{"id":2652659,"date":"2022-10-20T09:00:00","date_gmt":"2022-10-20T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2652659.html"},"modified":"2026-05-13T14:30:23","modified_gmt":"2026-05-13T14:30:23","slug":"ocde-education-at-a-glance-2022-um-retrato-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2652659","title":{"rendered":"OCDE : Education at a Glance 2022 \u2013 um retrato portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022.10.20_P.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22374915_k3hYD.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Education at a Glance<\/em> \u00e9 um relat\u00f3rio anual da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) constitu\u00edda por 38 pa\u00edses, entre os quais Portugal, e que inclui dados sobre os pa\u00edses parceiros.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Com base na Country Note de Portugal [<strong>1<\/strong>], destacamos elementos do retrato da educa\u00e7\u00e3o nacional face ao panorama internacional.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Aumento das qualifica\u00e7\u00f5es e melhores perspetivas de emprego e sal\u00e1rios<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio regista<strong> aumento significativo do pr\u00e9-escolar em Portugal<\/strong>, frequentado por 93% das crian\u00e7as entre os 3 e os 6 anos de idade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses com maior aumento de jovens licenciados (25 a 34 anos de idade): 47% em 2021<\/strong> \u2013 em 2000 eram apenas 13% &#8211; n\u00e3o obstante s\u00f3 38% terminar a licenciatura no tempo esperado. A maioria dos estudantes portugueses do ensino superior est\u00e1 em licenciaturas &#8211; 57%, seguindo-se mestrados &#8211; 33%.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tal como nos restantes pa\u00edses da OCDE, em Portugal elevadas qualifica\u00e7\u00f5es est\u00e3o associadas a elevadas expetativas de emprego e sal\u00e1rio. Em 2021 jovens portugueses licenciados com 25 a 34 anos de idade apresentam uma percentagem de emprego 26 pontos percentuais mais elevada do que os que t\u00eam um n\u00edvel b\u00e1sico e 8 pontos percentuais mais elevada do que os que t\u00eam o ensino secund\u00e1rio. Esta liga\u00e7\u00e3o entre n\u00edvel acad\u00e9mico e empregabilidade \u00e9 ainda mais significativa para as mulheres.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O curso que frequentam tamb\u00e9m influencia as perspetivas de emprego e condi\u00e7\u00f5es de vida. Neste segmento populacional, em 2021, estavam empregados 96% dos que estudaram TIC e 83% dos que estudaram ci\u00eancias naturais, matem\u00e1tica e estat\u00edstica. &#8220;Apesar da necessidade crescente de compet\u00eancias digitais e das boas perspetivas de emprego dos estudantes com cursos em tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, apenas uma pequena percentagem dos novos alunos escolhe esta \u00e1rea&#8221; \u2013 em Portugal s\u00f3 3% escolhem cursos TIC, sendo a m\u00e9dia da OCDE 6%.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em Portugal a vantagem salarial destes licenciados \u00e9 maior do que a m\u00e9dia da OCDE: em 2020 os trabalhadores com ensino secund\u00e1rio ganharam 25% mais do que os com ensino b\u00e1sico e os licenciados ganharam mais do dobro. A \u00e1rea de estudos tamb\u00e9m \u00e9 importante para obter vantagem salarial: licenciados em TIC entre 25 a 64 anos de idade recebem mais do dobro do que os com ensino secund\u00e1rio, mas os licenciados em artes s\u00f3 ganham mais 26%.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na maioria dos pa\u00edses da OCDE, incluindo em Portugal, adultos mais qualificados t\u00eam taxas mais elevadas de participa\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o formal e ao longo da vida.