{"id":2650401,"date":"2022-10-14T09:00:00","date_gmt":"2022-10-14T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2650401.html"},"modified":"2026-05-13T14:30:55","modified_gmt":"2026-05-13T14:30:55","slug":"livros-infantis-porque-e-a-diversidade-tao-importante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2650401","title":{"rendered":"Livros infantis: porque \u00e9 a diversidade t\u00e3o importante?"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022.10.14_P.jpg\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22371832_ypl6I.jpeg\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Dos Estados Unidos, chegam not\u00edcias recorrentes de obras proibidas em bibliotecas escolares, chegando mesmo a falar-se de ondas de proibi\u00e7\u00f5es massivas de leitura. Impotentes, os autores, deparam-se com as suas obras em listas negras das escolas, sob pretextos inacredit\u00e1veis. Em setembro de 2022, um novo relat\u00f3rio da Pen America apontava para 2.500 proibi\u00e7\u00f5es de livros diferentes promulgadas em escolas em 32 estados dos EUA durante o ano letivo de 2021-2022. Em todo o pa\u00eds, pais, alunos, professores, bibliotec\u00e1rios e grupos comunit\u00e1rios t\u00eam lutado contra os ensaios de proibi\u00e7\u00e3o, derrotando tentativas bem financiadas (por certos grupos pol\u00edticos) de censurar livros que abordam quest\u00f5es de ra\u00e7a, sexualidade e g\u00e9nero. [1]<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este \u00e9 um assunto em que vale a pena pensar e relacionar com as bibliotecas escolares em Portugal e com o trabalho que a\u00ed fazemos diariamente, seja o mais t\u00e9cnico de sele\u00e7\u00e3o documental, seja o mais pedag\u00f3gico de abordagem da literacia da leitura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Para que serve a literatura infantil?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta \u00e9 claramente uma quest\u00e3o provocat\u00f3ria. A literatura serve para alguma coisa, hoje? Tem de servir? Mas esse ser\u00e1 tema de outra conversa e n\u00e3o cumpre o prop\u00f3sito deste artigo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Genericamente pode dizer-se que a literatura permite partilhar as experi\u00eancias de outras pessoas, usar a imagina\u00e7\u00e3o, exercitar o pensamento cr\u00edtico, aprimorar compet\u00eancias lingu\u00edsticas e entender melhor culturas e comunidades. O mesmo se aplica \u00e0 literatura infantil.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os livros e as hist\u00f3rias com que uma crian\u00e7a contacta levam-na para al\u00e9m das viv\u00eancias pr\u00f3prias, tornam-lhe acess\u00edveis as vidas de outras pessoas, imersas em realidades com que nunca contactaram diretamente.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>E isso leva \u00e0 quest\u00e3o no t\u00edtulo deste artigo: porque \u00e9 fundamental a diversidade nos livros infantis? [2]<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p>&#8216;Diversidade&#8217; deveria ser chamada apenas &#8216;realidade&#8217;. Os seus livros, programas de televis\u00e3o, filmes, artigos e curr\u00edculos devem refletir a realidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Tananarive Due, autora e vencedora do American Book Award<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O que se entende por bibliodiversidade?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Pode entender-se por literatura diversificada <a href=\"https:\/\/diversebooks.org\/5-reasons-why-you-should-read-a-diverse-book-for-your-next-community-read\/#:~:text=Reading%20books%20that%20represent%20different,a%20buffer%20from%20their%20reality.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livros que representam<\/a>\u00a0e contam hist\u00f3rias a partir da perspetiva de muitas culturas, cren\u00e7as e cores de pele, em resumo, livros que n\u00e3o representam apenas a popula\u00e7\u00e3o em n\u00famero dominante.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando a literatura dispon\u00edvel (por exemplo, na biblioteca escolar) apenas apresenta as ideias, os valores, a cultura de um grupo, aqueles que n\u00e3o se identificam com esses pontos de vista, personagens ou cen\u00e1rio podem sentir-se pouco valorizados. Por outro lado, os que se sentem representados nessas obras, podem entender-se como detentores da verdade absoluta e menosprezar pontos de vista diferentes dos seus.