{"id":2632287,"date":"2022-08-23T09:00:00","date_gmt":"2022-08-23T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2632287.html"},"modified":"2026-05-13T14:35:36","modified_gmt":"2026-05-13T14:35:36","slug":"beneficios-da-escrita-em-grupo-entre-pares-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2632287","title":{"rendered":"Benef\u00edcios da escrita em grupo entre pares"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-03-02.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22252781_5rmZm.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste excerto do livro <em>4 Essential Studies<\/em>, Penny Kittle e Kelly Gallagher explicam porque \u00e9 que t\u00eam alunos espalhados por todo o pa\u00eds a escrever em conjunto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Embora saibamos que o acompanhamento que se faz a cada aluno durante o processo \u00e9 o meio mais eficaz de promover a escrita, deparamo-nos com uma realidade implac\u00e1vel: n\u00e3o conseguimos chegar a todos os alunos quando eles precisam de n\u00f3s. H\u00e1 demasiados alunos e pouco tempo (as turmas de Kelly t\u00eam em m\u00e9dia 38 alunos). Por este motivo, temos de os ajudar a darem <em>feedback<\/em> construtivo uns aos outros. Descobrimos que a forma mais eficaz de o fazer \u00e9 colocar os alunos a escreverem em pequenos grupos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A escrita em grupo, contudo, n\u00e3o deve ser confundida com grupos que editam os trabalhos dos pares. N\u00e3o colocamos os alunos em grupos para editarem os esbo\u00e7os uns dos outros. Temos dois problemas com essa pr\u00e1tica. Em primeiro lugar, o conhecimento que os nossos alunos t\u00eam da gram\u00e1tica e da estrutura fr\u00e1sica, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido. Fazem corre\u00e7\u00f5es indevidas ao editarem os trabalhos dos colegas, ou afirmam simplesmente: \u00abParece-me bem\u00bb e nenhum aluno ganha nada com isso. Em segundo lugar, quando os alunos acreditam que o objetivo de lerem o trabalho de um colega se limita a encontrar erros, ficam com uma vis\u00e3o muito restrita que n\u00e3o corresponde ao que se pretende. Demasiados alunos terminam os seus pr\u00f3prios esbo\u00e7os rapidamente sem mergulharem no conte\u00fado dos mesmos. \u00abA minha v\u00edrgula est\u00e1 no s\u00edtio certo?\u00bb n\u00e3o \u00e9 o mesmo tipo de conversa que \u00abO que sabes sobre o meu irm\u00e3o depois de leres este epis\u00f3dio?\u00bb Queremos que os alunos desejem comunicar bem, n\u00e3o apenas que fa\u00e7am a edi\u00e7\u00e3o dos trabalhos. Procuramos construir uma comunidade onde os alunos trabalham determinadas quest\u00f5es e hesita\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que escrevem juntos. Que interesse tem o texto n\u00e3o ter falhas na edi\u00e7\u00e3o se estiver pouco desenvolvido e for ins\u00edpido?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Embora ambas tenhamos criado grupos que escrevem em conjunto nas nossas salas de aula durante anos, descobrimos que o envolvimento aumentou quando tamb\u00e9m conect\u00e1mos os nossos alunos por todo o pa\u00eds. Estes foram estimulados quando lhes foi dada a oportunidade de interagirem de forma significativa com alunos de outras culturas e origens. Coloc\u00e1mo-los em grupos de seis\u00a0 \u0336 tr\u00eas alunos das turmas da Kelly agrupados com tr\u00eas alunos das turmas da Penny. N\u00e3o lhes solicit\u00e1mos apenas que partilhassem os seus esbo\u00e7os dentro destes pequenos grupos, mas tamb\u00e9m que pedissem rea\u00e7\u00f5es espec\u00edficas aos membros do grupo no Flipgrid.