{"id":2837334,"date":"2024-05-09T09:00:00","date_gmt":"2024-05-09T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2837334.html"},"modified":"2026-05-13T13:43:36","modified_gmt":"2026-05-13T13:43:36","slug":"antropologia-digital-e-storytelling","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2837334","title":{"rendered":"Antropologia Digital e Storytelling"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2024-05-09.jpg\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22637648_dLZyB.jpeg\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. Partilhar hist\u00f3rias na internet <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Uma das \u00e1reas que o relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/acrescentar-inteligencia-antropologica-2835873\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">New Horizons in Digital Anthropology: Innovation for understanding humanity<\/a>\u00a0 (UNESCO &amp; Liiv Cnter, 2023) identifica como facilitando o aprofundamento e o crescimento da Antropologia Digital em todo o mundo \u00e9 contar hist\u00f3rias digitais aut\u00eanticas, que deem conta do ambiente cultural em que as pessoas realmente vivem:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p><strong>Narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias por cidad\u00e3os digitais <\/strong>(<em>digital citizen storytellers<\/em>) <strong>pode ser a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de etnografia digital<\/strong> em escala e poderia seguir a tend\u00eancia para o fen\u00f3meno dos conte\u00fados autopublicados e gerados pelos utilizadores a que temos assistido na \u00faltima d\u00e9cada (eg. vlogs, TikTok)\u201d (UNESCO &amp; Liiv Cnter, 2023, p. 54).<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>O uso destes meios informais e acess\u00edveis pode contribuir para reconhecer que h\u00e1 diferen\u00e7as locais e para resolver problemas das comunidades representadas, beneficiando-as.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Apesar deste relat\u00f3rio n\u00e3o mencionar o papel das bibliotecas e dos jovens, esta \u00e9 uma abordagem participativa, colaborativa, reflexiva e de proximidade que as bibliotecas escolares, em articula\u00e7\u00e3o com os professores curriculares, podem apoiar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Cremos que pode assumir outros formatos digitais e multim\u00e9dia criativos que as bibliotecas escolares desenvolvem no dia-a-dia, por exemplo: museu ou <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/africanos-em-sines.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">exposi\u00e7\u00e3o virtual<\/a>; concurso de escrita\/poesia\/di\u00e1rio\u2026) ou v\u00eddeo; <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/2040.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hist\u00f3rias em fam\u00edlia<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/2038.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">programa de r\u00e1dio\/ podcast<\/a> ou de televis\u00e3o; teatro de escrita e documental; exposi\u00e7\u00e3o de fotografia; sess\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/file\/1878\/Criar_um_testemunho.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">testemunhos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/file\/1884\/Photo_voice.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>photovoice<\/em><\/a>, etno-musicalidades, m\u00fasica comentada, rap ou performance.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para estas atividades, as crian\u00e7as e jovens partem da sua experi\u00eancia\/realidade local e da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas e \u00e0s comunidades e, com base na leitura\/escrita e em outras formas de express\u00e3o cultural, bem como na explora\u00e7\u00e3o de ferramentas e dispositivos digitais, transmitem &#8211; em qualquer suporte e ambiente &#8211; um ponto de vista pr\u00f3prio dos seus sonhos, inquieta\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es. Esta express\u00e3o ajuda a preservar e a disseminar o patrim\u00f3nio e a identidade da comunidade a que a pertencem, dando visibilidade e criticando preconceitos ou hierarquias e apontando solu\u00e7\u00f5es para a mudan\u00e7a e a prote\u00e7\u00e3o dos seus direitos fundamentais.