{"id":2513109,"date":"2021-10-13T09:00:00","date_gmt":"2021-10-13T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2513109.html"},"modified":"2026-05-13T15:06:30","modified_gmt":"2026-05-13T15:06:30","slug":"bibliotecas-escolares-e-o-gosto-da-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2513109","title":{"rendered":"Bibliotecas Escolares e o gosto da leitura"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-10-12.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22170935_2C8pB.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Por Aida Alves, Diretora da Biblioteca L\u00facio Craveiro da Silva, Braga<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta cr\u00f3nica aborda o tema das Bibliotecas Escolares, celebradas no m\u00eas de outubro internacionalmente pela IASL (International Association of School Librarianship) e a n\u00edvel nacional pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o\/ Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). Estas bibliotecas t\u00eam tido um papel fundamental na cria\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de leitura nas crian\u00e7as e jovens desde os primeiros anos de escola at\u00e9 ao ensino secund\u00e1rio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Da nossa inf\u00e2ncia e juventude, na d\u00e9cada de 80, guardamos a mem\u00f3ria de, nos 5\u00b0 e 6\u00b0 anos, existir a pr\u00e1tica de empr\u00e9stimo de livros no seio da turma. Estas trocas e empr\u00e9stimos aconteciam habitualmente nas aulas de Portugu\u00eas, onde havia um aluno respons\u00e1vel pela troca de livros entre os colegas que registava manualmente estas opera\u00e7\u00f5es. Desta forma, criava-se o impulso \u00e0 leitura, partilhando as leituras em formato de Clube de Leitura. Ser\u00e1 nestas idades que se desenvolve o gosto pela leitura, pelo livro e consequentemente o bom h\u00e1bito de frequentar bibliotecas. J\u00e1 nessa altura se come\u00e7a a perceber que os gostos dos futuros leitores s\u00e3o variados. Alguns s\u00e3o consumidores vorazes de banda desenhada, associando sempre a imagem \u00e0s palavras, outros leem narrativas de fic\u00e7\u00e3o, literatura do fant\u00e1stico e aventuras. Uns procuram livros com uma componente mais tem\u00e1tica (ci\u00eancias, futebol, artes), outros procuram livros onde a complexidade das palavras e do discurso os obriga a imaginar, a partir de ideias abstratas. Ao fim e ao cabo talvez estas escolhas reflitam j\u00e1 a personalidade de cada um e permitam antever outras escolhas que ir\u00e3o ser feitas no futuro, como a profiss\u00e3o, hobbies e modos de vida. Nesse sentido, as bibliotecas escolares proporcionam as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da personalidade dos indiv\u00edduos e permitem um conhecimento antecipado do eu, do interior mais pessoal de cada um. E, um livro, \u00e9 sempre um professor, um amigo, um confidente, uma janela aberta para o mundo. Nos livros viajamos sem sair fisicamente do mesmo lugar. Nos livros vamos mais al\u00e9m, em todas as dimens\u00f5es do ser humano.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o do M\u00eas Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), contempla todas as bibliotecas escolares em todo o mundo, sendo uma oportunidade para darem a conhecer o trabalho que desenvolvem e mostrarem que n\u00e3o s\u00e3o apenas um servi\u00e7o, mas um espa\u00e7o din\u00e2mico vital nas escolas. No m\u00eas de outubro, a RBE lan\u00e7a um desafio \u00e0s bibliotecas que consiste na recria\u00e7\u00e3o art\u00edstica de contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo, a qual pode assumir diferentes formas, como a dramatiza\u00e7\u00e3o, o espet\u00e1culo musical, exibi\u00e7\u00e3o de filmes, desenho ou pintura, trabalho tridimensional ou performance de leitura em voz alta. O importante n\u00e3o \u00e9 a forma de express\u00e3o, mas apenas a pr\u00f3pria express\u00e3o em si. Tudo \u00e9 v\u00e1lido e, na recria\u00e7\u00e3o, o importante n\u00e3o s\u00e3o os meios, mas sim os fins.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta perspetiva globalista, ao abordar o imagin\u00e1rio de diversos pa\u00edses, continentes e regi\u00f5es \u00e9 aglutinadora do ser humano, n\u00e3o como cidad\u00e3o, mas como ente vivo, a que se associa uma cultura, uma voz, uma imagina\u00e7\u00e3o. Afinal, o ser humano \u00e9 apenas um, e \u00e9 essa a perspetiva que importa reter. O mundo n\u00e3o se constr\u00f3i a partir das diferen\u00e7as, mas sim das muitas semelhan\u00e7as que todos encerramos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No concelho de Braga, as Bibliotecas Escolares est\u00e3o organizadas numa rede de trabalho mais alargada intitulada Rede de Bibliotecas de Braga (RBB). \u00c9 uma rede que foi inicialmente formalizada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e o Munic\u00edpio de Braga em 2012, integrando para al\u00e9m das bibliotecas escolares, a Biblioteca L\u00facio Craveiro da Silva, as bibliotecas de duas juntas de freguesia e a Casa do Professor. Julgamos que esta rede contribui de forma consistente para integrar o cidad\u00e3o leitor ao longo da vida, proporcionando-lhe m\u00faltiplas experi\u00eancias de aprendizagem e de consolida\u00e7\u00e3o de literacias fundamentais para uma sociedade baseada no conhecimento, num espa\u00e7o de partilha, de respeito, de honestidade intelectual, de afetos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente no <em>Correio do Minho<\/em>, 30\/09\/2021. <a