{"id":2780434,"date":"2023-11-13T09:00:00","date_gmt":"2023-11-13T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2780434.html"},"modified":"2026-05-13T13:58:27","modified_gmt":"2026-05-13T13:58:27","slug":"relatorio-global-de-confianca-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2780434","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio global de confian\u00e7a 2023"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023-11-02.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22559171_fYpB8.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"background-color: #ff0000; color: #ffffff;\"><strong>2023 \u2013 Navegamos num mundo polarizado<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio global Edelman Trust Barometer 2023 (23.\u00aa ed.), que resulta da resposta de mais de 32.000 pessoas de 28 pa\u00edses a question\u00e1rios digitais, regista-se uma <strong>falta de confian\u00e7a nas 4 principais institui\u00e7\u00f5es<\/strong>: empresas, governo, ONG e meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Portugal n\u00e3o participa no estudo, mas no contexto global, as suas conclus\u00f5es podem ajudar a compreender e prevenir fen\u00f3menos nacionais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo o Relat\u00f3rio Global 2023, a falta de confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es resulta de 4 fatores<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. Desempenho Econ\u00f3mico e Expectativas de Renda Futura<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>24 dos 28 pa\u00edses \u201cregistam m\u00ednimos hist\u00f3ricos\u201d de confian\u00e7a de que \u201cas suas fam\u00edlias estar\u00e3o melhor em cinco anos\u201d: 36% \u00e9 o n\u00edvel m\u00e1ximo de confian\u00e7a dos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este <em>medo\/ansiedade <\/em>ou <em>pessimismo econ\u00f3mico<\/em>, nas palavras do Relat\u00f3rio, \u00e9 menor nas economias em crescimento que lideram o \u00edndice de confian\u00e7a econ\u00f3mica: \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Ar\u00e1bia Saudita, Singapura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>2. Desequil\u00edbrio institucional<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0O governo \u00e9 percecionado como incompetente e anti\u00e9tico, ao contr\u00e1rio das empresas que est\u00e3o \u00e0 frente do governo: 53 pontos na perce\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia e 29 pontos na \u00e9tica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta tend\u00eancia que se tem vindo a registar resulta provavelmente do desempenho das empresas durante a pandemia Covid-19, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Agenda 2030 e ao abandono do mercado russo no contexto da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia: \u201cAs empresas est\u00e3o sob press\u00e3o para ocupar o vazio deixado pelo governo\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>3. Divis\u00e3o entre classes sociais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O n\u00edvel de confian\u00e7a anda a par dos rendimentos: \u201cAqueles que se encontram no quartil superior de rendimento t\u00eam uma vis\u00e3o profundamente mais positiva das institui\u00e7\u00f5es do que aqueles que se encontram no quartil inferior\u201d. A crescente desigualdade de rendimentos faz com que as pessoas vivam vidas separadas, demonstrem \u201cfalta de identidade partilhada\u201d e vontade em contribuir para os des\u00edgnios nacionais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio mostra que, para cada pa\u00eds, ao longo do tempo, t\u00eam aumentado as divis\u00f5es. Os pa\u00edses que lideram este aumento s\u00e3o, por ordem decrescente: Pa\u00edses Baixos\/Holanda, Brasil, Su\u00e9cia, Fran\u00e7a, Nig\u00e9ria, EUA, Alemanha e Reino Unido.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>4. A batalha pela verdade<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A pandemia Covid-19 gerou \u2013 at\u00e9 hoje \u2013 uma cont\u00ednua perda de confian\u00e7a nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, sendo percecionados como fonte de desinforma\u00e7\u00e3o: \u201cUm ambiente medi\u00e1tico partilhado deu lugar a c\u00e2maras de eco, tornando mais dif\u00edcil resolver problemas colaborativamente. Os media n\u00e3o s\u00e3o fi\u00e1veis, t\u00eam uma confian\u00e7a especialmente baixa os media sociais\u201d, pois h\u00e1 a perce\u00e7\u00e3o global de que a Internet n\u00e3o \u00e9 segura nem confi\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os governos s\u00e3o considerados fontes de informa\u00e7\u00e3o falsa e enganosa. ONG e empresas s\u00e3o as \u00fanicas consideradas com informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel, conforme gr\u00e1ficos infra.