{"id":2665702,"date":"2022-11-30T09:00:00","date_gmt":"2022-11-30T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2665702.html"},"modified":"2026-05-13T14:27:21","modified_gmt":"2026-05-13T14:27:21","slug":"ifla-liberdade-intelectual-temas-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2665702","title":{"rendered":"IFLA: Liberdade intelectual | temas &#8211; problemas"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-11-28 PQ.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22394982_3JfAy.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de outubro do jornal oficial da IFLA [<strong>1<\/strong>] \u00e9 dedicada \u00e0 Liberdade Intelectual e foi desenvolvida em colabora\u00e7\u00e3o com o Comit\u00e9 Consultivo da IFLA sobre Liberdade de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o e Liberdade de Express\u00e3o (<em>Freedom of Access to Information and Freedom of Expression<\/em> &#8211; FAIFE) [<strong>2<\/strong>] para marcar o 20.\u00ba anivers\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o da IFLA sobre Bibliotecas e Liberdade Intelectual [<strong>3<\/strong>].\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O jornal re\u00fane artigos de investiga\u00e7\u00e3o, estudos caso e ensaios originais sobre o tema e aborda diversos temas-problemas, dos quais apresentamos exemplos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Segredo profissional<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo Estrada-Cuzcano e Alfaro-Mendives, no artigo <em>A<\/em><em>n\u00e1lise do Sigilo Profissional na Ibero-Am\u00e9rica<\/em>, em contexto de biblioteca escolar, quando se fala de Liberdade Intelectual deve ter-se em conta dois documentos de refer\u00eancia:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; A <em>Declara\u00e7\u00e3o sobre Bibliotecas e Liberdade Intelectual<\/em>, adotada pela IFLA em 1999 e que estabelece que \u201cOs utilizadores da biblioteca ter\u00e3o direito \u00e0 privacidade pessoal e ao anonimato. Os bibliotec\u00e1rios e outro pessoal da biblioteca devem n\u00e3o revelar a terceiros a identidade dos utilizadores ou os materiais que utilizam\u201d;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; A <em>Declara\u00e7\u00e3o de Direitos da Biblioteca<\/em>, adotada pela American Library Association em 1939 e, cuja \u00faltima revis\u00e3o \u00e9 de 2019 [<strong>4<\/strong>]. Estabelece que \u201cTodas as pessoas, independentemente da origem, idade, contexto hist\u00f3rico ou pontos de vista, possuem direito \u00e0 privacidade e confidencialidade no seu uso da biblioteca. As bibliotecas devem defender, educar e proteger a privacidade das pessoas, protegendo todos os dados de utiliza\u00e7\u00e3o da biblioteca, incluindo informa\u00e7\u00f5es de identifica\u00e7\u00e3o pessoal\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/cdn.myportfolio.com\/f13af3418d70bfaa6185a021dd089495\/4007ea1b-aa03-4fdf-ab6c-8d72ba769c09_rw_1200.jpg?h=34eae2007dcd5607f80adeaacaf0f85e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem 1.jpg\" height=\"287\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22394981_JMI0L.jpeg\" style=\"width: 600px; padding: 10px 10px;\" width=\"600\" \/><\/a><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da imagem: American Library Association. (2019). <em>Library Bill of Rights Poster.<\/em> USA: ALA. <a href=\"https:\/\/ala-production-services.myportfolio.com\/library-bill-of-rights-poster\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ala-production-services.myportfolio.com\/library-bill-of-rights-poster<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>O segredo profissional faz parte da liberdade de express\u00e3o e \u00e9, por um lado, um dever e obriga\u00e7\u00e3o deontol\u00f3gica do profissional da biblioteca<\/strong>, comum a outras profiss\u00f5es, como a de jornalista, m\u00e9dico ou padre <strong>e, por outro lado, um direito legal do utilizador<\/strong>.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Historicamente, est\u00e1 prevista na <em>Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem <\/em>de 1789, artigo 11: \u201cA livre comunica\u00e7\u00e3o de ideias e opini\u00f5es <strong>\u00e9 um dos direitos mais preciosos do homem <\/strong>[sublinhado nosso]. Todo cidad\u00e3o pode, portanto, falar, escrever e imprimir com liberdade, mas responder\u00e1 pelos abusos dessa liberdade que vierem a ser definidos em lei.