{"id":2624601,"date":"2022-08-02T09:00:00","date_gmt":"2022-08-02T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2624601.html"},"modified":"2026-05-13T14:37:38","modified_gmt":"2026-05-13T14:37:38","slug":"porque-e-que-os-alunos-devem-escrever-em-todas-as-disciplinas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2624601","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que os alunos devem escrever em todas as disciplinas"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-10-26-2.png\" height=\"480\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22182983_8tekF.png\" style=\"width: 960px; padding: 10px 10px;\" width=\"960\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A escrita melhora a aprendizagem, consolidando a informa\u00e7\u00e3o na mem\u00f3ria de longo prazo, explicam os investigadores. Al\u00e9m disso, eis cinco atividades de escrita interessantes para desenvolver em todas as disciplinas.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para Kyle Pahigian, professora de matem\u00e1tica do 10.\u00ba ano numa escola em Massachusetts, uma aula sobre tri\u00e2ngulos congruentes n\u00e3o come\u00e7a com calculadoras e transferidores. Em vez disso, a professora distribui um mapa do tesouro aos alunos e pede-lhes para escreverem dire\u00e7\u00f5es detalhadas para chegarem ao tesouro enterrado, usando pontos de refer\u00eancia como um guia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o digo diretamente aos alunos \u201cHoje vamos estudar teoremas sobre tri\u00e2ngulos congruentes\u201d\u00bb, disse Pahigian. \u00abEm vez disso, pretendo que eles sintam que est\u00e3o a experimentar e a fazer alguma coisa que sabem fazer bem.\u00bb Muitas vezes, os alunos sentem-se intimidados com a matem\u00e1tica, pelo que transformar a atividade num exerc\u00edcio de escrita alivia a tens\u00e3o associada \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de conceitos dif\u00edceis, disse ela.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na aula de matem\u00e1tica da professora Pahigian, a escrita regular \u00e9 utilizada como uma estrat\u00e9gia de aprendizagem que lhe permite perceber como os seus alunos pensam. \u00abGosto de fazer pequenos exerc\u00edcios de escrita quando estamos a lidar com defini\u00e7\u00f5es\u00bb, disse Pahigian. Em vez de dizer aos alunos o que \u00e9 um pol\u00edgono, por exemplo, opta por lhes mostrar um conjunto de pol\u00edginos e um de n\u00e3o pol\u00edgonos, perguntando-lhes \u00abO que notam? Que diferen\u00e7as veem?\u00bb Os alunos passam alguns minutos a anotar as suas respostas e depois juntam-se em grupos para compararem solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 muito interessante e divertido ver o que eles escreveram, porque consigo perceber as d\u00favidas. Consigo perceber o processo\u00bb, disse Pahigian.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.3102\/0034654320914744\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo recente<\/a> esclarece porque \u00e9 que a escrita \u00e9 uma atividade com tantos benef\u00edcios, n\u00e3o apenas em disciplinas que habitualmente associamos \u00e0 escrita, como a l\u00edngua materna ou hist\u00f3ria, mas em todas as \u00e1reas. O professor catedr\u00e1tico Steve Graham e os seus colegas, do<em> Arizona<\/em> <em>State University&#8217;s Teachers College,<\/em> analisaram 56 estudos procurando perceber os benef\u00edcios da escrita em ci\u00eancias, estudos sociais e matem\u00e1tica, e descobriram que a escrita \u00abmelhorava seriamente a aprendizagem\u00bb em todos os n\u00edveis de ensino. Al\u00e9m de os exerc\u00edcios escritos servirem para o professor avaliar se os alunos compreenderam ou n\u00e3o as mat\u00e9rias, o processo da escrita tamb\u00e9m melhora a capacidade de os alunos recordarem informa\u00e7\u00e3o, fazerem conex\u00f5es entre diferentes conceitos e sintetizarem informa\u00e7\u00e3o de outras formas. De facto, a escrita n\u00e3o \u00e9 apenas uma ferramenta para avaliar a aprendizagem, ela tamb\u00e9m a promove.