{"id":2765089,"date":"2023-09-18T09:00:00","date_gmt":"2023-09-18T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2765089.html"},"modified":"2026-05-13T14:02:26","modified_gmt":"2026-05-13T14:02:26","slug":"education-at-a-glance-um-olhar-sobre-a-educacao-em-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2765089","title":{"rendered":"Education at a Glance: Um olhar sobre a Educa\u00e7\u00e3o em 2023"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023-09-18.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22537684_OGfrr.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Education at a Glance <\/em>\u00e9 um relat\u00f3rio anual da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE), que apresenta uma an\u00e1lise abrangente e comparativa das tend\u00eancias educativas em diversos pa\u00edses membros, nos quais se inclui Portugal, e parceiros. Considera os diversos n\u00edveis de ensino, desde a educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar at\u00e9 o ensino superior e a forma\u00e7\u00e3o profissional, e inclui v\u00e1rios indicadores educacionais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O objetivo principal deste relat\u00f3rio, uma refer\u00eancia a n\u00edvel mundial, \u00e9 devolver uma vis\u00e3o geral das pol\u00edticas educacionais e as suas consequ\u00eancias em termos de acesso, qualidade, financiamento e resultados educacionais, sendo uma \u201cferramenta\u201d para os governos e investigadores perceberem as tend\u00eancias e os desafios educacionais numa escala global e, assim, poderem tomar decis\u00f5es e medidas pol\u00edticas mais assertivas em educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O tema central da edi\u00e7\u00e3o de 2023 foi o ensino e a forma\u00e7\u00e3o profissional e o relat\u00f3rio deste ano inclui um cap\u00edtulo sobre as medidas adotadas e a adotar pelos pa\u00edses membros da OCDE para integra\u00e7\u00e3o dos refugiados ucranianos no sistema educativo de acolhimento.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As principais conclus\u00f5es deste olhar sobre a educa\u00e7\u00e3o em sistemas de ensino de pa\u00edses muito d\u00edspares foram divulgadas no in\u00edcio do ano letivo 2023\/24, no dia 12 de setembro, na Escola Secund\u00e1ria Lu\u00eds Freitas Branco, em Oeiras.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O desenvolvimento do relat\u00f3rio apresenta 4 sec\u00e7\u00f5es distintas, cada uma delas subdividida em subcap\u00edtulos<sup> [1]<\/sup>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>1.\u00ba Cap\u00edtulo-<\/strong> <em>Outputs <\/em>dos estabelecimentos de ensino e impacto da aprendizagem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2.\u00ba Cap\u00edtulo- <\/strong>Acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e progress\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>3.\u00ba Cap\u00edtulo-<\/strong> Recursos financeiros investidos na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>4.\u00ba Cap\u00edtulo-<\/strong> Professores, contexto de aprendizagem e organiza\u00e7\u00e3o das escolas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No final, o relat\u00f3rio inclui uma sec\u00e7\u00e3o de notas com informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas relativas aos sistemas educativos e situa\u00e7\u00e3o de cada um dos pa\u00edses considerados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Globalmente, o relat\u00f3rio revela uma evolu\u00e7\u00e3o bastante positiva de Portugal na generalidade dos indicadores, sendo, seguidamente, apresentadas algumas das ideias principais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Entre 2015 e 2021, verificou-se um <strong>aumento da percentagem de jovens entre os 25 e os 34 anos que conclu\u00edram o ensino superior <\/strong>(de 33% em 2015 para 44% em 2021), bem como uma significativa diminui\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o tinham qualifica\u00e7\u00f5es de n\u00edvel secund\u00e1rio (16 pontos percentuais,de 33% para 17%).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No entanto, <strong>ainda h\u00e1 17% da popula\u00e7\u00e3o entre os 25 e os 34 anos que n\u00e3o chegou sequer ao ensino secund\u00e1rio<\/strong>, tr\u00eas pontos percentuais acima da m\u00e9dia da OCDE, ainda que, nos \u00faltimos cinco anos, o n\u00famero de jovens adultos que n\u00e3o completaram o ensino secund\u00e1rio tenha diminu\u00eddo significativamente (16%).