{"id":2926918,"date":"2025-02-17T09:00:00","date_gmt":"2025-02-17T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2926918.html"},"modified":"2026-05-14T08:59:55","modified_gmt":"2026-05-14T08:59:55","slug":"revisitamos-rita-taborda-duarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2926918","title":{"rendered":"Revisitamos Rita Taborda Duarte"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2025-02-17-02.PNG\" height=\"480\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/2025-02-17-02.PNG?size=l\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\">Aos 12 anos escreveu o primeiro poema e enviou-o para o DN Jovem. A resposta do editor do jornal foi &#8220;n\u00e3o gost\u00e1mos l\u00e1 muito mas continua a tentar.&#8221; E foi isso mesmo que Rita Taborda Duarte fez. Continou a escrever e a partir dos 15 come\u00e7ou a publicar regularmente poemas e contos. N\u00e3o sabe muito bem explicar quer o prazer da escrita quer o prazer da leitura mas sabe identificar-lhes a origem: &#8220;por ter crescido numa casa onde os livros estavam pelo ch\u00e3o e faziam parte da normalidade, contribuiu para que lesse e escrevesse&#8221;.<br \/>In Jornal Expresso, janeiro de 2015<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fechado para Balan\u00e7o<\/strong> \u00e9 um poema de <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Rita Taborda Duarte\u00a0<\/strong><\/span>[1] que nos revela a seguinte confiss\u00e3o:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p>(\u2026)<br \/>Trazemos, ent\u00e3o, o livro dos registos<br \/>e fazemos contabilidade, noite dentro.<br \/>N\u00e3o sei como ser\u00e3o outros amores<br \/>mas o nosso \u00e9 um longo livro nocturno dividido<br \/>em deves\u00a0 \u00a0 \u00a0em haveres\u00a0 \u00a0 \u00a0 por um leve tra\u00e7o a s\u00e9pia debotado.<br \/>Rasuramos e apagamos e voltamos a somar,<br \/>passamos cheques, recolhemos dividendos:<br \/>numa matem\u00e1tica cega, sem mais valias;<br \/>que nunca v\u00e3o certas as contas deste amor.<br \/>(\u2026)\u00a0<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>Nas bibliotecas escolares, s\u00f3\u00a0 perto dos meses quentes do ver\u00e3o, se poder\u00e1 fechar para balan\u00e7o. Agora, \u00e9 tempo de ter as portas abertas e convidar todos a entrar e, juntos, descobrirmos\u00a0 escritores, poetas, ensa\u00edstas\u2026\u00a0 N\u00f3s, leitores, andamos sempre em busca de novas descobertas, de um novo autor ou um t\u00edtulo desconhecido.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Desta vez <strong>revisitamos a obra da Rita Taborda Duarte e (re)descobrimos<\/strong>:\u00a0 a beleza e o humor nas palavras, a descontru\u00e7\u00e3o de conceitos e de ester\u00f3tipos, a linguagem mel\u00f3dica e ritmada, jogos de palavras,\u00a0 como de uma brincadeira se tratasse, mas tamb\u00e9m hist\u00f3rias questionadoras, e magistralmente bem narradas, muita emo\u00e7\u00e3o e amores que vagueiam nos poemas, uns mais longos outros mais curtos. Haver\u00e1 melhor raz\u00e3o para entrar\u00a0 na biblioteca e aceitar o desafio da descoberta? \u00c9 certo que nas estantes da biblioteca, muitos s\u00e3o os t\u00edtulos escritos por Rita Taborda Duarte. Poesia e contos para crian\u00e7as e jovens constituem a maioria da obra da autora que, muitos de n\u00f3s, j\u00e1 (re)lemos e demos a ler.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img1 (1).jpg\" height=\"376\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img1 (1).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Gaspar, com os p\u00e9s bem assentes na Lua<\/strong><\/span> \u00e9 o t\u00edtulo mais recente da Rita, magnificamente ilustrado pelo Sebasti\u00e3o Peixoto [2], que nos d\u00e1 a conhecer Gaspar, um jovem que conhecia a lua como ningu\u00e9m, que sabia que \u201cela, trai\u00e7oeira, nos espiava quando sobrevoava as nossas cabe\u00e7as, aguardando o momento certo para atacar as suas presas.\u201d A av\u00f3 achava que \u201cele estava aluado\u201d e a restante familia e amigos<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img2 (1).jpg\" height=\"365\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img2 (1).jpg?size=l\" style=\"float: right; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Todos pensavam que a lua n\u00e3o n\u00e3o lhe estava a fazer bem \u00e0 cabe\u00e7a, era evidente o seu mal estar, pois \u201c mal comia, cada vez mais p\u00e1lido, de olhos meio tortos. Cada vez mais magrinho, que mais parecia, n\u00e3o um pau, mas um fio fininhoe branquelas de virar tripas.