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>2. <\/strong><\/span><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Preservar a cultura dos povos origin\u00e1rios e locais e dos grupos marginalizados<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>De acordo com a IFLA, cujas diretrizes a Rede de Bibliotecas Escolares adota, o saber dos povos origin\u00e1rios\/ind\u00edgenas &#8211; viviam nas terras antes de terem sido colonizados\/\u201cdescobertos\u201d &#8211; e dos <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/dia-internacional-do-povo-roma-2711060\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">povos tradicionais, com uma cultura e identidade pr\u00f3prias, como o povo Roma<\/a>, tem um valor intr\u00ednseco e importante porque acrescenta, \u00e0s culturas maioritariamente representadas no espa\u00e7o p\u00fablico, formas de compreens\u00e3o, de espiritualidade e de express\u00e3o do mundo \u00fanicas, que as enriquecem e porque estes povos souberam, ao longo da Hist\u00f3ria, <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/ocde-ods-pessoas-e-clima-2596736\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">adotar formas de vida sustent\u00e1veis que preservam a natureza<\/a> e com as quais importa aprender para alcan\u00e7ar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel at\u00e9 2030. \u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os bibliotec\u00e1rios devem trabalhar ativamente para \u201cProteger o conhecimento tradicional ind\u00edgena e o conhecimento tradicional local para o benef\u00edcio dos povos ind\u00edgenas, bem como para o benef\u00edcio do resto do mundo\u201d (IFLA, 2010).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De forma respeitosa e inclusiva e envolvendo, capacitando e colaborando com estas comunidades, os bibliotec\u00e1rios podem implementar a\u00e7\u00f5es que permitam reunir, preservar e divulgar digitalmente este patrim\u00f3nio, para mem\u00f3ria futura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Com o mesmo prop\u00f3sito podem trabalhar com grupos marginalizados, conforme prev\u00ea o <em>IFLA\/UNESCO Multicultural Library Manifesto<\/em>:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p>\u201cbibliotecas de todos os tipos devem refletir, apoiar e promover a diversidade cultural e lingu\u00edstica nos n\u00edveis internacional, nacional e local e, assim, trabalhar para o di\u00e1logo intercultural e a cidadania ativa.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>[\u2026] Aten\u00e7\u00e3o especial deve ser dada a grupos frequentemente marginalizados em sociedades culturalmente diversas\u201d (IFLA\/UNESCO, 2006).<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>Fazem parte dos 12 Grupos de Interesse Especial (Special Interest Groups) da IFLA, por exemplo, os grupos Informa\u00e7\u00f5es e Bibliotecas para Mulheres e Utilizadores LGBTQ (IFLA, 2024).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Podem constituir importante ajuda \u00e0 Etnografia Digital feminista e LGBTQ, semin\u00e1rios e eventos, comunidades de leitores em linha, projetos com associa\u00e7\u00f5es locais, listas de v\u00eddeos, de curtas-metragens, de podcasts e de outra informa\u00e7\u00e3o com refer\u00eancia a estas comunidades e que possa ser disponibilizada na internet pelas bibliotecas escolares. \u00a0Nesta \u00e1rea a UNESCO e o Liiv Center apresentam a principal refer\u00eancia liter\u00e1ria mundial e expressam sua inten\u00e7\u00e3o em desenvolve-la no futuro (UNESCO &amp; Liiv Center, p. 25).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0Segundo Gabriela Ramos, Diretora-Geral Adjunta para as Ci\u00eancias Sociais e Humanas da UNESCO, adotar um ponto de vista antropol\u00f3gico em ambiente digital permite:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>\u201cCompreender como \u00e9 que a tecnologia intersecta com as sociedades humanas\u201d e identificar as estruturas que provocam os seus efeitos nefastos: desinforma\u00e7\u00e3o, desigualdades, preconceitos, polariza\u00e7\u00e3o e crescimento de movimentos pol\u00edticos extremistas, vigil\u00e2ncia digital e problemas de sa\u00fade mental. Estas s\u00e3o \u201cquest\u00f5es sens\u00edveis para o correto funcionamento e legitimidade dos governos, a defesa da dignidade humana e o desenvolvimento social inclusivo\u201d;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Conhecer as perce\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os para \u201cmelhorar a informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e combater as campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es sens\u00edveis como vacinas ou mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d e regular, de forma mais eficaz, o espa\u00e7o digital;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>\u201cIdentificar a forma\u00e7\u00e3o de novas comunidades digitais, geralmente invis\u00edveis\u201d que exercem um comportamento discriminat\u00f3rio, numa paisagem cultural global e tendencialmente homog\u00e9nea (UNESCO &amp; Liiv Center, p. 1)<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>Segundo James Ingram, fundador do Liiv Center for Innovating Digital Anthropology, com o qual a UNESCO celebrou, em 2021, uma parceria, os pol\u00edticos precisam de fundamentar as suas decis\u00f5es \u201cmais do que em dados quantitativos e econ\u00f3micos, em dados profundamente humanos, enraizados na Antropologia\u201d e hol\u00edsticos, que servem, de forma \u00e9tica e inclusiva, o bem comum, gerando sentido, empatia e contribuindo para alcan\u00e7ar a Agenda 2030.\u00a0 (UNESCO &amp; Liiv Center, p. 7).<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>3. Humanizar as pr\u00e1ticas digitais <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>New Horizons in Digital Anthropology<\/em> \u00e9 a primeira publica\u00e7\u00e3o global sobre o tema e defende uma complementaridade entre cientistas de dados e antrop\u00f3logos digitais para humaniza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas digitais e para que as decis\u00f5es pol\u00edticas reflitam as necessidades de todas as pessoas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Reconhece que h\u00e1 obst\u00e1culos para a inova\u00e7\u00e3o digital em Antropologia, como a divis\u00e3o\/desigualdade de acesso e a disparidade de investimentos, bem como \u00e1reas facilitadoras do progresso no setor nas quais importa investir, como ferramentas tecnol\u00f3gicas e arquivos de inova\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica e cultura de acesso aberto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Refer\u00eancias<\/span><\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>International Federation of Library Associations. (2010). <em>IFLA Statement on Indigenous Traditional Knowledge<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/publications\/ifla-statement-on-indigenous-traditional-knowledge\/\">https:\/\/www.ifla.org\/publications\/ifla-statement-on-indigenous-traditional-knowledge\/<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>International Federation of Library Associations. (2024). <em>Special Interest Group (SIG) Committee Member<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/special-interest-group-sig-committee-member-2023\/\">https:\/\/www.ifla.org\/special-interest-group-sig-committee-member-2023\/<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>International Federation of Library Associations\/United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. (2006). <em>IFLA\/ UNESCO Multicultural Library Manifesto<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/ifla-unesco-multicultural-library-manifesto\/\">https:\/\/www.ifla.org\/ifla-unesco-multicultural-library-manifesto\/<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization &amp; LiiV Center for Innovation Digital Anthropology. (2023). <em>New Horizons in Digital Anthropology: Innovation for understanding humanity.<\/em> <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000382647\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000382647<\/a><\/li>\n<p><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Partilhar hist\u00f3rias na internet Uma das \u00e1reas que o relat\u00f3rio New Horizons in Digital Anthropology: Innovation for understanding humanity\u00a0 (UNESCO &amp; Liiv Cnter, 2023) identifica como facilitando o aprofundamento e o crescimento da Antropologia Digital em todo o mundo \u00e9 contar hist\u00f3rias digitais aut\u00eanticas, que deem conta do ambiente cultural em que as pessoas realmente vivem: Narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias por cidad\u00e3os digitais (digital citizen storytellers) pode ser a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de etnografia digital em escala e poderia seguir a tend\u00eancia para o fen\u00f3meno dos conte\u00fados