{"id":2583062,"date":"2022-04-21T09:00:00","date_gmt":"2022-04-21T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2583062.html"},"modified":"2026-05-13T14:48:02","modified_gmt":"2026-05-13T14:48:02","slug":"unesco-conhecimento-como-heranca-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2583062","title":{"rendered":"UNESCO: Conhecimento como heran\u00e7a da humanidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-04-21.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22284286_D5yMO.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><span><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio global sobre educa\u00e7\u00e3o da UNESCO, <em>Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o<\/em>, considera que \u00e9 necess\u00e1rio um novo paradigma da educa\u00e7\u00e3o que permita transformar o mundo, tornando-o mais inclusivo, pac\u00edfico e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Coloca tr\u00eas quest\u00f5es que exigem reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o por parte dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o e professores bibliotec\u00e1rios:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A. O que devemos continuar a fazer?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>B. O que devemos abandonar? <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>C. Que necessidades podem ser criativamente inventadas de novo? <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O resumo deste relat\u00f3rio, elaborado pela IFLA [<strong>1<\/strong>], prop\u00f5e uma quarta quest\u00e3o:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>D. Qual \u00e9 o papel das bibliotecas, bibliotec\u00e1rios e profissionais da informa\u00e7\u00e3o a imaginar e cocriar este novo contrato social?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Estas quest\u00f5es orientam a abordagem de todos os t\u00f3picos do relat\u00f3rio, inclusive do <strong>curr\u00edculo<\/strong>, sobre o qual incidiremos esta reflex\u00e3o [<strong>2<\/strong>] que continua em\u00a0<span><a title=\"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/unesco-curriculo-para-a-transicao-2584742\" href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-curriculo-para-a-transicao-2584742\">UNESCO: O curr\u00edculo deve trabalhar o ser humano completo\u00a0<\/a><\/span><span>e <a title=\"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/unesco-curriculo-para-a-transicao-2587110\" href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-curriculo-para-a-transicao-2587110\">UNESCO: Curr\u00edculo para a transi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O curr\u00edculo exige uma abordagem cr\u00edtica, sobre \u201cO que deve ser aprendido\u201d e \u201cO que deve ser desaprendido\u201d, de modo a construir uma base comum de conhecimento que permita <strong>reimaginar<\/strong> (construir uma vis\u00e3o futura partilhada) rotinas e pr\u00e1ticas para a transi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>At\u00e9 2050, horizonte temporal para p\u00f4r em pr\u00e1tica as principais ideias do relat\u00f3rio, literacias, numeracia, artes, tecnologias digitais e cidadania, focadas nas <strong>altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, ci\u00eancia e direitos humanos, <\/strong>s\u00e3o as principais \u00e1reas de trabalho da educa\u00e7\u00e3o para todos ao longo da vida.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A reconceptualiza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo leva a <strong>considerar simultaneamente o conte\u00fado<\/strong> (o que) <strong>e a forma<\/strong> (compet\u00eancias) <strong>como o conhecimento \u00e9 gerado<\/strong>, documentado, reexaminado e posto em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste artigo consideraremos o curr\u00edculo no seu prop\u00f3sito de justi\u00e7a, inclusive ambiental, da ecocidadania.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o deve capacitar as pessoas para corrigir omiss\u00f5es e exclus\u00f5es nos conhecimentos comuns e assegurar que \u00e9 um recurso duradouro e aberto que reflete a diversidade de formas de conhecer e ser no mundo.