{"id":2777955,"date":"2023-10-25T09:00:00","date_gmt":"2023-10-25T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2777955.html"},"modified":"2026-05-14T09:06:25","modified_gmt":"2026-05-14T09:06:25","slug":"oportunidades-e-riscos-das-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2777955","title":{"rendered":"Oportunidades e riscos das redes sociais"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023-10-25.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22557307_BeEsa.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Integrada no FOLIO Educa, a a\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o \u201cTert\u00falias Liter\u00e1rias Dial\u00f3gicas\u201d responde, transversalmente, \u00e0s necessidades de forma\u00e7\u00e3o dos educadores e docentes das diversas \u00e1reas do conhecimento, centrando-se na promo\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o da leitura e das literacias, com enfoque no papel das bibliotecas escolares enquanto recurso central de trabalho interdisciplinar e colaborativo nas escolas. Todos os anos, as \u201cTert\u00falias Liter\u00e1rias Dial\u00f3gicas\u201d estruturam-se em torno do tema geral do Festival Internacional Liter\u00e1rio de \u00d3bidos, sendo o tema desta edi\u00e7\u00e3o o \u201cRisco\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este ano, o programa integrou as quatro tert\u00falias abaixo apresentadas:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 13 de outubro &#8211; <em>Oportunidades e riscos das redes sociais<\/em> &#8211; Sara Pereira<\/li>\n<p><\/p>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 16 de outubro &#8211; <em>Crian\u00e7as em risco?<\/em> &#8211; Eduardo S\u00e1<\/li>\n<p><\/p>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 18 de outubro &#8211; <em>A \u00e9tica na Intelig\u00eancia Artificial: desafios<\/em> &#8211; Martinha Piteira e Manuela Apar\u00edcio<\/li>\n<p><\/p>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 20 de outubro &#8211; <em>Dreamshaper<\/em> &#8211; Jo\u00e3o Pedro Borges<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>Trata-se de um programa alinhado com as <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/Prioridades.html\">prioridades definidas pela RBE<\/a> para 2023-2024\u00a0<a href=\"\/rbe\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, com vista a desenvolver, aperfei\u00e7oar e consolidar din\u00e2micas que respondam aos\u00a0 imperativos atuais, exigindo que as bibliotecas se desenvolvam do ponto de vista digital e contribuam para esse movimento ao n\u00edvel da escola, nas v\u00e1rias dimens\u00f5es da sua a\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso um trabalho di\u00e1rio concertado para desenvolver compet\u00eancias de leitura e de escrita, essenciais a toda a aprendizagem, e compet\u00eancias digitais, de informa\u00e7\u00e3o e <em>media<\/em>, para garantir uma participa\u00e7\u00e3o efetiva na sociedade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"capaSP-final_Page_2.png\" height=\"427\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22557308_b3vp5.png\" style=\"float: right; width: 300px; padding: 10px 10px;\" width=\"300\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A abrir o ciclo de tert\u00falias, Sara Pereira, professora do Instituto de Ci\u00eancias Sociais e investigadora do Centro de Estudos de Comunica\u00e7\u00e3o e Sociedade (CECS), da Universidade do Minho, retomou algumas das ideias centrais da obra da sua autoria <a href=\"https:\/\/ebooks.uminho.pt\/index.php\/uminho\/catalog\/view\/45\/80\/891\"><em>Crian\u00e7as, jovens e media na era digital: Consumidores e Produtores?