{"id":2600275,"date":"2022-05-30T09:00:00","date_gmt":"2022-05-30T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2600275.html"},"modified":"2026-05-13T14:43:59","modified_gmt":"2026-05-13T14:43:59","slug":"ifla-direitos-culturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2600275","title":{"rendered":"IFLA: Direitos Culturais"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-05-30.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22304809_UJgnv.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\">Leitura: 5min |<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para preparar a Confer\u00eancia Mundial sobre Pol\u00edticas Culturais e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Mondiacult 2022, a UNESCO convidou diversas entidades, incluindo a IFLA, para realizar encontros ResiliArt x Mondiacult que, devendo escutar diversas vozes e perspetivas, servir\u00e3o para informar a Mondiacult [<strong>1<\/strong>] que decorrer\u00e1, de 28 a 30 de setembro, no M\u00e9xico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>ResiliArt x Mondiacult: Bibliotecas que permitem um acesso inclusivo e significativo \u00e0 cultura <\/em>promovido pela IFLA [<strong>2<\/strong>], a 23 de fevereiro, discutiu o ponto de vista da biblioteca para o papel da cultura nos desafios globais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Do encontro, a IFLA destaca <strong>6 prioridades e 8 recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong>, dirigidas \u00e0 sociedade civil e formuladores de pol\u00edticas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Prioridades<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>1. Liga\u00e7\u00f5es Cultura-Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio \u201c<strong>fortalecer os v\u00ednculos cultura-educa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d, desenvolvendo parcerias com o setor da cultura e promovendo uma abordagem formal e informal da educa\u00e7\u00e3o porque os curr\u00edculos devem ser significativos, acess\u00edveis e inclusivos, devem estimular a criatividade, cidadania global, identidade cultural e di\u00e1logo entre culturas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2. Inclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria uma pol\u00edtica cultural que garanta que todos t\u00eam oportunidade de participar na vida cultural usando a sua linguagem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, a Rede de Bibliotecas Escolares sublinha a import\u00e2ncia de p\u00f4r em pr\u00e1tica os princ\u00edpios da IFLA\/ UNESCO <em>sobre A Biblioteca Multicultural<\/em> [<strong>3<\/strong>] que assentam no pressuposto que <strong>a l\u00edngua n\u00e3o pode ser fator de discrimina\u00e7\u00e3o <\/strong>e que as bibliotecas devem fornecer informa\u00e7\u00e3o, materiais, servi\u00e7os e colaboradores que reflitam as necessidades e culturas de todos os leitores. Na D\u00e9cada Internacional das L\u00ednguas Ind\u00edgenas (2022-2032) recorda ainda a import\u00e2ncia do patrim\u00f3nio lingu\u00edstico do povo ind\u00edgena.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A abertura da biblioteca a todas as culturas, n\u00e3o significa cair num relativismo cultural, pois deve ser feita no respeito por todos os outros direitos humanos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>3. Conectividade digital<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>As bibliotecas devem garantir que todos tenham acesso \u00e0 internet e oportunidades para desenvolver compet\u00eancias digitais adaptadas \u00e0s suas necessidades e devem criar e providenciar recursos \u00e0 dist\u00e2ncia relevantes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>4. Lei de direitos autorais<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Faz parte da promo\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e cultura, trabalhar com os utilizadores os aspetos legais dos direitos de autor, devendo a biblioteca \u201cpromover a ado\u00e7\u00e3o de <strong>pr\u00e1ticas abertas na produ\u00e7\u00e3o e partilha de conhecimento<\/strong>\u201d, bem como<strong> facilitar a produ\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de livros adaptados a pessoas cegas ou com baixa vis\u00e3o<\/strong>, como prev\u00ea o Tratado de Marrakesh.