{"id":2702181,"date":"2023-03-24T09:00:00","date_gmt":"2023-03-24T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2702181.html"},"modified":"2026-05-13T14:19:00","modified_gmt":"2026-05-13T14:19:00","slug":"ocde-a-persistencia-das-diferencas-de-genero-na-educacao-e-competencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2702181","title":{"rendered":"OCDE: A persist\u00eancia das diferen\u00e7as de g\u00e9nero na educa\u00e7\u00e3o e compet\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023-03-23 pq.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22456352_7wsB9.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No m\u00eas em que se comemora o <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/onu-digitall-inovacao-e-tecnologia-2699184\">Dia Internacional da Mulher<\/a>, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico lan\u00e7a o relat\u00f3rio <em>Gender, Education and Skills: The persistence of gender gaps in education and skills\/ G\u00e9nero, Educa\u00e7\u00e3o e Compet\u00eancias [1]: A persist\u00eancia das diferen\u00e7as de g\u00e9nero na educa\u00e7\u00e3o e compet\u00eancias<\/em> de Marta Encinas-Mart\u00edn, embaixadora da OCDE para a educa\u00e7\u00e3o em g\u00e9nero e Michelle Cherian, consultora da OCDE para a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os dados apresentados prov\u00eam do <em>Programa Internacional para a Avalia\u00e7\u00e3o dos Estudantes<\/em> da OCDE (PISA), de <em>Education at a Glance<\/em> (EAG) e do <em>Survey of Adult Skills<\/em> (PIAAC).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Com base no seu Editorial, organizamos as principais conclus\u00f5es do Relat\u00f3rio como resposta a tr\u00eas quest\u00f5es. No final, apresentamos sugest\u00f5es de trabalho e discuss\u00e3o com a biblioteca escolar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>A. Qual \u00e9 o desempenho de rapazes e raparigas na escola (ensino secund\u00e1rio e universidade), no mercado de trabalho e ao longo da vida? <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">1.<\/span> <\/strong>Em todos os pa\u00edses representados no PISA <strong>as raparigas de 15 anos superam os rapazes ao n\u00edvel do desempenho na leitura<\/strong>. Por exemplo, em 2018 tiveram em m\u00e9dia 30 pontos acima dos rapazes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A forma como os estudantes passam o tempo fora da sala de aula tem efeitos dentro da sala de aula<\/strong>. O gosto pela leitura enriquece o vocabul\u00e1rio e a compreens\u00e3o de todas as mat\u00e9rias e, em m\u00e9dia, em todos os pa\u00edses, <strong>as raparigas relatam n\u00edveis de prazer de leitura muito superiores aos rapazes. <\/strong>Por exemplo, no PISA 2018, 44% das raparigas e 24% dos rapazes de 15 anos dizem que \u201ca leitura \u00e9 um dos meus passatempos favoritos\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Acresce que os rapazes \u201cpassam menos tempo a fazer os seus trabalhos de casa e tamb\u00e9m utilizam a Internet para o lazer durante mais horas do que as raparigas\u201d e tamb\u00e9m s\u00e3o eles que, mais frequentemente, n\u00e3o concluem o ensino secund\u00e1rio &#8211; mais de 80% das raparigas conclui. Em geral, o PISA constata que \u201caos 15 anos os rapazes s\u00e3o mais propensos do que as raparigas a ter baixos resultados nos tr\u00eas dom\u00ednios avaliados: leitura, matem\u00e1tica e ci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">2.<\/span><\/strong> Por contraste,<strong> nos melhores desempenhos de matem\u00e1tica e ci\u00eancias as raparigas est\u00e3o sub-representadas<\/strong> \u2013 por exemplo, no PISA 2018, 12% dos rapazes e 9% das raparigas atingiram os n\u00edveis mais elevados de desempenho matem\u00e1tico. No entanto, em geral \u201cos rapazes superam as raparigas em matem\u00e1tica por uma margem muito menor do que as raparigas superam os rapazes em leitura\u201d &#8211; a diferen\u00e7a de g\u00e9nero nos resultados em ci\u00eancias \u00e9 mais estreita do que na matem\u00e1tica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>As raparigas relatam menor autoconfian\u00e7a