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">UNESCO, 2021<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>1. Curr\u00edculos para a co-constru\u00e7\u00e3o de um modelo de conhecimento justo e reparador<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo a UNESCO, historicamente <strong>a forma\u00e7\u00e3o tradicional do conhecimento tem contribu\u00eddo para \u201ca constru\u00e7\u00e3o de barreiras\/ divis\u00f5es e reprodu\u00e7\u00e3o de desigualdades\u201d geradoras de discrimina\u00e7\u00e3o, \u00f3dio e conflitos. <\/strong>Propriedade de uma elite que, atrav\u00e9s dele, mant\u00e9m a sua hegemonia nos diversos setores da sociedade, o conhecimento tradicional \u00e9 intencionalmente incompleto (apresenta \u201cexclus\u00f5es\u201d) e \u201crequer corre\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2022-04-21.jpg\" class=\"\" height=\"500\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22284287_zFnO4.jpeg\" style=\"width: 750px; padding: 10px 10px;\" width=\"750\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: center;\">\u201cRica tape\u00e7aria de diferentes caminhos para saber e ser\u201d [<strong>3<\/strong>].<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na sociedade cosmopolita em que vivemos, o conhecimento deve constituir \u201c<strong>heran\u00e7a de toda a humanidade\u201d e contribuir para \u201co enriquecimento e bem-estar coletivo\u201d<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por\u00e9m, para que re\u00fana as perspetivas epistemol\u00f3gicas de todos, \u00e9 necess\u00e1ria a cocria\u00e7\u00e3o de \u201cjusti\u00e7a epist\u00e9mica, cognitiva, reparadora\u201d, que exige envolvimento de todos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este \u00e9 um processo libertador, que passa pela discuss\u00e3o cr\u00edtica de preconceitos, hierarquias e formas de explora\u00e7\u00e3o, herdadas e arbitr\u00e1rias, bem como pela valoriza\u00e7\u00e3o de novas abordagens que alarguem o modelo l\u00f3gico-verbal de racioc\u00ednio, atrav\u00e9s da cr\u00edtica, experimenta\u00e7\u00e3o, criatividade, coopera\u00e7\u00e3o, projetos e resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O curr\u00edculo decorrente desta vis\u00e3o unificadora do conhecimento \u00e9 aberto e comum\/ partilhado &#8211; resulta da intera\u00e7\u00e3o e envolvimento de todos, n\u00e3o tem limites fixos essenciais &#8211; as diversas disciplinas refletem a complexidade do mundo e \u201cnunca \u00e9 organizado como \u2018conhecimento completo\u2019, mas sim informado por um conhecimento que liga diferentes gera\u00e7\u00f5es, transmite o patrim\u00f3nio cultural e d\u00e1 espa\u00e7o para revis\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A leciona\u00e7\u00e3o das suas diferentes \u00e1reas deve iniciar-se com enquadramento hist\u00f3rico e di\u00e1logo intergeracional e a aprendizagem deve entender-se como re-significa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e abordagens.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cEle [o relat\u00f3rio] imagina salas de aula quebrando muros e ligando-se ao mundo l\u00e1 fora, a escola sendo aberta e flex\u00edvel e ajudando aprendentes a aceder a recursos sociais, culturais e ambientais mais vastos.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">IFLA, 2022<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2. Curr\u00edculos de reconstru\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Todas as \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o devem preparar os estudantes para responderem \u00e0 \u201curg\u00eancia da sustentabilidade ambiental\u201d, devendo abandonar tr\u00eas ideias centrais da fabrica\u00e7\u00e3o do conhecimento moderno:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; O mundo \u00e9 objeto exterior (\u201cl\u00e1 fora\u201d) ao ser humano, destinado simplesmente a ser conhecido;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; O homem ocupa posi\u00e7\u00e3o privilegiada (\u201cexcecionalismo\u201d), de dom\u00ednio face aos outros seres;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; O homem tem uma atitude de arrog\u00e2ncia perante a natureza &#8211; \u201cdono e senhor\u201d (Descartes).