{"id":2531245,"date":"2021-11-16T10:43:00","date_gmt":"2021-11-16T10:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2531245.html"},"modified":"2026-05-13T15:01:49","modified_gmt":"2026-05-13T15:01:49","slug":"reimaginar-os-nossos-futuros-juntos-um-novo-contrato-social-para-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2531245","title":{"rendered":"Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-11-18 Futuros da educa\u00e7\u00e3o.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22196116_525v6.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Considerando que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito humano essencial para a constru\u00e7\u00e3o da paz e do desenvolvimento sustent\u00e1vel, a UNESCO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura) encara-a como a sua principal prioridade. Procurando repensar a forma como o conhecimento e a aprendizagem podem transformar o futuro da humanidade, este organismo criou, em 2019, a iniciativa <em>Futuros da educa\u00e7\u00e3o<\/em> e a Comiss\u00e3o Internacional sobre Futuros da Educa\u00e7\u00e3o, iniciativa que incorpora ampla participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de especialistas e visa catalisar um debate global sobre o modo como a educa\u00e7\u00e3o deve ser repensada num mundo de crescente complexidade, incerteza e fragilidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No dia 11 de novembro a Comiss\u00e3o publicou o relat\u00f3rio global sobre o futuro da educa\u00e7\u00e3o, <em>Reimaginar os nossos futuros juntos<\/em><em>: um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o<\/em> [1], de que se disponibiliza uma breve s\u00edntese, que n\u00e3o dispensa a consulta do documento integral.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este relat\u00f3rio global pergunta que papel pode a educa\u00e7\u00e3o desempenhar na forma\u00e7\u00e3o do nosso mundo e do nosso futuro comum at\u00e9 2050 e mais al\u00e9m. As propostas que apresenta s\u00e3o o resultado de um processo global de compromisso e cocria\u00e7\u00e3o de dois anos, que mostrou que um grande n\u00famero de pessoas, sejam crian\u00e7as, jovens ou adultos, est\u00e3o perfeitamente conscientes de que <strong>estamos conectados<\/strong> neste planeta partilhado e que melhorar essa experi\u00eancia para todos exige que <strong>trabalhemos juntos<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o, ou seja, a forma como o ensino e a aprendizagem ao longo da vida est\u00e3o estruturados, h\u00e1 muito que desempenha um papel fundamental na transforma\u00e7\u00e3o das sociedades humanas. Liga-nos ao mundo e uns aos outros, abre-nos a novas possibilidades e refor\u00e7a as nossas capacidades de di\u00e1logo e a\u00e7\u00e3o. Mas para construir um futuro pac\u00edfico, justo e sustent\u00e1vel, <strong>a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o tem que ser transformada<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o pode ser vista como um contrato social, ou seja, um acordo t\u00e1cito entre membros de uma sociedade para cooperar para um benef\u00edcio comum. Este contrato, que estabelece normas, compromissos e princ\u00edpios, parte de uma <strong>vis\u00e3o comum dos prop\u00f3sitos p\u00fablicos da educa\u00e7\u00e3o<\/strong> e define os princ\u00edpios fundacionais e organizacionais que estruturam os sistemas educativos, assim como as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para os criar, manter e aperfei\u00e7oar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No momento atual, em que enfrentamos graves riscos para o futuro da humanidade e a vida neste planeta, devemos reinventar urgentemente a educa\u00e7\u00e3o para que nos ajude a enfrentar os desafios comuns. Este ato de reimaginar implica trabalhar juntos para criar futuros que sejam partilhados e interdependentes. O novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o deve unir-nos em volta de esfor\u00e7os coletivos e trazer o conhecimento e a inova\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para construir futuros sustent\u00e1veis e pac\u00edficos para todos, baseados na justi\u00e7a social, econ\u00f3mica e ambiental. Deve, igualmente, defender o papel fundamental dos docentes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Princ\u00edpios fundacionais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Qualquer