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atualmente, na OCDE, o ensino secund\u00e1rio e o ensino superior t\u00eam j\u00e1 o mesmo peso nas qualifica\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o entre os 25 e 64 anos (cerca de 40%), mas em Portugal <strong>h\u00e1 um\u00a0 n\u00famero cada vez maior de pessoas em idade ativa que foram al\u00e9m do ensino secund\u00e1rio<\/strong>&#8211;\u00a0 39,6% da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa n\u00e3o tem\u00a0 o ensino secund\u00e1rio, mas <strong>o ensino superior \u00e9 cada vez mais proeminente nas qualifica\u00e7\u00f5es dos portugueses<\/strong>: de 33%, em 2015, passou para 44%, em 2022. Considerando os adultos at\u00e9 aos 64 anos, 31% frequentaram o ensino superior.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>O relat\u00f3rio<\/strong>, que na edi\u00e7\u00e3o deste ano <strong>dedica grande aten\u00e7\u00e3o ao ensino e forma\u00e7\u00e3o vocacionais<\/strong>, sublinha a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida, como resposta \u00e0s\u00a0 mudan\u00e7as cada vez mais r\u00e1pidas e \u00e0s exig\u00eancias do mercado de trabalho. Os programas de EFP (Educa\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o Profissional) de alta qualidade facilitam a integra\u00e7\u00e3o dos alunos nos mercados de trabalho e abrem caminhos para um desenvolvimento pessoal e profissional mais aprofundado. No entanto, a qualidade e import\u00e2ncia dos programas de EFP varia muito entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste \u00e2mbito, na compara\u00e7\u00e3o internacional, <strong>Portugal fica aqu\u00e9m da m\u00e9dia dos parceiros da OCDE na generalidade dos indicadores<\/strong>. Desde logo, a percentagem de jovens portugueses em programas vocacionais \u00e9 inferior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE (39% em territ\u00f3rio nacional contra 44% nos restantes pa\u00edses). Apesar de cada vez mais alunos escolherem o ensino profissional, Portugal continua a ter poucos jovens a frequentar programas vocacionais (cerca de 39% em 2021), apresentando cinco pontos percentuais abaixo da m\u00e9dia da OCDE, e a esmagadora maioria est\u00e1 no ensino profissional. <strong>Enquanto o n\u00edvel de ensino mais elevado de cerca de 30% dos jovens da OCDE tem orienta\u00e7\u00e3o profissional, em Portugal essa percentagem \u00e9 de apenas 21%. <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Comparando as duas vias de ensino no nosso pa\u00eds com a m\u00e9dia da OCDE, no que se refere ao prosseguimento de estudos, <strong>80% dos alunos do ensino regular continuam a estudar<\/strong>, enquanto <strong>somente 18% dos alunos que frequentaram o ensino profissional o fazem<\/strong>. Estes \u00faltimos preferem seguir diretamente para o mercado de trabalho, pois a forma\u00e7\u00e3o profissional facilita a transi\u00e7\u00e3o da escola para o mercado de trabalho.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em termos de <strong>sucesso<\/strong>, \u00e9 revelado que, na maioria dos pa\u00edses com dados dispon\u00edveis, <strong>as taxas de conclus\u00e3o em programas de ensino secund\u00e1rio profissional s\u00e3o inferiores \u00e0s dos programas de ensino secund\u00e1rio geral<\/strong>. Em Portugal, 63% dos estudantes profissionais concluem o ensino secund\u00e1rio dentro da dura\u00e7\u00e3o esperada e 69% concluem ap\u00f3s mais dois anos, sendo que muitos, ao final de cinco anos, acabam por desistir, apresentando o risco de engrossar o n\u00famero de NEET (jovens adultos nem empregados nem envolvidos em programas de educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o formal).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em toda a OCDE, <strong>as taxas de desemprego para jovens de 25 a 34 anos com forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria profissional s\u00e3o inferiores \u00e0s dos seus colegas com forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria geral ou p\u00f3s-secund\u00e1ria n\u00e3o superior<\/strong>. Isso tamb\u00e9m acontece em Portugal, onde 8,1% dos jovens adultos com forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria profissional est\u00e3o desempregados, em compara\u00e7\u00e3o com 8,4% dos que t\u00eam forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria geral.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O sistema de <strong>educa\u00e7\u00e3o superior<\/strong> <strong>melhorou<\/strong>, mas continua muito direcionado para os jovens e <strong>tem de \u201ccontribuir mais\u201d para a forma\u00e7\u00e3o, requalifica\u00e7\u00e3o e reconvers\u00e3o profissional de adultos<\/strong>. A idade m\u00e9dia dos alunos \u00e0 entrada da licenciatura ou mestrado em Portugal \u00e9 muito mais baixa do que na OCDE, o que aponta para uma presen\u00e7a reduzida de adultos. Considerando os adultos at\u00e9 aos 64 anos, somente 31% frequentaram o ensino superior.