{"id":2532754,"date":"2021-11-22T09:00:00","date_gmt":"2021-11-22T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2532754.html"},"modified":"2026-05-13T15:01:24","modified_gmt":"2026-05-13T15:01:24","slug":"pegadas-de-uma-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2532754","title":{"rendered":"Pegadas de uma viagem"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-11-22.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22197219_lsqyZ.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Profundidade, extens\u00e3o e rigor metodol\u00f3gico caracterizam este trabalho de grande f\u00f4lego, realizado no \u00e2mbito do Programa Bibliotecas Escolares da Galiza.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As autoras, In\u00e9s Miret, M\u00f3nica Bar\u00f3, In\u00e9s Dussel, Teresa Ma\u00f1\u00e1, coordenaram a equipa respons\u00e1vel por esta investiga\u00e7\u00e3o que cobre todo o leque de temas e de problemas que envolvem as bibliotecas escolares, dando realce \u00e0 voz dos atores que as utilizam, constroem e vivenciam.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nas suas mais de 300 p\u00e1ginas, este relat\u00f3rio onde se partilham as conclus\u00f5es, organiza-se em tr\u00eas grandes partes:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; A primeira parte reflete sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas, passando pelas quest\u00f5es da implanta\u00e7\u00e3o das bibliotecas nas escolas, da atribui\u00e7\u00e3o de recursos, do seu funcionamento, do contexto territorial, etc.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Uma estimulante segunda parte \u00e9 dedicada aos imagin\u00e1rios em torno da biblioteca: desde as diversas conce\u00e7\u00f5es sobre a leitura \u00e0s narrativas dos professores sobre o uso do digital pelos jovens.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Finalmente, e na boa l\u00f3gica do geral para o particular, na terceira parte encontramos a an\u00e1lise de casos concretos, convidado a um olhar mais pr\u00f3ximo sobre a viv\u00eancia quotidiana: os modos de intera\u00e7\u00e3o no interior da biblioteca ou o seu papel como lugar de afetos, de trabalho, de encontro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este corpo central de 3 partes \u00e9 precedido e fechado, respetivamente, por uma introdu\u00e7\u00e3o em que se definem as linhas metodol\u00f3gicas e uma conclus\u00e3o apontando as chaves do futuro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Muitas pistas de reflex\u00e3o nos s\u00e3o oferecidas neste estudo sobre as bibliotecas escolares de um territ\u00f3rio vizinho &#8211; a Galiza &#8211; um contexto com semelhan\u00e7as, mas tamb\u00e9m diferen\u00e7as, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rede de bibliotecas escolares portuguesa, estimulando um olhar cr\u00edtico sobre a nossa pr\u00f3pria realidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Das muitas poss\u00edveis, queremos aqui destacar tr\u00eas ideias fundamentais, que nos parecem muito presentes quer nas op\u00e7\u00f5es tomadas ao longo da investiga\u00e7\u00e3o, bem como na forma de expor os seus resultados:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>1. Uma ideia de <em>caminhada<\/em> como estrat\u00e9gia de pesquisa e como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para se compreender a realidade das bibliotecas e apontar caminhos de futuro. <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O pr\u00f3prio t\u00edtulo dado ao relat\u00f3rio &#8211; \u2018Pegadas de uma viagem\u2019 &#8211; remete para a trajet\u00f3ria da investiga\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para o arco da rela\u00e7\u00e3o entre passado, presente e futuro, em que este \u00faltimo se constr\u00f3i na senda do caminho percorrido: \u201cPensar sobre el futuro tiene que ver, en parte, con dar un sentido al presente, disponer de una mirada cr\u00edtica acerca de las trayectorias, los logros, las dificultades y los temas pendientes\u201d (p. 286).