{"id":2660753,"date":"2022-11-15T09:00:00","date_gmt":"2022-11-15T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2660753.html"},"modified":"2026-05-13T14:28:39","modified_gmt":"2026-05-13T14:28:39","slug":"biblioteca-escolar-o-desafio-da-anticensura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2660753","title":{"rendered":"Biblioteca Escolar: O desafio da anticensura"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022.11.15_P.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22386510_VUwmE.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da imagem: [4].<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Pensar, ler e escrever, com esp\u00edrito cr\u00edtico e emo\u00e7\u00e3o, pode ser transgressor e mudar, para sempre, a comunidade, o pa\u00eds e o mundo.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tendo consci\u00eancia do perigo que podem representar as ideias e as palavras, a Ditadura Militar de 1926 instituiu a censura, mas \u00e9 \u201ca partir de 1934, que os Servi\u00e7os de Censura, com a colabora\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica, que apreendia exemplares nas livrarias, editoras e em rusgas domicili\u00e1rias, iniciaram uma terr\u00edvel campanha de silenciamento da palavra impressa, mas tamb\u00e9m das artes, cinema, teatro e de todas as \u00e1reas da informa\u00e7\u00e3o, incluindo os jornais, a r\u00e1dio e, mais tarde, a televis\u00e3o\u201d, ampliando o \u201ccontrolo, vigil\u00e2ncia e repress\u00e3o dos escritores, editores, distribuidores e livreiros\u201d [1].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Foram censuradas obras consideradas \u201cimorais, pornogr\u00e1ficas, comunistas, irreligiosas, subversivas, m\u00e1s, antissociais, deseducativas, dissolventes, anarquistas e revolucion\u00e1rias\u201d [2], que desafiavam a ordem estabelecida nacionalista, imperialista e colonialista, cat\u00f3lica, patriarcal e heteronormativa, que defendiam direitos fundamentais e a possibilidade de cada um ser quem quiser, que denunciavam problemas sociais estruturais &#8211; como a pobreza, o analfabetismo e a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores &#8211; de um pa\u00eds adiado, que vivia da apar\u00eancia e\u00a0<em>status quo.\u00a0<\/em>\u201cN\u00e3o viv\u00edamos num pa\u00eds real, mas numa\u00a0<em>Disneyland\u00a0<\/em>qualquer, sem esc\u00e2ndalos, sem suic\u00eddios, nem verdadeiros problemas\u201d [3], diz Eduardo Louren\u00e7o, visando este per\u00edodo.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Porque a Rede de Bibliotecas Escolares advoga a inteira liberdade\/ independ\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de ideias e o direito universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura, tendo em vista uma vida boa para todos, apoia o lan\u00e7amento da Biblioteca da Censura, da iniciativa do jornal P\u00fablico e da editora A Bela e o Monstro [4].\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s desta Cole\u00e7\u00e3o as pessoas t\u00eam acesso, pela primeira vez \u00e0 reimpress\u00e3o fidedigna\/ <em>fac-s\u00edmile<\/em> das obras originais conforme foram modificadas pela censura, atrav\u00e9s de carimbos, cortes, rasuras, relat\u00f3rios. Para assinalar meio s\u00e9culo de liberdade cada livro proibido pelo Estado Novo (1933 -1974)\u00a0\u00e9 libertado no dia 25 de cada m\u00eas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022.11.15_P2.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22386515_ZGjbG.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Comiss\u00e3o Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril. (2022).\u00a0<em>50 anos 25 de Abril.<\/em>\u00a0Portugal: Comiss\u00e3o comemorativa.