{"id":2586609,"date":"2022-04-29T09:00:00","date_gmt":"2022-04-29T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2586609.html"},"modified":"2026-05-13T14:47:14","modified_gmt":"2026-05-13T14:47:14","slug":"as-bibliotecas-tem-uma-arquitetura-propria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2586609","title":{"rendered":"As bibliotecas t\u00eam uma arquitetura pr\u00f3pria\u2026"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-04-29.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22289812_cWoCO.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando se pensa em arquitetura (espa\u00e7os, ambientes\u2026) e bibliotecas imaginamos desde logo que nos encontramos na esfera do edif\u00edcio, do mobili\u00e1rio, dos equipamentos\u2026 No entanto, n\u00e3o \u00e9 por acaso que o quadro estrat\u00e9gico da RBE, no seu eixo S\u00edtios, re\u00fane sistematicamente o f\u00edsico e o digital, como duas faces da mesma moeda que se complementam e n\u00e3o existem de forma independente.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste texto, a reflex\u00e3o ser\u00e1 sobre <strong>arquitetura de informa\u00e7\u00e3o<\/strong>, um conceito fundamental quando se pretende ponderar \u201co desenvolvimento de espa\u00e7os [\u2026] digitais inclusivos, seguros, acolhedores, multifuncionais e flex\u00edveis e que viabilizem as m\u00faltiplas vertentes da a\u00e7\u00e3o da biblioteca\u201d (RBE, 2021, p. 45)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando se concebe o espa\u00e7o de uma biblioteca \u00e9 necess\u00e1rio considerar todos os recursos que se v\u00e3o disponibilizar, todas as diferentes a\u00e7\u00f5es que os utilizadores a\u00ed v\u00e3o desenvolver, as suas necessidades ou dificuldades espec\u00edficas, os fluxos de circula\u00e7\u00e3o\u2026 e ainda projet\u00e1-las para serem esteticamente agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Do mesmo modo, os arquitetos da informa\u00e7\u00e3o determinam as necessidades de informa\u00e7\u00e3o dos utilizadores e definem os caminhos que levam at\u00e9 ela, criando simultaneamente interfaces agrad\u00e1veis para apresentar os conte\u00fados. Pode dizer-se, em termos gerais, que a arquitetura de informa\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es dentro de um espa\u00e7o visual:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cConsiste em tornar claro, aquilo que \u00e9 complexo.&#8221; (R.S Wurman)<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>A arquitetura da informa\u00e7\u00e3o trata, pois, da organiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o com o objetivo de a tornar clara e de criar as estruturas de organiza\u00e7\u00e3o de um s\u00edtio de internet para que o utilizador consiga compreend\u00ea-lo com facilidade. Trata-se de projetar a estrutura, o esqueleto sobre o qual tudo o resto se vai apoiar, seguindo uma regra de ouro: que a informa\u00e7\u00e3o esteja acess\u00edvel e facilmente recuper\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cArquitetura de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a arte e a ci\u00eancia de estruturar e organizar ambientes de informa\u00e7\u00e3o para ajudar as pessoas a satisfazerem suas necessidades de informa\u00e7\u00e3o de forma efetiva.\u201d (Toub)<span style=\"color: #ff0000;\"><\/span><\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Porque \u00e9 que a arquitetura de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante quando se projeta um s\u00edtio de internet?