href=\"https:\/\/correiodominho.pt\/edicoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/correiodominho.pt\/edicoes\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Aida Alves, Diretora da Biblioteca L\u00facio Craveiro da Silva, Braga Esta cr\u00f3nica aborda o tema das Bibliotecas Escolares, celebradas no m\u00eas de outubro internacionalmente pela IASL (International Association of School Librarianship) e a n\u00edvel nacional pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o\/ Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). Estas bibliotecas t\u00eam tido um papel fundamental na cria\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de leitura nas crian\u00e7as e jovens desde os primeiros anos de escola at\u00e9 ao ensino secund\u00e1rio. Da nossa inf\u00e2ncia e juventude, na d\u00e9cada de 80, guardamos a mem\u00f3ria de, nos 5\u00b0 e 6\u00b0 anos, existir a pr\u00e1tica de empr\u00e9stimo de livros no seio da turma. Estas trocas e empr\u00e9stimos aconteciam habitualmente nas aulas de Portugu\u00eas, onde havia um aluno respons\u00e1vel pela troca de livros entre os colegas que registava manualmente estas opera\u00e7\u00f5es. Desta forma, criava-se o impulso \u00e0 leitura, partilhando as leituras em formato de Clube de Leitura. Ser\u00e1 nestas idades que se desenvolve o gosto pela leitura, pelo livro e consequentemente o bom h\u00e1bito de frequentar bibliotecas. J\u00e1 nessa altura se come\u00e7a a perceber que os gostos dos futuros leitores s\u00e3o variados. Alguns s\u00e3o consumidores vorazes de banda desenhada, associando sempre a imagem \u00e0s palavras, outros leem narrativas de fic\u00e7\u00e3o, literatura do fant\u00e1stico e aventuras. Uns procuram livros com uma componente mais tem\u00e1tica (ci\u00eancias, futebol, artes), outros procuram livros onde a complexidade das palavras e do discurso os obriga a imaginar, a partir de ideias abstratas. Ao fim e ao cabo talvez estas escolhas reflitam j\u00e1 a personalidade de cada um e permitam antever outras escolhas que ir\u00e3o ser feitas no futuro, como a profiss\u00e3o, hobbies e modos de vida. Nesse sentido, as bibliotecas escolares proporcionam as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da personalidade dos indiv\u00edduos e permitem um conhecimento antecipado do eu, do interior mais pessoal de cada um. E, um livro, \u00e9 sempre um professor, um amigo, um confidente, uma janela aberta para o mundo. Nos livros viajamos sem sair fisicamente do mesmo lugar. Nos livros vamos mais al\u00e9m, em todas as dimens\u00f5es do ser humano. A celebra\u00e7\u00e3o do M\u00eas Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), contempla todas as bibliotecas escolares em todo o mundo, sendo uma oportunidade para darem a conhecer o trabalho que desenvolvem e mostrarem que n\u00e3o s\u00e3o apenas um servi\u00e7o, mas um espa\u00e7o din\u00e2mico vital nas escolas. No m\u00eas de outubro, a RBE lan\u00e7a um desafio \u00e0s bibliotecas que consiste na recria\u00e7\u00e3o art\u00edstica de contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo, a qual pode assumir diferentes formas, como a dramatiza\u00e7\u00e3o, o espet\u00e1culo musical, exibi\u00e7\u00e3o de filmes, desenho ou pintura, trabalho tridimensional ou performance de leitura em voz alta. O importante n\u00e3o \u00e9 a forma de express\u00e3o, mas apenas a pr\u00f3pria express\u00e3o em si. Tudo \u00e9 v\u00e1lido e, na recria\u00e7\u00e3o, o importante n\u00e3o s\u00e3o os meios, mas sim os fins. Esta perspetiva globalista, ao abordar o imagin\u00e1rio de diversos pa\u00edses, continentes e regi\u00f5es \u00e9 aglutinadora do ser humano, n\u00e3o como cidad\u00e3o, mas como ente vivo, a que se associa uma cultura, uma voz, uma imagina\u00e7\u00e3o. Afinal, o ser humano \u00e9 apenas um, e \u00e9 essa a perspetiva que importa reter. O mundo n\u00e3o se constr\u00f3i a partir das diferen\u00e7as, mas sim das muitas semelhan\u00e7as que todos encerramos. No concelho de Braga, as Bibliotecas Escolares est\u00e3o organizadas numa rede de trabalho mais alargada intitulada Rede de Bibliotecas de Braga (RBB). \u00c9 uma rede que foi inicialmente formalizada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e o Munic\u00edpio de Braga em 2012, integrando para al\u00e9m das bibliotecas escolares, a Biblioteca L\u00facio Craveiro da Silva, as bibliotecas de duas juntas de freguesia e a Casa do Professor. Julgamos que esta rede contribui de forma consistente para integrar o cidad\u00e3o leitor ao longo da vida, proporcionando-lhe m\u00faltiplas experi\u00eancias de aprendizagem e de consolida\u00e7\u00e3o de literacias fundamentais para uma sociedade baseada no conhecimento, num espa\u00e7o de partilha, de respeito, de honestidade intelectual, de afetos. Artigo publicado originalmente no Correio do Minho, 30\/09\/2021. https:\/\/correiodominho.pt\/edicoes\/<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[115],"tags":[],"class_list":["post-2513109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliotecas-escolares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2513109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2513109"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2513109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087545,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2513109\/revisions\/3087545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2513109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2513109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2513109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}