{"id":2773751,"date":"2023-10-10T08:47:00","date_gmt":"2023-10-10T08:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2773751.html"},"modified":"2026-05-13T14:00:13","modified_gmt":"2026-05-13T14:00:13","slug":"raparigas-adolescentes-e-saude-mental-qual-o-impacto-das-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2773751","title":{"rendered":"Raparigas adolescentes e sa\u00fade mental: qual o impacto das redes sociais?"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023-10-10.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22550041_wUpcC.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, concluiu-se que, em 2021, quase tr\u00eas em cada cinco raparigas adolescentes dos EUA se sentiam persistentemente tristes ou desesperadas \u2013 o dobro dos rapazes, representando um aumento de quase 60 % e o n\u00edvel mais elevado registado na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As redes sociais s\u00e3o normalmente responsabilizadas por este problema, embora a investiga\u00e7\u00e3o indique que t\u00eam efeitos positivos e negativos no bem-estar dos adolescentes (e, em alguns estudos, nenhum), dependendo o seu impacto, em grande parte, do adolescente em quest\u00e3o. Neste debate sobre as redes sociais e o bem-estar dos adolescentes, as suas vozes raramente s\u00e3o ouvidas, embora seja sobre eles que as decis\u00f5es dos adultos t\u00eam maior influ\u00eancia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.commonsensemedia.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Common Sense Media<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que tem apresentado v\u00e1rios estudos sobre esta mat\u00e9ria, lan\u00e7ou recentemente <a href=\"https:\/\/www.commonsensemedia.org\/sites\/default\/files\/research\/report\/how-girls-really-feel-about-social-media-researchreport_final_1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adolescentes e sa\u00fade mental: como as raparigas realmente se sentem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s redes sociais<\/a>, um estudo que parte precisamente do questionamento \u00e0s pr\u00f3prias adolescentes e que se concentra em cinco plataformas populares: YouTube, TikTok, Instagram, Snapchat e Aplica\u00e7\u00f5es de mensagens.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>N\u00e3o foi novidade que as raparigas entrevistadas usam muito as redes sociais e, apesar de os adultos temerem que isso as prejudique, n\u00e3o \u00e9 o que elas pensam. Mais de 80% das adolescentes entrevistadas pela Common Sense Media disseram que as redes sociais t\u00eam um impacto positivo ou neutro sobre elas pr\u00f3prias e sobre os seus pares. A maioria disse que as suas vidas seriam \u201cpiores\u201d, em vez de \u201cmelhores\u201d, sem elas, e citam experi\u00eancias positivas frequentes, referindo que as redes sociais as ligam aos amigos, as ajudam a encontrar uma comunidade e as exp\u00f5em a mensagens positivas sobre identidade racial e sexual, notando at\u00e9 que estas as ajudam a encontrar recursos e informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas as suas experi\u00eancias com as redes sociais s\u00e3o simultaneamente positivas e negativas:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\ud83d\udccd O impacto das redes sociais nas raparigas adolescentes (seja positivo ou negativo) est\u00e1 relacionado com o seu n\u00edvel de depress\u00e3o<\/strong>. Quase quatro em cada 10 raparigas (38 por cento) entrevistadas relataram ter sintomas de depress\u00e3o. As que tinham n\u00edveis mais elevados de depress\u00e3o (moderada a grave) \u201ctinham maior probabilidade do que as raparigas sem sintomas depressivos de dizer que o YouTube (10% vs. 4%), o Instagram (26% vs. 17%) e as aplica\u00e7\u00f5es de mensagens (19% vs. 8 por cento) tiveram um impacto principalmente negativo nas pessoas da sua idade.