{"id":2948379,"date":"2025-05-06T09:00:00","date_gmt":"2025-05-06T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2948379.html"},"modified":"2026-05-13T13:15:52","modified_gmt":"2026-05-13T13:15:52","slug":"a-matematica-tem-grandes-conversas-com-a-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2948379","title":{"rendered":"A matem\u00e1tica tem grandes conversas com a literatura"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"1.jpg\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22760988_TrNdZ.jpeg\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre gostei de ler. E cada nova leitura, cada nova personagem, cada narrativa de sonhos, fantasias, realidades, viagens interiores e outras, por velhos e novos mundos, abriu-me as portas a uma disciplina que muitos pensam ser inimiga das Humanidades, a Matem\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, a matem\u00e1tica tem sempre grandes conversas com a literatura, pois ambas circulam pelos mesmos corredores cerebrais. A matem\u00e1tica anda sempre ocupada com o \u201cporqu\u00ea e o como\u201d, sendo uma ci\u00eancia que relaciona o abstrato e o concreto. A literatura adora pensar sobre sonhos e factos, vidas imaginadas ou reais, seres irreais ou verdadeiros, e usa a linguagem escrita como meio de express\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As duas descobrem, nas suas conversas, que o pensamento, a imagina\u00e7\u00e3o e a escrita s\u00e3o o seu modo de vida predileto, o que permite &#8211; se nos permitirmos a tal &#8211; conversas fant\u00e1sticas, que podem transformar o mundo.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Surgiu-me a oportunidade de transformar o meu mundo, e a esperan\u00e7a de transformar o mundo de outros, entrando eu pelas portas da biblioteca da minha escola como professora bibliotec\u00e1ria. Tinha alguns conhecimentos, resultado de forma\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias em bibliotecas escolares e municipais. E fui, nesse mesmo ano, fazer a forma\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Bibliotecas Escolares, pois queria aprimorar os conhecimentos e sentia que teria muito caminho pela frente. E queria que a Matem\u00e1tica se juntasse \u00e0 Literatura, aos olhos dos alunos. O que demoraria algum tempo a ser aceite como verdadeiro. Mas, numa biblioteca, existe um tempo diferente.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que vivi no ano letivo passado, o ano dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, poderei relembrar assim:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNessa tarde, a biblioteca estava silenciosa e queria estar comigo. O sil\u00eancio permitiu-me ouvir que eu estaria a fazer um trabalho bonito e que ela estava feliz. J\u00e1 muito se tinha passado ali. Leituras, em voz baixa e em voz alta, poesia, m\u00fasica, dan\u00e7a, conversas, partilhas, aplausos, sorrisos, alegrias e, tamb\u00e9m, algumas tristezas. Mas, mesmo as tristezas tinham acabado por sorrir e avan\u00e7ar na vida com outra for\u00e7a.\u201d<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De facto, pensei que cada livro que ali existe, mesmo quando n\u00e3o \u00e9 aberto e lido, tem em si a for\u00e7a da Humanidade. E essa for\u00e7a sente-se de um modo especial numa biblioteca. A\u00ed, cada ser humano \u00e9 \u00fanico e \u00e9 aceite como \u00e9. E eu acredito que foi isso que senti nesse dia. Que esse espa\u00e7o tinha poesia. E que quantos a\u00ed entravam sentiriam o mesmo que eu, em algum momento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O resultado desse ano est\u00e1 documentado aqui: <\/span><a href=\"https:\/\/linktr.ee\/inspireyou.aedas\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/linktr.ee\/inspireyou.aedas<\/span><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ser\u00e1 sempre lembrado nas minhas conversas interiores entre matem\u00e1tica e literatura.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cristina Lima, Professora bibliotec\u00e1ria<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Agrupamento de Escolas D. Afonso Sanches, Vila do Conde<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #ff0000;\"><strong>__________________________________________________________________________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<div><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"3.jpg\" class=\"lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item\" height=\"54\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22691350_giZ3J.jpeg\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" width=\"730\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li>Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infopedia.pt\/apoio\/artigos\/$retalhos-da-vida-de-um-medico\" rel=\"noopener\">Retalhos da vida de um m\u00e9dico<\/a>, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo\u00a0<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSc5afn6N2wiyMUUt2SeWXWWIEDXwf6wwUJafLwjDDmTA6phjw\/viewform\" rel=\"noopener\">este formul\u00e1rio<\/a>.