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.50anos25abril.pt\/comissao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.50anos25abril.pt\/comissao<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma iniciativa realizada no contexto das comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos do 25 de abril de 1974, que se celebram de 23 de mar\u00e7o de 2022 a dezembro de 2026 [5] e que conta com o apoio, para al\u00e9m da\u00a0Comiss\u00e3o Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, do Arquivo da RTP, da r\u00e1dio Antena 1 &#8211; realiza uma entrevista sobre o livro publicado em cada m\u00eas &#8211; e da Ephemera (Arquivo da Censura) e Torre do Tombo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A ideia da Cole\u00e7\u00e3o decorre da exposi\u00e7\u00e3o \u201cObras proibidas e censuradas no Estado Novo\u201d [6], comissariada por \u00c1lvaro Sei\u00e7a, Lu\u00eds S\u00e1 e Manuela R\u00eago e em exibi\u00e7\u00e3o na Biblioteca Nacional de Portugal, entre 3 de maio e 16 de setembro 2022.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta\u00a0cole\u00e7\u00e3o de<strong> livros, destinados a n\u00e3o serem lidos, encerrados na Biblioteca dos Servi\u00e7os de Censura em Lisboa, secreta e privada, constitu\u00eda uma \u201cantibiblioteca\u201d, nas palavras de Sei\u00e7a [1].<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Guardi\u00e3 da mem\u00f3ria &#8211; neste caso, traum\u00e1tica e intencionalmente marcada e amputada &#8211; e respons\u00e1vel por criar as condi\u00e7\u00f5es para que, no futuro, a Hist\u00f3ria n\u00e3o se repita, a Rede de Bibliotecas Escolares incentiva as bibliotecas escolares a associarem-se \u00e0 iniciativa, desafiando crian\u00e7as e jovens e suas comunidades a conhecer o contexto em que estes livros foram escritos e publicados, a ler excertos e a dar-lhes visibilidade, recriando-os com inteira liberdade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia, pessoal e subjetiva, de cada leitor pode gerar um <strong>movimento global anticensura<\/strong>, de liberta\u00e7\u00e3o e aprofundamento da imagina\u00e7\u00e3o e do pensamento destinado a celebrar a liberdade de opini\u00e3o\/ express\u00e3o e o fim de todas as censuras.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c0 data da Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril, os jovens tiveram um papel muito ativo na contesta\u00e7\u00e3o da ditadura e da repress\u00e3o, como \u00e9 o caso do estudante universit\u00e1rio Ribeiro Santos assassinado pela PIDE [7].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ao longo da Hist\u00f3ria, foram diversos os objetos de censura. Por exemplo, na Idade M\u00e9dia o riso chegou a ser proibido, conforme experiencia frei William Baskerville, no romance de Umberto Eco,\u00a0<em>O nome da rosa<\/em>.\u00a0Em tom humor\u00edstico, conclu\u00edmos o desafio anticensura lembrando Guerra Junqueiro que no poema proibido \u201cPedro Soriano\u201d declara, \u2018Tamanho membro merece um poema\u201d [8].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es de atividades, aceda ao <a title=\"Portal RBE:\u00a0Biblioteca da censura\" href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/biblioteca-da-censura.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Portal RBE:\u00a0Biblioteca da censura<\/a>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Sei\u00e7a, \u00c1lvaro. (2022, 25 abr.). <em>Biblioteca da Censura: a devolu\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico<\/em>. Lisboa: P\u00fablico. <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/04\/25\/edicoes-publico\/noticia\/biblioteca-censura-devolucao-publico-2003734\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.publico.pt\/2022\/04\/25\/edicoes-publico\/noticia\/biblioteca-censura-devolucao-publico-2003734<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Biblioteca Nacional de Portugal. (2022). <em>Obras proibidas e censuradas no Estado Novo: Guia da exposi\u00e7\u00e3o<\/em>. Lisboa: BNP. <a href=\"https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/images\/stories\/agenda\/2022\/obras_proibidas_guia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/images\/stories\/agenda\/2022\/obras_proibidas_guia.