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O que entendemos por rea\u00e7\u00f5es espec\u00edficas? Todos n\u00f3s j\u00e1 tivemos alunos que chegam ao p\u00e9 de n\u00f3s e, pousando o esbo\u00e7o do trabalho, dizem: \u00abPode ajudar-me?\u00bb Trata-se do ato \u201cincapacidade de tomar decis\u00f5es\u201d, aprendido pelos alunos &#8211; um exemplo de jovens escritores que atribuem o processo de tomada de decis\u00e3o ao professor. Os alunos devem ir mais al\u00e9m. Exigimos que pe\u00e7am aos colegas de grupo feedback espec\u00edfico sobre os seus esbo\u00e7os. Para exemplificar o que pretendemos, fazemos n\u00f3s a primeira vez. Por exemplo, os pedidos no Flipgrid foram os seguintes:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Kelly: \u00abObrigada por aceitares dar uma vista de olhos ao meu trabalho. H\u00e1 duas coisas que gostava que visses com aten\u00e7\u00e3o. A primeira \u00e9 a parte em que eu grito \u201cP\u00e1ra!\u201d e ao mesmo tempo a minha m\u00e3e grita \u201cP\u00e1ra!\u201d. N\u00e3o sei, parece-me um pouco pesad\u00e3o e estranho. Por isso, pergunto-me se, como leitora, concordas com essa parte. A outra quest\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 tr\u00eas momentos diferentes no texto em que eu digo que o meu pai e eu fech\u00e1mos os olhos um ao outro. Foi uma repeti\u00e7\u00e3o intencional. Pergunto-me se funcionou contigo. Parece-te que foi for\u00e7ada? Foi lamechas? Ou funcionou? Ser\u00e1 que reparaste nisso? Por favor, podes dar uma vista de olhos?\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Penny: &#8220;Espero que possas responder a uma pergunta. Este texto \u00e9 sobretudo sobre o quanto gostei de estar com o meu pai e, no entanto, sinto que toda a primeira parte \u00e9 t\u00e3o obscura que n\u00e3o fica suficientemente clara depois disso\u00a0 \u0336\u00a0 quer dizer, realmente, o ele ter vindo ao meu\u00a0jogo de t\u00e9nis n\u00e3o mostra que esteja muito envolvido\u2026e continua a n\u00e3o estar at\u00e9 ao final da p\u00e1gina 2 e ao in\u00edcio da p\u00e1gina 3 onde come\u00e7o a entrar no que, para mim, realmente importa. Por isso, sinto que h\u00e1 aqui um certo desequil\u00edbrio. Podes comentar o que pensas sobre isto? Obrigada.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Cri\u00e1mos dois modelos diferentes de pedir uma rea\u00e7\u00e3o. A Kelly pediu ajuda para dois momentos espec\u00edficos do seu texto, enquanto a Penny quis saber se as cenas que tinha escolhido contribu\u00edram para a compreens\u00e3o da sua rela\u00e7\u00e3o com o pai ao longo do tempo. A Kelly e a Penny responderam aos pedidos uma da outra, e os alunos tamb\u00e9m reagiram aos esbo\u00e7os das autoras. Depois foi a vez deles.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 Alyssa a pedir feedback ao seu grupo:<br \/>\u00abPreciso de alguns conselhos sobre o final. Sinto-me como se o tivesse precipitado um pouco. Passei muito tempo a explicar a primeira parte e o final \u00e9 como se\u00a0 \u0336\u00a0 Pum!\u00a0 \u0336 isto aconteceu e adeus. Por isso, digam-me o que pensam.\u00bb\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A n\u00edvel nacional, Noelia respondeu:<br \/>\u00abA conclus\u00e3o &#8211; acho que adoraria a tua conclus\u00e3o se pelo menos terminasse quando disseste que estavas inconsciente. Porque quando disseste que estavas \u201csem ap\u00eandice\u201d, parece que j\u00e1 sabemos que vais ser operada, mas quando terminas com \u201cestava inconsciente\u201d cria algum suspense. Por isso penso que seria melhor se acabasse assim&#8230; pode levar o leitor a dizer, \u201cUau, ela vai ser operada\u201d. E deixa-nos em suspense para perguntar o que aconteceu a seguir.