{"id":2522868,"date":"2021-10-26T11:02:00","date_gmt":"2021-10-26T11:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2522868.html"},"modified":"2026-05-13T15:03:54","modified_gmt":"2026-05-13T15:03:54","slug":"o-outro-nos-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2522868","title":{"rendered":"O outro? N\u00f3s! (I)"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-10-25.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22183595_zC85R.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>No contexto da participa\u00e7\u00e3o da Rede de Bibliotecas Escolares no <a href=\"https:\/\/foliofestival.com\/educa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Folio 2021<\/strong><\/a>, subordinado ao tema <strong>O Outro<\/strong>, publica-se uma s\u00e9rie de artigos que serviram de base a encontros e workshops.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Parte 1<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em tempo de encerramento desta nova edi\u00e7\u00e3o, o tema para o qual fomos convocados \u00e0 reflex\u00e3o imp\u00f5e-se, para se perceber o alcance do sujeito <strong>n\u00f3s,<\/strong> desde a dimens\u00e3o mais pr\u00f3xima \u00e0 mais distante.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da humanidade est\u00e1 carregada, infelizmente, de factos bem reveladores de grande indiferen\u00e7a e desumaniza\u00e7\u00e3o: situa\u00e7\u00f5es de desigualdade, de falta de liberdade, de totalitarismos\u2026 modos de estar centrados no <strong>eu<\/strong> que, sobretudo, nos dois \u00faltimos s\u00e9culos, t\u00eam vindo a ser contrariados e sustentados por textos de pensadores e declara\u00e7\u00f5es, materializados em grandes mudan\u00e7as\/ revolu\u00e7\u00f5es, como seja, por exemplo, a que aconteceu na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta ideia transformadora da humanidade tem vindo a ser acrescentada com novos acontecimentos que, por sua vez, originam documentos e manifestos, que se atualizam e complementam, procurando dar resposta aos conflitos e situa\u00e7\u00f5es mais gritantes. Tudo isto, acompanhado pela tomada de consci\u00eancia da exist\u00eancia de m\u00faltiplas realidades, por uma perce\u00e7\u00e3o que se pretende cada vez mais hol\u00edstica e sist\u00e9mica do mundo, que contribui para evidenciar a import\u00e2ncia de se reconhecer e compreender <strong>o outro<\/strong>, naquilo que o diferencia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>A declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos,<\/em>\u00a0ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, consubstancia preocupa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 vinham do passado, colocando a t\u00f3nica na defesa da luta contra as arbitrariedades do poder e na garantia das liberdades individuais, consideradas fundamentais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Os objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/em>\u00a0associam estes direitos humanos a uma vis\u00e3o mais global e multifacetada, desafiando-nos para um olhar amplo que considere as quest\u00f5es a partir de v\u00e1rias perspetivas, sendo elas sempre, simultaneamente, de \u00e2mbito local e global, na medida em que um condiciona inevitavelmente o outro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 o lugar da biblioteca para esta transforma\u00e7\u00e3o e melhoria?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A biblioteca apresenta-se como um cadinho bem representativo do mundo, porque \u00e9 diversa a cole\u00e7\u00e3o de que disp\u00f5e, tamb\u00e9m nos suportes, nos formatos e nos conte\u00fados que disponibiliza e prop\u00f5e, favorecendo a intera\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo, a troca e procurando representar a diversidade de identidades, de culturas e de interesses, configurando-se como um mundo sem fronteiras, portador de condi\u00e7\u00f5es, na escola, capazes de contribuir para a garantia e a sustentabilidade da democracia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os seus servi\u00e7os e sugest\u00f5es de atividades e projetos incluem diferentes express\u00f5es e linguagens, proporcionando assim, abertura e entendimento para as distintas realidades que o mundo comporta, melhorando a capacidade de lidar com <strong>o outro<\/strong>, entendendo o que o distingue e ganhando o respeito pelas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Pela riqueza de personagens, de geografias, de tempos e de culturas, as leituras que se fazem na biblioteca e a literatura que oferece proporcionam ocasi\u00f5es para observar <strong>o outro<\/strong>, muitos e diversos outros, e conquistar um posicionamento plural, t\u00e3o necess\u00e1rio \u00e0 boa convivialidade do mundo atual.