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DAS APRENDIZAGENS<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Porque \u00e9 que a escrita \u00e9 eficaz? \u00abEscrever sobre os conte\u00fados melhora a aprendizagem, consolidando a informa\u00e7\u00e3o na mem\u00f3ria de longo prazo\u00bb, explicam Graham e os seus colegas, descrevendo um processo conhecido como o efeito de recupera\u00e7\u00e3o. Como a investiga\u00e7\u00e3o anterior demonstrou, a informa\u00e7\u00e3o esquece-se rapidamente se n\u00e3o for refor\u00e7ada, e a escrita ajuda aos alunos a reterem na mem\u00f3ria o que aprenderam.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo mecanismo cognitivo que explica porque \u00e9 que praticar atrav\u00e9s de testes \u00e9 eficaz. Num estudo de 2014, os alunos que realizaram testes pr\u00e1ticos nas aulas de ci\u00eancias e de hist\u00f3ria obtiveram mais 16 pontos percentuais nos exames finais do que aqueles que apenas estudaram. \u00abPraticar a recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o estudada recentemente aumenta a probabilidade de o aluno recuperar essa informa\u00e7\u00e3o no futuro\u00bb, disseram os investigadores do estudo de 2014.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Escrever sobre um t\u00f3pico tamb\u00e9m ajuda os alunos a processar a informa\u00e7\u00e3o a um n\u00edvel mais profundo. Responder a perguntas de escolha m\u00faltipla ou de resposta curta pode ajudar a recuperar informa\u00e7\u00e3o factual, mas registar os pensamentos no papel ajuda os alunos a avaliar ideias diferentes, levando-os a ponderar a import\u00e2ncia de cada uma e a considerar a ordem em que devem ser apresentadas, escrevem Graham e os seus colegas. Ao faz\u00ea-lo, os alunos podem estabelecer novas conex\u00f5es entre ideias, conex\u00f5es que podem n\u00e3o ter estabelecido quando apreenderam a informa\u00e7\u00e3o inicialmente.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>UMA FERRAMENTA METACOGNITIVA<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os alunos acreditam, frequentemente, que compreenderam um assunto, mas se lhes for pedido para escreverem sobre ele e para o explicarem, podem ser reveladas lacunas na compreens\u00e3o. Uma das estrat\u00e9gias de escrita mais eficazes que Graham e os seus colegas descobriram foi o recurso \u00e0 metacogni\u00e7\u00e3o, em que \u00e9 pedido aos alunos n\u00e3o apenas para recuperarem informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para aplicarem o que aprenderam em contextos diferentes, refletindo sobre os m\u00faltiplos \u00e2ngulos de uma opini\u00e3o ou fazendo previs\u00f5es baseadas no que sabem. Por exemplo, em vez de apenas lerem sobre os ecossistemas nos manuais escolares, os alunos podem escrever sobre o impacto que eles pr\u00f3prios causam, analisando a quantidade de lixo que o seu agregado familiar produz ou o impacto ambiental da produ\u00e7\u00e3o dos alimentos que consomem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>5 ESTRAT\u00c9GIAS DE ESCRITA PARA UTILIZAR EM QUALQUER DISCIPLINA<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Eis uma variedade de ideias que os professores partilharam com a Edutopia nos \u00faltimos anos sobre o modo de incorporar a escrita numa grande variedade de disciplinas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rios \u00abPergunto-me\u00bb:<\/strong> Na escola prim\u00e1ria de Crellin, em Oakland, Maryland, os professores encorajavam os alunos a fazerem perguntas, atrav\u00e9s da atividade \u00abPergunto-me\u00bb, promovendo a aprendizagem para al\u00e9m da sala de aula. Depois da visita a um celeiro e um jardim locais, por exemplo, Dave Miller apercebeu-se de que as perguntas dos seus alunos do 5.