<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre gostei de ler. E cada nova leitura, cada nova personagem, cada narrativa de sonhos, fantasias, realidades, viagens interiores e outras, por velhos e novos mundos, abriu-me as portas a uma disciplina que muitos pensam ser inimiga das Humanidades, a Matem\u00e1tica. Sim, a matem\u00e1tica tem sempre grandes conversas com a literatura, pois ambas circulam pelos mesmos corredores cerebrais. A matem\u00e1tica anda sempre ocupada com o \u201cporqu\u00ea e o como\u201d, sendo uma ci\u00eancia que relaciona o abstrato e o concreto. A literatura adora pensar sobre sonhos e factos, vidas imaginadas ou reais, seres irreais ou verdadeiros, e usa a linguagem escrita como meio de express\u00e3o. As duas descobrem, nas suas conversas, que o pensamento, a imagina\u00e7\u00e3o e a escrita s\u00e3o o seu modo de vida predileto, o que permite &#8211; se nos permitirmos a tal &#8211; conversas fant\u00e1sticas, que podem transformar o mundo. Surgiu-me a oportunidade de transformar o meu mundo, e a esperan\u00e7a de transformar o mundo de outros, entrando eu pelas portas da biblioteca da minha escola como professora bibliotec\u00e1ria. Tinha alguns conhecimentos, resultado de forma\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias em bibliotecas escolares e municipais. E fui, nesse mesmo ano, fazer a forma\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Bibliotecas Escolares, pois queria aprimorar os conhecimentos e sentia que teria muito caminho pela frente. E queria que a Matem\u00e1tica se juntasse \u00e0 Literatura, aos olhos dos alunos. O que demoraria algum tempo a ser aceite como verdadeiro. Mas, numa biblioteca, existe um tempo diferente. O que vivi no ano letivo passado, o ano dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, poderei relembrar assim: \u201cNessa tarde, a biblioteca estava silenciosa e queria estar comigo. O sil\u00eancio permitiu-me ouvir que eu estaria a fazer um trabalho bonito e que ela estava feliz. J\u00e1 muito se tinha passado ali. Leituras, em voz baixa e em voz alta, poesia, m\u00fasica, dan\u00e7a, conversas, partilhas, aplausos, sorrisos, alegrias e, tamb\u00e9m, algumas tristezas. Mas, mesmo as tristezas tinham acabado por sorrir e avan\u00e7ar na vida com outra for\u00e7a.\u201d De facto, pensei que cada livro que ali existe, mesmo quando n\u00e3o \u00e9 aberto e lido, tem em si a for\u00e7a da Humanidade. E essa for\u00e7a sente-se de um modo especial numa biblioteca. A\u00ed, cada ser humano \u00e9 \u00fanico e \u00e9 aceite como \u00e9. E eu acredito que foi isso que senti nesse dia. Que esse espa\u00e7o tinha poesia. E que quantos a\u00ed entravam sentiriam o mesmo que eu, em algum momento.\u00a0 O resultado desse ano est\u00e1 documentado aqui: https:\/\/linktr.ee\/inspireyou.aedas E ser\u00e1 sempre lembrado nas minhas conversas interiores entre matem\u00e1tica e literatura. Cristina Lima, Professora bibliotec\u00e1riaAgrupamento de Escolas D. Afonso Sanches, Vila do Conde __________________________________________________________________________________________________________________ Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra\u00a0Retalhos da vida de um m\u00e9dico, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias. Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo\u00a0este formul\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[163],"tags":[],"class_list":["post-2948379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-retalhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2948379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2948379"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2948379\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085443,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2948379\/revisions\/3085443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2948379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2948379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2948379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}