nas suas capacidades, medo em fracassar e sentimentos de ansiedade <\/strong>que, segundo este relat\u00f3rio, \u201c<strong>est\u00e3o frequentemente ligados aos estere\u00f3tipos de g\u00e9nero que persistem nas fam\u00edlias, na escola e nas comunidades<\/strong>\u201d. Por exemplo, no PISA 2012 \u201cos pais tinham mais probabilidades de esperar que os seus filhos, em vez das suas filhas, trabalhassem numa \u00e1rea relacionada com ci\u00eancia, tecnologia, engenharia ou matem\u00e1tica (STEM)\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>H\u00e1 expetativas mais baixas para as raparigas e mulheres relativamente \u00e0s STEM e isso influencia o seu desempenho, aspira\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas e de emprego, rendimentos e perspetivas de realiza\u00e7\u00e3o e sa\u00fade\/ bem-estar, bem como de contribui\u00e7\u00e3o efetiva para a economia do seu pa\u00eds ao longo da vida<\/strong>. O PISA 2018 evidencia que apenas 14% das raparigas de 15 anos com melhor desempenho em ci\u00eancia e matem\u00e1tica esperam trabalhar nessas \u00e1reas; para os rapazes este valor \u00e9 de 26%.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">3.<\/span> <\/strong>O Relat\u00f3rio refere que \u201cEm 2020, em quase todos os pa\u00edses<strong>, as mulheres tinham mais probabilidades do que os homens de completarem o ensino superior<\/strong>\u201d e que as mulheres com forma\u00e7\u00e3o superior t\u00eam mais probabilidades de estarem empregadas e ganharem mais ao longo da vida. A m\u00e9dia da OCDE para mulheres licenciadas de 25-34 anos, relativamente \u00e0s que t\u00eam o ensino secund\u00e1rio, \u00e9 de ganharem 52% mais &#8211; este valor para os homens \u00e9 39%.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>N<strong>a universidade as mulheres escolhem \u00e1reas de estudo associadas a empregos com sal\u00e1rios mais baixos<\/strong>: educa\u00e7\u00e3o (80%), sa\u00fade (80%) e ci\u00eancias sociais (70%). Entre 2005 e 2020 apenas 25% das novas licenciadas em engenharia, fabrico e constru\u00e7\u00e3o eram mulheres e em TIC a percentagem era mais baixa.<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;As mulheres e meninas trazem mais diversidade \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, aumentam o leque de profissionais na \u00e1rea e proporcionam novas perspetivas \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia, beneficiando todos\u201d <\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Palavras do Secret\u00e1rio-Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas no <strong>Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ci\u00eancia<\/strong> que se celebra a 11 de fevereiro.[2] Este Dia, institu\u00eddo atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o 70\/212 da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas (2015, 22 dez.), teve por tema, em 2023, <em>Innovate. Demonstrate. Elevate. Advance &#8211; IDEA<\/em>, trazer as comunidades para um desenvolvimento sustent\u00e1vel e equitativo.<\/span><\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>B. Quais s\u00e3o as principais causas das disparidades de g\u00e9nero nos estudos, emprego e remunera\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">1.<\/span> S\u00e3o estere\u00f3tipos de g\u00e9nero e conven\u00e7\u00f5es sociais que induzem ao (auto-) afastamento dos estudos STEM, t\u00e3o necess\u00e1rios no contexto da <\/strong><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/semana-todos-digitais-2021-2427112\"><strong>quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial<\/strong><\/a>. As decis\u00f5es sobre a \u00e1rea da licenciatura t\u00eam efeitos na disparidade de g\u00e9nero, quer no trabalho \u2013 \u201cem todos os pa\u00edses e economias PISA h\u00e1 muito menos mulheres do que homens empregados nestes sectores\u201d &#8211; quer na remunera\u00e7\u00e3o e perspetivas ao longo da vida. Em m\u00e9dia as mulheres licenciadas ganham 76% do que os seus pares masculinos. Os homens s\u00e3o mais propensos a decidir por \u00e1reas de estudo com rendimentos elevados como engenharia, fabrico e constru\u00e7\u00e3o e TIC.