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Louren\u00e7o, Eduardo. (1978). <em>O Labirinto da Saudade:<\/em> <em>Psican\u00e1lise M\u00edtica do Destino Portugu\u00eas<\/em> [p.31]. Lisboa: D. Quixote. <a href=\"https:\/\/www.livrariaferreira.pt\/livro\/labirinto-da-saudade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.livrariaferreira.pt\/livro\/labirinto-da-saudade\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Sousa, Jo\u00e3o. <em>A Bela e o Monstro<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ABelaeoMonstroEdicoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook.com\/ABelaeoMonstroEdicoes<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">5. Nacional de Portugal.\u00a0<em>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca da Censura<\/em>. Lisboa: BNP.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1688%3Aapresentacao-colecao-biblioteca-da-censura-4-de-maio-18h00&amp;catid=173%3A2022&amp;Itemid=1686&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1688%3Aapresentacao-colecao-biblioteca-da-censura-4-de-maio-18h00&amp;catid=173%3A2022&amp;Itemid=1686&amp;lang=pt<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">6. Biblioteca Nacional de Portugal. (2022). <em>Obras proibidas e censuradas no Estado Novo<\/em>. Lisboa: BNP. <a href=\"https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1682%3Aexposicao--biblioteca-da-censura-obras-apreendidas-e-proibidas-no-estado-novo--3-maio-3-set&amp;catid=173%3A2022&amp;Itemid=1680&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1682%3Aexposicao&#8211;biblioteca-da-censura-obras-apreendidas-e-proibidas-no-estado-novo&#8211;3-maio-3-set&amp;catid=173%3A2022&amp;Itemid=1680&amp;lang=pt<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">7. Comiss\u00e3o Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril. (2022).\u00a0<em>Ribeiro Santos<\/em>. Portugal: CC.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.50anos25abril.pt\/iniciativas\/primaveras-estudantis\/ribeiro-santos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.50anos25abril.pt\/iniciativas\/primaveras-estudantis\/ribeiro-santos<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">8. Segundo o Guia da Exposi\u00e7\u00e3o Biblioteca da Censura, a Biblioteca Nacional de Portugal antes do Estado Novo tinha obras classificadas como Obras Proibidas, com a cota O.P., que inclu\u00edam livros que n\u00e3o faziam parte do cat\u00e1logo geral de acesso ao p\u00fablico, nem podiam ser levadas para a Sala de Leitura. Algumas dessas obras n\u00e3o faziam parte do invent\u00e1rio dos Servi\u00e7os da Censura, como \u00e9 caso do poema \u201cPedro Soriano\u201d:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cPedro Soriano foi o her\u00f3i de um casamento simulado que houve em Lisboa. Tinha o membro viril desenvolvid\u00edssimo. Uns amigos de Junqueiro encarregaram-se de lhe apresentar o Soriano porque, tendo contado a Junqueiro a do membro, ele dissera que exageravam. Junqueiro viu e exclamou: \u2018Tamanho membro merece um poema\u2019\u201d.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Junqueiro, Guerra. (1882).\u00a0<em>Pedro Soriano<\/em>. Lisboa: Tipografia Jos\u00e9 F. Ferreira, in: Livraria Alfarrabista Manuel Ferreira.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.livrariaferreira.pt\/livro\/pedro-soriano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.livrariaferreira.pt\/livro\/pedro-soriano\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte da imagem: [4]. Pensar, ler e escrever, com esp\u00edrito cr\u00edtico e emo\u00e7\u00e3o, pode ser transgressor e mudar, para sempre, a comunidade, o pa\u00eds e o mundo.