\u00ba ano sobre animais e plantas ultrapassavam em muito o tempo que ele tinha para lhes responder; por isso, pediu-lhes para escreverem sobre o que n\u00e3o tinha ficado claro para eles ou sobre curiosidades, o que o ajudou a planificar futuras aulas e experi\u00eancias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abSe eles n\u00e3o se perguntam \u201cComo poder\u00edamos sobreviver na Lua?\u201d esse assunto nunca ser\u00e1 explorado\u00bb, disse Dana McCauley, a diretora de Crellin. \u00abMas isso n\u00e3o significa que devam parar de fazer perguntas, porque a interroga\u00e7\u00e3o leva ao pensamento fora da caixa, desenvolvendo o esp\u00edrito cr\u00edtico. \u00c9 ao tentarem perceber e ao refletirem sobre o que est\u00e3o a fazer, que tudo se associa. \u00a0\u00c9 aqui que toda a aprendizagem acontece, onde todas as conex\u00f5es come\u00e7am a ser feitas.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rios de viagem:<\/strong> Todos os alunos na <em>Normal Park Museum Magnet<\/em>, uma escola b\u00e1sica com 3.\u00ba ciclo, em Chattanooga, Tennessee, criaram um di\u00e1rio de viagem para registar as suas aprendizagens. Estes di\u00e1rios inclu\u00edam n\u00e3o apenas gr\u00e1ficos, desenhos e organizadores gr\u00e1ficos, mas tamb\u00e9m enunciados escritos que refletem a aprendizagem dos alunos relativamente a um assunto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando o professor do 5.\u00ba ano Denver Huffstutler iniciou uma unidade sobre ci\u00eancias da terra, pediu aos alunos para se imaginarem exploradores \u00e0 procura de um novo mundo com vida sustent\u00e1vel. Nos seus di\u00e1rios de viagem, os alunos mantiveram registo de tudo o que estavam a aprender, desde o impacto de cat\u00e1strofes provocadas pelo Homem at\u00e9 aos seus desenhos e c\u00e1lculos para um foguet\u00e3o tripulado capaz de atingir planetas distantes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Atividades informais de escrita: <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A escrita pode assustar, por isso os professores da Escola University Park Campus recorreram a atividades informais de escrita, diariamente, para dar voz aos alunos, promover a sua autoestima e compet\u00eancias de pensamento cr\u00edtico. Uma estrat\u00e9gia utilizada em toda a escola, em todas as disciplinas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abO mais importante para mim \u00e9 que n\u00e3o existe censura e as atividades n\u00e3o s\u00e3o demasiado estruturadas\u00bb, disse o professor de ci\u00eancias do 7.\u00ba ano, James Kobialka. \u00abTrata-se de eles registarem as suas pr\u00f3prias ideias, e depois serem capazes de interagir com essas ideias, alter\u00e1-las e rev\u00ea-las se n\u00e3o estiverem corretas.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por exemplo, quando os alunos de Kobialka estavam a aprender sobre a conserva\u00e7\u00e3o da massa, n\u00e3o come\u00e7ou por definir o conceito, mostrou-lhes uma imagem e perguntou-lhes \u00abO que notam sobre os \u00e1tomos de ambos os lados? Como podem explicar isso?\u00bb. Os alunos anotaram as suas observa\u00e7\u00f5es, e a turma chegou a uma defini\u00e7\u00e3o. \u00abA partir da\u00ed\u00bb, disse o professor, \u00abdepois de se chegar a um consenso, pe\u00e7o a algu\u00e9m para escrever no quadro e iremos falar dos conceitos-chave.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Revistas criadas por alunos:<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na aula de \u00e1lgebra de Alessandra King, os alunos criaram uma revista com dezenas de artigos sobre a aplica\u00e7\u00e3o da matem\u00e1tica ao mundo real. Para cada artigo, os alunos selecionaram uma fonte prim\u00e1ria\u00a0 \u0336\u00a0 um artigo da revista Scientific American, por exemplo\u00a0 \u0336\u00a0 leram-no com aten\u00e7\u00e3o e escreveram um resumo. Os alunos escreveram sobre uma grande variedade de assuntos, desde o m\u00e9todo Gerrymandering a fractais nos quadros de Jackson Pollock, at\u00e9 \u00e0s capas de invisibilidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abUma escrita eficaz aclara e organiza os pensamentos, e o ritmo lento da escrita \u00e9 prop\u00edcio \u00e0 aprendizagem, porque permite que os alunos raciocinem com aten\u00e7\u00e3o para se certificarem de que est\u00e3o certos antes de proferirem os seus pensamentos\u00bb, escreveu King. \u00abOs estudos demonstraram que a escrita \u00e9 essencial especificamente para as aulas de matem\u00e1tica; por exemplo, parece que a capacidade de um aluno explicar os conceitos por escrito est\u00e1 relacionada com a capacidade de os compreender e aplicar.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Escrita criativa: <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os ex-professores Ed Kang e Amy Schwartzbach-Kang incorporaram a narra\u00e7\u00e3o e a escrita criativa nas aulas de ci\u00eancias que integram os programas OTL (Ocupa\u00e7\u00e3o de Tempos Livres). Por exemplo, pediram aos alunos para imaginarem uma criatura que pudesse viver num habitat local, o rio Chicago, no caso. De que cor seria? Que caracter\u00edsticas o ajudariam a sobreviver e a defender-se? Como ca\u00e7aria as suas presas? Os alunos escreveram uma hist\u00f3ria sobre a criatura que imaginaram, combinando conceitos de ci\u00eancias com a narrativa criativa.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abH\u00e1 dados cient\u00edficos que sustentam que se devem usar hist\u00f3rias para ajudar as crian\u00e7as a envolverem-se com o conte\u00fado e a criarem significado pessoal\u00bb, explicou Kang, que tem um doutoramento em neuroci\u00eancias. \u00abOuvir factos estimula principalmente as duas \u00e1reas do c\u00e9rebro de processamento da linguagem. Contudo, ao ouvirmos uma hist\u00f3ria, partes adicionais do c\u00e9rebro s\u00e3o ativadas; zonas que envolvem os nossos sentidos e movimentos motores ajudam os ouvintes a \u201csentir\u201d as descri\u00e7\u00f5es.\u00bb<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O artigo <a href=\"https:\/\/www.edutopia.org\/article\/why-students-should-write-all-subjects\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00abPorque \u00e9 que os alunos devem escrever em todas as disciplinas\u00bb<\/a> foi originalmente publicado no s\u00edtio <a href=\"https:\/\/www.edutopia.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Edutopia.<\/a> Texto traduzido livremente a partir do ingl\u00eas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Terada, Y. (2021). Why Students Should Write in All Subjects. <a href=\"https:\/\/www.edutopia.org\/article\/why-students-should-write-all-subjects\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.edutopia.org\/article\/why-students-should-write-all-subjects<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>Republica-se o artigo de 27.10.2021<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escrita melhora a aprendizagem, consolidando a informa\u00e7\u00e3o na mem\u00f3ria de longo prazo, explicam os investigadores. Al\u00e9m disso, eis cinco atividades de escrita interessantes para desenvolver em todas as disciplinas. Para Kyle Pahigian, professora de matem\u00e1tica do 10.\u00ba ano numa escola em Massachusetts, uma aula sobre tri\u00e2ngulos congruentes n\u00e3o come\u00e7a com calculadoras e transferidores. Em vez disso, a professora distribui um mapa do tesouro aos alunos e pede-lhes para escreverem dire\u00e7\u00f5es detalhadas para chegarem ao tesouro enterrado, usando pontos de refer\u00eancia como um guia. \u00abN\u00e3o digo diretamente aos alunos \u201cHoje vamos estudar teoremas sobre tri\u00e2ngulos congruentes\u201d\u00bb, disse Pahigian. \u00abEm vez disso, pretendo que eles sintam que est\u00e3o a experimentar e a fazer alguma coisa que sabem fazer bem.