{"id":2679083,"date":"2023-01-20T09:00:00","date_gmt":"2023-01-20T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2679083.html"},"modified":"2026-05-13T14:24:04","modified_gmt":"2026-05-13T14:24:04","slug":"50-anos-do-25-abril-amilcar-cabral-e-a-historia-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2679083","title":{"rendered":"50 anos do 25 abril: Am\u00edlcar Cabral e a Hist\u00f3ria do Futuro"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2023-01-19-PQ.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22421004_Ag08H.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>No contexto da comemora\u00e7\u00e3o dos 50 anos do 25 de abril de 1974, a Assembleia da Rep\u00fablica (Lisboa) acolheu, nos dias 13 e 14 de janeiro, o col\u00f3quio internacional <em>Am\u00edlcar Cabral e a Hist\u00f3ria do Futuro<\/em> que assinala os 50 anos do assassinato de Am\u00edlcar Cabral, ocorrido a 20 de janeiro de 1973, em Conacri (Rep\u00fablica da Guin\u00e9).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os organizadores do Col\u00f3quio foram o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, atrav\u00e9s do projeto <em>CROME, Crosses Memories; Politics of Silence<\/em> [<strong>2<\/strong>], o Instituto de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea (NOVA-FCSH), o Laborat\u00f3rio IN2PAST e a CULTRA promotora da campanha <em>Abril \u00e9 Agora<\/em>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O Col\u00f3quio foi transmitido em direto [<strong>1<\/strong>] e a sua programa\u00e7\u00e3o [<strong>3<\/strong>] re\u00fane diversas personalidades da pol\u00edtica e da cultura: Pedro Pires, ex-Primeiro-Ministro, antigo Chefe de Estado de Cabo Verde e atual Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Am\u00edlcar Cabral, Iva Cabral, historiada e filha de Am\u00edlcar Cabral, o historiador Mustafah Dhada, Carlos Cardoso do Centro de Estudos Sociais Am\u00edlcar Cabral (CESAC), o investigador Bruno Sena Martins e a vereadora da C\u00e2mara de Lisboa e ex-deputada Beatriz Gomes Dias. Inclui performance de Pr\u00e9tu (antes Chullage) e festa no B.Leza.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Dos in\u00fameros t\u00f3picos de interesse do Col\u00f3quio, destacamos quatro:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>1. Am\u00edlcar Cabral, figura inc\u00f3moda, bem viva na cultura urbana juvenil<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nascido na Guin\u00e9-Bissau e filho de pai cabo-verdiano e de m\u00e3e guineense, Am\u00edlcar Cabral \u00e9 l\u00edder e her\u00f3i incontestado da luta pela independ\u00eancia de Cabo Verde e da Guin\u00e9-Bissau, tendo sido assassinado por dois membros do partido pol\u00edtico que ajudou a fundar, em 1959, o Partido Africano para a Independ\u00eancia da Guin\u00e9 e Cabo Verde, PAIGC.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 uma personalidade que suscita quest\u00f5es controversas, inclusive sobre a sua morte, colocando-se a hip\u00f3tese do envolvimento de Sp\u00ednola e da PIDE\/ DGS no seu assassinato, o que poderia ser uma solu\u00e7\u00e3o militar planeada para salvar o imp\u00e9rio colonialista portugu\u00eas. Apesar de haver, em \u00c1frica, arquivos que nunca foram estudados e, em Portugal, documentos omissos nos arquivos da PIDE, as evid\u00eancias cient\u00edficas dispon\u00edveis n\u00e3o confirmam esta hip\u00f3tese.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cEle \u00e9 inc\u00f3modo, representa inquieta\u00e7\u00e3o. Por isso ainda o estudamos\u201d, disse Pedro Pires, comandante da luta armada ao lado de Cabral e Primeiro-Ministro e Presidente de Cabo Verde ap\u00f3s a sua independ\u00eancia, em 1975.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Agr\u00f3nomo, poeta, guerrilheiro, intelectual &#8211; escreveu 106 textos, disse o historiador Mustafah Dhada \u2013 Am\u00edlcar Cabral \u00e9 figura complexa que tem suscitado crescente interesse acad\u00e9mico, apesar de na Guin\u00e9-Bissau se experienciar o seu \u201csilenciamento\u201d ou \u201capagamento na esfera p\u00fablica\u201d, conforme sublinhou S\u00edlvia Roque, professora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade de \u00c9vora.