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta \u00e9 apenas uma das rea\u00e7\u00f5es que Alyssa recebeu. Agora imagine os contributos que recebeu de outros escritores do seu grupo. O valor que estes contributos representam foi rapidamente multiplicado, uma vez que Alyssa leu, de seguida, cinco ensaios dos alunos do seu grupo e respondeu a cada uma das suas perguntas. Teve de imergir na escrita de outros alunos, o que a exp\u00f4s a todo o tipo de tentativas de escrita que podem ter acabado por influenciar o seu pr\u00f3prio esbo\u00e7o. E todas estas leituras e rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o acompanhadas de uma gratifica\u00e7\u00e3o: os alunos aprendem que o escritor deve especificar o foco do seu pedido de ajuda.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Fora dos grupos de escrita, refor\u00e7amos isto. Nenhum esbo\u00e7o \u00e9 aceite pelo professor, a menos que o aluno escritor tenha feito uma pergunta que conduza o olhar do professor para a leitura do rascunho. Um aluno pode perguntar: &#8220;As minhas transi\u00e7\u00f5es funcionam?&#8221; ou &#8220;Tenho provas suficientes para defender esta posi\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m gostar\u00edamos de registar que a import\u00e2ncia da rea\u00e7\u00e3o dos colegas se estende para al\u00e9m da resposta durante o processo de escrita. Houve alunos a responder uns aos outros na fase de pr\u00e9-escrita. Christian estava a ter dificuldade em definir o foco da sua pesquisa, por isso pediu ajuda no Flipgrid da turma.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abA minha investiga\u00e7\u00e3o debru\u00e7a-se sobre o <em>Queen Mary &#8211;<\/em>\u00a0o navio na Calif\u00f3rnia. A quest\u00e3o principal \u00e9 se as hist\u00f3rias de fantasmas s\u00e3o reais. Depois tenho subt\u00f3picos. Tenho alguns que apenas d\u00e3o o pontap\u00e9 de sa\u00edda para o principal. Aqui est\u00e3o: Quando e de onde veio o navio? Relativamente \u00e0 hist\u00f3ria de o navio ser assombrado, qual foi o principal objetivo e utiliza\u00e7\u00e3o quando foi originalmente constru\u00eddo? Porque \u00e9 que foi transformado num hotel? E depois tenho mais uns subt\u00f3picos &#8211; quero fazer pesquisas sobre os tabuleiros ouija. De facto, quero saber tudo sobre eles&#8230; tudo o que pudermos saber. Quero pesquisar sobre quem fez a lista dos <em>Dez Lugares Mais Assombrados de sempre<\/em>. Quero saber como \u00e9 que eles decidem isso. Porque apenas o dizem, mas n\u00e3o explicam, s\u00f3 fazem uma descri\u00e7\u00e3o de todas as coisas que foram assombradas. N\u00e3o explicam porque \u00e9 que este \u00e9 mais assombrado que os outros. Quero perceber porque \u00e9 que \u00e9 assim. E por agora \u00e9 s\u00f3 isto. Espero que me possam dar algumas ideias que sejam melhores do que as que tenho. Obrigado.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O pensamento de Christian, tal como o de muitos alunos no in\u00edcio do processo de escrita, est\u00e1 disperso. Deveria escrever sobre o <em>Queen Mary<\/em>? Sobre os dez lugares mais assombrados de sempre? Sobre os tabuleiros ouija? Queremos ajudar cada um destes alunos, mas o tempo do professor \u00e9 limitado. Quando os alunos pedem ideias a outros alunos, isso pode ajud\u00e1-los a come\u00e7ar. Joseph publicou uma resposta.