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ignorar a import\u00e2ncia de apostar numa arquitetura de informa\u00e7\u00e3o bem estruturada, resulta frequentemente em s\u00edtios confusos, que geram grandes dificuldades de compreens\u00e3o e desmobilizam os utilizadores \u2013 em termos de biblioteca, pode dizer-se que corresponde a colocar simplesmente os livros nas estantes sem qualquer sistema bibliotecon\u00f3mico a suportar essa arruma\u00e7\u00e3o, algo impens\u00e1vel para os profissionais da ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Voltemos ao conceito de arquitetura. O principal objetivo \u00e9 fazer com que um edif\u00edcio utilize o espa\u00e7o dispon\u00edvel da melhor forma, criando ambientes bem distribu\u00eddos, aliando preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o de um s\u00edtio web, os conceitos s\u00e3o os mesmos: h\u00e1 um espa\u00e7o dispon\u00edvel e \u00e9 necess\u00e1rio distribuir as informa\u00e7\u00f5es de forma l\u00f3gica, hierarquizada e ligada para uma boa perce\u00e7\u00e3o dessa estrutura e, consequentemente, para uma boa experi\u00eancia de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Se n\u00e3o se tiver em conta a experi\u00eancia do utilizador, o resultado pode ser uma p\u00e1gina negativa, com informa\u00e7\u00f5es mal localizadas e uma taxa de acesso muito abaixo do desejado.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O que \u00e9 necess\u00e1rio considerar, quando se pensa a arquitetura da informa\u00e7\u00e3o de um s\u00edtio?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Um s\u00edtio de internet pode ser esteticamente muito agrad\u00e1vel, mas se for confuso, lento, de dif\u00edcil navega\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tiver em conta os utilizadores visados, vai afast\u00e1-los, pois ningu\u00e9m ter\u00e1 vontade de perder tempo na sua navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, uma p\u00e1gina com conte\u00fado claro, organizado e que permita ao utilizador compreender rapidamente as funcionalidades e caminhos sem consultar documenta\u00e7\u00f5es auxiliares, navegando por um percurso fluido, leva \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o de forma intuitiva e a uma melhor experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quanto melhor for experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o, mais tempo o utilizador permanece na p\u00e1gina, conhecendo e utilizando os produtos ou servi\u00e7os e maior \u00e9 a probabilidade de se tornar um utilizador frequente.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De acordo com Steve Krug em <em>N\u00e3o me fa\u00e7a pensar, <\/em>para uma boa disponibiliza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta os seguintes pressupostos:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>Qualquer pessoa com experi\u00eancia mediana, na utiliza\u00e7\u00e3o da Internet deve ser capaz de utilizar um s\u00edtio sem achar o processo frustrante e complicado.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Um s\u00edtio deve ser \u00f3bvio e autoexplicativo: ao aceder, o utilizador deve entender, de imediato, para que serve.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Os utilizadores querem saber imediatamente o que \u00e9 para fazer e como, ou saem e procuram outro lugar.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Se a as a\u00e7\u00f5es a desenvolver implicarem a desperd\u00edcio de tempo, o utilizador vai-se embora.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>O utilizador deve conseguir sempre voltar onde estava sem se perder, ou recome\u00e7ar tudo a partir da p\u00e1gina principal.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>Se o s\u00edtio funcionar bem para o utilizador, ele n\u00e3o vai procurar outros.<\/li>\n<p><\/p>\n<li>H\u00e1 utilizadores que procuram uma caixa de pesquisa assim que abrem um s\u00edtio.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Quais os passos a seguir para construir a arquitetura de um s\u00edtio?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para conseguir um bom resultado, ou seja, uma arquitetura em que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 recuperada com efici\u00eancia, \u00e9 importante considerar as seguintes etapas:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>1. Inventariar o conte\u00fado<br \/><\/strong>Reunir todo o conte\u00fado (ou \u00e1reas de conte\u00fado) e servi\u00e7os que se pretende disponibilizar para estudar a melhor forma de o fazer.