{"id":2920525,"date":"2025-01-24T09:00:00","date_gmt":"2025-01-24T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2920525.html"},"modified":"2026-05-14T09:00:47","modified_gmt":"2026-05-14T09:00:47","slug":"dudh-a-internet-livre-e-aberta-esta-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2920525","title":{"rendered":"DUDH: A internet livre e aberta est\u00e1 em risco?"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2025-01-24.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/2025-01-24.png?size=l\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este artigo \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de: <a title=\"Na era digital, a liberdade est\u00e1 em crise?\" href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/na-era-digital-a-liberdade-esta-em-2917923\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Na era digital, a liberdade est\u00e1 em crise?<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. Dia Internacional dos Direitos Humanos: direito ao ambiente e direitos digitais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovou a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos (DUDH) que estabelece um ideal de liberdade e justi\u00e7a a ser alcan\u00e7ado por todos os povos e na\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de legisla\u00e7\u00e3o e costumes\/moralidade: \u201cTodos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos\u201d (Art.\u00ba 1.\u00ba da Declara\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Decorridos 76 anos, ampliaram-se os direitos ou liberdades fundamentais. Passaram a ser considerados, n\u00e3o apenas os direitos civis (e.g. liberdade de express\u00e3o), pol\u00edticos (e.g. ao voto) e sociais (e.g. \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho digno), as 3 primeiras gera\u00e7\u00f5es de direitos, mas tamb\u00e9m o direito ao ambiente e os direitos tecnol\u00f3gicos para o mundo digital que, por esta ordem, formam os direitos de quarta e quinta gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O <strong>direito a um meio ambiente limpo, saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel<\/strong> (ONU, 2021) corresponde a uma mudan\u00e7a de paradigma.\u00a0 Passa-se de um modelo antropoc\u00eantrico para um <strong>modelo global e interdependente de direitos humanos, que valoriza e dignifica todas as esp\u00e9cies e elementos da natureza e estabelece uma \u00e9tica da responsabilidade para com as futuras gera\u00e7\u00f5es, que devem ter os mesmos direitos<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A consagra\u00e7\u00e3o dos direitos digitais resulta da import\u00e2ncia crescente da liberdade de express\u00e3o e privacidade e marca um novo modelo de direitos: <strong>os direitos exercidos na vida real devem poder ser exercidos tamb\u00e9m na internet (cidadania digital)<\/strong>. Abrangem, entre outros direitos, conetividade universal e de qualidade, internet aberta, literacia digital, transpar\u00eancia dos algoritmos e direito ao esquecimento. No espa\u00e7o europeu foram institu\u00eddos, entre outros documentos, pela Declara\u00e7\u00e3o Europeia sobre os direitos e princ\u00edpios digitais para a d\u00e9cada digital (Comiss\u00e3o Europeia, dez. 2022) e pelo Regulamento Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (2018). Em Portugal, pela Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, Lei n\u00ba 27\/2021.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">2. Quais as consequ\u00eancias do capitalismo digital para os direitos digitais?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando a Rede Mundial de Computadores, World Wide Web (WWW), foi criada, em 1989, por Tim Berners-Lee, foi idealizada como um sistema global de informa\u00e7\u00e3o acess\u00edvel a todos, sem restri\u00e7\u00f5es e sem controle excessivo de governos ou empresas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Vint Cerf e Bob Kahn, &#8220;pais da Internet&#8221; que transformaram uma rede militar e acad\u00e9mica limitada (ARPANET) num sistema global e interconectado, tamb\u00e9m defendem uma internet acess\u00edvel e aberta.