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 prevista no artigo 19 da <em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/em>:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cTodo ser humano tem direito \u00e0 liberdade de opini\u00e3o e express\u00e3o; esse direito inclui a liberdade de, sem interfer\u00eancia, ter opini\u00f5es e de procurar, receber e transmitir informa\u00e7\u00f5es e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A <strong>liberdade intelectual compreende os princ\u00edpios da confidencialidade e da privacidade, bem como o do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o adaptada \u00e0s necessidades de cada utilizador<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De acordo com a American Library Association (2007), em contexto de biblioteca, \u201cA privacidade tem a ver com o uso da informa\u00e7\u00e3o sem interven\u00e7\u00e3o de terceiros. A confidencialidade, por outro lado, est\u00e1 ligada aos dados pessoais dos utilizadores (informa\u00e7\u00e3o pessoal identific\u00e1vel), que \u00e9 protegida por profissionais\u201d e que incluem, por exemplo, nome, morada, correio eletr\u00f3nico, telefone, idade e g\u00e9nero do utilizador.\u00a0 Deve ser uma prioridade para o profissional da biblioteca manter a privacidade e a confidencialidade de dados pessoais e sens\u00edveis.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental \u201cassegurar que a sele\u00e7\u00e3o e disponibilidade de materiais e servi\u00e7os da biblioteca seja regida por considera\u00e7\u00f5es profissionais e n\u00e3o por opini\u00f5es pol\u00edticas, morais e religiosas\u201d (Declara\u00e7\u00e3o da IFLA, quinto princ\u00edpio), isto \u00e9, que seja <strong>neutra, no sentido de objetiva<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Neutralidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Gabriel Gardner, no artigo do Jornal da IFLA, <em>Liberdade intelectual e prioridades alternativas na pesquisa sobre biblioteca e ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o<\/em>, apresenta uma an\u00e1lise bibliom\u00e9trica, da literatura sobre biblioteca e ci\u00eancias da informa\u00e7\u00e3o, na qual conclui que <strong>o n\u00famero de obras que mencionam os termos Liberdade Intelectual e Neutralidade aumentou apenas ligeiramente, enquanto entradas na \u00e1rea da Justi\u00e7a Social<\/strong> &#8211;\u00a0 sobre hierarquias, estere\u00f3tipos, inclus\u00e3o, vulnerabilidade, sub-representa\u00e7\u00e3o, diversidade e feminismo &#8211; <strong>aumentaram significativamente<\/strong>, sobretudo a partir de 2015. Este deslocamento de conceitos pode conduzir a uma nova compreens\u00e3o e viv\u00eancia da liberdade intelectual.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Automatizar a liberdade intelectual <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>De acordo com o primeiro e segundo princ\u00edpios da Declara\u00e7\u00e3o da IFLA, \u201cAs bibliotecas fornecem acesso a informa\u00e7\u00e3o, ideias e obras da imagina\u00e7\u00e3o. Servem de portas de acesso ao conhecimento, pensamento e cultura\u201d e \u201cprestam apoio essencial [\u2026] \u00e0 tomada de decis\u00f5es independentes\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No seu artigo sobre este t\u00f3pico, Catherine Smith equaciona a possibilidade de a Intelig\u00eancia Artificial poder ser utilizada em opera\u00e7\u00f5es da biblioteca ligadas a servi\u00e7os t\u00e9cnicos, como a descri\u00e7\u00e3o (cataloga\u00e7\u00e3o e a classifica\u00e7\u00e3o) e a recupera\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Estas s\u00e3o \u00e1reas complexas pois, apesar de se pretender garantir a uniformidade e a Interoperabilidade dos termos descritivos de pesquisa, <strong>quando humanos catalogam, podem introduzir preconceitos e estere\u00f3tipos<\/strong>, pessoais e culturais que distorcem a informa\u00e7\u00e3o do cat\u00e1logo. Por exemplo, o especialista em cataloga\u00e7\u00e3o americano, Sanford Berman, no seu livro <em>Prejudices and antipathies<\/em>, mostra que a Biblioteca do Congresso usava linguagem que reflete e reproduz desigualdades e hierarquias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 a perce\u00e7\u00e3o generalizada que as m\u00e1quinas s\u00e3o mais neutras do que os humanos e que a IA poderia ser treinada para analisar textos e atribuir descritores com base num vocabul\u00e1rio controlado que poderia garantir rigor e neutralidade. Referindo Paynter, Catherine Smith distingue entre a avalia\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, realizada por um programa de computador, na qual a classifica\u00e7\u00e3o dos assuntos resultaria de um processo matem\u00e1tico, quantitativo e a avalia\u00e7\u00e3o realizada por peritos humanos, tem\u00e1tica e qualitativa.