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ao n\u00edvel do <strong>ensino secund\u00e1rio<\/strong>, 57% dos alunos est\u00e3o inscritos em cursos gerais e 35% em cursos profissionais, o que \u00e9 uma m\u00e9dia superior \u00e0 da OCDE, que \u00e9 de 55% e 31%, respetivamente. A idade m\u00e9dia de conclus\u00e3o do secund\u00e1rio profissional \u00e9 20 anos de idade. abaixo da m\u00e9dia da OCDE, 22. No ensino secund\u00e1rio profissional, Portugal \u00e9 um dos 12 pa\u00edses da OCDE onde todos os diplomados t\u00eam acesso directo ao ensino superior.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>An\u00e1lises particulares evidenciam:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>&#8211; Por g\u00e9nero<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>55% dos licenciados e dos que t\u00eam diploma dos cursos gerais do ensino secund\u00e1rio s\u00e3o mulheres, 54% dos que concluem o secund\u00e1rio profissional s\u00e3o rapazes e taxas de conclus\u00e3o das licenciaturas s\u00e3o mais elevadas para as mulheres em todos os pa\u00edses da OCDE &#8211; 79% das mulheres em Portugal licencia-se em 3 anos, em compara\u00e7\u00e3o com 63% dos homens.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>&#8211; Por geografia<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 desigualdades nas qualifica\u00e7\u00f5es dentro de cada pa\u00eds, sobretudo por diferente oferta de oportunidades e raz\u00f5es econ\u00f3micas. Em Portugal, em 2021, a maioria dos licenciados &#8211; 41% &#8211; \u00e9 da \u00c1rea Metropolitana de Lisboa e a percentagem mais baixa &#8211; 17% &#8211; \u00e9 da Regi\u00e3o Aut\u00f3noma dos A\u00e7ores.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Necessidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o do ensino superior<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a procura das universidades, elas &#8220;oferecem oportunidades de estudo moderadamente diversificadas e relativamente inflex\u00edveis, o que representa uma barreira que limita o seu papel em &#8216;<em>upskilling<\/em> [melhorar compet\u00eancias] e <em>reskilling<\/em> [reajustar compet\u00eancias para nova \u00e1rea de trabalho]'&#8221; fundamentais no contexto da revolu\u00e7\u00e3o digital. O \u201censino superior em Portugal est\u00e1 largamente orientado para as necessidades dos estudantes dos grupos et\u00e1rios tradicionais\u201d, n\u00e3o estando adaptado a forma\u00e7\u00e3o de adultos e ao longo da vida. Esta necessidade de adapta\u00e7\u00e3o das universidades \u00e9 importante porque a popula\u00e7\u00e3o em Portugal \u201cest\u00e1 a envelhecer a um ritmo mais r\u00e1pido do que as popula\u00e7\u00f5es da maioria dos pa\u00edses da OCDE\u201d e estas institui\u00e7\u00f5es devem encorajar os adultos a requalificarem-se.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m sugere que se facilite o acesso ao ensino superior, incluindo a possibilidade de estudar a meio tempo, importante para quem tem filhos ou precise de trabalhar para pagar os estudos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Baixo investimento por aluno<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tendo em conta a Paridade do Poder de Compra (PPC) e o Produto Interno Bruto (PIB) de cada pa\u00eds, bem como o que \u00e9 dito no relat\u00f3rio, de que n\u00e3o h\u00e1 grandes diferen\u00e7as de custo entre n\u00edveis de ensino at\u00e9 ao secund\u00e1rio, Portugal em 2019 gastou anualmente 10.854 euros por aluno, valor abaixo da m\u00e9dia da OCDE que \u00e9 12.353 euros.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Relativamente ao ensino superior, apesar da tend\u00eancia para massifica\u00e7\u00e3o, Portugal est\u00e1 \u201centre os que menos gastam\u201d, investindo menos de um ter\u00e7o neste setor da educa\u00e7\u00e3o: 12 mil euros &#8211; 11.858 d\u00f3lares, 1,1% do PIB &#8211; por ano por cada estudante universit\u00e1rio, despesa muito abaixo da m\u00e9dia da OCDE que \u00e9 de 17.559 d\u00f3lares anuais, 1,5% do PIB.