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">2.<\/span> Necessidade de as mulheres terem que conciliar a carreira profissional com a vida familiar e dom\u00e9stica<\/strong>, obrigando-as a aceitar empregos com flexibilidade de hor\u00e1rios e mais baixos rendimentos do que os homens com igual n\u00edvel de escolaridade e a n\u00e3o exercerem cargos de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em geral, o Relat\u00f3rio apresenta evid\u00eancias que corroboram a <strong>sub-representa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\/ estrutural das mulheres em \u00e1reas de estudo e carreiras STEM e as disparidades de g\u00e9nero no mercado de trabalho, em cargos de lideran\u00e7a e nos sal\u00e1rios<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem 1.png\" height=\"264\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22456366_5K4kq.png\" style=\"width: 400px; padding: 10px 10px;\" width=\"400\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">As mulheres cientistas representam 45% do total de investigadores em Portugal.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Depois dos lan\u00e7amentos de 2016, 2019 e 2021, o livro <em>Mulheres na Ci\u00eancia<\/em> re\u00fane, em 2023, mais 101 retratos de investigadoras de diferentes gera\u00e7\u00f5es e \u00e1reas do conhecimento. Seguindo a liga\u00e7\u00e3o pode ter acesso a todas as cientistas retratadas neste livro [3].<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>C. Como \u00e9 que os v\u00e1rios setores, educa\u00e7\u00e3o &#8211; e biblioteca escolar, governa\u00e7\u00e3o, empresas, podem contribuir para reduzir as disparidades na educa\u00e7\u00e3o, no mercado de trabalho e nos sal\u00e1rios?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">1.<\/span> Sensibilizar\/ Tomar consci\u00eancia e questionar preconceitos de g\u00e9nero na escola e na comunidade<\/strong>, envolvendo pais, professores, empresas, dirigentes de governa\u00e7\u00e3o e imprensa. Segundo o Relat\u00f3rio \u201cA elimina\u00e7\u00e3o de preconceitos de g\u00e9nero nos curr\u00edculos poderia encorajar mais raparigas a melhorar as suas capacidades num\u00e9ricas e mais rapazes a melhorar as suas capacidades de leitura\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">2.<\/span> Informar os estudantes, atempadamente, sobre \u201cos estudos necess\u00e1rios para carreiras espec\u00edficas e os rendimentos que podem esperar dessas carreiras<\/strong>\u201d, para que possam tomar decis\u00f5es informadas sobre o seu futuro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">3.<\/span> Dar visibilidade a mulheres que estudam e trabalham na \u00e1rea das STEM<\/strong>, pois a falta de modelos \u201csignifica que as jovens t\u00eam poucas provas tang\u00edveis para refutar a no\u00e7\u00e3o de que a matem\u00e1tica e as ci\u00eancias s\u00e3o de alguma forma disciplinas mais \u2018masculinas\u2019.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">4.<\/span> Pol\u00edticas espec\u00edficas de transpar\u00eancia salarial que fa\u00e7am com que \u201cas empresas reconhe\u00e7am a dimens\u00e3o das suas disparidades salariais em fun\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero<\/strong>\u201d baseadas em estudos, com recolha de dados e informa\u00e7\u00e3o e na sua partilha com todos os trabalhadores, auditores governamentais e consumidores\/ p\u00fablico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Recursos e propostas de aprendizagem e discuss\u00e3o: <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/cidadania-documentos\/?text=&amp;from=&amp;to=&amp;tags=Igualdade+de+g%C3%A9nero\">Documentos de apoio: Igualdade de G\u00e9nero<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/cidadania-recursos-albuns\/?text=&amp;from=&amp;to=&amp;tags=Igualdade+de+g%C3%A9nero\">\u00c1lbuns<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/dia-internacional-da-mulher-8-de-marco-2420888\">Dia Internacional da Mulher: 8 de mar\u00e7o<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/ser-quem-quiser.html\">Ser quem quiser<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/file\/1900\/Namorar_d__que_falar.pdf\">Namorar d\u00c1 que falar<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/os-videos-premiados-das-e-dos-jovens-2580707\">Os v\u00eddeos premiados das e dos jovens que dizem n\u00e3o ao sexismo!