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1.png\" height=\"300\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22559173_9z8zw.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a05.\u00a0<\/strong><strong>Injusti\u00e7a sist\u00e9mica<\/strong><strong> e polariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A \u201cinjusti\u00e7a sist\u00e9mica\u201d (<em>Systemic unfairness<\/em>) resulta da maioria das pessoas considerar a ocorr\u00eancia simult\u00e2nea destes 4 fatores. Ela gera a perce\u00e7\u00e3o de que \u201cnavegamos num mundo polarizado\u201d, conclus\u00e3o do Relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quanto maior \u00e9 a desigualdade, maior \u00e9 a falta de confian\u00e7a e de polariza\u00e7\u00e3o e vice-versa, pois a polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 causa e consequ\u00eancia da desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 6 pa\u00edses que est\u00e3o em risco de \u201cpolariza\u00e7\u00e3o severa\u201d: Brasil, Fran\u00e7a, Reino Unido, Jap\u00e3o, Alemanha e It\u00e1lia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o agrava os medos de, por ordem decrescente: preconceito e de discrimina\u00e7\u00e3o, decr\u00e9scimo de desenvolvimento econ\u00f3mico e viol\u00eancia nas ruas. 65% dos inquiridos considera que \u201co civismo e o respeito m\u00fatuo \u00e9 hoje o pior que alguma vez viu\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Professores, ONG e l\u00edderes de empresa s\u00e3o, por ordem decrescente, percecionados como fontes congregadoras e unificadoras das pessoas. Em contrapartida, s\u00e3o percecionados como for\u00e7as que dividem e separam, por ordem decrescente, as pessoas ricas e poderosas, os governos \u2013 sobretudo estrangeiros e hostis \u2013 e os jornalistas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 as empresas s\u00e3o competentes e \u00e9ticas\u201d &#8211; pelo terceiro ano consecutivo mant\u00eam o aumento \u00e9tico \u2013 e s\u00e3o confi\u00e1veis. Os inquiridos pretendem das empresas maior envolvimento social em \u00e1reas como, por ordem decrescente: mudan\u00e7a clim\u00e1tica e desigualdade econ\u00f3mica; informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel e requalifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra. Este envolvimento social faz com que as empresas corram o risco de serem politizadas. O Relat\u00f3rio tamb\u00e9m evidencia que quando os governos e as empresas trabalham em conjunto, h\u00e1 melhores resultados sociais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para os inquiridos as empresas devem continuar a:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>Liderar, os cidad\u00e3os depositam nelas grandes expetativas e responsabilidades em apresentar solu\u00e7\u00f5es sobre \u201co clima, a diversidade, a inclus\u00e3o e desenvolvimento de compet\u00eancias\u201d;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Colaborar com o governo, a restaurar o otimismo econ\u00f3mico e a advogar pela verdade e a ter papel central no ecossistema de informa\u00e7\u00e3o e a promover o discurso dos cidad\u00e3os.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"background-color: #ff0000; color: #ffffff;\"><strong>2017 \u2013 Confian\u00e7a em crise ou <em>implos\u00e3o da verdade<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>No contexto da campanha presidencial dos EUA, que levou \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump nos EUA e do \u200b\u200breferendo do Brexit no Reino Unido, 2017 revelou \u201ca maior queda de sempre na confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es\u201d, segundo o Comunicado de Imprensa do Relat\u00f3rio 2017 [2]. \u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 2017 apenas 15% dos inquiridos acredita que o sistema est\u00e1 a funcionar. Inclusive, as elites com elevado rendimento, com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e bem informadas, entre 48 a 51% diz que o sistema falhou para eles.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste per\u00edodo, a comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 inclusive medias tradicionais \u2013 \u00e9 percecionada como menos confi\u00e1vel que o governo e as institui\u00e7\u00f5es, ONG e empresas. Esta \u201cfalta de confian\u00e7a nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m deu origem ao fen\u00f3meno das not\u00edcias falsas e aos pol\u00edticos que falam diretamente \u00e0s massas\u201d, sem intermedi\u00e1rios de imprensa ou sem ser na Assembleia\/ Parlamento [3].