\u00bb Muitas vezes, os alunos sentem-se intimidados com a matem\u00e1tica, pelo que transformar a atividade num exerc\u00edcio de escrita alivia a tens\u00e3o associada \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de conceitos dif\u00edceis, disse ela. Na aula de matem\u00e1tica da professora Pahigian, a escrita regular \u00e9 utilizada como uma estrat\u00e9gia de aprendizagem que lhe permite perceber como os seus alunos pensam. \u00abGosto de fazer pequenos exerc\u00edcios de escrita quando estamos a lidar com defini\u00e7\u00f5es\u00bb, disse Pahigian. Em vez de dizer aos alunos o que \u00e9 um pol\u00edgono, por exemplo, opta por lhes mostrar um conjunto de pol\u00edginos e um de n\u00e3o pol\u00edgonos, perguntando-lhes \u00abO que notam? Que diferen\u00e7as veem?\u00bb Os alunos passam alguns minutos a anotar as suas respostas e depois juntam-se em grupos para compararem solu\u00e7\u00f5es. \u00ab\u00c9 muito interessante e divertido ver o que eles escreveram, porque consigo perceber as d\u00favidas. Consigo perceber o processo\u00bb, disse Pahigian. Um estudo recente esclarece porque \u00e9 que a escrita \u00e9 uma atividade com tantos benef\u00edcios, n\u00e3o apenas em disciplinas que habitualmente associamos \u00e0 escrita, como a l\u00edngua materna ou hist\u00f3ria, mas em todas as \u00e1reas. O professor catedr\u00e1tico Steve Graham e os seus colegas, do Arizona State University&#8217;s Teachers College, analisaram 56 estudos procurando perceber os benef\u00edcios da escrita em ci\u00eancias, estudos sociais e matem\u00e1tica, e descobriram que a escrita \u00abmelhorava seriamente a aprendizagem\u00bb em todos os n\u00edveis de ensino. Al\u00e9m de os exerc\u00edcios escritos servirem para o professor avaliar se os alunos compreenderam ou n\u00e3o as mat\u00e9rias, o processo da escrita tamb\u00e9m melhora a capacidade de os alunos recordarem informa\u00e7\u00e3o, fazerem conex\u00f5es entre diferentes conceitos e sintetizarem informa\u00e7\u00e3o de outras formas. De facto, a escrita n\u00e3o \u00e9 apenas uma ferramenta para avaliar a aprendizagem, ela tamb\u00e9m a promove. \u00a0 CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DAS APRENDIZAGENS Porque \u00e9 que a escrita \u00e9 eficaz? \u00abEscrever sobre os conte\u00fados melhora a aprendizagem, consolidando a informa\u00e7\u00e3o na mem\u00f3ria de longo prazo\u00bb, explicam Graham e os seus colegas, descrevendo um processo conhecido como o efeito de recupera\u00e7\u00e3o. Como a investiga\u00e7\u00e3o anterior demonstrou, a informa\u00e7\u00e3o esquece-se rapidamente se n\u00e3o for refor\u00e7ada, e a escrita ajuda aos alunos a reterem na mem\u00f3ria o que aprenderam. \u00c9 o mesmo mecanismo cognitivo que explica porque \u00e9 que praticar atrav\u00e9s de testes \u00e9 eficaz. Num estudo de 2014, os alunos que realizaram testes pr\u00e1ticos nas aulas de ci\u00eancias e de hist\u00f3ria obtiveram mais 16 pontos percentuais nos exames finais do que aqueles que apenas estudaram. \u00abPraticar a recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o estudada recentemente aumenta a probabilidade de o aluno recuperar essa informa\u00e7\u00e3o no futuro\u00bb, disseram os investigadores do estudo de 2014. Escrever sobre um t\u00f3pico tamb\u00e9m ajuda os alunos a processar a informa\u00e7\u00e3o a um n\u00edvel mais profundo. Responder a perguntas de escolha m\u00faltipla ou de resposta curta pode ajudar a recuperar informa\u00e7\u00e3o factual, mas registar os pensamentos no papel ajuda os alunos a avaliar ideias diferentes, levando-os a ponderar a import\u00e2ncia de cada uma e a considerar a ordem em que devem ser apresentadas, escrevem Graham e os seus colegas. Ao faz\u00ea-lo, os alunos podem estabelecer novas conex\u00f5es entre ideias, conex\u00f5es que podem n\u00e3o ter estabelecido quando apreenderam a informa\u00e7\u00e3o inicialmente. \u00a0 UMA FERRAMENTA METACOGNITIVA Os alunos acreditam, frequentemente, que compreenderam um assunto, mas se lhes for pedido para escreverem sobre ele e para o explicarem, podem