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No entanto, na pr\u00e1tica, \u201c<strong>a IA e outros processos algor\u00edtmicos amplificariam preconceitos observados em dados que usados para os treinar <\/strong>[sublinhado nosso]\u201d.<strong> A utiliza\u00e7\u00e3o de IA para cataloga\u00e7\u00e3o constituiria um perigo para quem defende a liberdade intelectual e o acesso equitativo aos recursos. Ao n\u00edvel da cataloga\u00e7\u00e3o, os bibliotec\u00e1rios s\u00e3o insubstitu\u00edveis<\/strong>:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201dCatalogadores humanos introduzem inevitavelmente preconceitos pessoais e culturais no seu trabalho, mas a intelig\u00eancia artificial pode perpetrar preconceitos a uma escala nunca antes vista. A automatiza\u00e7\u00e3o deste processo pode ser entendida como uma amea\u00e7a maior do que a manipula\u00e7\u00e3o produzida pelos operadores humanos\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este artigo continua no dia 2 de dezembro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, Oct.). <em>IFLA Journal.<\/em> Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/2143\/1\/ifla-journal-48-3_2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/2143\/1\/ifla-journal-48-3_2022.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022). <em>Advisory Committee on Freedom of Access to Information and Freedom of Expression<\/em>. Netherlands: IFLA &#8211; FAIFE. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/units\/faife\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ifla.org\/units\/faife\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. International Federation of Library Associations and Institutions. (1999). <em>IFLA Statement on Libraries and Intellectual Freedom<\/em>. Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/1424\/1\/ifla-statement-on-libraries-and-intellectual-freedom-en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/1424\/1\/ifla-statement-on-libraries-and-intellectual-freedom-en.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. American Library Association. (2019). <em>Library Bill of Rights<\/em>. USA: ALA. <a href=\"https:\/\/www.ala.org\/advocacy\/intfreedom\/librarybill\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ala.org\/advocacy\/intfreedom\/librarybill<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">5. Fonte da imagem: International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 23 Nov.). <em>Out Now: December 2022 issue of IFLA Journal.<\/em> Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/news\/out-now-december-2022-issue-of-ifla-journal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ifla.org\/news\/out-now-december-2022-issue-of-ifla-journal\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A edi\u00e7\u00e3o de outubro do jornal oficial da IFLA [1] \u00e9 dedicada \u00e0 Liberdade Intelectual e foi desenvolvida em colabora\u00e7\u00e3o com o Comit\u00e9 Consultivo da IFLA sobre Liberdade de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o e Liberdade de Express\u00e3o (Freedom of Access to Information and Freedom of Expression &#8211; FAIFE) [2] para marcar o 20.\u00ba anivers\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o da IFLA sobre Bibliotecas e Liberdade Intelectual [3].