\u201d <br \/>Ler <em><strong>Gaspar, com os p\u00e9s bem assentes na Lua<\/strong><\/em> \u00e9 compreender a biodiversidade do mundo, mas \u00e9 essencialmente aceitar o poder, o valor das palavras e import\u00e2ncia de combater o empobrecimento vocabular, quer dizer \u00e9 homenagear a PALAVRODIVERSIDADE.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Haver\u00e1 melhor forma de glorificar a palavra do que ir frequentemente \u00e0 biblioteca e descobrir novos livros povoados por tantas palavras diferentes? <br \/>Corre, corre \u00e0 biblioteca e verifica se este novo livro da Rita Taborda Duarte j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img3.jpg\" height=\"326\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img3.jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 2003, Rita Taborda Duarte, vence o Pr\u00e9mio Branquinho da Fonseca, atribu\u00eddo pela Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian e pelo seman\u00e1rio Expresso, com o original <strong>A Verdadeira Hist\u00f3ria de Alice<\/strong> e desde essa data tem publicado regularmente para crian\u00e7as e jovens. Sabemos que este \u00e9 um livro que marca presen\u00e7a em muitas bibliotecas escolares e que continua a encantar os leitores mais jovens.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1 (1).jpg\" class=\"editing\" height=\"32\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/Imagem1 (1).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 50px; padding: 10px 10px;\" width=\"50\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Todas, quase todas, as pessoas pequenas quando crescem se transformam em pessoas grandes e s\u00f3 muito poucas se tornam grandes pessoas. Como a Alice. Mas, antes de ser uma grande pes soa grande, Alice j\u00e1 fora uma grande pequena pessoa. Por isso, quando cresceu continuou a ver os olhos verde-escuros quase terra das formigas. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora os via com os seus olhos grandes de grande pessoa que tamb\u00e9m conseguia distinguir a pupila azul-celeste-quase-c\u00e9u nos mesmos olhos verde-escuro-quase-<\/em><em>terra das formigas. E os seus dedos ficaram t\u00e3o compridos que tornavam perto as coisas que estavam muito\u00a0<\/em><em>longe. E muitas vezes se via a Alice ir buscar uma gota de c\u00e9u \u00e0s nuvens e um f\u00f3sforo de luz ao Sol. [&#8230;]<\/em>\u00a0&#8220;<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img4 (1).jpg\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img4 (1).jpg?size=l\" style=\"float: right; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1 (2).jpg\" height=\"33\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/Imagem1 (2).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 50px; padding: 10px 10px;\" width=\"50\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>\u00c9 que h\u00e1 tantos modos de contar o tempo\u2026 porque o tempo, mesmo o que parece aprisionado nos mostradores dos rel\u00f3gios, n\u00e3o \u00e9 todo igual: eu at\u00e9 vi minutos-lesmas mais lentos do que muitas d\u00e9cadas e anos que passarinhavam por a\u00ed num segundo supers\u00f3nico, \u00e0 velocidade de quem voa. (\u2026) Ora, este pa\u00eds de que falo dividia a sua hist\u00f3ria mais recente em duas metades bem diferentes: a vida lenta e lerda antes do 25 de abril e a de depois do 25 de abril.\u201d\u00a0<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Rita Taborda Duarte, nasceu em Lisboa, em 1973,\u00a0 num tempo onde a palavra \u201cabrilar\u201d era oca, sem significado. <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Sempre!<\/strong><\/span>\u00a0 \u00e9 um livro, da cole\u00e7\u00e3o <em>Miss\u00e3o Democracia<\/em> [3], que nos d\u00e1 a conhecer a palavra \u201cabrilar\u201d e conta-nos a hist\u00f3ria do nascimento de duas novas vidas: a de uma crian\u00e7a e a de um pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nas entrelinhas de <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Sempre!<\/strong><\/span> est\u00e3o escondidos poemas e can\u00e7\u00f5es, alerta-nos a autora. Eis, outro desafio para abra\u00e7ar\u2026 Vamos descobrir esses poemas e cantar ou simplesmente\u00a0 escutar essas can\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O m\u00eas de abril aproxima-se. <strong>Ser\u00e1 que as bibliotecas escolares v\u00e3o abrilar?