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tua pesquisa sobre o <em>Queen Mary<\/em>, e se est\u00e1 ou n\u00e3o assombrado\u2026 de facto, tenho uma amiga que foi l\u00e1 no fim-de-semana passado e me contou como ouviu os canos a retinir \u00e0 dist\u00e2ncia. Poderia tratar-se apenas de efeitos sonoros. Tamb\u00e9m viu que quando tirou uma fotografia, o rosto de um fantasma apareceu. Assim, hoje em dia com a tecnologia, levanta-se a quest\u00e3o de saber se o <em>Queen Mary<\/em> faz ou n\u00e3o isto por causa dos turistas e do dinheiro, ou se \u00e9 realmente real. Portanto, podes pesquisar mais e tentar descobrir se \u00e9 realmente aut\u00eantico ou n\u00e3o.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A resposta de Joseph ignorou grande parte das reflex\u00f5es de Christian e concentrou-se numa quest\u00e3o: ser\u00e1 que os fantasmas existem mesmo?\u00a0 O Christian come\u00e7ou a investigar isso e veio ao escrit\u00f3rio de Penny depois de estar acordado toda a noite a seguir este fio condutor. Ficou intrigado e fascinado. Redirecionou toda a pesquisa para esta perspetiva.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os grupos de escrita fazem mais do que dar <em>feedback<\/em> aos alunos sobre o seu trabalho. Eles criam comunidades.<br \/>Excerto do livro <em>4 Essential Studies: Beliefs and Practices to Reclaim Student Agency, de Penny Kittle e Kelly Gallagher<\/em>. Publicado por Heinemann, Portsmouth, NH. Reimpresso com a permiss\u00e3o da Editora. Todos os direitos reservados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Refer\u00eancia<br \/><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">O artigo \u00ab<a href=\"https:\/\/www.edutopia.org\/article\/penny-kittle-and-kelly-gallagher-benefits-peer-writing-groups\">Penny Kittle e Kelly Gallagher escrevem sobre os benef\u00edcios da escrita em grupo entre pares<\/a>\u00bb foi originalmente publicado no s\u00edtio <a href=\"https:\/\/www.edutopia.org\/\">Edutopia<\/a>. a 14 de janeiro de 2022. Texto traduzido livremente a partir do ingl\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><span>Republica-se o artigo de 04.03.2022<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste excerto do livro 4 Essential Studies, Penny Kittle e Kelly Gallagher explicam porque \u00e9 que t\u00eam alunos espalhados por todo o pa\u00eds a escrever em conjunto. Embora saibamos que o acompanhamento que se faz a cada aluno durante o processo \u00e9 o meio mais eficaz de promover a escrita, deparamo-nos com uma realidade implac\u00e1vel: n\u00e3o conseguimos chegar a todos os alunos quando eles precisam de n\u00f3s. H\u00e1 demasiados alunos e pouco tempo (as turmas de Kelly t\u00eam em m\u00e9dia 38 alunos). Por este motivo, temos de os ajudar a darem feedback construtivo uns aos outros. Descobrimos que a forma mais eficaz de o fazer \u00e9 colocar os alunos a escreverem em pequenos grupos. A escrita em grupo, contudo, n\u00e3o deve ser confundida com grupos que editam os trabalhos dos pares. N\u00e3o colocamos os alunos em grupos para editarem os esbo\u00e7os uns dos outros. Temos dois problemas com essa pr\u00e1tica. Em primeiro lugar, o conhecimento que os nossos alunos t\u00eam da gram\u00e1tica e da estrutura fr\u00e1sica, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido. Fazem corre\u00e7\u00f5es indevidas ao editarem os trabalhos dos colegas, ou afirmam simplesmente: \u00abParece-me bem\u00bb e nenhum aluno ganha nada com isso. Em segundo lugar, quando os alunos acreditam que o objetivo de lerem o trabalho de um colega se limita a encontrar erros, ficam com uma vis\u00e3o muito restrita que n\u00e3o corresponde ao que se pretende. Demasiados alunos terminam os seus pr\u00f3prios esbo\u00e7os rapidamente sem mergulharem no conte\u00fado dos mesmos. \u00abA minha v\u00edrgula est\u00e1 no s\u00edtio certo?