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O seu nome e imagem n\u00e3o consta da topon\u00edmia ou das notas em circula\u00e7\u00e3o, o Mausol\u00e9u Am\u00edlcar Cabral que est\u00e1 na fortaleza Jos\u00e9 de Amura, em Bissau, carece de autoriza\u00e7\u00e3o dos militares para ser visitado e praticamente n\u00e3o consta dos manuais escolares.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os meios tradicionais, institucionais e escolares, n\u00e3o resgatam Cabral, s\u00e3o os movimentos informais e inorg\u00e2nicos, de origem popular, que atualizam e disseminam o seu pensamento e a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>S\u00edlvia Roque, com base em entrevistas a jovens guineenses, feitas para compreender \u201ccomo \u00e9 que o passado \u00e9 vivido hoje e se projeta no futuro\u201d, afirma que Cabral est\u00e1 impregnado na mem\u00f3ria dos jovens e surge como algo desej\u00e1vel, \u00e9 uma figura identit\u00e1ria, de resist\u00eancia contra o colonialismo e de emancipa\u00e7\u00e3o, que apresenta uma nova vis\u00e3o de futuro para a sociedade, baseada no encontro com a identidade cultural africana reprimida, primeiro pela escravatura e depois pelo colonialismo e <em>apartheid<\/em>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>2. A cultura como elemento estrutural da mudan\u00e7a pol\u00edtica e social<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Cabral \u00e9 resgatado na rua, atrav\u00e9s de movimentos espont\u00e2neos urbanos e juvenis sem forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica e que se exprimem atrav\u00e9s do <em>rap<\/em> e de outras can\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es de protesto (e.g. Marxa Cabral criada a partir do rap [4]), de murais, de nova poesia (e.g. oraleitura, performances), de debates pol\u00edticos e de interven\u00e7\u00e3o social local, de T-shirts com a sua imagem, mostrando-se bem vivo em elementos da cultura popular.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Estas est\u00e9ticas emergentes africanas questionam no\u00e7\u00f5es oficiais de cultura e de identidade e criticam a desgoverna\u00e7\u00e3o e o colonialismo e racismo disseminado nos comportamentos e linguagem do dia a dia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A influ\u00eancia africana \u2013 e.g. na m\u00fasica: o funan\u00e1, o batuque, a bazuca, a morna, o gumb\u00e9 &#8211; \u00e9 uma componente transversal e muito importante da cultura europeia e mundial contempor\u00e2nea, profundamente h\u00edbrida.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo Redy Wilson Lima, soci\u00f3logo e investigador do contexto cabo-verdiano urbano, \u201c<strong>conseguimos a independ\u00eancia, mas n\u00e3o a liberta\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d e, segundo Miguel de Barros, soci\u00f3logo e investigador guineense, \u201c<strong>a liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato de cultura<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Arte e cultura s\u00e3o \u201co elemento estrutural dos movimentos de mudan\u00e7a sociais e pol\u00edticas\u201d: \u201ccriam c\u00f3digo\u201d para as comunidades articularem ideias e experi\u00eancias e terem voz; geram consciencializa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 exclusiva das pessoas que ocupam cargos no sistema partid\u00e1rio; mobilizam \u2013 geram vontade, motiva\u00e7\u00e3o &#8211; e transformam, para al\u00e9m de serem express\u00e3o e mem\u00f3ria dos factos que ocorreram na Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo Miguel de Barros, atualmente os textos, imagens e sons de\/ sobre Am\u00edlcar Cabral s\u00e3o usados para resignificar e refletir sobre as lutas presentes, travadas na periferia e para atualizar, prestar homenagem \u00e0 luta dos antigos combatentes em prol da efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e da emancipa\u00e7\u00e3o