{"id":2911971,"date":"2024-12-18T09:00:00","date_gmt":"2024-12-18T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2911971.html"},"modified":"2026-05-14T09:02:05","modified_gmt":"2026-05-14T09:02:05","slug":"as-bibliotecas-sao-espacos-comunitarios-de-confianca-refugios-acolhedores-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2911971","title":{"rendered":"As bibliotecas s\u00e3o espa\u00e7os comunit\u00e1rios de confian\u00e7a, ref\u00fagios acolhedores para todos"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"1_135600.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2024\/1_135600.png?size=l\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>De templos a f\u00f3runs e de livros a pessoas, as bibliotecas est\u00e3o a transformar-se na sala de estar da sociedade. Mas como \u00e9 que as bibliotecas podem garantir que cada indiv\u00edduo da sociedade possa ter um lugar nesta sala de estar comum? Haver\u00e1 alguma forma de o movimento do conhecimento apoiar o movimento das pessoas e o contr\u00e1rio? Como podem as bibliotecas servir um mundo em desloca\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca em que se vive a maior crise global de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial &#8211; o n\u00famero de refugiados duplicou desde 2016, de acordo com o F\u00f3rum Global dos Refugiados 2023, a amea\u00e7a de fome que 343 milh\u00f5es de pessoas enfrentam em 74 pa\u00edses do mundo, numerosos conflitos armados ativos, a pobreza, a crise clim\u00e1tica &#8211; as bibliotecas tornaram-se, mais do que nunca, um abrigo para o corpo, a mente e a alma quando as pessoas tomam decis\u00f5es dif\u00edceis, escolhidas ou for\u00e7adas, para sobreviver. As pessoas deslocadas est\u00e3o espalhadas por todo o mundo \u00e0 procura do local mais seguro para se instalarem com as suas fam\u00edlias e, quando se mudam para um novo pa\u00eds, enfrentam desafios jur\u00eddicos, culturais, educativos e econ\u00f3micos, necessitando de informa\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e apoio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As <em>Diretrizes da IFLA para bibliotecas que apoiam pessoas deslocadas: Refugiados, Migrantes, Imigrantes, Requerentes de Asilo<\/em> [1], atualiza\u00e7\u00e3o do documento de 2017 publicada no passado dia 16, s\u00e3o mais do que nunca necess\u00e1rias como um documento orientador para bibliotecas que desejam apoiar comunidades deslocadas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Estas orienta\u00e7\u00f5es <strong>expandem o papel tradicional das bibliotecas<\/strong>, incentivando bibliotec\u00e1rios, gestores e educadores a atuarem como facilitadores de integra\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o. A<strong>dapt\u00e1veis a contextos locais e internacionais<\/strong>, as recomenda\u00e7\u00f5es mostram que <strong>as bibliotecas desempenham um papel fundamental para que estes novos membros da comunidade se sintam bem-vindos e tenham sucesso<\/strong> nos seus esfor\u00e7os para se desenvolverem, curarem os seus traumas e seguirem em frente, salientando que cada biblioteca deve avaliar as suas pr\u00f3prias necessidades e capacidades para melhor apoiar as popula\u00e7\u00f5es deslocadas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No contexto global atual, as bibliotecas desempenham um papel crucial como <strong>espa\u00e7os seguros e inclusivos<\/strong>: oferecem apoio \u00e0s pessoas deslocadas, que muitas vezes enfrentam traumas e vulnerabilidades complexas, promovendo a sua integra\u00e7\u00e3o nas comunidades de acolhimento. Facilitam, ainda, a aprendizagem m\u00fatua entre deslocados e as comunidades locais, fortalecendo o respeito pela diversidade cultural, lingu\u00edstica e social, e contribuindo para a coes\u00e3o social e conviv\u00eancia pac\u00edfica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As bibliotecas assumem igualmente uma fun\u00e7\u00e3o crucial na <strong>defesa dos direitos humanos<\/strong> ao proporcionarem acesso universal \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Isto inclui recursos sobre educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, emprego e procedimentos legais, respeitando os princ\u00edpios de igualdade e n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o. O direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, consagrado em tratados internacionais como a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, \u00e9 essencial para empoderar as pessoas deslocadas, permitindo-lhes