\u00bb n\u00e3o \u00e9 o mesmo tipo de conversa que \u00abO que sabes sobre o meu irm\u00e3o depois de leres este epis\u00f3dio?\u00bb Queremos que os alunos desejem comunicar bem, n\u00e3o apenas que fa\u00e7am a edi\u00e7\u00e3o dos trabalhos. Procuramos construir uma comunidade onde os alunos trabalham determinadas quest\u00f5es e hesita\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que escrevem juntos. Que interesse tem o texto n\u00e3o ter falhas na edi\u00e7\u00e3o se estiver pouco desenvolvido e for ins\u00edpido? Embora ambas tenhamos criado grupos que escrevem em conjunto nas nossas salas de aula durante anos, descobrimos que o envolvimento aumentou quando tamb\u00e9m conect\u00e1mos os nossos alunos por todo o pa\u00eds. Estes foram estimulados quando lhes foi dada a oportunidade de interagirem de forma significativa com alunos de outras culturas e origens. Coloc\u00e1mo-los em grupos de seis\u00a0 \u0336 tr\u00eas alunos das turmas da Kelly agrupados com tr\u00eas alunos das turmas da Penny. N\u00e3o lhes solicit\u00e1mos apenas que partilhassem os seus esbo\u00e7os dentro destes pequenos grupos, mas tamb\u00e9m que pedissem rea\u00e7\u00f5es espec\u00edficas aos membros do grupo no Flipgrid. O que entendemos por rea\u00e7\u00f5es espec\u00edficas? Todos n\u00f3s j\u00e1 tivemos alunos que chegam ao p\u00e9 de n\u00f3s e, pousando o esbo\u00e7o do trabalho, dizem: \u00abPode ajudar-me?\u00bb Trata-se do ato \u201cincapacidade de tomar decis\u00f5es\u201d, aprendido pelos alunos &#8211; um exemplo de jovens escritores que atribuem o processo de tomada de decis\u00e3o ao professor. Os alunos devem ir mais al\u00e9m. Exigimos que pe\u00e7am aos colegas de grupo feedback espec\u00edfico sobre os seus esbo\u00e7os. Para exemplificar o que pretendemos, fazemos n\u00f3s a primeira vez. Por exemplo, os pedidos no Flipgrid foram os seguintes: Kelly: \u00abObrigada por aceitares dar uma vista de olhos ao meu trabalho. H\u00e1 duas coisas que gostava que visses com aten\u00e7\u00e3o. A primeira \u00e9 a parte em que eu grito \u201cP\u00e1ra!\u201d e ao mesmo tempo a minha m\u00e3e grita \u201cP\u00e1ra!\u201d. N\u00e3o sei, parece-me um pouco pesad\u00e3o e estranho. Por isso, pergunto-me se, como leitora, concordas com essa parte. A outra quest\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 tr\u00eas momentos diferentes no texto em que eu digo que o meu pai e eu fech\u00e1mos os olhos um ao outro. Foi uma repeti\u00e7\u00e3o intencional. Pergunto-me se funcionou contigo. Parece-te que foi for\u00e7ada? Foi lamechas? Ou funcionou? Ser\u00e1 que reparaste nisso? Por favor, podes dar uma vista de olhos?\u00bb Penny: &#8220;Espero que possas responder a uma pergunta. Este texto \u00e9 sobretudo sobre o quanto gostei de estar com o meu pai e, no entanto, sinto que toda a primeira parte \u00e9 t\u00e3o obscura que n\u00e3o fica suficientemente clara depois disso\u00a0 \u0336\u00a0 quer dizer, realmente, o ele ter vindo ao meu\u00a0jogo de t\u00e9nis n\u00e3o mostra que esteja muito envolvido\u2026e continua a n\u00e3o estar at\u00e9 ao final da p\u00e1gina 2 e ao in\u00edcio da p\u00e1gina 3 onde come\u00e7o a entrar no que, para mim, realmente importa. Por isso, sinto que h\u00e1 aqui um certo desequil\u00edbrio. Podes comentar o que pensas sobre isto? Obrigada.