{"id":2724304,"date":"2023-05-29T09:00:00","date_gmt":"2023-05-29T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2724304.html"},"modified":"2026-05-13T14:13:31","modified_gmt":"2026-05-13T14:13:31","slug":"planificar-um-ano-letivo-sem-articularmos-com-a-biblioteca-escolar-impossivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2724304","title":{"rendered":"Planificar um ano letivo sem articularmos com a Biblioteca Escolar? Imposs\u00edvel."},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023-05-29 pq.png\" height=\"399\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22486154_qRbT8.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando me sugeriram escrever sobre Bibliotecas Escolares logo me veio \u00e0 lembran\u00e7a o cheiro a papel que sentia, a escurid\u00e3o e estantes altas e fechadas da biblioteca do ent\u00e3o Liceu Nacional Infanta D. Maria, onde estudei, depois nos Institutos Lingu\u00edsticos da Faculdade de Letras e, claro, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. O cheiro a papel, a escurid\u00e3o e o sil\u00eancio\u2026..!<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas hoje em dia a Biblioteca Escolar \u00e9 muito mais do que isso. Encontramos livros, encontramos sil\u00eancio, mas tamb\u00e9m encontramos recursos digitais, jogos did\u00e1ticos, di\u00e1logos, intera\u00e7\u00f5es e por vezes barulho, muito barulho, que n\u00e3o \u00e9 ru\u00eddo, mas sim vida.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A luz vem das janelas e dos livros, dos computadores dos alunos que por l\u00e1 circulam, dos professores que ajudam na din\u00e2mica da Biblioteca, das Assistentes Operacionais que entram e saem para apoiar tudo e todos, sempre conhecedoras e imprescind\u00edveis,\u00a0 e da professora Bibliotec\u00e1ria que, de queixo levantado, procura com curiosidade e interesse os olhares que pedem ajuda, orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Hoje \u00e9 imposs\u00edvel organizar e planear um ano letivo sem articularmos com a Biblioteca Escolar e isso torna o nosso Projeto Educativo, o Plano Anual de Atividades do Agrupamento (PAAA), as planifica\u00e7\u00f5es e toda a atividade pedag\u00f3gica, muito mais rica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os alunos, com a orienta\u00e7\u00e3o dos seus professores, fazem da Biblioteca o seu local privilegiado para pesquisa de informa\u00e7\u00e3o contando com o apoio e orienta\u00e7\u00e3o dos trabalhos de pesquisa, aprendendo ao longo do seu percurso a diferenciar o que \u00e9 considerado \u201cfake\u201d e aquilo em que devem acreditar; aprendem que nem tudo o que encontram na Internet \u00e9 fidedigno, tem um exist\u00eancia comprovada, interessa para o seu [crescimento no] conhecimento; sabem que a Internet tem \u201ccaminhos\u201d perigosos e valorizam o que uma navega\u00e7\u00e3o segura lhes d\u00e1! Este \u00e9 um programa de biblioteca bem pensado, que muito nos orgulha.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Pode l\u00e1 haver Escola sem Biblioteca Escolar? Quem disser que pode, que n\u00e3o \u00e9 significativo o seu peso na estrat\u00e9gia da aprendizagem, n\u00e3o sabe o que \u00e9 Escola, ensino, aprendizagem, sabedoria, conhecimento, mas tamb\u00e9m curiosidade e felicidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Decerto pensa, quem me l\u00ea, que estou a ser rom\u00e2ntica! Claro que n\u00e3o estou. Circulemos pelas escolas deste nosso Portugal, entrem nas salas de aula e sintam l\u00e1 as Bibliotecas (a articula\u00e7\u00e3o que propicia, o trabalho articulado e conjunto). Sim, porque embora tenhamos todos (as escolas) um espa\u00e7o espec\u00edfico dedicado \u00e0 Biblioteca, ela est\u00e1 nos v\u00e1rios espa\u00e7os das escolas: nas salas de aula, nos corredores, nas salas de conv\u00edvio, nos gin\u00e1sios, nas paredes que nos suportam o olhar, em todo o lado onde s\u00e3o suscet\u00edveis momentos de encontro (s) e din\u00e2micas inovadoras que v\u00e3o para al\u00e9m destes momentos de transi\u00e7\u00e3o digital. Anteriores a todo um processo, mas