reconstruir as suas vidas de forma digna e participativa, especialmente num mundo marcado pela desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Finalmente, as bibliotecas funcionam como <strong>espa\u00e7os culturais essenciais<\/strong>, onde as pessoas deslocadas podem expressar livremente as suas culturas, l\u00ednguas e identidades. Este apoio ajuda n\u00e3o apenas na recupera\u00e7\u00e3o emocional e integra\u00e7\u00e3o das comunidades deslocadas, mas tamb\u00e9m na preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria cultural e na valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade. Ao promoverem o acesso \u00e0s artes, \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 cultura, <strong>as bibliotecas refor\u00e7am o bem-estar e a identidade cultural de cada indiv\u00edduo<\/strong>, desempenhando um papel vital na constru\u00e7\u00e3o de <strong>sociedades mais inclusivas e resilientes<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este documento, cuja consulta sugerimos, aponta caminhos para as bibliotecas em diferentes \u00e1reas:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. Servi\u00e7os e Programas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>As bibliotecas desempenham um papel fundamental no fornecimento de <strong>servi\u00e7os pr\u00e1ticos para pessoas deslocadas<\/strong>. Esta sec\u00e7\u00e3o sugere diversas abordagens e atividades:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Linguagem:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba <\/span>Desenvolver planos de acesso lingu\u00edstico para oferecer suporte em v\u00e1rias l\u00ednguas.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Criar uma cole\u00e7\u00e3o multilingue, com livros f\u00edsicos e digitais nas l\u00ednguas de origem e do pa\u00eds anfitri\u00e3o.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Oferecer cursos de idiomas, incluindo tutoria individual e clubes de conversa\u00e7\u00e3o.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Utilizar ferramentas visuais, como pictogramas e folhetos f\u00e1ceis de ler, para superar barreiras lingu\u00edsticas.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Estabelecer grupos de interc\u00e2mbio lingu\u00edstico para que deslocados pratiquem o idioma local.<span style=\"font-size: 14pt;\">\n<p><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Informa\u00e7\u00e3o:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Disponibilizar recursos b\u00e1sicos sobre direitos humanos, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, emprego e integra\u00e7\u00e3o.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Criar pacotes de informa\u00e7\u00e3o com guias \u00fateis traduzidos.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Desenvolver programas espec\u00edficos, como ajuda na busca de emprego ou servi\u00e7os legais em colabora\u00e7\u00e3o com associa\u00e7\u00f5es.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Eventos:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Celebrar datas importantes, como o Dia Mundial dos Refugiados e a Semana dos Refugiados.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Organizar festivais culturais, exposi\u00e7\u00f5es de arte, sess\u00f5es de cinema e eventos de hora do conto.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Promover clubes de leitura multilingues e atividades de artesanato para incentivar a integra\u00e7\u00e3o.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Tecnologia:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Oferecer acesso gratuito \u00e0 internet e a dispositivos eletr\u00f3nicos.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Facilitar o preenchimento de formul\u00e1rios online, cria\u00e7\u00e3o de contas de email e uso de servi\u00e7os digitais.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Fornecer not\u00edcias e recursos digitais tanto do pa\u00eds de acolhimento quanto dos pa\u00edses de origem.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>2. Pol\u00edticas das bibliotecas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta sec\u00e7\u00e3o incentiva a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas claras que garantam o respeito pela dignidade e inclus\u00e3o de todas as pessoas:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Pol\u00edtica de Respeito e Dignidade:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Promover um ambiente acolhedor e seguro para todos os utilizadores, independentemente do seu estatuto migrat\u00f3rio.