{"id":2685937,"date":"2023-02-07T09:00:00","date_gmt":"2023-02-07T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2685937.html"},"modified":"2026-05-13T14:22:44","modified_gmt":"2026-05-13T14:22:44","slug":"metaverso-educacao-uma-alianca-com-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2685937","title":{"rendered":"Metaverso &#038; Educa\u00e7\u00e3o: uma alian\u00e7a com futuro?"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023.07_P.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22429413_NQJwP.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Dando continuidade \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/internet-segura.html\">Dia da Internet Mais Segura<\/a>, prosseguimos com a publica\u00e7\u00e3o de artigos subordinados ao tema deste ano: Metaverso vs Realidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Depois de clarificar a origem e alguns conceitos associados ao metaverso (<a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/metaverso-uma-tecnologia-que-veio-2557850\">Metaverso&#8230; uma tecnologia que veio para ficar<\/a>, <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/metaverso-vs-realidade-2680128\">Metaverso vs Realidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/abc-do-metaverso-2681253\">ABC do Metaverso<\/a>), bem como algumas das potencialidades e riscos desta tecnologia em v\u00e1rias \u00e1reas profissionais e de lazer (<a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/metaverso-o-melhor-de-varios-mundos-2682632\">Metaverso: o melhor de v\u00e1rios mundos?<\/a>, <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/metaverso-cautelas-e-caldos-de-2683334\">Metaverso: cautelas e caldos de galinha\u2026<\/a>), imp\u00f5e-se, agora, uma breve reflex\u00e3o em torno das potencialidades que oferece aos educadores e aprendentes do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os anos da pandemia aceleraram a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o nas escolas, ao n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o de professores e de pr\u00e1ticas, de equipamentos e plataformas, ao ponto de alguns estudiosos distinguirem um modelo educacional pr\u00e9 e p\u00f3s-pandemia. Assim, no per\u00edodo p\u00f3s-pand\u00e9mico, o modelo educacional assenta em metodologias que procuram ser efetivamente ativas, com uso frequente de recursos digitais cada vez mais sofisticados, selecionados estrategicamente com vista a proporcionar um ensino envolvente, motivador e de qualidade, que contribua para formar jovens para o incerto mundo de amanh\u00e3.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atualmente, dividimo-nos entre o mundo f\u00edsico e o mundo virtual. Munidos de telem\u00f3veis, com <em>software<\/em> e <em>apps<\/em> cada vez mais vers\u00e1teis e \u201cinteligentes\u201d, e de outros equipamentos ou <em>gadgets<\/em>, acedemos a assistentes virtuais (como a famosa Alexa, da Amazon), a mundos sociais por meio das in\u00fameras redes sociais \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o, a jogos que apostam no Metaverso, com Realidade Virtual ou Aumentada. A omnipresen\u00e7a crescente da tecnologia que aposta gradualmente no Metaverso tem suscitado o interesse de alguns investigadores do mundo acad\u00e9mico, come\u00e7ando a surgir estudos que visam equacionar as suas potencialidades no meio educativo, tendo surgido, nos \u00faltimos anos, v\u00e1rias experi\u00eancias pedag\u00f3gicas no ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio que evidenciam o alcance dessa tecnologia em educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2b55 Investigadores do <a href=\"https:\/\/stanfordvr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Virtual Human Interaction Lab<\/a>, da Universidade de Stanford,\u00a0 desenvolveram uma experi\u00eancia imersiva de realidade virtual, <a href=\"https:\/\/stanfordvr.com\/becominghomeless\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Becoming Homeless: A Human Experience<\/a>, com vista a apurar o seu impacto na empatia dos envolvidos. Consistia em expor os participantes a uma situa\u00e7\u00e3o de grande indig\u00eancia, vivendo na \u201cpele\u201d de algu\u00e9m que deixa de conseguir pagar a sua casa. Os resultados revelaram a efic\u00e1cia das experi\u00eancias de realidade virtual para alterar comportamentos de forma duradoura, afirmando-se uma ferramenta poderosa para ajudar as pessoas a colocar-se no lugar do outro, logo, para formar cidad\u00e3os democr\u00e1ticos, participativos e humanistas, numa \u00e9poca de diversidade social e cultural crescentes e dada a radicalismos