{"id":2810203,"date":"2024-02-05T09:00:00","date_gmt":"2024-02-05T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2810203.html"},"modified":"2026-05-13T13:50:50","modified_gmt":"2026-05-13T13:50:50","slug":"unesco-literacia-dos-media-e-da-informacao-e-curriculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2810203","title":{"rendered":"UNESCO: Literacia dos Media e da Informa\u00e7\u00e3o e Curr\u00edculo"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2024-02-05.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22597760_jDATA.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este artigo d\u00e1 continuidade ao de 29 de janeiro [<a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-desafios-e-recomendacoes-2807225\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UNESCO: Desafios e recomenda\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para a MIL]<\/a>\u00a0e baseia-se num documento encomendado pelo <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-gem-tecnologia-na-educacao-uma-2766158\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relat\u00f3rio GEM 2023 da UNESCO<\/a>, <em>Literacia dos Media e da Informa\u00e7\u00e3o<\/em>\/<em>Media and Information Literacy<\/em> (MIL) [2], da autoria de Divina Frau-Meigs, professora de sociologia de media e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o e TIC. da Universit\u00e9 Sorbonne Nouvelle, Fran\u00e7a e representante da UNESCO e da Uni\u00e3o\/Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Com base nele, sublinha-se a import\u00e2ncia de um curr\u00edculo MIL cocriado com os professores e deste ter um car\u00e1ter hol\u00edstico, que possa responder \u00e0 complexidade do mundo atual.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. MIL e Curr\u00edculo<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em nenhum pa\u00eds do mundo a MIL faz parte do curr\u00edculo obrigat\u00f3rio como uma disciplina ou mat\u00e9ria independente. \u00c9 \u201cintegrada no curr\u00edculo formal como t\u00f3pico transversal a v\u00e1rias mat\u00e9rias [geralmente educa\u00e7\u00e3o para a cidadania democr\u00e1tica] ou \u00e9 oferecida como complemento \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal, principalmente em ambiente informais\u201d, como a biblioteca escolar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A maioria dos curr\u00edculos faz uma abordagem da MIL por m\u00f3dulos, com temas e t\u00f3picos que os professores incluem na mat\u00e9ria pela ordem que quiserem. Segundo Frau-Meigs, a desvantagem desta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a MIL n\u00e3o tem um car\u00e1ter essencial, diluindo-se em outras disciplinas e a vantagem \u00e9 que \u00e9 apoiada por professores e colhe menos resist\u00eancia por encarregados de educa\u00e7\u00e3o e decisores.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a faz parte do curr\u00edculo obrigat\u00f3rio e os bibliotec\u00e1rios escolares foram oficialmente designados para a sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na Finl\u00e2ndia, desde 2016, que a multiliteracia faz parte do curr\u00edculo, entendendo-se como &#8220;compet\u00eancia para interpretar, produzir e fazer um ju\u00edzo de valor sobre uma variedade de textos diferentes&#8221; (Palsa, 2020).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os pa\u00edses asi\u00e1ticos est\u00e3o a aproximar-se da integra\u00e7\u00e3o da MIL no curr\u00edculo, cuja leciona\u00e7\u00e3o inclui professores bibliotec\u00e1rios \u2013 as Filipinas j\u00e1 a inclui no ensino secund\u00e1rio como disciplina essencial.