novo contrato social deve basear-se em amplos princ\u00edpios que sustentam os direitos humanos (inclus\u00e3o e equidade, coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade, assim como responsabilidade coletiva e interconex\u00e3o) e deve reger-se pelos seguintes princ\u00edpios:<br \/><strong><span style=\"font-size: 24pt; color: #ff0000;\">&#8211; <\/span>Garantir o direito a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade ao longo de toda a vida<\/strong>, a qual compreende o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura e \u00e0 ci\u00eancia, assim como o direito a aceder e contribuir para o patrim\u00f3nio comum de conhecimento da humanidade.<br \/><strong><span style=\"font-size: 24pt; color: #ff0000;\">&#8211; <\/span>Refor\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o como bem p\u00fablico e comum<\/strong> a ser financiada publicamente, a reunir um compromisso da sociedade em geral e a incluir todos nos debates p\u00fablicos sobre educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Entre as promessas do passado e as incertezas do futuro<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Agravamento das desigualdades sociais e econ\u00f3micas, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, perda da biodiversidade, uso dos recursos para al\u00e9m dos limites planet\u00e1rios, retrocesso democr\u00e1tico e tecnologias de automatiza\u00e7\u00e3o disruptivas s\u00e3o as caracter\u00edsticas da nossa conjuntura hist\u00f3rica atual. Estas m\u00faltiplas crises e desafios que se sobrep\u00f5em minam os nossos direitos humanos individuais e coletivos e colocaram em risco grande parte da vida na Terra. Ainda que a expans\u00e3o dos sistemas educativos tenha criado oportunidades para muitos, um grande n\u00famero de pessoas tem que se conformar com uma aprendizagem de baixa qualidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Olhar para o futuro coloca-nos frente a um quadro ainda mais sombrio, com antevis\u00f5es terr\u00edveis, mas nenhuma tend\u00eancia \u00e9 fatal e s\u00e3o poss\u00edveis m\u00faltiplos futuros alternativos, com transforma\u00e7\u00f5es disruptivas em diversas \u00e1reas-chave:<br \/><strong><span style=\"font-size: 24pt; color: #ff0000;\">&#8211; <\/span><\/strong>O planeta est\u00e1 em perigo, mas a descarboniza\u00e7\u00e3o e a <em>ecologiza\u00e7\u00e3o<\/em> das economias est\u00e1 em marcha, cumprindo as crian\u00e7as e jovens uma fun\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a neste dom\u00ednio.<br \/><strong><span style=\"font-size: 24pt; color: #ff0000;\">&#8211; <\/span><\/strong>No \u00faltimo dec\u00e9nio tem prosperado a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e o ativismo, cada vez mais ativos, no combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 injusti\u00e7a em todo o mundo.<br \/><strong><span style=\"font-size: 24pt; color: #ff0000;\">&#8211; <\/span><\/strong>As tecnologias digitais t\u00eam enorme potencial de transforma\u00e7\u00e3o, embora ainda n\u00e3o tenhamos conseguido descobrir como tornar realidade as suas numerosas promessas.<br \/><strong><span style=\"font-size: 24pt; color: #ff0000;\">&#8211; <\/span><\/strong>A intelig\u00eancia artificial e a automatiza\u00e7\u00e3o trazem transforma\u00e7\u00f5es estruturais e est\u00e3o a reconfigurar os panoramas laborais, levando a que cada mais pessoas reconhecem o valor do trabalho de assist\u00eancia\/ cuidado e as m\u00faltiplas formas de assegurar a seguran\u00e7a econ\u00f3mica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atualmente, a forma como organizamos a educa\u00e7\u00e3o em todo o mundo n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantirmos sociedades justas e pac\u00edficas, um planeta saud\u00e1vel e um progresso partilhado que beneficie todos. Na verdade, algumas das nossas dificuldades decorrem precisamente da forma como educamos. <strong>Um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o tem que nos permitir pensar de forma diferente<\/strong> sobre a aprendizagem e as rela\u00e7\u00f5es entre os alunos, os docentes, o conhecimento e o mundo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Propostas para renovar a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A <strong>pedagogia<\/strong> deve organizar-se \u00e0 volta dos