrada, \u00e9 o banal alfa e \u00f3mega do nosso mundo. T\u00e3o ub\u00edquas s\u00e3o as palavras que n\u00e3o s\u00e3o mais percet\u00edveis do que o ar que respiramos\u201d. A <\/span><strong>crescente omnipresen\u00e7a da palavra escrita resulta no seu embaratecimento, desvaloriza\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o da sua qualidade<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, bem vis\u00edvel no jornalismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPorque \u00e9 que as palavras escritas s\u00e3o t\u00e3o poderosas?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Porque \u201cLemos mais rapidamente do que falamos, ou do que podemos ouvir\u201d &#8211; economia da aprendizagem, lendo podemos aprender mais em menos tempo;\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Porque \u201cpodem ser apresentadas apenas uma vez e percebidas por todos\u201d, podendo ser reproduzidas e consumidas r\u00e1pida e indefinidamente.\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><strong>Ler n\u00e3o \u00e9 apenas o modo mais r\u00e1pido de adquirir informa\u00e7\u00e3o &#8211; proporciona tamb\u00e9m uma melhor qualidade e, de facto, uma gama muito mais rica de opini\u00f5es<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Confer\u00eancias gravadas, filmes, cursos online de todos os tipos permanecem desadequados comparados com o livro. Para al\u00e9m disso, sem o mundo da leitura que lhes est\u00e1 subjacente, as confer\u00eancias e os filmes n\u00e3o seriam o que s\u00e3o\u201d, <\/span><strong>os livros transformam e acrescentam valor aos demais recursos e fontes de informa\u00e7\u00e3o<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cOs produtores e diretores de filmes e de televis\u00e3o n\u00e3o aprendem a partir de outros filmes ou programas de televis\u00e3o, eles aprendem a partir de livros. Eles escrevem livros, tamb\u00e9m\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas ler n\u00e3o \u00e9 suficiente para aprender, \u00e9 preciso contacto direto com os professores, que adquiriram o seu conhecimento atrav\u00e9s da leitura e, como ler pode ser uma atividade cansativa, os outros suportes e express\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o importantes fontes de aprendizagem.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para<\/span><span style=\"color: #ff0000;\"><strong> Simon Baron-Cohen<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, professor de psicologia e psiquiatria, <\/span><strong>lemos porque, autor e leitor, sistematizamos e empatizamos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img2.png\" height=\"415\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22764784_4JVGZ.png\" style=\"float: right; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sistematizar, conferir ordem (unificar) \u00e0 multiplicidade de ideias e sentimentos \u00e9 uma tend\u00eancia universal dos humanos, bem marcada nos autores e leitores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O livro \u00e9 um sistema de regras e marcas (eg. o alfabeto) que referem objetos ou ideias espec\u00edficas, que foram criadas e vivem na mente do autor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Percorrendo a <\/span><strong>genealogia dos livros digitais e dos audiolivros<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, encontramos diferentes sistemas para obter e transportar informa\u00e7\u00e3o da mente do autor para a mente do leitor, que naturalmente empatizam, expandindo o pr\u00f3prio universo intelectual.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">No Ocidente, Gutenberg (1440) <\/span><strong>popularizou, n\u00e3o inventou,<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> a imprensa de tipos m\u00f3veis, que permite a multiplica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e barata de textos impressos, democratizando o acesso ao conhecimento e possibilitando uma revolu\u00e7\u00e3o cultural e cient\u00edfica e a alfabetiza\u00e7\u00e3o em massa;\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">1000 antes, no Oriente, usava-se a xilogravura, impress\u00e3o com blocos de madeira e, posteriormente, os caracteres m\u00f3veis, atribu\u00eddos a Bi Sheng, em 1041-1048 [4];\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 105 d.C. \u00e9 inventado, na China, o papel, material leve, resistente e acess\u00edvel, a partir de fibras vegetais como a casca de amoreira e o bambu [4];\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Durante 2 mil anos os livros manuscritos, produzidos por escribas, restringiam o saber a elites religiosas e aristocr\u00e1ticas;\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 4 mil anos, rolos e folhas de papiro e, posteriormente, de pergaminho, aumentam a portabilidade\/circularidade e durabilidade da informa\u00e7\u00e3o escrita;\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 5 mil anos, emergem os primeiros sistemas codificados, a escrita cuneiforme, na Mesopot\u00e2mia e os hier\u00f3glifos, no Egito, em t\u00e1buas de argila;\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 40 mil anos, pinturas