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para Frau-Meigs a MIL \u201c<strong>pode ser incorporada aos curr\u00edculos escolares como uma op\u00e7\u00e3o minimalista (enriquecimento de mat\u00e9rias existentes) ou maximalista\u201d, disciplina aut\u00f3noma &#8211; obrigat\u00f3ria ou opcional &#8211; que poderia funcionar da escolaridade b\u00e1sica \u00e0 secund\u00e1ria, dos 6 aos 18 anos<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>2. O curr\u00edculo MIL da UNESCO<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A UNESCO publicou em 2012 um curr\u00edculo MIL que, de acordo com a sua revis\u00e3o em 2021, se organiza em 3 \u00e1reas:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Conhecimento da informa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e os discursos democr\u00e1ticos;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Avalia\u00e7\u00e3o de conte\u00fado;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Produ\u00e7\u00e3o e uso de conte\u00fado [1].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nesta publica\u00e7\u00e3o de 2021 a UNESCO prop\u00f5e 10 abordagens inovadoras e criativas da MIL como: aprendizagem por investiga\u00e7\u00e3o (<em>inquiry<\/em>), baseada em problemas, cooperativa, por investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou emp\u00edrica, por estudo de caso e simula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atualmente tamb\u00e9m h\u00e1 a tend\u00eancia de uma abordagem por jogos (GBL &#8211; Game-Based Learning). No projeto da Comiss\u00e3o Europeia <em>YouVerify! <\/em>s\u00e3o disponibilizados jogos digitais, como o <em>YouCheck! <\/em>e <em>BotBusters<\/em>, que contribuem para a MIL junto dos jovens [3].<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>3. MIL: finalidades e \u00e2mbito<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo Frau-Meigs, \u201cAs literacias refletem o papel dos usos e pr\u00e1ticas informais e emergentes que n\u00e3o est\u00e3o formalmente inclu\u00eddos nos curr\u00edculos oficiais\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A MIL tem tido uma r\u00e1pida expans\u00e3o com a abertura da imprensa escrita aos media digitais e \u00e9 uma compet\u00eancia fundamental para a Agenda 2030 (<em>Education 2030 Framework for Action<\/em>, 2015) porque:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Promove o uso critico dos media, contribuindo para analisar e decidir sobre realidades complexas e para distinguir facto de opini\u00e3o e incentiva o uso criativo dos media, a cidadania, o bem-estar e a inclus\u00e3o na vida digital e na sociedade;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Responde \u00e0s amea\u00e7as da desinforma\u00e7\u00e3o, do discurso de \u00f3dio e das viola\u00e7\u00f5es de privacidade, assegura a qualidade da informa\u00e7\u00e3o e a liberdade de express\u00e3o, fundamentais para as sociedades democr\u00e1ticas e \u00e9 uma \u201cferramenta para o desenvolvimento de sociedades abertas e participativas\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1.png\" height=\"620\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22597771_wIJpw.png\" style=\"width: 665px; padding: 10px 10px;\" width=\"665\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da imagem [1]<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo a UNESCO, o ecossistema MIL (figura supra) inclui literacia digital (DIGCOMP, 2022), da informa\u00e7\u00e3o e media, na sua pluralidade (literacia de televis\u00e3o, jornais, redes sociais\u2026) e literacia no uso da biblioteca, di\u00e1logo intercultural &#8211; incluindo quest\u00f5es como discurso de \u00f3dio e ass\u00e9dio, colonialismo, g\u00e9nero e etnia, bem como literacia inform\u00e1tica (focada na codifica\u00e7\u00e3o e matem\u00e1tica), de IA e algor\u00edtmica e audiovisual (incluindo cinematogr\u00e1fica). Este modelo hol\u00edstico da MIL desenvolve compet\u00eancias de pensamento cr\u00edtico, criatividade e participa\u00e7\u00e3o\/cidadania digital.