{"id":2666094,"date":"2022-12-02T09:00:00","date_gmt":"2022-12-02T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2666094.html"},"modified":"2026-05-13T14:27:13","modified_gmt":"2026-05-13T14:27:13","slug":"ifla-liberdade-intelectual-temas-problemas-continuacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2666094","title":{"rendered":"IFLA: Liberdade intelectual | temas \u2013 problemas (continua\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-12-02 GD.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22395280_cZmit.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O jornal oficial da IFLA \u00e9 um jornal digital gratuito que publica artigos de investiga\u00e7\u00e3o, estudos caso e ensaios originais sobre informa\u00e7\u00e3o e bibliotecas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 publicado trimestralmente (em mar\u00e7o, junho, outubro e dezembro), os artigos s\u00e3o revistos por pares e todos os profissionais do setor, de todos os pa\u00edses, podem submeter artigos em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de outubro, dedicada \u00e0 Liberdade Intelectual [<strong>1<\/strong>], aborda diversos t\u00f3picos, dos quais apresentamos exemplos, dando continuidade ao <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/ifla-liberdade-intelectual-temas-2665702\">artigo anterior<\/a>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Autoridades complexas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo a Declara\u00e7\u00e3o da IFLA, a biblioteca deve disponibilizar ao utilizador \u201c<strong>o acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d que ele pretende.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando um utilizador solicita informa\u00e7\u00e3o falsa que pode p\u00f4r em perigo a sua sa\u00fade e a sa\u00fade p\u00fablica, por exemplo, informa\u00e7\u00e3o que apoie o argumento das vacinas poderem ser perigosas para a sa\u00fade, o que deve fazer o bibliotec\u00e1rio?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Kate Mercer, Kari Weaver e Khrystine Waked no artigo, <em>Navegando por autoridades complexas<\/em> apresentam diversas situa\u00e7\u00f5es controversas e dilemas com que pode confrontar-se o bibliotec\u00e1rio na atualidade, em que os media sociais s\u00e3o a principal fonte de informa\u00e7\u00e3o, veiculando desinforma\u00e7\u00e3o, factos alternativos e teorias da conspira\u00e7\u00e3o e em que o acesso a noticias \u00e9 feito com base em algoritmos que refor\u00e7am o h\u00e1bito das pessoas apenas aceitarem evid\u00eancias que confirmam os pr\u00f3prios pontos de vista. \u00c9 assim que em plena crise pand\u00e9mica Covid-19 se disseminou a descren\u00e7a sobre a exist\u00eancia do v\u00edrus, bem como mensagens sobre terapias alternativas \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo os autores, quando os profissionais da biblioteca s\u00e3o confrontados com autoridades controversas apresentadas pelos seus utilizadores, h\u00e1 que \u201creformular a quest\u00e3o [do acesso a \u2018toda\u2019 a informa\u00e7\u00e3o para], \u2018<strong>Como providenciar o acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o com contexto e cr\u00edtica<\/strong>? [sublinhado nosso]\u2019\u201d, pois \u201c<strong>O trabalho do bibliotec\u00e1rio deve ser contextualizar essa informa\u00e7\u00e3o apropriadamente <\/strong>[sublinhado nosso]\u201d, reservando ao utilizador o direito de decidir posteriormente em inteira liberdade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, \u201cEnquanto bibliotec\u00e1rios, devemos estar autorizados a manter os nossos <strong>limites \u00e9ticos pessoais<\/strong>, enquanto ainda permitimos o acesso a informa\u00e7\u00e3o sobre todos os pontos de vista [sublinhado nosso]\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O desenvolvimento de uma consci\u00eancia cr\u00edtica por parte dos utilizadores tamb\u00e9m pode resultar da intera\u00e7\u00e3o informal com eles, no \u00e2mbito da qual o profissional da biblioteca levanta quest\u00f5es como: <strong>\u201cOnde \u00e9 que ouviste isso pela primeira vez? Descobriste porque \u00e9 que as pessoas te est\u00e3o a dizer isso? Olhaste para a proveni\u00eancia das fontes? Achaste a informa\u00e7\u00e3o bomb\u00e1stica? <\/strong>[sublinhados nossos]\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ao