\u00a0 O jornal re\u00fane artigos de investiga\u00e7\u00e3o, estudos caso e ensaios originais sobre o tema e aborda diversos temas-problemas, dos quais apresentamos exemplos. \u00a0 Segredo profissional Segundo Estrada-Cuzcano e Alfaro-Mendives, no artigo An\u00e1lise do Sigilo Profissional na Ibero-Am\u00e9rica, em contexto de biblioteca escolar, quando se fala de Liberdade Intelectual deve ter-se em conta dois documentos de refer\u00eancia: &#8211; A Declara\u00e7\u00e3o sobre Bibliotecas e Liberdade Intelectual, adotada pela IFLA em 1999 e que estabelece que \u201cOs utilizadores da biblioteca ter\u00e3o direito \u00e0 privacidade pessoal e ao anonimato. Os bibliotec\u00e1rios e outro pessoal da biblioteca devem n\u00e3o revelar a terceiros a identidade dos utilizadores ou os materiais que utilizam\u201d; &#8211; A Declara\u00e7\u00e3o de Direitos da Biblioteca, adotada pela American Library Association em 1939 e, cuja \u00faltima revis\u00e3o \u00e9 de 2019 [4]. Estabelece que \u201cTodas as pessoas, independentemente da origem, idade, contexto hist\u00f3rico ou pontos de vista, possuem direito \u00e0 privacidade e confidencialidade no seu uso da biblioteca. As bibliotecas devem defender, educar e proteger a privacidade das pessoas, protegendo todos os dados de utiliza\u00e7\u00e3o da biblioteca, incluindo informa\u00e7\u00f5es de identifica\u00e7\u00e3o pessoal\u201d. Fonte da imagem: American Library Association. (2019). Library Bill of Rights Poster. USA: ALA. https:\/\/ala-production-services.myportfolio.com\/library-bill-of-rights-poster \u00a0 O segredo profissional faz parte da liberdade de express\u00e3o e \u00e9, por um lado, um dever e obriga\u00e7\u00e3o deontol\u00f3gica do profissional da biblioteca, comum a outras profiss\u00f5es, como a de jornalista, m\u00e9dico ou padre e, por outro lado, um direito legal do utilizador.\u00a0\u00a0 Historicamente, est\u00e1 prevista na Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem de 1789, artigo 11: \u201cA livre comunica\u00e7\u00e3o de ideias e opini\u00f5es \u00e9 um dos direitos mais preciosos do homem [sublinhado nosso]. Todo cidad\u00e3o pode, portanto, falar, escrever e imprimir com liberdade, mas responder\u00e1 pelos abusos dessa liberdade que vierem a ser definidos em lei.\u201d Tamb\u00e9m est\u00e1 prevista no artigo 19 da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos: \u201cTodo ser humano tem direito \u00e0 liberdade de opini\u00e3o e express\u00e3o; esse direito inclui a liberdade de, sem interfer\u00eancia, ter opini\u00f5es e de procurar, receber e transmitir informa\u00e7\u00f5es e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.\u201d A liberdade intelectual compreende os princ\u00edpios da confidencialidade e da privacidade, bem como o do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o adaptada \u00e0s necessidades de cada utilizador. De acordo com a American Library Association (2007), em contexto de biblioteca, \u201cA privacidade tem a ver com o uso da informa\u00e7\u00e3o sem interven\u00e7\u00e3o de terceiros. A confidencialidade, por outro lado, est\u00e1 ligada aos dados pessoais dos utilizadores (informa\u00e7\u00e3o pessoal identific\u00e1vel), que \u00e9 protegida por profissionais\u201d e que incluem, por exemplo, nome, morada, correio eletr\u00f3nico, telefone, idade e g\u00e9nero do utilizador.\u00a0 Deve ser uma prioridade para o profissional da biblioteca manter a privacidade e a confidencialidade de dados pessoais e sens\u00edveis. Relativamente \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental \u201cassegurar que a sele\u00e7\u00e3o e disponibilidade de materiais e servi\u00e7os da biblioteca seja regida por considera\u00e7\u00f5es profissionais e n\u00e3o por opini\u00f5es pol\u00edticas, morais e religiosas\u201d (Declara\u00e7\u00e3o da IFLA, quinto princ\u00edpio), isto \u00e9, que seja neutra, no sentido de objetiva. \u00a0 Neutralidade Gabriel Gardner, no artigo do Jornal da IFLA, Liberdade intelectual e prioridades alternativas na pesquisa sobre biblioteca e ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o, apresenta uma an\u00e1lise bibliom\u00e9trica, da literatura sobre biblioteca e ci\u00eancias da informa\u00e7\u00e3o, na qual conclui que o n\u00famero de obras que mencionam os termos Liberdade Intelectual e Neutralidade aumentou apenas ligeiramente, enquanto entradas na \u00e1rea da Justi\u00e7a Social &#8211;\u00a0 sobre hierarquias, estere\u00f3tipos, inclus\u00e3o, vulnerabilidade, sub-representa\u00e7\u00e3o, diversidade e feminismo &#8211; aumentaram significativamente, sobretudo a partir de 2015. Este deslocamento de conceitos pode conduzir a uma nova compreens\u00e3o e viv\u00eancia da liberdade intelectual. \u00a0 Automatizar a liberdade intelectual De acordo com o primeiro e segundo princ\u00edpios da Declara\u00e7\u00e3o da IFLA, \u201cAs bibliotecas