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Durante a pandemia as escolas estiveram encerradas a tempo inteiro &#8211; em Portugal, 47 a 62 dias no ano lectivo de 2019\/20, 25 a 45 dias no ano letivo 2020\/21 \u2013 e gerou-se, em muitos pa\u00edses da OCDE e em Portugal, uma crescente digitaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o com maior oferta de equipamentos e ferramentas digitais, avalia\u00e7\u00f5es digitalizadas, aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia e h\u00edbrida \u2013 que, para Portugal, representou um aumento da despesa entre 1% a 5% do pr\u00e9-escolar ao secund\u00e1rio e 5% para o ensino universit\u00e1rio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Sal\u00e1rios dos professores, co-doc\u00eancia e autonomia das escolas <\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Entre 2015 e 2021 os sal\u00e1rios dos professores do ensino b\u00e1sico aumentaram metade (3%) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia da OCDE (6%), mas \u201cPortugal \u00e9 um dos poucos pa\u00edses onde os sal\u00e1rios m\u00e9dios reais dos professores continuam a ser superiores aos dos trabalhadores com forma\u00e7\u00e3o superior, pois a popula\u00e7\u00e3o docente est\u00e1 a envelhecer e, consequentemente, uma grande propor\u00e7\u00e3o de professores est\u00e1 pr\u00f3xima do topo da sua carreira\u201d e os vencimentos do topo de carreira dos professores s\u00e3o superiores \u00e0 m\u00e9dia dos trabalhadores licenciados do pa\u00eds.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A \u201cprofiss\u00e3o docente em Portugal \u00e9 experiente e envelhecida\u201d, diz o relat\u00f3rio: <strong>88% dos professores em fun\u00e7\u00f5es tem mestrado ou qualifica\u00e7\u00e3o superior e 45% tem mais de 50 anos de idade, propor\u00e7\u00e3o acima da OCDE que \u00e9 de 40%<\/strong>. <strong>S\u00f3 4% dos estudantes que est\u00e3o a fazer uma licenciatura quer seguir uma carreira na educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Este factor, acrescido ao do envelhecimento docente, \u201csuscita preocupa\u00e7\u00f5es sobre escassez de professores num futuro pr\u00f3ximo em Portugal\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na maior parte dos pa\u00edses da OCDE os professores s\u00e3o remunerados em fun\u00e7\u00e3o das suas habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, mas em Portugal progridem com base nos anos de servi\u00e7o e no desempenho profissional.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No pa\u00eds a diferen\u00e7a entre sal\u00e1rios reais m\u00e9dios de professores de diferentes n\u00edveis de ensino \u00e9 reduzida \u2013 \u201c53.441 euros no pr\u00e9-escolar e 51.500 no secund\u00e1rio\u201d, mas na OCDE esta diferen\u00e7a \u00e9 superior a dez mil euros. Os sal\u00e1rios dos diretores escolares s\u00e3o muito mais elevados do que os de outras profissionais com a mesma forma\u00e7\u00e3o superior e esta situa\u00e7\u00e3o verifica-se em Portugal e na OCDE.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O n\u00famero de horas de ensino diminui \u00e0 medida que o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o lecionado aumenta, mas no ensino secund\u00e1rio os professores investem 51% do seu tempo de trabalho com atividades n\u00e3o letivas, como preparar aulas e corrigir testes e a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 ainda superior, 56%.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, <strong>Portugal beneficiaria com mais oportunidades de \u201cenvolvimento no trabalho colaborativo<\/strong> [por exemplo, co-ensino e observa\u00e7\u00e3o de pares] <strong>e autonomia das escolas para escolherem os professores cujos perfis melhor se adaptam \u00e0s suas necessidades <\/strong>[sublinhado nosso]\u201d. Esta \u00faltima recomenda\u00e7\u00e3o vai ao encontro da proposta do Ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Costa, apresentada no in\u00edcio deste ano letivo, de dar autonomia aos diretores para selecionarem um ter\u00e7o dos seus professores, tendo em conta o perfil dos docentes e os projectos educativos da escola.