ser reveladas lacunas na compreens\u00e3o. Uma das estrat\u00e9gias de escrita mais eficazes que Graham e os seus colegas descobriram foi o recurso \u00e0 metacogni\u00e7\u00e3o, em que \u00e9 pedido aos alunos n\u00e3o apenas para recuperarem informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para aplicarem o que aprenderam em contextos diferentes, refletindo sobre os m\u00faltiplos \u00e2ngulos de uma opini\u00e3o ou fazendo previs\u00f5es baseadas no que sabem. Por exemplo, em vez de apenas lerem sobre os ecossistemas nos manuais escolares, os alunos podem escrever sobre o impacto que eles pr\u00f3prios causam, analisando a quantidade de lixo que o seu agregado familiar produz ou o impacto ambiental da produ\u00e7\u00e3o dos alimentos que consomem. \u00a0 5 ESTRAT\u00c9GIAS DE ESCRITA PARA UTILIZAR EM QUALQUER DISCIPLINA Eis uma variedade de ideias que os professores partilharam com a Edutopia nos \u00faltimos anos sobre o modo de incorporar a escrita numa grande variedade de disciplinas. Di\u00e1rios \u00abPergunto-me\u00bb: Na escola prim\u00e1ria de Crellin, em Oakland, Maryland, os professores encorajavam os alunos a fazerem perguntas, atrav\u00e9s da atividade \u00abPergunto-me\u00bb, promovendo a aprendizagem para al\u00e9m da sala de aula. Depois da visita a um celeiro e um jardim locais, por exemplo, Dave Miller apercebeu-se de que as perguntas dos seus alunos do 5.\u00ba ano sobre animais e plantas ultrapassavam em muito o tempo que ele tinha para lhes responder; por isso, pediu-lhes para escreverem sobre o que n\u00e3o tinha ficado claro para eles ou sobre curiosidades, o que o ajudou a planificar futuras aulas e experi\u00eancias. \u00abSe eles n\u00e3o se perguntam \u201cComo poder\u00edamos sobreviver na Lua?\u201d esse assunto nunca ser\u00e1 explorado\u00bb, disse Dana McCauley, a diretora de Crellin. \u00abMas isso n\u00e3o significa que devam parar de fazer perguntas, porque a interroga\u00e7\u00e3o leva ao pensamento fora da caixa, desenvolvendo o esp\u00edrito cr\u00edtico. \u00c9 ao tentarem perceber e ao refletirem sobre o que est\u00e3o a fazer, que tudo se associa. \u00a0\u00c9 aqui que toda a aprendizagem acontece, onde todas as conex\u00f5es come\u00e7am a ser feitas.\u00bb Di\u00e1rios de viagem: Todos os alunos na Normal Park Museum Magnet, uma escola b\u00e1sica com 3.\u00ba ciclo, em Chattanooga, Tennessee, criaram um di\u00e1rio de viagem para registar as suas aprendizagens. Estes di\u00e1rios inclu\u00edam n\u00e3o apenas gr\u00e1ficos, desenhos e organizadores gr\u00e1ficos, mas tamb\u00e9m enunciados escritos que refletem a aprendizagem dos alunos relativamente a um assunto. Quando o professor do 5.\u00ba ano Denver Huffstutler iniciou uma unidade sobre ci\u00eancias da terra, pediu aos alunos para se imaginarem exploradores \u00e0 procura de um novo mundo com vida sustent\u00e1vel. Nos seus di\u00e1rios de viagem, os alunos mantiveram registo de tudo o que estavam a aprender, desde o impacto de cat\u00e1strofes provocadas pelo Homem at\u00e9 aos seus desenhos e c\u00e1lculos para um foguet\u00e3o tripulado capaz de atingir planetas distantes. Atividades informais de escrita: A escrita pode assustar, por isso os professores da Escola University Park Campus recorreram a atividades informais de escrita, diariamente, para dar voz aos alunos, promover a sua autoestima e compet\u00eancias de pensamento cr\u00edtico. Uma estrat\u00e9gia utilizada em toda a escola, em todas as disciplinas. \u00abO mais importante para mim \u00e9 que n\u00e3o existe censura e as atividades n\u00e3o s\u00e3o demasiado estruturadas\u00bb, disse o professor de ci\u00eancias do 7.\u00ba ano, James Kobialka. \u00abTrata-se de eles registarem as suas pr\u00f3prias ideias, e depois serem capazes de interagir com essas ideias, alter\u00e1-las e rev\u00ea-las se n\u00e3o estiverem corretas.