e soberania de um povo e de uma na\u00e7\u00e3o que comemora 50 anos de independ\u00eancia. Este movimento de resist\u00eancia que se estende at\u00e9 \u00e0 atualidade \u00e9 produtor de conhecimento e de cultura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>3. Desafios para o futuro<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Como transformar estes movimentos populares, de resist\u00eancia, em democracia participativa<\/strong>, que fortale\u00e7a e dignifique as institui\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o p\u00fablico, foi uma das quest\u00f5es levantadas no Col\u00f3quio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 importante que a academia articule com as escolas de ensino obrigat\u00f3rio, aproximando-se delas, n\u00e3o apenas para recolher dados, mas tamb\u00e9m para partilhar estas reflex\u00f5es e desafiar as crian\u00e7as e jovens a envolverem-se na vida pol\u00edtica e a porem em pr\u00e1tica estas ideias, referiu uma professora do audit\u00f3rio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1 (2).png\" height=\"80\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22421006_BBpaB.png\" style=\"width: 291px; padding: 10px 10px;\" width=\"291\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>CES vai \u00e0 Escola<\/em> \u00e9 uma iniciativa do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra aproxima a educa\u00e7\u00e3o e ensino do mundo acad\u00e9mico para responder aos desafios sociais e pol\u00edticos atuais.[6]<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Miguel de Barros mencionou o seu trabalho de contribuir para a cria\u00e7\u00e3o, na rua e no bairro, de assembleias populares\/ concelhos de cidad\u00e3os, cujos participantes t\u00eam a oportunidade de apresentar e discutir, em conjunto, os seus problemas para tomarem decis\u00f5es conscientes, terem voz e porem em pr\u00e1tica, uns com os outros, as suas ideias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m importante que o poder pol\u00edtico integre na sua agenda estes problemas e envolva estes cidad\u00e3os pois, segundo o investigador, a reestrutura\u00e7\u00e3o da sociedade deve ter origem no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta lideran\u00e7a empreendedora e colaborativa \u00e9, segundo Redy Wilson Lima, inspirada no exemplo e obra de Am\u00edlcar Cabral.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Beatriz Gomes Dias destacou que <strong>o 25 de abril \u00e9 uma<\/strong> <strong>conquista e uma luta coletiva<\/strong>, do povo portugu\u00eas, de combatentes an\u00f3nimos, que requer um alargamento dos elementos de memorializa\u00e7\u00e3o (e.g. topon\u00edmia), bem como um <strong>reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua nas suas diferentes formas, express\u00f5es e sotaques<\/strong> e uma vis\u00e3o cr\u00edtica e contextualizada da Hist\u00f3ria. A prop\u00f3sito, um elemento do audit\u00f3rio referiu que, no Brasil, a Lei 10.639 de 2003 torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e da cultura africana no Brasil, como estrat\u00e9gia para mitigar a perce\u00e7\u00e3o preconceituosa e estereotipada da popula\u00e7\u00e3o negra que aumenta as desigualdades sociais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>4. O papel das bibliotecas escolares<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os 50 anos do 25 de abril de 1974 celebram-se de 23 de mar\u00e7o de 2022 a dezembro de 2026 e, em 2023, o assassinato de Am\u00edlcar Cabral \u00e9 um dos tr\u00eas temas sobre os quais a programa\u00e7\u00e3o destas comemora\u00e7\u00f5es vai incidir [5].<\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/biblioteca-escolar-o-desafio-da-2660753\">A Rede de Bibliotecas Escolares associa-se \u00e0s Comemora\u00e7\u00f5es<\/a>, incentivando a discuss\u00e3o destes passados complexos que alargam a Hist\u00f3ria oficial e geram vis\u00f5es mais inclusivas, participativas e pac\u00edficas para o presente e futuro, abre esta reflex\u00e3o e deixa o t\u00edtulo de um romance de M\u00e1rio L\u00facio Sousa, escritor natural de Cabo Verde (1964), formado em Direito e ex-deputado do Parlamento e ex-Ministro da Cultura e Arte de Cabo Verde.