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Referindo as conclus\u00f5es de Scheibenzuber et al., 2021 e Tully et al., 2020, Frau-Meigs destaca que, com a subida do n\u00edvel de risco da desinforma\u00e7\u00e3o, a MIL centra-se no desenvolvimento de pensamento cr\u00edtico e avalia\u00e7\u00e3o da qualidade da informa\u00e7\u00e3o em detrimento do \u201canterior \u00eanfase na criatividade, comunica\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o do utilizador que prevaleceu com o advento das hist\u00f3rias, s\u00e9ries, <em>selfies<\/em> e <em>streams<\/em>\u201d. A crise da desinforma\u00e7\u00e3o gerou a tend\u00eancia de inserir a MIL nas \u00e1reas do jornalismo (not\u00edcias falsas), ci\u00eancia (mudan\u00e7as clim\u00e1ticas) e literacia da sa\u00fade (vacina\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Afirma-se tamb\u00e9m a tend\u00eancia de abordagem ecol\u00f3gica da MIL em que se equacionam quest\u00f5es como \u201ca pegada ecol\u00f3gica das TIC (emiss\u00f5es de CO2 dos parques de servidores, baterias n\u00e3o recicladas, res\u00edduos de computadores, etc.).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A par destas recentes tend\u00eancias, Frau-Meigs salienta que a abordagem da MIL depende do n\u00edvel econ\u00f3mico dos pa\u00edses: nos de baixo e m\u00e9dio rendimento (Tail\u00e2ndia, Indon\u00e9sia\u2026) consiste em desenvolver conhecimentos e compet\u00eancias para aceder \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e meios de comunica\u00e7\u00e3o, enquanto nos pa\u00edses de rendimentos elevados (Jap\u00e3o, Dinamarca\u2026) em desenvolver \u201cas atitudes necess\u00e1rias para serem trabalhadores criativos e participativos\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Concluindo, refere marcos hist\u00f3ricos da MIL, como a <em>EU Audiovisual Media Services Directive<\/em> (Parlamento Europeu e do Conselho, 2018), que estabelece que \u201cA educa\u00e7\u00e3o para os media dever\u00e1, por conseguinte, ser fomentada em todos os sectores da sociedade e os seus progressos dever\u00e3o ser acompanhados de perto\u201d pelos governos (ponto 47) [4]. Dever\u00e1 ser fomentada inclusive pelos fornecedores de servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o social e pelas plataformas digitais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia a MIL est\u00e1 ligada a 2 departamentos:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; DG Connect (Directorate-General for Communications Networks, Content and Technology\/Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Redes de Comunica\u00e7\u00e3o, Conte\u00fados e Tecnologias), respons\u00e1vel pela agenda digital;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 GD EAC (Directorate-General for Education, Youth, Sport and Culture\/Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Educa\u00e7\u00e3o, Juventude, Desporto e Cultura).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na UNESCO \u00e9 da compet\u00eancia da CI (Communication &amp; Information\/Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o), apesar de tamb\u00e9m ser transversal a todos os departamentos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A designa\u00e7\u00e3o MIL foi introduzida pela Declara\u00e7\u00e3o de Fez (UNESCO, 2011) &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o dominava a express\u00e3o Literacia Medi\u00e1tica (LM) criada pela Declara\u00e7\u00e3o de Gr\u00fcnwald (UNESCO, 1982).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li>Fonte da imagem: UNESCO. (2021). <em>Media and information Literate Citizens: Think Critically, Click Wisely!<\/em> [Fig. 2, p. 12]. <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000377068\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000377068<\/a><\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/p>\n<p>A primeira vers\u00e3o deste documento:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>UNESCO. 2012. <em>MIL Curriculum and Competency Framework for Teachers.