\u00a0 Tendo consci\u00eancia do perigo que podem representar as ideias e as palavras, a Ditadura Militar de 1926 instituiu a censura, mas \u00e9 \u201ca partir de 1934, que os Servi\u00e7os de Censura, com a colabora\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica, que apreendia exemplares nas livrarias, editoras e em rusgas domicili\u00e1rias, iniciaram uma terr\u00edvel campanha de silenciamento da palavra impressa, mas tamb\u00e9m das artes, cinema, teatro e de todas as \u00e1reas da informa\u00e7\u00e3o, incluindo os jornais, a r\u00e1dio e, mais tarde, a televis\u00e3o\u201d, ampliando o \u201ccontrolo, vigil\u00e2ncia e repress\u00e3o dos escritores, editores, distribuidores e livreiros\u201d [1]. Foram censuradas obras consideradas \u201cimorais, pornogr\u00e1ficas, comunistas, irreligiosas, subversivas, m\u00e1s, antissociais, deseducativas, dissolventes, anarquistas e revolucion\u00e1rias\u201d [2], que desafiavam a ordem estabelecida nacionalista, imperialista e colonialista, cat\u00f3lica, patriarcal e heteronormativa, que defendiam direitos fundamentais e a possibilidade de cada um ser quem quiser, que denunciavam problemas sociais estruturais &#8211; como a pobreza, o analfabetismo e a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores &#8211; de um pa\u00eds adiado, que vivia da apar\u00eancia e\u00a0status quo.\u00a0\u201cN\u00e3o viv\u00edamos num pa\u00eds real, mas numa\u00a0Disneyland\u00a0qualquer, sem esc\u00e2ndalos, sem suic\u00eddios, nem verdadeiros problemas\u201d [3], diz Eduardo Louren\u00e7o, visando este per\u00edodo.\u00a0 Porque a Rede de Bibliotecas Escolares advoga a inteira liberdade\/ independ\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de ideias e o direito universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura, tendo em vista uma vida boa para todos, apoia o lan\u00e7amento da Biblioteca da Censura, da iniciativa do jornal P\u00fablico e da editora A Bela e o Monstro [4].\u00a0 Atrav\u00e9s desta Cole\u00e7\u00e3o as pessoas t\u00eam acesso, pela primeira vez \u00e0 reimpress\u00e3o fidedigna\/ fac-s\u00edmile das obras originais conforme foram modificadas pela censura, atrav\u00e9s de carimbos, cortes, rasuras, relat\u00f3rios. Para assinalar meio s\u00e9culo de liberdade cada livro proibido pelo Estado Novo (1933 -1974)\u00a0\u00e9 libertado no dia 25 de cada m\u00eas. Comiss\u00e3o Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril. (2022).\u00a050 anos 25 de Abril.\u00a0Portugal: Comiss\u00e3o comemorativa.\u00a0https:\/\/www.50anos25abril.pt\/comissao Esta \u00e9 uma iniciativa realizada no contexto das comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos do 25 de abril de 1974, que se celebram de 23 de mar\u00e7o de 2022 a dezembro de 2026 [5] e que conta com o apoio, para al\u00e9m da\u00a0Comiss\u00e3o Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, do Arquivo da RTP, da r\u00e1dio Antena 1 &#8211; realiza uma entrevista sobre o livro publicado em cada m\u00eas &#8211; e da Ephemera (Arquivo da Censura) e Torre do Tombo. A ideia da Cole\u00e7\u00e3o decorre da exposi\u00e7\u00e3o \u201cObras proibidas e censuradas no Estado Novo\u201d [6], comissariada por \u00c1lvaro Sei\u00e7a, Lu\u00eds S\u00e1 e Manuela R\u00eago e em exibi\u00e7\u00e3o na Biblioteca Nacional de Portugal, entre 3 de maio e 16 de setembro 2022.\u00a0 Esta\u00a0cole\u00e7\u00e3o de livros, destinados a n\u00e3o serem lidos, encerrados na Biblioteca dos Servi\u00e7os de Censura em Lisboa, secreta e privada, constitu\u00eda uma \u201cantibiblioteca\u201d, nas palavras de Sei\u00e7a [1]. Guardi\u00e3 da mem\u00f3ria &#8211; neste caso, traum\u00e1tica e intencionalmente marcada e amputada &#8211; e respons\u00e1vel por criar as condi\u00e7\u00f5es para que, no futuro, a Hist\u00f3ria n\u00e3o se repita, a Rede de Bibliotecas Escolares incentiva as bibliotecas escolares a associarem-se \u00e0 iniciativa, desafiando crian\u00e7as e jovens e suas comunidades a conhecer o contexto em que estes livros foram escritos e publicados, a ler excertos e a dar-lhes visibilidade, recriando-os com inteira liberdade. Esta experi\u00eancia, pessoal e subjetiva, de cada leitor pode gerar um movimento global anticensura, de liberta\u00e7\u00e3o e aprofundamento da imagina\u00e7\u00e3o e do pensamento destinado a celebrar a liberdade de opini\u00e3o\/ express\u00e3o e o fim de todas as censuras.