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2. Listar e hierarquizar as sec\u00e7\u00f5es<br \/><\/strong>Definir as sec\u00e7\u00f5es e p\u00e1ginas de forma clara, agregando os assuntos por categorias. Esta \u00e9 uma tarefa de base important\u00edssima pois corresponde \u00e0 estrutura da informa\u00e7\u00e3o e \u00e9 determinante para que o acesso a ela seja eficaz.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>3. Nomear as sec\u00e7\u00f5es e subsec\u00e7\u00f5es<br \/><\/strong>Cada t\u00edtulo selecionado tem de ser claro e intuitivo para que o utilizador compreenda facilmente quais os conte\u00fados que agrega.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>4. Criar o mapa do s\u00edtio<br \/><\/strong>O mapa do s\u00edtio \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o visual de todas as p\u00e1ginas j\u00e1 estruturadas. Permite uma vis\u00e3o geral de todo o conte\u00fado e as suas localiza\u00e7\u00f5es dentro da l\u00f3gica aplicada na arquitetura da informa\u00e7\u00e3o utilizada naquele s\u00edtio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>5. Idealizar as linhas gerais do <em>design<br \/><\/em><\/strong>A arquitetura da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 quase indissoci\u00e1vel do design. \u00c9 preciso analisar o conte\u00fado e toda a sua distribui\u00e7\u00e3o. E, depois, pensar nas solu\u00e7\u00f5es visuais e textuais a utilizar para \u201cdar vida\u201d a esse conte\u00fado.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>6. Rever, rever, rever<br \/><\/strong>Se j\u00e1 tem um s\u00edtio e pretende melhorar a sua arquitetura, sugere-se que fa\u00e7a um mapa do s\u00edtio tal como est\u00e1, o que lhe permitir\u00e1 compreender o que est\u00e1 a funcionar bem e o que n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em seguida, fa\u00e7a o mapa de acordo com a estrutura que est\u00e1 a pensar seguir para reorganizar a informa\u00e7\u00e3o, perguntando sistematicamente: \u201cOnde \u00e9 que os meus utilizadores esperam encontrar este conte\u00fado?\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>D\u00ea algum tempo \u00e0 sua arquitetura de informa\u00e7\u00e3o \u2013 talvez um ou dois dias, e depois volte a ela. Muitas vezes, ser\u00e1 poss\u00edvel encontrar coisas que ficaram esquecidas numa primeira fase ou observar as quest\u00f5es de acordo com uma nova perspetiva.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Partilhe o seu mapa com alguns potenciais utilizadores (professores, alunos) que n\u00e3o estejam familiarizados com o projeto e possam trazer novos pontos de vista. A organiza\u00e7\u00e3o faz sentido para eles? Eles sabem onde encontrar informa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este \u00e9 um processo que deve ser periodicamente implementado. Uma arquitetura de informa\u00e7\u00e3o nunca est\u00e1 perfeitamente conclu\u00edda.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>UX e arquitetura da informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Uma das prioridades da arquitetura da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de boas experi\u00eancias de navega\u00e7\u00e3o. Ela insere-se numa \u00e1rea mais ampla, que \u00e9 UX\u00a0(sigla de l\u00edngua inglesa para experi\u00eancia do utilizador).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A UX engloba v\u00e1rios de conceitos: design, arquitetura da informa\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias de conte\u00fado, entre outros, sendo determinante que tudo parta de um bom conhecimento dos utilizadores para\u00a0compreender melhor seus desejos e suas necessidades.