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 <strong>transi\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para o trabalho,<\/strong> Portugal tem feito <strong>progressos significativos nos \u00faltimos anos<\/strong>. A taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos caiu de 26%, em 2010, para 12%, em 2022. Todavia, a taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos \u00e9 mais alta do que a taxa de desemprego geral, e os jovens de baixo rendimento e de grupos minorit\u00e1rios est\u00e3o mais sujeitos ao desemprego.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Outro aspecto salientado no relat\u00f3rio \u00e9 a<strong> diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de jovens portugueses que n\u00e3o estuda nem trabalha<\/strong><span>. <\/span>Em 2022, <strong>11,4%<\/strong> dos jovens entre os 18 e os 24 anos em Portugal n\u00e3o estavam empregados nem frequentavam programas de educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o, o que significa uma descida de quase quatro pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio <em>Education at a Glance de 2018<\/em>. No entanto, ainda assim, <strong>a\u00a0 situa\u00e7\u00e3o em Portugal n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tica como na m\u00e9dia da OCDE, onde a percentagem \u00e9\u00a0 14,7%.<\/strong> Neste aspeto, Portugal encontra-se entre os 15 pa\u00edses com percentagens mais baixas de jovens que n\u00e3o estudam nem trabalham. J\u00e1 <strong>no grupo entre os 25 e os 29 anos, a percentagem \u00e9 de 16,3%, tamb\u00e9m abaixo da m\u00e9dia (17,6%).<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Reduzir as taxas dos jovens adultos que n\u00e3o trabalham nem frequentam programas de educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio particularmente importante em todos os pa\u00edses, pois estes enfrentar\u00e3o maiores dificuldades no mercado de trabalho mais tarde do que os seus pares que permaneceram na educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o nesta idade. A aprendizagem ao longo da vida \u00e9 fundamental numa sociedade em constante evolu\u00e7\u00e3o e que exige novos conhecimentos e compet\u00eancias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio destaca que em Portugal h\u00e1 uma<strong> forte rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel de escolaridade e a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho<\/strong>. O n\u00edvel de escolaridade \u00e9 um dos principais fatores que determinam a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho: os que t\u00eam maior n\u00edvel de escolaridade t\u00eam mais probabilidade de estar empregados, de terem empregos de alta qualidade e de ganharem sal\u00e1rios mais altos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, existe uma <strong>rela\u00e7\u00e3o direta entre o n\u00edvel de escolaridade e o vencimento.<\/strong> Os trabalhadores com maior n\u00edvel de escolaridade t\u00eam mais probabilidade de obter empregos de alta qualidade e de ganhar sal\u00e1rios mais altos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, nos pa\u00edses da OCDE, os jovens adultos que conclu\u00edram o ensino superior ou equivalente ganham 44% mais do que os que conclu\u00edram o ensino secund\u00e1rio ou o ensino p\u00f3s-secund\u00e1rio n\u00e3o superior profissional. Ter um curso superior continua a proteger mais os trabalhadores e a dar vantagens salariais e de acesso ao mercado de trabalho em Portugal.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Portugal n\u00e3o se afasta da m\u00e9dia da OCDE<\/strong> quando se compara apenas o investimento feito <strong>tendo em conta a percentagem de Produto Interno Bruto (PIB)<\/strong>, tendo gasto 5,1 % do seu PIB em institui\u00e7\u00f5es desde o ensino b\u00e1sico ao superior, uma percentagem alinhada com a m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O <strong>valor gasto em Portugal <\/strong>representa, no entanto, <strong>um esfor\u00e7o maior para o pa\u00eds<\/strong>, pois <strong>a despesa por estudante equivale a 31% do PIB <em>per capita<\/em>, enquanto a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 de 27%<\/strong>, portanto, o pa\u00eds\u00a0 gasta relativamente mais em educa\u00e7\u00e3o do que a maioria dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por\u00e9m, <strong>Portugal gasta menos 14% por estudante do que a m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE,<\/strong> despendendo, em todos os n\u00edveis, desde o ensino prim\u00e1rio ao superior, <strong>10.063 euros anualmente por estudante, enquanto a m\u00e9dia da OCDE foi de 11.766 euros<\/strong><sup>[2]<\/sup>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Portugal \u00e9 um pa\u00eds com um sistema de educa\u00e7\u00e3o predominantemente p\u00fablico. <\/strong>Em 2022, o sector p\u00fablico foi respons\u00e1vel