{"id":2857740,"date":"2024-07-04T09:00:00","date_gmt":"2024-07-04T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2857740.html"},"modified":"2026-05-13T13:38:01","modified_gmt":"2026-05-13T13:38:01","slug":"o-dia-em-que-chover-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2857740","title":{"rendered":"O dia em que chover para sempre"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"design-1719656663699.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22658684_iqh8w.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Falar da import\u00e2ncia da leitura \u00e9 como falar da import\u00e2ncia da chuva, todos sabem qu\u00e3o importante ela \u00e9. Todos a desejam, sobretudo quando escasseia e ningu\u00e9m sabe como obt\u00ea-la na justa medida e de modo a satisfazer todos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A falta de chuva deixa os terrenos improdutivos, um mundo sem leitura \u00e9 terreno seco est\u00e9ril onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para a reflex\u00e3o nem para a cidadania participada. Onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para o sucesso escolar, o desenvolvimento pessoal nem para o conhecimento. Assim todos pedimos chuva. Mas como se faz para chover? Todos queremos leitores. Mas como se faz um leitor?<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Surgem as bibliotecas. O\u00e1sis na des\u00e9rtica aridez da falta de leitura?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>As primeiras bibliotecas surgem naquela avidez e avareza humana de guardar bens preciosos longe dos olhares e da cobi\u00e7a alheia e, transformam-se em armaz\u00e9ns de tesouros que n\u00e3o se deixa ningu\u00e9m tocar, como \u00e1gua pura em reservat\u00f3rio, guardado por ex\u00e9rcito forte e bem guarnecido de regras inescrut\u00e1veis ao comum dos mortais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As grandes bibliotecas mantiveram-se largos anos ba\u00fas de tesouros que todos sabiam importantes, mas ningu\u00e9m ousava tocar. \u00c1gua estancada, apodrecia de n\u00e3o ser remexida e acabava n\u00e3o servindo ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Um dia, surgiram as escolas e com elas um m\u00ednimo de necessidade de haver livros para algu\u00e9m estudar, para se decorarem li\u00e7\u00f5es de p\u00e1tria e fam\u00edlia para mostrar o que papaguear, erudi\u00e7\u00e3o posti\u00e7a de n\u00e3o saber nada da vida, erudi\u00e7\u00e3o de clich\u00e9s e ordens cegas dadas a cumprir.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando as bibliotecas escolares nascem, seguem os preceitos das ancestrais e fazem-se de arm\u00e1rios altos, portas de rede ou de vidro, com fechaduras e cadeados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>E, num novo \u201c25 de abril\u201d, algu\u00e9m disse \u2013 a \u00e1gua estagnada apodrece, vamos abrir as portas aos livros!<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este \u2018Gutenberg\u2019 que atirou a pedra no charco tirou o ex\u00e9rcito das portas da biblioteca e p\u00f4s flores e cadeiras confort\u00e1veis e sorrisos a receber todos os que quisessem ler tudo o que j\u00e1 tinha sido escrito e escrever o que ainda h\u00e1 de vir. Guardamos a \u00e1gua no c\u00e2ntaro, na garrafa, mas regamos as plantas ou bebemo-la dentro do prazo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Junt\u00e1mos os livros nas bibliotecas, mas damo-los a ler rapidamente, irrigamos as mentes e ajudamos a brotar conhecimento. Fazemos com que os livros cheguem a muitos e esses muitos venham cada vez mais \u00e0s bibliotecas, a todas as bibliotecas e se sintam bem e queiram voltar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Como fazer chover? Respeitar a natureza e os ciclos da vida ajuda. Deixar a \u00e1gua aberta para o Sol a fazer subir aos c\u00e9us tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Como fazer leitores? Deixar os livros em campo aberto, \u00e0 m\u00e3o de semear, e respeitar os gostos e ritmos de cada um ajuda.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mais do que isto, tamb\u00e9m n\u00e3o sei.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Posso procurar num livro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Otelinda Rodrigues Vieira<br \/>Pseud\u00f3nimo<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\ud83d\udcf7\u00a0<span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"https:\/\/www.rawpixel.com\/\">https:\/\/www.rawpixel.com\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar da import\u00e2ncia da leitura \u00e9 como falar da import\u00e2ncia da chuva, todos sabem qu\u00e3o importante ela \u00e9. Todos a desejam, sobretudo quando escasseia e ningu\u00e9m sabe como obt\u00ea-la na justa medida e de modo a satisfazer todos. A falta de chuva deixa os terrenos improdutivos, um mundo sem leitura \u00e9 terreno seco est\u00e9ril onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para a reflex\u00e3o nem para a cidadania participada. Onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para o sucesso escolar, o desenvolvimento pessoal nem para o conhecimento. Assim todos pedimos chuva. Mas como se faz para chover? Todos queremos leitores. Mas como se faz um leitor? Surgem as bibliotecas. O\u00e1sis na des\u00e9rtica aridez da falta de leitura? As primeiras bibliotecas surgem naquela avidez e avareza humana de guardar bens preciosos longe dos olhares e da cobi\u00e7a alheia e, transformam-se em armaz\u00e9ns de tesouros que n\u00e3o se deixa ningu\u00e9m tocar, como \u00e1gua pura em reservat\u00f3rio, guardado por ex\u00e9rcito forte e bem guarnecido de regras inescrut\u00e1veis ao comum dos mortais. As grandes bibliotecas mantiveram-se largos anos ba\u00fas de tesouros que todos sabiam importantes, mas ningu\u00e9m ousava tocar. \u00c1gua estancada, apodrecia de n\u00e3o ser remexida e acabava n\u00e3o servindo ningu\u00e9m. Um dia, surgiram as escolas e com elas um m\u00ednimo de necessidade de haver livros para algu\u00e9m estudar, para se decorarem li\u00e7\u00f5es de p\u00e1tria e fam\u00edlia para mostrar o que papaguear, erudi\u00e7\u00e3o posti\u00e7a de n\u00e3o saber nada da vida, erudi\u00e7\u00e3o de clich\u00e9s e ordens cegas dadas a cumprir. Quando as bibliotecas escolares nascem, seguem os preceitos das ancestrais e fazem-se de arm\u00e1rios altos, portas de rede ou de vidro, com fechaduras e cadeados. E, num novo \u201c25 de abril\u201d, algu\u00e9m disse \u2013 a \u00e1gua estagnada apodrece, vamos abrir as portas aos livros! Este \u2018Gutenberg\u2019 que atirou a pedra no charco tirou o ex\u00e9rcito das portas da biblioteca e p\u00f4s flores e cadeiras confort\u00e1veis e sorrisos a receber todos os que quisessem ler tudo o que j\u00e1 tinha sido escrito e escrever o que ainda h\u00e1 de vir. Guardamos a \u00e1gua no c\u00e2ntaro, na garrafa, mas regamos as plantas ou bebemo-la dentro do prazo. Junt\u00e1mos os livros nas bibliotecas, mas damo-los a ler rapidamente, irrigamos as mentes e ajudamos a brotar conhecimento. Fazemos com que os livros cheguem a muitos e esses muitos venham cada vez mais \u00e0s bibliotecas, a todas as bibliotecas e se sintam bem e queiram voltar. Como fazer chover? Respeitar a natureza e os ciclos da vida ajuda. Deixar a \u00e1gua aberta para o Sol a fazer subir aos c\u00e9us tamb\u00e9m. Como fazer leitores? Deixar os livros em campo aberto, \u00e0 m\u00e3o de semear, e respeitar os gostos e ritmos de cada um ajuda. Mais do que isto, tamb\u00e9m n\u00e3o sei. Posso procurar num livro. 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