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em qualquer projeto, a arquitetura de informa\u00e7\u00e3o tem de conversar com a UX. Mais do que apenas organizar, a arquitetura da informa\u00e7\u00e3o tem um\u00a0<strong>papel estrat\u00e9gico<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sites bem constru\u00eddos&#8230;<br \/><strong>Sem erros de direcionamento\u2026<br \/><\/strong><strong>Com conte\u00fados relevantes para o p\u00fablico-alvo\u2026<br \/><\/strong><strong>Com uma estrutura l\u00f3gica de navega\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2026s\u00e3o mais atrativos e t\u00eam um maior potencial de intera\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>A reter:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O foco est\u00e1 sempre no utilizador e na sua satisfa\u00e7\u00e3o ao navegar. Este \u00e9 um fator cr\u00edtico para \u201co desenvolvimento de espa\u00e7os [\u2026] digitais inclusivos, seguros, acolhedores, multifuncionais e flex\u00edveis e que viabilizem as m\u00faltiplas vertentes da a\u00e7\u00e3o da biblioteca\u201d (RBE, 2021, p. 45)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 10pt;\">Ara\u00fajo, D. (2021) <em>Recapitulando a Arquitetura da Informa\u00e7\u00e3o<\/em>. <a href=\"https:\/\/brasil.uxdesign.cc\/recapitulando-a-arquitetura-da-informacao-37d2125f4848\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/brasil.uxdesign.cc\/recapitulando-a-arquitetura-da-informacao-37d2125f4848<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 10pt;\">Digital House (2021) <em>Arquitetura da informa\u00e7\u00e3o: entenda o que \u00e9, sua rela\u00e7\u00e3o com UX e suas principais metodologias<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.digitalhouse.com\/br\/blog\/arquitetura-da-informacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.digitalhouse.com\/br\/blog\/arquitetura-da-informacao\/<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 10pt;\">Guimar\u00e3es, F. M. (2017). <em>10 Li\u00e7\u00f5es Incr\u00edveis de Usabilidade de \u201cN\u00e3o Me Fa\u00e7a Pensar\u201d<\/em>. <a href=\"https:\/\/medium.com\/aela\/10-li%C3%A7%C3%B5es-incr%C3%ADveis-de-usabilidade-de-n%C3%A3o-me-fa%C3%A7a-pensar-4a8bcaf1ccac\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/medium.com\/aela\/10-li%C3%A7%C3%B5es-incr%C3%ADveis-de-usabilidade-de-n%C3%A3o-me-fa%C3%A7a-pensar-4a8bcaf1ccac<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 10pt;\">McInerney, H. <em>How to Build Information Architecture (IA) that\u2019s a \u201cNo Brainer\u201d<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.vontweb.com\/blog\/how-to-build-information-architecture\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.vontweb.com\/blog\/how-to-build-information-architecture\/<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 10pt;\">Portugal.\u00a0Rede de Bibliotecas Escolares (2021).<em> Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estrat\u00e9gico: 2021-2027<\/em>. <a href=\"https:\/\/rbe.mec.pt\/np4\/file\/890\/qe__21.27.pdf\">https:\/\/rbe.mec.pt\/np4\/file\/890\/qe__21.27.pdf<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 10pt;\">Santana, F. (2017) <em>Arquitetura de Informa\u00e7\u00e3o e o seu prop\u00f3sito<\/em>. <a href=\"https:\/\/coletivoux.com\/arquitetura-de-informa%C3%A7%C3%A3o-e-o-seu-prop%C3%B3sito-29cd278ebdfe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/coletivoux.com\/arquitetura-de-informa%C3%A7%C3%A3o-e-o-seu-prop%C3%B3sito-29cd278ebdfe<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se pensa em arquitetura (espa\u00e7os, ambientes\u2026) e bibliotecas imaginamos desde logo que nos encontramos na esfera do edif\u00edcio, do mobili\u00e1rio, dos equipamentos\u2026 No entanto, n\u00e3o \u00e9 por acaso que o quadro estrat\u00e9gico da RBE, no seu eixo S\u00edtios, re\u00fane sistematicamente o f\u00edsico e o digital, como duas faces da mesma moeda que se complementam e