{"id":2896689,"date":"2024-11-12T09:00:00","date_gmt":"2024-11-12T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2896689.html"},"modified":"2026-05-14T09:03:42","modified_gmt":"2026-05-14T09:03:42","slug":"bibliotecas-escolares-onde-nasce-a-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2896689","title":{"rendered":"Bibliotecas escolares: onde nasce a paix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"1 (4).jpg\" height=\"480\" src=\"https:\/\/blogs.sl.pt\/cloud\/thumb\/1a44a2c597da688a0ed21ef60e7bdccc\/bibliotecasescolares\/2024\/1 (4).jpg?size=l\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Cresci rodeado por livros. O meu pai, um homem dedicado \u00e0 sua vasta cole\u00e7\u00e3o, construiu uma biblioteca respeit\u00e1vel com cerca de 10 mil exemplares. Contudo, essa cole\u00e7\u00e3o impressionante n\u00e3o existia para despertar o gosto pelos livros nos outros. Era um espa\u00e7o muito pessoal, uma manifesta\u00e7\u00e3o do seu amor pela leitura, mas n\u00e3o foi criada com o objetivo de encantar ou formar novos leitores.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Enquanto crian\u00e7a e jovem, essa vastid\u00e3o de livros \u00e0 minha volta n\u00e3o me levou a mergulhar no mundo da leitura. O simples facto de estar rodeado de hist\u00f3rias n\u00e3o foi suficiente para me despertar a paix\u00e3o pelos livros. Na verdade, a enormidade daquela biblioteca, somada \u00e0 aus\u00eancia de uma orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que me motivasse a explorar aqueles volumes, talvez tenha at\u00e9 contribu\u00eddo para o meu distanciamento inicial dos livros.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Foi mais tarde que compreendi o verdadeiro poder da leitura e onde realmente reside a magia de uma biblioteca: n\u00e3o no n\u00famero de livros, mas na forma como eles s\u00e3o apresentados, partilhados e promovidos. \u00c9 aqui que as bibliotecas escolares desempenham um papel fundamental. Elas tamb\u00e9m existem para cultivar o gosto pela leitura, para abrir as portas a novos leitores e, acima de tudo, para transformar essa experi\u00eancia em algo envolvente, acess\u00edvel e emocionante.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os professores bibliotec\u00e1rios, juntamente com os professores, desempenham um papel crucial nesta miss\u00e3o. Eles n\u00e3o apenas compartilham a sua paix\u00e3o pelos livros, como o fazem de uma forma pedag\u00f3gica, usando estrat\u00e9gias e formas que cativam os alunos e os incentivam a descobrir o prazer da leitura. S\u00e3o os professores que fazem a ponte entre o livro e o leitor, que envolvem, que emocionam e que, acima de tudo, inspiram.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da biblioteca do meu pai, as bibliotecas escolares s\u00e3o lugares onde os livros ganham vida, onde as hist\u00f3rias saltam das p\u00e1ginas para o cora\u00e7\u00e3o e para a mente dos alunos. \u00c9 um local privilegiado para despertar a verdadeira paix\u00e3o pela leitura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Hoje, sou um defensor incondicional das Bibliotecas Escolares, especialmente numa era em que as nossas crian\u00e7as, jovens e at\u00e9 adultos est\u00e3o presos a ecr\u00e3s. Jonathan Haidt, no seu livro <em>A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa<\/em>, sublinha que o tempo excessivo nas redes sociais e no entretenimento digital est\u00e1 a contribuir para o aumento dos n\u00edveis de ansiedade e solid\u00e3o, resultando numa gera\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel emocionalmente e menos resiliente. Ele descreve este fen\u00f3meno como uma forma de &#8216;sequestro mental&#8217;, onde as intera\u00e7\u00f5es digitais superficiais nos privam da capacidade de sermos emp\u00e1ticos, de sonhar, de refletir e, acima de tudo, de nos conectarmos com a nossa pr\u00f3pria humanidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Da mesma forma, Michel Desmurget, em <em>Ponham-nos a Ler<\/em>, argumenta que a leitura \u00e9 uma ferramenta fundamental para contrariar os efeitos negativos da cultura digital. Ele destaca que a leitura n\u00e3o s\u00f3 nos devolve a nossa humanidade, como tamb\u00e9m nos oferece um ref\u00fagio deste ritmo fren\u00e9tico e fragmentado da vida moderna. Ao lermos, vivemos outras vidas, exploramos diferentes formas de estar e de pensar. Desmurget defende que o ato de virar uma p\u00e1gina n\u00e3o apenas alimenta a imagina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m expande a nossa vis\u00e3o do mundo e aumenta a nossa capacidade de empatia. A leitura permite-nos sonhar e, atrav\u00e9s dos sonhos, imaginar e construir um futuro mais justo, mais criativo e, sem d\u00favida, mais humano.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">As bibliotecas escolares s\u00e3o, sem d\u00favida, um espa\u00e7o onde estes mundos podem ser revelados aos nossos alunos. E \u00e9 por isso que acredito firmemente na import\u00e2ncia das bibliotecas escolares e no trabalho incans\u00e1vel dos professores bibliotec\u00e1rios, que, atrav\u00e9s da sua paix\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o, fornecem aquilo que uma cole\u00e7\u00e3o imensa de livros, por si s\u00f3, nunca conseguir\u00e1. Tal como a &#8220;Passarola&#8221; do romance <em>Memorial do Convento<\/em> de Jos\u00e9 Saramago, que levanta voo carregada de esperan\u00e7as e sonhos, as bibliotecas escolares podem e devem erguer as mentes das nossas crian\u00e7as e jovens. Que elas possam voar, imaginar, e acreditar num futuro diferente, melhor e mais humano.