princ\u00edpios de coopera\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o e solidariedade. Deve promover as compet\u00eancias intelectuais, sociais e morais dos alunos para que consigam trabalhar juntos e transformar o mundo com empatia e compaix\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os <strong>curr\u00edculos<\/strong> devem enfatizar a aprendizagem ecol\u00f3gica, intercultural e interdisciplinar que apoia os alunos no acesso e na produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos, ao mesmo tempo que desenvolve a sua capacidade para os criticar e aplicar. \u00c9 importante travar a difus\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de meios cient\u00edficos, digitais e humanistas e da forma\u00e7\u00e3o para o uso de informa\u00e7\u00e3o e <em>media<\/em> a qual refor\u00e7a a capacidade de distinguir a mentira da verdade. Nos conte\u00fados, m\u00e9todos e pol\u00edticas educativas, devemos promover a cidadania ativa e a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os <strong>professores<\/strong> devem ser reconhecidos pelo seu trabalho enquanto produtores de conhecimento e figuras-chave na educa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social. O trabalho dos professores deve caracterizar-se pela colabora\u00e7\u00e3o e trabalho em equipa, devendo a reflex\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de conhecimento e de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas tornar-se parte integrante desse trabalho, o que significa que a sua autonomia e liberdade devem ser apoiadas e participar plenamente no debate p\u00fablico e no di\u00e1logo sobre os futuros da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As <strong>escolas<\/strong> devem ser lugares educativos protegidos, uma vez que promovem inclus\u00e3o, equidade e bem-estar individual e coletivo e tamb\u00e9m devem ser repensadas para facilitarem ainda mais a transforma\u00e7\u00e3o do mundo em dire\u00e7\u00e3o a futuros equitativos e sustent\u00e1veis. As escolas t\u00eam que ser lugares que re\u00fanam diversos grupos de pessoas, oferecendo-lhes desafios e oportunidades que n\u00e3o existem em mais lado nenhum. \u00c9 necess\u00e1rio alterar arquiteturas escolares, espa\u00e7os, hor\u00e1rios e turmas para encorajar e permitir que os indiv\u00edduos trabalhem em conjunto. As tecnologias digitais devem ter como objetivo apoiar as escolas e n\u00e3o substitu\u00ed-las.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Devemos aproveitar e melhorar as oportunidades educativas que surgem <strong>ao longo da vida<\/strong> e em <strong>diferentes contextos culturais e sociais<\/strong>. Em todos os momentos da vida as pessoas devem ter oportunidades educativas significativas e de qualidade. Dever\u00edamos ligar locais naturais, f\u00edsicos e virtuais de aprendizagem, tirando o m\u00e1ximo partido das melhores caracter\u00edsticas de cada um. O direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o precisa de ser alargado para que seja vital\u00edcio e englobe o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, cultura, ci\u00eancia e conectividade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os principais respons\u00e1veis s\u00e3o os governos, cuja capacidade de <strong>financiamento<\/strong> p\u00fablico e <strong>regula\u00e7\u00e3o<\/strong> da educa\u00e7\u00e3o deve ser refor\u00e7ada.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Promo\u00e7\u00e3o de um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as e inova\u00e7\u00f5es em grande escala s\u00e3o poss\u00edveis<\/strong>. Vamos estabelecer um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de milh\u00f5es de atos individuais e coletivos: atos de coragem, lideran\u00e7a, resili\u00eancia, criatividade e cuidado. Um novo contrato social deve superar a discrimina\u00e7\u00e3o, a marginaliza\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o. Devemos lutar para assegurar a igualdade de g\u00e9nero e os direitos de todos, independentemente da ra\u00e7a, etnia, religi\u00e3o, defici\u00eancia, orienta\u00e7\u00e3o sexual, idade ou cidadania. \u00c9 necess\u00e1rio um enorme empenho no di\u00e1logo social e no pensamento e a\u00e7\u00e3o conjuntos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Um apelo \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o<\/strong>. Um