\u00bb Cri\u00e1mos dois modelos diferentes de pedir uma rea\u00e7\u00e3o. A Kelly pediu ajuda para dois momentos espec\u00edficos do seu texto, enquanto a Penny quis saber se as cenas que tinha escolhido contribu\u00edram para a compreens\u00e3o da sua rela\u00e7\u00e3o com o pai ao longo do tempo. A Kelly e a Penny responderam aos pedidos uma da outra, e os alunos tamb\u00e9m reagiram aos esbo\u00e7os das autoras. Depois foi a vez deles. Aqui est\u00e1 Alyssa a pedir feedback ao seu grupo:\u00abPreciso de alguns conselhos sobre o final. Sinto-me como se o tivesse precipitado um pouco. Passei muito tempo a explicar a primeira parte e o final \u00e9 como se\u00a0 \u0336\u00a0 Pum!\u00a0 \u0336 isto aconteceu e adeus. Por isso, digam-me o que pensam.\u00bb\u00a0 A n\u00edvel nacional, Noelia respondeu:\u00abA conclus\u00e3o &#8211; acho que adoraria a tua conclus\u00e3o se pelo menos terminasse quando disseste que estavas inconsciente. Porque quando disseste que estavas \u201csem ap\u00eandice\u201d, parece que j\u00e1 sabemos que vais ser operada, mas quando terminas com \u201cestava inconsciente\u201d cria algum suspense. Por isso penso que seria melhor se acabasse assim&#8230; pode levar o leitor a dizer, \u201cUau, ela vai ser operada\u201d. E deixa-nos em suspense para perguntar o que aconteceu a seguir.\u00bb Esta \u00e9 apenas uma das rea\u00e7\u00f5es que Alyssa recebeu. Agora imagine os contributos que recebeu de outros escritores do seu grupo. O valor que estes contributos representam foi rapidamente multiplicado, uma vez que Alyssa leu, de seguida, cinco ensaios dos alunos do seu grupo e respondeu a cada uma das suas perguntas. Teve de imergir na escrita de outros alunos, o que a exp\u00f4s a todo o tipo de tentativas de escrita que podem ter acabado por influenciar o seu pr\u00f3prio esbo\u00e7o. E todas estas leituras e rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o acompanhadas de uma gratifica\u00e7\u00e3o: os alunos aprendem que o escritor deve especificar o foco do seu pedido de ajuda.\u00a0 Fora dos grupos de escrita, refor\u00e7amos isto. Nenhum esbo\u00e7o \u00e9 aceite pelo professor, a menos que o aluno escritor tenha feito uma pergunta que conduza o olhar do professor para a leitura do rascunho. Um aluno pode perguntar: &#8220;As minhas transi\u00e7\u00f5es funcionam?&#8221; ou &#8220;Tenho provas suficientes para defender esta posi\u00e7\u00e3o?\u201d Tamb\u00e9m gostar\u00edamos de registar que a import\u00e2ncia da rea\u00e7\u00e3o dos colegas se estende para al\u00e9m da resposta durante o processo de escrita. Houve alunos a responder uns aos outros na fase de pr\u00e9-escrita. Christian estava a ter dificuldade em definir o foco da sua pesquisa, por isso pediu ajuda no Flipgrid da turma. \u00abA minha investiga\u00e7\u00e3o debru\u00e7a-se sobre o Queen Mary &#8211;\u00a0o navio na Calif\u00f3rnia. A quest\u00e3o principal \u00e9 se as hist\u00f3rias de fantasmas s\u00e3o reais. Depois tenho subt\u00f3picos. Tenho alguns que apenas d\u00e3o o pontap\u00e9 de sa\u00edda para o principal. Aqui est\u00e3o: Quando e de onde veio o navio? Relativamente \u00e0 hist\u00f3ria de o navio ser assombrado, qual foi o principal objetivo e utiliza\u00e7\u00e3o quando foi originalmente constru\u00eddo? Porque \u00e9 que foi transformado num