manter este di\u00e1logo o bibliotec\u00e1rio est\u00e1 a usar as ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da informa\u00e7\u00e3o que o utilizador lhe est\u00e1 a solicitar, explicando-lhe como \u00e9 que os profissionais procedem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Censura<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Alex Byrne no artigo, <em>Uma declara\u00e7\u00e3o para todas as \u00e9pocas<\/em>, sublinha a import\u00e2ncia dos princ\u00edpios 5, 6 e 7 da Declara\u00e7\u00e3o da IFLA para o compromisso da biblioteca com a diversidade e pluralidade:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; \u201cdevem adquirir, preservar e disponibilizar a mais ampla variedade de materiais, refletindo a pluralidade e diversidade da sociedade\u201d;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; \u201cdevem assegurar que a sele\u00e7\u00e3o e disponibilidade de materiais e servi\u00e7os da biblioteca seja regida por considera\u00e7\u00f5es profissionais e n\u00e3o por opini\u00f5es pol\u00edticas, morais e religiosas\u201d;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; \u201cdevem adquirir, organizar e divulgar livremente a informa\u00e7\u00e3o e opor-se a qualquer forma de censura\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Byrne sublinha que \u00e9 dever profissional do bibliotec\u00e1rio apresentar uma diversidade de vozes, sobretudo das pessoas marginalizadas e oprimidas ao longo da Hist\u00f3ria: ind\u00edgenas, negros, ciganos, LGBTQIA+ (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexual e outras identidades de g\u00e9nero), minorias lingu\u00edsticas e religiosas. E especifica: \u201cAs nossas bibliotecas <strong>devem apresentar as suas hist\u00f3rias \u2013 fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o \u2013 nas suas palavras<\/strong> [sublinhado nosso]\u201d, respeitando o lugar de fala [<strong>2<\/strong>] de cada pessoa e cultura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A biblioteca deve celebrar a individualidade e a diversidade de informa\u00e7\u00e3o e afirmar-se anti-racista, anti-sexista e promover a luta contra o discurso de \u00f3dio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Referindo Bestgen, Byrne considera que <strong>a cultura do cancelamento ou da supress\u00e3o de opini\u00f5es e factos inconsistentes com a opini\u00e3o da maioria<\/strong> tamb\u00e9m pode ter efeitos na liberdade intelectual e no discurso livre, podendo gerar auto-censura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos <strong>t\u00eam crescido interfer\u00eancias nas escolhas dos bibliotec\u00e1rios<\/strong>, principalmente quando se trata de recursos destinados a crian\u00e7as e jovens que abordam temas delicados, como orienta\u00e7\u00e3o sexual ou discrimina\u00e7\u00e3o\/ racismo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Medo, atitude moralista, posicionamento pol\u00edtico conservador s\u00e3o as principais raz\u00f5es destas tentativas para limitar a livre express\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de ideias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os <strong>bibliotec\u00e1rios t\u00eam o papel desafiante &#8211; e vital &#8211; de garantir uma cultura de liberdade e de inclus\u00e3o<\/strong>, proporcionando uma diversidade e pluralidade de informa\u00e7\u00e3o, bem como de <strong>questionar preconceitos e estere\u00f3tipos a partir da defesa de valores humanistas<\/strong>. <strong>Este ambiente questionador e reflexivo \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 expans\u00e3o da liberdade intelectual<\/strong>, \u201cum dos direitos mais preciosos da humanidade\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Byrne, presidente da FAIFE quando a Declara\u00e7\u00e3o foi adotada pela IFLA, relembra as palavras que escreveu nessa ocasi\u00e3o:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cAs bibliotecas devem fazer ressoar muitos pontos de vista divergentes, incluindo o inaceit\u00e1vel, e mesmo o que muitos podem achar odioso. &#8230; Ao tornar dispon\u00edveis tais [controversos e divergentes] materiais, mesmo aqueles que os profissionais da biblioteca podem achar repugnantes ou apenas disparatados, as bibliotecas n\u00e3o est\u00e3o a apoiar o argumento desses pontos de vista, mas a