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Adotar uma pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero contra estere\u00f3tipos e atitudes negativas.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Pol\u00edtica de Privacidade:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Proteger a privacidade dos utilizadores, garantindo que informa\u00e7\u00f5es pessoais n\u00e3o sejam partilhadas.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Equidade no Acesso:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Garantir que todos tenham acesso aos servi\u00e7os da biblioteca, mesmo que n\u00e3o possuam documentos de identidade.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba<\/span> Criar cart\u00f5es tempor\u00e1rios para deslocados que ainda n\u00e3o t\u00eam documenta\u00e7\u00e3o oficial.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Comunica\u00e7\u00e3o Inclusiva:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Usar linguagem positiva para comunicar regras e servi\u00e7os.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Desenvolver materiais visuais (pictogramas) e folhetos traduzidos em v\u00e1rias l\u00ednguas.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>3. Forma\u00e7\u00e3o de pessoal<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do pessoal \u00e9 essencial para garantir servi\u00e7os eficazes e culturalmente sens\u00edveis:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>T\u00f3picos de forma\u00e7\u00e3o:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Sensibilidade cultural e comunica\u00e7\u00e3o intercultural.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Gest\u00e3o de preconceitos e treino sobre neutralidade e inclus\u00e3o.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Privacidade e seguran\u00e7a de dados.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Forma\u00e7\u00e3o em primeiros socorros psicol\u00f3gicos para lidar com traumas e situa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Prepara\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Avaliar as necessidades do pessoal atrav\u00e9s de question\u00e1rios.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Trabalhar com organiza\u00e7\u00f5es locais e especialistas para oferecer forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Incluir pessoas deslocadas nas forma\u00e7\u00f5es, permitindo que compartilhem as suas experi\u00eancias.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Acompanhamento p\u00f3s-forma\u00e7\u00e3o<\/strong>:<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Realizar avalia\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas e f\u00f3runs para feedback.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Criar equipas dedicadas \u00e0 melhoria constante dos servi\u00e7os.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>4. Parcerias e avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>As bibliotecas n\u00e3o trabalham sozinhas. A constru\u00e7\u00e3o de parcerias \u00e9 crucial para maximizar o impacto:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Parcerias:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Colaborar com ONGs humanit\u00e1rias, associa\u00e7\u00f5es de refugiados e institui\u00e7\u00f5es governamentais.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Criar parcerias com escolas, universidades e institui\u00e7\u00f5es GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus).<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Trabalhar com associa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para fornecer servi\u00e7os legais gratuitos.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Avalia\u00e7\u00e3o de necessidades:<\/strong><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Realizar pesquisas para compreender melhor a popula\u00e7\u00e3o deslocada local (idade, origem, l\u00ednguas faladas).<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Consultar diretamente as pessoas deslocadas atrav\u00e9s de grupos de foco e entrevistas.\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Avalia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os<\/strong>:<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Medir o impacto atrav\u00e9s de formul\u00e1rios an\u00f3nimos e hist\u00f3rias pessoais.<br \/><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0<\/span>Documentar o uso dos servi\u00e7os e partilhar resultados com parceiros e autoridades.