e gravuras nas cavernas como os primeiros arquivos da mem\u00f3ria da humanidade;\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 75 mil anos, os primeiros sinais simb\u00f3licos intencionais, como padr\u00f5es geom\u00e9tricos gravados em grutas, marcam o in\u00edcio desta <\/span><strong>aventura da escrita, da comunica\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Blackwell\u2019s<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/blackwells.co.uk\/bookshop\/product\/Why-We-Read-by-Josephine-Greywoode-editor\/9781802060959\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/blackwells.co.uk\/bookshop\/product\/Why-We-Read-by-Josephine-Greywoode-editor\/9781802060959<\/span><\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Greywoode, Josephine (Ed.). (2002). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Why We Read: Seventy Writers on Non-Fiction<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. Penguin Books Ltd.\u00a0<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte da imagem:\u00a0 <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Bertrand<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/o-terceiro-reich-em-guerra-richard-j-evans\/24540257\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/o-terceiro-reich-em-guerra-richard-j-evans\/24540257<\/span><\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Maia do Amaral. (2002). 1000 anos antes de Gutenberg. <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">84 Cadernos BAD<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/publicacoes.bad.pt\/revistas\/index.php\/cadernos\/article\/download\/868\/867\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/publicacoes.bad.pt\/revistas\/index.php\/cadernos\/article\/download\/868\/867<\/span><\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte da imagem: <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Fnac<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Zero-Degrees-of-Empathy-BARON-COHEN-SIMON\/a1204583\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.fnac.pt\/Zero-Degrees-of-Empathy-BARON-COHEN-SIMON\/a1204583<\/span><\/a><\/li>\n<p><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque lemos: setenta escritores sobre a n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, editado por Josephine Greywoode [2], \u00e9 uma antologia de 70 ensaios curtos de autores contempor\u00e2neos que oferecem uma perspetiva singular, rica e complexa sobre o ato de ler, explorando as raz\u00f5es pelas quais lemos, de que modo lemos, o valor da n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o para a nossa vida pessoal e coletiva, bem como a fluidez da sua fronteira com a fic\u00e7\u00e3o. Sobre o livro, apresentaremos uma s\u00e9rie de 3 artigos, destacando alguns ensaios.\u00a0\u00a0 Richard J. Evans, historiador brit\u00e2nico e especialista da Segunda Guerra Mundial, destaca que \u201cA capacidade de ler, por si s\u00f3, n\u00e3o nos torna moralmente \u00edntegros ou respons\u00e1veis. (\u2026) quanto mais se sobe na hierarquia das SS, a organiza\u00e7\u00e3o que levou a cabo o Holocausto, maior \u00e9 a probabilidade de encontrar homens com habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas avan\u00e7adas. A posse de um doutoramento n\u00e3o impediu Josef Mengele de selecionar v\u00edtimas judias para serem gaseadas em Auschwitz ou de realizar terr\u00edveis experi\u00eancias m\u00e9dicas em algumas delas\u201d.\u00a0 \u201cAlgumas pessoas leem para confirmar ou aprofundar os seus preconceitos\u201d, refor\u00e7ando o seu (discurso de) \u00f3dio, racismo e discrimina\u00e7\u00e3o &#8211; Minha Luta de Adolf Hitler, Os Protocolos dos S\u00e1bios de Si\u00e3o s\u00e3o antissemitas, contra os judeus &#8211; ou \u201cassimilarem a ideologia de um Estado ditatorial\u201d &#8211; A Hist\u00f3ria do Partido Comunista de Toda a Uni\u00e3o (Bolcheviques): Breve Curso encomendado por Estaline. Evans considera que, t\u00e3o importante como saber porque lemos, \u00e9 saber como lemos. \u201cNa era da internet a leitura com a inten\u00e7\u00e3o de interrogar o texto e avaliar criticamente o que ele transmite tornou-se mais urgente do que nunca. Vivemos num mundo de comunica\u00e7\u00e3o repleto de teorias da conspira\u00e7\u00e3o e de not\u00edcias falsas [\u2026 que] s\u00e3o t\u00e3o amplamente aceites que parece imposs\u00edvel elimin\u00e1-las das mentes dos que as assimilaram. A palavra escrita continua a ser o instrumento mais poderoso para as combater, apresentando evid\u00eancias e desmentindo\u201d.\u00a0 Segundo David Edgerton, historiador, professor e escritor, o mundo atual \u00e9 logoc\u00eantrico. Muitos escritores passam muito tempo na escrita aditiva das redes sociais. \u201cA palavra escrita, antes sagrada, \u00e9 o banal alfa e \u00f3mega do nosso mundo. T\u00e3o ub\u00edquas s\u00e3o as palavras que n\u00e3o s\u00e3o mais percet\u00edveis do que o ar que respiramos\u201d. A crescente omnipresen\u00e7a da palavra escrita resulta no seu embaratecimento, desvaloriza\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o da sua qualidade, bem vis\u00edvel no jornalismo.