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2. A import\u00e2ncia dada, ao longo de todo o texto, ao enfoque metodol\u00f3gico, desde a defini\u00e7\u00e3o de objetivos \u00e0s diversas escolhas de percurso e sua fundamenta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O material recolhido no contexto da investiga\u00e7\u00e3o d\u00e1 conta da multiplicidade de abordagens e metodologias empregues: question\u00e1rios, narrativas, representa\u00e7\u00f5es visuais, an\u00e1lises sem\u00e2nticas de termos, grupos de foco, entrevistas em profundidade, observa\u00e7\u00e3o participante e an\u00e1lise de documentos. Esta diversidade \u00e9 essencial para a constru\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o ampla e consistente sobre os desafios que as bibliotecas escolares enfrentam e os modos de os abra\u00e7ar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>3. A preocupa\u00e7\u00e3o em dar voz aos atores, tidos como a principal fonte de conhecimento e de transforma\u00e7\u00e3o das bibliotecas escolares. <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui sobressai a diversidade: procura-se ouvir, desde logo, os professores, mas tamb\u00e9m os dirigentes escolares, as equipas das bibliotecas, os estudantes, as fam\u00edlias, a rede de assessorias e institui\u00e7\u00f5es parceiras, etc.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste ponto \u00e9 de real\u00e7ar o cap\u00edtulo onde se exp\u00f5e uma recolha e an\u00e1lise de representa\u00e7\u00f5es visuais de crian\u00e7as e adolescentes sobre a (sua) biblioteca, convidados a desenhar espa\u00e7os, objetos, protagonistas, a\u00e7\u00f5es a decorrer\u2026 A an\u00e1lise que \u00e9 feita desses desenhos \u00e9 extremamente interessante at\u00e9 porque vai para al\u00e9m do \u00f3bvio ou da interpreta\u00e7\u00e3o literal.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>E sobretudo encontramos aqui um cuidado em usar estrat\u00e9gias menos convencionais, de modo a verdadeiramente captar o que pensam e o que sentem os alunos sobre a biblioteca e as experi\u00eancias nela vividas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As chaves e as recomenda\u00e7\u00f5es para o futuro t\u00eam um denominador comum: saber lidar com a mudan\u00e7a, como elemento omnipresente, que obriga a \u2018assumir objetivos <em>de transformaci\u00f3n<\/em> en un contexto <em>en transformaci\u00f3n<\/em>.\u2019 (p.287).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mudan\u00e7a que continuamente se intensifica, n\u00e3o apenas \u2018en los soportes y las formas de lectura, en la noci\u00f3n misma de lector, en las colecciones y los espacios de lectura, y en la estabilidad\/ perdurabilidad de las bibliotecas. (p.287).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mudan\u00e7a que acompanha os desafios da educa\u00e7\u00e3o e da escola como lugar de encontro e de socializa\u00e7\u00e3o, de descoberta e de criatividade, de saber e de fazer, em que aos alunos deve ser dado um papel cada vez mais proactivo, aut\u00f3nomo, respons\u00e1vel pelo seu pr\u00f3prio percurso formativo, cabendo \u00e0 biblioteca escolar saber fazer a transi\u00e7\u00e3o \u2018de un centro de recursos para el aprendizaje hacia un laboratorio creativo de aprendizajes\u2019.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Direcci\u00f3n Xeral de Centros e Recursos Humanos.\u00a0(2021). <em>Huellas de un viaje. Trayectorias y futuros de las bibliotecas escolares en Galicia<\/em>. <a href=\"https:\/\/libraria.xunta.gal\/es\/huellas-de-un-viaje-trayectorias-y-futuros-de-las-bibliotecas-escolares-en-galicia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/libraria.xunta.gal\/es\/huellas-de-un-viaje-trayectorias-y-futuros-de-las-bibliotecas-escolares-en-galicia<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profundidade, extens\u00e3o e rigor metodol\u00f3gico caracterizam este trabalho de grande f\u00f4lego, realizado no \u00e2mbito do Programa Bibliotecas Escolares da Galiza. As autoras, In\u00e9s Miret, M\u00f3nica Bar\u00f3, In\u00e9s Dussel, Teresa Ma\u00f1\u00e1, coordenaram a equipa respons\u00e1vel por esta investiga\u00e7\u00e3o que cobre todo o leque de temas e de problemas que envolvem as bibliotecas escolares, dando realce \u00e0 voz dos atores que as utilizam, constroem e vivenciam. Nas suas mais de 300 p\u00e1ginas, este relat\u00f3rio onde se partilham as conclus\u00f5es, organiza-se em tr\u00eas grandes partes: &#8211; A primeira parte reflete sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas, passando pelas quest\u00f5es da implanta\u00e7\u00e3o das bibliotecas nas escolas, da atribui\u00e7\u00e3o de recursos, do seu funcionamento, do contexto territorial, etc. &#8211; Uma estimulante segunda parte \u00e9 dedicada aos imagin\u00e1rios em torno da biblioteca: desde as diversas conce\u00e7\u00f5es sobre a leitura \u00e0s narrativas dos professores sobre o uso do digital pelos jovens. &#8211; Finalmente, e na boa l\u00f3gica do geral para o particular, na terceira parte encontramos a an\u00e1lise de casos concretos, convidado a um olhar mais pr\u00f3ximo sobre a viv\u00eancia quotidiana: os modos de intera\u00e7\u00e3o no interior da biblioteca ou o seu papel