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>5. Desafios e solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O documento identifica desafios comuns enfrentados pelas bibliotecas e prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Falta de Financiamento: <\/strong>Buscar parcerias, financiamento de institui\u00e7\u00f5es e doa\u00e7\u00f5es da comunidade local.<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Xenofobia: <\/strong>Promover programas educativos e eventos que incentivem a compreens\u00e3o cultural e combatam discursos de \u00f3dio.<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Quest\u00f5es Pol\u00edticas Complexas: <\/strong>Atuar com neutralidade, respeitando as leis locais, enquanto apoia os direitos dos deslocados.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff; background-color: #ff0000;\"><strong>E as bibliotecas escolares?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Com base nestas diretrizes da IFLA, apresentamos <strong>10 sugest\u00f5es pr\u00e1ticas<\/strong> para as bibliotecas escolares acolherem alunos migrantes:<br \/><strong>1. Desenvolver uma cole\u00e7\u00e3o multilingue<\/strong><br \/>Adquirir livros e recursos educativos nas l\u00ednguas de origem dos alunos migrantes, incluindo livros infantis, dicion\u00e1rios, materiais de apoio ao ensino de l\u00ednguas e hist\u00f3rias culturais. Isto ajuda os alunos a manterem a sua identidade cultural ao mesmo tempo que aprendem o portugu\u00eas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2. Criar espa\u00e7os de aprendizagem da l\u00edngua<\/strong><br \/>Organizar clubes de leitura ou grupos de conversa\u00e7\u00e3o onde os alunos migrantes possam praticar o portugu\u00eas num ambiente acolhedor e informal. Disponibilizar materiais como guias visuais, jogos educativos e livros \u201cf\u00e1ceis de ler\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>3. Produzir materiais de comunica\u00e7\u00e3o inclusivos<\/strong><br \/>Desenvolver folhetos informativos da biblioteca com pictogramas, s\u00edmbolos e texto traduzido para as l\u00ednguas faladas pelos alunos migrantes. Utilizar sinaliza\u00e7\u00e3o visual dentro da biblioteca para tornar o espa\u00e7o mais acess\u00edvel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>4. Promover eventos culturais e celebra\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>Organizar eventos culturais que celebrem as tradi\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses de origem dos alunos migrantes, como festivais de contos, apresenta\u00e7\u00f5es de m\u00fasica ou exposi\u00e7\u00f5es de arte. Estas iniciativas valorizam a diversidade cultural e fortalecem o sentido de perten\u00e7a.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>5. Criar um programa de mentoria<\/strong><br \/>Envolver alunos locais ou mais experientes para atuarem como mentores dos novos alunos migrantes. Estes pares podem ajudar na integra\u00e7\u00e3o, apresentando os recursos da biblioteca e incentivando a participa\u00e7\u00e3o em atividades.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>6. Disponibilizar acesso a recursos digitais<\/strong><br \/>Proporcionar acesso a computadores, internet e ferramentas de tradu\u00e7\u00e3o online. Criar uma sec\u00e7\u00e3o digital com liga\u00e7\u00f5es \u00fateis no canal da biblioteca, incluindo conte\u00fados educativos, recursos lingu\u00edsticos e not\u00edcias dos pa\u00edses de origem dos alunos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>7. Realizar sess\u00f5es de contos multilingues<\/strong><br \/>Promover sess\u00f5es de hist\u00f3rias multilingues onde os alunos possam ouvir contos nas suas l\u00ednguas de origem e na l\u00edngua local. Estas atividades permitem uma troca cultural e facilitam a aprendizagem do novo idioma.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>8. Trabalhar em parceria com a comunidade educativa<\/strong><br \/>Colaborar com os professores para identificar as necessidades dos alunos migrantes e disponibilizar recursos espec\u00edficos, como livros de apoio ao curr\u00edculo e atividades para refor\u00e7o de aprendizagens. Parcerias com pais e associa\u00e7\u00f5es locais podem tamb\u00e9m ser \u00fateis.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>9. Incentivar o acesso \u00e0 biblioteca<\/strong><br \/>Oferecer visitas guiadas \u00e0 biblioteca com interpreta\u00e7\u00e3o nas l\u00ednguas de origem, explicando os servi\u00e7os dispon\u00edveis e como utiliz\u00e1-los.