<\/em> <a href=\"http:\/\/en.unesco\/media-and-informationliteracy-curriculum-for-teachers\">http:\/\/en.unesco\/media-and-informationliteracy-curriculum-for-teachers<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<ol start=\"2\"><\/p>\n<li>Divina, Frau-Meigs. (2023). <em>Media and information literacy<\/em>. Global Education Monitoring Report Team. <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000386080.locale=en\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000386080.locale=en<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>AFP, UNED, SNSPA &amp; Savoir*Devenir. (2021). <em>YouVerify<\/em>. <a href=\"https:\/\/youverify.eu\/resources\">https:\/\/youverify.eu\/resources<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>European Parliamet. (2018). <em>Audiovisual Media Services Directive<\/em>. <a href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/ALL\/?uri=CELEX%3A32010L0013\">https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/ALL\/?uri=CELEX%3A32010L0013<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>\ud83d\udcf7\u00a0<a style=\"font-size: 14pt;\" href=\"https:\/\/br.freepik.com\/vetores-gratis\/jornalista-feminina-com-microfone-entrevistando-homem_9649774.htm#page=2&amp;query=media%20litercay&amp;position=32&amp;from_view=search&amp;track=ais&amp;uuid=5f84c4b7-1f60-44b8-bb40-de8dc44a0156\">Imagem de pch.vector<\/a><span style=\"font-size: 14pt;\"> no Freepik<\/span><\/li>\n<p><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo d\u00e1 continuidade ao de 29 de janeiro [UNESCO: Desafios e recomenda\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para a MIL]\u00a0e baseia-se num documento encomendado pelo Relat\u00f3rio GEM 2023 da UNESCO, Literacia dos Media e da Informa\u00e7\u00e3o\/Media and Information Literacy (MIL) [2], da autoria de Divina Frau-Meigs, professora de sociologia de media e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o e TIC. da Universit\u00e9 Sorbonne Nouvelle, Fran\u00e7a e representante da UNESCO e da Uni\u00e3o\/Comiss\u00e3o Europeia. Com base nele, sublinha-se a import\u00e2ncia de um curr\u00edculo MIL cocriado com os professores e deste ter um car\u00e1ter hol\u00edstico, que possa responder \u00e0 complexidade do mundo atual. 1. MIL e Curr\u00edculo Em nenhum pa\u00eds do mundo a MIL faz parte do curr\u00edculo obrigat\u00f3rio como uma disciplina ou mat\u00e9ria independente. \u00c9 \u201cintegrada no curr\u00edculo formal como t\u00f3pico transversal a v\u00e1rias mat\u00e9rias [geralmente educa\u00e7\u00e3o para a cidadania democr\u00e1tica] ou \u00e9 oferecida como complemento \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal, principalmente em ambiente informais\u201d, como a biblioteca escolar. A maioria dos curr\u00edculos faz uma abordagem da MIL por m\u00f3dulos, com temas e t\u00f3picos que os professores incluem na mat\u00e9ria pela ordem que quiserem. Segundo Frau-Meigs, a desvantagem desta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a MIL n\u00e3o tem um car\u00e1ter essencial, diluindo-se em outras disciplinas e a vantagem \u00e9 que \u00e9 apoiada por professores e colhe menos resist\u00eancia por encarregados de educa\u00e7\u00e3o e decisores. Em Fran\u00e7a faz parte do curr\u00edculo obrigat\u00f3rio e os bibliotec\u00e1rios escolares foram oficialmente designados para a sua implementa\u00e7\u00e3o. Na Finl\u00e2ndia, desde 2016, que a multiliteracia faz parte do curr\u00edculo, entendendo-se como &#8220;compet\u00eancia para interpretar, produzir e fazer um ju\u00edzo de valor sobre uma variedade de textos diferentes&#8221; (Palsa, 2020). Os pa\u00edses asi\u00e1ticos est\u00e3o a aproximar-se da integra\u00e7\u00e3o da MIL no curr\u00edculo, cuja leciona\u00e7\u00e3o inclui professores bibliotec\u00e1rios \u2013 as Filipinas j\u00e1 a inclui no ensino secund\u00e1rio como