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, quando os livros expostos nas estantes das bibliotecas escolares representam diferentes habilidades, culturas, cren\u00e7as e cores de pele, isso\u2026<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>Ajuda os alunos a entenderem melhor os problemas atuais do mundo;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Aumenta a consci\u00eancia de pr\u00e1ticas sociais, valores e sistemas de cren\u00e7as de outras culturas;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Promove a unidade e a empatia: os alunos aprendem a aceitar, compreender, banalizar as diferen\u00e7as;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Promove a intera\u00e7\u00e3o de alunos de diferentes origens \u00e9tnicas;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Promove o pensamento cr\u00edtico, a reflex\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento pr\u00f3prio;\n<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Promove a capacidade de escolha e a liberdade.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Poderemos falar de bibliotecas inclusivas sem existirem, nas estantes, livros com perspetivas diversificadas?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Poderemos falar de bibliotecas inclusivas sem promovermos atividades em que os alunos contactem com realidades diversas?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel garantir INCLUS\u00c3O sem respeito pela individualidade e pela pluralidade?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma quest\u00e3o a considerar\u2026 quando elaboramos listas de aquisi\u00e7\u00f5es, triamos e incorporamos doa\u00e7\u00f5es ou selecionamos a leitura para a pr\u00f3xima atividade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Gabbat, A. <em>The Guardian<\/em>. Como vencer a proibi\u00e7\u00e3o de livros: alunos, pais e bibliotec\u00e1rios reagem. <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2022\/sep\/20\/us-book-bans-fight-school-library\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2022\/sep\/20\/us-book-bans-fight-school-library<\/a><br \/><\/span><span style=\"font-size: 10pt;\">2. EveryLibrary (2022, 7\/10). <em>Are We Facing a Future Without Diverse Stories?<\/em>. <a href=\"https:\/\/medium.com\/everylibrary\/are-we-facing-a-future-without-diverse-stories-72cbeb02899a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/medium.com\/everylibrary\/are-we-facing-a-future-without-diverse-stories-72cbeb02899a<\/a><br \/><\/span><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/theo_q-601049\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=711273\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Theo_Q<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=711273\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pixabay<\/a>\u00a0. <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/photos\/arte-cores-saskatoon-mural-711273\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pixabay.com\/pt\/photos\/arte-cores-saskatoon-mural-711273\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos Estados Unidos, chegam not\u00edcias recorrentes de obras proibidas em bibliotecas escolares, chegando mesmo a falar-se de ondas de proibi\u00e7\u00f5es massivas de leitura. Impotentes, os autores, deparam-se com as suas obras em listas negras das escolas, sob pretextos inacredit\u00e1veis. Em setembro de 2022, um novo relat\u00f3rio da Pen America apontava para 2.500 proibi\u00e7\u00f5es de livros diferentes promulgadas em escolas em 32 estados dos EUA durante o ano letivo de 2021-2022. Em todo o pa\u00eds, pais, alunos, professores, bibliotec\u00e1rios e grupos comunit\u00e1rios t\u00eam lutado contra os ensaios de proibi\u00e7\u00e3o, derrotando tentativas bem financiadas (por certos grupos pol\u00edticos) de censurar livros que abordam quest\u00f5es de ra\u00e7a, sexualidade e g\u00e9nero. [1] Este \u00e9 um assunto em que vale a pena pensar e relacionar com as bibliotecas escolares em Portugal e com o trabalho que a\u00ed fazemos diariamente, seja o mais t\u00e9cnico de sele\u00e7\u00e3o documental, seja o mais pedag\u00f3gico de abordagem da literacia da leitura. Para que serve a literatura infantil? Esta \u00e9 claramente uma quest\u00e3o provocat\u00f3ria. A literatura