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>10. Promover atividades criativas inclusivas<\/strong><br \/>Organizar oficinas de arte, jogos educativos, clubes de escrita e outras atividades onde os alunos possam expressar-se livremente. Estas atividades ajudam na socializa\u00e7\u00e3o, reduzem o stress da adapta\u00e7\u00e3o e incentivam a partilha das suas culturas e hist\u00f3rias pessoais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As bibliotecas escolares <strong>desenvolvem, j\u00e1 h\u00e1 bastante tempo, estas e outras ideias.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>S\u00e3o espa\u00e7os acolhedores, inclusivos e facilitadores da integra\u00e7\u00e3o dos alunos migrantes, promovendo o respeito e valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade cultural e lingu\u00edstica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A Rede de Bibliotecas Escolares disponibiliza o recurso de apoio <a href=\"https:\/\/rbe.mec.pt\/np4\/A-de-Acolher.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A de Acolher<\/a>, que se encontra em atualiza\u00e7\u00e3o, com contributos recolhidos <strong>a partir da pr\u00e1tica di\u00e1ria das bibliotecas escolares<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>[1] IFLA. (2024). <em>Diretrizes da IFLA para bibliotecas que apoiam pessoas deslocadas: refugiados | migrantes | imigrantes | requerentes de asilo<\/em>. <a href=\"https:\/\/repository.ifla.org\/items\/7ce3fe3e-ce77-4dcb-9912-2e7d2dfcaab5\">https:\/\/repository.ifla.org\/items\/7ce3fe3e-ce77-4dcb-9912-2e7d2dfcaab5<\/a>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De templos a f\u00f3runs e de livros a pessoas, as bibliotecas est\u00e3o a transformar-se na sala de estar da sociedade. Mas como \u00e9 que as bibliotecas podem garantir que cada indiv\u00edduo da sociedade possa ter um lugar nesta sala de estar comum? Haver\u00e1 alguma forma de o movimento do conhecimento apoiar o movimento das pessoas e o contr\u00e1rio? Como podem as bibliotecas servir um mundo em desloca\u00e7\u00e3o? Nesta \u00e9poca em que se vive a maior crise global de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial &#8211; o n\u00famero de refugiados duplicou desde 2016, de acordo com o F\u00f3rum Global dos Refugiados 2023, a amea\u00e7a de fome que 343 milh\u00f5es de pessoas enfrentam em 74 pa\u00edses do mundo, numerosos conflitos armados ativos, a pobreza, a crise clim\u00e1tica &#8211; as bibliotecas tornaram-se, mais do que nunca, um abrigo para o corpo, a mente e a alma quando as pessoas tomam decis\u00f5es dif\u00edceis, escolhidas ou for\u00e7adas, para sobreviver. As pessoas deslocadas est\u00e3o espalhadas por todo o mundo \u00e0 procura do local mais seguro para se instalarem com as suas fam\u00edlias e, quando se mudam para um novo pa\u00eds, enfrentam desafios jur\u00eddicos, culturais, educativos e econ\u00f3micos, necessitando de informa\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e apoio. As Diretrizes da IFLA para bibliotecas que apoiam pessoas deslocadas: Refugiados, Migrantes, Imigrantes, Requerentes de Asilo [1], atualiza\u00e7\u00e3o do documento de 2017 publicada no passado dia 16, s\u00e3o mais do que nunca necess\u00e1rias como um documento orientador para bibliotecas que desejam apoiar comunidades deslocadas. Estas orienta\u00e7\u00f5es expandem o papel tradicional das bibliotecas, incentivando bibliotec\u00e1rios, gestores e educadores a atuarem como facilitadores de integra\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o. Adapt\u00e1veis a contextos locais e internacionais, as recomenda\u00e7\u00f5es mostram que as bibliotecas desempenham um papel fundamental para que estes novos membros da comunidade se sintam bem-vindos e tenham sucesso nos seus esfor\u00e7os para se desenvolverem, curarem os seus traumas e seguirem em frente, salientando que cada biblioteca deve avaliar as suas pr\u00f3prias necessidades e capacidades para melhor apoiar as popula\u00e7\u00f5es deslocadas. No contexto global atual, as bibliotecas desempenham um papel crucial como espa\u00e7os seguros e inclusivos: oferecem apoio \u00e0s pessoas deslocadas, que muitas vezes enfrentam traumas e vulnerabilidades complexas, promovendo a sua integra\u00e7\u00e3o nas comunidades de acolhimento. Facilitam, ainda, a aprendizagem m\u00fatua entre deslocados e as comunidades locais, fortalecendo o respeito pela diversidade cultural, lingu\u00edstica e social, e contribuindo para a coes\u00e3o social e conviv\u00eancia pac\u00edfica. As bibliotecas assumem igualmente uma fun\u00e7\u00e3o crucial na defesa dos