<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Encinas-Mart\u00edn, Marta &amp; Cherian, Michelle. (2023, 2 Mar.). <em>Gender, Education and Skills: The Persistence of Gender Gaps in Education and Skills<\/em>. Paris: Organisation for Economic Co-operation and Development. <a href=\"https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/gender-education-and-skills_34680dd5-en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/gender-education-and-skills_34680dd5-en<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. ONU News. (2023, 10 fev.). <em>Mulheres e Meninas na Ci\u00eancia trazem ainda mais resultados, diz ONU<\/em>. USA: ONU. <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2023\/02\/1809607\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2023\/02\/1809607<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Ci\u00eancia Viva. (2023). <em>Mulheres na Ci\u00eancia<\/em>. Portugal: Ci\u00eancia Viva. <a href=\"https:\/\/www.cienciaviva.pt\/divulgacao-cientifica\/mulheresnaciencia\/dia-internacional-da-mulher\/2023\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cienciaviva.pt\/divulgacao-cientifica\/mulheresnaciencia\/dia-internacional-da-mulher\/2023<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Fonte da imagem: [1]<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 No m\u00eas em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico lan\u00e7a o relat\u00f3rio Gender, Education and Skills: The persistence of gender gaps in education and skills\/ G\u00e9nero, Educa\u00e7\u00e3o e Compet\u00eancias [1]: A persist\u00eancia das diferen\u00e7as de g\u00e9nero na educa\u00e7\u00e3o e compet\u00eancias de Marta Encinas-Mart\u00edn, embaixadora da OCDE para a educa\u00e7\u00e3o em g\u00e9nero e Michelle Cherian, consultora da OCDE para a educa\u00e7\u00e3o. Os dados apresentados prov\u00eam do Programa Internacional para a Avalia\u00e7\u00e3o dos Estudantes da OCDE (PISA), de Education at a Glance (EAG) e do Survey of Adult Skills (PIAAC). Com base no seu Editorial, organizamos as principais conclus\u00f5es do Relat\u00f3rio como resposta a tr\u00eas quest\u00f5es. No final, apresentamos sugest\u00f5es de trabalho e discuss\u00e3o com a biblioteca escolar. \u00a0 A. Qual \u00e9 o desempenho de rapazes e raparigas na escola (ensino secund\u00e1rio e universidade), no mercado de trabalho e ao longo da vida? 1. Em todos os pa\u00edses representados no PISA as raparigas de 15 anos superam os rapazes ao n\u00edvel do desempenho na leitura. Por exemplo, em 2018 tiveram em m\u00e9dia 30 pontos acima dos rapazes. A forma como os estudantes passam o tempo fora da sala de aula tem efeitos dentro da sala de aula. O gosto pela leitura enriquece o vocabul\u00e1rio e a compreens\u00e3o de todas as mat\u00e9rias e, em m\u00e9dia, em todos os pa\u00edses, as raparigas relatam n\u00edveis de prazer de leitura muito superiores aos rapazes. Por exemplo, no PISA 2018, 44% das raparigas e 24% dos rapazes de 15 anos dizem que \u201ca leitura \u00e9 um dos meus passatempos favoritos\u201d. Acresce que os rapazes \u201cpassam menos tempo a fazer os seus trabalhos de casa e tamb\u00e9m utilizam a Internet para o lazer durante mais horas do que as raparigas\u201d e tamb\u00e9m s\u00e3o eles que, mais frequentemente, n\u00e3o concluem o ensino secund\u00e1rio &#8211; mais de 80% das raparigas conclui. Em geral, o PISA constata que \u201caos 15 anos os rapazes s\u00e3o mais propensos do que as raparigas a ter baixos resultados nos tr\u00eas dom\u00ednios avaliados: leitura, matem\u00e1tica e ci\u00eancia\u201d. 2. Por contraste, nos melhores desempenhos de matem\u00e1tica e ci\u00eancias as raparigas est\u00e3o sub-representadas \u2013 por exemplo, no PISA 2018, 12% dos rapazes e 9% das raparigas atingiram os n\u00edveis mais elevados de desempenho matem\u00e1tico. No