\u00a0 \u201cPorque \u00e9 que as palavras escritas s\u00e3o t\u00e3o poderosas?\u00a0 Porque \u201cLemos mais rapidamente do que falamos, ou do que podemos ouvir\u201d &#8211; economia da aprendizagem, lendo podemos aprender mais em menos tempo; Porque \u201cpodem ser apresentadas apenas uma vez e percebidas por todos\u201d, podendo ser reproduzidas e consumidas r\u00e1pida e indefinidamente.\u00a0 \u201cLer n\u00e3o \u00e9 apenas o modo mais r\u00e1pido de adquirir informa\u00e7\u00e3o &#8211; proporciona tamb\u00e9m uma melhor qualidade e, de facto, uma gama muito mais rica de opini\u00f5es. Confer\u00eancias gravadas, filmes, cursos online de todos os tipos permanecem desadequados comparados com o livro. Para al\u00e9m disso, sem o mundo da leitura que lhes est\u00e1 subjacente, as confer\u00eancias e os filmes n\u00e3o seriam o que s\u00e3o\u201d, os livros transformam e acrescentam valor aos demais recursos e fontes de informa\u00e7\u00e3o. \u201cOs produtores e diretores de filmes e de televis\u00e3o n\u00e3o aprendem a partir de outros filmes ou programas de televis\u00e3o, eles aprendem a partir de livros. Eles escrevem livros, tamb\u00e9m\u201d.\u00a0 Mas ler n\u00e3o \u00e9 suficiente para aprender, \u00e9 preciso contacto direto com os professores, que adquiriram o seu conhecimento atrav\u00e9s da leitura e, como ler pode ser uma atividade cansativa, os outros suportes e express\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o importantes fontes de aprendizagem.\u00a0\u00a0 Para Simon Baron-Cohen, professor de psicologia e psiquiatria, lemos porque, autor e leitor, sistematizamos e empatizamos.\u00a0 Sistematizar, conferir ordem (unificar) \u00e0 multiplicidade de ideias e sentimentos \u00e9 uma tend\u00eancia universal dos humanos, bem marcada nos autores e leitores.\u00a0 O livro \u00e9 um sistema de regras e marcas (eg. o alfabeto) que referem objetos ou ideias espec\u00edficas, que foram criadas e vivem na mente do autor.\u00a0 Percorrendo a genealogia dos livros digitais e dos audiolivros, encontramos diferentes sistemas para obter e transportar informa\u00e7\u00e3o da mente do autor para a mente do leitor, que naturalmente empatizam, expandindo o pr\u00f3prio universo intelectual.\u00a0\u00a0 No Ocidente, Gutenberg (1440) popularizou, n\u00e3o inventou, a imprensa de tipos m\u00f3veis, que permite a multiplica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e barata de textos impressos, democratizando o acesso ao conhecimento e possibilitando uma revolu\u00e7\u00e3o cultural e cient\u00edfica e a alfabetiza\u00e7\u00e3o em massa; 1000 antes, no Oriente, usava-se a xilogravura, impress\u00e3o com blocos de madeira e, posteriormente, os caracteres m\u00f3veis, atribu\u00eddos a Bi Sheng, em 1041-1048 [4]; Em 105 d.C. \u00e9 inventado, na China, o papel, material leve, resistente e acess\u00edvel, a partir de fibras vegetais como a casca de amoreira e o bambu [4]; Durante 2 mil anos os livros manuscritos, produzidos por escribas, restringiam o saber a elites religiosas e aristocr\u00e1ticas; H\u00e1 4 mil anos, rolos e folhas de papiro e, posteriormente, de pergaminho, aumentam a portabilidade\/circularidade e durabilidade da informa\u00e7\u00e3o escrita; H\u00e1 5 mil anos, emergem os primeiros sistemas codificados, a escrita cuneiforme, na Mesopot\u00e2mia e os hier\u00f3glifos, no Egito, em t\u00e1buas de argila; H\u00e1 40 mil anos, pinturas e gravuras nas cavernas como os primeiros arquivos da mem\u00f3ria da humanidade; H\u00e1 75 mil anos, os primeiros sinais simb\u00f3licos intencionais, como padr\u00f5es geom\u00e9tricos gravados em grutas, marcam o in\u00edcio desta aventura da escrita, da comunica\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento.\u00a0 Refer\u00eancias Blackwell\u2019s. https:\/\/blackwells.co.uk\/bookshop\/product\/Why-We-Read-by-Josephine-Greywoode-editor\/9781802060959 Greywoode, Josephine (Ed.). (2002). Why We Read: Seventy Writers on Non-Fiction. Penguin Books Ltd.\u00a0 Fonte da imagem:\u00a0 Bertrand. https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/o-terceiro-reich-em-guerra-richard-j-evans\/24540257 Maia do Amaral. (2002). 1000 anos antes de Gutenberg. 84 Cadernos BAD. https:\/\/publicacoes.bad.pt\/revistas\/index.php\/cadernos\/article\/download\/868\/867 Fonte da imagem: Fnac. https:\/\/www.fnac.pt\/Zero-Degrees-of-Empathy-BARON-COHEN-SIMON\/a1204583<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[157,140],"tags":[],"class_list":["post-2961580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-leitura","category-livros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2961580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2961580"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2961580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085399,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2961580\/revisions\/3085399"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2961580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2961580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2961580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}