{"id":2664243,"date":"2022-11-25T09:00:00","date_gmt":"2022-11-25T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2664243.html"},"modified":"2026-05-13T14:27:44","modified_gmt":"2026-05-13T14:27:44","slug":"margarida-fonseca-santos-a-escolha-e-minha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2664243","title":{"rendered":"Margarida Fonseca Santos: A escolha \u00e9 minha!"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-11-24 PQ.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22392453_Nh6uI.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-weight: 400;\">Esta cole\u00e7\u00e3o quer acompanhar as crian\u00e7as e os jovens, para que recuperem tamb\u00e9m a esperan\u00e7a em si mesmos.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><strong>A reconhecida autora Margarida Fonseca Santos lan\u00e7ou o nono t\u00edtulo da cole\u00e7\u00e3o A ESCOLHA \u00c9 MINHA, que aborda a adolesc\u00eancia e os desafios do crescimento atrav\u00e9s de hist\u00f3rias contadas na primeira pessoa, com diferentes narradores e perspetivas. A Penguim Educa\u00e7\u00e3o conversou com a escritora sobre estas hist\u00f3rias de vida, tantas vezes inspiradas em casos reais.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois do confinamento imposto pela pandemia, a fam\u00edlia da Carolina decide trocar a cidade pelo campo. A jovem tem de se adaptar \u00e0 nova realidade, e depressa faz amigos na escola. Mas tudo se complica quando um professor se dedica a humilhar os alunos. Confia na Mudan\u00e7a \u00e9 uma hist\u00f3ria que aborda temas como o <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">bullying<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> (neste caso de uma perspetiva menos explorada), os dist\u00farbios alimentares, as rela\u00e7\u00f5es na escola e na comunidade, os la\u00e7os de amizade e a coopera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria passa-se na Lapa do Lobo, uma aldeia do concelho de Nelas, que acolhe a Funda\u00e7\u00e3o Lapa do Lobo, institui\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da cultura, da educa\u00e7\u00e3o e da preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, e \u00e0 qual a autora dedica este livro. Como explica Margarida Fonseca Santos:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abA hist\u00f3ria situa-se na Lapa do Lobo porque, tendo sido convidada a falar num evento sobre \u201cEncontros da educa\u00e7\u00e3o e do pensamento\u201d, na Funda\u00e7\u00e3o Lapa do Lobo, mergulhei num mundo de esperan\u00e7a. N\u00e3o foi s\u00f3 o encontro que me deslumbrou, foi a Funda\u00e7\u00e3o. Apoios a estudantes, atividades art\u00edsticas, que visam n\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as como os habitantes da zona, os idosos, e sobretudo a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho de cada um. Conhecer mais de perto o Projeto Educativo Alcateia e as pessoas que ali trabalham mudou-me.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Achei que seria o cen\u00e1rio ideal para falar de uma comunidade capaz de apoiar os alunos e erradicar o desprezo, e na quest\u00e3o da mudan\u00e7a, algo que se iniciou durante a pandemia e que n\u00e3o parece vir a parar: a escolha do interior para uma vida com mais qualidade. No fundo, naquele lugar, tudo isto poderia ter acontecido, com a ajuda de todos, e a cumplicidade a ligar alunos, escola e funda\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Margarida Fonseca Santos responde a algumas quest\u00f5es sobre a cole\u00e7\u00e3o A ESCOLHA \u00c9 MINHA, e ajuda-nos a perceber a import\u00e2ncia dos temas abordados.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Muitos dos livros desta cole\u00e7\u00e3o t\u00eam como cen\u00e1rio a escola e mostram a marca que os professores podem deixar aos alunos. Neste caso, apresenta os extremos: dos bons e maus professores. Porque sentiu necessidade disso?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> Primeiro que tudo, a escola \u00e9 o s\u00edtio onde acontece muito do que se passa com as crian\u00e7as e os jovens. Ao longo de toda uma vida ligada \u00e0 pedagogia e ao trabalho com alunos de todas as idades, esbarrei com professores de todo o tipo, como \u00e9 f\u00e1cil de imaginar. Trazendo a mem\u00f3ria dos meus tempos de aluna, e tentando esquecer aqueles que me humilhavam e desprezavam, valorizei muit\u00edssimo as caracter\u00edsticas dos meus excelentes professores. A pedagogia veio da\u00ed, por sentir que \u00e9 fundamental sabermos que, para cada aluno, temos um papel muito especial e que temos a responsabilidade de o incentivar a crescer.