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A World Wide Web Foundation, criada em 2009 por Berners-Lee, defende uma rede descentralizada, acess\u00edvel, justa (sem discrimina\u00e7\u00e3o), de comunica\u00e7\u00e3o livre (liberdade de express\u00e3o), que garante a privacidade para todos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este ideal est\u00e1 comprometido pelo controlo crescente da internet por grandes corpora\u00e7\u00f5es, baseado num modelo personalizado de internet assente na vigil\u00e2ncia e na press\u00e3o de lucro (capitalismo digital). As consequ\u00eancias s\u00e3o profundas para os direitos digitais, por exemplo:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Direito \u00e0 privacidade<\/strong>: dados pessoais s\u00e3o recolhidos, tratados e vendidos, muitas vezes sem o consentimento dos seus titulares, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de perfis do utilizador que podem ser usados para fins comerciais e manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, como apresentado no document\u00e1rio The Great Hack &#8211; t\u00edtulo portugu\u00eas, Nada \u00e9 Privado: O Esc\u00e2ndalo da Cambridge Analytica;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Liberdade de express\u00e3o<\/strong>: as grandes plataformas controlam os conte\u00fados vis\u00edveis ou suprimidos, muitas vezes atrav\u00e9s de algoritmos pouco transparentes. As regras de modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados n\u00e3o s\u00e3o aplicadas de forma justa, podendo excluir vozes marginalizadas ou favorecer determinados discursos, como apresentado no document\u00e1rio The Cleaners.\u00a0<br \/><strong>Quem controla o que vemos e pensamos?\u00a0<\/strong><br \/><strong>Quais os crit\u00e9rios de elimina\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o (excluir\u2026 ignorar\u2026)?\u00a0<\/strong><br \/><strong>Esta atividade \u00e9 compat\u00edvel com uma democracia?<\/strong><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1 (1).png\" height=\"328\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2025\/Imagem1 (1).png?size=l\" style=\"width: 696px; padding: 10px 10px;\" width=\"696\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Isto, sem falar nas desigualdades no acesso \u00e0 internet devido \u00e0 restri\u00e7\u00e3o de conte\u00fados ou servi\u00e7os.\u00a0<br \/>O capitalismo digital p\u00f5e em risco a vis\u00e3o original de uma rede livre, aberta e inclusiva. Superar estes desafios requer esfor\u00e7os coordenados dos governos, organiza\u00e7\u00f5es e cidad\u00e3os para regular e fiscalizar as pr\u00e1ticas destas corpora\u00e7\u00f5es, promover a literacia digital e promover a justa participa\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As bibliotecas escolares contribuem, dia a dia, nas comunidades, para esta consciencializa\u00e7\u00e3o e para que cada um conhe\u00e7a os seus direitos e saiba como exerc\u00ea-los, sem deixar de cumprir os deveres a que est\u00e1 obrigado, pois os direitos digitais s\u00e3o universais e refor\u00e7am-se quando o maior n\u00famero de pessoas os exerce.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Observa\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/span><br \/>Este artigo resultou de uma comunica\u00e7\u00e3o, junto de alunos de Filosofia e professores, do Agrupamento de Escolas de Bonfim, Portalegre.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li>\ud83d\udcf7 Bloco &amp; Beetz, Christian &amp; Riesewieck, Moritz. (2018). <em>The Cleaners<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1h7-JyQ-JR4\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1h7-JyQ-JR4<\/a>\u00a0<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Noujaim, Jehane &amp; Amer, Karim. (2019). <em>Nada \u00e9 Privado: O Esc\u00e2ndalo da Cambridge Analytica<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/pt\/title\/80117542\">https:\/\/www.netflix.com\/pt\/title\/80117542<\/a>\u00a0<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Pereira da Silva, Jorge. (2024). <em>Direitos Fundamentais para o Universo Digital<\/em>. FFMS. <a href=\"https:\/\/ffms.pt\/pt-pt\/livraria\/direitos-fundamentais-para-o-universo-digital\">https:\/\/ffms.pt\/pt-pt\/livraria\/direitos-fundamentais-para-o-universo-digital<\/a>\u00a0<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de: Na era digital, a liberdade est\u00e1 em crise? 