presentes, para o futuro. E \u00e9 isso que engrandece e torna a Biblioteca t\u00e3o especial para todos os que l\u00e1 trabalham e aprendem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por vezes tamb\u00e9m nos confrontamos com situa\u00e7\u00f5es menos interessantes que quase nos poderiam fazer desistir. Sim, tamb\u00e9m h\u00e1 os que n\u00e3o gostam de ler, n\u00e3o gostam de livros, n\u00e3o sentem necessidade de estarem informados, de serem jovens ativos e com pensamento cr\u00edtico. N\u00e3o gostam de Bibliotecas (pensam eles!). \u00c9 exatamente nesse momento que entram as fadas, as nossa professoras bibliotec\u00e1rias (no nosso Agrupamento s\u00e3o duas). Fadas porque transformam e fazem com que o brilho da leitura e dos livros, dos desafios culturais e os valores da cidadania, na sua variad\u00edssima forma, chegue aos olhos de todos, mesmo aos mais renitentes. A vida delas vai para al\u00e9m dos livros que leem avidamente em jeito de atualiza\u00e7\u00e3o para recomendarem, laboram entre diversos p\u00fablicos e procuram a todos responder, sugerir, ajudar\u2026 E, todos os dias, testemunham na comunidade a import\u00e2ncia que se deve atribuir ao trabalho com as Bibliotecas Escolares para o desenvolvimento das v\u00e1rias literacias, em articula\u00e7\u00e3o com o curr\u00edculo lecionado no nosso Agrupamento. Desafio que se cumpre sob o lema de que ler<em> abre caminhos para al\u00e9m de Penacova!<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Aproveito esta minha reflex\u00e3o para agradecer a uma das colegas professora bibliotec\u00e1ria, que nestes largos anos, em que com ela trabalho, me lan\u00e7a desafios constantes para o sucesso dos alunos, me inquieta perante situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o sempre de melhoria e at\u00e9 consegue ter a minha participa\u00e7\u00e3o em momentos privados e p\u00fablicos de leitura de textos, de contos, ou\u2026 E eu, nessas alturas, sinto-me mais pequenina que um \u201cratito de biblioteca\u201d, mas sempre com gosto enorme.\u00a0 Bem hajas L.D.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Escrevo na semana da leitura, sem saber quando ser\u00e1 este texto publicado, mas isso deu-me o alento de que precisava, para conseguir escrever, eu que tamb\u00e9m aprendi a ser f\u00e3 dos livros, da leitura, das bibliotecas e, hoje confesso, mesmo daquelas escuras, com estantes altas e fechadas e a cheirar a papel de livros lidos, lidos e lidos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Ana Clara Elvas de Andrade Almeida<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Diretora do AE de Penacova<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando me sugeriram escrever sobre Bibliotecas Escolares logo me veio \u00e0 lembran\u00e7a o cheiro a papel que sentia, a escurid\u00e3o e estantes altas e fechadas da biblioteca do ent\u00e3o Liceu Nacional Infanta D. Maria, onde estudei, depois nos Institutos Lingu\u00edsticos da Faculdade de Letras e, claro, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. O cheiro a papel, a escurid\u00e3o e o sil\u00eancio\u2026..! Mas hoje em dia a Biblioteca Escolar \u00e9 muito mais do que isso. Encontramos livros, encontramos sil\u00eancio, mas tamb\u00e9m encontramos recursos digitais, jogos did\u00e1ticos, di\u00e1logos, intera\u00e7\u00f5es e por vezes barulho, muito barulho, que n\u00e3o \u00e9 ru\u00eddo, mas sim vida. A luz vem das janelas e dos livros, dos computadores dos alunos que por l\u00e1 circulam, dos professores que ajudam na din\u00e2mica da Biblioteca, das Assistentes Operacionais que entram e saem para apoiar tudo e todos, sempre conhecedoras e imprescind\u00edveis,\u00a0 e da professora Bibliotec\u00e1ria que, de queixo levantado, procura com curiosidade e interesse os olhares que pedem ajuda, orienta\u00e7\u00e3o. Hoje \u00e9 imposs\u00edvel organizar e planear um ano letivo sem articularmos com a Biblioteca Escolar e isso torna o nosso Projeto Educativo, o Plano Anual de Atividades do Agrupamento (PAAA), as planifica\u00e7\u00f5es e toda a atividade pedag\u00f3gica, muito