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>5. Patrim\u00f3nio digital<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para que as bibliotecas possam preservar e tornar acess\u00edveis as suas cole\u00e7\u00f5es, os respons\u00e1veis pela defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas devem garantir que a digitaliza\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e acesso a <em>e-books<\/em>, obras de arte e patrim\u00f3nio cultural se mant\u00e9m <strong>acess\u00edvel, interoper\u00e1vel e pode ser usado para fins p\u00fablicos<\/strong>, como educa\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o. A preserva\u00e7\u00e3o digital deve ser incentivada porque permite <strong>conserva\u00e7\u00e3o a longo prazo e acesso sem restri\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>6. Exclus\u00e3o digital<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A biblioteca escolar deve trabalhar a exclus\u00e3o digital \u2013 que <strong>inclui dificuldades de conectividade, acesso e cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e de compet\u00eancias<\/strong> \u2013 para garantir a participa\u00e7\u00e3o e acesso equitativo \u00e0 cultura digital.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Porque \u201cA UNESCO estava particularmente interessada em receber recomenda\u00e7\u00f5es de mecanismos que permitam que o patrim\u00f3nio\/ criatividade aproveite a transi\u00e7\u00e3o digital e as novas tecnologias\u201d, a IFLA estabelece as seguintes orienta\u00e7\u00f5es para formuladores de pol\u00edticas:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A.<\/strong> Cria\u00e7\u00e3o integrada e coesa de <strong>planos nacionais de conectividade digital, que devem incluir as bibliotecas<\/strong>;<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>B.<\/strong> Parcerias p\u00fablico-privadas \u2013 por exemplo, com empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es &#8211; para conectividade;<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>C.<\/strong> Eventos virtuais podem aumentar participa\u00e7\u00e3o e facilitar servi\u00e7os de tradu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>D.<\/strong> Enfrentar desafios legais para permitir acesso ao patrim\u00f3nio cultural em ambiente digital.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Considerando que &#8211; sobretudo em per\u00edodo de p\u00f3s-pandemia &#8211; parte significativa da nossa vida \u00e9 feita em ambiente em linha, que em Portugal e outros pa\u00edses a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 anterior a este avan\u00e7o tecnol\u00f3gico da sociedade\u00a0 &#8211; em Portugal a lei \u00e9 de 1985 &#8211; e que h\u00e1 necessidade de tratamento justo dos direitos de autor, a IFLA considera que h\u00e1 que tornar a legisla\u00e7\u00e3o menos restritiva e complexa e mais flex\u00edvel para facilitar acesso equitativo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e cultura e que se deve caminhar para uma regulamenta\u00e7\u00e3o global e justa para todos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para que as bibliotecas possam viabilizar o acesso ao patrim\u00f3nio cultural em ambiente digital, \u00e9 necess\u00e1rio criar um mecanismo legal que lhes permita \u201cfazer c\u00f3pias e divulgar o conhecimento contido nas suas cole\u00e7\u00f5es\u201d, bem como dialogar e envolver os criadores nas decis\u00f5es sobre partilha e uso desse material \u2013 as bibliotecas est\u00e3o ligadas aos criadores e suas comunidades e devem ter \u201cum papel maior na promo\u00e7\u00e3o e acesso\u201d \u00e0s suas cria\u00e7\u00f5es. \u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>E. Responder \u00e0 falta de diversidade na express\u00e3o cultural na internet, garantindo que seja multicultural e multilingue<\/strong> e reflexo da sociedade cosmopolita em que vivemos \u2013 \u201cDeve haver um mecanismo em vigor na cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado digital e sele\u00e7\u00e3o de material digital para preserva\u00e7\u00e3o a longo prazo que garanta que o progresso tecnol\u00f3gico sirva o plurilinguismo\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>7. Melhorar a infraestrutura cultural<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cPara que comunidades diversas possam exercer equitativamente seu direito \u00e0 cultura\u201d, <strong>as bibliotecas devem ser os centros culturais da comunidade<\/strong>, disponibilizando em acesso livre exposi\u00e7\u00f5es, confer\u00eancias, programas de atividades art\u00edsticas e culturais. Para refor\u00e7ar este papel <strong>carecem de maior investimento e apoio<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> A pol\u00edtica p\u00fablica deve seguir uma abordagem em direitos humanos e <strong>os direitos culturais devem ser transversais porque transmitem valores e contribuem para realiza\u00e7\u00e3o dos demais direitos<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> A biblioteca deve gerar <strong>oportunidades de aprendizagem n\u00e3o formal e de trocas equitativas de saber e cultura<\/strong> entre todas as pessoas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> Atividades virtuais podem diminuir discrep\u00e2ncias entre comunidades urbanas e rurais e permitir o acesso a pessoas e comunidades marginalizadas, mas <strong>o acesso f\u00edsico \u00e0 cultura deve ser garantido \u2013 o virtual n\u00e3o substitui o presencial<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>4. Inclus\u00e3o e acesso equitativo <\/strong>devem ser integrados no quotidiano de todas as organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, estruturas e servi\u00e7os.