por 95% do gasto em educa\u00e7\u00e3o, percentagem superior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE, que \u00e9 de 87%. O investimento privado em educa\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 maior no ensino superior do que no ensino prim\u00e1rio e secund\u00e1rio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em toda a OCDE, ao longo do ensino b\u00e1sico (9 anos), o tempo de ensino obrigat\u00f3rio totaliza uma m\u00e9dia de 7 634 horas, distribu\u00eddas por nove anos. Em Portugal, <strong>o tempo total de ensino obrigat\u00f3rio \u00e9 superior, com 7 700 horas. <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio destaca que em Portugal o <strong>corpo docente<\/strong> \u00e9 <strong>experiente, qualificado mas est\u00e1 envelhecido<\/strong>. Mais de 45% dos professores portugueses t\u00eam acima de 50 anos, uma percentagem superior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE (40%), o que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o preocupante que resultar\u00e1 na <strong>escassez de professores num futuro pr\u00f3ximo<\/strong>. <strong>Somente 4% dos rec\u00e9m-chegados ao ensino superior seguem uma carreira na Educa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio salienta que sal\u00e1rios competitivos, oportunidades de progress\u00e3o na carreira e boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o alavancas importantes para incentivar a profiss\u00e3o de professor e aumentar a satisfa\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 trabalham nas escolas. No caso dos <strong>professores nacionais<\/strong>, os seus <strong>vencimentos est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses que pertencem \u00e0 OCDE.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Entre 2015 e 2021, <strong>os sal\u00e1rios reais dos professores portugueses ca\u00edram 1% em Portugal<\/strong>, situa\u00e7\u00e3o que contrasta com o que aconteceu na generalidade dos pa\u00edses da <strong>OCDE<\/strong>, em que se verificou uma <strong>subida de 6%, em m\u00e9dia<\/strong>, no mesmo per\u00edodo de oito anos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O <strong>descongelamento dos sal\u00e1rios em 2018<\/strong>, depois de anos de estagna\u00e7\u00e3o que coincidiram com o per\u00edodo de emerg\u00eancia financeira e a interven\u00e7\u00e3o externa no pa\u00eds, possibilitou a recupera\u00e7\u00e3o gradual dos sal\u00e1rios dos professores at\u00e9 2022, mas <strong>a recupera\u00e7\u00e3o de rendimentos n\u00e3o foi suficiente para compensar a perda sofrida nos anos anteriores <\/strong>&#8211; entre 2010 e 2015, os sal\u00e1rios reais dos professores nacionais ca\u00edram 9%, ao passo que na m\u00e9dia da OCDE se mantiveram estagnados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na OCDE, a m\u00e9dia salarial (medida em paridades de poder de compra) de um professor do ensino secund\u00e1rio com 15 anos de servi\u00e7o chega aos 53.456 d\u00f3lares americanos anuais. Em Portugal, o sal\u00e1rio correspondente, ajustado pelo poder de compra, \u00e9 de 44 277 d\u00f3lares americanos, o que equivale a 29 100 euros, cerca de 8 mil euros a menos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Apesar desta queda nos sal\u00e1rios reais, <strong>os professores portugueses do ensino obrigat\u00f3rio ganham mais 42% do que a m\u00e9dia dos restantes trabalhadores licenciados<\/strong>, um n\u00famero que resulta do facto de ser uma <strong>classe muito envelhecida, com a maior parte dos docentes no topo da carreira<\/strong>. Portugal tamb\u00e9m regista uma das maiores diferen\u00e7as entre os valores m\u00e1ximos (dos \u00faltimos escal\u00f5es) e m\u00ednimos dos sal\u00e1rios pagos aos professores.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, o relat\u00f3rio <span><a href=\"https:\/\/bing.com\/search?q=objetivo+do+relat%c3%b3rio+Education+at+a+glance+2023\"><em>\u00a0<\/em><\/a><a href=\"https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/docserver\/e13bef63-en.pdf?expires=1694945969&amp;id=id&amp;accname=guest&amp;checksum=304735478C94C4AF8165AFC675F59C3D\"><em>Education at a Glance 2023: OECD Indicators<\/em><\/a><a href=\"https:\/\/bing.com\/search?q=objetivo+do+relat%c3%b3rio+Education+at+a+glance+2023\">, divulgado recentemente pela OCDE,<\/a><\/span> partindo da an\u00e1lise de v\u00e1rios <span><a href=\"https:\/\/bing.com\/search?q=objetivo+do+relat%c3%b3rio+Education+at+a+glance+2023\">indicadores internacionalmente compar\u00e1veis<\/a><\/span> relacionados com quest\u00f5es no topo da agenda de pol\u00edticas educativas nacionais, fornece uma base importante para que os respons\u00e1veis pol\u00edticos e outros envolvidos em educa\u00e7\u00e3o possam\u00a0 repensar e melhorar