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">[<strong>1<\/strong>] Organisation for Economic Co-operation and Development. (2022). <em>Education at a Glance 2022: Portugal<\/em>. OECD Publishing: Paris. <a href=\"https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/education-at-a-glance-2022_75a5b3e9-en;jsessionid=Ed8lz3xLQ0bhgw8wJahFdIExQ9McEMyZM9NuzyYV.ip-10-240-5-95\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/education-at-a-glance-2022_75a5b3e9-en;jsessionid=Ed8lz3xLQ0bhgw8wJahFdIExQ9McEMyZM9NuzyYV.ip-10-240-5-95<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Veja tamb\u00e9m<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/ocde-education-at-a-glance-2022-2652025\">OCDE\u00a0: Education at a Glance 2022<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Education at a Glance \u00e9 um relat\u00f3rio anual da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) constitu\u00edda por 38 pa\u00edses, entre os quais Portugal, e que inclui dados sobre os pa\u00edses parceiros. Com base na Country Note de Portugal [1], destacamos elementos do retrato da educa\u00e7\u00e3o nacional face ao panorama internacional. \u00a0 Aumento das qualifica\u00e7\u00f5es e melhores perspetivas de emprego e sal\u00e1rios O relat\u00f3rio regista aumento significativo do pr\u00e9-escolar em Portugal, frequentado por 93% das crian\u00e7as entre os 3 e os 6 anos de idade. Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses com maior aumento de jovens licenciados (25 a 34 anos de idade): 47% em 2021 \u2013 em 2000 eram apenas 13% &#8211; n\u00e3o obstante s\u00f3 38% terminar a licenciatura no tempo esperado. A maioria dos estudantes portugueses do ensino superior est\u00e1 em licenciaturas &#8211; 57%, seguindo-se mestrados &#8211; 33%. Tal como nos restantes pa\u00edses da OCDE, em Portugal elevadas qualifica\u00e7\u00f5es est\u00e3o associadas a elevadas expetativas de emprego e sal\u00e1rio. Em 2021 jovens portugueses licenciados com 25 a 34 anos de idade apresentam uma percentagem de emprego 26 pontos percentuais mais elevada do que os que t\u00eam um n\u00edvel b\u00e1sico e 8 pontos percentuais mais elevada do que os que t\u00eam o ensino secund\u00e1rio. Esta liga\u00e7\u00e3o entre n\u00edvel acad\u00e9mico e empregabilidade \u00e9 ainda mais significativa para as mulheres. O curso que frequentam tamb\u00e9m influencia as perspetivas de emprego e condi\u00e7\u00f5es de vida. Neste segmento populacional, em 2021, estavam empregados 96% dos que estudaram TIC e 83% dos que estudaram ci\u00eancias naturais, matem\u00e1tica e estat\u00edstica. &#8220;Apesar da necessidade crescente de compet\u00eancias digitais e das boas perspetivas de emprego dos estudantes com cursos em tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, apenas uma pequena percentagem dos novos alunos escolhe esta \u00e1rea&#8221; \u2013 em Portugal s\u00f3 3% escolhem cursos TIC, sendo a m\u00e9dia da OCDE 6%. Em Portugal a vantagem salarial destes licenciados \u00e9 maior do que a m\u00e9dia da OCDE: em 2020 os trabalhadores com ensino secund\u00e1rio ganharam 25% mais do que os com ensino b\u00e1sico e os licenciados ganharam mais do dobro. A \u00e1rea de estudos tamb\u00e9m \u00e9 importante para obter vantagem salarial: licenciados em TIC entre 25 a 64 anos de idade recebem mais do dobro do que os com ensino secund\u00e1rio, mas os licenciados em artes s\u00f3 ganham mais 26%. Na maioria dos pa\u00edses da OCDE, incluindo em Portugal, adultos mais qualificados t\u00eam taxas mais elevadas de participa\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o formal e ao longo da vida. Ao n\u00edvel do ensino secund\u00e1rio, 57% dos alunos est\u00e3o inscritos em cursos gerais e 35% em cursos profissionais, o que \u00e9 uma m\u00e9dia superior \u00e0 da OCDE, que \u00e9 de 55% e 31%, respetivamente. A idade m\u00e9dia de conclus\u00e3o do secund\u00e1rio profissional \u00e9 20 