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sabemos que os professores assumem pap\u00e9is (por vezes, n\u00e3o intencionalmente) que moldam a realidade porque os sentimos como exemplos. Quando corre bem, \u00e9 extraordin\u00e1rio; quando corre mal, h\u00e1 alunos a n\u00e3o acreditar em si mesmos, a desenvolver medos e comportamentos pouco saud\u00e1veis, a desistir. Nas aulas de pedagogia que dou, pe\u00e7o: no dia em que deixarem de ter esperan\u00e7a nos alunos, parem de dar aulas. Se temos esta responsabilidade de estimular a curiosidade e a aprendizagem, temos de faz\u00ea-los sentir que estamos prontos para ajudar e para elogiar quando conseguem. O elogio ainda \u00e9 pouco usado, nos dias de hoje, nalgumas escolas. Corrige-se em vez de comentar e ajudar a construir conhecimento. Toda esta cole\u00e7\u00e3o quer acompanhar as crian\u00e7as e os jovens, para que recuperem tamb\u00e9m a esperan\u00e7a em si mesmos.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia verbal e psicol\u00f3gica \u00e9 t\u00e3o grave como a viol\u00eancia f\u00edsica, mas fica muitas vezes escondida por n\u00e3o se verem marcas vis\u00edveis no corpo. Tem algum conselho para os seus leitores mais jovens e adultos?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> Bom, penso que a viol\u00eancia verbal e psicol\u00f3gica \u00e9 pior do que a f\u00edsica. Pode ser sob a forma de uma subtil chantagem emocional, na atribui\u00e7\u00e3o da culpa, at\u00e9 chegar ao desprezo e \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o. Se pensarmos bem, toda a viol\u00eancia f\u00edsica \u00e9 psicol\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Gostaria muito de conseguir, atrav\u00e9s destes livros, que vejam sa\u00eddas e caminhos, e que escolham o que lhes fizer mais sentido. N\u00e3o dou nenhum conselho espec\u00edfico, isso seria moralizar os livros: mostro pistas para que saibam que existe esse poder de escolha e que n\u00e3o precisam de aceitar essas afrontas do dia-a-dia.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Gostaria de destacar o papel da Escola (dire\u00e7\u00e3o de turma, dire\u00e7\u00e3o da escola, pais e professores) na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. Temos de confiar nesse apoio, como acontece neste livro (e que se baseia em momentos a que assisti). Se algu\u00e9m est\u00e1 a atacar os seus alunos, somos todos respons\u00e1veis por mudar esse facto.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Conhece alguma hist\u00f3ria ou pessoas parecidas com as situa\u00e7\u00f5es e personagens deste livro?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> Infelizmente, sim, v\u00e1rias. E n\u00e3o s\u00e3o do passado, s\u00e3o contempor\u00e2neas. A forma como falam com as pessoas, o desprezo de se acharem superiores aos outros, o gozo de p\u00f4r \u00e0 vista de outros as fraquezas de algu\u00e9m, o desrespeito ao ponto de chamar burro, in\u00fatil, atrasado, incapaz (s\u00f3 para nomear alguns). Sou um pouquinho radical neste campo: acho que h\u00e1 pessoas a quem se devia barrar o acesso \u00e0 profiss\u00e3o (neste caso, n\u00e3o poderiam voltar a ensinar).<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Esta obra conta uma hist\u00f3ria p\u00f3s-pandemia. Todos n\u00f3s mud\u00e1mos a nossa vida de alguma maneira. Qual \u00e9 a mensagem que gostava de deixar aos leitores deste livro?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> A pandemia trouxe muitas coisas, sendo a mais importante a de nos p\u00f4r a pensar nos nossos dias, nas nossas escolhas, no sossego, na falta dos amigos, nos lugares onde vivemos, na profiss\u00e3o, no tempo livre. Foi uma enorme oportunidade de repensar tudo. Aproveitem-na e olhem \u00e0 vossa volta \u2013 h\u00e1 sempre algo que podemos mudar para melhor, arrisquem, vale sempre a pena.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Neste livro, como em livros anteriores, como A Caixa da Gratid\u00e3o, a import\u00e2ncia da liga\u00e7\u00e3o da escola \u00e0 comunidade e a promo\u00e7\u00e3o da interajuda entre gera\u00e7\u00f5es est\u00e1 muito patente. \u00c9 intencional ou \u00e9 algo que surge naturalmente no decorrer da escrita da hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> N\u00e3o sei bem se \u00e9 intencional, ser\u00e1 mais uma evid\u00eancia ao longo da minha vida, pois tive a sorte de conviver sempre com pessoas com muito mais idade, e isso aparece sempre na escrita. Gosto de ouvir hist\u00f3rias e tecer conversas tranquilas. Por outro lado, dando aulas, convivi sempre com idades muito diversificadas, dos cinco aos 90. Como acredito que, quando se ensina, se aprende muito mais, ando sempre \u00e0 descoberta desses mundos.