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img5 (1).jpg\" height=\"349\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img5 (1).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>J\u00e1 imaginaram <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>um le\u00e3o sem juba, um elefante que n\u00e3o tinha tromba e uma casa sem telhado<\/strong><\/span>? E se esta hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7asse por \u201c Era uma vez\u201d?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Fica a sugest\u00e3o para ler, em voz alta, para e com os jovens, este magn\u00edfico livro e, juntos, dar asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. E se a biblioteca escolar organizasse um atelier de escrita criativa ou de ilustra\u00e7\u00e3o inspirado nesta leitura?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As ilustra\u00e7\u00f5es de Rachel Caiano [4] s\u00e3o primorosas!<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img6 (1).jpg\" height=\"250\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img6 (1).jpg?size=l\" style=\"float: right; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Rita Taborda Duarte sabe (des)construir as ideias e lan\u00e7ar desafios para pensar e dialogar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Desta vez, <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>o tema \u00e9 o Pai Natal? Ser\u00e1 que n\u00e3o existe? N\u00e3o existe? Ser\u00e1 poss\u00edvel?<\/strong><\/span> N\u00e3o ser\u00e1 este um bel\u00edssimo tema para dialogar? Quem apresenta argumentos a favor? E quem apresenta as respetivas obje\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img7 (1).jpg\" height=\"320\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img7 (1).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1 (3).jpg\" height=\"33\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/Imagem1 (3).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 50px; padding: 10px 10px;\" width=\"50\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>O tempo: n\u00e3o \u00e9 bem uma pessoa, como n\u00f3s, porque tem asas e voa. No entanto, vai tendo a sua vidinha e o seu trabalho certo. No fundo, \u00e9 um trabalho que n\u00e3o tem assim tanto que saber: basta passar pelas pessoas e envelhec\u00ea-las. A verdade \u00e9 que o tempo tem pressa de fazer o seu trabalho, por isso anda sempre a correr ( como n\u00f3s quando fazemos os trabalhos de casas). H\u00e1 quem diga que ele \u00e9 dinheiro. No entanto, nunca se viu ningu\u00e9m troc\u00e1-lo por uma caixa de gelados em nenhum centro comercial.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Afinal, o que \u00e9 o tempo?<\/strong><\/span> O tempo tem asas? \u00c9 verdade que o tempo tem pressa?<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img8.jpg\" height=\"287\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img8.jpg?size=l\" style=\"float: right; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1 (5).jpg\" height=\"33\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/Imagem1 (5).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 50px; padding: 10px 10px;\" width=\"50\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Saltando de ideia em ideia, pulando de verso em verso, vamos olhar para o mundo pelo seu lado reverso e conhecer a bicharada, que mora l\u00e1 num cantinho, entre as rimas da poesia e os nossos pensamentos. E se olharmos com cautela, descobrimos as elefantigas, misto de elefante e formigas que nem se v\u00eaem a olho nu, um camarito rosado ou girafeus cangurus.\u201d<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img9 (1).jpg\" height=\"359\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img9 (1).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00ab<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>ROTURAS E LIGAMENTOS<\/strong><\/span>, livro do corpo, livro-corpo, de Rita Taborda Duarte e de Andr\u00e9 da Loba [5], pode ser lido como um itiner\u00e1rio de articula\u00e7\u00f5es, as mais aparentes e as mais profundas, as que conectam os ossos e as que s\u00e3o subjacentes ao discurso e ao desenho, conferindo-lhes uma rela\u00e7\u00e3o de sequencialidade ou de especifica\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica. Religam-se nomes, disp\u00f5em-se verbos, conjugam-se palavras, letras, s\u00edlabas, atribui-se uma fun\u00e7\u00e3o representativa \u00e0 linguagem, que destapa uma rede de significa\u00e7\u00f5es (\u2026) Centrais nesta reflex\u00e3o dir-se-iam a ideia de resist\u00eancia de um corpo, da mente e do esp\u00edrito, e o esfor\u00e7o do equil\u00edbrio, mais bem suportado porque a imagina\u00e7\u00e3o tem o dom da ubiquidade e \u00e9 \u00e1gil enquanto centro de ac\u00e7\u00e3o e movimento.