1. Dia Internacional dos Direitos Humanos: direito ao ambiente e direitos digitais A 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovou a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos (DUDH) que estabelece um ideal de liberdade e justi\u00e7a a ser alcan\u00e7ado por todos os povos e na\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de legisla\u00e7\u00e3o e costumes\/moralidade: \u201cTodos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos\u201d (Art.\u00ba 1.\u00ba da Declara\u00e7\u00e3o). Decorridos 76 anos, ampliaram-se os direitos ou liberdades fundamentais. Passaram a ser considerados, n\u00e3o apenas os direitos civis (e.g. liberdade de express\u00e3o), pol\u00edticos (e.g. ao voto) e sociais (e.g. \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho digno), as 3 primeiras gera\u00e7\u00f5es de direitos, mas tamb\u00e9m o direito ao ambiente e os direitos tecnol\u00f3gicos para o mundo digital que, por esta ordem, formam os direitos de quarta e quinta gera\u00e7\u00f5es. O direito a um meio ambiente limpo, saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel (ONU, 2021) corresponde a uma mudan\u00e7a de paradigma.\u00a0 Passa-se de um modelo antropoc\u00eantrico para um modelo global e interdependente de direitos humanos, que valoriza e dignifica todas as esp\u00e9cies e elementos da natureza e estabelece uma \u00e9tica da responsabilidade para com as futuras gera\u00e7\u00f5es, que devem ter os mesmos direitos. A consagra\u00e7\u00e3o dos direitos digitais resulta da import\u00e2ncia crescente da liberdade de express\u00e3o e privacidade e marca um novo modelo de direitos: os direitos exercidos na vida real devem poder ser exercidos tamb\u00e9m na internet (cidadania digital). Abrangem, entre outros direitos, conetividade universal e de qualidade, internet aberta, literacia digital, transpar\u00eancia dos algoritmos e direito ao esquecimento. No espa\u00e7o europeu foram institu\u00eddos, entre outros documentos, pela Declara\u00e7\u00e3o Europeia sobre os direitos e princ\u00edpios digitais para a d\u00e9cada digital (Comiss\u00e3o Europeia, dez. 2022) e pelo Regulamento Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (2018). Em Portugal, pela Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, Lei n\u00ba 27\/2021. 2. Quais as consequ\u00eancias do capitalismo digital para os direitos digitais? 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As consequ\u00eancias s\u00e3o profundas para os direitos digitais, por exemplo: Direito \u00e0 privacidade: dados pessoais s\u00e3o recolhidos, tratados e vendidos, muitas vezes sem o consentimento dos seus titulares, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de perfis do utilizador que podem ser usados para fins comerciais e manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, como apresentado no document\u00e1rio The Great Hack &#8211; t\u00edtulo portugu\u00eas, Nada \u00e9 Privado: O Esc\u00e2ndalo da Cambridge Analytica; Liberdade de express\u00e3o: as grandes plataformas controlam os conte\u00fados vis\u00edveis ou suprimidos, muitas vezes atrav\u00e9s de algoritmos pouco transparentes. As regras de modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados n\u00e3o s\u00e3o aplicadas de forma justa, podendo excluir vozes marginalizadas ou favorecer determinados discursos, como apresentado no document\u00e1rio The Cleaners.\u00a0Quem controla o que vemos e pensamos?\u00a0Quais os crit\u00e9rios de elimina\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o (excluir\u2026 ignorar\u2026)?\u00a0Esta atividade \u00e9 compat\u00edvel com uma democracia? Isto, sem falar nas desigualdades no acesso \u00e0 internet devido \u00e0 restri\u00e7\u00e3o de conte\u00fados ou servi\u00e7os.\u00a0O capitalismo digital p\u00f5e em risco a vis\u00e3o original de uma rede livre, aberta e inclusiva. Superar estes desafios requer esfor\u00e7os coordenados dos governos, organiza\u00e7\u00f5es e cidad\u00e3os para regular e fiscalizar as pr\u00e1ticas destas corpora\u00e7\u00f5es, promover a literacia digital e promover a justa participa\u00e7\u00e3o de todos. 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