violentos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2b55 Douglas Kiang, mestre em Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o (Universidade de Harvard), e professor de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o numa escola em Honolulu, Hawai, fiel \u00e0 metodologia da Aprendizagem Baseada em Desafios, envolveu os seus alunos num projeto com recurso ao metaverso &#8211; <a href=\"https:\/\/www.iste.org\/explore\/In-the-classroom\/Minecraft-101%3A-The-Underwater-Dome-Project?articleid=155\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minecraft 101: The Underwater Dome Project<\/a>. Desafiou-os a criarem um espa\u00e7o subaqu\u00e1tico, respeitando alguns crit\u00e9rios previamente estabelecidos, o que originou um projeto colaborativo bastante enriquecedor que envolveu os alunos e que lhes permitiu desenvolver v\u00e1rias compet\u00eancias e capacidades: envolvimento, criatividade, comunica\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a\u2026<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2b55 Hirsh-Pasek et al. (2022), na publica\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.brookings.edu\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/A-whole-new-world_Education-meets-the-metaverse-FINAL-021422.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A whole new world: Education meets the metaverse<\/a>, exemplificam as potencialidades do uso do metaverso em educa\u00e7\u00e3o, criando uma vis\u00e3o: uma sala de aula circular, com v\u00e1rios quadros brancos, onde alunos descobrem o mundo greco-latino, os seus deuses, o seu dia a dia, os seus espa\u00e7os. Logo de seguida, o professor f\u00e1-los regressar ao presente, e as paredes recriam, ent\u00e3o, as ru\u00ednas de templos, transformando-se os alunos, por meio dos seus avatares, em arque\u00f3logos que t\u00eam de (re)descobrir o passado, colhendo fragmentos de cer\u00e2mica, moedas, est\u00e1tuas\u2026 e partilhar essas descobertas com os restantes. Portanto, um cen\u00e1rio de aprendizagem verdadeiramente imersivo que oferece um contexto que favorece uma aprendizagem ativa, colaborativa e a cocria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De facto, o metaverso vai muito para al\u00e9m dos tradicionais meios digitais virtuais, em que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ocorre por intermedia\u00e7\u00e3o de um <em>browser<\/em>, de um <em>software<\/em> que permite a navega\u00e7\u00e3o na internet, numa interface baseada em ambiente bidimensional de textos, de imagens est\u00e1ticas ou em movimento. No metaverso, a navega\u00e7\u00e3o ocorre em ambientes tridimensionais que se modificam em tempo real, conforme os utilizadores v\u00e3o interagindo com esses ambientes, convocando compet\u00eancias v\u00e1rias como a criatividade, a imagina\u00e7\u00e3o e uma variedade de formas de intera\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Isso implica uma mudan\u00e7a radical na forma de comunicar e no processo de ensino e de aprendizagem.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Prev\u00ea-se que, em 2026, 25% da popula\u00e7\u00e3o mundial passe, pelo menos, uma hora por dia no metaverso para realizar diversas tarefas quotidianas como fazer compras, trabalhar, conviver ou para desenvolver atividades educativas. Ainda que se trate de uma tecnologia emergente e pouco consensual, j\u00e1 se percebeu que ter\u00e1 repercuss\u00f5es, a m\u00e9dio ou a longo prazo, no processo de ensino e aprendizagem, pelo que h\u00e1 que considerar os seus eventuais aportes para o meio educativo. Por isso, o metaverso j\u00e1 est\u00e1 a ser estudado e usado em alguns pa\u00edses, incluindo Portugal, para melhorar cursos e programas de forma\u00e7\u00e3o em linha no ensino superior, sendo expect\u00e1vel, num futuro pr\u00f3ximo, a expans\u00e3o do recurso a essa tecnologia emergente nos v\u00e1rios n\u00edveis de ensino da escolaridade obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Lepez (2022) destaca as potencialidades do metaverso em educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que pode proporcionar experi\u00eancias de aprendizagem mais imersivas, interativas e enriquecedoras, que permitam aprender, experimentar e praticar de forma mais significativa em ambientes controlados. A simula\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es e cen\u00e1rios reais tem vantagens, pois, para al\u00e9m de implicar ativamente os alunos de forma l\u00fadica e inovadora, evita riscos, sendo particularmente vantajosa em \u00e1reas relacionadas com a medicina, a engenharia e a arquitetura, uma vez que