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cDevemos repensar e reimaginar os curr\u00edculos\u201d para que os estudantes possam aprender que:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; O ser humano pertence e est\u00e1 ligado aos ecossistemas naturais;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Deve manter para com eles uma atitude respeitosa e respons\u00e1vel (\u00e9tica do cuidado);<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Modelos econ\u00f3micos baseados no aumento da produ\u00e7\u00e3o e consumo s\u00e3o incompat\u00edveis com os limites do planeta e futuro da vida na Terra;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 formas de adapta\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e invers\u00e3o da crise ambiental que se traduzem na mudan\u00e7a de valores, h\u00e1bitos, pr\u00e1ticas e estilos de vida;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Os pa\u00edses ricos contribuem em muito maior escala para altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas irrevers\u00edveis e destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de biodiversidade e os pa\u00edses pobres sofrem desproporcionalmente mais os seus efeitos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cMudar a forma como discutimos o mundo vivo nos curr\u00edculos educativos \u00e9 uma estrat\u00e9gia importante para reequilibrar as nossas rela\u00e7\u00f5es com o planeta\u201d. Inclui:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Abordagem intersecional do ambiente (todos os setores em simult\u00e2neo);<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; \u201cPensamento cr\u00edtico e envolvimento c\u00edvico ativo\u201d;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; \u201cConversas intergeracionais sobre pr\u00e1ticas relevantes para viver com o planeta, como as que ocorrem em numerosos movimentos liderados por jovens e comunidade\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Porque vivem h\u00e1 mil\u00e9nios em harmonia com a \u201ccomunidade natural\u201d, os povos ind\u00edgenas experienciam o papel insubstitu\u00edvel de cada ser vivo e cultivam a ideia de que cada um s\u00f3 tira da Terra estritamente o que necessita para sobreviver. Podem dar um importante contributo ao reequil\u00edbrio entre \u201chumano e mundo mais do que humano\u201d, evidenciando que \u201caprendizagem ecol\u00f3gica, intercultural e interdisciplinar\u201d s\u00e3o indissoci\u00e1veis.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Aprender a cuidar do Planeta significa aprender a cuidar uns dos outros: \u201cJusti\u00e7a social \u00e9 insepar\u00e1vel de justi\u00e7a ecol\u00f3gica\u201d. O cuidado \u00e9 uma atitude \u00e9tica que se aprende e tem uma componente afetiva e comunicacional e cognitiva. \u00c9 importante que o curr\u00edculo fa\u00e7a uma abordagem profunda, cient\u00edfica e t\u00e9cnica, de como a Terra \u00e9 documentada e compreendida e de \u201ccomo estas pr\u00e1ticas de conhecimento [objetivo e neutro] se entrela\u00e7am nas pr\u00e1ticas da vida neste planeta degradado\u201d.\u00a0 A \u00e9tica do cuidado ensina-nos a sentir e a ter consci\u00eancia da interliga\u00e7\u00e3o entre todos os seres e o mundo, do seu poder e vulnerabilidade \u2013 \u201cCuidar, cuidar, dar e receber cuidados deve ser inclu\u00eddo nos curr\u00edculos que nos permitem reimaginar juntos os nossos futuros interdependentes.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Propondo a \u201cecologiza\u00e7\u00e3o do setor da educa\u00e7\u00e3o\u201d, o relat\u00f3rio da UNESCO sugere o alargamento do espa\u00e7o tradicional de sala de aula, afirmando a possibilidade de a aprendizagem dever ocorrer em s\u00edtios naturais &#8211; a biosfera \u00e9 contexto de aprendizagem &#8211; espa\u00e7os constru\u00eddos e virtuais. Este ecossistema educacional mais vasto pode ser imaginado como \u201cuma grande biblioteca\u201d:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cPodemos imaginar estes novos ambientes escolares como uma grande biblioteca onde alguns estudantes estudam sozinhos, ligados \u00e0 internet ou n\u00e3o, e outros apresentam o seu trabalho a colegas da turma e professores. Outros est\u00e3o fora da biblioteca em contacto com as pessoas e mundos fora da escola, possivelmente em lugares long\u00ednquos. A biblioteca suporta uma imensa diversidade de situa\u00e7\u00f5es e tempos espaciais. \u00c9 um ambiente completamente novo diferente da estrutura habitual da escola e da sala de aula. Esta biblioteca pode ser tomada literalmente ou como uma met\u00e1fora. Lembra-nos que os tempos e espa\u00e7os escolares precisam de servir como portais ligando os alunos com os conhecimentos comuns [partilhados por todos]\u201d [<strong>4<\/strong>].