autopublicados e gerados pelos utilizadores a que temos assistido na \u00faltima d\u00e9cada (eg. vlogs, TikTok)\u201d (UNESCO &amp; Liiv Cnter, 2023, p. 54). O uso destes meios informais e acess\u00edveis pode contribuir para reconhecer que h\u00e1 diferen\u00e7as locais e para resolver problemas das comunidades representadas, beneficiando-as. Apesar deste relat\u00f3rio n\u00e3o mencionar o papel das bibliotecas e dos jovens, esta \u00e9 uma abordagem participativa, colaborativa, reflexiva e de proximidade que as bibliotecas escolares, em articula\u00e7\u00e3o com os professores curriculares, podem apoiar. Cremos que pode assumir outros formatos digitais e multim\u00e9dia criativos que as bibliotecas escolares desenvolvem no dia-a-dia, por exemplo: museu ou exposi\u00e7\u00e3o virtual; concurso de escrita\/poesia\/di\u00e1rio\u2026) ou v\u00eddeo; hist\u00f3rias em fam\u00edlia; programa de r\u00e1dio\/ podcast ou de televis\u00e3o; teatro de escrita e documental; exposi\u00e7\u00e3o de fotografia; sess\u00e3o de testemunhos, photovoice, etno-musicalidades, m\u00fasica comentada, rap ou performance. Para estas atividades, as crian\u00e7as e jovens partem da sua experi\u00eancia\/realidade local e da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas e \u00e0s comunidades e, com base na leitura\/escrita e em outras formas de express\u00e3o cultural, bem como na explora\u00e7\u00e3o de ferramentas e dispositivos digitais, transmitem &#8211; em qualquer suporte e ambiente &#8211; um ponto de vista pr\u00f3prio dos seus sonhos, inquieta\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es. Esta express\u00e3o ajuda a preservar e a disseminar o patrim\u00f3nio e a identidade da comunidade a que a pertencem, dando visibilidade e criticando preconceitos ou hierarquias e apontando solu\u00e7\u00f5es para a mudan\u00e7a e a prote\u00e7\u00e3o dos seus direitos fundamentais.\u00a0 2. Preservar a cultura dos povos origin\u00e1rios e locais e dos grupos marginalizados De acordo com a IFLA, cujas diretrizes a Rede de Bibliotecas Escolares adota, o saber dos povos origin\u00e1rios\/ind\u00edgenas &#8211; viviam nas terras antes de terem sido colonizados\/\u201cdescobertos\u201d &#8211; e dos povos tradicionais, com uma cultura e identidade pr\u00f3prias, como o povo Roma, tem um valor intr\u00ednseco e importante porque acrescenta, \u00e0s culturas maioritariamente representadas no espa\u00e7o p\u00fablico, formas de compreens\u00e3o, de espiritualidade e de express\u00e3o do mundo \u00fanicas, que as enriquecem e porque estes povos souberam, ao longo da Hist\u00f3ria, adotar formas de vida sustent\u00e1veis que preservam a natureza e com as quais importa aprender para alcan\u00e7ar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel at\u00e9 2030. \u00a0 Os bibliotec\u00e1rios devem trabalhar ativamente para \u201cProteger o conhecimento tradicional ind\u00edgena e o conhecimento tradicional local para o benef\u00edcio dos povos ind\u00edgenas, bem como para o benef\u00edcio do resto do mundo\u201d (IFLA, 2010). De forma respeitosa e inclusiva e envolvendo, capacitando e colaborando com estas comunidades, os bibliotec\u00e1rios podem implementar a\u00e7\u00f5es que permitam reunir, preservar e divulgar digitalmente este patrim\u00f3nio, para mem\u00f3ria futura. Com o mesmo prop\u00f3sito podem trabalhar com grupos marginalizados, conforme prev\u00ea o IFLA\/UNESCO Multicultural Library Manifesto: \u201cbibliotecas de todos os tipos devem refletir, apoiar e promover a diversidade cultural e lingu\u00edstica nos n\u00edveis internacional, nacional e local e, assim, trabalhar para o di\u00e1logo intercultural e a cidadania ativa. [\u2026] Aten\u00e7\u00e3o especial deve ser dada a grupos frequentemente marginalizados em sociedades culturalmente diversas\u201d (IFLA\/UNESCO, 2006). Fazem parte dos 12 Grupos de Interesse Especial (Special Interest Groups) da IFLA, por exemplo, os grupos Informa\u00e7\u00f5es e Bibliotecas para Mulheres e Utilizadores LGBTQ (IFLA, 2024). Podem constituir importante ajuda \u00e0 Etnografia Digital feminista e LGBTQ, semin\u00e1rios e eventos, comunidades de leitores em linha, projetos com associa\u00e7\u00f5es locais, listas de v\u00eddeos, de curtas-metragens, de podcasts e de outra informa\u00e7\u00e3o com refer\u00eancia a estas comunidades e que possa ser disponibilizada na internet pelas bibliotecas