\u00bb Por exemplo, quando os alunos de Kobialka estavam a aprender sobre a conserva\u00e7\u00e3o da massa, n\u00e3o come\u00e7ou por definir o conceito, mostrou-lhes uma imagem e perguntou-lhes \u00abO que notam sobre os \u00e1tomos de ambos os lados? Como podem explicar isso?\u00bb. Os alunos anotaram as suas observa\u00e7\u00f5es, e a turma chegou a uma defini\u00e7\u00e3o. \u00abA partir da\u00ed\u00bb, disse o professor, \u00abdepois de se chegar a um consenso, pe\u00e7o a algu\u00e9m para escrever no quadro e iremos falar dos conceitos-chave.\u00bb Revistas criadas por alunos: Na aula de \u00e1lgebra de Alessandra King, os alunos criaram uma revista com dezenas de artigos sobre a aplica\u00e7\u00e3o da matem\u00e1tica ao mundo real. Para cada artigo, os alunos selecionaram uma fonte prim\u00e1ria\u00a0 \u0336\u00a0 um artigo da revista Scientific American, por exemplo\u00a0 \u0336\u00a0 leram-no com aten\u00e7\u00e3o e escreveram um resumo. Os alunos escreveram sobre uma grande variedade de assuntos, desde o m\u00e9todo Gerrymandering a fractais nos quadros de Jackson Pollock, at\u00e9 \u00e0s capas de invisibilidade. \u00abUma escrita eficaz aclara e organiza os pensamentos, e o ritmo lento da escrita \u00e9 prop\u00edcio \u00e0 aprendizagem, porque permite que os alunos raciocinem com aten\u00e7\u00e3o para se certificarem de que est\u00e3o certos antes de proferirem os seus pensamentos\u00bb, escreveu King. \u00abOs estudos demonstraram que a escrita \u00e9 essencial especificamente para as aulas de matem\u00e1tica; por exemplo, parece que a capacidade de um aluno explicar os conceitos por escrito est\u00e1 relacionada com a capacidade de os compreender e aplicar.\u00bb Escrita criativa: Os ex-professores Ed Kang e Amy Schwartzbach-Kang incorporaram a narra\u00e7\u00e3o e a escrita criativa nas aulas de ci\u00eancias que integram os programas OTL (Ocupa\u00e7\u00e3o de Tempos Livres). Por exemplo, pediram aos alunos para imaginarem uma criatura que pudesse viver num habitat local, o rio Chicago, no caso. De que cor seria? Que caracter\u00edsticas o ajudariam a sobreviver e a defender-se? Como ca\u00e7aria as suas presas? Os alunos escreveram uma hist\u00f3ria sobre a criatura que imaginaram, combinando conceitos de ci\u00eancias com a narrativa criativa. \u00abH\u00e1 dados cient\u00edficos que sustentam que se devem usar hist\u00f3rias para ajudar as crian\u00e7as a envolverem-se com o conte\u00fado e a criarem significado pessoal\u00bb, explicou Kang, que tem um doutoramento em neuroci\u00eancias. \u00abOuvir factos estimula principalmente as duas \u00e1reas do c\u00e9rebro de processamento da linguagem. Contudo, ao ouvirmos uma hist\u00f3ria, partes adicionais do c\u00e9rebro s\u00e3o ativadas; zonas que envolvem os nossos sentidos e movimentos motores ajudam os ouvintes a \u201csentir\u201d as descri\u00e7\u00f5es.\u00bb \u00a0 O artigo \u00abPorque \u00e9 que os alunos devem escrever em todas as disciplinas\u00bb foi originalmente publicado no s\u00edtio Edutopia. Texto traduzido livremente a partir do ingl\u00eas. \u00a0 Refer\u00eancia Terada, Y. (2021). Why Students Should Write in All Subjects. https:\/\/www.edutopia.org\/article\/why-students-should-write-all-subjects \u00a0 Republica-se o artigo de 27.10.2021<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97],"tags":[],"class_list":["post-2624601","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-escrita"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2624601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2624601"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2624601\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087076,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2624601\/revisions\/3087076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2624601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2624601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2624601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}