direitos humanos ao proporcionarem acesso universal \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Isto inclui recursos sobre educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, emprego e procedimentos legais, respeitando os princ\u00edpios de igualdade e n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o. O direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, consagrado em tratados internacionais como a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, \u00e9 essencial para empoderar as pessoas deslocadas, permitindo-lhes reconstruir as suas vidas de forma digna e participativa, especialmente num mundo marcado pela desinforma\u00e7\u00e3o. Finalmente, as bibliotecas funcionam como espa\u00e7os culturais essenciais, onde as pessoas deslocadas podem expressar livremente as suas culturas, l\u00ednguas e identidades. Este apoio ajuda n\u00e3o apenas na recupera\u00e7\u00e3o emocional e integra\u00e7\u00e3o das comunidades deslocadas, mas tamb\u00e9m na preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria cultural e na valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade. Ao promoverem o acesso \u00e0s artes, \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 cultura, as bibliotecas refor\u00e7am o bem-estar e a identidade cultural de cada indiv\u00edduo, desempenhando um papel vital na constru\u00e7\u00e3o de sociedades mais inclusivas e resilientes. Este documento, cuja consulta sugerimos, aponta caminhos para as bibliotecas em diferentes \u00e1reas: 1. Servi\u00e7os e Programas As bibliotecas desempenham um papel fundamental no fornecimento de servi\u00e7os pr\u00e1ticos para pessoas deslocadas. Esta sec\u00e7\u00e3o sugere diversas abordagens e atividades: Linguagem:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Desenvolver planos de acesso lingu\u00edstico para oferecer suporte em v\u00e1rias l\u00ednguas.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Criar uma cole\u00e7\u00e3o multilingue, com livros f\u00edsicos e digitais nas l\u00ednguas de origem e do pa\u00eds anfitri\u00e3o.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Oferecer cursos de idiomas, incluindo tutoria individual e clubes de conversa\u00e7\u00e3o.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Utilizar ferramentas visuais, como pictogramas e folhetos f\u00e1ceis de ler, para superar barreiras lingu\u00edsticas.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Estabelecer grupos de interc\u00e2mbio lingu\u00edstico para que deslocados pratiquem o idioma local. Informa\u00e7\u00e3o:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Disponibilizar recursos b\u00e1sicos sobre direitos humanos, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, emprego e integra\u00e7\u00e3o.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Criar pacotes de informa\u00e7\u00e3o com guias \u00fateis traduzidos.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Desenvolver programas espec\u00edficos, como ajuda na busca de emprego ou servi\u00e7os legais em colabora\u00e7\u00e3o com associa\u00e7\u00f5es. Eventos:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Celebrar datas importantes, como o Dia Mundial dos Refugiados e a Semana dos Refugiados.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Organizar festivais culturais, exposi\u00e7\u00f5es de arte, sess\u00f5es de cinema e eventos de hora do conto.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Promover clubes de leitura multilingues e atividades de artesanato para incentivar a integra\u00e7\u00e3o. Tecnologia:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Oferecer acesso gratuito \u00e0 internet e a dispositivos eletr\u00f3nicos.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Facilitar o preenchimento de formul\u00e1rios online, cria\u00e7\u00e3o de contas de email e uso de servi\u00e7os digitais.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Fornecer not\u00edcias e recursos digitais tanto do pa\u00eds de acolhimento quanto dos pa\u00edses de origem. 2. Pol\u00edticas das bibliotecas Esta sec\u00e7\u00e3o incentiva a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas claras que garantam o respeito pela dignidade e inclus\u00e3o de todas as pessoas: Pol\u00edtica de Respeito e Dignidade:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Promover um ambiente acolhedor e seguro para todos os utilizadores, independentemente do seu estatuto migrat\u00f3rio.