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que desejo, para o presente e para o futuro, \u00e9 que se aprofunde a rela\u00e7\u00e3o da comunidade transgeracional. Temos todos a ganhar com isso. A fam\u00edlia \u00e9 maior do que a de sangue, e a comunidade pode realmente transformar-nos em melhores pessoas.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este artigo foi publicado <\/span><a href=\"https:\/\/www.penguineducacao.pt\/novo-livro-juvenil-de-margarida-fonseca-santos-aborda-mudanca-de-vida-no-pos-pandemia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">originalmente pela Penguim Educa\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e republica-se com autoriza\u00e7\u00e3o da editora.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Esta cole\u00e7\u00e3o quer acompanhar as crian\u00e7as e os jovens, para que recuperem tamb\u00e9m a esperan\u00e7a em si mesmos. A reconhecida autora Margarida Fonseca Santos lan\u00e7ou o nono t\u00edtulo da cole\u00e7\u00e3o A ESCOLHA \u00c9 MINHA, que aborda a adolesc\u00eancia e os desafios do crescimento atrav\u00e9s de hist\u00f3rias contadas na primeira pessoa, com diferentes narradores e perspetivas. A Penguim Educa\u00e7\u00e3o conversou com a escritora sobre estas hist\u00f3rias de vida, tantas vezes inspiradas em casos reais. Depois do confinamento imposto pela pandemia, a fam\u00edlia da Carolina decide trocar a cidade pelo campo. A jovem tem de se adaptar \u00e0 nova realidade, e depressa faz amigos na escola. Mas tudo se complica quando um professor se dedica a humilhar os alunos. Confia na Mudan\u00e7a \u00e9 uma hist\u00f3ria que aborda temas como o bullying (neste caso de uma perspetiva menos explorada), os dist\u00farbios alimentares, as rela\u00e7\u00f5es na escola e na comunidade, os la\u00e7os de amizade e a coopera\u00e7\u00e3o. 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Achei que seria o cen\u00e1rio ideal para falar de uma comunidade capaz de apoiar os alunos e erradicar o desprezo, e na quest\u00e3o da mudan\u00e7a, algo que se iniciou durante a pandemia e que n\u00e3o parece vir a parar: a escolha do interior para uma vida com mais qualidade. No fundo, naquele lugar, tudo isto poderia ter acontecido, com a ajuda de todos, e a cumplicidade a ligar alunos, escola e funda\u00e7\u00e3o.\u00bb Margarida Fonseca Santos responde a algumas quest\u00f5es sobre a cole\u00e7\u00e3o A ESCOLHA \u00c9 MINHA, e ajuda-nos a perceber a import\u00e2ncia dos temas abordados. Muitos dos livros desta cole\u00e7\u00e3o t\u00eam como cen\u00e1rio a escola e mostram a marca que os professores podem deixar aos alunos. Neste caso, apresenta os extremos: dos bons e maus professores. Porque sentiu necessidade disso? R: Primeiro que tudo, a escola \u00e9 o s\u00edtio onde acontece muito do que se passa com as crian\u00e7as e os jovens. Ao longo de toda uma vida ligada \u00e0 pedagogia e ao trabalho com alunos de todas as idades, esbarrei com professores de todo o tipo, como \u00e9 f\u00e1cil de imaginar. Trazendo a mem\u00f3ria dos meus tempos de aluna, e tentando esquecer aqueles que me humilhavam e desprezavam, valorizei muit\u00edssimo as caracter\u00edsticas dos meus excelentes professores. A pedagogia veio da\u00ed, por sentir que \u00e9 fundamental sabermos que, para cada aluno, temos um papel muito especial e que temos a responsabilidade de o incentivar a crescer. Sabemos que os professores assumem pap\u00e9is (por vezes, n\u00e3o intencionalmente) que moldam a realidade porque os sentimos como exemplos. Quando corre bem, \u00e9 extraordin\u00e1rio; quando corre mal, h\u00e1 alunos a n\u00e3o acreditar em si mesmos, a desenvolver medos e comportamentos pouco saud\u00e1veis, a desistir. Nas aulas de pedagogia que dou, pe\u00e7o: no dia em que deixarem de ter esperan\u00e7a nos alunos, parem de dar aulas. Se temos esta responsabilidade de estimular a curiosidade e a aprendizagem, temos de faz\u00ea-los sentir que estamos prontos para ajudar e para elogiar quando conseguem. O elogio ainda \u00e9 pouco usado, nos dias de hoje, nalgumas escolas. Corrige-se em vez de comentar e ajudar a construir conhecimento. Toda