<\/em><\/a> <a href=\"\/rbe\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Hoje, as crian\u00e7as e os jovens t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o bastante (inter)ativa com os\u00a0<em>media<\/em>, s\u00e3o simultaneamente consumidores e produtores de conte\u00fados, surgindo os conceitos de \u201cprosumers\u201d ou\u00a0\u201cprodusers\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Foi Alvin Toffler\u00a0<a href=\"\/rbe\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> quem introduziu o termo \u201cprosumer\u201d (prosumidor) no in\u00edcio dos anos 80, caracterizando-o como &#8220;um esbatimento progressivo da linha que separa o produtor do consumidor&#8221; (Toffler, 1984, p. 267). Depois da Primeira Vaga (da sociedade agr\u00edcola, quando a maior parte das pessoas consumia o que produzia), veio a Segunda Vaga (da revolu\u00e7\u00e3o industrial, quando a sociedade separou estas duas fun\u00e7\u00f5es, criando a distin\u00e7\u00e3o entre consumidor e produtor) e estamos, atualmente, na Terceira Vaga (era da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o), em que os novos estilos de vida s\u00e3o baseados metade na produ\u00e7\u00e3o para troca, metade na produ\u00e7\u00e3o para uso.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tendo em conta esta realidade, Sara Pereira, considerando o p\u00fablico em idade escolar, levantou duas quest\u00f5es com que interpelou os presentes:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\ud83d\udccd Nas plataformas digitais, estaremos a produzir e a participar mais? E estaremos a comunicar melhor?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\ud83d\udccd A nossa participa\u00e7\u00e3o salda-se, sobretudo, em \u201cpequenos atos de envolvimento\u201d ou numa cultura verdadeiramente participativa?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo a oradora, os dados provenientes de v\u00e1rios estudos emp\u00edricos revelam que as pr\u00e1ticas medi\u00e1ticas de crian\u00e7as e jovens est\u00e3o mais orientadas para o consumo do que para a produ\u00e7\u00e3o e, ainda, que as vias para a participa\u00e7\u00e3o nem sempre t\u00eam por detr\u00e1s princ\u00edpios de express\u00e3o e de cidadania.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O projeto <em>Transmedia Literacy. Exploiting transmedia skills and informal learning strategies to improve formal education\u00a0<\/em><a href=\"\/rbe\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> revela que os adolescentes portugueses s\u00e3o mais consumidores do que produtores. Mesmo os que produzem reveem-se mais como consumidores, sentindo-se mais confort\u00e1veis nesse papel. As suas produ\u00e7\u00f5es mais regulares s\u00e3o fotos e v\u00eddeos curtos e as pr\u00e1ticas mais comuns passam por partilhar conte\u00fados com os amigos, ver as publica\u00e7\u00f5es de outros, observar e seguir o fluxo de conte\u00fados. Estas pr\u00e1ticas s\u00e3o mais frequentes do que publicar conte\u00fados originais, por isso as suas produ\u00e7\u00f5es traduzem-se em &#8220;pequenos atos de envolvimento\u201d, na sua grande maioria informais, espont\u00e2neas pouco estruturadas, n\u00e3o planeadas e de curto alcance. As motiva\u00e7\u00f5es por detr\u00e1s dessas produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o o entretenimento e a divers\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Face a essas conclus\u00f5es, a oradora defendeu que temos de ultrapassar a tend\u00eancia de olhar a rela\u00e7\u00e3o dos jovens com os meios digitais sob o prisma de risco e de seguran\u00e7a. Os medos, receios, preocupa\u00e7\u00f5es e d\u00favidas que as plataformas digitais e as redes sociais levantam refor\u00e7am os argumentos protecionistas e de seguran\u00e7a, de que resulta uma preocupa\u00e7\u00e3o com os perigos e os riscos, preocupa\u00e7\u00e3o essa que se sobrep\u00f5e \u00e0s oportunidades e aos desafios que esses meios podem proporcionar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" height=\"337\" src=\"https:\/\/rbe.mec.pt\/np4Admin\/%7B$clientServletPath%7D\/?newsId=2987&amp;fileName=Fotos_2023_10_25.gif\" style=\"width: 600px;padding: 10px 10px;\" width=\"600\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por isso, depois de largo debate em que tamb\u00e9m estiveram em quest\u00e3o o uso de telem\u00f3veis nas escolas e o uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial generativa, ficou lan\u00e7ado o desafio de apostar numa pedagogia capacitadora que \u201cdesenvolva conhecimentos, atitudes e compet\u00eancias de pensamento e a\u00e7\u00e3o cr\u00edticas para habitar o ecossistema informativo e medi\u00e1tico\u201d em que vivemos, de modo a que as crian\u00e7as e jovens possam retirar desse ecossistema m\u00e1ximo\u00a0 proveito para as suas vidas e o seu bem-estar. Afinal, assegurar o bem-estar n\u00e3o implica, somente, salvaguardar a sua seguran\u00e7a, mas antes permitir-lhes que possam compreender e participar no mundo <em>online<\/em> com seguran\u00e7a e respeito.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A fechar a sess\u00e3o, ficou a ideia de que, num ambiente medi\u00e1tico rico e diversificado, h\u00e1 que formar p\u00fablicos exigentes, cr\u00edticos e participativos, o que aponta para a necessidade urgente de apostar na literacia medi\u00e1tica como uma compet\u00eancia fundamental do s\u00e9culo XXI e um direito de todas as crian\u00e7as e jovens. O projeto <em>bYou \u2013 Estudo das viv\u00eancias e express\u00f5es de crian\u00e7as e jovens sobre os media\u00a0<\/em><a href=\"\/rbe\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup><strong>[5]<\/strong><\/sup><\/a>, de que a RBE \u00e9 parceira, encoraja pr\u00e1ticas medi\u00e1ticas reflexivas e cr\u00edticas, numa perspetiva de Literacia para os <em>Media<\/em> e \u00e9, apenas, uma das muitas a\u00e7\u00f5es poss\u00edveis que urge desenvolver.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\">Notas<\/span><\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"\/rbe\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0 Ver mais em <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/Prioridades.html\">https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/Prioridades.html<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"\/rbe\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Pereira, S. (2021). <em>Crian\u00e7as, jovens e media na era digital: Consumidores e Produtores?. <\/em>UMinho Editora\/Centro de Estudos de Comunica\u00e7\u00e3o e Sociedade. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.21814\/uminho.ed.45\">https:\/\/doi.org\/10.21814\/uminho.ed.45<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"\/rbe\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Tofler, A. (1984). <em>A Terceira Vaga.<\/em> Livros do Brasil.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"\/rbe\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Projeto financiado pela Uni\u00e3o Europeia no \u00e2mbito do programa Horizonte 2020 e que envolveu a participa\u00e7\u00e3o de oito pa\u00edses, entre eles Portugal, atrav\u00e9s da Universidade do Minho, com coordena\u00e7\u00e3o de Sara Pereira. Mais informa\u00e7\u00e3o em <a href=\"https:\/\/transmedialiteracy.org\/\">https:\/\/transmedialiteracy.org\/<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"\/rbe\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Aceder ao <em>site <\/em>do projeto- <a href=\"https:\/\/www.byou.ics.uminho.pt\/\">https:\/\/www.byou.ics.uminho.pt\/<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Integrada no FOLIO Educa, a a\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o \u201cTert\u00falias Liter\u00e1rias Dial\u00f3gicas\u201d responde, transversalmente, \u00e0s necessidades de forma\u00e7\u00e3o dos educadores e docentes das diversas \u00e1reas do conhecimento, centrando-se na promo\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o da leitura e das literacias, com enfoque no papel das bibliotecas escolares enquanto recurso central de trabalho interdisciplinar e colaborativo nas escolas. Todos os anos, as \u201cTert\u00falias Liter\u00e1rias Dial\u00f3gicas\u201d estruturam-se em torno do tema geral do Festival Internacional Liter\u00e1rio de \u00d3bidos, sendo o tema desta edi\u00e7\u00e3o o \u201cRisco\u201d. Este ano, o programa integrou as quatro tert\u00falias