{"id":2638834,"date":"2022-09-08T09:48:00","date_gmt":"2022-09-08T09:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2638834.html"},"modified":"2026-05-13T14:33:51","modified_gmt":"2026-05-13T14:33:51","slug":"literacia-muito-para-alem-de-saber-ler-e-escrever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2638834","title":{"rendered":"Literacia: muito para al\u00e9m de saber ler e escrever"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-09-08 (1).png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22353906_aaaHd.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\"><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\">Leitura 4 min |<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p>O Dia Internacional da Literacia \u00e9 uma oportunidade para avaliar o progresso e estimular a celebra\u00e7\u00e3o da literacia como um direito humano essencial que desempenha um papel fundamental nas nossas sociedades.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 1979, apenas 68% da popula\u00e7\u00e3o mundial sabia ler e escrever. Em 2020, este n\u00famero tinha subido para 86,7%. Apesar deste progresso, 771 milh\u00f5es de jovens e adultos em todo o mundo ainda n\u00e3o possuem compet\u00eancias b\u00e1sicas de alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; 60% dos quais s\u00e3o raparigas e mulheres. A COVID-19 est\u00e1 a exacerbar esta quest\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Alfabetiza\u00e7\u00e3o, 8 de setembro de 2022<\/span><\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>Desde 1967, as comemora\u00e7\u00f5es do <a href=\"https:\/\/www.unesco.org\/en\/days\/literacy-day\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dia Internacional da Literacia<\/a> (8 de setembro) acontecem anualmente em todo o mundo para lembrar que esta \u00e9 uma quest\u00e3o de dignidade e direitos humanos e para fazer avan\u00e7ar a agenda dos pa\u00edses em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade mais alfabetizada e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo que os estudos v\u00e3o apontando para a enorme import\u00e2ncia da literacia enquanto m\u00e9trica global para avaliar a sa\u00fade e a compet\u00eancia das comunidades. Altas taxas de literacia correlacionam-se com tudo, desde melhor acesso a oportunidades econ\u00f3micas, a melhor nutri\u00e7\u00e3o e sustentabilidade ambiental, at\u00e9 a mais altas taxas de esperan\u00e7a de vida.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O fortalecimento da literacia global \u00e9 uma ferramenta para um envolvimento significativo com a sociedade e sustenta todos os Objetivos de Desenvolvimento sustent\u00e1vel da UNESCO, reconhecendo-se que ideais como igualdade de g\u00e9nero, infraestruturas sustent\u00e1veis e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e da fome n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis sem popula\u00e7\u00f5es alfabetizadas. \u00c9 uma ferramenta para o progresso humano.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Se hoje \u00e9 claro que literacia determina o sucesso coletivo e que, como diz Audrey Azoulay, \u00e9 um direito humano fundamental relativamente ao qual n\u00f3s, educadores, temos um papel inalien\u00e1vel a desempenhar, \u00e9 igualmente evidente que literacia hoje n\u00e3o \u00e9 o mesmo que em 1967 quando o dia foi criado.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-09-08-1.png\" height=\"720\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22353930_C5739.png\" style=\"width: 483px; padding: 10px 10px;\" width=\"483\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas e at\u00e9 s\u00e9culos, a literacia foi associada exclusivamente \u00e0 capacidade de ler e escrever. \u00c9 muito grave que, em todo o mundo, 771 milh\u00f5es de pessoas ainda n\u00e3o saibam ler e escrever ou que em muitos pa\u00edses subdesenvolvidos ou em desenvolvimento cerca de metade das crian\u00e7as de 10 anos n\u00e3o consigam ler e compreender uma hist\u00f3ria simples.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No entanto a quest\u00e3o assume contornos ainda mais preocupantes, pois literacia, hoje, n\u00e3o pode restringir-se a saber ler e escrever. Quantos conhecem os rudimentos, mas n\u00e3o s\u00e3o efetivamente capazes de usar esse conhecimento para transformarem as suas vidas? Quantos descodificam as mensagens verbais, mas s\u00e3o incapazes de exercerem sobre essas mensagens o necess\u00e1rio pensamento cr\u00edtico? Ou de organizarem as suas ideias para comunicarem de forma clara e assertiva?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>E tudo se complexifica, quando saber ler e escrever, refletir e comunicar ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para dominar a literacia, pois a revolu\u00e7\u00e3o digital em curso exige um conceito muito mais robusto: a literacia \u00e9 hoje entendida pela UNESCO como \u201cum meio de identifica\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o num mundo cada vez mais digital, mediado por texto, rico em informa\u00e7\u00f5es e em r\u00e1pida mudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Face \u00e0s dificuldades globais e aos retrocessos provocados pela pandemia COVID 19 na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, em 2022, este dia \u00e9 assinalado sob o tema \u00abTransforming Literacy Learning Spaces\u00bb, configurando uma oportunidade de repensar a import\u00e2ncia fundamental dos espa\u00e7os de aprendizagem para a constru\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia e como garantia de educa\u00e7\u00e3o de qualidade, equitativa e inclusiva para todos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Veja o v\u00eddeo da UNESCO:<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dzbRSFg4aR4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" loading=\"lazy\"><\/iframe><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste Dia Internacional da Literacia, recordamos o compromisso a que as bibliotecas escolares