\u201d Este grupo tamb\u00e9m era \u201cmais propenso a dizer que suas vidas seriam &#8216;melhores&#8217; sem cada plataforma de rede social\u201d. Por outro lado, as raparigas com sintomas depressivos ligeiros eram \u201cmais propensas a dizer que as suas vidas seriam piores sem YouTube (53% vs. 38%), TikTok (41% vs. 33%), Snapchat (38% vs. 26%) e aplica\u00e7\u00f5es de mensagens (52% vs. 42%). Curiosamente, a rede social normalmente considerada como tendo um impacto negativo na sa\u00fade mental (Instagram) n\u00e3o est\u00e1 nesta lista.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\ud83d\udccd Adolescentes negras encontram experi\u00eancias positivas e negativas<\/strong>. De acordo com o relat\u00f3rio, \u201ca maioria das adolescentes negras relatou ter encontrado conte\u00fado positivo ou de afirma\u00e7\u00e3o de identidade relacionado com a ra\u00e7a em todas as plataformas\u201d. Ao mesmo tempo, aproximadamente \u201cdois ter\u00e7os das raparigas negras que usam o TikTok (66%) e o Instagram (64%) relatam j\u00e1 ter se deparado com conte\u00fado racista nessas plataformas, com uma em cada cinco afirmando que o encontra diariamente ou mais frequentemente.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\ud83d\udccd As adolescentes LGBTQ+<\/strong> tamb\u00e9m encontram experi\u00eancias positivas e negativas online. O discurso de \u00f3dio relacionado com a identidade sexual e de g\u00e9nero \u00e9 frequentemente experienciado por raparigas LGBTQ+ que usam as redes sociais, de acordo com o relat\u00f3rio. No entanto, esta mesma popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 \u201cmais propensa do que os seus pares n\u00e3o-LGBTQ+ a dizer que se relaciona frequentemente com outras pessoas que partilham os seus interesses ou identidades\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\ud83d\udccd As informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade mental s\u00e3o tanto prejudiciais como \u00fateis<\/strong>. O relat\u00f3rio conclui que \u201cquatro em cada 10 raparigas que usam o Instagram (41%) e o TikTok (39%) relatam encontrar conte\u00fado prejudicial relacionado com o suic\u00eddio pelo menos uma vez por m\u00eas nessas plataformas\u201d. Paradoxalmente, \u201ca maioria das raparigas relata encontrar regularmente informa\u00e7\u00f5es e recursos \u00fateis sobre sa\u00fade mental&#8230; com mais da metade dos utilizadores do TikTok (60%), Instagram (56%), Snapchat (5) e YouTube (55%) dizendo que veem conte\u00fados desse tipo pelo menos uma vez por m\u00eas.\u201d Al\u00e9m disso, as raparigas \u201ccom sintomas depressivos tinham maior probabilidade de se deparar com ambos, conte\u00fado prejudicial relacionado com o suic\u00eddio e conte\u00fado \u00fatil para a sa\u00fade mental, em compara\u00e7\u00e3o com raparigas sem sintomas depressivos.\u201d (O que se deve possivelmente a algoritmos que detetam o seu interesse pelo assunto.)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m identifica o que as raparigas consideram \u201cdesafiador\u201d. Por exemplo, dizem que se sentem \u201cviciadas\u201d no TikTok e que s\u00e3o \u201cmais propensas a denunciar contactos indesejados de estranhos no Instagram e no Snapchat\u201d. Elas tamb\u00e9m partilham opini\u00f5es sobre recursos de design, indicando, por exemplo, que \u201cpartilha de localiza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ccontas p\u00fablicas\u201d s\u00e3o recursos que consideram \u201cprincipalmente negativos\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Afinal as redes sociais s\u00e3o ben\u00e9ficas ou prejudiciais para as adolescentes?