esta cole\u00e7\u00e3o quer acompanhar as crian\u00e7as e os jovens, para que recuperem tamb\u00e9m a esperan\u00e7a em si mesmos. A viol\u00eancia verbal e psicol\u00f3gica \u00e9 t\u00e3o grave como a viol\u00eancia f\u00edsica, mas fica muitas vezes escondida por n\u00e3o se verem marcas vis\u00edveis no corpo. Tem algum conselho para os seus leitores mais jovens e adultos? R: Bom, penso que a viol\u00eancia verbal e psicol\u00f3gica \u00e9 pior do que a f\u00edsica. Pode ser sob a forma de uma subtil chantagem emocional, na atribui\u00e7\u00e3o da culpa, at\u00e9 chegar ao desprezo e \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o. Se pensarmos bem, toda a viol\u00eancia f\u00edsica \u00e9 psicol\u00f3gica. Gostaria muito de conseguir, atrav\u00e9s destes livros, que vejam sa\u00eddas e caminhos, e que escolham o que lhes fizer mais sentido. N\u00e3o dou nenhum conselho espec\u00edfico, isso seria moralizar os livros: mostro pistas para que saibam que existe esse poder de escolha e que n\u00e3o precisam de aceitar essas afrontas do dia-a-dia. Gostaria de destacar o papel da Escola (dire\u00e7\u00e3o de turma, dire\u00e7\u00e3o da escola, pais e professores) na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. Temos de confiar nesse apoio, como acontece neste livro (e que se baseia em momentos a que assisti). Se algu\u00e9m est\u00e1 a atacar os seus alunos, somos todos respons\u00e1veis por mudar esse facto. Conhece alguma hist\u00f3ria ou pessoas parecidas com as situa\u00e7\u00f5es e personagens deste livro? R: Infelizmente, sim, v\u00e1rias. E n\u00e3o s\u00e3o do passado, s\u00e3o contempor\u00e2neas. A forma como falam com as pessoas, o desprezo de se acharem superiores aos outros, o gozo de p\u00f4r \u00e0 vista de outros as fraquezas de algu\u00e9m, o desrespeito ao ponto de chamar burro, in\u00fatil, atrasado, incapaz (s\u00f3 para nomear alguns). Sou um pouquinho radical neste campo: acho que h\u00e1 pessoas a quem se devia barrar o acesso \u00e0 profiss\u00e3o (neste caso, n\u00e3o poderiam voltar a ensinar). Esta obra conta uma hist\u00f3ria p\u00f3s-pandemia. Todos n\u00f3s mud\u00e1mos a nossa vida de alguma maneira. Qual \u00e9 a mensagem que gostava de deixar aos leitores deste livro? R: A pandemia trouxe muitas coisas, sendo a mais importante a de nos p\u00f4r a pensar nos nossos dias, nas nossas escolhas, no sossego, na falta dos amigos, nos lugares onde vivemos, na profiss\u00e3o, no tempo livre. Foi uma enorme oportunidade de repensar tudo. Aproveitem-na e olhem \u00e0 vossa volta \u2013 h\u00e1 sempre algo que podemos mudar para melhor, arrisquem, vale sempre a pena. Neste livro, como em livros anteriores, como A Caixa da Gratid\u00e3o, a import\u00e2ncia da liga\u00e7\u00e3o da escola \u00e0 comunidade e a promo\u00e7\u00e3o da interajuda entre gera\u00e7\u00f5es est\u00e1 muito patente. \u00c9 intencional ou \u00e9 algo que surge naturalmente no decorrer da escrita da hist\u00f3ria? R: N\u00e3o sei bem se \u00e9 intencional, ser\u00e1 mais uma evid\u00eancia ao longo da minha vida, pois tive a sorte de conviver sempre com pessoas com muito mais idade, e isso aparece sempre na escrita. Gosto de ouvir hist\u00f3rias e tecer conversas tranquilas. Por outro lado, dando aulas, convivi sempre com idades muito diversificadas, dos cinco aos 90. Como acredito que, quando se ensina, se aprende muito mais, ando sempre \u00e0 descoberta desses mundos. O que desejo, para o presente e para o futuro, \u00e9 que se aprofunde a rela\u00e7\u00e3o da comunidade transgeracional. Temos todos a ganhar com isso. A fam\u00edlia \u00e9 maior do que a de sangue, e a comunidade pode realmente transformar-nos em melhores pessoas. Este artigo foi publicado originalmente pela Penguim Educa\u00e7\u00e3o e republica-se com autoriza\u00e7\u00e3o da editora.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2664243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-escritores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2664243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2664243"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2664243\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086918,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2664243\/revisions\/3086918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2664243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2664243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2664243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}