possibilita experi\u00eancias sem efeitos colaterais no mundo real, mas que d\u00e3o origem a aprendizagens efetivas e significativas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para uma aprendizagem mais interativa e imersiva, podem ser simuladas experi\u00eancias laboratoriais ou outras, visitas a museus ou a monumentos hist\u00f3ricos, viagens a pa\u00edses long\u00ednquos, ao fundo do mar, ao espa\u00e7o ou ao passado! Assim, com esta tecnologia, passa a ser poss\u00edvel uma mir\u00edade de ambientes que proporcionam situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem dificilmente concretiz\u00e1veis nas salas de aula do mundo real, pela sua inexequibilidade em termos log\u00edsticos e humanos. Al\u00e9m disso, pode possibilitar um ensino diferenciado e mais inclusivo, visto que, ao eliminar as barreiras entre o real e o virtual, esbate obst\u00e1culos f\u00edsicos e comunicacionais e contribui para aprendizagens significativas que preparam os alunos, mesmo aqueles que apresentam algum tipo de limita\u00e7\u00e3o, para o mundo real, proporcionando-lhes experi\u00eancias \u00fanicas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Acresce, ainda, o facto de o uso do metaverso em educa\u00e7\u00e3o facilitar a abordagem\u00a0 a conceitos mais complexos e abstratos, de forma mais pr\u00e1tica e acess\u00edvel, ao mesmo tempo que pode atenuar ou eliminar limita\u00e7\u00f5es intrinsecamente humanas, como a impossibilidade da ubiquidade, de viajar no tempo, entre outras, por permitir que os alunos participem em situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem a partir de qualquer ponto do mundo, no momento que lhes for mais favor\u00e1vel, n\u00e3o dependendo da disponibilidade nem da presen\u00e7a f\u00edsica do professor, muito embora este esteja sempre \u201cpresente\u201d. \u00c9 essa a posi\u00e7\u00e3o de Hirsh-Pasek et al. (2022), quando referem que o metaverso \u00e9 apenas um contexto \u2013 um contexto imersivo \u2013 que pode p\u00f4r ao servi\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o o melhor das tecnologias digitais, por\u00e9m implica considerar os aportes da ci\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o e da psicologia educacional e encontrar formas de fundir os mundos virtual e real, preservando as rela\u00e7\u00f5es sociais professor-aluno.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Face ao exposto, o uso do metaverso em educa\u00e7\u00e3o implica apostar em pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas, que invistam no apetrechamento das escolas com os equipamentos e com a tecnologia necess\u00e1ria (por exemplo, \u00f3culos de Realidade Virtual e tecnologia de telecomunica\u00e7\u00f5es 5G), mas tamb\u00e9m melhorar a cobertura das redes de alta velocidade, favorecendo o acesso generalizado \u00e0s mesmas. Para al\u00e9m disso, considerando que a tecnologia <em>p<\/em><em>er se<\/em> n\u00e3o garante inova\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que apostar na forma\u00e7\u00e3o de professores nesta \u00e1rea, de modo a que a rentabiliza\u00e7\u00e3o desta tecnologia com recurso ao mundo virtual se salde em aprendizagens significativas e reais nos discentes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em suma, a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica fez emergir uma tecnologia capaz de criar realidades que, at\u00e9 recentemente, s\u00f3 existiam na literatura e nos filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Essa tecnologia transformou a forma como nos relacionamos, como comunicamos, como aprendemos e ensinamos, por isso, h\u00e1 que abrir a escola, a biblioteca e as salas de aula ao metaverso, para aproveitar as virtualidades pedag\u00f3gicas que oferece, pondo-as ao servi\u00e7o de uma educa\u00e7\u00e3o hol\u00edstica e de qualidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Backes, L. (2013). <em>Hibridismo tecnol\u00f3gico digital: configura\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os digitais virtuais de conviv\u00eancia<\/em>. Col\u00f3quio Luso-Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia e <em>Elearning. <\/em>Universidade Aberta. <a href=\"http:\/\/hdl.handle.net\/10400.2\/3050\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/hdl.handle.net\/10400.2\/3050<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Daccord, T. (2022, 19 de setembro). <em>Making Sense of the Metaverse in Education<\/em>. EdTechTeacher. <a href=\"https:\/\/edtechteacher.org\/making-sense-of-the-metaverse-in-education\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/edtechteacher.org\/making-sense-of-the-metaverse-in-education\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Hirsh-Pasek, K., Zosh, J. M., Hadani, H. S., Golinkoff, R. M.,\u00a0 Clark, K., Donohue, C.