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A grande conclus\u00e3o deste relat\u00f3rio e a resposta a esta pergunta \u00e9 que s\u00e3o ambos. Para cada rapariga que as redes sociais ajudam, h\u00e1 uma que prejudicam. Cada experi\u00eancia positiva nas redes sociais parece ser contrabalan\u00e7ada por uma experi\u00eancia negativa. E, muitas vezes, a mesma rapariga vivencia as duas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que as redes sociais n\u00e3o ir\u00e3o desaparecer t\u00e3o cedo. E mesmo que consigamos impedir que os adolescentes o utilizem hoje (pouco prov\u00e1vel), \u00e9 natural que mais tarde o utilizem, seja por prazer ou por trabalho (provavelmente ambos). Mas uma rapariga s\u00f3 prejudicada j\u00e1 \u00e9 demais. \u00c9 necess\u00e1rio fazer alguma coisa para tornar as redes sociais mais seguras para todos, especialmente para os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Um caminho evidente \u00e9 exigir que as empresas de redes sociais implementem as muitas mudan\u00e7as e salvaguardas que t\u00eam sido pedidas. Mas esse caminho geralmente requer a\u00e7\u00e3o legislativa e fiscalizadora e nem sempre \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pido como desej\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Uma outra abordagem \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Temos de ensinar aos jovens como evitar muitos dos desafios dos quais este relat\u00f3rio mostra que eles est\u00e3o claramente conscientes. Eles devem saber como gerir a sua privacidade, bloquear contatos indesejados, filtrar conte\u00fado question\u00e1vel, ser mais esperto do que os algoritmos e usar as configura\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a que muitas redes sociais j\u00e1 oferecem. Os adolescentes capacitados com esse conhecimento ser\u00e3o capazes de tornar suas pr\u00f3prias experi\u00eancias on-line mais seguras. Basta perguntar-lhes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o promotora do estudo, Common Sense Media, tem trabalhado muito nesta dire\u00e7\u00e3o, disponibilizando m\u00faltiplos recursos de apoio, quer <a href=\"https:\/\/www.commonsensemedia.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para pais<\/a> quer <a href=\"https:\/\/www.commonsense.org\/education\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para educadores<\/a>, para abordar estas mat\u00e9rias com os adolescentes, um manancial de propostas que vale bem a pena estudar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em Portugal, tamb\u00e9m as bibliotecas escolares t\u00eam dado enfoque a estas quest\u00f5es e t\u00eam colaborado com os professores das suas escolas para colocar na agenda o bem-estar digital dos alunos. Se procura sugest\u00f5es, sugerimos que explore o recurso <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/AcBE-Media.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saber usar os media<\/a>. Certamente encontrar\u00e1 um bom apoio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nesi, J., Mann, S. and Robb, M. B. (2023). <em>Teens and mental health: How girls really feel about social media<\/em>. San Francisco, CA: Common Sense.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.commonsensemedia.org\/sites\/default\/files\/research\/report\/how-girls-really-feel-about-social-media-researchreport_final_1.pdf\">https:\/\/www.commonsensemedia.org\/sites\/default\/files\/research\/report\/how-girls-really-feel-about-social-media-researchreport_final_1.pdf<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Graber, D. (2023, 30 de mar\u00e7o). New Report Reveals How Teen Girls Feel About Social Media. <em>Psychology today<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.psychologytoday.com\/us\/blog\/raising-humans-in-a-digital-world\/202303\/new-report-reveals-how-teen-girls-feel-about-social\">https:\/\/www.psychologytoday.com\/us\/blog\/raising-humans-in-a-digital-world\/202303\/new-report-reveals-how-teen-girls-feel-about-social<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 24pt;\">\ud83d\udcf7<\/span> <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/elpolimata-14125890\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=6495193\">Omar Brito De