defender o princ\u00edpio essencial da liberdade intelectual\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>A crise epist\u00e9mica<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sarah Hartmen-Caverly, considera que a informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea experiencia uma \u201ccrise epist\u00e9mica\u201d derivada de \u201dteorias da conspira\u00e7\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o, distra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma engenharia da aten\u00e7\u00e3o [exemplo, notifica\u00e7\u00f5es], \u2018fake news\u2019, sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o, m\u00e1 informa\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, polariza\u00e7\u00e3o, propaganda e vigil\u00e2ncia\u201d em larga escala e que est\u00e1 normalizada.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, por exemplo, <em>The Washington Post Fact Checker<\/em> contabilizou 30.573 alega\u00e7\u00f5es falsas ou enganosas de Donald Trump nos quatro anos da sua presid\u00eancia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sinal da crise dos m\u00e9dia foi a resposta \u00e0 crise pand\u00e9mica, na qual se verificaram s\u00e9rias restri\u00e7\u00f5es \u00e0 livre express\u00e3o e ao acesso a informa\u00e7\u00e3o e, por outro lado, a comunica\u00e7\u00e3o foi inconsistente, gerando distor\u00e7\u00e3o da verdade e falta de confian\u00e7a do p\u00fablico, por exemplo, relativamente \u00e0 vacina Oxford-AstraZeneca.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Hartmen-Caverly destaca que <strong>a liberdade intelectual deve desempenhar um papel central na defini\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o, da abordagem educativa e da programa\u00e7\u00e3o da biblioteca<\/strong> que deve desenvolver-se num contexto livre de desconfian\u00e7a, de manipula\u00e7\u00e3o e de censura. Para o efeito, \u00e9 fundamental que o profissional da biblioteca examine e atualize criticamente e continuamente os seus pressupostos e considere pontos de vista alternativos, novas informa\u00e7\u00f5es, pois \u201cA crise epist\u00e9mica \u00e9 uma oportunidade para redobrar estes esfor\u00e7os\u201d e fortalecer a liberdade intelectual.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, Oct.). <em>IFLA Journal.<\/em> Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/2143\/1\/ifla-journal-48-3_2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/2143\/1\/ifla-journal-48-3_2022.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Cf. <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/discriminacao-abordagem-educativa-e-2556868\">Discrimina\u00e7\u00e3o: abordagem educativa e t\u00edtulos<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, Oct.). IFLA Journal. Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/IFLA.org\/photos\/a.598622580166691\/6143082945720599\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook.com\/IFLA.org\/photos\/a.598622580166691\/6143082945720599<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal oficial da IFLA \u00e9 um jornal digital gratuito que publica artigos de investiga\u00e7\u00e3o, estudos caso e ensaios originais sobre informa\u00e7\u00e3o e bibliotecas. \u00c9 publicado trimestralmente (em mar\u00e7o, junho, outubro e dezembro), os artigos s\u00e3o revistos por pares e todos os profissionais do setor, de todos os pa\u00edses, podem submeter artigos em ingl\u00eas. A edi\u00e7\u00e3o de outubro, dedicada \u00e0 Liberdade Intelectual [1], aborda diversos t\u00f3picos, dos quais apresentamos exemplos, dando continuidade ao artigo anterior. \u00a0 Autoridades complexas Segundo a Declara\u00e7\u00e3o da IFLA, a biblioteca deve disponibilizar ao utilizador \u201co acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o\u201d que ele pretende. Por\u00e9m, quando um utilizador solicita informa\u00e7\u00e3o falsa que pode p\u00f4r em perigo a sua sa\u00fade e a sa\u00fade p\u00fablica, por exemplo, informa\u00e7\u00e3o que apoie o argumento das vacinas poderem ser perigosas para a sa\u00fade, o que deve fazer o bibliotec\u00e1rio? Kate Mercer, Kari Weaver e Khrystine Waked no artigo, Navegando por autoridades complexas apresentam diversas situa\u00e7\u00f5es controversas e dilemas com que pode confrontar-se o bibliotec\u00e1rio na atualidade, em que os media