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img10a (1).png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img10a (1).png?size=l\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><br \/><span><\/span><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img11 (2).jpg\" height=\"319\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img11 (2).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 250px; padding: 10px 10px;\" width=\"250\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><span>\u00ab<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>N\u00e3o Desfazendo<\/strong><\/span> re\u00fane vinte e cinco anos de poesia, da Rita Taborda Duarte, e inclui um livro in\u00e9dito: Uma Pedra na Boca. No decurso dos seus poemas, \u00aba linguagem, contra toda a verosimilhan\u00e7a, perde peso, gravidade e circula livremente no ar, permitindo uma outra geometria e geografia [e] invers\u00e3o das Coordenadas (e hierarquias) de orienta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o (fazendo com que se possa dizer que, \u201cafei\u00e7oad[os] \u00e0 m\u00e3o\/ e com o impulso certo\u201d, sabe-se de poemas que \u201csubiam mais alto ainda que muitos p\u00e1ssaros\u201d\u00bb [do posf\u00e1cio de Fernando Guerreiro].\u00bb<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1 (7).jpg\" height=\"33\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/Imagem1 (7).jpg?size=l\" style=\"float: left; width: 50px; padding: 10px 10px;\" width=\"50\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>O Modo de Vida<\/strong><br \/><strong>SEGUNDA<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Uma palavra n\u00e3o dita vale um sil\u00eancio duas vezes mais pesado.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Era o que pensava antes de decidir o dizer pelo n\u00e3o dizer. Por isso, falar significava calcular a solidez de uma palavra (o artigo\u2026 o adv\u00e9rbio) de modo a saber se o espa\u00e7o, o momento em quest\u00e3o, suportaria determinada massa de sil\u00eancio.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Desde muito cedo aprendera a medi-la, \u00e0s palavras. E pesava-as; pouco tempo antes de permanecer calado.\u201d<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">In <em>N\u00e3o Desfazendo<\/em>, p\u00e1g. 407<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Outros livros de Rita Taborda Duarte<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img12 (1).jpg\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img12 (1).jpg?size=l\" style=\"width: 296px; padding: 10px 10px;\" width=\"296\" \/>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img13 (2).jpg\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img13 (2).jpg?size=l\" style=\"width: 195px; padding: 10px 10px;\" width=\"195\" \/>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img14.jpg\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img14.jpg?size=l\" style=\"width: 191px; padding: 10px 10px;\" width=\"191\" \/>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img15.jpg\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img15.jpg?size=l\" style=\"width: 210px; padding: 10px 10px;\" width=\"210\" \/>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img16.jpg\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img16.jpg?size=l\" style=\"width: 207px; padding: 10px 10px;\" width=\"207\" \/>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"img17.jpg\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/img17.jpg?size=l\" style=\"width: 323px; padding: 10px 10px;\" width=\"323\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li><strong>Rita Taborda Duarte<\/strong>, nasceu em Lisboa, em 1973. \u00c9 professora adjunta convidada na Escola Superior de Comunica\u00e7\u00e3o Social. Faz cr\u00edtica de poesia e ensaio em diversas publica\u00e7\u00f5es da especialidade (Rel\u00e2mpago, Col\u00f3quio\u2013Letras, etc.). Desde 2010 que \u00e9 membro da Comiss\u00e3o de Leitura da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, publicando com assiduidade no site Rol de Livros da mesma institui\u00e7\u00e3o (www.leitura.gulbenkian.pt).