n\u00e3o existem de forma independente. Neste texto, a reflex\u00e3o ser\u00e1 sobre arquitetura de informa\u00e7\u00e3o, um conceito fundamental quando se pretende ponderar \u201co desenvolvimento de espa\u00e7os [\u2026] digitais inclusivos, seguros, acolhedores, multifuncionais e flex\u00edveis e que viabilizem as m\u00faltiplas vertentes da a\u00e7\u00e3o da biblioteca\u201d (RBE, 2021, p. 45) Quando se concebe o espa\u00e7o de uma biblioteca \u00e9 necess\u00e1rio considerar todos os recursos que se v\u00e3o disponibilizar, todas as diferentes a\u00e7\u00f5es que os utilizadores a\u00ed v\u00e3o desenvolver, as suas necessidades ou dificuldades espec\u00edficas, os fluxos de circula\u00e7\u00e3o\u2026 e ainda projet\u00e1-las para serem esteticamente agrad\u00e1veis. Do mesmo modo, os arquitetos da informa\u00e7\u00e3o determinam as necessidades de informa\u00e7\u00e3o dos utilizadores e definem os caminhos que levam at\u00e9 ela, criando simultaneamente interfaces agrad\u00e1veis para apresentar os conte\u00fados. Pode dizer-se, em termos gerais, que a arquitetura de informa\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es dentro de um espa\u00e7o visual: \u201cConsiste em tornar claro, aquilo que \u00e9 complexo.&#8221; (R.S Wurman) A arquitetura da informa\u00e7\u00e3o trata, pois, da organiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o com o objetivo de a tornar clara e de criar as estruturas de organiza\u00e7\u00e3o de um s\u00edtio de internet para que o utilizador consiga compreend\u00ea-lo com facilidade. Trata-se de projetar a estrutura, o esqueleto sobre o qual tudo o resto se vai apoiar, seguindo uma regra de ouro: que a informa\u00e7\u00e3o esteja acess\u00edvel e facilmente recuper\u00e1vel. \u201cArquitetura de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a arte e a ci\u00eancia de estruturar e organizar ambientes de informa\u00e7\u00e3o para ajudar as pessoas a satisfazerem suas necessidades de informa\u00e7\u00e3o de forma efetiva.\u201d (Toub) Porque \u00e9 que a arquitetura de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante quando se projeta um s\u00edtio de internet?\u00a0 Ignorar a import\u00e2ncia de apostar numa arquitetura de informa\u00e7\u00e3o bem estruturada, resulta frequentemente em s\u00edtios confusos, que geram grandes dificuldades de compreens\u00e3o e desmobilizam os utilizadores \u2013 em termos de biblioteca, pode dizer-se que corresponde a colocar simplesmente os livros nas estantes sem qualquer sistema bibliotecon\u00f3mico a suportar essa arruma\u00e7\u00e3o, algo impens\u00e1vel para os profissionais da ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o. Voltemos ao conceito de arquitetura. O principal objetivo \u00e9 fazer com que um edif\u00edcio utilize o espa\u00e7o dispon\u00edvel da melhor forma, criando ambientes bem distribu\u00eddos, aliando preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e pr\u00e1ticas. Na constru\u00e7\u00e3o de um s\u00edtio web, os conceitos s\u00e3o os mesmos: h\u00e1 um espa\u00e7o dispon\u00edvel e \u00e9 necess\u00e1rio distribuir as informa\u00e7\u00f5es de forma l\u00f3gica, hierarquizada e ligada para uma boa perce\u00e7\u00e3o dessa estrutura e, consequentemente, para uma boa experi\u00eancia de utiliza\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o se tiver em conta a experi\u00eancia do utilizador, o resultado pode ser uma p\u00e1gina negativa, com informa\u00e7\u00f5es mal localizadas e uma taxa de acesso muito abaixo do desejado. O que \u00e9 necess\u00e1rio considerar, quando se pensa a arquitetura da informa\u00e7\u00e3o de um s\u00edtio? Um s\u00edtio de internet pode ser esteticamente muito agrad\u00e1vel, mas se for confuso, lento, de dif\u00edcil navega\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tiver em conta os utilizadores visados, vai afast\u00e1-los, pois ningu\u00e9m ter\u00e1 vontade de perder