anos de idade. abaixo da m\u00e9dia da OCDE, 22. No ensino secund\u00e1rio profissional, Portugal \u00e9 um dos 12 pa\u00edses da OCDE onde todos os diplomados t\u00eam acesso directo ao ensino superior. An\u00e1lises particulares evidenciam: &#8211; Por g\u00e9nero 55% dos licenciados e dos que t\u00eam diploma dos cursos gerais do ensino secund\u00e1rio s\u00e3o mulheres, 54% dos que concluem o secund\u00e1rio profissional s\u00e3o rapazes e taxas de conclus\u00e3o das licenciaturas s\u00e3o mais elevadas para as mulheres em todos os pa\u00edses da OCDE &#8211; 79% das mulheres em Portugal licencia-se em 3 anos, em compara\u00e7\u00e3o com 63% dos homens. &#8211; Por geografia H\u00e1 desigualdades nas qualifica\u00e7\u00f5es dentro de cada pa\u00eds, sobretudo por diferente oferta de oportunidades e raz\u00f5es econ\u00f3micas. Em Portugal, em 2021, a maioria dos licenciados &#8211; 41% &#8211; \u00e9 da \u00c1rea Metropolitana de Lisboa e a percentagem mais baixa &#8211; 17% &#8211; \u00e9 da Regi\u00e3o Aut\u00f3noma dos A\u00e7ores. \u00a0 Necessidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o do ensino superior N\u00e3o obstante a procura das universidades, elas &#8220;oferecem oportunidades de estudo moderadamente diversificadas e relativamente inflex\u00edveis, o que representa uma barreira que limita o seu papel em &#8216;upskilling [melhorar compet\u00eancias] e reskilling [reajustar compet\u00eancias para nova \u00e1rea de trabalho]&#8217;&#8221; fundamentais no contexto da revolu\u00e7\u00e3o digital. O \u201censino superior em Portugal est\u00e1 largamente orientado para as necessidades dos estudantes dos grupos et\u00e1rios tradicionais\u201d, n\u00e3o estando adaptado a forma\u00e7\u00e3o de adultos e ao longo da vida. Esta necessidade de adapta\u00e7\u00e3o das universidades \u00e9 importante porque a popula\u00e7\u00e3o em Portugal \u201cest\u00e1 a envelhecer a um ritmo mais r\u00e1pido do que as popula\u00e7\u00f5es da maioria dos pa\u00edses da OCDE\u201d e estas institui\u00e7\u00f5es devem encorajar os adultos a requalificarem-se. O relat\u00f3rio tamb\u00e9m sugere que se facilite o acesso ao ensino superior, incluindo a possibilidade de estudar a meio tempo, importante para quem tem filhos ou precise de trabalhar para pagar os estudos. \u00a0 Baixo investimento por aluno Tendo em conta a Paridade do Poder de Compra (PPC) e o Produto Interno Bruto (PIB) de cada pa\u00eds, bem como o que \u00e9 dito no relat\u00f3rio, de que n\u00e3o h\u00e1 grandes diferen\u00e7as de custo entre n\u00edveis de ensino at\u00e9 ao secund\u00e1rio, Portugal em 2019 gastou anualmente 10.854 euros por aluno, valor abaixo da m\u00e9dia da OCDE que \u00e9 12.353 euros. Relativamente ao ensino superior, apesar da tend\u00eancia para massifica\u00e7\u00e3o, Portugal est\u00e1 \u201centre os que menos gastam\u201d, investindo menos de um ter\u00e7o neste setor da educa\u00e7\u00e3o: 12 mil euros &#8211; 11.858 d\u00f3lares, 1,1% do PIB &#8211; por ano por cada estudante universit\u00e1rio, despesa muito abaixo da m\u00e9dia da OCDE que \u00e9 de 17.559 d\u00f3lares anuais, 1,5% do PIB. Durante a pandemia as escolas estiveram encerradas a tempo inteiro &#8211; em Portugal, 47 a 62 dias no ano lectivo de 2019\/20, 25 a 45 dias no ano letivo 2020\/21 \u2013 e gerou-se, em muitos pa\u00edses da OCDE e em Portugal, uma crescente digitaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o com maior oferta de equipamentos e ferramentas digitais, avalia\u00e7\u00f5es digitalizadas, aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia e h\u00edbrida \u2013 que, para Portugal, representou um aumento da despesa entre 1% a 5% do pr\u00e9-escolar ao secund\u00e1rio e 5% para o ensino universit\u00e1rio. \u00a0 Sal\u00e1rios dos professores, co-doc\u00eancia e autonomia das escolas Entre 2015 e 2021 os sal\u00e1rios dos professores do ensino b\u00e1sico aumentaram metade (3%) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia da OCDE (6%), mas \u201cPortugal \u00e9 um dos poucos pa\u00edses onde os sal\u00e1rios m\u00e9dios reais dos professores continuam a ser superiores aos dos trabalhadores com forma\u00e7\u00e3o superior, pois a popula\u00e7\u00e3o docente est\u00e1 a envelhecer e, consequentemente, uma grande propor\u00e7\u00e3o de professores est\u00e1 pr\u00f3xima do topo da sua carreira\u201d e os vencimentos do topo de carreira dos professores s\u00e3o superiores \u00e0 m\u00e9dia dos trabalhadores licenciados do pa\u00eds. A \u201cprofiss\u00e3o docente em Portugal \u00e9 experiente e envelhecida\u201d, diz o relat\u00f3rio: 88% dos professores em fun\u00e7\u00f5es tem mestrado ou qualifica\u00e7\u00e3o superior e 45% tem mais de 50 anos de idade, propor\u00e7\u00e3o acima da OCDE que \u00e9 de 40%. S\u00f3 4% dos estudantes que est\u00e3o a fazer uma licenciatura quer seguir uma carreira na educa\u00e7\u00e3o. Este factor, acrescido ao do envelhecimento docente, \u201csuscita preocupa\u00e7\u00f5es sobre escassez de professores num futuro pr\u00f3ximo em Portugal\u201d. Na maior parte dos pa\u00edses da OCDE os professores s\u00e3o remunerados em fun\u00e7\u00e3o das suas habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, mas em Portugal progridem com base nos anos de servi\u00e7o e no desempenho profissional. No pa\u00eds a diferen\u00e7a entre sal\u00e1rios reais m\u00e9dios de professores de diferentes n\u00edveis de ensino \u00e9 reduzida \u2013 \u201c53.441 euros no pr\u00e9-escolar e 51.500 no secund\u00e1rio\u201d, mas na OCDE esta diferen\u00e7a \u00e9 superior a dez mil euros. Os sal\u00e1rios dos diretores escolares s\u00e3o muito mais elevados do que os de outras profissionais com a mesma forma\u00e7\u00e3o superior e esta situa\u00e7\u00e3o verifica-se em Portugal e na OCDE. O n\u00famero de horas de ensino diminui \u00e0 medida que o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o lecionado aumenta, mas no ensino secund\u00e1rio os professores investem 51% do seu tempo de trabalho com atividades n\u00e3o letivas, como preparar aulas e corrigir testes e a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 ainda superior, 56%. Segundo o relat\u00f3rio, Portugal beneficiaria com mais oportunidades de \u201cenvolvimento no trabalho colaborativo [por exemplo, co-ensino e observa\u00e7\u00e3o de pares] e autonomia das escolas para escolherem os professores cujos perfis melhor se adaptam \u00e0s suas necessidades [sublinhado nosso]\u201d. Esta \u00faltima recomenda\u00e7\u00e3o vai ao encontro da proposta do Ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Costa, apresentada no in\u00edcio deste ano letivo, de dar autonomia aos diretores para selecionarem um ter\u00e7o dos seus professores, tendo em conta o perfil dos docentes e os projectos educativos da escola. \u00a0 Refer\u00eancias [1] Organisation for Economic Co-operation and Development. (2022). Education at a Glance 2022: Portugal. OECD Publishing: Paris. https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/education-at-a-glance-2022_75a5b3e9-en;jsessionid=Ed8lz3xLQ0bhgw8wJahFdIExQ9McEMyZM9NuzyYV.ip-10-240-5-95 \u00a0 Veja tamb\u00e9m OCDE\u00a0: Education at a Glance 2022<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85,159,101],"tags":[],"class_list":["post-2652659","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-difusao-da-informacao","category-educacao","category-ocde"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2652659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2652659"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2652659\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086952,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2652659\/revisions\/3086952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2652659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2652659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2652659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}