\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Sebasti\u00e3o Peixoto<\/strong> nasceu em 1972, em Braga. \u00c9 licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Trabalha como ilustrador freelancer, colaborando com v\u00e1rias editoras nacionais e internacionais. Tem mais de vinte t\u00edtulos infantojuvenis publicados e diversas participa\u00e7\u00f5es em fanzines, revistas e jornais. Integrou duas mostras no \u00e2mbito da Seoul Illustration Fair, tendo, noutra edi\u00e7\u00e3o, em 2017, ganhado a medalha de ouro do Thesif Award.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Ver o artigo <em>Tempo para Ler<\/em> , no Blogue RBE, publicado no dia 06.02.24 ( <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/missao-democracia-2810694\">https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/missao-democracia-2810694<\/a> ) e espreitar a cole\u00e7\u00e3o completa em <a href=\"https:\/\/livraria.parlamento.pt\/collections\/missao-democracia\">https:\/\/livraria.parlamento.pt\/collections\/missao-democracia<\/a>\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Rachel Caiano<\/strong>, artista pl\u00e1stica e ilustradora, com forma\u00e7\u00e3o em artes do palco, tem vindo a desenvolver projetos nas \u00e1reas da pintura, cenografia e ilustra\u00e7\u00e3o. Finalista do Pr\u00e9mio Jovens Criadores 2007, alguns dos seus livros constam da exposi\u00e7\u00e3o \u00abThe White Ravens\u00bb, uma sele\u00e7\u00e3o internacional. Ilustrou mais de 30 livros de diferentes g\u00e9neros publicados Portugal, Brasil, Espanha e Angola. Promove <em>workshops<\/em> e <em>masterclasses<\/em> de ilustra\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o pela arte em escolas e bibliotecas.\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Andr\u00e9 da Loba<\/strong> nasceu em Portugal e \u00e9 um artista publicado e exposto cujo trabalho recebeu reconhecimento internacional. Como ilustrador, animador, designer gr\u00e1fico, escultor e educador, a combina\u00e7\u00e3o de curiosidade, experi\u00eancia, conhecimento e desconhecimento de Andr\u00e9 serve como o meio constante com o qual ele cria e inspira. O seu trabalho \u00e9 um convite e um desafio para mudar o mundo, n\u00e3o importa qu\u00e3o grande ou pequeno ele seja.<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/p>\n<p>\ud83d\udcf7 Rita Taborda Duarte: <a title=\"Nealmarques \" href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Portuguese_Author_Rita_Taborda_Duarte.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nealmarques<\/a>, <a title=\"CC BY-SA 3.0\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/3.0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CC BY-SA 3.0<\/a>, via Wikimedia Commons<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>______________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>* J\u00falia Martins<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Acredita no poder da leitura. Dar a ler \u00e9 um desafio que gosta de abra\u00e7ar. \u00c9 leitora e frequenta, de forma ass\u00eddua, Clubes de Leitura. <a title=\"Saiba mais\" href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/VL-oradores-julia-martins.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saiba mais<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>______________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Leia outros artigos da s\u00e9rie<\/strong><strong><span><br \/><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/tag\/tempo+para+ler\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem23.png\" class=\"lazyload-item lazyload-item lazyload-item lazyload-item\" height=\"67\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22630975_LsyUu.png\" width=\"348\" \/><\/a><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 12 anos escreveu o primeiro poema e enviou-o para o DN Jovem. A resposta do editor do jornal foi &#8220;n\u00e3o gost\u00e1mos l\u00e1 muito mas continua a tentar.