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Um dos 10 insights\/perce\u00e7\u00f5es do Bar\u00f3metro 2017 [4] \u00e9 que os <strong>media s\u00e3o percecionados como <em>camaras de eco<\/em><\/strong> (<em>the media echo chamber<\/em>): 53% das pessoas n\u00e3o escutam regularmente pessoas ou organiza\u00e7\u00f5es das quais discordam e ignoram informa\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 que acreditam.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta quebra de confian\u00e7a nos media e nos governos \u2013 a segunda institui\u00e7\u00e3o menos confi\u00e1vel \u2013 associada aos efeitos da globaliza\u00e7\u00e3o e ao ritmo crescente de desenvolvimento de tecnologias digitais e de inova\u00e7\u00e3o, \u201ctransforma-se em medos, estimulando o aumento de a\u00e7\u00f5es populistas que agora ocorrem em v\u00e1rias democracias\u201d. \u201cPopulistas\u201d e nacionalistas: em Portugal, temos o exemplo da r\u00e1pida ascen\u00e7\u00e3o do Chega. Esta tend\u00eancia pol\u00edtica surge associada ao crescimento de movimentos inorg\u00e2nicos de fragmenta\u00e7\u00e3o do poder e de fragiliza\u00e7\u00e3o dos governos e das democracias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para reconstruir a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es, o Bar\u00f3metro 2017 prop\u00f5e que estas reformulem o seu <em>modus operandi <\/em>tradicional e criem um novo modelo \u201cmais integrado que coloque as pessoas \u2014 e a abordagem dos seus medos \u2014 no centro de tudo o que fazem\u201d [5].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para todos serem parceiros e co-construtores das institui\u00e7\u00f5es e criarem rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a, <strong>a literacia da informa\u00e7\u00e3o e media e a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania \u00e9 componente essencial de todas as a\u00e7\u00f5es e projetos com a biblioteca escolar, co-criados e postos em pr\u00e1tica com as crian\u00e7as e jovens.\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li>(2023). <em>Edelman Trust Barometer: Global Report<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.edelman.com\/sites\/g\/files\/aatuss191\/files\/2023-03\/2023%20Edelman%20Trust%20Barometer%20Global%20Report%20FINAL.pdf\">https:\/\/www.edelman.com\/sites\/g\/files\/aatuss191\/files\/2023-03\/2023%20Edelman%20Trust%20Barometer%20Global%20Report%20FINAL.pdf<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>(2017). <em>Trust Barometer<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.edelman.com\/trust\/2017-trust-barometer\">https:\/\/www.edelman.com\/trust\/2017-trust-barometer<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>(2017). <em>2017 Edelman TRUST BAROMETER Reveals Global Implosion of Trust.<\/em> <a href=\"https:\/\/www.edelman.com\/news-awards\/2017-edelman-trust-barometer-reveals-global-implosion\">https:\/\/www.edelman.com\/news-awards\/2017-edelman-trust-barometer-reveals-global-implosion<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>(2017). 10 Trust Barometer Insights. <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/336642756\/10-Trust-Barometer-Insights\">https:\/\/www.scribd.com\/document\/336642756\/10-Trust-Barometer-Insights<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li>(2017). <em>Edelman Trust Barometer Reveals Global Implosion<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.edelman.com\/news-awards\/2017-edelman-trust-barometer-reveals-global-implosion\">https:\/\/www.edelman.com\/news-awards\/2017-edelman-trust-barometer-reveals-global-implosion<\/a><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 24pt;\">\ud83d\udcf7<\/span> [1]<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2023 \u2013 Navegamos num mundo polarizado Segundo o relat\u00f3rio global Edelman Trust Barometer 2023 (23.\u00aa ed.), que resulta da resposta de mais de 32.000 pessoas de 28 pa\u00edses a question\u00e1rios digitais, regista-se uma falta de confian\u00e7a nas 4 principais institui\u00e7\u00f5es: empresas, governo, ONG e meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Portugal n\u00e3o participa no estudo, mas no contexto global, as suas conclus\u00f5es podem ajudar a compreender e prevenir fen\u00f3menos nacionais. Segundo o Relat\u00f3rio Global 2023, a falta de confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es resulta de 4 fatores 1. Desempenho Econ\u00f3mico e Expectativas de Renda Futura 24 dos 28 pa\u00edses \u201cregistam m\u00ednimos hist\u00f3ricos\u201d de confian\u00e7a de que \u201cas suas fam\u00edlias estar\u00e3o melhor em cinco anos\u201d: 36% \u00e9 o n\u00edvel m\u00e1ximo de confian\u00e7a dos pa\u00edses desenvolvidos. Este medo\/ansiedade ou pessimismo econ\u00f3mico, nas palavras do Relat\u00f3rio, \u00e9 menor nas economias em crescimento que lideram o \u00edndice de confian\u00e7a econ\u00f3mica: \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Ar\u00e1bia Saudita, Singapura. 