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"a-ultima-luta-1.jpeg\" height=\"467\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22421007_JidTq.jpeg\" style=\"width: 350px; padding: 10px 10px;\" width=\"350\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cA \u00faltima lua implodiu; estilha\u00e7ou-se feita uma supernova e apagou-se como um olho de gato, enquanto, no ch\u00e3o do mundo, sagrava-se e sangrava-se um her\u00f3i [Am\u00edlcar Cabral]\u201d[7].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta agenda das Comemora\u00e7\u00f5es alarga e aprofunda o papel das bibliotecas escolares no cumprimento da agenda do <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/cidadania-PNCRD.html\">Plano Nacional de Combate ao Racismo e \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o 2021-2025<\/a> de que a RBE e as bibliotecas escolares fazem parte.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Assembleia da Rep\u00fablica. (2023, 13 e 14 jan.). <em>Col\u00f3quio: Am\u00edlcar Cabral e a hist\u00f3ria do futuro<\/em>. Lisboa: AR. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/624393636353027\/?active_tab=discussion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook.com\/events\/624393636353027\/?active_tab=discussion<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. CROME, Crosses Memories; Politics of Silence. Coimbra: CES. <a href=\"https:\/\/crome.ces.uc.pt\/index.php?id_lingua=2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/crome.ces.uc.pt\/index.php?id_lingua=2<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Abril \u00e9 Agora! (2023, 13 e 14 jan.). Col\u00f3quio Am\u00edlcar Cabral e a hist\u00f3ria do futuro. Lisboa: Cultra. <a href=\"https:\/\/abrilagora.pt\/agenda\/coloquio-amilcar-cabral-e-historia-do-futuro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/abrilagora.pt\/agenda\/coloquio-amilcar-cabral-e-historia-do-futuro<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Redy, Lima. (2022, 19 jan.). <em>Marxa Cabraln2022<\/em>. Lisboa: Buala. <a href=\"https:\/\/www.buala.org\/pt\/a-ler\/marxa-cabral-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.buala.org\/pt\/a-ler\/marxa-cabral-2022<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">5. Ribeiro, Nuno. (2923, 17 jan.). <em>Aprovado programa dos 50 anos do 25 de Abril<\/em>. Lisboa: P\u00fablico. <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/01\/17\/politica\/noticia\/aprovado-programa-50-anos-25-abril-2035329\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.publico.pt\/2023\/01\/17\/politica\/noticia\/aprovado-programa-50-anos-25-abril-2035329<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">6. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. (2023). <em>CES vai \u00e0 escola<\/em>. Coimbra: CES. <a href=\"https:\/\/www.ces.uc.pt\/extensao\/cesvaiaescola\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ces.uc.pt\/extensao\/cesvaiaescola\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">7. Sousa, M\u00e1rio. (2022). <em>A \u00daltima Lua de Homem Grande<\/em>. Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es D. Quixote. <a href=\"https:\/\/www.buala.org\/pt\/mukanda\/uma-abordagem-critica-do-romance-a-ultima-lua-de-homem-grande-de-mario-lucio-sousa-parte-i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.buala.org\/pt\/mukanda\/uma-abordagem-critica-do-romance-a-ultima-lua-de-homem-grande-de-mario-lucio-sousa-parte-i<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">8. Fonte da imagem de capa: [<strong>1<\/strong>].