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>5. \u201cPol\u00edticas focadas em dados\u201d<\/strong> e dados acess\u00edveis, interoper\u00e1veis e abertos para investiga\u00e7\u00e3o e interesse p\u00fablico, bem como <strong>capacita\u00e7\u00e3o para preserva\u00e7\u00e3o de material cultural<\/strong> em todas as \u00e1reas (audiovisual, digitalizado, material digital).<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>6.<\/strong> \u201c<strong>Os profissionais da biblioteca devem estar entre os atores envolvidos na elabora\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de planos nacionais de educa\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o cultural e inclus\u00e3o digital<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>7. S\u00e3o necess\u00e1rios estudos sobre o impacto da cultura no desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/strong> (ambiente, igualdade de g\u00e9nero, racismo e discrimina\u00e7\u00e3o, democracia, paz\u2026) para que o seu valor \u201cseja reconhecido e compreendido pelos formuladores de pol\u00edticas\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>8.<\/strong> Oportunidades de <strong>forma\u00e7\u00e3o profissional continua para os profissionais de biblioteca, especificamente para desafios emergentes<\/strong> para que \u201cas bibliotecas possam fornecer servi\u00e7os adequados que respondam \u00e0s necessidades em evolu\u00e7\u00e3o de suas comunidades.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A IFLA apresentou estas prioridades e recomenda\u00e7\u00f5es junto da UNESCO que dever\u00e3o ser tidas em considera\u00e7\u00e3o na agenda da pr\u00f3xima Confer\u00eancia Mundial sobre Pol\u00edticas Culturais e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span><\/span><span style=\"font-size: 10pt;\">1. UNESCO. (2022). <em>Mondialcult 2022<\/em>. M\u00e9xico: UNESCO. <a href=\"https:\/\/www.unesco.org\/en\/mondiacult2022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.unesco.org\/en\/mondiacult2022<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. IFLA. (2022, 12 Apr.). <em>ResiliArt x Mondiacult: Library Voices Joining the Global Conversation on Cultural Rights<\/em>. Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/news\/resiliart-x-mondiacult-library-voices-joining-the-global-conversation-on-cultural-rights\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ifla.org\/news\/resiliart-x-mondiacult-library-voices-joining-the-global-conversation-on-cultural-rights\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. IFLA &amp; UNESCO. (2001). <em>The Multicultural Library \u2013 a gateway to a cultural diverse society in dialogue<\/em>. Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/731\/1\/multicultural_library_manifesto-en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/731\/1\/multicultural_library_manifesto-en.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Fonte da imagem: IFLA. (2022, 16 Fev.). <em>ResiliArt x Mondiacult at IFLA \u2013 Meet the Panel and Register Now!<\/em> Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/news\/resiliart-x-mondiacult-at-ifla-meet-the-panel-and-register-now\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ifla.org\/news\/resiliart-x-mondiacult-at-ifla-meet-the-panel-and-register-now\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leitura: 5min | Para preparar a Confer\u00eancia Mundial sobre Pol\u00edticas Culturais e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Mondiacult 2022, a UNESCO convidou diversas entidades, incluindo a IFLA, para realizar encontros ResiliArt x Mondiacult que, devendo escutar diversas vozes e perspetivas, servir\u00e3o para informar a Mondiacult [1] que decorrer\u00e1, de 28 a 30 de setembro, no M\u00e9xico. ResiliArt x Mondiacult: Bibliotecas que permitem um acesso inclusivo e significativo \u00e0 cultura promovido pela IFLA [2], a 23 de fevereiro, discutiu o ponto de vista da biblioteca para o papel da cultura nos desafios globais. Do encontro, a IFLA destaca 6 prioridades e 8 recomenda\u00e7\u00f5es, dirigidas \u00e0 sociedade civil e formuladores de pol\u00edticas. Prioridades 1. Liga\u00e7\u00f5es Cultura-Educa\u00e7\u00e3o \u00c9 necess\u00e1rio \u201cfortalecer os v\u00ednculos cultura-educa\u00e7\u00e3o\u201d, desenvolvendo parcerias com o setor da cultura e promovendo uma abordagem formal e informal da educa\u00e7\u00e3o porque os curr\u00edculos devem ser significativos, acess\u00edveis e inclusivos, devem estimular a criatividade, cidadania global, identidade cultural e di\u00e1logo entre culturas. 