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Adotar uma pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero contra estere\u00f3tipos e atitudes negativas. Pol\u00edtica de Privacidade:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Proteger a privacidade dos utilizadores, garantindo que informa\u00e7\u00f5es pessoais n\u00e3o sejam partilhadas. Equidade no Acesso:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Garantir que todos tenham acesso aos servi\u00e7os da biblioteca, mesmo que n\u00e3o possuam documentos de identidade.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba Criar cart\u00f5es tempor\u00e1rios para deslocados que ainda n\u00e3o t\u00eam documenta\u00e7\u00e3o oficial. Comunica\u00e7\u00e3o Inclusiva:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Usar linguagem positiva para comunicar regras e servi\u00e7os.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Desenvolver materiais visuais (pictogramas) e folhetos traduzidos em v\u00e1rias l\u00ednguas. 3. Forma\u00e7\u00e3o de pessoal A forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do pessoal \u00e9 essencial para garantir servi\u00e7os eficazes e culturalmente sens\u00edveis: T\u00f3picos de forma\u00e7\u00e3o:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Sensibilidade cultural e comunica\u00e7\u00e3o intercultural.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Gest\u00e3o de preconceitos e treino sobre neutralidade e inclus\u00e3o.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Privacidade e seguran\u00e7a de dados.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Forma\u00e7\u00e3o em primeiros socorros psicol\u00f3gicos para lidar com traumas e situa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis. Prepara\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Avaliar as necessidades do pessoal atrav\u00e9s de question\u00e1rios.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Trabalhar com organiza\u00e7\u00f5es locais e especialistas para oferecer forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Incluir pessoas deslocadas nas forma\u00e7\u00f5es, permitindo que compartilhem as suas experi\u00eancias. Acompanhamento p\u00f3s-forma\u00e7\u00e3o:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Realizar avalia\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas e f\u00f3runs para feedback.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Criar equipas dedicadas \u00e0 melhoria constante dos servi\u00e7os. 4. Parcerias e avalia\u00e7\u00e3o As bibliotecas n\u00e3o trabalham sozinhas. A constru\u00e7\u00e3o de parcerias \u00e9 crucial para maximizar o impacto: Parcerias:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Colaborar com ONGs humanit\u00e1rias, associa\u00e7\u00f5es de refugiados e institui\u00e7\u00f5es governamentais.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Criar parcerias com escolas, universidades e institui\u00e7\u00f5es GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus).\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Trabalhar com associa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para fornecer servi\u00e7os legais gratuitos. Avalia\u00e7\u00e3o de necessidades:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Realizar pesquisas para compreender melhor a popula\u00e7\u00e3o deslocada local (idade, origem, l\u00ednguas faladas).\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Consultar diretamente as pessoas deslocadas atrav\u00e9s de grupos de foco e entrevistas. Avalia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Medir o impacto atrav\u00e9s de formul\u00e1rios an\u00f3nimos e hist\u00f3rias pessoais.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00ba\u00a0Documentar o uso dos servi\u00e7os e partilhar resultados com parceiros e autoridades. 5. Desafios e solu\u00e7\u00f5es O documento identifica desafios comuns enfrentados pelas bibliotecas e prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es: Falta de Financiamento: Buscar parcerias, financiamento de institui\u00e7\u00f5es e doa\u00e7\u00f5es da comunidade local. Xenofobia: Promover programas educativos e eventos que incentivem a compreens\u00e3o cultural e combatam discursos de \u00f3dio. Quest\u00f5es Pol\u00edticas Complexas: Atuar com neutralidade, respeitando as leis locais, enquanto apoia os direitos dos deslocados. E as bibliotecas escolares? Com base nestas diretrizes da IFLA, apresentamos 10 sugest\u00f5es pr\u00e1ticas para as bibliotecas escolares acolherem alunos migrantes:1. Desenvolver uma cole\u00e7\u00e3o multilingueAdquirir livros e recursos educativos