\u00a0 &amp; Wartella E. (2022). <em>A whole new world: Education meets the metaverse<\/em>. Center for Universal Education. Brookings Institution. <a href=\"https:\/\/www.brookings.edu\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/A-whole-new-world_Education-meets-the-metaverse-FINAL-021422.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.brookings.edu\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/A-whole-new-world_Education-meets-the-metaverse-FINAL-021422.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Kiang, D. (2019, 27 de setembro). Minecraft 101: The Underwater Dome Project.\u00a0\u00a0 <em>ISTE Bog<\/em>.<a href=\"https:\/\/www.iste.org\/explore\/In-the-classroom\/Minecraft-101%3A-The-Underwater-Dome-Project?articleid=155\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.iste.org\/explore\/In-the-classroom\/Minecraft-101%3A-The-Underwater-Dome-Project?articleid=155<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">5. Lepez C.O. (2022). Metaverso y educaci\u00f3n: una revisi\u00f3n panor\u00e1mica. <em>Metaverse Basic and Applied Research<\/em> Metaverse. 1:2. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.56294\/mr20222\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.56294\/mr20222<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">6. Marques, W. R. (2022). Metaverso e educa\u00e7\u00e3o: uma revis\u00e3o da literatura. <em>RECIMA21 &#8211; Revista Cient\u00edfica Multidisciplinar<\/em>. 3(10). <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.47820\/recima21.v3i10.2064\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.47820\/recima21.v3i10.2064<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">7. Moreira, A. W.dos S. &amp; Ribeiro, W. A. (2022). <em>O uso do metaverso no processo de ensino e aprendizagem<\/em>. [Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso]. Universidade Cat\u00f3lica do Salvador. <u>\u00a0<\/u><a href=\"http:\/\/ri.ucsal.br:8080\/jspui\/handle\/prefix\/4832\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ri.ucsal.br:8080\/jspui\/handle\/prefix\/4832<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">8. Motta, E. (2022). <em>Metaverso e o Impacto na Educa\u00e7\u00e3o<\/em>. [MINICURSO]. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ST69YDdf5Hw\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ST69YDdf5Hw\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">9. Schlemmer, E. &amp; Backes, L. (2008). METAVERSOS: novos espa\u00e7os para constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. <em>Revista Di\u00e1logo Educacional<\/em>. 8(24). p. 519-532. <a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/articulo.oa?id=189116834014\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.redalyc.org\/articulo.oa?id=189116834014<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dando continuidade \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o do Dia da Internet Mais Segura, prosseguimos com a publica\u00e7\u00e3o de artigos subordinados ao tema deste ano: Metaverso vs Realidade. Depois de clarificar a origem e alguns conceitos associados ao metaverso (Metaverso&#8230; uma tecnologia que veio para ficar, Metaverso vs Realidade, ABC do Metaverso), bem como algumas das potencialidades e riscos desta tecnologia em v\u00e1rias \u00e1reas profissionais e de lazer (Metaverso: o melhor de v\u00e1rios mundos?, Metaverso: cautelas e caldos de galinha\u2026), imp\u00f5e-se, agora, uma breve reflex\u00e3o em torno das potencialidades que oferece aos educadores e aprendentes do s\u00e9culo XXI. Os anos da pandemia aceleraram a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o nas escolas, ao n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o de professores e de pr\u00e1ticas, de equipamentos e plataformas, ao ponto de alguns estudiosos distinguirem um modelo educacional pr\u00e9 e p\u00f3s-pandemia. Assim, no per\u00edodo p\u00f3s-pand\u00e9mico, o modelo educacional assenta em metodologias que procuram ser efetivamente ativas, com uso frequente de recursos digitais cada vez mais sofisticados, selecionados estrategicamente com vista a proporcionar um ensino envolvente, motivador e de qualidade, que contribua para formar jovens para o incerto mundo de amanh\u00e3.