2. Inclus\u00e3o \u00c9 necess\u00e1ria uma pol\u00edtica cultural que garanta que todos t\u00eam oportunidade de participar na vida cultural usando a sua linguagem. A prop\u00f3sito, a Rede de Bibliotecas Escolares sublinha a import\u00e2ncia de p\u00f4r em pr\u00e1tica os princ\u00edpios da IFLA\/ UNESCO sobre A Biblioteca Multicultural [3] que assentam no pressuposto que a l\u00edngua n\u00e3o pode ser fator de discrimina\u00e7\u00e3o e que as bibliotecas devem fornecer informa\u00e7\u00e3o, materiais, servi\u00e7os e colaboradores que reflitam as necessidades e culturas de todos os leitores. Na D\u00e9cada Internacional das L\u00ednguas Ind\u00edgenas (2022-2032) recorda ainda a import\u00e2ncia do patrim\u00f3nio lingu\u00edstico do povo ind\u00edgena. A abertura da biblioteca a todas as culturas, n\u00e3o significa cair num relativismo cultural, pois deve ser feita no respeito por todos os outros direitos humanos. 3. Conectividade digital As bibliotecas devem garantir que todos tenham acesso \u00e0 internet e oportunidades para desenvolver compet\u00eancias digitais adaptadas \u00e0s suas necessidades e devem criar e providenciar recursos \u00e0 dist\u00e2ncia relevantes. 4. Lei de direitos autorais Faz parte da promo\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e cultura, trabalhar com os utilizadores os aspetos legais dos direitos de autor, devendo a biblioteca \u201cpromover a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas abertas na produ\u00e7\u00e3o e partilha de conhecimento\u201d, bem como facilitar a produ\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de livros adaptados a pessoas cegas ou com baixa vis\u00e3o, como prev\u00ea o Tratado de Marrakesh. 5. Patrim\u00f3nio digital Para que as bibliotecas possam preservar e tornar acess\u00edveis as suas cole\u00e7\u00f5es, os respons\u00e1veis pela defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas devem garantir que a digitaliza\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e acesso a e-books, obras de arte e patrim\u00f3nio cultural se mant\u00e9m acess\u00edvel, interoper\u00e1vel e pode ser usado para fins p\u00fablicos, como educa\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o. A preserva\u00e7\u00e3o digital deve ser incentivada porque permite conserva\u00e7\u00e3o a longo prazo e acesso sem restri\u00e7\u00f5es. 6. Exclus\u00e3o digital A biblioteca escolar deve trabalhar a exclus\u00e3o digital \u2013 que inclui dificuldades de conectividade, acesso e cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e de compet\u00eancias \u2013 para garantir a participa\u00e7\u00e3o e acesso equitativo \u00e0 cultura digital. Porque \u201cA UNESCO estava particularmente interessada em receber recomenda\u00e7\u00f5es de mecanismos que permitam que o patrim\u00f3nio\/ criatividade aproveite a transi\u00e7\u00e3o digital e as novas tecnologias\u201d, a IFLA estabelece as seguintes orienta\u00e7\u00f5es para formuladores de pol\u00edticas: A. Cria\u00e7\u00e3o integrada e coesa de planos nacionais de conectividade digital, que devem incluir as bibliotecas; B. Parcerias p\u00fablico-privadas \u2013 por exemplo, com empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es &#8211; para conectividade; C. Eventos virtuais podem aumentar participa\u00e7\u00e3o e facilitar servi\u00e7os de tradu\u00e7\u00e3o; D. Enfrentar desafios legais para permitir acesso ao patrim\u00f3nio cultural em ambiente digital. Considerando que &#8211; sobretudo em per\u00edodo de p\u00f3s-pandemia &#8211; parte significativa da nossa vida \u00e9 feita em ambiente em linha, que em Portugal e outros pa\u00edses a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 anterior a este avan\u00e7o tecnol\u00f3gico da sociedade\u00a0 &#8211; em Portugal a lei \u00e9 de 1985 &#8211; e que h\u00e1 necessidade de tratamento justo dos direitos de autor, a IFLA considera que h\u00e1 que tornar a legisla\u00e7\u00e3o menos restritiva e complexa e mais flex\u00edvel para facilitar acesso equitativo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e cultura e que se deve caminhar para uma regulamenta\u00e7\u00e3o global e justa para todos. Para que as bibliotecas possam viabilizar o acesso ao patrim\u00f3nio cultural em ambiente digital, \u00e9 necess\u00e1rio criar um mecanismo legal que lhes permita \u201cfazer c\u00f3pias e divulgar o conhecimento contido nas suas cole\u00e7\u00f5es\u201d, bem como dialogar e envolver os criadores nas decis\u00f5es sobre partilha e uso desse material \u2013 as bibliotecas est\u00e3o ligadas aos criadores e suas