&#8221; E foi isso mesmo que Rita Taborda Duarte fez. Continou a escrever e a partir dos 15 come\u00e7ou a publicar regularmente poemas e contos. N\u00e3o sabe muito bem explicar quer o prazer da escrita quer o prazer da leitura mas sabe identificar-lhes a origem: &#8220;por ter crescido numa casa onde os livros estavam pelo ch\u00e3o e faziam parte da normalidade, contribuiu para que lesse e escrevesse&#8221;.In Jornal Expresso, janeiro de 2015 Fechado para Balan\u00e7o \u00e9 um poema de Rita Taborda Duarte\u00a0[1] que nos revela a seguinte confiss\u00e3o: (\u2026)Trazemos, ent\u00e3o, o livro dos registose fazemos contabilidade, noite dentro.N\u00e3o sei como ser\u00e3o outros amoresmas o nosso \u00e9 um longo livro nocturno divididoem deves\u00a0 \u00a0 \u00a0em haveres\u00a0 \u00a0 \u00a0 por um leve tra\u00e7o a s\u00e9pia debotado.Rasuramos e apagamos e voltamos a somar,passamos cheques, recolhemos dividendos:numa matem\u00e1tica cega, sem mais valias;que nunca v\u00e3o certas as contas deste amor.(\u2026)\u00a0 Nas bibliotecas escolares, s\u00f3\u00a0 perto dos meses quentes do ver\u00e3o, se poder\u00e1 fechar para balan\u00e7o. Agora, \u00e9 tempo de ter as portas abertas e convidar todos a entrar e, juntos, descobrirmos\u00a0 escritores, poetas, ensa\u00edstas\u2026\u00a0 N\u00f3s, leitores, andamos sempre em busca de novas descobertas, de um novo autor ou um t\u00edtulo desconhecido. Desta vez revisitamos a obra da Rita Taborda Duarte e (re)descobrimos:\u00a0 a beleza e o humor nas palavras, a descontru\u00e7\u00e3o de conceitos e de ester\u00f3tipos, a linguagem mel\u00f3dica e ritmada, jogos de palavras,\u00a0 como de uma brincadeira se tratasse, mas tamb\u00e9m hist\u00f3rias questionadoras, e magistralmente bem narradas, muita emo\u00e7\u00e3o e amores que vagueiam nos poemas, uns mais longos outros mais curtos. Haver\u00e1 melhor raz\u00e3o para entrar\u00a0 na biblioteca e aceitar o desafio da descoberta? \u00c9 certo que nas estantes da biblioteca, muitos s\u00e3o os t\u00edtulos escritos por Rita Taborda Duarte. Poesia e contos para crian\u00e7as e jovens constituem a maioria da obra da autora que, muitos de n\u00f3s, j\u00e1 (re)lemos e demos a ler. Gaspar, com os p\u00e9s bem assentes na Lua \u00e9 o t\u00edtulo mais recente da Rita, magnificamente ilustrado pelo Sebasti\u00e3o Peixoto [2], que nos d\u00e1 a conhecer Gaspar, um jovem que conhecia a lua como ningu\u00e9m, que sabia que \u201cela, trai\u00e7oeira, nos espiava quando sobrevoava as nossas cabe\u00e7as, aguardando o momento certo para atacar as suas presas.\u201d A av\u00f3 achava que \u201cele estava aluado\u201d e a restante familia e amigos Todos pensavam que a lua n\u00e3o n\u00e3o lhe estava a fazer bem \u00e0 cabe\u00e7a, era evidente o seu mal estar, pois \u201c mal comia, cada vez mais p\u00e1lido, de olhos meio tortos. Cada vez mais magrinho, que mais parecia, n\u00e3o um pau, mas um fio fininhoe branquelas de virar tripas.\u201d Ler Gaspar, com os p\u00e9s bem assentes na Lua \u00e9 compreender a biodiversidade do mundo, mas \u00e9 essencialmente aceitar o poder, o valor das palavras e import\u00e2ncia de combater o empobrecimento vocabular, quer dizer \u00e9 homenagear a PALAVRODIVERSIDADE. Haver\u00e1 melhor forma de glorificar a palavra do que ir frequentemente \u00e0 biblioteca e descobrir novos livros povoados por tantas palavras diferentes? Corre, corre \u00e0 biblioteca e verifica se este novo livro da Rita Taborda Duarte j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel. Em 2003, Rita Taborda Duarte, vence o Pr\u00e9mio Branquinho da Fonseca, atribu\u00eddo pela Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian e pelo seman\u00e1rio Expresso, com o original A Verdadeira Hist\u00f3ria de Alice e desde essa data tem publicado regularmente para crian\u00e7as e jovens. Sabemos que este \u00e9 um livro que marca presen\u00e7a em muitas bibliotecas escolares e que continua a encantar os leitores mais jovens. Todas, quase todas, as pessoas pequenas quando crescem se transformam em pessoas grandes e s\u00f3 muito poucas se tornam grandes pessoas. Como a Alice. Mas, antes de ser uma grande pes soa grande, Alice j\u00e1 fora uma grande pequena pessoa. Por isso, quando cresceu continuou a ver os olhos verde-escuros quase terra das formigas. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora os via com os seus olhos grandes de grande pessoa que tamb\u00e9m conseguia distinguir a pupila azul-celeste-quase-c\u00e9u nos mesmos olhos verde-escuro-quase-terra das formigas. E os seus dedos ficaram t\u00e3o compridos que tornavam perto as coisas que estavam muito\u00a0longe. E muitas vezes se via a Alice ir buscar uma gota de c\u00e9u \u00e0s nuvens e um f\u00f3sforo de luz ao Sol. [&#8230;]\u00a0&#8220; \u00c9 que h\u00e1 tantos modos de contar o tempo\u2026 porque o tempo, mesmo o que parece aprisionado nos mostradores dos rel\u00f3gios, n\u00e3o \u00e9 todo igual: eu at\u00e9 vi minutos-lesmas mais lentos do que muitas d\u00e9cadas e anos que passarinhavam por a\u00ed num segundo supers\u00f3nico, \u00e0 velocidade de quem voa. (\u2026) Ora, este pa\u00eds de que falo dividia a sua hist\u00f3ria mais recente em duas metades bem diferentes: a vida lenta e lerda antes do 25 de abril e a de depois do 25 de abril.\u201d\u00a0 Rita Taborda Duarte, nasceu em Lisboa, em 1973,\u00a0 num tempo onde a palavra \u201cabrilar\u201d era oca, sem significado. Sempre!\u00a0 \u00e9 um livro, da cole\u00e7\u00e3o Miss\u00e3o Democracia [3], que nos d\u00e1 a conhecer a palavra \u201cabrilar\u201d e conta-nos a hist\u00f3ria do nascimento de duas novas vidas: a de uma crian\u00e7a e a de um pa\u00eds.\u00a0 Nas entrelinhas de Sempre! est\u00e3o escondidos poemas e can\u00e7\u00f5es, alerta-nos a autora. Eis, outro desafio para abra\u00e7ar\u2026 Vamos descobrir esses poemas e cantar ou simplesmente\u00a0 escutar essas can\u00e7\u00f5es? O m\u00eas de abril aproxima-se. Ser\u00e1 que as bibliotecas escolares v\u00e3o abrilar? J\u00e1 imaginaram um le\u00e3o sem juba, um elefante que n\u00e3o tinha tromba e uma casa sem telhado? E se esta hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7asse por \u201c Era uma vez\u201d? Fica a sugest\u00e3o para ler, em voz alta, para e com os jovens, este magn\u00edfico livro e, juntos, dar asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. E se a biblioteca escolar organizasse um atelier de escrita criativa ou de ilustra\u00e7\u00e3o inspirado nesta leitura? As ilustra\u00e7\u00f5es de Rachel Caiano [4] s\u00e3o primorosas! Rita Taborda Duarte sabe (des)construir as ideias e lan\u00e7ar desafios para pensar e dialogar. Desta vez, o tema \u00e9 o Pai Natal? Ser\u00e1 que n\u00e3o existe? N\u00e3o existe? Ser\u00e1 poss\u00edvel? N\u00e3o ser\u00e1 este um bel\u00edssimo tema para dialogar? Quem apresenta argumentos a favor? E quem apresenta as respetivas obje\u00e7\u00f5es? O tempo: n\u00e3o \u00e9 bem uma pessoa, como n\u00f3s, porque tem asas e voa. No entanto, vai tendo a sua vidinha e o seu trabalho certo. No fundo, \u00e9 um trabalho que n\u00e3o tem assim tanto que saber: basta passar pelas pessoas e envelhec\u00ea-las. A verdade \u00e9 que o tempo tem pressa de fazer o seu trabalho, por isso anda sempre a correr ( como n\u00f3s quando fazemos os trabalhos de casas). H\u00e1 quem diga que ele \u00e9 dinheiro. No entanto, nunca se viu ningu\u00e9m troc\u00e1-lo por uma caixa de gelados em nenhum centro comercial.&#8221; Afinal, o que \u00e9 o tempo? O tempo tem asas? \u00c9 verdade que o tempo tem pressa? Saltando de ideia em ideia, pulando de verso em verso, vamos olhar para o mundo pelo seu lado reverso e conhecer a bicharada, que mora l\u00e1 num cantinho, entre as rimas da poesia e os nossos pensamentos. E se olharmos com cautela, descobrimos as elefantigas, misto de elefante e formigas que nem se v\u00eaem a olho nu, um camarito rosado ou girafeus cangurus.\u201d \u00abROTURAS E LIGAMENTOS, livro do corpo, livro-corpo, de Rita Taborda Duarte e de Andr\u00e9 da Loba [5], pode ser lido como um itiner\u00e1rio de articula\u00e7\u00f5es, as mais aparentes e as mais profundas, as que conectam os ossos e as que s\u00e3o subjacentes ao discurso e ao desenho, conferindo-lhes uma rela\u00e7\u00e3o de sequencialidade ou de especifica\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica. Religam-se nomes, disp\u00f5em-se verbos, conjugam-se palavras, letras, s\u00edlabas, atribui-se uma fun\u00e7\u00e3o representativa \u00e0 linguagem, que destapa uma rede de significa\u00e7\u00f5es (\u2026) Centrais nesta reflex\u00e3o dir-se-iam a ideia de resist\u00eancia de um corpo, da mente e do esp\u00edrito, e o esfor\u00e7o do equil\u00edbrio, mais bem suportado porque a imagina\u00e7\u00e3o tem o dom da ubiquidade e \u00e9 \u00e1gil enquanto centro de ac\u00e7\u00e3o e movimento.\u00bb \u00abN\u00e3o Desfazendo re\u00fane vinte e cinco anos de poesia, da Rita Taborda Duarte, e inclui um livro in\u00e9dito: Uma Pedra na Boca. No decurso dos seus poemas, \u00aba linguagem, contra toda a verosimilhan\u00e7a, perde peso, gravidade e circula livremente no ar, permitindo uma outra geometria e geografia [e] invers\u00e3o das Coordenadas (e hierarquias) de orienta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o (fazendo com que se possa dizer que, \u201cafei\u00e7oad[os] \u00e0 m\u00e3o\/ e com o impulso certo\u201d, sabe-se de poemas que \u201csubiam mais alto ainda que muitos p\u00e1ssaros\u201d\u00bb [do posf\u00e1cio de Fernando Guerreiro].