hotel? E depois tenho mais uns subt\u00f3picos &#8211; quero fazer pesquisas sobre os tabuleiros ouija. De facto, quero saber tudo sobre eles&#8230; tudo o que pudermos saber. Quero pesquisar sobre quem fez a lista dos Dez Lugares Mais Assombrados de sempre. Quero saber como \u00e9 que eles decidem isso. Porque apenas o dizem, mas n\u00e3o explicam, s\u00f3 fazem uma descri\u00e7\u00e3o de todas as coisas que foram assombradas. N\u00e3o explicam porque \u00e9 que este \u00e9 mais assombrado que os outros. Quero perceber porque \u00e9 que \u00e9 assim. E por agora \u00e9 s\u00f3 isto. Espero que me possam dar algumas ideias que sejam melhores do que as que tenho. Obrigado.\u00bb O pensamento de Christian, tal como o de muitos alunos no in\u00edcio do processo de escrita, est\u00e1 disperso. Deveria escrever sobre o Queen Mary? Sobre os dez lugares mais assombrados de sempre? Sobre os tabuleiros ouija? Queremos ajudar cada um destes alunos, mas o tempo do professor \u00e9 limitado. Quando os alunos pedem ideias a outros alunos, isso pode ajud\u00e1-los a come\u00e7ar. Joseph publicou uma resposta. \u00abEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tua pesquisa sobre o Queen Mary, e se est\u00e1 ou n\u00e3o assombrado\u2026 de facto, tenho uma amiga que foi l\u00e1 no fim-de-semana passado e me contou como ouviu os canos a retinir \u00e0 dist\u00e2ncia. Poderia tratar-se apenas de efeitos sonoros. Tamb\u00e9m viu que quando tirou uma fotografia, o rosto de um fantasma apareceu. Assim, hoje em dia com a tecnologia, levanta-se a quest\u00e3o de saber se o Queen Mary faz ou n\u00e3o isto por causa dos turistas e do dinheiro, ou se \u00e9 realmente real. Portanto, podes pesquisar mais e tentar descobrir se \u00e9 realmente aut\u00eantico ou n\u00e3o.\u00bb A resposta de Joseph ignorou grande parte das reflex\u00f5es de Christian e concentrou-se numa quest\u00e3o: ser\u00e1 que os fantasmas existem mesmo?\u00a0 O Christian come\u00e7ou a investigar isso e veio ao escrit\u00f3rio de Penny depois de estar acordado toda a noite a seguir este fio condutor. Ficou intrigado e fascinado. Redirecionou toda a pesquisa para esta perspetiva. Os grupos de escrita fazem mais do que dar feedback aos alunos sobre o seu trabalho. Eles criam comunidades.Excerto do livro 4 Essential Studies: Beliefs and Practices to Reclaim Student Agency, de Penny Kittle e Kelly Gallagher. Publicado por Heinemann, Portsmouth, NH. Reimpresso com a permiss\u00e3o da Editora. Todos os direitos reservados. \u00a0 Refer\u00eanciaO artigo \u00abPenny Kittle e Kelly Gallagher escrevem sobre os benef\u00edcios da escrita em grupo entre pares\u00bb foi originalmente publicado no s\u00edtio Edutopia. a 14 de janeiro de 2022. Texto traduzido livremente a partir do ingl\u00eas. \u00a0 Republica-se o artigo de 04.03.2022<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97],"tags":[],"class_list":["post-2632287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-escrita"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2632287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2632287"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2632287\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087038,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2632287\/revisions\/3087038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2632287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2632287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2632287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}