Jes\u00fas<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=6495193\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio deste ano, concluiu-se que, em 2021, quase tr\u00eas em cada cinco raparigas adolescentes dos EUA se sentiam persistentemente tristes ou desesperadas \u2013 o dobro dos rapazes, representando um aumento de quase 60 % e o n\u00edvel mais elevado registado na \u00faltima d\u00e9cada. As redes sociais s\u00e3o normalmente responsabilizadas por este problema, embora a investiga\u00e7\u00e3o indique que t\u00eam efeitos positivos e negativos no bem-estar dos adolescentes (e, em alguns estudos, nenhum), dependendo o seu impacto, em grande parte, do adolescente em quest\u00e3o. Neste debate sobre as redes sociais e o bem-estar dos adolescentes, as suas vozes raramente s\u00e3o ouvidas, embora seja sobre eles que as decis\u00f5es dos adultos t\u00eam maior influ\u00eancia. Common Sense Media, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que tem apresentado v\u00e1rios estudos sobre esta mat\u00e9ria, lan\u00e7ou recentemente Adolescentes e sa\u00fade mental: como as raparigas realmente se sentem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s redes sociais, um estudo que parte precisamente do questionamento \u00e0s pr\u00f3prias adolescentes e que se concentra em cinco plataformas populares: YouTube, TikTok, Instagram, Snapchat e Aplica\u00e7\u00f5es de mensagens. N\u00e3o foi novidade que as raparigas entrevistadas usam muito as redes sociais e, apesar de os adultos temerem que isso as prejudique, n\u00e3o \u00e9 o que elas pensam. Mais de 80% das adolescentes entrevistadas pela Common Sense Media disseram que as redes sociais t\u00eam um impacto positivo ou neutro sobre elas pr\u00f3prias e sobre os seus pares. A maioria disse que as suas vidas seriam \u201cpiores\u201d, em vez de \u201cmelhores\u201d, sem elas, e citam experi\u00eancias positivas frequentes, referindo que as redes sociais as ligam aos amigos, as ajudam a encontrar uma comunidade e as exp\u00f5em a mensagens positivas sobre identidade racial e sexual, notando at\u00e9 que estas as ajudam a encontrar recursos e informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade mental. 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Por outro lado, as raparigas com sintomas depressivos ligeiros eram \u201cmais propensas a dizer que as suas vidas seriam piores sem YouTube (53% vs. 38%), TikTok (41% vs. 33%), Snapchat (38% vs. 26%) e aplica\u00e7\u00f5es de mensagens (52% vs. 42%). Curiosamente, a rede social normalmente considerada como tendo um impacto negativo na sa\u00fade mental (Instagram) n\u00e3o est\u00e1 nesta lista. \ud83d\udccd Adolescentes negras encontram experi\u00eancias positivas e negativas. De acordo com o relat\u00f3rio, \u201ca maioria das adolescentes negras relatou ter encontrado conte\u00fado positivo ou de afirma\u00e7\u00e3o de identidade relacionado com a ra\u00e7a em todas as plataformas\u201d. Ao mesmo tempo, aproximadamente \u201cdois ter\u00e7os das raparigas negras que usam o TikTok (66%) e o Instagram (64%) relatam j\u00e1 ter se deparado com conte\u00fado racista nessas plataformas, com uma em cada cinco afirmando que o encontra diariamente ou mais frequentemente.\u201d \ud83d\udccd As adolescentes LGBTQ+ tamb\u00e9m encontram experi\u00eancias positivas e negativas online. O discurso de \u00f3dio relacionado com a identidade sexual e de g\u00e9nero \u00e9 frequentemente experienciado por raparigas LGBTQ+ que usam as redes sociais, de acordo com o relat\u00f3rio. No entanto, esta mesma popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 \u201cmais propensa do que os seus pares n\u00e3o-LGBTQ+ a dizer que se relaciona frequentemente com outras pessoas que partilham os seus interesses ou identidades\u201d. \ud83d\udccd As informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade mental s\u00e3o tanto prejudiciais como \u00fateis. O relat\u00f3rio conclui que \u201cquatro em cada 10 raparigas que usam o Instagram (41%) e o TikTok (39%) relatam encontrar conte\u00fado prejudicial relacionado com o suic\u00eddio pelo menos uma vez por m\u00eas nessas plataformas\u201d. Paradoxalmente, \u201ca maioria das raparigas relata encontrar regularmente informa\u00e7\u00f5es e recursos \u00fateis sobre sa\u00fade mental&#8230; com mais da metade dos utilizadores do TikTok (60%), Instagram (56%), Snapchat (5) e YouTube (55%) dizendo que veem conte\u00fados desse tipo pelo menos uma vez por m\u00eas.