\u00bb O Modo de VidaSEGUNDA Uma palavra n\u00e3o dita vale um sil\u00eancio duas vezes mais pesado. Era o que pensava antes de decidir o dizer pelo n\u00e3o dizer. Por isso, falar significava calcular a solidez de uma palavra (o artigo\u2026 o adv\u00e9rbio) de modo a saber se o espa\u00e7o, o momento em quest\u00e3o, suportaria determinada massa de sil\u00eancio. Desde muito cedo aprendera a medi-la, \u00e0s palavras. E pesava-as; pouco tempo antes de permanecer calado.\u201d In N\u00e3o Desfazendo, p\u00e1g. 407 Outros livros de Rita Taborda Duarte \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Notas Rita Taborda Duarte, nasceu em Lisboa, em 1973. \u00c9 professora adjunta convidada na Escola Superior de Comunica\u00e7\u00e3o Social. Faz cr\u00edtica de poesia e ensaio em diversas publica\u00e7\u00f5es da especialidade (Rel\u00e2mpago, Col\u00f3quio\u2013Letras, etc.). Desde 2010 que \u00e9 membro da Comiss\u00e3o de Leitura da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, publicando com assiduidade no site Rol de Livros da mesma institui\u00e7\u00e3o (www.leitura.gulbenkian.pt). Sebasti\u00e3o Peixoto nasceu em 1972, em Braga. \u00c9 licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Trabalha como ilustrador freelancer, colaborando com v\u00e1rias editoras nacionais e internacionais. Tem mais de vinte t\u00edtulos infantojuvenis publicados e diversas participa\u00e7\u00f5es em fanzines, revistas e jornais. Integrou duas mostras no \u00e2mbito da Seoul Illustration Fair, tendo, noutra edi\u00e7\u00e3o, em 2017, ganhado a medalha de ouro do Thesif Award. Ver o artigo Tempo para Ler , no Blogue RBE, publicado no dia 06.02.24 ( https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/missao-democracia-2810694 ) e espreitar a cole\u00e7\u00e3o completa em https:\/\/livraria.parlamento.pt\/collections\/missao-democracia Rachel Caiano, artista pl\u00e1stica e ilustradora, com forma\u00e7\u00e3o em artes do palco, tem vindo a desenvolver projetos nas \u00e1reas da pintura, cenografia e ilustra\u00e7\u00e3o. Finalista do Pr\u00e9mio Jovens Criadores 2007, alguns dos seus livros constam da exposi\u00e7\u00e3o \u00abThe White Ravens\u00bb, uma sele\u00e7\u00e3o internacional. Ilustrou mais de 30 livros de diferentes g\u00e9neros publicados Portugal, Brasil, Espanha e Angola. Promove workshops e masterclasses de ilustra\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o pela arte em escolas e bibliotecas. Andr\u00e9 da Loba nasceu em Portugal e \u00e9 um artista publicado e exposto cujo trabalho recebeu reconhecimento internacional. Como ilustrador, animador, designer gr\u00e1fico, escultor e educador, a combina\u00e7\u00e3o de curiosidade, experi\u00eancia, conhecimento e desconhecimento de Andr\u00e9 serve como o meio constante com o qual ele cria e inspira. O seu trabalho \u00e9 um convite e um desafio para mudar o mundo, n\u00e3o importa qu\u00e3o grande ou pequeno ele seja. \ud83d\udcf7 Rita Taborda Duarte: Nealmarques, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons ______________________________________________________ * J\u00falia Martins Acredita no poder da leitura. Dar a ler \u00e9 um desafio que gosta de abra\u00e7ar. \u00c9 leitora e frequenta, de forma ass\u00eddua, Clubes de Leitura. Saiba mais ______________________________________________________ Leia outros artigos da s\u00e9rie<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[169],"tags":[],"class_list":["post-2926918","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tempo-para-ler"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2926918","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2926918"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2926918\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085489,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2926918\/revisions\/3085489"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2926918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2926918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2926918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}