comunidades e devem ter \u201cum papel maior na promo\u00e7\u00e3o e acesso\u201d \u00e0s suas cria\u00e7\u00f5es. \u00a0 E. Responder \u00e0 falta de diversidade na express\u00e3o cultural na internet, garantindo que seja multicultural e multilingue e reflexo da sociedade cosmopolita em que vivemos \u2013 \u201cDeve haver um mecanismo em vigor na cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado digital e sele\u00e7\u00e3o de material digital para preserva\u00e7\u00e3o a longo prazo que garanta que o progresso tecnol\u00f3gico sirva o plurilinguismo\u201d. 7. Melhorar a infraestrutura cultural \u201cPara que comunidades diversas possam exercer equitativamente seu direito \u00e0 cultura\u201d, as bibliotecas devem ser os centros culturais da comunidade, disponibilizando em acesso livre exposi\u00e7\u00f5es, confer\u00eancias, programas de atividades art\u00edsticas e culturais. Para refor\u00e7ar este papel carecem de maior investimento e apoio. Recomenda\u00e7\u00f5es 1. A pol\u00edtica p\u00fablica deve seguir uma abordagem em direitos humanos e os direitos culturais devem ser transversais porque transmitem valores e contribuem para realiza\u00e7\u00e3o dos demais direitos. 2. A biblioteca deve gerar oportunidades de aprendizagem n\u00e3o formal e de trocas equitativas de saber e cultura entre todas as pessoas. 3. Atividades virtuais podem diminuir discrep\u00e2ncias entre comunidades urbanas e rurais e permitir o acesso a pessoas e comunidades marginalizadas, mas o acesso f\u00edsico \u00e0 cultura deve ser garantido \u2013 o virtual n\u00e3o substitui o presencial. 4. Inclus\u00e3o e acesso equitativo devem ser integrados no quotidiano de todas as organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, estruturas e servi\u00e7os. 5. \u201cPol\u00edticas focadas em dados\u201d e dados acess\u00edveis, interoper\u00e1veis e abertos para investiga\u00e7\u00e3o e interesse p\u00fablico, bem como capacita\u00e7\u00e3o para preserva\u00e7\u00e3o de material cultural em todas as \u00e1reas (audiovisual, digitalizado, material digital). 6. \u201cOs profissionais da biblioteca devem estar entre os atores envolvidos na elabora\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de planos nacionais de educa\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o cultural e inclus\u00e3o digital.\u201d 7. S\u00e3o necess\u00e1rios estudos sobre o impacto da cultura no desenvolvimento sustent\u00e1vel (ambiente, igualdade de g\u00e9nero, racismo e discrimina\u00e7\u00e3o, democracia, paz\u2026) para que o seu valor \u201cseja reconhecido e compreendido pelos formuladores de pol\u00edticas\u201d. 8. Oportunidades de forma\u00e7\u00e3o profissional continua para os profissionais de biblioteca, especificamente para desafios emergentes para que \u201cas bibliotecas possam fornecer servi\u00e7os adequados que respondam \u00e0s necessidades em evolu\u00e7\u00e3o de suas comunidades.\u201d A IFLA apresentou estas prioridades e recomenda\u00e7\u00f5es junto da UNESCO que dever\u00e3o ser tidas em considera\u00e7\u00e3o na agenda da pr\u00f3xima Confer\u00eancia Mundial sobre Pol\u00edticas Culturais e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. \u00a0 Refer\u00eancias 1. UNESCO. (2022). Mondialcult 2022. M\u00e9xico: UNESCO. https:\/\/www.unesco.org\/en\/mondiacult2022 2. IFLA. (2022, 12 Apr.). ResiliArt x Mondiacult: Library Voices Joining the Global Conversation on Cultural Rights. Netherlands: IFLA. https:\/\/www.ifla.org\/news\/resiliart-x-mondiacult-library-voices-joining-the-global-conversation-on-cultural-rights\/ 3. IFLA &amp; UNESCO. (2001). The Multicultural Library \u2013 a gateway to a cultural diverse society in dialogue. Netherlands: IFLA. https:\/\/repository.ifla.org\/bitstream\/123456789\/731\/1\/multicultural_library_manifesto-en.pdf 4. Fonte da imagem: IFLA. (2022, 16 Fev.). ResiliArt x Mondiacult at IFLA \u2013 Meet the Panel and Register Now! Netherlands: IFLA. https:\/\/www.ifla.org\/news\/resiliart-x-mondiacult-at-ifla-meet-the-panel-and-register-now\/<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[123,42,87],"tags":[],"class_list":["post-2600275","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliotecas","category-cidadania","category-ifla"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2600275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2600275"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2600275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087188,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2600275\/revisions\/3087188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2600275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2600275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2600275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}