nas l\u00ednguas de origem dos alunos migrantes, incluindo livros infantis, dicion\u00e1rios, materiais de apoio ao ensino de l\u00ednguas e hist\u00f3rias culturais. Isto ajuda os alunos a manterem a sua identidade cultural ao mesmo tempo que aprendem o portugu\u00eas. 2. Criar espa\u00e7os de aprendizagem da l\u00ednguaOrganizar clubes de leitura ou grupos de conversa\u00e7\u00e3o onde os alunos migrantes possam praticar o portugu\u00eas num ambiente acolhedor e informal. Disponibilizar materiais como guias visuais, jogos educativos e livros \u201cf\u00e1ceis de ler\u201d. 3. Produzir materiais de comunica\u00e7\u00e3o inclusivosDesenvolver folhetos informativos da biblioteca com pictogramas, s\u00edmbolos e texto traduzido para as l\u00ednguas faladas pelos alunos migrantes. Utilizar sinaliza\u00e7\u00e3o visual dentro da biblioteca para tornar o espa\u00e7o mais acess\u00edvel. 4. Promover eventos culturais e celebra\u00e7\u00f5esOrganizar eventos culturais que celebrem as tradi\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses de origem dos alunos migrantes, como festivais de contos, apresenta\u00e7\u00f5es de m\u00fasica ou exposi\u00e7\u00f5es de arte. Estas iniciativas valorizam a diversidade cultural e fortalecem o sentido de perten\u00e7a. 5. Criar um programa de mentoriaEnvolver alunos locais ou mais experientes para atuarem como mentores dos novos alunos migrantes. Estes pares podem ajudar na integra\u00e7\u00e3o, apresentando os recursos da biblioteca e incentivando a participa\u00e7\u00e3o em atividades. 6. Disponibilizar acesso a recursos digitaisProporcionar acesso a computadores, internet e ferramentas de tradu\u00e7\u00e3o online. Criar uma sec\u00e7\u00e3o digital com liga\u00e7\u00f5es \u00fateis no canal da biblioteca, incluindo conte\u00fados educativos, recursos lingu\u00edsticos e not\u00edcias dos pa\u00edses de origem dos alunos. 7. Realizar sess\u00f5es de contos multilinguesPromover sess\u00f5es de hist\u00f3rias multilingues onde os alunos possam ouvir contos nas suas l\u00ednguas de origem e na l\u00edngua local. Estas atividades permitem uma troca cultural e facilitam a aprendizagem do novo idioma. 8. Trabalhar em parceria com a comunidade educativaColaborar com os professores para identificar as necessidades dos alunos migrantes e disponibilizar recursos espec\u00edficos, como livros de apoio ao curr\u00edculo e atividades para refor\u00e7o de aprendizagens. Parcerias com pais e associa\u00e7\u00f5es locais podem tamb\u00e9m ser \u00fateis. 9. Incentivar o acesso \u00e0 bibliotecaOferecer visitas guiadas \u00e0 biblioteca com interpreta\u00e7\u00e3o nas l\u00ednguas de origem, explicando os servi\u00e7os dispon\u00edveis e como utiliz\u00e1-los. 10. Promover atividades criativas inclusivasOrganizar oficinas de arte, jogos educativos, clubes de escrita e outras atividades onde os alunos possam expressar-se livremente. Estas atividades ajudam na socializa\u00e7\u00e3o, reduzem o stress da adapta\u00e7\u00e3o e incentivam a partilha das suas culturas e hist\u00f3rias pessoais. As bibliotecas escolares desenvolvem, j\u00e1 h\u00e1 bastante tempo, estas e outras ideias. S\u00e3o espa\u00e7os acolhedores, inclusivos e facilitadores da integra\u00e7\u00e3o dos alunos migrantes, promovendo o respeito e valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade cultural e lingu\u00edstica. A Rede de Bibliotecas Escolares disponibiliza o recurso de apoio A de Acolher, que se encontra em atualiza\u00e7\u00e3o, com contributos recolhidos a partir da pr\u00e1tica di\u00e1ria das bibliotecas escolares. [1] IFLA. (2024). Diretrizes da IFLA para bibliotecas que apoiam pessoas deslocadas: refugiados | migrantes | imigrantes | requerentes de asilo. https:\/\/repository.ifla.org\/items\/7ce3fe3e-ce77-4dcb-9912-2e7d2dfcaab5\u00a0 \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,87],"tags":[],"class_list":["post-2911971","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidadania","category-ifla"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2911971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2911971"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2911971\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085520,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2911971\/revisions\/3085520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2911971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2911971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2911971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}