abaixo apresentadas: \u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 13 de outubro &#8211; Oportunidades e riscos das redes sociais &#8211; Sara Pereira \u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 16 de outubro &#8211; Crian\u00e7as em risco? &#8211; Eduardo S\u00e1 \u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 18 de outubro &#8211; A \u00e9tica na Intelig\u00eancia Artificial: desafios &#8211; Martinha Piteira e Manuela Apar\u00edcio \u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; 20 de outubro &#8211; Dreamshaper &#8211; Jo\u00e3o Pedro Borges Trata-se de um programa alinhado com as prioridades definidas pela RBE para 2023-2024\u00a0[1], com vista a desenvolver, aperfei\u00e7oar e consolidar din\u00e2micas que respondam aos\u00a0 imperativos atuais, exigindo que as bibliotecas se desenvolvam do ponto de vista digital e contribuam para esse movimento ao n\u00edvel da escola, nas v\u00e1rias dimens\u00f5es da sua a\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso um trabalho di\u00e1rio concertado para desenvolver compet\u00eancias de leitura e de escrita, essenciais a toda a aprendizagem, e compet\u00eancias digitais, de informa\u00e7\u00e3o e media, para garantir uma participa\u00e7\u00e3o efetiva na sociedade. A abrir o ciclo de tert\u00falias, Sara Pereira, professora do Instituto de Ci\u00eancias Sociais e investigadora do Centro de Estudos de Comunica\u00e7\u00e3o e Sociedade (CECS), da Universidade do Minho, retomou algumas das ideias centrais da obra da sua autoria Crian\u00e7as, jovens e media na era digital: Consumidores e Produtores? [2] Hoje, as crian\u00e7as e os jovens t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o bastante (inter)ativa com os\u00a0media, s\u00e3o simultaneamente consumidores e produtores de conte\u00fados, surgindo os conceitos de \u201cprosumers\u201d ou\u00a0\u201cprodusers\u201d. Foi Alvin Toffler\u00a0[3] quem introduziu o termo \u201cprosumer\u201d (prosumidor) no in\u00edcio dos anos 80, caracterizando-o como &#8220;um esbatimento progressivo da linha que separa o produtor do consumidor&#8221; (Toffler, 1984, p. 267). Depois da Primeira Vaga (da sociedade agr\u00edcola, quando a maior parte das pessoas consumia o que produzia), veio a Segunda Vaga (da revolu\u00e7\u00e3o industrial, quando a sociedade separou estas duas fun\u00e7\u00f5es, criando a distin\u00e7\u00e3o entre consumidor e produtor) e estamos, atualmente, na Terceira Vaga (era da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o), em que os novos estilos de vida s\u00e3o baseados metade na produ\u00e7\u00e3o para troca, metade na produ\u00e7\u00e3o para uso. Tendo em conta esta realidade, Sara Pereira, considerando o p\u00fablico em idade escolar, levantou duas quest\u00f5es com que interpelou os presentes: \ud83d\udccd Nas plataformas digitais, estaremos a produzir e a participar mais? E estaremos a comunicar melhor? \ud83d\udccd A nossa participa\u00e7\u00e3o salda-se, sobretudo, em \u201cpequenos atos de envolvimento\u201d ou numa cultura verdadeiramente participativa? Segundo a oradora, os dados provenientes de v\u00e1rios estudos emp\u00edricos revelam que as pr\u00e1ticas medi\u00e1ticas de crian\u00e7as e jovens est\u00e3o mais orientadas para o consumo do que para a produ\u00e7\u00e3o e, ainda, que as vias para a participa\u00e7\u00e3o nem sempre t\u00eam por detr\u00e1s princ\u00edpios de express\u00e3o e de cidadania. O projeto Transmedia Literacy. Exploiting transmedia skills and informal learning strategies to improve formal education\u00a0[4] revela que os adolescentes portugueses s\u00e3o mais consumidores do que produtores. Mesmo os que produzem reveem-se mais como consumidores, sentindo-se mais confort\u00e1veis nesse papel. As suas produ\u00e7\u00f5es mais regulares s\u00e3o fotos e v\u00eddeos curtos e as pr\u00e1ticas mais comuns passam por partilhar conte\u00fados com os amigos, ver as publica\u00e7\u00f5es de outros, observar e seguir o fluxo de conte\u00fados. Estas