sociais s\u00e3o a principal fonte de informa\u00e7\u00e3o, veiculando desinforma\u00e7\u00e3o, factos alternativos e teorias da conspira\u00e7\u00e3o e em que o acesso a noticias \u00e9 feito com base em algoritmos que refor\u00e7am o h\u00e1bito das pessoas apenas aceitarem evid\u00eancias que confirmam os pr\u00f3prios pontos de vista. \u00c9 assim que em plena crise pand\u00e9mica Covid-19 se disseminou a descren\u00e7a sobre a exist\u00eancia do v\u00edrus, bem como mensagens sobre terapias alternativas \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o. Segundo os autores, quando os profissionais da biblioteca s\u00e3o confrontados com autoridades controversas apresentadas pelos seus utilizadores, h\u00e1 que \u201creformular a quest\u00e3o [do acesso a \u2018toda\u2019 a informa\u00e7\u00e3o para], \u2018Como providenciar o acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o com contexto e cr\u00edtica? [sublinhado nosso]\u2019\u201d, pois \u201cO trabalho do bibliotec\u00e1rio deve ser contextualizar essa informa\u00e7\u00e3o apropriadamente [sublinhado nosso]\u201d, reservando ao utilizador o direito de decidir posteriormente em inteira liberdade. Para al\u00e9m disso, \u201cEnquanto bibliotec\u00e1rios, devemos estar autorizados a manter os nossos limites \u00e9ticos pessoais, enquanto ainda permitimos o acesso a informa\u00e7\u00e3o sobre todos os pontos de vista [sublinhado nosso]\u201d. O desenvolvimento de uma consci\u00eancia cr\u00edtica por parte dos utilizadores tamb\u00e9m pode resultar da intera\u00e7\u00e3o informal com eles, no \u00e2mbito da qual o profissional da biblioteca levanta quest\u00f5es como: \u201cOnde \u00e9 que ouviste isso pela primeira vez? Descobriste porque \u00e9 que as pessoas te est\u00e3o a dizer isso? Olhaste para a proveni\u00eancia das fontes? Achaste a informa\u00e7\u00e3o bomb\u00e1stica? [sublinhados nossos]\u201d Ao manter este di\u00e1logo o bibliotec\u00e1rio est\u00e1 a usar as ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da informa\u00e7\u00e3o que o utilizador lhe est\u00e1 a solicitar, explicando-lhe como \u00e9 que os profissionais procedem. \u00a0 Censura Alex Byrne no artigo, Uma declara\u00e7\u00e3o para todas as \u00e9pocas, sublinha a import\u00e2ncia dos princ\u00edpios 5, 6 e 7 da Declara\u00e7\u00e3o da IFLA para o compromisso da biblioteca com a diversidade e pluralidade: &#8211; \u201cdevem adquirir, preservar e disponibilizar a mais ampla variedade de materiais, refletindo a pluralidade e diversidade da sociedade\u201d; &#8211; \u201cdevem assegurar que a sele\u00e7\u00e3o e disponibilidade de materiais e servi\u00e7os da biblioteca seja regida por considera\u00e7\u00f5es profissionais e n\u00e3o por opini\u00f5es pol\u00edticas, morais e religiosas\u201d; &#8211; \u201cdevem adquirir, organizar e divulgar livremente a informa\u00e7\u00e3o e opor-se a qualquer forma de censura\u201d. Byrne sublinha que \u00e9 dever profissional do bibliotec\u00e1rio apresentar uma diversidade de vozes, sobretudo das pessoas marginalizadas e oprimidas ao longo da Hist\u00f3ria: ind\u00edgenas, negros, ciganos, LGBTQIA+ (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexual e outras identidades de g\u00e9nero), minorias lingu\u00edsticas e religiosas. E especifica: \u201cAs nossas bibliotecas devem apresentar as suas hist\u00f3rias \u2013 fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o \u2013 nas suas palavras [sublinhado nosso]\u201d, respeitando o lugar de fala [2] de cada pessoa e cultura. A biblioteca deve celebrar a individualidade e a diversidade de informa\u00e7\u00e3o e afirmar-se anti-racista, anti-sexista e promover a luta contra o discurso de \u00f3dio. Referindo Bestgen, Byrne considera que a cultura do cancelamento ou da supress\u00e3o de opini\u00f5es e factos inconsistentes com a opini\u00e3o da maioria tamb\u00e9m pode ter efeitos na liberdade intelectual e no discurso livre, podendo gerar auto-censura. Nos \u00faltimos anos t\u00eam crescido interfer\u00eancias nas escolhas dos bibliotec\u00e1rios, principalmente quando se trata de recursos destinados a crian\u00e7as e jovens que abordam temas delicados, como orienta\u00e7\u00e3o sexual ou discrimina\u00e7\u00e3o\/ racismo. Medo, atitude moralista, posicionamento pol\u00edtico conservador s\u00e3o as principais raz\u00f5es