alguns aspetos do sistema educativo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li>Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Segundo valores ajustados pelo fator de convers\u00e3o da Paridade do Poder de Compra (PPP)<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li><span><a href=\"https:\/\/24.sapo.pt\/parceiro\/sapo24-com-lusa\">MadreMedia \/ Lusa<\/a><\/span> (12 de setembro de 2023). Portugal gasta com cada aluno menos 14% do que a m\u00e9dia da OCDE. <em>Sapo24<\/em>. <span><a href=\"https:\/\/24.sapo.pt\/atualidade\/artigos\/portugal-gasta-com-cada-aluno-menos-14-do-que-a-media-da-ocde\">https:\/\/24.sapo.pt\/atualidade\/artigos\/portugal-gasta-com-cada-aluno-menos-14-do-que-a-media-da-ocde<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li>OECD (2023). <em>Education at a Glance 2023:\u00a0OECD Indicators.<\/em> OECD Publishing.<span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1787\/e13bef63-en\">https:\/\/doi.org\/10.1787\/e13bef63-en<\/a><\/span>.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>OECD (2023). \u201cPortugal\u201d. <em>Education at a Glance 2023:\u00a0OECD Indicators<\/em>. OECD Publishing. <span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1787\/e13bef63-en\">https:\/\/doi.org\/10.1787\/e13bef63-en<\/a><\/span>.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Silva, S. (12 de setembro de 2023). Professores: sal\u00e1rios reais ca\u00edram 1% em Portugal, mas subiram 6% na OCDE. <em>P\u00fablico<\/em>.<\/li>\n<p><\/p>\n<li><span><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/09\/12\/sociedade\/noticia\/professores-salarios-reais-cairam-1-portugal-subiram-6-ocde-2062986\">https:\/\/www.publico.pt\/2023\/09\/12\/sociedade\/noticia\/professores-salarios-reais-cairam-1-portugal-subiram-6-ocde-2062986<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li>\ud83d\udcf7 <u>[2]<\/u><\/li>\n<p><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Education at a Glance \u00e9 um relat\u00f3rio anual da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE), que apresenta uma an\u00e1lise abrangente e comparativa das tend\u00eancias educativas em diversos pa\u00edses membros, nos quais se inclui Portugal, e parceiros. Considera os diversos n\u00edveis de ensino, desde a educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar at\u00e9 o ensino superior e a forma\u00e7\u00e3o profissional, e inclui v\u00e1rios indicadores educacionais. O objetivo principal deste relat\u00f3rio, uma refer\u00eancia a n\u00edvel mundial, \u00e9 devolver uma vis\u00e3o geral das pol\u00edticas educacionais e as suas consequ\u00eancias em termos de acesso, qualidade, financiamento e resultados educacionais, sendo uma \u201cferramenta\u201d para os governos e investigadores perceberem as tend\u00eancias e os desafios educacionais numa escala global e, assim, poderem tomar decis\u00f5es e medidas pol\u00edticas mais assertivas em educa\u00e7\u00e3o. O tema central da edi\u00e7\u00e3o de 2023 foi o ensino e a forma\u00e7\u00e3o profissional e o relat\u00f3rio deste ano inclui um cap\u00edtulo sobre as medidas adotadas e a adotar pelos pa\u00edses membros da OCDE para integra\u00e7\u00e3o dos refugiados ucranianos no sistema educativo de acolhimento. As principais conclus\u00f5es deste olhar sobre a educa\u00e7\u00e3o em sistemas de ensino de pa\u00edses muito d\u00edspares foram divulgadas no in\u00edcio do ano letivo 2023\/24, no dia 12 de setembro, na Escola Secund\u00e1ria Lu\u00eds Freitas Branco, em Oeiras. O desenvolvimento do relat\u00f3rio apresenta 4 sec\u00e7\u00f5es distintas, cada uma delas subdividida em subcap\u00edtulos [1]. 1.\u00ba Cap\u00edtulo- Outputs dos estabelecimentos de ensino e impacto da aprendizagem. 2.\u00ba Cap\u00edtulo- Acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e progress\u00e3o. 3.\u00ba Cap\u00edtulo- Recursos financeiros investidos na educa\u00e7\u00e3o. 4.\u00ba Cap\u00edtulo- Professores, contexto de aprendizagem e organiza\u00e7\u00e3o das escolas. No final, o relat\u00f3rio inclui uma sec\u00e7\u00e3o de notas com informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas relativas aos sistemas educativos e situa\u00e7\u00e3o de cada um dos pa\u00edses considerados. Globalmente, o relat\u00f3rio revela uma evolu\u00e7\u00e3o bastante positiva de Portugal na generalidade dos indicadores, sendo, seguidamente, apresentadas algumas das ideias principais. Entre 2015 e 2021, verificou-se um aumento da percentagem de jovens entre os 25 e os 34 anos que conclu\u00edram o ensino superior (de 33% em 2015 para 44% em 2021), bem como uma significativa diminui\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o tinham qualifica\u00e7\u00f5es de n\u00edvel secund\u00e1rio (16 pontos percentuais,de 33% para 