tempo na sua navega\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, uma p\u00e1gina com conte\u00fado claro, organizado e que permita ao utilizador compreender rapidamente as funcionalidades e caminhos sem consultar documenta\u00e7\u00f5es auxiliares, navegando por um percurso fluido, leva \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o de forma intuitiva e a uma melhor experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o. Quanto melhor for experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o, mais tempo o utilizador permanece na p\u00e1gina, conhecendo e utilizando os produtos ou servi\u00e7os e maior \u00e9 a probabilidade de se tornar um utilizador frequente. De acordo com Steve Krug em N\u00e3o me fa\u00e7a pensar, para uma boa disponibiliza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta os seguintes pressupostos: Qualquer pessoa com experi\u00eancia mediana, na utiliza\u00e7\u00e3o da Internet deve ser capaz de utilizar um s\u00edtio sem achar o processo frustrante e complicado. Um s\u00edtio deve ser \u00f3bvio e autoexplicativo: ao aceder, o utilizador deve entender, de imediato, para que serve. Os utilizadores querem saber imediatamente o que \u00e9 para fazer e como, ou saem e procuram outro lugar. Se a as a\u00e7\u00f5es a desenvolver implicarem a desperd\u00edcio de tempo, o utilizador vai-se embora. O utilizador deve conseguir sempre voltar onde estava sem se perder, ou recome\u00e7ar tudo a partir da p\u00e1gina principal. Se o s\u00edtio funcionar bem para o utilizador, ele n\u00e3o vai procurar outros. H\u00e1 utilizadores que procuram uma caixa de pesquisa assim que abrem um s\u00edtio. Quais os passos a seguir para construir a arquitetura de um s\u00edtio? Para conseguir um bom resultado, ou seja, uma arquitetura em que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 recuperada com efici\u00eancia, \u00e9 importante considerar as seguintes etapas: 1. Inventariar o conte\u00fadoReunir todo o conte\u00fado (ou \u00e1reas de conte\u00fado) e servi\u00e7os que se pretende disponibilizar para estudar a melhor forma de o fazer. 2. Listar e hierarquizar as sec\u00e7\u00f5esDefinir as sec\u00e7\u00f5es e p\u00e1ginas de forma clara, agregando os assuntos por categorias. Esta \u00e9 uma tarefa de base important\u00edssima pois corresponde \u00e0 estrutura da informa\u00e7\u00e3o e \u00e9 determinante para que o acesso a ela seja eficaz. 3. Nomear as sec\u00e7\u00f5es e subsec\u00e7\u00f5esCada t\u00edtulo selecionado tem de ser claro e intuitivo para que o utilizador compreenda facilmente quais os conte\u00fados que agrega. 4. Criar o mapa do s\u00edtioO mapa do s\u00edtio \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o visual de todas as p\u00e1ginas j\u00e1 estruturadas. Permite uma vis\u00e3o geral de todo o conte\u00fado e as suas localiza\u00e7\u00f5es dentro da l\u00f3gica aplicada na arquitetura da informa\u00e7\u00e3o utilizada naquele s\u00edtio. 5. Idealizar as linhas gerais do designA arquitetura da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 quase indissoci\u00e1vel do design. \u00c9 preciso analisar o conte\u00fado e toda a sua distribui\u00e7\u00e3o. E, depois, pensar nas solu\u00e7\u00f5es visuais e textuais a utilizar para \u201cdar vida\u201d a esse conte\u00fado. 6. Rever, rever, reverSe j\u00e1 tem um s\u00edtio e pretende melhorar a sua arquitetura, sugere-se que fa\u00e7a um mapa do s\u00edtio tal como est\u00e1, o que lhe permitir\u00e1 compreender o que est\u00e1 a funcionar bem e o que n\u00e3o est\u00e1. Em seguida, fa\u00e7a o mapa de acordo com a estrutura que est\u00e1 a pensar seguir para reorganizar a informa\u00e7\u00e3o, perguntando sistematicamente: \u201cOnde \u00e9 que os meus utilizadores esperam encontrar este conte\u00fado?