serve para alguma coisa, hoje? Tem de servir? Mas esse ser\u00e1 tema de outra conversa e n\u00e3o cumpre o prop\u00f3sito deste artigo. Genericamente pode dizer-se que a literatura permite partilhar as experi\u00eancias de outras pessoas, usar a imagina\u00e7\u00e3o, exercitar o pensamento cr\u00edtico, aprimorar compet\u00eancias lingu\u00edsticas e entender melhor culturas e comunidades. O mesmo se aplica \u00e0 literatura infantil. Os livros e as hist\u00f3rias com que uma crian\u00e7a contacta levam-na para al\u00e9m das viv\u00eancias pr\u00f3prias, tornam-lhe acess\u00edveis as vidas de outras pessoas, imersas em realidades com que nunca contactaram diretamente. E isso leva \u00e0 quest\u00e3o no t\u00edtulo deste artigo: porque \u00e9 fundamental a diversidade nos livros infantis? [2] &#8216;Diversidade&#8217; deveria ser chamada apenas &#8216;realidade&#8217;. Os seus livros, programas de televis\u00e3o, filmes, artigos e curr\u00edculos devem refletir a realidade. \u2014 Tananarive Due, autora e vencedora do American Book Award \u00a0 O que se entende por bibliodiversidade? Pode entender-se por literatura diversificada livros que representam\u00a0e contam hist\u00f3rias a partir da perspetiva de muitas culturas, cren\u00e7as e cores de pele, em resumo, livros que n\u00e3o representam apenas a popula\u00e7\u00e3o em n\u00famero dominante. Quando a literatura dispon\u00edvel (por exemplo, na biblioteca escolar) apenas apresenta as ideias, os valores, a cultura de um grupo, aqueles que n\u00e3o se identificam com esses pontos de vista, personagens ou cen\u00e1rio podem sentir-se pouco valorizados. Por outro lado, os que se sentem representados nessas obras, podem entender-se como detentores da verdade absoluta e menosprezar pontos de vista diferentes dos seus. Pelo contr\u00e1rio, quando os livros expostos nas estantes das bibliotecas escolares representam diferentes habilidades, culturas, cren\u00e7as e cores de pele, isso\u2026 Ajuda os alunos a entenderem melhor os problemas atuais do mundo; Aumenta a consci\u00eancia de pr\u00e1ticas sociais, valores e sistemas de cren\u00e7as de outras culturas; Promove a unidade e a empatia: os alunos aprendem a aceitar, compreender, banalizar as diferen\u00e7as; Promove a intera\u00e7\u00e3o de alunos de diferentes origens \u00e9tnicas; Promove o pensamento cr\u00edtico, a reflex\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento pr\u00f3prio; Promove a capacidade de escolha e a liberdade. \u00a0 Poderemos falar de bibliotecas inclusivas sem existirem, nas estantes, livros com perspetivas diversificadas? Poderemos falar de bibliotecas inclusivas sem promovermos atividades em que os alunos contactem com realidades diversas? \u00c9 poss\u00edvel garantir INCLUS\u00c3O sem respeito pela individualidade e pela pluralidade? Esta \u00e9 uma quest\u00e3o a considerar\u2026 quando elaboramos listas de aquisi\u00e7\u00f5es, triamos e incorporamos doa\u00e7\u00f5es ou selecionamos a leitura para a pr\u00f3xima atividade. \u00a0 Refer\u00eancias 1. Gabbat, A. The Guardian. Como vencer a proibi\u00e7\u00e3o de livros: alunos, pais e bibliotec\u00e1rios reagem. https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2022\/sep\/20\/us-book-bans-fight-school-library2. EveryLibrary (2022, 7\/10). Are We Facing a Future Without Diverse Stories?. https:\/\/medium.com\/everylibrary\/are-we-facing-a-future-without-diverse-stories-72cbeb02899a3. Imagem de\u00a0Theo_Q\u00a0por\u00a0Pixabay\u00a0. https:\/\/pixabay.com\/pt\/photos\/arte-cores-saskatoon-mural-711273\/<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26,146,94,140],"tags":[],"class_list":["post-2650401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliodiversidade","category-literatura","category-literatura-infantojuvenil","category-livros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2650401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2650401"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2650401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086961,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2650401\/revisions\/3086961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2650401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2650401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2650401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}