<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da comemora\u00e7\u00e3o dos 50 anos do 25 de abril de 1974, a Assembleia da Rep\u00fablica (Lisboa) acolheu, nos dias 13 e 14 de janeiro, o col\u00f3quio internacional Am\u00edlcar Cabral e a Hist\u00f3ria do Futuro que assinala os 50 anos do assassinato de Am\u00edlcar Cabral, ocorrido a 20 de janeiro de 1973, em Conacri (Rep\u00fablica da Guin\u00e9). Os organizadores do Col\u00f3quio foram o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, atrav\u00e9s do projeto CROME, Crosses Memories; Politics of Silence [2], o Instituto de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea (NOVA-FCSH), o Laborat\u00f3rio IN2PAST e a CULTRA promotora da campanha Abril \u00e9 Agora. O Col\u00f3quio foi transmitido em direto [1] e a sua programa\u00e7\u00e3o [3] re\u00fane diversas personalidades da pol\u00edtica e da cultura: Pedro Pires, ex-Primeiro-Ministro, antigo Chefe de Estado de Cabo Verde e atual Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Am\u00edlcar Cabral, Iva Cabral, historiada e filha de Am\u00edlcar Cabral, o historiador Mustafah Dhada, Carlos Cardoso do Centro de Estudos Sociais Am\u00edlcar Cabral (CESAC), o investigador Bruno Sena Martins e a vereadora da C\u00e2mara de Lisboa e ex-deputada Beatriz Gomes Dias. Inclui performance de Pr\u00e9tu (antes Chullage) e festa no B.Leza. Dos in\u00fameros t\u00f3picos de interesse do Col\u00f3quio, destacamos quatro: 1. Am\u00edlcar Cabral, figura inc\u00f3moda, bem viva na cultura urbana juvenil Nascido na Guin\u00e9-Bissau e filho de pai cabo-verdiano e de m\u00e3e guineense, Am\u00edlcar Cabral \u00e9 l\u00edder e her\u00f3i incontestado da luta pela independ\u00eancia de Cabo Verde e da Guin\u00e9-Bissau, tendo sido assassinado por dois membros do partido pol\u00edtico que ajudou a fundar, em 1959, o Partido Africano para a Independ\u00eancia da Guin\u00e9 e Cabo Verde, PAIGC. \u00c9 uma personalidade que suscita quest\u00f5es controversas, inclusive sobre a sua morte, colocando-se a hip\u00f3tese do envolvimento de Sp\u00ednola e da PIDE\/ DGS no seu assassinato, o que poderia ser uma solu\u00e7\u00e3o militar planeada para salvar o imp\u00e9rio colonialista portugu\u00eas. Apesar de haver, em \u00c1frica, arquivos que nunca foram estudados e, em Portugal, documentos omissos nos arquivos da PIDE, as evid\u00eancias cient\u00edficas dispon\u00edveis n\u00e3o confirmam esta hip\u00f3tese. \u201cEle \u00e9 inc\u00f3modo, representa inquieta\u00e7\u00e3o. Por isso ainda o estudamos\u201d, disse Pedro Pires, comandante da luta armada ao lado de Cabral e Primeiro-Ministro e Presidente de Cabo Verde ap\u00f3s a sua independ\u00eancia, em 1975. Agr\u00f3nomo, poeta, guerrilheiro, intelectual &#8211; escreveu 106 textos, disse o historiador Mustafah Dhada \u2013 Am\u00edlcar Cabral \u00e9 figura complexa que tem suscitado crescente interesse acad\u00e9mico, apesar de na Guin\u00e9-Bissau se experienciar o seu \u201csilenciamento\u201d ou \u201capagamento na esfera p\u00fablica\u201d, conforme sublinhou S\u00edlvia Roque, professora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade de \u00c9vora. O seu nome e imagem n\u00e3o consta da topon\u00edmia ou das notas em circula\u00e7\u00e3o, o Mausol\u00e9u Am\u00edlcar Cabral que est\u00e1 na fortaleza Jos\u00e9 de Amura, em Bissau, carece de autoriza\u00e7\u00e3o dos militares para ser visitado e praticamente n\u00e3o consta dos manuais escolares. Os meios tradicionais, institucionais e escolares, n\u00e3o resgatam Cabral, s\u00e3o os movimentos informais e inorg\u00e2nicos, de origem popular, que atualizam e disseminam o seu pensamento e a\u00e7\u00e3o. S\u00edlvia Roque, com base em entrevistas a jovens guineenses, feitas para compreender \u201ccomo \u00e9 que o passado \u00e9 vivido hoje e se projeta no futuro\u201d, afirma que Cabral est\u00e1 impregnado na mem\u00f3ria dos jovens e surge como algo desej\u00e1vel, \u00e9 uma figura identit\u00e1ria, de resist\u00eancia contra o colonialismo e de emancipa\u00e7\u00e3o, que apresenta uma nova vis\u00e3o de futuro para a sociedade, baseada no encontro com a identidade cultural africana reprimida, primeiro pela escravatura e depois pelo colonialismo e apartheid. 