\u201d D\u00ea algum tempo \u00e0 sua arquitetura de informa\u00e7\u00e3o \u2013 talvez um ou dois dias, e depois volte a ela. Muitas vezes, ser\u00e1 poss\u00edvel encontrar coisas que ficaram esquecidas numa primeira fase ou observar as quest\u00f5es de acordo com uma nova perspetiva. Partilhe o seu mapa com alguns potenciais utilizadores (professores, alunos) que n\u00e3o estejam familiarizados com o projeto e possam trazer novos pontos de vista. A organiza\u00e7\u00e3o faz sentido para eles? Eles sabem onde encontrar informa\u00e7\u00f5es? Este \u00e9 um processo que deve ser periodicamente implementado. Uma arquitetura de informa\u00e7\u00e3o nunca est\u00e1 perfeitamente conclu\u00edda. UX e arquitetura da informa\u00e7\u00e3o Uma das prioridades da arquitetura da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de boas experi\u00eancias de navega\u00e7\u00e3o. Ela insere-se numa \u00e1rea mais ampla, que \u00e9 UX\u00a0(sigla de l\u00edngua inglesa para experi\u00eancia do utilizador). A UX engloba v\u00e1rios de conceitos: design, arquitetura da informa\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias de conte\u00fado, entre outros, sendo determinante que tudo parta de um bom conhecimento dos utilizadores para\u00a0compreender melhor seus desejos e suas necessidades. Em qualquer projeto, a arquitetura de informa\u00e7\u00e3o tem de conversar com a UX. Mais do que apenas organizar, a arquitetura da informa\u00e7\u00e3o tem um\u00a0papel estrat\u00e9gico. Sites bem constru\u00eddos&#8230;Sem erros de direcionamento\u2026Com conte\u00fados relevantes para o p\u00fablico-alvo\u2026Com uma estrutura l\u00f3gica de navega\u00e7\u00e3o\u2026 \u2026s\u00e3o mais atrativos e t\u00eam um maior potencial de intera\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o. A reter: O foco est\u00e1 sempre no utilizador e na sua satisfa\u00e7\u00e3o ao navegar. Este \u00e9 um fator cr\u00edtico para \u201co desenvolvimento de espa\u00e7os [\u2026] digitais inclusivos, seguros, acolhedores, multifuncionais e flex\u00edveis e que viabilizem as m\u00faltiplas vertentes da a\u00e7\u00e3o da biblioteca\u201d (RBE, 2021, p. 45) \u00a0 Refer\u00eancias Ara\u00fajo, D. (2021) Recapitulando a Arquitetura da Informa\u00e7\u00e3o. https:\/\/brasil.uxdesign.cc\/recapitulando-a-arquitetura-da-informacao-37d2125f4848 Digital House (2021) Arquitetura da informa\u00e7\u00e3o: entenda o que \u00e9, sua rela\u00e7\u00e3o com UX e suas principais metodologias. https:\/\/www.digitalhouse.com\/br\/blog\/arquitetura-da-informacao\/ Guimar\u00e3es, F. M. (2017). 10 Li\u00e7\u00f5es Incr\u00edveis de Usabilidade de \u201cN\u00e3o Me Fa\u00e7a Pensar\u201d. https:\/\/medium.com\/aela\/10-li%C3%A7%C3%B5es-incr%C3%ADveis-de-usabilidade-de-n%C3%A3o-me-fa%C3%A7a-pensar-4a8bcaf1ccac McInerney, H. How to Build Information Architecture (IA) that\u2019s a \u201cNo Brainer\u201d. https:\/\/www.vontweb.com\/blog\/how-to-build-information-architecture\/ Portugal.\u00a0Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estrat\u00e9gico: 2021-2027. https:\/\/rbe.mec.pt\/np4\/file\/890\/qe__21.27.pdf Santana, F. (2017) Arquitetura de Informa\u00e7\u00e3o e o seu prop\u00f3sito. https:\/\/coletivoux.com\/arquitetura-de-informa%C3%A7%C3%A3o-e-o-seu-prop%C3%B3sito-29cd278ebdfe<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,151],"tags":[],"class_list":["post-2586609","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientes-digitais","category-presenca-em-linha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2586609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2586609"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2586609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087237,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2586609\/revisions\/3087237"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2586609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2586609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2586609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}