como lugar de afetos, de trabalho, de encontro. Este corpo central de 3 partes \u00e9 precedido e fechado, respetivamente, por uma introdu\u00e7\u00e3o em que se definem as linhas metodol\u00f3gicas e uma conclus\u00e3o apontando as chaves do futuro. Muitas pistas de reflex\u00e3o nos s\u00e3o oferecidas neste estudo sobre as bibliotecas escolares de um territ\u00f3rio vizinho &#8211; a Galiza &#8211; um contexto com semelhan\u00e7as, mas tamb\u00e9m diferen\u00e7as, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rede de bibliotecas escolares portuguesa, estimulando um olhar cr\u00edtico sobre a nossa pr\u00f3pria realidade. Das muitas poss\u00edveis, queremos aqui destacar tr\u00eas ideias fundamentais, que nos parecem muito presentes quer nas op\u00e7\u00f5es tomadas ao longo da investiga\u00e7\u00e3o, bem como na forma de expor os seus resultados: \u00a0 1. Uma ideia de caminhada como estrat\u00e9gia de pesquisa e como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para se compreender a realidade das bibliotecas e apontar caminhos de futuro. O pr\u00f3prio t\u00edtulo dado ao relat\u00f3rio &#8211; \u2018Pegadas de uma viagem\u2019 &#8211; remete para a trajet\u00f3ria da investiga\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para o arco da rela\u00e7\u00e3o entre passado, presente e futuro, em que este \u00faltimo se constr\u00f3i na senda do caminho percorrido: \u201cPensar sobre el futuro tiene que ver, en parte, con dar un sentido al presente, disponer de una mirada cr\u00edtica acerca de las trayectorias, los logros, las dificultades y los temas pendientes\u201d (p. 286). \u00a0 2. A import\u00e2ncia dada, ao longo de todo o texto, ao enfoque metodol\u00f3gico, desde a defini\u00e7\u00e3o de objetivos \u00e0s diversas escolhas de percurso e sua fundamenta\u00e7\u00e3o. O material recolhido no contexto da investiga\u00e7\u00e3o d\u00e1 conta da multiplicidade de abordagens e metodologias empregues: question\u00e1rios, narrativas, representa\u00e7\u00f5es visuais, an\u00e1lises sem\u00e2nticas de termos, grupos de foco, entrevistas em profundidade, observa\u00e7\u00e3o participante e an\u00e1lise de documentos. Esta diversidade \u00e9 essencial para a constru\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o ampla e consistente sobre os desafios que as bibliotecas escolares enfrentam e os modos de os abra\u00e7ar. \u00a0 3. A preocupa\u00e7\u00e3o em dar voz aos atores, tidos como a principal fonte de conhecimento e de transforma\u00e7\u00e3o das bibliotecas escolares. Tamb\u00e9m aqui sobressai a diversidade: procura-se ouvir, desde logo, os professores, mas tamb\u00e9m os dirigentes escolares, as equipas das bibliotecas, os estudantes, as fam\u00edlias, a rede de assessorias e institui\u00e7\u00f5es parceiras, etc. Neste ponto \u00e9 de real\u00e7ar o cap\u00edtulo onde se exp\u00f5e uma recolha e an\u00e1lise de representa\u00e7\u00f5es visuais de crian\u00e7as e adolescentes sobre a (sua) biblioteca, convidados a desenhar espa\u00e7os, objetos, protagonistas, a\u00e7\u00f5es a decorrer\u2026 A an\u00e1lise que \u00e9 feita desses desenhos \u00e9 extremamente interessante at\u00e9 porque vai para al\u00e9m do \u00f3bvio ou da interpreta\u00e7\u00e3o literal. E sobretudo encontramos aqui um cuidado em usar estrat\u00e9gias menos convencionais, de modo a verdadeiramente captar o que pensam e o que sentem os alunos sobre a biblioteca e as experi\u00eancias nela vividas. \u00a0 As chaves e as recomenda\u00e7\u00f5es para o futuro t\u00eam um denominador comum: saber lidar com a mudan\u00e7a, como elemento omnipresente, que obriga a \u2018assumir objetivos de transformaci\u00f3n en un contexto en transformaci\u00f3n.\u2019 (p.287). Mudan\u00e7a que continuamente se intensifica, n\u00e3o apenas \u2018en los soportes y las formas de lectura, en la noci\u00f3n misma de lector, en las colecciones y los espacios de lectura, y en la estabilidad\/ perdurabilidad de las bibliotecas. (p.287). Mudan\u00e7a que acompanha os desafios da educa\u00e7\u00e3o e da escola como lugar de encontro e de socializa\u00e7\u00e3o, de descoberta e de criatividade, de saber e de fazer, em que aos alunos deve ser dado um papel cada vez mais proactivo, aut\u00f3nomo, respons\u00e1vel pelo seu pr\u00f3prio percurso formativo, cabendo \u00e0 biblioteca escolar saber fazer a transi\u00e7\u00e3o \u2018de un centro de recursos para el aprendizaje hacia un laboratorio creativo de aprendizajes\u2019. \u00a0 Refer\u00eancia Direcci\u00f3n Xeral de Centros e Recursos Humanos.\u00a0(2021). Huellas de un viaje. 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