escolares. \u00a0Nesta \u00e1rea a UNESCO e o Liiv Center apresentam a principal refer\u00eancia liter\u00e1ria mundial e expressam sua inten\u00e7\u00e3o em desenvolve-la no futuro (UNESCO &amp; Liiv Center, p. 25). \u00a0Segundo Gabriela Ramos, Diretora-Geral Adjunta para as Ci\u00eancias Sociais e Humanas da UNESCO, adotar um ponto de vista antropol\u00f3gico em ambiente digital permite: \u201cCompreender como \u00e9 que a tecnologia intersecta com as sociedades humanas\u201d e identificar as estruturas que provocam os seus efeitos nefastos: desinforma\u00e7\u00e3o, desigualdades, preconceitos, polariza\u00e7\u00e3o e crescimento de movimentos pol\u00edticos extremistas, vigil\u00e2ncia digital e problemas de sa\u00fade mental. Estas s\u00e3o \u201cquest\u00f5es sens\u00edveis para o correto funcionamento e legitimidade dos governos, a defesa da dignidade humana e o desenvolvimento social inclusivo\u201d; Conhecer as perce\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os para \u201cmelhorar a informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e combater as campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es sens\u00edveis como vacinas ou mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d e regular, de forma mais eficaz, o espa\u00e7o digital; \u201cIdentificar a forma\u00e7\u00e3o de novas comunidades digitais, geralmente invis\u00edveis\u201d que exercem um comportamento discriminat\u00f3rio, numa paisagem cultural global e tendencialmente homog\u00e9nea (UNESCO &amp; Liiv Center, p. 1) Segundo James Ingram, fundador do Liiv Center for Innovating Digital Anthropology, com o qual a UNESCO celebrou, em 2021, uma parceria, os pol\u00edticos precisam de fundamentar as suas decis\u00f5es \u201cmais do que em dados quantitativos e econ\u00f3micos, em dados profundamente humanos, enraizados na Antropologia\u201d e hol\u00edsticos, que servem, de forma \u00e9tica e inclusiva, o bem comum, gerando sentido, empatia e contribuindo para alcan\u00e7ar a Agenda 2030.\u00a0 (UNESCO &amp; Liiv Center, p. 7). 3. Humanizar as pr\u00e1ticas digitais New Horizons in Digital Anthropology \u00e9 a primeira publica\u00e7\u00e3o global sobre o tema e defende uma complementaridade entre cientistas de dados e antrop\u00f3logos digitais para humaniza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas digitais e para que as decis\u00f5es pol\u00edticas reflitam as necessidades de todas as pessoas. Reconhece que h\u00e1 obst\u00e1culos para a inova\u00e7\u00e3o digital em Antropologia, como a divis\u00e3o\/desigualdade de acesso e a disparidade de investimentos, bem como \u00e1reas facilitadoras do progresso no setor nas quais importa investir, como ferramentas tecnol\u00f3gicas e arquivos de inova\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica e cultura de acesso aberto. Refer\u00eancias International Federation of Library Associations. (2010). IFLA Statement on Indigenous Traditional Knowledge. https:\/\/www.ifla.org\/publications\/ifla-statement-on-indigenous-traditional-knowledge\/ International Federation of Library Associations. (2024). Special Interest Group (SIG) Committee Member. https:\/\/www.ifla.org\/special-interest-group-sig-committee-member-2023\/ International Federation of Library Associations\/United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. (2006). IFLA\/ UNESCO Multicultural Library Manifesto. https:\/\/www.ifla.org\/ifla-unesco-multicultural-library-manifesto\/ United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization &amp; LiiV Center for Innovation Digital Anthropology. (2023). New Horizons in Digital Anthropology: Innovation for understanding humanity. https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000382647<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-2837334","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidadania"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2837334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2837334"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2837334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3085967,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2837334\/revisions\/3085967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2837334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2837334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2837334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}