destas tentativas para limitar a livre express\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de ideias. Os bibliotec\u00e1rios t\u00eam o papel desafiante &#8211; e vital &#8211; de garantir uma cultura de liberdade e de inclus\u00e3o, proporcionando uma diversidade e pluralidade de informa\u00e7\u00e3o, bem como de questionar preconceitos e estere\u00f3tipos a partir da defesa de valores humanistas. Este ambiente questionador e reflexivo \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 expans\u00e3o da liberdade intelectual, \u201cum dos direitos mais preciosos da humanidade\u201d. Byrne, presidente da FAIFE quando a Declara\u00e7\u00e3o foi adotada pela IFLA, relembra as palavras que escreveu nessa ocasi\u00e3o: \u201cAs bibliotecas devem fazer ressoar muitos pontos de vista divergentes, incluindo o inaceit\u00e1vel, e mesmo o que muitos podem achar odioso. &#8230; Ao tornar dispon\u00edveis tais [controversos e divergentes] materiais, mesmo aqueles que os profissionais da biblioteca podem achar repugnantes ou apenas disparatados, as bibliotecas n\u00e3o est\u00e3o a apoiar o argumento desses pontos de vista, mas a defender o princ\u00edpio essencial da liberdade intelectual\u201d. \u00a0 A crise epist\u00e9mica Sarah Hartmen-Caverly, considera que a informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea experiencia uma \u201ccrise epist\u00e9mica\u201d derivada de \u201dteorias da conspira\u00e7\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o, distra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma engenharia da aten\u00e7\u00e3o [exemplo, notifica\u00e7\u00f5es], \u2018fake news\u2019, sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o, m\u00e1 informa\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, polariza\u00e7\u00e3o, propaganda e vigil\u00e2ncia\u201d em larga escala e que est\u00e1 normalizada. Relativamente \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, por exemplo, The Washington Post Fact Checker contabilizou 30.573 alega\u00e7\u00f5es falsas ou enganosas de Donald Trump nos quatro anos da sua presid\u00eancia. Sinal da crise dos m\u00e9dia foi a resposta \u00e0 crise pand\u00e9mica, na qual se verificaram s\u00e9rias restri\u00e7\u00f5es \u00e0 livre express\u00e3o e ao acesso a informa\u00e7\u00e3o e, por outro lado, a comunica\u00e7\u00e3o foi inconsistente, gerando distor\u00e7\u00e3o da verdade e falta de confian\u00e7a do p\u00fablico, por exemplo, relativamente \u00e0 vacina Oxford-AstraZeneca. Hartmen-Caverly destaca que a liberdade intelectual deve desempenhar um papel central na defini\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o, da abordagem educativa e da programa\u00e7\u00e3o da biblioteca que deve desenvolver-se num contexto livre de desconfian\u00e7a, de manipula\u00e7\u00e3o e de censura. Para o efeito, \u00e9 fundamental que o profissional da biblioteca examine e atualize criticamente e continuamente os seus pressupostos e considere pontos de vista alternativos, novas informa\u00e7\u00f5es, pois \u201cA crise epist\u00e9mica \u00e9 uma oportunidade para redobrar estes esfor\u00e7os\u201d e fortalecer a liberdade intelectual. \u00a0 Refer\u00eancias 1. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, Oct.). IFLA Journal. Netherlands: IFLA. https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/2143\/1\/ifla-journal-48-3_2022.pdf 2. Cf. Discrimina\u00e7\u00e3o: abordagem educativa e t\u00edtulos. 3. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, Oct.). IFLA Journal. Netherlands: IFLA. https:\/\/www.facebook.com\/IFLA.org\/photos\/a.598622580166691\/6143082945720599<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"class_list":["post-2666094","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-liberdade-de-expressao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2666094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2666094"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2666094\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086911,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2666094\/revisions\/3086911"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2666094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2666094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2666094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}