novo contrato social requer uma agenda de investiga\u00e7\u00e3o global colaborativa que se concentre no direito \u00e0 aprendizagem ao longo da vida. Esta agenda deve basear-se no direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e incluir diferentes tipos de dados e formas de conhecimento, incluindo a aprendizagem horizontal e a partilha de conhecimentos al\u00e9m-fronteiras. Devem aceitar-se contributos de professores a alunos e de acad\u00e9micos e centros de investiga\u00e7\u00e3o, tal como de governos e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>As universidades e outras institui\u00e7\u00f5es de ensino superior<\/strong> devem estar ativamente envolvidas em todos os aspetos da cria\u00e7\u00e3o de um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 essencial que <strong>todos possam contribuir<\/strong> para moldar o futuro da educa\u00e7\u00e3o: crian\u00e7as, jovens, pais, professores, investigadores, ativistas, empregadores, l\u00edderes culturais e religiosos, etc. Temos tradi\u00e7\u00f5es culturais profundas, ricas e diversificadas que podem servir de base e os seres humanos t\u00eam grande capacidade de a\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia e criatividade coletivas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As propostas apresentadas neste relat\u00f3rio s\u00e3o apenas um ponto de partida. O documento \u00e9 mais um convite para pensar e imaginar do que um plano de a\u00e7\u00e3o. Estas quest\u00f5es precisam de ser abordadas em comunidades, pa\u00edses, escolas e programas e sistemas educativos de todos os tipos, em todo o mundo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Estabelecer um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo fundamental para repensarmos juntos o nosso futuro.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este artigo \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o do texto <em>Reimagining our futures together: a new social contract for education; executive summary<\/em> [2]<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\">International Commission on the Futures of Education. (2021). <em>Reimagining our futures together: a new social contract for education<\/em>. <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379707\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379707<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\">International Commission on the Futures of Education. (2021). <em>Reimagining our futures together: a new social contract for education; executive summary<\/em>. <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379381?2=null&amp;queryId=f22d3bab-f840-4eb5-ab61-1b2737985edc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379381?2=null&amp;queryId=f22d3bab-f840-4eb5-ab61-1b2737985edc<\/em><\/a><\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\">Fonte da imagem: International Commission on the Futures of Education (2021) <em>Reimagining our futures together: a new social contract for education<\/em>. <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379707\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379707<\/a><\/span><\/li>\n<p><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerando que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito humano essencial para a constru\u00e7\u00e3o da paz e do desenvolvimento sustent\u00e1vel, a UNESCO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura) encara-a como a sua principal prioridade. Procurando repensar a forma como o conhecimento e a aprendizagem podem transformar o futuro da humanidade, este organismo criou, em 2019, a iniciativa Futuros da educa\u00e7\u00e3o e a Comiss\u00e3o Internacional sobre Futuros da Educa\u00e7\u00e3o, iniciativa que incorpora ampla participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de especialistas e visa catalisar um debate global sobre o modo como a educa\u00e7\u00e3o deve ser repensada num mundo de crescente complexidade, incerteza e fragilidade. No dia 11 de novembro a Comiss\u00e3o publicou o relat\u00f3rio global sobre o futuro da educa\u00e7\u00e3o, Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o [1], de que se disponibiliza uma breve s\u00edntese, que n\u00e3o dispensa a consulta do documento integral. Este relat\u00f3rio global pergunta que papel pode a educa\u00e7\u00e3o desempenhar