17%). No entanto, ainda h\u00e1 17% da popula\u00e7\u00e3o entre os 25 e os 34 anos que n\u00e3o chegou sequer ao ensino secund\u00e1rio, tr\u00eas pontos percentuais acima da m\u00e9dia da OCDE, ainda que, nos \u00faltimos cinco anos, o n\u00famero de jovens adultos que n\u00e3o completaram o ensino secund\u00e1rio tenha diminu\u00eddo significativamente (16%). Atualmente, na OCDE, o ensino secund\u00e1rio e o ensino superior t\u00eam j\u00e1 o mesmo peso nas qualifica\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o entre os 25 e 64 anos (cerca de 40%), mas em Portugal h\u00e1 um\u00a0 n\u00famero cada vez maior de pessoas em idade ativa que foram al\u00e9m do ensino secund\u00e1rio&#8211;\u00a0 39,6% da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa n\u00e3o tem\u00a0 o ensino secund\u00e1rio, mas o ensino superior \u00e9 cada vez mais proeminente nas qualifica\u00e7\u00f5es dos portugueses: de 33%, em 2015, passou para 44%, em 2022. Considerando os adultos at\u00e9 aos 64 anos, 31% frequentaram o ensino superior. O relat\u00f3rio, que na edi\u00e7\u00e3o deste ano dedica grande aten\u00e7\u00e3o ao ensino e forma\u00e7\u00e3o vocacionais, sublinha a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida, como resposta \u00e0s\u00a0 mudan\u00e7as cada vez mais r\u00e1pidas e \u00e0s exig\u00eancias do mercado de trabalho. Os programas de EFP (Educa\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o Profissional) de alta qualidade facilitam a integra\u00e7\u00e3o dos alunos nos mercados de trabalho e abrem caminhos para um desenvolvimento pessoal e profissional mais aprofundado. No entanto, a qualidade e import\u00e2ncia dos programas de EFP varia muito entre os pa\u00edses. Neste \u00e2mbito, na compara\u00e7\u00e3o internacional, Portugal fica aqu\u00e9m da m\u00e9dia dos parceiros da OCDE na generalidade dos indicadores. Desde logo, a percentagem de jovens portugueses em programas vocacionais \u00e9 inferior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE (39% em territ\u00f3rio nacional contra 44% nos restantes pa\u00edses). Apesar de cada vez mais alunos escolherem o ensino profissional, Portugal continua a ter poucos jovens a frequentar programas vocacionais (cerca de 39% em 2021), apresentando cinco pontos percentuais abaixo da m\u00e9dia da OCDE, e a esmagadora maioria est\u00e1 no ensino profissional. Enquanto o n\u00edvel de ensino mais elevado de cerca de 30% dos jovens da OCDE tem orienta\u00e7\u00e3o profissional, em Portugal essa percentagem \u00e9 de apenas 21%. Comparando as duas vias de ensino no nosso pa\u00eds com a m\u00e9dia da OCDE, no que se refere ao prosseguimento de estudos, 80% dos alunos do ensino regular continuam a estudar, enquanto somente 18% dos alunos que frequentaram o ensino profissional o fazem. Estes \u00faltimos preferem seguir diretamente para o mercado de trabalho, pois a forma\u00e7\u00e3o profissional facilita a transi\u00e7\u00e3o da escola para o mercado de trabalho. Em termos de sucesso, \u00e9 revelado que, na maioria dos pa\u00edses com dados dispon\u00edveis, as taxas de conclus\u00e3o em programas de ensino secund\u00e1rio profissional s\u00e3o inferiores \u00e0s dos programas de ensino secund\u00e1rio geral. Em Portugal, 63% dos estudantes profissionais concluem o ensino secund\u00e1rio dentro da dura\u00e7\u00e3o esperada e 69% concluem ap\u00f3s mais dois anos, sendo que muitos, ao final de cinco anos, acabam por desistir, apresentando o risco de engrossar o n\u00famero de NEET (jovens adultos nem empregados nem envolvidos em programas de educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o formal). Em toda a OCDE, as taxas de desemprego para jovens de 25 a 34 anos com forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria profissional s\u00e3o inferiores \u00e0s dos seus colegas com forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria geral ou p\u00f3s-secund\u00e1ria n\u00e3o superior. Isso tamb\u00e9m acontece em Portugal, onde 8,1% dos jovens adultos com forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria profissional est\u00e3o desempregados, em compara\u00e7\u00e3o com 8,4% dos que t\u00eam forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria geral. O sistema de educa\u00e7\u00e3o superior melhorou, mas continua muito direcionado para os jovens e tem de \u201ccontribuir mais\u201d para a forma\u00e7\u00e3o, requalifica\u00e7\u00e3o e reconvers\u00e3o profissional de adultos. A idade m\u00e9dia dos alunos \u00e0 entrada da licenciatura ou mestrado em Portugal \u00e9 muito mais baixa do que na OCDE, o que aponta para uma presen\u00e7a reduzida de adultos. Considerando os adultos at\u00e9 aos 64 anos, somente 31% frequentaram o ensino superior. No que diz respeito \u00e0 