\u00a0 Atualmente, dividimo-nos entre o mundo f\u00edsico e o mundo virtual. Munidos de telem\u00f3veis, com software e apps cada vez mais vers\u00e1teis e \u201cinteligentes\u201d, e de outros equipamentos ou gadgets, acedemos a assistentes virtuais (como a famosa Alexa, da Amazon), a mundos sociais por meio das in\u00fameras redes sociais \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o, a jogos que apostam no Metaverso, com Realidade Virtual ou Aumentada. A omnipresen\u00e7a crescente da tecnologia que aposta gradualmente no Metaverso tem suscitado o interesse de alguns investigadores do mundo acad\u00e9mico, come\u00e7ando a surgir estudos que visam equacionar as suas potencialidades no meio educativo, tendo surgido, nos \u00faltimos anos, v\u00e1rias experi\u00eancias pedag\u00f3gicas no ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio que evidenciam o alcance dessa tecnologia em educa\u00e7\u00e3o. \u2b55 Investigadores do Virtual Human Interaction Lab, da Universidade de Stanford,\u00a0 desenvolveram uma experi\u00eancia imersiva de realidade virtual, Becoming Homeless: A Human Experience, com vista a apurar o seu impacto na empatia dos envolvidos. Consistia em expor os participantes a uma situa\u00e7\u00e3o de grande indig\u00eancia, vivendo na \u201cpele\u201d de algu\u00e9m que deixa de conseguir pagar a sua casa. Os resultados revelaram a efic\u00e1cia das experi\u00eancias de realidade virtual para alterar comportamentos de forma duradoura, afirmando-se uma ferramenta poderosa para ajudar as pessoas a colocar-se no lugar do outro, logo, para formar cidad\u00e3os democr\u00e1ticos, participativos e humanistas, numa \u00e9poca de diversidade social e cultural crescentes e dada a radicalismos violentos. \u2b55 Douglas Kiang, mestre em Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o (Universidade de Harvard), e professor de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o numa escola em Honolulu, Hawai, fiel \u00e0 metodologia da Aprendizagem Baseada em Desafios, envolveu os seus alunos num projeto com recurso ao metaverso &#8211; Minecraft 101: The Underwater Dome Project. Desafiou-os a criarem um espa\u00e7o subaqu\u00e1tico, respeitando alguns crit\u00e9rios previamente estabelecidos, o que originou um projeto colaborativo bastante enriquecedor que envolveu os alunos e que lhes permitiu desenvolver v\u00e1rias compet\u00eancias e capacidades: envolvimento, criatividade, comunica\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a\u2026 \u2b55 Hirsh-Pasek et al. (2022), na publica\u00e7\u00e3o A whole new world: Education meets the metaverse, exemplificam as potencialidades do uso do metaverso em educa\u00e7\u00e3o, criando uma vis\u00e3o: uma sala de aula circular, com v\u00e1rios quadros brancos, onde alunos descobrem o mundo greco-latino, os seus deuses, o seu dia a dia, os seus espa\u00e7os. Logo de seguida, o professor f\u00e1-los regressar ao presente, e as paredes recriam, ent\u00e3o, as ru\u00ednas de templos, transformando-se os alunos, por meio dos seus avatares, em arque\u00f3logos que t\u00eam de (re)descobrir o passado, colhendo fragmentos de cer\u00e2mica, moedas, est\u00e1tuas\u2026 e partilhar essas descobertas com os restantes. Portanto, um cen\u00e1rio de aprendizagem verdadeiramente imersivo que oferece um contexto que favorece uma aprendizagem ativa, colaborativa e a cocria\u00e7\u00e3o. De facto, o metaverso vai muito para al\u00e9m dos tradicionais meios digitais virtuais, em que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ocorre por intermedia\u00e7\u00e3o de um browser, de um software que permite a navega\u00e7\u00e3o na internet, numa interface baseada em ambiente bidimensional de textos, de imagens est\u00e1ticas ou em movimento. No metaverso, a navega\u00e7\u00e3o ocorre em ambientes tridimensionais que se modificam em tempo real, conforme os utilizadores v\u00e3o interagindo com esses ambientes, convocando compet\u00eancias v\u00e1rias como a criatividade, a imagina\u00e7\u00e3o e uma variedade de formas de intera\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Isso implica uma mudan\u00e7a radical na forma de comunicar e no processo de ensino e de aprendizagem.