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 24 Jan.). <em>International Day of Education \u2013 Libraries Contributing to a New Social Contract for Education<\/em> [Resumo da IFLA do Relat\u00f3rio Futuros da Educa\u00e7\u00e3o]. Netherlands: IFLA. <a href=\"https:\/\/www.ifla.org\/news\/international-day-of-education-libraries-contributing-to-a-new-social-contract-for-education\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ifla.org\/news\/international-day-of-education-libraries-contributing-to-a-new-social-contract-for-education\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization [Comiss\u00e3o Internacional sobre os Futuros da Educa\u00e7\u00e3o]. (2021, 10 nov.). <em>Reimagining our futures together: a new social contract for education<\/em> [Part II, Chapter 4, pp. 63-78]. France: UNESCO. <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379381\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379381<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Rede de Bibliotecas Escolares. (2022, 7 abr.). <em>UNESCO: A expans\u00e3o do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050<\/em>. Portugal: RBE. <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-a-expansao-do-direito-a-educacao-2579064\">https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-a-expansao-do-direito-a-educacao-2579064<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. UNESCO, 2021, p. 97.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Fonte das imagens:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. UNESCO. (2021). \u201cReimagining our futures together: a new social contract for education [V\u00eddeo]\u201d, in: United Nations. (2022, 24 jan.). <em>Dia Internacional da Educa\u00e7\u00e3o<\/em>. EUA: UN. <a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/education-day\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/education-day<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Hendry, P. (2018, 6 Nov.). <em>Unplash<\/em>. India: @worldsbetweenlines. <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/oaaRPhOz5Dg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/unsplash.com\/photos\/oaaRPhOz5Dg<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio global sobre educa\u00e7\u00e3o da UNESCO, Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o, considera que \u00e9 necess\u00e1rio um novo paradigma da educa\u00e7\u00e3o que permita transformar o mundo, tornando-o mais inclusivo, pac\u00edfico e sustent\u00e1vel. Coloca tr\u00eas quest\u00f5es que exigem reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o por parte dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o e professores bibliotec\u00e1rios: A. O que devemos continuar a fazer? B. O que devemos abandonar? C. Que necessidades podem ser criativamente inventadas de novo? \u00a0 O resumo deste relat\u00f3rio, elaborado pela IFLA [1], prop\u00f5e uma quarta quest\u00e3o: D. Qual \u00e9 o papel das bibliotecas, bibliotec\u00e1rios e profissionais da informa\u00e7\u00e3o a imaginar e cocriar este novo contrato social? Estas quest\u00f5es orientam a abordagem de todos os t\u00f3picos do relat\u00f3rio, inclusive do curr\u00edculo, sobre o qual incidiremos esta reflex\u00e3o [2] que continua em\u00a0UNESCO: O curr\u00edculo deve trabalhar o ser humano completo\u00a0e UNESCO: Curr\u00edculo para a transi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. O curr\u00edculo exige uma abordagem cr\u00edtica, sobre \u201cO que deve ser aprendido\u201d e \u201cO que deve ser desaprendido\u201d, de modo a construir uma base comum de conhecimento que permita reimaginar (construir uma vis\u00e3o futura partilhada) rotinas e pr\u00e1ticas para a transi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. At\u00e9 2050, horizonte temporal para p\u00f4r em pr\u00e1tica as principais ideias do relat\u00f3rio, literacias, numeracia, artes, tecnologias digitais e cidadania, focadas nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, ci\u00eancia e direitos humanos, s\u00e3o as principais \u00e1reas de trabalho da educa\u00e7\u00e3o para todos ao longo da vida. A reconceptualiza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo leva a considerar simultaneamente o conte\u00fado (o que) e a forma (compet\u00eancias) como o conhecimento \u00e9 gerado, documentado, reexaminado e posto em pr\u00e1tica. Neste artigo consideraremos o curr\u00edculo no seu prop\u00f3sito de justi\u00e7a, inclusive ambiental, da ecocidadania. \u00a0 \u201cA educa\u00e7\u00e3o deve capacitar as pessoas para corrigir omiss\u00f5es e exclus\u00f5es nos conhecimentos comuns e assegurar que \u00e9 um recurso duradouro e aberto que reflete a diversidade de formas de conhecer e ser no mundo.