transi\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para o trabalho, Portugal tem feito progressos significativos nos \u00faltimos anos. A taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos caiu de 26%, em 2010, para 12%, em 2022. Todavia, a taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos \u00e9 mais alta do que a taxa de desemprego geral, e os jovens de baixo rendimento e de grupos minorit\u00e1rios est\u00e3o mais sujeitos ao desemprego. Outro aspecto salientado no relat\u00f3rio \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de jovens portugueses que n\u00e3o estuda nem trabalha. Em 2022, 11,4% dos jovens entre os 18 e os 24 anos em Portugal n\u00e3o estavam empregados nem frequentavam programas de educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o, o que significa uma descida de quase quatro pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio Education at a Glance de 2018. No entanto, ainda assim, a\u00a0 situa\u00e7\u00e3o em Portugal n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tica como na m\u00e9dia da OCDE, onde a percentagem \u00e9\u00a0 14,7%. Neste aspeto, Portugal encontra-se entre os 15 pa\u00edses com percentagens mais baixas de jovens que n\u00e3o estudam nem trabalham. J\u00e1 no grupo entre os 25 e os 29 anos, a percentagem \u00e9 de 16,3%, tamb\u00e9m abaixo da m\u00e9dia (17,6%). Reduzir as taxas dos jovens adultos que n\u00e3o trabalham nem frequentam programas de educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio particularmente importante em todos os pa\u00edses, pois estes enfrentar\u00e3o maiores dificuldades no mercado de trabalho mais tarde do que os seus pares que permaneceram na educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o nesta idade. A aprendizagem ao longo da vida \u00e9 fundamental numa sociedade em constante evolu\u00e7\u00e3o e que exige novos conhecimentos e compet\u00eancias. O relat\u00f3rio destaca que em Portugal h\u00e1 uma forte rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel de escolaridade e a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. O n\u00edvel de escolaridade \u00e9 um dos principais fatores que determinam a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho: os que t\u00eam maior n\u00edvel de escolaridade t\u00eam mais probabilidade de estar empregados, de terem empregos de alta qualidade e de ganharem sal\u00e1rios mais altos. Al\u00e9m disso, existe uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o n\u00edvel de escolaridade e o vencimento. Os trabalhadores com maior n\u00edvel de escolaridade t\u00eam mais probabilidade de obter empregos de alta qualidade e de ganhar sal\u00e1rios mais altos. Em m\u00e9dia, nos pa\u00edses da OCDE, os jovens adultos que conclu\u00edram o ensino superior ou equivalente ganham 44% mais do que os que conclu\u00edram o ensino secund\u00e1rio ou o ensino p\u00f3s-secund\u00e1rio n\u00e3o superior profissional. Ter um curso superior continua a proteger mais os trabalhadores e a dar vantagens salariais e de acesso ao mercado de trabalho em Portugal. Portugal n\u00e3o se afasta da m\u00e9dia da OCDE quando se compara apenas o investimento feito tendo em conta a percentagem de Produto Interno Bruto (PIB), tendo gasto 5,1 % do seu PIB em institui\u00e7\u00f5es desde o ensino b\u00e1sico ao superior, uma percentagem alinhada com a m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE. O valor gasto em Portugal representa, no entanto, um esfor\u00e7o maior para o pa\u00eds, pois a despesa por estudante equivale a 31% do PIB per capita, enquanto a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 de 27%, portanto, o pa\u00eds\u00a0 gasta relativamente mais em educa\u00e7\u00e3o do que a maioria dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (UE). Por\u00e9m, Portugal gasta menos 14% por estudante do que a m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, despendendo, em todos os n\u00edveis, desde o ensino prim\u00e1rio ao superior, 10.063 euros anualmente por estudante, enquanto a m\u00e9dia da OCDE foi de 11.766 euros[2]. Portugal \u00e9 um pa\u00eds com um sistema de educa\u00e7\u00e3o predominantemente p\u00fablico. Em 2022, o sector p\u00fablico foi respons\u00e1vel por 95% do gasto em educa\u00e7\u00e3o, percentagem superior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE, que \u00e9 de 87%. O investimento privado em educa\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 maior no ensino superior do que no ensino prim\u00e1rio e secund\u00e1rio. Em toda a OCDE, ao longo do ensino b\u00e1sico (9 anos), o tempo de ensino obrigat\u00f3rio totaliza uma m\u00e9dia de 7 634 horas, distribu\u00eddas por nove anos. Em Portugal, o tempo total de ensino obrigat\u00f3rio \u00e9 superior, com 7 700 horas. O