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Pedro Liberto Ferreira<\/span><br \/><span style=\"font-size: 12pt;\">Diretor da Escola Secund\u00e1ria Jos\u00e9 Saramago, Mafra<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresci rodeado por livros. O meu pai, um homem dedicado \u00e0 sua vasta cole\u00e7\u00e3o, construiu uma biblioteca respeit\u00e1vel com cerca de 10 mil exemplares. Contudo, essa cole\u00e7\u00e3o impressionante n\u00e3o existia para despertar o gosto pelos livros nos outros. Era um espa\u00e7o muito pessoal, uma manifesta\u00e7\u00e3o do seu amor pela leitura, mas n\u00e3o foi criada com o objetivo de encantar ou formar novos leitores. Enquanto crian\u00e7a e jovem, essa vastid\u00e3o de livros \u00e0 minha volta n\u00e3o me levou a mergulhar no mundo da leitura. O simples facto de estar rodeado de hist\u00f3rias n\u00e3o foi suficiente para me despertar a paix\u00e3o pelos livros. Na verdade, a enormidade daquela biblioteca, somada \u00e0 aus\u00eancia de uma orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que me motivasse a explorar aqueles volumes, talvez tenha at\u00e9 contribu\u00eddo para o meu distanciamento inicial dos livros. Foi mais tarde que compreendi o verdadeiro poder da leitura e onde realmente reside a magia de uma biblioteca: n\u00e3o no n\u00famero de livros, mas na forma como eles s\u00e3o apresentados, partilhados e promovidos. \u00c9 aqui que as bibliotecas escolares desempenham um papel fundamental. Elas tamb\u00e9m existem para cultivar o gosto pela leitura, para abrir as portas a novos leitores e, acima de tudo, para transformar essa experi\u00eancia em algo envolvente, acess\u00edvel e emocionante. Os professores bibliotec\u00e1rios, juntamente com os professores, desempenham um papel crucial nesta miss\u00e3o. Eles n\u00e3o apenas compartilham a sua paix\u00e3o pelos livros, como o fazem de uma forma pedag\u00f3gica, usando estrat\u00e9gias e formas que cativam os alunos e os incentivam a descobrir o prazer da leitura. S\u00e3o os professores que fazem a ponte entre o livro e o leitor, que envolvem, que emocionam e que, acima de tudo, inspiram. Ao contr\u00e1rio da biblioteca do meu pai, as bibliotecas escolares s\u00e3o lugares onde os livros ganham vida, onde as hist\u00f3rias saltam das p\u00e1ginas para o cora\u00e7\u00e3o e para a mente dos alunos. \u00c9 um local privilegiado para despertar a verdadeira paix\u00e3o pela leitura. Hoje, sou um defensor incondicional das Bibliotecas Escolares, especialmente numa era em que as nossas crian\u00e7as, jovens e at\u00e9 adultos est\u00e3o presos a ecr\u00e3s. Jonathan Haidt, no seu livro A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa, sublinha que o tempo excessivo nas redes sociais e no entretenimento digital est\u00e1 a contribuir para o aumento dos n\u00edveis de ansiedade e solid\u00e3o, resultando numa gera\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel emocionalmente e menos resiliente. Ele descreve este fen\u00f3meno como uma forma de &#8216;sequestro mental&#8217;, onde as intera\u00e7\u00f5es digitais superficiais nos privam da capacidade de sermos emp\u00e1ticos, de sonhar, de refletir e, acima de tudo, de nos conectarmos com a nossa pr\u00f3pria humanidade. Da mesma forma, Michel Desmurget, em Ponham-nos a Ler, argumenta que a leitura \u00e9 uma ferramenta fundamental para contrariar os efeitos negativos da cultura digital. Ele destaca que a leitura n\u00e3o s\u00f3 nos devolve a nossa humanidade, como tamb\u00e9m nos oferece um ref\u00fagio deste ritmo fren\u00e9tico e fragmentado da vida moderna. Ao lermos, vivemos outras vidas, exploramos diferentes formas de estar e de pensar. Desmurget defende que o ato de virar uma p\u00e1gina n\u00e3o apenas alimenta a imagina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m expande a nossa vis\u00e3o do mundo e aumenta a nossa capacidade de empatia. A leitura permite-nos sonhar e, atrav\u00e9s dos sonhos, imaginar e construir um futuro mais justo, mais criativo e, sem d\u00favida, mais humano. As bibliotecas escolares s\u00e3o, sem d\u00favida, um espa\u00e7o onde estes mundos podem ser revelados aos nossos alunos. E \u00e9 por isso que acredito firmemente na import\u00e2ncia das bibliotecas escolares e no trabalho incans\u00e1vel dos professores bibliotec\u00e1rios, que, atrav\u00e9s da sua paix\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o, fornecem aquilo que uma cole\u00e7\u00e3o imensa de livros, por si s\u00f3, nunca conseguir\u00e1. Tal como a &#8220;Passarola&#8221; do romance Memorial do Convento de Jos\u00e9 Saramago, que levanta voo carregada de esperan\u00e7as e sonhos, as bibliotecas escolares podem e devem erguer as mentes das nossas crian\u00e7as e jovens. Que elas possam voar, imaginar, e acreditar num futuro diferente, melhor e mais humano. Pedro Liberto FerreiraDiretor da Escola Secund\u00e1ria Jos\u00e9 Saramago, Mafra \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-2896689","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vozes-que-decidem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2896689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2896689"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2896689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085550,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2896689\/revisions\/3085550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2896689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2896689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2896689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}