\u201d UNESCO, 2021 \u00a0 1. Curr\u00edculos para a co-constru\u00e7\u00e3o de um modelo de conhecimento justo e reparador Segundo a UNESCO, historicamente a forma\u00e7\u00e3o tradicional do conhecimento tem contribu\u00eddo para \u201ca constru\u00e7\u00e3o de barreiras\/ divis\u00f5es e reprodu\u00e7\u00e3o de desigualdades\u201d geradoras de discrimina\u00e7\u00e3o, \u00f3dio e conflitos. Propriedade de uma elite que, atrav\u00e9s dele, mant\u00e9m a sua hegemonia nos diversos setores da sociedade, o conhecimento tradicional \u00e9 intencionalmente incompleto (apresenta \u201cexclus\u00f5es\u201d) e \u201crequer corre\u00e7\u00f5es\u201d. \u201cRica tape\u00e7aria de diferentes caminhos para saber e ser\u201d [3]. \u00a0 Na sociedade cosmopolita em que vivemos, o conhecimento deve constituir \u201cheran\u00e7a de toda a humanidade\u201d e contribuir para \u201co enriquecimento e bem-estar coletivo\u201d.\u00a0 Por\u00e9m, para que re\u00fana as perspetivas epistemol\u00f3gicas de todos, \u00e9 necess\u00e1ria a cocria\u00e7\u00e3o de \u201cjusti\u00e7a epist\u00e9mica, cognitiva, reparadora\u201d, que exige envolvimento de todos. Este \u00e9 um processo libertador, que passa pela discuss\u00e3o cr\u00edtica de preconceitos, hierarquias e formas de explora\u00e7\u00e3o, herdadas e arbitr\u00e1rias, bem como pela valoriza\u00e7\u00e3o de novas abordagens que alarguem o modelo l\u00f3gico-verbal de racioc\u00ednio, atrav\u00e9s da cr\u00edtica, experimenta\u00e7\u00e3o, criatividade, coopera\u00e7\u00e3o, projetos e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. O curr\u00edculo decorrente desta vis\u00e3o unificadora do conhecimento \u00e9 aberto e comum\/ partilhado &#8211; resulta da intera\u00e7\u00e3o e envolvimento de todos, n\u00e3o tem limites fixos essenciais &#8211; as diversas disciplinas refletem a complexidade do mundo e \u201cnunca \u00e9 organizado como \u2018conhecimento completo\u2019, mas sim informado por um conhecimento que liga diferentes gera\u00e7\u00f5es, transmite o patrim\u00f3nio cultural e d\u00e1 espa\u00e7o para revis\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o.\u201d A leciona\u00e7\u00e3o das suas diferentes \u00e1reas deve iniciar-se com enquadramento hist\u00f3rico e di\u00e1logo intergeracional e a aprendizagem deve entender-se como re-significa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e abordagens. \u00a0 \u201cEle [o relat\u00f3rio] imagina salas de aula quebrando muros e ligando-se ao mundo l\u00e1 fora, a escola sendo aberta e flex\u00edvel e ajudando aprendentes a aceder a recursos sociais, culturais e ambientais mais vastos.\u201d IFLA, 2022 \u00a0 2. Curr\u00edculos de reconstru\u00e7\u00e3o ambiental Todas as \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o devem preparar os estudantes para responderem \u00e0 \u201curg\u00eancia da sustentabilidade ambiental\u201d, devendo abandonar tr\u00eas ideias centrais da fabrica\u00e7\u00e3o do conhecimento moderno: &#8211; O mundo \u00e9 objeto exterior (\u201cl\u00e1 fora\u201d) ao ser humano, destinado simplesmente a ser conhecido; &#8211; O homem ocupa posi\u00e7\u00e3o privilegiada (\u201cexcecionalismo\u201d), de dom\u00ednio face aos outros seres; &#8211; O homem tem uma atitude de arrog\u00e2ncia perante a natureza &#8211; \u201cdono e senhor\u201d (Descartes). \u00a0 \u201cDevemos repensar e reimaginar os curr\u00edculos\u201d para que os estudantes possam aprender que: &#8211; O ser humano pertence e est\u00e1 ligado aos ecossistemas naturais; &#8211; Deve manter para com eles uma atitude respeitosa e respons\u00e1vel (\u00e9tica do cuidado); &#8211; Modelos econ\u00f3micos baseados no aumento da produ\u00e7\u00e3o e consumo s\u00e3o incompat\u00edveis com os limites do planeta e futuro da vida na Terra; &#8211; H\u00e1 formas de adapta\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e invers\u00e3o da crise ambiental que se traduzem na mudan\u00e7a de valores, h\u00e1bitos, pr\u00e1ticas e estilos de vida; &#8211; Os pa\u00edses ricos contribuem em muito maior escala para altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas irrevers\u00edveis e destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de biodiversidade e os pa\u00edses pobres sofrem desproporcionalmente mais os seus efeitos. \u00a0 \u201cMudar a forma como discutimos o mundo vivo nos curr\u00edculos educativos \u00e9 uma estrat\u00e9gia importante