na forma\u00e7\u00e3o do nosso mundo e do nosso futuro comum at\u00e9 2050 e mais al\u00e9m. As propostas que apresenta s\u00e3o o resultado de um processo global de compromisso e cocria\u00e7\u00e3o de dois anos, que mostrou que um grande n\u00famero de pessoas, sejam crian\u00e7as, jovens ou adultos, est\u00e3o perfeitamente conscientes de que estamos conectados neste planeta partilhado e que melhorar essa experi\u00eancia para todos exige que trabalhemos juntos. A educa\u00e7\u00e3o, ou seja, a forma como o ensino e a aprendizagem ao longo da vida est\u00e3o estruturados, h\u00e1 muito que desempenha um papel fundamental na transforma\u00e7\u00e3o das sociedades humanas. Liga-nos ao mundo e uns aos outros, abre-nos a novas possibilidades e refor\u00e7a as nossas capacidades de di\u00e1logo e a\u00e7\u00e3o. Mas para construir um futuro pac\u00edfico, justo e sustent\u00e1vel, a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o tem que ser transformada. Um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o A educa\u00e7\u00e3o pode ser vista como um contrato social, ou seja, um acordo t\u00e1cito entre membros de uma sociedade para cooperar para um benef\u00edcio comum. Este contrato, que estabelece normas, compromissos e princ\u00edpios, parte de uma vis\u00e3o comum dos prop\u00f3sitos p\u00fablicos da educa\u00e7\u00e3o e define os princ\u00edpios fundacionais e organizacionais que estruturam os sistemas educativos, assim como as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para os criar, manter e aperfei\u00e7oar. No momento atual, em que enfrentamos graves riscos para o futuro da humanidade e a vida neste planeta, devemos reinventar urgentemente a educa\u00e7\u00e3o para que nos ajude a enfrentar os desafios comuns. Este ato de reimaginar implica trabalhar juntos para criar futuros que sejam partilhados e interdependentes. O novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o deve unir-nos em volta de esfor\u00e7os coletivos e trazer o conhecimento e a inova\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para construir futuros sustent\u00e1veis e pac\u00edficos para todos, baseados na justi\u00e7a social, econ\u00f3mica e ambiental. Deve, igualmente, defender o papel fundamental dos docentes. Princ\u00edpios fundacionais Qualquer novo contrato social deve basear-se em amplos princ\u00edpios que sustentam os direitos humanos (inclus\u00e3o e equidade, coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade, assim como responsabilidade coletiva e interconex\u00e3o) e deve reger-se pelos seguintes princ\u00edpios:&#8211; Garantir o direito a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade ao longo de toda a vida, a qual compreende o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura e \u00e0 ci\u00eancia, assim como o direito a aceder e contribuir para o patrim\u00f3nio comum de conhecimento da humanidade.&#8211; Refor\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o como bem p\u00fablico e comum a ser financiada publicamente, a reunir um compromisso da sociedade em geral e a incluir todos nos debates p\u00fablicos sobre educa\u00e7\u00e3o. Entre as promessas do passado e as incertezas do futuro Agravamento das desigualdades sociais e econ\u00f3micas, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, perda da biodiversidade, uso dos recursos para al\u00e9m dos limites planet\u00e1rios, retrocesso democr\u00e1tico e tecnologias de automatiza\u00e7\u00e3o disruptivas s\u00e3o as caracter\u00edsticas da nossa conjuntura hist\u00f3rica atual. Estas m\u00faltiplas crises e desafios que se sobrep\u00f5em minam os nossos direitos humanos individuais e coletivos e colocaram em risco grande parte da vida na Terra. Ainda que a expans\u00e3o dos sistemas educativos tenha criado oportunidades para muitos, um grande n\u00famero de pessoas tem que se conformar com uma aprendizagem de baixa qualidade. Olhar para o futuro coloca-nos frente a um quadro ainda mais sombrio, com antevis\u00f5es terr\u00edveis, mas nenhuma tend\u00eancia \u00e9 fatal e s\u00e3o poss\u00edveis m\u00faltiplos futuros alternativos, com transforma\u00e7\u00f5es disruptivas em diversas \u00e1reas-chave:&#8211; O planeta est\u00e1 em perigo, mas a descarboniza\u00e7\u00e3o e a ecologiza\u00e7\u00e3o das economias est\u00e1 em marcha, cumprindo as crian\u00e7as e jovens uma fun\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a neste dom\u00ednio.