2. A cultura como elemento estrutural da mudan\u00e7a pol\u00edtica e social Cabral \u00e9 resgatado na rua, atrav\u00e9s de movimentos espont\u00e2neos urbanos e juvenis sem forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica e que se exprimem atrav\u00e9s do rap e de outras can\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es de protesto (e.g. Marxa Cabral criada a partir do rap [4]), de murais, de nova poesia (e.g. oraleitura, performances), de debates pol\u00edticos e de interven\u00e7\u00e3o social local, de T-shirts com a sua imagem, mostrando-se bem vivo em elementos da cultura popular. Estas est\u00e9ticas emergentes africanas questionam no\u00e7\u00f5es oficiais de cultura e de identidade e criticam a desgoverna\u00e7\u00e3o e o colonialismo e racismo disseminado nos comportamentos e linguagem do dia a dia. A influ\u00eancia africana \u2013 e.g. na m\u00fasica: o funan\u00e1, o batuque, a bazuca, a morna, o gumb\u00e9 &#8211; \u00e9 uma componente transversal e muito importante da cultura europeia e mundial contempor\u00e2nea, profundamente h\u00edbrida. Segundo Redy Wilson Lima, soci\u00f3logo e investigador do contexto cabo-verdiano urbano, \u201cconseguimos a independ\u00eancia, mas n\u00e3o a liberta\u00e7\u00e3o\u201d e, segundo Miguel de Barros, soci\u00f3logo e investigador guineense, \u201ca liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato de cultura\u201d. Arte e cultura s\u00e3o \u201co elemento estrutural dos movimentos de mudan\u00e7a sociais e pol\u00edticas\u201d: \u201ccriam c\u00f3digo\u201d para as comunidades articularem ideias e experi\u00eancias e terem voz; geram consciencializa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 exclusiva das pessoas que ocupam cargos no sistema partid\u00e1rio; mobilizam \u2013 geram vontade, motiva\u00e7\u00e3o &#8211; e transformam, para al\u00e9m de serem express\u00e3o e mem\u00f3ria dos factos que ocorreram na Hist\u00f3ria. Segundo Miguel de Barros, atualmente os textos, imagens e sons de\/ sobre Am\u00edlcar Cabral s\u00e3o usados para resignificar e refletir sobre as lutas presentes, travadas na periferia e para atualizar, prestar homenagem \u00e0 luta dos antigos combatentes em prol da efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e da emancipa\u00e7\u00e3o e soberania de um povo e de uma na\u00e7\u00e3o que comemora 50 anos de independ\u00eancia. Este movimento de resist\u00eancia que se estende at\u00e9 \u00e0 atualidade \u00e9 produtor de conhecimento e de cultura. 3. Desafios para o futuro Como transformar estes movimentos populares, de resist\u00eancia, em democracia participativa, que fortale\u00e7a e dignifique as institui\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o p\u00fablico, foi uma das quest\u00f5es levantadas no Col\u00f3quio. \u00c9 importante que a academia articule com as escolas de ensino obrigat\u00f3rio, aproximando-se delas, n\u00e3o apenas para recolher dados, mas tamb\u00e9m para partilhar estas reflex\u00f5es e desafiar as crian\u00e7as e jovens a envolverem-se na vida pol\u00edtica e a porem em pr\u00e1tica estas ideias, referiu uma professora do audit\u00f3rio. CES vai \u00e0 Escola \u00e9 uma iniciativa do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra aproxima a educa\u00e7\u00e3o e ensino do mundo acad\u00e9mico para responder aos desafios sociais e pol\u00edticos atuais.[6] Miguel de Barros mencionou o seu trabalho de contribuir para a cria\u00e7\u00e3o, na rua e no bairro, de assembleias populares\/ concelhos de cidad\u00e3os, cujos participantes t\u00eam a oportunidade de apresentar e discutir, em conjunto, os seus problemas para tomarem decis\u00f5es conscientes, terem voz e porem em pr\u00e1tica, uns com os outros, as suas ideias. \u00c9 tamb\u00e9m importante que o poder pol\u00edtico integre na sua agenda estes problemas e envolva estes cidad\u00e3os pois, segundo o investigador, a reestrutura\u00e7\u00e3o da sociedade deve ter origem no espa\u00e7o p\u00fablico. Esta lideran\u00e7a empreendedora e colaborativa \u00e9, segundo Redy Wilson Lima, inspirada no exemplo e obra de Am\u00edlcar Cabral. Beatriz Gomes Dias destacou que o 25 de abril \u00e9 uma conquista e uma luta coletiva, do povo portugu\u00eas, de