disciplina essencial. Para Frau-Meigs a MIL \u201cpode ser incorporada aos curr\u00edculos escolares como uma op\u00e7\u00e3o minimalista (enriquecimento de mat\u00e9rias existentes) ou maximalista\u201d, disciplina aut\u00f3noma &#8211; obrigat\u00f3ria ou opcional &#8211; que poderia funcionar da escolaridade b\u00e1sica \u00e0 secund\u00e1ria, dos 6 aos 18 anos. 2. O curr\u00edculo MIL da UNESCO A UNESCO publicou em 2012 um curr\u00edculo MIL que, de acordo com a sua revis\u00e3o em 2021, se organiza em 3 \u00e1reas: &#8211; Conhecimento da informa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e os discursos democr\u00e1ticos; &#8211; Avalia\u00e7\u00e3o de conte\u00fado; &#8211; Produ\u00e7\u00e3o e uso de conte\u00fado [1]. Nesta publica\u00e7\u00e3o de 2021 a UNESCO prop\u00f5e 10 abordagens inovadoras e criativas da MIL como: aprendizagem por investiga\u00e7\u00e3o (inquiry), baseada em problemas, cooperativa, por investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou emp\u00edrica, por estudo de caso e simula\u00e7\u00e3o.\u00a0 Atualmente tamb\u00e9m h\u00e1 a tend\u00eancia de uma abordagem por jogos (GBL &#8211; Game-Based Learning). No projeto da Comiss\u00e3o Europeia YouVerify! s\u00e3o disponibilizados jogos digitais, como o YouCheck! e BotBusters, que contribuem para a MIL junto dos jovens [3]. 3. MIL: finalidades e \u00e2mbito Segundo Frau-Meigs, \u201cAs literacias refletem o papel dos usos e pr\u00e1ticas informais e emergentes que n\u00e3o est\u00e3o formalmente inclu\u00eddos nos curr\u00edculos oficiais\u201d. A MIL tem tido uma r\u00e1pida expans\u00e3o com a abertura da imprensa escrita aos media digitais e \u00e9 uma compet\u00eancia fundamental para a Agenda 2030 (Education 2030 Framework for Action, 2015) porque: &#8211; Promove o uso critico dos media, contribuindo para analisar e decidir sobre realidades complexas e para distinguir facto de opini\u00e3o e incentiva o uso criativo dos media, a cidadania, o bem-estar e a inclus\u00e3o na vida digital e na sociedade; &#8211; Responde \u00e0s amea\u00e7as da desinforma\u00e7\u00e3o, do discurso de \u00f3dio e das viola\u00e7\u00f5es de privacidade, assegura a qualidade da informa\u00e7\u00e3o e a liberdade de express\u00e3o, fundamentais para as sociedades democr\u00e1ticas e \u00e9 uma \u201cferramenta para o desenvolvimento de sociedades abertas e participativas\u201d. Fonte da imagem [1] Segundo a UNESCO, o ecossistema MIL (figura supra) inclui literacia digital (DIGCOMP, 2022), da informa\u00e7\u00e3o e media, na sua pluralidade (literacia de televis\u00e3o, jornais, redes sociais\u2026) e literacia no uso da biblioteca, di\u00e1logo intercultural &#8211; incluindo quest\u00f5es como discurso de \u00f3dio e ass\u00e9dio, colonialismo, g\u00e9nero e etnia, bem como literacia inform\u00e1tica (focada na codifica\u00e7\u00e3o e matem\u00e1tica), de IA e algor\u00edtmica e audiovisual (incluindo cinematogr\u00e1fica). Este modelo hol\u00edstico da MIL desenvolve compet\u00eancias de pensamento cr\u00edtico, criatividade e participa\u00e7\u00e3o\/cidadania digital. Referindo as conclus\u00f5es de Scheibenzuber et al., 2021 e Tully et al., 2020, Frau-Meigs destaca que, com a subida do n\u00edvel de risco da desinforma\u00e7\u00e3o, a MIL centra-se no desenvolvimento de pensamento cr\u00edtico e avalia\u00e7\u00e3o da qualidade da informa\u00e7\u00e3o em detrimento do \u201canterior \u00eanfase na criatividade, comunica\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o do utilizador que prevaleceu com o advento das hist\u00f3rias, s\u00e9ries, selfies e streams\u201d. A crise da desinforma\u00e7\u00e3o gerou a tend\u00eancia de inserir a MIL nas \u00e1reas do jornalismo (not\u00edcias falsas), ci\u00eancia (mudan\u00e7as clim\u00e1ticas) e literacia da sa\u00fade (vacina\u00e7\u00e3o). Afirma-se tamb\u00e9m a tend\u00eancia de abordagem