{"id":2648397,"date":"2022-10-10T09:00:00","date_gmt":"2022-10-10T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2648397.html"},"modified":"2026-05-13T14:31:27","modified_gmt":"2026-05-13T14:31:27","slug":"agora-e-a-minha-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2648397","title":{"rendered":"\u201cAgora \u00e9 a minha vez!\u201d"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-10-12.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22367995_8FNI7.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Leio recorrentemente um conto do escritor americano Herman Melville, intitulado <em>Bartleby<\/em>. Bartleby \u00e9 o personagem principal da hist\u00f3ria, um homem com um car\u00e1cter muito peculiar que, a uma ordem do patr\u00e3o, responde, repetida e insolitamente, a express\u00e3o \u201cPreferia n\u00e3o o fazer\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Como professora bibliotec\u00e1ria com um percurso de apenas quatro anos, tenho de admitir que, por vezes, n\u00e3o raras vezes, me sinto tentada a proferir a mesma express\u00e3o\u2026 Aposto que alguns dos meus colegas, neste momento, come\u00e7am a acenar com a cabe\u00e7a e a concordar comigo\u2026 Mas longe de mim querer incutir ideias desviantes ou subversivas! Acreditem, \u201cPreferia n\u00e3o o fazer!\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tal pensamento toma conta de mim quando, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o concelhia RBE\/SABE com a minha CIBE \u2013 que jamais pensaria \u201cprefiro n\u00e3o o fazer\u201d \u2013, me vejo confrontada com tarefas, prazos, informa\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es, atividades, prioridades, deveres, an\u00e1lises \u2026 Na \u00faltima reuni\u00e3o, os meus ouvidos registaram a express\u00e3o \u201cNovo, p\u00e1!\u201d e, pensando que se tratava de uma novidade, questionei a colega do lado sobre a mesma. A colega n\u00e3o s\u00f3 me dirigiu um olhar em que o sobrolho quase tapava o olho \u2013 uma coisa assustadora! \u2013 como vociferou de forma autorit\u00e1ria e impaciente: \u201cNovo PAA!\u201d Ah!!!!<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nesse mesmo dia, depois da reuni\u00e3o, regressei \u00e0 biblioteca da minha escola. \u00c0 minha espera estava um grupo de alunos e alunas do terceiro ano, para quem as hist\u00f3rias s\u00e3o uma parte do dia e para quem um bom livro \u00e9 aquele que ganha vida quando \u00e9 lido, em voz alta ou em voz baixa, n\u00e3o interessa\u2026 o que interessa \u00e9 que crie um arrepio de espanto, de medo, de estranheza, de ilus\u00e3o\u2026 Tinha prometido ler-lhes, mais uma vez, a hist\u00f3ria do <em>Tio Lobo<\/em> &#8211; n\u00e3o resistem \u00e0 malandrice da Carmela e \u00e0 vingan\u00e7a do tio Lobo&#8230;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim que acabei de ler a hist\u00f3ria, uma aluna levantou a m\u00e3o e informou o resto do grupo: \u201cAgora \u00e9 a minha vez!\u201d e repetiu mais alto para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos colegas: \u201cAgora \u00e9 a minha vez de contar uma hist\u00f3ria!\u201d. Todos os colegas consentiram. Ouvir uma hist\u00f3ria n\u00e3o se recusa, e esta que a Francisca escolheu tratava de uma manta e do seu destino ao longo de gera\u00e7\u00f5es\u2026 Eu tamb\u00e9m ouvi e lamentei ter come\u00e7ado o dia a pensar: \u201cPreferia n\u00e3o o fazer\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Cristina Gon\u00e7alves (professora bibliotec\u00e1ria)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">AE Carlos Amarante, EB1 de Gualtar<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retalhos2.png\" height=\"56\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22370789_kZ6Mu.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><br \/>1. *Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra <a href=\"https:\/\/www.infopedia.pt\/apoio\/artigos\/$retalhos-da-vida-de-um-medico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Retalhos da vida de um m\u00e9dico<\/a>, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>3. Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSc5afn6N2wiyMUUt2SeWXWWIEDXwf6wwUJafLwjDDmTA6phjw\/viewform\">este formul\u00e1rio<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leio recorrentemente um conto do escritor americano Herman Melville, intitulado Bartleby. Bartleby \u00e9 o personagem principal da hist\u00f3ria, um homem com um car\u00e1cter muito peculiar que, a uma ordem do patr\u00e3o, responde, repetida e insolitamente, a express\u00e3o \u201cPreferia n\u00e3o o fazer\u201d. Como professora bibliotec\u00e1ria com um percurso de apenas quatro anos, tenho de admitir que, por vezes, n\u00e3o raras vezes, me sinto tentada a proferir a mesma express\u00e3o\u2026 Aposto que alguns dos meus colegas, neste momento, come\u00e7am a acenar com a cabe\u00e7a e a concordar comigo\u2026 Mas longe de mim querer incutir ideias desviantes ou subversivas! Acreditem, \u201cPreferia n\u00e3o o fazer!\u201d. Tal pensamento toma conta de mim quando, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o concelhia RBE\/SABE com a minha CIBE \u2013 que jamais pensaria \u201cprefiro n\u00e3o o fazer\u201d \u2013, me vejo confrontada com tarefas, prazos, informa\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es, atividades, prioridades, deveres, an\u00e1lises \u2026 Na \u00faltima reuni\u00e3o, os meus ouvidos registaram a express\u00e3o \u201cNovo, p\u00e1!\u201d e, pensando que se tratava de uma novidade, questionei a colega do lado sobre a mesma. A colega n\u00e3o s\u00f3 me dirigiu um olhar em que o sobrolho quase tapava o olho \u2013 uma coisa assustadora! \u2013 como vociferou de forma autorit\u00e1ria e impaciente: \u201cNovo PAA!\u201d Ah!!!! Nesse mesmo dia, depois da reuni\u00e3o, regressei \u00e0 biblioteca da minha escola. \u00c0 minha espera estava um grupo de alunos e alunas do terceiro ano, para quem as hist\u00f3rias s\u00e3o uma parte do dia e para quem um bom livro \u00e9 aquele que ganha vida quando \u00e9 lido, em voz alta ou em voz baixa, n\u00e3o interessa\u2026 o que interessa \u00e9 que crie um arrepio de espanto, de medo, de estranheza, de ilus\u00e3o\u2026 Tinha prometido ler-lhes, mais uma vez, a hist\u00f3ria do Tio Lobo &#8211; n\u00e3o resistem \u00e0 malandrice da Carmela e \u00e0 vingan\u00e7a do tio Lobo&#8230; Assim que acabei de ler a hist\u00f3ria, uma aluna levantou a m\u00e3o e informou o resto do grupo: \u201cAgora \u00e9 a minha vez!\u201d e repetiu mais alto para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos colegas: \u201cAgora \u00e9 a minha vez de contar uma hist\u00f3ria!\u201d. Todos os colegas consentiram. Ouvir uma hist\u00f3ria n\u00e3o se recusa, e esta que a Francisca escolheu tratava de uma manta e do seu destino ao longo de gera\u00e7\u00f5es\u2026 Eu tamb\u00e9m ouvi e lamentei ter come\u00e7ado o dia a pensar: \u201cPreferia n\u00e3o o fazer\u201d. Cristina Gon\u00e7alves (professora bibliotec\u00e1ria) AE Carlos Amarante, EB1 de Gualtar \u00a0 1. *Qualquer semelhan\u00e7a entre o t\u00edtulo desta rubrica e a obra Retalhos da vida de um m\u00e9dico, n\u00e3o \u00e9 pura coincid\u00eancia; \u00e9 uma v\u00e9nia a Fernando Namora. 2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotec\u00e1rios, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, cient\u00edfica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de viv\u00eancias. 3. Se \u00e9 professor bibliotec\u00e1rio e gostaria de partilhar um \u201cretalho\u201d, poder\u00e1 faz\u00ea-lo, submetendo este formul\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[155,163],"tags":[],"class_list":["post-2648397","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-professor-bibliotecario","category-retalhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2648397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2648397"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2648397\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086968,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2648397\/revisions\/3086968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2648397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2648397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2648397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}