combatentes an\u00f3nimos, que requer um alargamento dos elementos de memorializa\u00e7\u00e3o (e.g. topon\u00edmia), bem como um reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua nas suas diferentes formas, express\u00f5es e sotaques e uma vis\u00e3o cr\u00edtica e contextualizada da Hist\u00f3ria. A prop\u00f3sito, um elemento do audit\u00f3rio referiu que, no Brasil, a Lei 10.639 de 2003 torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e da cultura africana no Brasil, como estrat\u00e9gia para mitigar a perce\u00e7\u00e3o preconceituosa e estereotipada da popula\u00e7\u00e3o negra que aumenta as desigualdades sociais. 4. O papel das bibliotecas escolares Os 50 anos do 25 de abril de 1974 celebram-se de 23 de mar\u00e7o de 2022 a dezembro de 2026 e, em 2023, o assassinato de Am\u00edlcar Cabral \u00e9 um dos tr\u00eas temas sobre os quais a programa\u00e7\u00e3o destas comemora\u00e7\u00f5es vai incidir [5]. A Rede de Bibliotecas Escolares associa-se \u00e0s Comemora\u00e7\u00f5es, incentivando a discuss\u00e3o destes passados complexos que alargam a Hist\u00f3ria oficial e geram vis\u00f5es mais inclusivas, participativas e pac\u00edficas para o presente e futuro, abre esta reflex\u00e3o e deixa o t\u00edtulo de um romance de M\u00e1rio L\u00facio Sousa, escritor natural de Cabo Verde (1964), formado em Direito e ex-deputado do Parlamento e ex-Ministro da Cultura e Arte de Cabo Verde. \u201cA \u00faltima lua implodiu; estilha\u00e7ou-se feita uma supernova e apagou-se como um olho de gato, enquanto, no ch\u00e3o do mundo, sagrava-se e sangrava-se um her\u00f3i [Am\u00edlcar Cabral]\u201d[7]. Esta agenda das Comemora\u00e7\u00f5es alarga e aprofunda o papel das bibliotecas escolares no cumprimento da agenda do Plano Nacional de Combate ao Racismo e \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o 2021-2025 de que a RBE e as bibliotecas escolares fazem parte. \u00a0 Refer\u00eancias 1. Assembleia da Rep\u00fablica. (2023, 13 e 14 jan.). Col\u00f3quio: Am\u00edlcar Cabral e a hist\u00f3ria do futuro. Lisboa: AR. https:\/\/www.facebook.com\/events\/624393636353027\/?active_tab=discussion 2. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. CROME, Crosses Memories; Politics of Silence. Coimbra: CES. https:\/\/crome.ces.uc.pt\/index.php?id_lingua=2 3. Abril \u00e9 Agora! (2023, 13 e 14 jan.). Col\u00f3quio Am\u00edlcar Cabral e a hist\u00f3ria do futuro. Lisboa: Cultra. https:\/\/abrilagora.pt\/agenda\/coloquio-amilcar-cabral-e-historia-do-futuro 4. Redy, Lima. (2022, 19 jan.). Marxa Cabraln2022. Lisboa: Buala. https:\/\/www.buala.org\/pt\/a-ler\/marxa-cabral-2022 5. Ribeiro, Nuno. (2923, 17 jan.). Aprovado programa dos 50 anos do 25 de Abril. Lisboa: P\u00fablico. https:\/\/www.publico.pt\/2023\/01\/17\/politica\/noticia\/aprovado-programa-50-anos-25-abril-2035329 6. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. (2023). CES vai \u00e0 escola. Coimbra: CES. https:\/\/www.ces.uc.pt\/extensao\/cesvaiaescola\/ 7. Sousa, M\u00e1rio. (2022). A \u00daltima Lua de Homem Grande. Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es D. Quixote. https:\/\/www.buala.org\/pt\/mukanda\/uma-abordagem-critica-do-romance-a-ultima-lua-de-homem-grande-de-mario-lucio-sousa-parte-i 8. Fonte da imagem de capa: [1].<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152,81,29],"tags":[],"class_list":["post-2679083","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-25-de-abril","category-cultura","category-liberdade-de-expressao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2679083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2679083"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2679083\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086853,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2679083\/revisions\/3086853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2679083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2679083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2679083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}