\u201d Al\u00e9m disso, as raparigas \u201ccom sintomas depressivos tinham maior probabilidade de se deparar com ambos, conte\u00fado prejudicial relacionado com o suic\u00eddio e conte\u00fado \u00fatil para a sa\u00fade mental, em compara\u00e7\u00e3o com raparigas sem sintomas depressivos.\u201d (O que se deve possivelmente a algoritmos que detetam o seu interesse pelo assunto.) O relat\u00f3rio tamb\u00e9m identifica o que as raparigas consideram \u201cdesafiador\u201d. Por exemplo, dizem que se sentem \u201cviciadas\u201d no TikTok e que s\u00e3o \u201cmais propensas a denunciar contactos indesejados de estranhos no Instagram e no Snapchat\u201d. Elas tamb\u00e9m partilham opini\u00f5es sobre recursos de design, indicando, por exemplo, que \u201cpartilha de localiza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ccontas p\u00fablicas\u201d s\u00e3o recursos que consideram \u201cprincipalmente negativos\u201d. Afinal as redes sociais s\u00e3o ben\u00e9ficas ou prejudiciais para as adolescentes? A grande conclus\u00e3o deste relat\u00f3rio e a resposta a esta pergunta \u00e9 que s\u00e3o ambos. Para cada rapariga que as redes sociais ajudam, h\u00e1 uma que prejudicam. Cada experi\u00eancia positiva nas redes sociais parece ser contrabalan\u00e7ada por uma experi\u00eancia negativa. E, muitas vezes, a mesma rapariga vivencia as duas situa\u00e7\u00f5es. Mas a verdade \u00e9 que as redes sociais n\u00e3o ir\u00e3o desaparecer t\u00e3o cedo. E mesmo que consigamos impedir que os adolescentes o utilizem hoje (pouco prov\u00e1vel), \u00e9 natural que mais tarde o utilizem, seja por prazer ou por trabalho (provavelmente ambos). Mas uma rapariga s\u00f3 prejudicada j\u00e1 \u00e9 demais. \u00c9 necess\u00e1rio fazer alguma coisa para tornar as redes sociais mais seguras para todos, especialmente para os mais vulner\u00e1veis. Um caminho evidente \u00e9 exigir que as empresas de redes sociais implementem as muitas mudan\u00e7as e salvaguardas que t\u00eam sido pedidas. Mas esse caminho geralmente requer a\u00e7\u00e3o legislativa e fiscalizadora e nem sempre \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pido como desej\u00e1vel. Uma outra abordagem \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Temos de ensinar aos jovens como evitar muitos dos desafios dos quais este relat\u00f3rio mostra que eles est\u00e3o claramente conscientes. Eles devem saber como gerir a sua privacidade, bloquear contatos indesejados, filtrar conte\u00fado question\u00e1vel, ser mais esperto do que os algoritmos e usar as configura\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a que muitas redes sociais j\u00e1 oferecem. Os adolescentes capacitados com esse conhecimento ser\u00e3o capazes de tornar suas pr\u00f3prias experi\u00eancias on-line mais seguras. Basta perguntar-lhes. A organiza\u00e7\u00e3o promotora do estudo, Common Sense Media, tem trabalhado muito nesta dire\u00e7\u00e3o, disponibilizando m\u00faltiplos recursos de apoio, quer para pais quer para educadores, para abordar estas mat\u00e9rias com os adolescentes, um manancial de propostas que vale bem a pena estudar. Em Portugal, tamb\u00e9m as bibliotecas escolares t\u00eam dado enfoque a estas quest\u00f5es e t\u00eam colaborado com os professores das suas escolas para colocar na agenda o bem-estar digital dos alunos. 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