relat\u00f3rio destaca que em Portugal o corpo docente \u00e9 experiente, qualificado mas est\u00e1 envelhecido. Mais de 45% dos professores portugueses t\u00eam acima de 50 anos, uma percentagem superior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE (40%), o que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o preocupante que resultar\u00e1 na escassez de professores num futuro pr\u00f3ximo. Somente 4% dos rec\u00e9m-chegados ao ensino superior seguem uma carreira na Educa\u00e7\u00e3o. O relat\u00f3rio salienta que sal\u00e1rios competitivos, oportunidades de progress\u00e3o na carreira e boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o alavancas importantes para incentivar a profiss\u00e3o de professor e aumentar a satisfa\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 trabalham nas escolas. No caso dos professores nacionais, os seus vencimentos est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses que pertencem \u00e0 OCDE. Entre 2015 e 2021, os sal\u00e1rios reais dos professores portugueses ca\u00edram 1% em Portugal, situa\u00e7\u00e3o que contrasta com o que aconteceu na generalidade dos pa\u00edses da OCDE, em que se verificou uma subida de 6%, em m\u00e9dia, no mesmo per\u00edodo de oito anos. O descongelamento dos sal\u00e1rios em 2018, depois de anos de estagna\u00e7\u00e3o que coincidiram com o per\u00edodo de emerg\u00eancia financeira e a interven\u00e7\u00e3o externa no pa\u00eds, possibilitou a recupera\u00e7\u00e3o gradual dos sal\u00e1rios dos professores at\u00e9 2022, mas a recupera\u00e7\u00e3o de rendimentos n\u00e3o foi suficiente para compensar a perda sofrida nos anos anteriores &#8211; entre 2010 e 2015, os sal\u00e1rios reais dos professores nacionais ca\u00edram 9%, ao passo que na m\u00e9dia da OCDE se mantiveram estagnados. Na OCDE, a m\u00e9dia salarial (medida em paridades de poder de compra) de um professor do ensino secund\u00e1rio com 15 anos de servi\u00e7o chega aos 53.456 d\u00f3lares americanos anuais. Em Portugal, o sal\u00e1rio correspondente, ajustado pelo poder de compra, \u00e9 de 44 277 d\u00f3lares americanos, o que equivale a 29 100 euros, cerca de 8 mil euros a menos. Apesar desta queda nos sal\u00e1rios reais, os professores portugueses do ensino obrigat\u00f3rio ganham mais 42% do que a m\u00e9dia dos restantes trabalhadores licenciados, um n\u00famero que resulta do facto de ser uma classe muito envelhecida, com a maior parte dos docentes no topo da carreira. Portugal tamb\u00e9m regista uma das maiores diferen\u00e7as entre os valores m\u00e1ximos (dos \u00faltimos escal\u00f5es) e m\u00ednimos dos sal\u00e1rios pagos aos professores. \u00a0 Em conclus\u00e3o, o relat\u00f3rio \u00a0Education at a Glance 2023: OECD Indicators, divulgado recentemente pela OCDE, partindo da an\u00e1lise de v\u00e1rios indicadores internacionalmente compar\u00e1veis relacionados com quest\u00f5es no topo da agenda de pol\u00edticas educativas nacionais, fornece uma base importante para que os respons\u00e1veis pol\u00edticos e outros envolvidos em educa\u00e7\u00e3o possam\u00a0 repensar e melhorar alguns aspetos do sistema educativo. Notas Tradu\u00e7\u00e3o nossa. Segundo valores ajustados pelo fator de convers\u00e3o da Paridade do Poder de Compra (PPP) Bibliografia MadreMedia \/ Lusa (12 de setembro de 2023). Portugal gasta com cada aluno menos 14% do que a m\u00e9dia da OCDE. Sapo24. https:\/\/24.sapo.pt\/atualidade\/artigos\/portugal-gasta-com-cada-aluno-menos-14-do-que-a-media-da-ocde OECD (2023). Education at a Glance 2023:\u00a0OECD Indicators. OECD Publishing.https:\/\/doi.org\/10.1787\/e13bef63-en. OECD (2023). \u201cPortugal\u201d. Education at a Glance 2023:\u00a0OECD Indicators. OECD Publishing. https:\/\/doi.org\/10.1787\/e13bef63-en. Silva, S. (12 de setembro de 2023). Professores: sal\u00e1rios reais ca\u00edram 1% em Portugal, mas subiram 6% na OCDE. P\u00fablico. https:\/\/www.publico.pt\/2023\/09\/12\/sociedade\/noticia\/professores-salarios-reais-cairam-1-portugal-subiram-6-ocde-2062986 \ud83d\udcf7 [2]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159,101],"tags":[],"class_list":["post-2765089","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-ocde"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2765089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2765089"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2765089\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086361,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2765089\/revisions\/3086361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2765089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2765089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2765089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}