2. Desequil\u00edbrio institucional \u00a0O governo \u00e9 percecionado como incompetente e anti\u00e9tico, ao contr\u00e1rio das empresas que est\u00e3o \u00e0 frente do governo: 53 pontos na perce\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia e 29 pontos na \u00e9tica. Esta tend\u00eancia que se tem vindo a registar resulta provavelmente do desempenho das empresas durante a pandemia Covid-19, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Agenda 2030 e ao abandono do mercado russo no contexto da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia: \u201cAs empresas est\u00e3o sob press\u00e3o para ocupar o vazio deixado pelo governo\u201d. 3. Divis\u00e3o entre classes sociais O n\u00edvel de confian\u00e7a anda a par dos rendimentos: \u201cAqueles que se encontram no quartil superior de rendimento t\u00eam uma vis\u00e3o profundamente mais positiva das institui\u00e7\u00f5es do que aqueles que se encontram no quartil inferior\u201d. A crescente desigualdade de rendimentos faz com que as pessoas vivam vidas separadas, demonstrem \u201cfalta de identidade partilhada\u201d e vontade em contribuir para os des\u00edgnios nacionais. O Relat\u00f3rio mostra que, para cada pa\u00eds, ao longo do tempo, t\u00eam aumentado as divis\u00f5es. Os pa\u00edses que lideram este aumento s\u00e3o, por ordem decrescente: Pa\u00edses Baixos\/Holanda, Brasil, Su\u00e9cia, Fran\u00e7a, Nig\u00e9ria, EUA, Alemanha e Reino Unido. 4. A batalha pela verdade A pandemia Covid-19 gerou \u2013 at\u00e9 hoje \u2013 uma cont\u00ednua perda de confian\u00e7a nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, sendo percecionados como fonte de desinforma\u00e7\u00e3o: \u201cUm ambiente medi\u00e1tico partilhado deu lugar a c\u00e2maras de eco, tornando mais dif\u00edcil resolver problemas colaborativamente. Os media n\u00e3o s\u00e3o fi\u00e1veis, t\u00eam uma confian\u00e7a especialmente baixa os media sociais\u201d, pois h\u00e1 a perce\u00e7\u00e3o global de que a Internet n\u00e3o \u00e9 segura nem confi\u00e1vel. Tamb\u00e9m os governos s\u00e3o considerados fontes de informa\u00e7\u00e3o falsa e enganosa. ONG e empresas s\u00e3o as \u00fanicas consideradas com informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel, conforme gr\u00e1ficos infra. \u00a05.\u00a0Injusti\u00e7a sist\u00e9mica e polariza\u00e7\u00e3o A \u201cinjusti\u00e7a sist\u00e9mica\u201d (Systemic unfairness) resulta da maioria das pessoas considerar a ocorr\u00eancia simult\u00e2nea destes 4 fatores. Ela gera a perce\u00e7\u00e3o de que \u201cnavegamos num mundo polarizado\u201d, conclus\u00e3o do Relat\u00f3rio. Quanto maior \u00e9 a desigualdade, maior \u00e9 a falta de confian\u00e7a e de polariza\u00e7\u00e3o e vice-versa, pois a polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 causa e consequ\u00eancia da desconfian\u00e7a. H\u00e1 6 pa\u00edses que est\u00e3o em risco de \u201cpolariza\u00e7\u00e3o severa\u201d: Brasil, Fran\u00e7a, Reino Unido, Jap\u00e3o, Alemanha e It\u00e1lia. A polariza\u00e7\u00e3o agrava os medos de, por ordem decrescente: preconceito e de discrimina\u00e7\u00e3o, decr\u00e9scimo de desenvolvimento econ\u00f3mico e viol\u00eancia nas ruas. 65% dos inquiridos considera que \u201co civismo e o respeito m\u00fatuo \u00e9 hoje o pior que alguma vez viu\u201d. Professores, ONG e l\u00edderes de empresa s\u00e3o, por ordem decrescente, percecionados como fontes congregadoras e unificadoras das pessoas. Em contrapartida, s\u00e3o percecionados como for\u00e7as que dividem e separam, por ordem decrescente, as pessoas ricas e poderosas, os governos \u2013 sobretudo estrangeiros e hostis \u2013 e os jornalistas. \u201cS\u00f3 as empresas s\u00e3o competentes e \u00e9ticas\u201d &#8211; pelo terceiro ano consecutivo mant\u00eam o aumento \u00e9tico \u2013 e s\u00e3o confi\u00e1veis. Os inquiridos pretendem das empresas maior envolvimento social em \u00e1reas como, por ordem decrescente: mudan\u00e7a clim\u00e1tica e desigualdade econ\u00f3mica; informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel e requalifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra. Este envolvimento social faz com que as empresas corram o risco de serem politizadas. O Relat\u00f3rio tamb\u00e9m evidencia que quando os governos e as empresas trabalham em conjunto, h\u00e1 melhores resultados sociais. Para os inquiridos as empresas devem continuar a: Liderar, os cidad\u00e3os depositam nelas