ecol\u00f3gica da MIL em que se equacionam quest\u00f5es como \u201ca pegada ecol\u00f3gica das TIC (emiss\u00f5es de CO2 dos parques de servidores, baterias n\u00e3o recicladas, res\u00edduos de computadores, etc.). A par destas recentes tend\u00eancias, Frau-Meigs salienta que a abordagem da MIL depende do n\u00edvel econ\u00f3mico dos pa\u00edses: nos de baixo e m\u00e9dio rendimento (Tail\u00e2ndia, Indon\u00e9sia\u2026) consiste em desenvolver conhecimentos e compet\u00eancias para aceder \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e meios de comunica\u00e7\u00e3o, enquanto nos pa\u00edses de rendimentos elevados (Jap\u00e3o, Dinamarca\u2026) em desenvolver \u201cas atitudes necess\u00e1rias para serem trabalhadores criativos e participativos\u201d. Concluindo, refere marcos hist\u00f3ricos da MIL, como a EU Audiovisual Media Services Directive (Parlamento Europeu e do Conselho, 2018), que estabelece que \u201cA educa\u00e7\u00e3o para os media dever\u00e1, por conseguinte, ser fomentada em todos os sectores da sociedade e os seus progressos dever\u00e3o ser acompanhados de perto\u201d pelos governos (ponto 47) [4]. Dever\u00e1 ser fomentada inclusive pelos fornecedores de servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o social e pelas plataformas digitais. Na Uni\u00e3o Europeia a MIL est\u00e1 ligada a 2 departamentos: &#8211; DG Connect (Directorate-General for Communications Networks, Content and Technology\/Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Redes de Comunica\u00e7\u00e3o, Conte\u00fados e Tecnologias), respons\u00e1vel pela agenda digital; &#8211;\u00a0 GD EAC (Directorate-General for Education, Youth, Sport and Culture\/Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Educa\u00e7\u00e3o, Juventude, Desporto e Cultura). Na UNESCO \u00e9 da compet\u00eancia da CI (Communication &amp; Information\/Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o), apesar de tamb\u00e9m ser transversal a todos os departamentos. A designa\u00e7\u00e3o MIL foi introduzida pela Declara\u00e7\u00e3o de Fez (UNESCO, 2011) &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o dominava a express\u00e3o Literacia Medi\u00e1tica (LM) criada pela Declara\u00e7\u00e3o de Gr\u00fcnwald (UNESCO, 1982). \u00a0 Refer\u00eancias Fonte da imagem: UNESCO. (2021). Media and information Literate Citizens: Think Critically, Click Wisely! [Fig. 2, p. 12]. https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000377068 A primeira vers\u00e3o deste documento: UNESCO. 2012. MIL Curriculum and Competency Framework for Teachers. http:\/\/en.unesco\/media-and-informationliteracy-curriculum-for-teachers Divina, Frau-Meigs. (2023). Media and information literacy. Global Education Monitoring Report Team. https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000386080.locale=en AFP, UNED, SNSPA &amp; Savoir*Devenir. (2021). YouVerify. https:\/\/youverify.eu\/resources European Parliamet. (2018). Audiovisual Media Services Directive. https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/ALL\/?uri=CELEX%3A32010L0013 \ud83d\udcf7\u00a0Imagem de pch.vector no Freepik<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,160],"tags":[],"class_list":["post-2810203","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-literacia-da-informacao","category-literacia-dos-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2810203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2810203"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2810203\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086184,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2810203\/revisions\/3086184"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2810203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2810203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2810203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}