fornecem acesso a informa\u00e7\u00e3o, ideias e obras da imagina\u00e7\u00e3o. Servem de portas de acesso ao conhecimento, pensamento e cultura\u201d e \u201cprestam apoio essencial [\u2026] \u00e0 tomada de decis\u00f5es independentes\u201d. No seu artigo sobre este t\u00f3pico, Catherine Smith equaciona a possibilidade de a Intelig\u00eancia Artificial poder ser utilizada em opera\u00e7\u00f5es da biblioteca ligadas a servi\u00e7os t\u00e9cnicos, como a descri\u00e7\u00e3o (cataloga\u00e7\u00e3o e a classifica\u00e7\u00e3o) e a recupera\u00e7\u00e3o de recursos. Estas s\u00e3o \u00e1reas complexas pois, apesar de se pretender garantir a uniformidade e a Interoperabilidade dos termos descritivos de pesquisa, quando humanos catalogam, podem introduzir preconceitos e estere\u00f3tipos, pessoais e culturais que distorcem a informa\u00e7\u00e3o do cat\u00e1logo. Por exemplo, o especialista em cataloga\u00e7\u00e3o americano, Sanford Berman, no seu livro Prejudices and antipathies, mostra que a Biblioteca do Congresso usava linguagem que reflete e reproduz desigualdades e hierarquias. H\u00e1 a perce\u00e7\u00e3o generalizada que as m\u00e1quinas s\u00e3o mais neutras do que os humanos e que a IA poderia ser treinada para analisar textos e atribuir descritores com base num vocabul\u00e1rio controlado que poderia garantir rigor e neutralidade. Referindo Paynter, Catherine Smith distingue entre a avalia\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, realizada por um programa de computador, na qual a classifica\u00e7\u00e3o dos assuntos resultaria de um processo matem\u00e1tico, quantitativo e a avalia\u00e7\u00e3o realizada por peritos humanos, tem\u00e1tica e qualitativa. No entanto, na pr\u00e1tica, \u201ca IA e outros processos algor\u00edtmicos amplificariam preconceitos observados em dados que usados para os treinar [sublinhado nosso]\u201d. A utiliza\u00e7\u00e3o de IA para cataloga\u00e7\u00e3o constituiria um perigo para quem defende a liberdade intelectual e o acesso equitativo aos recursos. Ao n\u00edvel da cataloga\u00e7\u00e3o, os bibliotec\u00e1rios s\u00e3o insubstitu\u00edveis: \u201dCatalogadores humanos introduzem inevitavelmente preconceitos pessoais e culturais no seu trabalho, mas a intelig\u00eancia artificial pode perpetrar preconceitos a uma escala nunca antes vista. A automatiza\u00e7\u00e3o deste processo pode ser entendida como uma amea\u00e7a maior do que a manipula\u00e7\u00e3o produzida pelos operadores humanos\u201d. \u00a0 Este artigo continua no dia 2 de dezembro. \u00a0 Refer\u00eancias 1. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, Oct.). IFLA Journal. Netherlands: IFLA. https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/2143\/1\/ifla-journal-48-3_2022.pdf 2. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022). Advisory Committee on Freedom of Access to Information and Freedom of Expression. Netherlands: IFLA &#8211; FAIFE. https:\/\/www.ifla.org\/units\/faife\/ 3. International Federation of Library Associations and Institutions. (1999). IFLA Statement on Libraries and Intellectual Freedom. Netherlands: IFLA. https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/1424\/1\/ifla-statement-on-libraries-and-intellectual-freedom-en.pdf 4. American Library Association. (2019). Library Bill of Rights. USA: ALA. https:\/\/www.ala.org\/advocacy\/intfreedom\/librarybill 5. Fonte da imagem: International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 23 Nov.). Out Now: December 2022 issue of IFLA Journal. Netherlands: IFLA. https:\/\/www.ifla.org\/news\/out-now-december-2022-issue-of-ifla-journal\/<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[87,29],"tags":[],"class_list":["post-2665702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ifla","category-liberdade-de-expressao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2665702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2665702"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2665702\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086914,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2665702\/revisions\/3086914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2665702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2665702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2665702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}