&#8211; No \u00faltimo dec\u00e9nio tem prosperado a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e o ativismo, cada vez mais ativos, no combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 injusti\u00e7a em todo o mundo.&#8211; As tecnologias digitais t\u00eam enorme potencial de transforma\u00e7\u00e3o, embora ainda n\u00e3o tenhamos conseguido descobrir como tornar realidade as suas numerosas promessas.&#8211; A intelig\u00eancia artificial e a automatiza\u00e7\u00e3o trazem transforma\u00e7\u00f5es estruturais e est\u00e3o a reconfigurar os panoramas laborais, levando a que cada mais pessoas reconhecem o valor do trabalho de assist\u00eancia\/ cuidado e as m\u00faltiplas formas de assegurar a seguran\u00e7a econ\u00f3mica. Atualmente, a forma como organizamos a educa\u00e7\u00e3o em todo o mundo n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantirmos sociedades justas e pac\u00edficas, um planeta saud\u00e1vel e um progresso partilhado que beneficie todos. Na verdade, algumas das nossas dificuldades decorrem precisamente da forma como educamos. Um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o tem que nos permitir pensar de forma diferente sobre a aprendizagem e as rela\u00e7\u00f5es entre os alunos, os docentes, o conhecimento e o mundo. Propostas para renovar a educa\u00e7\u00e3o A pedagogia deve organizar-se \u00e0 volta dos princ\u00edpios de coopera\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o e solidariedade. Deve promover as compet\u00eancias intelectuais, sociais e morais dos alunos para que consigam trabalhar juntos e transformar o mundo com empatia e compaix\u00e3o. Os curr\u00edculos devem enfatizar a aprendizagem ecol\u00f3gica, intercultural e interdisciplinar que apoia os alunos no acesso e na produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos, ao mesmo tempo que desenvolve a sua capacidade para os criticar e aplicar. \u00c9 importante travar a difus\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de meios cient\u00edficos, digitais e humanistas e da forma\u00e7\u00e3o para o uso de informa\u00e7\u00e3o e media a qual refor\u00e7a a capacidade de distinguir a mentira da verdade. Nos conte\u00fados, m\u00e9todos e pol\u00edticas educativas, devemos promover a cidadania ativa e a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Os professores devem ser reconhecidos pelo seu trabalho enquanto produtores de conhecimento e figuras-chave na educa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social. O trabalho dos professores deve caracterizar-se pela colabora\u00e7\u00e3o e trabalho em equipa, devendo a reflex\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de conhecimento e de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas tornar-se parte integrante desse trabalho, o que significa que a sua autonomia e liberdade devem ser apoiadas e participar plenamente no debate p\u00fablico e no di\u00e1logo sobre os futuros da educa\u00e7\u00e3o. As escolas devem ser lugares educativos protegidos, uma vez que promovem inclus\u00e3o, equidade e bem-estar individual e coletivo e tamb\u00e9m devem ser repensadas para facilitarem ainda mais a transforma\u00e7\u00e3o do mundo em dire\u00e7\u00e3o a futuros equitativos e sustent\u00e1veis. As escolas t\u00eam que ser lugares que re\u00fanam diversos grupos de pessoas, oferecendo-lhes desafios e oportunidades que n\u00e3o existem em mais lado nenhum. \u00c9 necess\u00e1rio alterar arquiteturas escolares, espa\u00e7os, hor\u00e1rios e turmas para encorajar e permitir que os indiv\u00edduos trabalhem em conjunto. As tecnologias digitais devem ter como objetivo apoiar as escolas e n\u00e3o substitu\u00ed-las. Devemos aproveitar e melhorar as oportunidades educativas que surgem ao longo da vida e em diferentes contextos culturais e sociais. Em todos os momentos da vida as pessoas devem ter oportunidades educativas significativas e de qualidade. Dever\u00edamos ligar locais naturais, f\u00edsicos e virtuais de aprendizagem, tirando o m\u00e1ximo partido das melhores caracter\u00edsticas de cada um. O direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o precisa de ser alargado para que seja vital\u00edcio e englobe o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, cultura, ci\u00eancia