\u00a0 \u00c0 data da Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril, os jovens tiveram um papel muito ativo na contesta\u00e7\u00e3o da ditadura e da repress\u00e3o, como \u00e9 o caso do estudante universit\u00e1rio Ribeiro Santos assassinado pela PIDE [7]. Ao longo da Hist\u00f3ria, foram diversos os objetos de censura. Por exemplo, na Idade M\u00e9dia o riso chegou a ser proibido, conforme experiencia frei William Baskerville, no romance de Umberto Eco,\u00a0O nome da rosa.\u00a0Em tom humor\u00edstico, conclu\u00edmos o desafio anticensura lembrando Guerra Junqueiro que no poema proibido \u201cPedro Soriano\u201d declara, \u2018Tamanho membro merece um poema\u201d [8]. Para mais informa\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es de atividades, aceda ao Portal RBE:\u00a0Biblioteca da censura. Refer\u00eancias 1. Sei\u00e7a, \u00c1lvaro. (2022, 25 abr.). Biblioteca da Censura: a devolu\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico. Lisboa: P\u00fablico. https:\/\/www.publico.pt\/2022\/04\/25\/edicoes-publico\/noticia\/biblioteca-censura-devolucao-publico-2003734 2. Biblioteca Nacional de Portugal. (2022). Obras proibidas e censuradas no Estado Novo: Guia da exposi\u00e7\u00e3o. Lisboa: BNP. https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/images\/stories\/agenda\/2022\/obras_proibidas_guia.pdf 3. Louren\u00e7o, Eduardo. (1978). O Labirinto da Saudade: Psican\u00e1lise M\u00edtica do Destino Portugu\u00eas [p.31]. Lisboa: D. Quixote. https:\/\/www.livrariaferreira.pt\/livro\/labirinto-da-saudade\/ 4. Sousa, Jo\u00e3o. A Bela e o Monstro. https:\/\/www.facebook.com\/ABelaeoMonstroEdicoes 5. Nacional de Portugal.\u00a0Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca da Censura. Lisboa: BNP.\u00a0https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1688%3Aapresentacao-colecao-biblioteca-da-censura-4-de-maio-18h00&amp;catid=173%3A2022&amp;Itemid=1686&amp;lang=pt 6. Biblioteca Nacional de Portugal. (2022). Obras proibidas e censuradas no Estado Novo. Lisboa: BNP. https:\/\/www.bnportugal.gov.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1682%3Aexposicao&#8211;biblioteca-da-censura-obras-apreendidas-e-proibidas-no-estado-novo&#8211;3-maio-3-set&amp;catid=173%3A2022&amp;Itemid=1680&amp;lang=pt 7. Comiss\u00e3o Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril. (2022).\u00a0Ribeiro Santos. Portugal: CC.\u00a0https:\/\/www.50anos25abril.pt\/iniciativas\/primaveras-estudantis\/ribeiro-santos 8. Segundo o Guia da Exposi\u00e7\u00e3o Biblioteca da Censura, a Biblioteca Nacional de Portugal antes do Estado Novo tinha obras classificadas como Obras Proibidas, com a cota O.P., que inclu\u00edam livros que n\u00e3o faziam parte do cat\u00e1logo geral de acesso ao p\u00fablico, nem podiam ser levadas para a Sala de Leitura. Algumas dessas obras n\u00e3o faziam parte do invent\u00e1rio dos Servi\u00e7os da Censura, como \u00e9 caso do poema \u201cPedro Soriano\u201d: \u201cPedro Soriano foi o her\u00f3i de um casamento simulado que houve em Lisboa. Tinha o membro viril desenvolvid\u00edssimo. Uns amigos de Junqueiro encarregaram-se de lhe apresentar o Soriano porque, tendo contado a Junqueiro a do membro, ele dissera que exageravam. Junqueiro viu e exclamou: \u2018Tamanho membro merece um poema\u2019\u201d. Junqueiro, Guerra. (1882).\u00a0Pedro Soriano. Lisboa: Tipografia Jos\u00e9 F. Ferreira, in: Livraria Alfarrabista Manuel Ferreira.\u00a0https:\/\/www.livrariaferreira.pt\/livro\/pedro-soriano\/<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152,85,29,140],"tags":[],"class_list":["post-2660753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-25-de-abril","category-difusao-da-informacao","category-liberdade-de-expressao","category-livros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2660753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2660753"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2660753\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086931,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2660753\/revisions\/3086931"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2660753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2660753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2660753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}