pr\u00e1ticas s\u00e3o mais frequentes do que publicar conte\u00fados originais, por isso as suas produ\u00e7\u00f5es traduzem-se em &#8220;pequenos atos de envolvimento\u201d, na sua grande maioria informais, espont\u00e2neas pouco estruturadas, n\u00e3o planeadas e de curto alcance. As motiva\u00e7\u00f5es por detr\u00e1s dessas produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o o entretenimento e a divers\u00e3o. Face a essas conclus\u00f5es, a oradora defendeu que temos de ultrapassar a tend\u00eancia de olhar a rela\u00e7\u00e3o dos jovens com os meios digitais sob o prisma de risco e de seguran\u00e7a. Os medos, receios, preocupa\u00e7\u00f5es e d\u00favidas que as plataformas digitais e as redes sociais levantam refor\u00e7am os argumentos protecionistas e de seguran\u00e7a, de que resulta uma preocupa\u00e7\u00e3o com os perigos e os riscos, preocupa\u00e7\u00e3o essa que se sobrep\u00f5e \u00e0s oportunidades e aos desafios que esses meios podem proporcionar. Por isso, depois de largo debate em que tamb\u00e9m estiveram em quest\u00e3o o uso de telem\u00f3veis nas escolas e o uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial generativa, ficou lan\u00e7ado o desafio de apostar numa pedagogia capacitadora que \u201cdesenvolva conhecimentos, atitudes e compet\u00eancias de pensamento e a\u00e7\u00e3o cr\u00edticas para habitar o ecossistema informativo e medi\u00e1tico\u201d em que vivemos, de modo a que as crian\u00e7as e jovens possam retirar desse ecossistema m\u00e1ximo\u00a0 proveito para as suas vidas e o seu bem-estar. Afinal, assegurar o bem-estar n\u00e3o implica, somente, salvaguardar a sua seguran\u00e7a, mas antes permitir-lhes que possam compreender e participar no mundo online com seguran\u00e7a e respeito. A fechar a sess\u00e3o, ficou a ideia de que, num ambiente medi\u00e1tico rico e diversificado, h\u00e1 que formar p\u00fablicos exigentes, cr\u00edticos e participativos, o que aponta para a necessidade urgente de apostar na literacia medi\u00e1tica como uma compet\u00eancia fundamental do s\u00e9culo XXI e um direito de todas as crian\u00e7as e jovens. O projeto bYou \u2013 Estudo das viv\u00eancias e express\u00f5es de crian\u00e7as e jovens sobre os media\u00a0[5], de que a RBE \u00e9 parceira, encoraja pr\u00e1ticas medi\u00e1ticas reflexivas e cr\u00edticas, numa perspetiva de Literacia para os Media e \u00e9, apenas, uma das muitas a\u00e7\u00f5es poss\u00edveis que urge desenvolver. \u00a0Notas [1]\u00a0 Ver mais em https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/Prioridades.html [2] Pereira, S. (2021). Crian\u00e7as, jovens e media na era digital: Consumidores e Produtores?. UMinho Editora\/Centro de Estudos de Comunica\u00e7\u00e3o e Sociedade. https:\/\/doi.org\/10.21814\/uminho.ed.45 [3] Tofler, A. (1984). A Terceira Vaga. Livros do Brasil. [4] Projeto financiado pela Uni\u00e3o Europeia no \u00e2mbito do programa Horizonte 2020 e que envolveu a participa\u00e7\u00e3o de oito pa\u00edses, entre eles Portugal, atrav\u00e9s da Universidade do Minho, com coordena\u00e7\u00e3o de Sara Pereira. Mais informa\u00e7\u00e3o em https:\/\/transmedialiteracy.org\/ [5] Aceder ao site do projeto- https:\/\/www.byou.ics.uminho.pt\/ \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[160,113,69],"tags":[],"class_list":["post-2777955","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-literacia-dos-media","category-redes-sociais","category-seguranca-na-internet"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2777955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2777955"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2777955\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086317,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2777955\/revisions\/3086317"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2777955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2777955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2777955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}