e conectividade. Os principais respons\u00e1veis s\u00e3o os governos, cuja capacidade de financiamento p\u00fablico e regula\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o deve ser refor\u00e7ada. Promo\u00e7\u00e3o de um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o Mudan\u00e7as e inova\u00e7\u00f5es em grande escala s\u00e3o poss\u00edveis. Vamos estabelecer um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de milh\u00f5es de atos individuais e coletivos: atos de coragem, lideran\u00e7a, resili\u00eancia, criatividade e cuidado. Um novo contrato social deve superar a discrimina\u00e7\u00e3o, a marginaliza\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o. Devemos lutar para assegurar a igualdade de g\u00e9nero e os direitos de todos, independentemente da ra\u00e7a, etnia, religi\u00e3o, defici\u00eancia, orienta\u00e7\u00e3o sexual, idade ou cidadania. \u00c9 necess\u00e1rio um enorme empenho no di\u00e1logo social e no pensamento e a\u00e7\u00e3o conjuntos. Um apelo \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Um novo contrato social requer uma agenda de investiga\u00e7\u00e3o global colaborativa que se concentre no direito \u00e0 aprendizagem ao longo da vida. Esta agenda deve basear-se no direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e incluir diferentes tipos de dados e formas de conhecimento, incluindo a aprendizagem horizontal e a partilha de conhecimentos al\u00e9m-fronteiras. Devem aceitar-se contributos de professores a alunos e de acad\u00e9micos e centros de investiga\u00e7\u00e3o, tal como de governos e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. As universidades e outras institui\u00e7\u00f5es de ensino superior devem estar ativamente envolvidas em todos os aspetos da cria\u00e7\u00e3o de um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 essencial que todos possam contribuir para moldar o futuro da educa\u00e7\u00e3o: crian\u00e7as, jovens, pais, professores, investigadores, ativistas, empregadores, l\u00edderes culturais e religiosos, etc. Temos tradi\u00e7\u00f5es culturais profundas, ricas e diversificadas que podem servir de base e os seres humanos t\u00eam grande capacidade de a\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia e criatividade coletivas. As propostas apresentadas neste relat\u00f3rio s\u00e3o apenas um ponto de partida. O documento \u00e9 mais um convite para pensar e imaginar do que um plano de a\u00e7\u00e3o. Estas quest\u00f5es precisam de ser abordadas em comunidades, pa\u00edses, escolas e programas e sistemas educativos de todos os tipos, em todo o mundo. Estabelecer um novo contrato social para a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo fundamental para repensarmos juntos o nosso futuro. Este artigo \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o do texto Reimagining our futures together: a new social contract for education; executive summary [2] Refer\u00eancias International Commission on the Futures of Education. (2021). Reimagining our futures together: a new social contract for education. https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379707 International Commission on the Futures of Education. (2021). Reimagining our futures together: a new social contract for education; executive summary. https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379381?2=null&amp;queryId=f22d3bab-f840-4eb5-ab61-1b2737985edc Fonte da imagem: International Commission on the Futures of Education (2021) Reimagining our futures together: a new social contract for education. https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379707<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85,159],"tags":[],"class_list":["post-2531245","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-difusao-da-informacao","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2531245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2531245"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2531245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087470,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2531245\/revisions\/3087470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2531245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2531245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2531245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}