mais rica. Os alunos, com a orienta\u00e7\u00e3o dos seus professores, fazem da Biblioteca o seu local privilegiado para pesquisa de informa\u00e7\u00e3o contando com o apoio e orienta\u00e7\u00e3o dos trabalhos de pesquisa, aprendendo ao longo do seu percurso a diferenciar o que \u00e9 considerado \u201cfake\u201d e aquilo em que devem acreditar; aprendem que nem tudo o que encontram na Internet \u00e9 fidedigno, tem um exist\u00eancia comprovada, interessa para o seu [crescimento no] conhecimento; sabem que a Internet tem \u201ccaminhos\u201d perigosos e valorizam o que uma navega\u00e7\u00e3o segura lhes d\u00e1! Este \u00e9 um programa de biblioteca bem pensado, que muito nos orgulha. Pode l\u00e1 haver Escola sem Biblioteca Escolar? Quem disser que pode, que n\u00e3o \u00e9 significativo o seu peso na estrat\u00e9gia da aprendizagem, n\u00e3o sabe o que \u00e9 Escola, ensino, aprendizagem, sabedoria, conhecimento, mas tamb\u00e9m curiosidade e felicidade. Decerto pensa, quem me l\u00ea, que estou a ser rom\u00e2ntica! Claro que n\u00e3o estou. Circulemos pelas escolas deste nosso Portugal, entrem nas salas de aula e sintam l\u00e1 as Bibliotecas (a articula\u00e7\u00e3o que propicia, o trabalho articulado e conjunto). Sim, porque embora tenhamos todos (as escolas) um espa\u00e7o espec\u00edfico dedicado \u00e0 Biblioteca, ela est\u00e1 nos v\u00e1rios espa\u00e7os das escolas: nas salas de aula, nos corredores, nas salas de conv\u00edvio, nos gin\u00e1sios, nas paredes que nos suportam o olhar, em todo o lado onde s\u00e3o suscet\u00edveis momentos de encontro (s) e din\u00e2micas inovadoras que v\u00e3o para al\u00e9m destes momentos de transi\u00e7\u00e3o digital. Anteriores a todo um processo, mas presentes, para o futuro. E \u00e9 isso que engrandece e torna a Biblioteca t\u00e3o especial para todos os que l\u00e1 trabalham e aprendem. Por vezes tamb\u00e9m nos confrontamos com situa\u00e7\u00f5es menos interessantes que quase nos poderiam fazer desistir. Sim, tamb\u00e9m h\u00e1 os que n\u00e3o gostam de ler, n\u00e3o gostam de livros, n\u00e3o sentem necessidade de estarem informados, de serem jovens ativos e com pensamento cr\u00edtico. N\u00e3o gostam de Bibliotecas (pensam eles!). \u00c9 exatamente nesse momento que entram as fadas, as nossa professoras bibliotec\u00e1rias (no nosso Agrupamento s\u00e3o duas). Fadas porque transformam e fazem com que o brilho da leitura e dos livros, dos desafios culturais e os valores da cidadania, na sua variad\u00edssima forma, chegue aos olhos de todos, mesmo aos mais renitentes. A vida delas vai para al\u00e9m dos livros que leem avidamente em jeito de atualiza\u00e7\u00e3o para recomendarem, laboram entre diversos p\u00fablicos e procuram a todos responder, sugerir, ajudar\u2026 E, todos os dias, testemunham na comunidade a import\u00e2ncia que se deve atribuir ao trabalho com as Bibliotecas Escolares para o desenvolvimento das v\u00e1rias literacias, em articula\u00e7\u00e3o com o curr\u00edculo lecionado no nosso Agrupamento. Desafio que se cumpre sob o lema de que ler abre caminhos para al\u00e9m de Penacova! Aproveito esta minha reflex\u00e3o para agradecer a uma das colegas professora bibliotec\u00e1ria, que nestes largos anos, em que com ela trabalho, me lan\u00e7a desafios constantes para o sucesso dos alunos, me inquieta perante situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o sempre de melhoria e at\u00e9 consegue ter a minha participa\u00e7\u00e3o em momentos privados e p\u00fablicos de leitura de textos, de contos, ou\u2026 E eu, nessas alturas, sinto-me mais pequenina que um \u201cratito de biblioteca\u201d, mas sempre com gosto enorme.\u00a0 Bem hajas L.D. Escrevo na semana da leitura, sem saber quando ser\u00e1 este texto publicado, mas isso deu-me o alento de que precisava, para conseguir escrever, eu que tamb\u00e9m aprendi a ser f\u00e3 dos livros, da leitura, das bibliotecas e, hoje confesso, mesmo daquelas escuras, com estantes altas e fechadas e a cheirar a papel de livros lidos, lidos e lidos. 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