\u00a0\u00a0 Prev\u00ea-se que, em 2026, 25% da popula\u00e7\u00e3o mundial passe, pelo menos, uma hora por dia no metaverso para realizar diversas tarefas quotidianas como fazer compras, trabalhar, conviver ou para desenvolver atividades educativas. Ainda que se trate de uma tecnologia emergente e pouco consensual, j\u00e1 se percebeu que ter\u00e1 repercuss\u00f5es, a m\u00e9dio ou a longo prazo, no processo de ensino e aprendizagem, pelo que h\u00e1 que considerar os seus eventuais aportes para o meio educativo. Por isso, o metaverso j\u00e1 est\u00e1 a ser estudado e usado em alguns pa\u00edses, incluindo Portugal, para melhorar cursos e programas de forma\u00e7\u00e3o em linha no ensino superior, sendo expect\u00e1vel, num futuro pr\u00f3ximo, a expans\u00e3o do recurso a essa tecnologia emergente nos v\u00e1rios n\u00edveis de ensino da escolaridade obrigat\u00f3ria. Lepez (2022) destaca as potencialidades do metaverso em educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que pode proporcionar experi\u00eancias de aprendizagem mais imersivas, interativas e enriquecedoras, que permitam aprender, experimentar e praticar de forma mais significativa em ambientes controlados. A simula\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es e cen\u00e1rios reais tem vantagens, pois, para al\u00e9m de implicar ativamente os alunos de forma l\u00fadica e inovadora, evita riscos, sendo particularmente vantajosa em \u00e1reas relacionadas com a medicina, a engenharia e a arquitetura, uma vez que possibilita experi\u00eancias sem efeitos colaterais no mundo real, mas que d\u00e3o origem a aprendizagens efetivas e significativas. Para uma aprendizagem mais interativa e imersiva, podem ser simuladas experi\u00eancias laboratoriais ou outras, visitas a museus ou a monumentos hist\u00f3ricos, viagens a pa\u00edses long\u00ednquos, ao fundo do mar, ao espa\u00e7o ou ao passado! Assim, com esta tecnologia, passa a ser poss\u00edvel uma mir\u00edade de ambientes que proporcionam situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem dificilmente concretiz\u00e1veis nas salas de aula do mundo real, pela sua inexequibilidade em termos log\u00edsticos e humanos. Al\u00e9m disso, pode possibilitar um ensino diferenciado e mais inclusivo, visto que, ao eliminar as barreiras entre o real e o virtual, esbate obst\u00e1culos f\u00edsicos e comunicacionais e contribui para aprendizagens significativas que preparam os alunos, mesmo aqueles que apresentam algum tipo de limita\u00e7\u00e3o, para o mundo real, proporcionando-lhes experi\u00eancias \u00fanicas. Acresce, ainda, o facto de o uso do metaverso em educa\u00e7\u00e3o facilitar a abordagem\u00a0 a conceitos mais complexos e abstratos, de forma mais pr\u00e1tica e acess\u00edvel, ao mesmo tempo que pode atenuar ou eliminar limita\u00e7\u00f5es intrinsecamente humanas, como a impossibilidade da ubiquidade, de viajar no tempo, entre outras, por permitir que os alunos participem em situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem a partir de qualquer ponto do mundo, no momento que lhes for mais favor\u00e1vel, n\u00e3o dependendo da disponibilidade nem da presen\u00e7a f\u00edsica do professor, muito embora este esteja sempre \u201cpresente\u201d. \u00c9 essa a posi\u00e7\u00e3o de Hirsh-Pasek et al. (2022), quando referem que o metaverso \u00e9 apenas um contexto \u2013 um contexto imersivo \u2013 que pode p\u00f4r ao servi\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o o melhor das tecnologias digitais, por\u00e9m implica considerar os aportes da ci\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o e da psicologia educacional e encontrar formas de fundir os mundos virtual e real, preservando as rela\u00e7\u00f5es sociais professor-aluno. Face ao exposto, o uso do metaverso em educa\u00e7\u00e3o implica apostar em pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas, que invistam no apetrechamento das escolas com os equipamentos e com a tecnologia necess\u00e1ria (por exemplo, \u00f3culos de Realidade Virtual e tecnologia de telecomunica\u00e7\u00f5es 5G), mas tamb\u00e9m melhorar a cobertura das redes de alta velocidade, favorecendo o acesso generalizado \u00e0s mesmas. Para al\u00e9m disso, considerando que a tecnologia per se n\u00e3o garante inova\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que apostar na forma\u00e7\u00e3o de professores nesta \u00e1rea, de modo a que a rentabiliza\u00e7\u00e3o desta tecnologia com recurso ao mundo virtual se salde em aprendizagens significativas e reais nos discentes. Em suma, a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica fez emergir uma tecnologia capaz de criar realidades que, at\u00e9 recentemente, s\u00f3 existiam na literatura e nos filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Essa tecnologia transformou a forma como nos relacionamos, como comunicamos, como aprendemos e ensinamos, por isso, h\u00e1 que abrir a escola, a biblioteca e as salas de aula ao metaverso, para aproveitar as virtualidades pedag\u00f3gicas que oferece, pondo-as ao servi\u00e7o de uma educa\u00e7\u00e3o hol\u00edstica e de qualidade. \u00a0 Bibliografia 1. Backes, L. (2013). 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