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A melhoria da linguagem, adquirida por via dessas leituras, ajuda ao di\u00e1logo, \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 intera\u00e7\u00e3o, essenciais a uma boa comunica\u00e7\u00e3o, indispens\u00e1vel \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana e greg\u00e1ria &#8211; habilidade frequentemente estimulada atrav\u00e9s das numerosas iniciativas propostas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica para o uso da informa\u00e7\u00e3o e dos <em>media<\/em> permite a compreens\u00e3o de fen\u00f3menos emergentes e globais que amea\u00e7am conduzir a vers\u00f5es do mundo parcelares e enviesadas, contribuindo deste modo para uma imagem multidimensional das quest\u00f5es e uma participa\u00e7\u00e3o informada na sociedade<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Estas preocupa\u00e7\u00f5es e modos de estar e fazer encontram-se bem espelhadas no novo <a href=\"https:\/\/rbe.mec.pt\/np4\/file\/890\/qe__21.27.pdf\">Quadro Estrat\u00e9gico da RBE<\/a> que aponta para uma vis\u00e3o humanista e inclusiva, para uma ampla forma\u00e7\u00e3o, que favore\u00e7a o individual com tradu\u00e7\u00e3o, naturalmente, no coletivo.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, a dicotomia <strong>eu<\/strong> e <strong>os outros <\/strong>revela-se inadequada e estamos obrigados ativar, tal como nos diz Tolentino Mendon\u00e7a na sua recente cr\u00f3nica do jornal Expresso <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2021-10-09-Nos-e-os-outros-dc38d26d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s e os outros<\/a>, \u201cos mecanismos de constru\u00e7\u00e3o do n\u00f3s, tornando-nos correspons\u00e1veis por uma pol\u00edtica de esperan\u00e7a. Em vez de dizermos eles (referindo os pobres, os exclu\u00eddos, os idosos, os fr\u00e1geis, os jovens fora do mercado do trabalho, os imigrantes) dever\u00edamos ser capazes de dizer <strong>N\u00d3S<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da imagem:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Munic\u00edpio de \u00d3bidos. (2021). <em>Folio: Festival Liter\u00e1rio Internacional de \u00d3bidos<\/em>. <a href=\"https:\/\/cutt.ly\/LRPLTJZ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cutt.ly\/LRPLTJZ<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da participa\u00e7\u00e3o da Rede de Bibliotecas Escolares no Folio 2021, subordinado ao tema O Outro, publica-se uma s\u00e9rie de artigos que serviram de base a encontros e workshops. Parte 1 Em tempo de encerramento desta nova edi\u00e7\u00e3o, o tema para o qual fomos convocados \u00e0 reflex\u00e3o imp\u00f5e-se, para se perceber o alcance do sujeito n\u00f3s, desde a dimens\u00e3o mais pr\u00f3xima \u00e0 mais distante. A hist\u00f3ria da humanidade est\u00e1 carregada, infelizmente, de factos bem reveladores de grande indiferen\u00e7a e desumaniza\u00e7\u00e3o: situa\u00e7\u00f5es de desigualdade, de falta de liberdade, de totalitarismos\u2026 modos de estar centrados no eu que, sobretudo, nos dois \u00faltimos s\u00e9culos, t\u00eam vindo a ser contrariados e sustentados por textos de pensadores e declara\u00e7\u00f5es, materializados em grandes mudan\u00e7as\/ revolu\u00e7\u00f5es, como seja, por exemplo, a que aconteceu na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Esta ideia transformadora da humanidade tem vindo a ser acrescentada com novos acontecimentos que, por sua vez, originam documentos e manifestos, que se atualizam e complementam, procurando dar resposta aos conflitos e situa\u00e7\u00f5es mais gritantes. Tudo isto, acompanhado pela tomada de consci\u00eancia da exist\u00eancia de m\u00faltiplas realidades, por uma perce\u00e7\u00e3o que se pretende cada vez mais hol\u00edstica e sist\u00e9mica do mundo, que contribui para evidenciar a import\u00e2ncia de se reconhecer e compreender o outro, naquilo que o diferencia. \u00a0A declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos,\u00a0ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, consubstancia preocupa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 vinham do passado, colocando a t\u00f3nica na defesa da luta contra as arbitrariedades do poder e na garantia das liberdades individuais, consideradas fundamentais. Os objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel\u00a0associam estes direitos humanos a uma vis\u00e3o mais global e multifacetada, desafiando-nos para um olhar amplo que considere as quest\u00f5es a partir de v\u00e1rias perspetivas, sendo elas sempre, simultaneamente, de \u00e2mbito local e global, na medida em que um condiciona inevitavelmente o outro. \u00a0 E qual \u00e9 o lugar da biblioteca para esta transforma\u00e7\u00e3o e melhoria?\u00a0 A biblioteca apresenta-se como um cadinho bem representativo do mundo, porque \u00e9 diversa a cole\u00e7\u00e3o de que disp\u00f5e, tamb\u00e9m nos suportes, nos formatos e nos conte\u00fados que disponibiliza e prop\u00f5e, favorecendo a intera\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo, a troca e procurando representar a diversidade de identidades, de culturas e de interesses, configurando-se como um mundo sem fronteiras, portador de condi\u00e7\u00f5es, na escola, capazes de contribuir para a garantia e a sustentabilidade da democracia. Os seus servi\u00e7os e sugest\u00f5es de atividades e projetos incluem diferentes express\u00f5es e linguagens, proporcionando assim, abertura e entendimento para as distintas realidades que o mundo comporta, melhorando a capacidade de lidar com o outro, entendendo o que o distingue e ganhando o respeito pelas diferen\u00e7as. Pela riqueza de personagens, de geografias, de tempos e de culturas, as leituras que se fazem na biblioteca e a literatura que oferece proporcionam ocasi\u00f5es para observar o outro, muitos e diversos outros, e conquistar um posicionamento plural, t\u00e3o necess\u00e1rio \u00e0 boa convivialidade do mundo atual. A melhoria da linguagem, adquirida por via dessas leituras, ajuda ao di\u00e1logo, \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 intera\u00e7\u00e3o, essenciais a uma boa comunica\u00e7\u00e3o, indispens\u00e1vel \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana e greg\u00e1ria &#8211; habilidade frequentemente estimulada atrav\u00e9s das numerosas iniciativas propostas. A forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica para o uso da informa\u00e7\u00e3o e dos media permite a compreens\u00e3o de fen\u00f3menos emergentes e globais que amea\u00e7am conduzir a vers\u00f5es do mundo parcelares e enviesadas, contribuindo deste modo para uma imagem multidimensional das quest\u00f5es e uma participa\u00e7\u00e3o informada na sociedade Estas preocupa\u00e7\u00f5es e modos de estar e fazer encontram-se bem espelhadas no novo Quadro Estrat\u00e9gico da RBE que aponta para uma vis\u00e3o humanista e inclusiva, para uma ampla forma\u00e7\u00e3o, que favore\u00e7a o individual com tradu\u00e7\u00e3o, naturalmente, no coletivo.\u00a0 Assim, a dicotomia eu e os outros revela-se inadequada e estamos obrigados ativar, tal como nos diz Tolentino Mendon\u00e7a na sua recente cr\u00f3nica do jornal Expresso N\u00f3s e os outros, \u201cos mecanismos de constru\u00e7\u00e3o do n\u00f3s, tornando-nos correspons\u00e1veis por uma pol\u00edtica de esperan\u00e7a. Em vez de dizermos eles (referindo os pobres, os exclu\u00eddos, os idosos, os fr\u00e1geis, os jovens fora do mercado do trabalho, os imigrantes) dever\u00edamos ser capazes de dizer N\u00d3S\u201d. \u00a0 Fonte da imagem: Munic\u00edpio de \u00d3bidos. (2021). Folio: Festival Liter\u00e1rio Internacional de \u00d3bidos. https:\/\/cutt.ly\/LRPLTJZ<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159,47],"tags":[],"class_list":["post-2522868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2522868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2522868"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2522868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087501,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2522868\/revisions\/3087501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2522868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2522868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2522868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}