entanto, em geral \u201cos rapazes superam as raparigas em matem\u00e1tica por uma margem muito menor do que as raparigas superam os rapazes em leitura\u201d &#8211; a diferen\u00e7a de g\u00e9nero nos resultados em ci\u00eancias \u00e9 mais estreita do que na matem\u00e1tica. As raparigas relatam menor autoconfian\u00e7a nas suas capacidades, medo em fracassar e sentimentos de ansiedade que, segundo este relat\u00f3rio, \u201cest\u00e3o frequentemente ligados aos estere\u00f3tipos de g\u00e9nero que persistem nas fam\u00edlias, na escola e nas comunidades\u201d. Por exemplo, no PISA 2012 \u201cos pais tinham mais probabilidades de esperar que os seus filhos, em vez das suas filhas, trabalhassem numa \u00e1rea relacionada com ci\u00eancia, tecnologia, engenharia ou matem\u00e1tica (STEM)\u201d. H\u00e1 expetativas mais baixas para as raparigas e mulheres relativamente \u00e0s STEM e isso influencia o seu desempenho, aspira\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas e de emprego, rendimentos e perspetivas de realiza\u00e7\u00e3o e sa\u00fade\/ bem-estar, bem como de contribui\u00e7\u00e3o efetiva para a economia do seu pa\u00eds ao longo da vida. O PISA 2018 evidencia que apenas 14% das raparigas de 15 anos com melhor desempenho em ci\u00eancia e matem\u00e1tica esperam trabalhar nessas \u00e1reas; para os rapazes este valor \u00e9 de 26%.\u00a0 3. O Relat\u00f3rio refere que \u201cEm 2020, em quase todos os pa\u00edses, as mulheres tinham mais probabilidades do que os homens de completarem o ensino superior\u201d e que as mulheres com forma\u00e7\u00e3o superior t\u00eam mais probabilidades de estarem empregadas e ganharem mais ao longo da vida. A m\u00e9dia da OCDE para mulheres licenciadas de 25-34 anos, relativamente \u00e0s que t\u00eam o ensino secund\u00e1rio, \u00e9 de ganharem 52% mais &#8211; este valor para os homens \u00e9 39%. Na universidade as mulheres escolhem \u00e1reas de estudo associadas a empregos com sal\u00e1rios mais baixos: educa\u00e7\u00e3o (80%), sa\u00fade (80%) e ci\u00eancias sociais (70%). Entre 2005 e 2020 apenas 25% das novas licenciadas em engenharia, fabrico e constru\u00e7\u00e3o eram mulheres e em TIC a percentagem era mais baixa. \u00a0 &#8220;As mulheres e meninas trazem mais diversidade \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, aumentam o leque de profissionais na \u00e1rea e proporcionam novas perspetivas \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia, beneficiando todos\u201d Palavras do Secret\u00e1rio-Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ci\u00eancia que se celebra a 11 de fevereiro.[2] Este Dia, institu\u00eddo atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o 70\/212 da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas (2015, 22 dez.), teve por tema, em 2023, Innovate. Demonstrate. Elevate. Advance &#8211; IDEA, trazer as comunidades para um desenvolvimento sustent\u00e1vel e equitativo. \u00a0 B. Quais s\u00e3o as principais causas das disparidades de g\u00e9nero nos estudos, emprego e remunera\u00e7\u00e3o? 1. S\u00e3o estere\u00f3tipos de g\u00e9nero e conven\u00e7\u00f5es sociais que induzem ao (auto-) afastamento dos estudos STEM, t\u00e3o necess\u00e1rios no contexto da quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial. As decis\u00f5es sobre a \u00e1rea da licenciatura t\u00eam efeitos na disparidade de g\u00e9nero, quer no trabalho \u2013 \u201cem todos os pa\u00edses e economias PISA h\u00e1 muito menos mulheres do que homens empregados nestes sectores\u201d &#8211; quer na remunera\u00e7\u00e3o e perspetivas ao longo da vida. Em m\u00e9dia as mulheres licenciadas ganham 76% do que os seus pares masculinos. Os homens s\u00e3o mais propensos a decidir por \u00e1reas de estudo com rendimentos elevados como engenharia, fabrico e constru\u00e7\u00e3o e TIC. 2. Necessidade de as mulheres terem que conciliar a carreira profissional com a vida familiar e dom\u00e9stica, obrigando-as a aceitar empregos com flexibilidade de hor\u00e1rios e mais baixos rendimentos do que os homens com igual n\u00edvel de escolaridade e a n\u00e3o exercerem