grandes expetativas e responsabilidades em apresentar solu\u00e7\u00f5es sobre \u201co clima, a diversidade, a inclus\u00e3o e desenvolvimento de compet\u00eancias\u201d; Colaborar com o governo, a restaurar o otimismo econ\u00f3mico e a advogar pela verdade e a ter papel central no ecossistema de informa\u00e7\u00e3o e a promover o discurso dos cidad\u00e3os. \u00a0 2017 \u2013 Confian\u00e7a em crise ou implos\u00e3o da verdade No contexto da campanha presidencial dos EUA, que levou \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump nos EUA e do \u200b\u200breferendo do Brexit no Reino Unido, 2017 revelou \u201ca maior queda de sempre na confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es\u201d, segundo o Comunicado de Imprensa do Relat\u00f3rio 2017 [2]. \u00a0 Em 2017 apenas 15% dos inquiridos acredita que o sistema est\u00e1 a funcionar. Inclusive, as elites com elevado rendimento, com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e bem informadas, entre 48 a 51% diz que o sistema falhou para eles. Neste per\u00edodo, a comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 inclusive medias tradicionais \u2013 \u00e9 percecionada como menos confi\u00e1vel que o governo e as institui\u00e7\u00f5es, ONG e empresas. Esta \u201cfalta de confian\u00e7a nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m deu origem ao fen\u00f3meno das not\u00edcias falsas e aos pol\u00edticos que falam diretamente \u00e0s massas\u201d, sem intermedi\u00e1rios de imprensa ou sem ser na Assembleia\/ Parlamento [3]. Um dos 10 insights\/perce\u00e7\u00f5es do Bar\u00f3metro 2017 [4] \u00e9 que os media s\u00e3o percecionados como camaras de eco (the media echo chamber): 53% das pessoas n\u00e3o escutam regularmente pessoas ou organiza\u00e7\u00f5es das quais discordam e ignoram informa\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 que acreditam. Esta quebra de confian\u00e7a nos media e nos governos \u2013 a segunda institui\u00e7\u00e3o menos confi\u00e1vel \u2013 associada aos efeitos da globaliza\u00e7\u00e3o e ao ritmo crescente de desenvolvimento de tecnologias digitais e de inova\u00e7\u00e3o, \u201ctransforma-se em medos, estimulando o aumento de a\u00e7\u00f5es populistas que agora ocorrem em v\u00e1rias democracias\u201d. \u201cPopulistas\u201d e nacionalistas: em Portugal, temos o exemplo da r\u00e1pida ascen\u00e7\u00e3o do Chega. Esta tend\u00eancia pol\u00edtica surge associada ao crescimento de movimentos inorg\u00e2nicos de fragmenta\u00e7\u00e3o do poder e de fragiliza\u00e7\u00e3o dos governos e das democracias. Para reconstruir a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es, o Bar\u00f3metro 2017 prop\u00f5e que estas reformulem o seu modus operandi tradicional e criem um novo modelo \u201cmais integrado que coloque as pessoas \u2014 e a abordagem dos seus medos \u2014 no centro de tudo o que fazem\u201d [5]. Para todos serem parceiros e co-construtores das institui\u00e7\u00f5es e criarem rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a, a literacia da informa\u00e7\u00e3o e media e a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania \u00e9 componente essencial de todas as a\u00e7\u00f5es e projetos com a biblioteca escolar, co-criados e postos em pr\u00e1tica com as crian\u00e7as e jovens.\u00a0 Refer\u00eancias (2023). Edelman Trust Barometer: Global Report. https:\/\/www.edelman.com\/sites\/g\/files\/aatuss191\/files\/2023-03\/2023%20Edelman%20Trust%20Barometer%20Global%20Report%20FINAL.pdf (2017). Trust Barometer. https:\/\/www.edelman.com\/trust\/2017-trust-barometer (2017). 2017 Edelman TRUST BAROMETER Reveals Global Implosion of Trust. https:\/\/www.edelman.com\/news-awards\/2017-edelman-trust-barometer-reveals-global-implosion (2017). 10 Trust Barometer Insights. https:\/\/www.scribd.com\/document\/336642756\/10-Trust-Barometer-Insights (2017). Edelman Trust Barometer Reveals Global Implosion. https:\/\/www.edelman.com\/news-awards\/2017-edelman-trust-barometer-reveals-global-implosion \ud83d\udcf7 [1] \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-2780434","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidadania"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2780434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2780434"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2780434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086307,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2780434\/revisions\/3086307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2780434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2780434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2780434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}