para reequilibrar as nossas rela\u00e7\u00f5es com o planeta\u201d. Inclui: &#8211; Abordagem intersecional do ambiente (todos os setores em simult\u00e2neo); &#8211; \u201cPensamento cr\u00edtico e envolvimento c\u00edvico ativo\u201d; &#8211; \u201cConversas intergeracionais sobre pr\u00e1ticas relevantes para viver com o planeta, como as que ocorrem em numerosos movimentos liderados por jovens e comunidade\u201d. \u00a0 Porque vivem h\u00e1 mil\u00e9nios em harmonia com a \u201ccomunidade natural\u201d, os povos ind\u00edgenas experienciam o papel insubstitu\u00edvel de cada ser vivo e cultivam a ideia de que cada um s\u00f3 tira da Terra estritamente o que necessita para sobreviver. Podem dar um importante contributo ao reequil\u00edbrio entre \u201chumano e mundo mais do que humano\u201d, evidenciando que \u201caprendizagem ecol\u00f3gica, intercultural e interdisciplinar\u201d s\u00e3o indissoci\u00e1veis. Aprender a cuidar do Planeta significa aprender a cuidar uns dos outros: \u201cJusti\u00e7a social \u00e9 insepar\u00e1vel de justi\u00e7a ecol\u00f3gica\u201d. O cuidado \u00e9 uma atitude \u00e9tica que se aprende e tem uma componente afetiva e comunicacional e cognitiva. \u00c9 importante que o curr\u00edculo fa\u00e7a uma abordagem profunda, cient\u00edfica e t\u00e9cnica, de como a Terra \u00e9 documentada e compreendida e de \u201ccomo estas pr\u00e1ticas de conhecimento [objetivo e neutro] se entrela\u00e7am nas pr\u00e1ticas da vida neste planeta degradado\u201d.\u00a0 A \u00e9tica do cuidado ensina-nos a sentir e a ter consci\u00eancia da interliga\u00e7\u00e3o entre todos os seres e o mundo, do seu poder e vulnerabilidade \u2013 \u201cCuidar, cuidar, dar e receber cuidados deve ser inclu\u00eddo nos curr\u00edculos que nos permitem reimaginar juntos os nossos futuros interdependentes.\u201d Propondo a \u201cecologiza\u00e7\u00e3o do setor da educa\u00e7\u00e3o\u201d, o relat\u00f3rio da UNESCO sugere o alargamento do espa\u00e7o tradicional de sala de aula, afirmando a possibilidade de a aprendizagem dever ocorrer em s\u00edtios naturais &#8211; a biosfera \u00e9 contexto de aprendizagem &#8211; espa\u00e7os constru\u00eddos e virtuais. Este ecossistema educacional mais vasto pode ser imaginado como \u201cuma grande biblioteca\u201d: \u201cPodemos imaginar estes novos ambientes escolares como uma grande biblioteca onde alguns estudantes estudam sozinhos, ligados \u00e0 internet ou n\u00e3o, e outros apresentam o seu trabalho a colegas da turma e professores. Outros est\u00e3o fora da biblioteca em contacto com as pessoas e mundos fora da escola, possivelmente em lugares long\u00ednquos. A biblioteca suporta uma imensa diversidade de situa\u00e7\u00f5es e tempos espaciais. \u00c9 um ambiente completamente novo diferente da estrutura habitual da escola e da sala de aula. Esta biblioteca pode ser tomada literalmente ou como uma met\u00e1fora. Lembra-nos que os tempos e espa\u00e7os escolares precisam de servir como portais ligando os alunos com os conhecimentos comuns [partilhados por todos]\u201d [4]. \u00a0 Refer\u00eancias 1. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 24 Jan.). International Day of Education \u2013 Libraries Contributing to a New Social Contract for Education [Resumo da IFLA do Relat\u00f3rio Futuros da Educa\u00e7\u00e3o]. Netherlands: IFLA. https:\/\/www.ifla.org\/news\/international-day-of-education-libraries-contributing-to-a-new-social-contract-for-education\/ 2. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization [Comiss\u00e3o Internacional sobre os Futuros da Educa\u00e7\u00e3o]. (2021, 10 nov.). Reimagining our futures together: a new social contract for education [Part II, Chapter 4, pp. 63-78]. France: UNESCO. https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379381 3. Rede de Bibliotecas Escolares. (2022, 7 abr.). UNESCO: A expans\u00e3o do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050. Portugal: RBE. https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/unesco-a-expansao-do-direito-a-educacao-2579064 4. UNESCO, 2021, p. 97. \u00a0 Fonte das imagens: 1. UNESCO. (2021). \u201cReimagining our futures together: a new social contract for education [V\u00eddeo]\u201d, in: United Nations. (2022, 24 jan.). Dia Internacional da Educa\u00e7\u00e3o. EUA: UN. https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/education-day 2. Hendry, P. (2018, 6 Nov.). Unplash. 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