cargos de lideran\u00e7a. Em geral, o Relat\u00f3rio apresenta evid\u00eancias que corroboram a sub-representa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\/ estrutural das mulheres em \u00e1reas de estudo e carreiras STEM e as disparidades de g\u00e9nero no mercado de trabalho, em cargos de lideran\u00e7a e nos sal\u00e1rios. As mulheres cientistas representam 45% do total de investigadores em Portugal. Depois dos lan\u00e7amentos de 2016, 2019 e 2021, o livro Mulheres na Ci\u00eancia re\u00fane, em 2023, mais 101 retratos de investigadoras de diferentes gera\u00e7\u00f5es e \u00e1reas do conhecimento. Seguindo a liga\u00e7\u00e3o pode ter acesso a todas as cientistas retratadas neste livro [3]. \u00a0 C. Como \u00e9 que os v\u00e1rios setores, educa\u00e7\u00e3o &#8211; e biblioteca escolar, governa\u00e7\u00e3o, empresas, podem contribuir para reduzir as disparidades na educa\u00e7\u00e3o, no mercado de trabalho e nos sal\u00e1rios? 1. Sensibilizar\/ Tomar consci\u00eancia e questionar preconceitos de g\u00e9nero na escola e na comunidade, envolvendo pais, professores, empresas, dirigentes de governa\u00e7\u00e3o e imprensa. Segundo o Relat\u00f3rio \u201cA elimina\u00e7\u00e3o de preconceitos de g\u00e9nero nos curr\u00edculos poderia encorajar mais raparigas a melhorar as suas capacidades num\u00e9ricas e mais rapazes a melhorar as suas capacidades de leitura\u201d. 2. Informar os estudantes, atempadamente, sobre \u201cos estudos necess\u00e1rios para carreiras espec\u00edficas e os rendimentos que podem esperar dessas carreiras\u201d, para que possam tomar decis\u00f5es informadas sobre o seu futuro. 3. Dar visibilidade a mulheres que estudam e trabalham na \u00e1rea das STEM, pois a falta de modelos \u201csignifica que as jovens t\u00eam poucas provas tang\u00edveis para refutar a no\u00e7\u00e3o de que a matem\u00e1tica e as ci\u00eancias s\u00e3o de alguma forma disciplinas mais \u2018masculinas\u2019.\u201d 4. Pol\u00edticas espec\u00edficas de transpar\u00eancia salarial que fa\u00e7am com que \u201cas empresas reconhe\u00e7am a dimens\u00e3o das suas disparidades salariais em fun\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero\u201d baseadas em estudos, com recolha de dados e informa\u00e7\u00e3o e na sua partilha com todos os trabalhadores, auditores governamentais e consumidores\/ p\u00fablico. \u00a0 Recursos e propostas de aprendizagem e discuss\u00e3o: Documentos de apoio: Igualdade de G\u00e9nero \u00c1lbuns Dia Internacional da Mulher: 8 de mar\u00e7o Ser quem quiser e Namorar d\u00c1 que falar Os v\u00eddeos premiados das e dos jovens que dizem n\u00e3o ao sexismo! \u00a0 Refer\u00eancias 1. Encinas-Mart\u00edn, Marta &amp; Cherian, Michelle. (2023, 2 Mar.). Gender, Education and Skills: The Persistence of Gender Gaps in Education and Skills. Paris: Organisation for Economic Co-operation and Development. https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/gender-education-and-skills_34680dd5-en 2. ONU News. (2023, 10 fev.). Mulheres e Meninas na Ci\u00eancia trazem ainda mais resultados, diz ONU. USA: ONU. https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2023\/02\/1809607 3. Ci\u00eancia Viva. (2023). Mulheres na Ci\u00eancia. Portugal: Ci\u00eancia Viva. https:\/\/www.cienciaviva.pt\/divulgacao-cientifica\/mulheresnaciencia\/dia-internacional-da-mulher\/2023 4. Fonte da imagem: [1]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[129,101],"tags":[],"class_list":["post-2702181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-igualdade-de-genero","category-ocde"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2702181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2702181"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2702181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086750,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2702181\/revisions\/3086750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2702181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2702181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2702181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}