est\u00e3o eticamente obrigadas: Contribuir para que os alunos saibam ler e escrever, mas tamb\u00e9m aceder \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e us\u00e1-la, num mundo cada vez mais mediado por ambientes digitais. \u00c9 por isso que, por muitos projetos e atividades, propostas e novidades com que as bibliotecas sejam aliciadas e se envolvam, o fundamental do seu trabalho permanece: contribuir para que todos tenham acesso \u00e0 leitura e \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ou seja, contribuir para o desenvolvimento dos \u00edndices de literacia nas nossas escolas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, 8 de setembro \u00e9 tamb\u00e9m dia das bibliotecas escolares. Que elas sejam espa\u00e7os de aprendizagem de literacia transformados e transformadores: seguros, inclusivos e resilientes e que n\u00e3o deixem ningu\u00e9m para tr\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leitura 4 min | O Dia Internacional da Literacia \u00e9 uma oportunidade para avaliar o progresso e estimular a celebra\u00e7\u00e3o da literacia como um direito humano essencial que desempenha um papel fundamental nas nossas sociedades. Em 1979, apenas 68% da popula\u00e7\u00e3o mundial sabia ler e escrever. Em 2020, este n\u00famero tinha subido para 86,7%. Apesar deste progresso, 771 milh\u00f5es de jovens e adultos em todo o mundo ainda n\u00e3o possuem compet\u00eancias b\u00e1sicas de alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; 60% dos quais s\u00e3o raparigas e mulheres. A COVID-19 est\u00e1 a exacerbar esta quest\u00e3o. Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Alfabetiza\u00e7\u00e3o, 8 de setembro de 2022 Desde 1967, as comemora\u00e7\u00f5es do Dia Internacional da Literacia (8 de setembro) acontecem anualmente em todo o mundo para lembrar que esta \u00e9 uma quest\u00e3o de dignidade e direitos humanos e para fazer avan\u00e7ar a agenda dos pa\u00edses em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade mais alfabetizada e sustent\u00e1vel. H\u00e1 muito tempo que os estudos v\u00e3o apontando para a enorme import\u00e2ncia da literacia enquanto m\u00e9trica global para avaliar a sa\u00fade e a compet\u00eancia das comunidades. Altas taxas de literacia correlacionam-se com tudo, desde melhor acesso a oportunidades econ\u00f3micas, a melhor nutri\u00e7\u00e3o e sustentabilidade ambiental, at\u00e9 a mais altas taxas de esperan\u00e7a de vida. O fortalecimento da literacia global \u00e9 uma ferramenta para um envolvimento significativo com a sociedade e sustenta todos os Objetivos de Desenvolvimento sustent\u00e1vel da UNESCO, reconhecendo-se que ideais como igualdade de g\u00e9nero, infraestruturas sustent\u00e1veis e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e da fome n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis sem popula\u00e7\u00f5es alfabetizadas. \u00c9 uma ferramenta para o progresso humano. Se hoje \u00e9 claro que literacia determina o sucesso coletivo e que, como diz Audrey Azoulay, \u00e9 um direito humano fundamental relativamente ao qual n\u00f3s, educadores, temos um papel inalien\u00e1vel a desempenhar, \u00e9 igualmente evidente que literacia hoje n\u00e3o \u00e9 o mesmo que em 1967 quando o dia foi criado. Durante d\u00e9cadas e at\u00e9 s\u00e9culos, a literacia foi associada exclusivamente \u00e0 capacidade de ler e escrever. \u00c9 muito grave que, em todo o mundo, 771 milh\u00f5es de pessoas ainda n\u00e3o saibam ler e escrever ou que em muitos pa\u00edses subdesenvolvidos ou em desenvolvimento cerca de metade das crian\u00e7as de 10 anos n\u00e3o consigam ler e compreender uma hist\u00f3ria simples. No entanto a quest\u00e3o assume contornos ainda mais preocupantes, pois literacia, hoje, n\u00e3o pode restringir-se a saber ler e escrever. Quantos conhecem os rudimentos, mas n\u00e3o s\u00e3o efetivamente capazes de usar esse conhecimento para transformarem as suas vidas? Quantos descodificam as mensagens verbais, mas s\u00e3o incapazes de exercerem sobre essas mensagens o necess\u00e1rio pensamento cr\u00edtico? Ou de organizarem as suas ideias para comunicarem de forma clara e assertiva? E tudo se complexifica, quando saber ler e escrever, refletir e comunicar ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para dominar a literacia, pois a revolu\u00e7\u00e3o digital em curso exige um conceito muito mais robusto: a literacia \u00e9 hoje entendida pela UNESCO como \u201cum meio de identifica\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o num mundo cada vez mais digital, mediado por texto, rico em informa\u00e7\u00f5es e em r\u00e1pida mudan\u00e7a\u201d. Face \u00e0s dificuldades globais e aos retrocessos provocados pela pandemia COVID 19 na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, em 2022, este dia \u00e9 assinalado sob o tema \u00abTransforming Literacy Learning Spaces\u00bb, configurando uma oportunidade de repensar a import\u00e2ncia fundamental dos espa\u00e7os de aprendizagem para a constru\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia e como garantia de educa\u00e7\u00e3o de qualidade, equitativa e inclusiva para todos. Veja o v\u00eddeo da UNESCO: Neste Dia Internacional da Literacia, recordamos o compromisso a que as bibliotecas escolares est\u00e3o eticamente obrigadas: Contribuir para que os alunos saibam ler e escrever, mas tamb\u00e9m aceder \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e us\u00e1-la, num mundo cada vez mais mediado por ambientes digitais. \u00c9 por isso que, por muitos projetos e atividades, propostas e novidades com que as bibliotecas sejam aliciadas e se envolvam, o fundamental do seu trabalho permanece: contribuir para que todos tenham acesso \u00e0 leitura e \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ou seja, contribuir para o desenvolvimento dos \u00edndices de literacia nas nossas escolas. Assim, 8 de setembro \u00e9 tamb\u00e9m dia das bibliotecas escolares. 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