{"id":2506135,"date":"2021-09-28T17:05:00","date_gmt":"2021-09-28T17:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2506135.html"},"modified":"2026-05-13T15:08:16","modified_gmt":"2026-05-13T15:08:16","slug":"centenario-de-paulo-freire-iii-estetica-e-etica-componentes-essenciais-da-aprendizagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2506135","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de Paulo Freire III: Est\u00e9tica e \u00e9tica, componentes essenciais da aprendizagem"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-09-28.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22164937_kns62.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em setembro comemora-se o centen\u00e1rio de nascimento do humanista e pedagogo brasileiro Paulo Freire (19 de setembro de 1921 \u2013 1997), fonte de inspira\u00e7\u00e3o quando se pensa a educa\u00e7\u00e3o e a escola \u2013 e a biblioteca \u2013 em liga\u00e7\u00e3o a um prop\u00f3sito social, de liberta\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o, individual e coletivo, face \u00e0 opress\u00e3o\/ autoritarismo e mentira\/ desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Da experi\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o de adultos ao Plano Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, cuja implementa\u00e7\u00e3o inicia em 1964 e \u00e0 sua vasta obra, da qual se destaca <em>Pedagogia do Oprimido<\/em>, de 1974, h\u00e1 tr\u00eas ideias que destacamos porque podem ajudar \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da escola \u2013 e da biblioteca \u2013 na comunidade e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a terceira publica\u00e7\u00e3o sobre este centen\u00e1rio e apresenta a terceira ideia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cA alfabetiza\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 toda a pedagogia: aprender a ler \u00e9 aprender a dizer a sua palavra. E a sua palavra humana imita a palavra divina: \u00e9 criadora\u201d <strong>1.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O Programa Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Paulo Freire visa a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o popular, que trabalha com a pluralidade de pessoas &#8211; inclusive marginalizadas e silenciadas (\u201cnunca s\u00e3o chamados de analfabetos mas de alfabetizandos\u201d <strong>2<\/strong>) &#8211; quest\u00f5es amplas sobre a sua vida, tais como: sa\u00fade, trabalho, ambiente e cultura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este modelo de educa\u00e7\u00e3o inclusivo e participativo, que visa o bem viver e o reconhecimento social de todos, exige formas de escuta e express\u00e3o abrangentes e diversas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O c\u00edrculo de cultura \u00e9 uma ferramenta pedag\u00f3gica proposta por Freire, em que o coordenador, n\u00e3o o professor, integrando-se com o grupo de alunos, tem o papel de \u201cpropiciar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 din\u00e2mica do grupo, reduzindo ao m\u00ednimo sua interven\u00e7\u00e3o direta no curso do di\u00e1logo\u201d. Reunindo com um m\u00e1ximo de vinte alunos, trabalha com eles temas que eles pr\u00f3prios sugerem e que, estando interligados, podem organizar-se em c\u00edrculos conc\u00eantricos, do geral para o particular <strong>3<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para incentivar o di\u00e1logo, o coordenador pode apresentar imagens sobre situa\u00e7\u00f5es reais desafiadoras a respeito de palavras relevantes, de uso comum e carregadas de experi\u00eancia vivida &#8211; \u201csegundo esta pedagogia a palavra jamais pode ser vista como um \u2018dado\u2019 (ou como uma doa\u00e7\u00e3o do educador ao educando) mas \u00e9 sempre, e essencialmente, um tema de debate para todos os participantes do c\u00edrculo de cultura. As palavras n\u00e3o existem independentemente de sua significa\u00e7\u00e3o real, de sua refer\u00eancia \u00e0s situa\u00e7\u00f5es\u201d <strong>4<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Estas imagens \u201cdevem poder expressar algo deles pr\u00f3prios e, tanto quanto poss\u00edvel, seguindo suas pr\u00f3prias formas de express\u00e3o pl\u00e1stica de modo a que estes homens particulares e concretos se reconhe\u00e7am a si pr\u00f3prios, no transcurso da discuss\u00e3o, como criadores de cultura\u201d <strong>5<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sobre este reconhecimento de cada aprendente como sujeito de cultura (universo de cria\u00e7\u00e3o humana), Freire testemunha: \u201cCerta vez, uma alfabetizanda nordestina discutia, em seu c\u00edrculo de cultura, uma codifica\u00e7\u00e3o que representava um homem que, trabalhando o barro, criava com as m\u00e3os, um jarro. (\u2026) Agora, ultrapassando a experi\u00eancia sensorial, indo mais al\u00e9m dela, dava um passo fundamental: alcan\u00e7ava a capacidade de generalizar que caracteriza a \u2018experi\u00eancia escolar\u2019. Criar o jarro como o trabalho transformador sobre o barro n\u00e3o era apenas a forma de sobreviver, mas tamb\u00e9m de fazer cultura, de fazer arte. Foi por isso que, relendo sua leitura anterior do mundo e dos que-fazeres no mundo, aquela alfabetizanda nordestina disse segura e orgulhosa: \u2018Fa\u00e7o cultura. Fa\u00e7o isto\u2019\u201d <strong>6<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta necessidade e direito humano de (re)cria\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das artes \u2013 e da brincadeira &#8211; de novas perspetivas, sensibilidades e sentimentos, \u00e9 marca essencial da verdadeira aprendizagem e deve ser inteiramente livre e cr\u00edtica: \u201cEu acho que teria sido melhor se eles [em vez de um modelo de gato dado pela professora] tivessem tido na sala um gato vivo, andando, correndo, pulando \u2013 disse Claudius. \u2013 As crian\u00e7as desenhariam o gato como entendessem, como o percebessem. As crian\u00e7as reinventariam o gato de verdade. Ficariam livres para fazer o gato que lhes aprouvesse. Seriam livres para criar, para inventar e reinventar\u201c <strong>7<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 uma abordagem \u00e9tica, baseada no respeito pela liberdade\/ autonomia dos alunos, que gera a sua interven\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que exprime uma cr\u00edtica ao presente e anuncia um ideal, sonho\/ utopia, desejo de transforma\u00e7\u00e3o que \u00e9 esperan\u00e7a &#8211; \u201cespera na luta\u201d, \u201cesperan\u00e7ar\u201d \u2013 de uma \u00e9tica humanista.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>No contexto da biblioteca escolar\u2026<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Desenvolvemos mecanismos de escuta dos alunos a respeito do curr\u00edculo, das atividades, das rela\u00e7\u00f5es, do que deve ser ensinar e aprender? <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Quando dialogamos com os alunos sobre um livro ou obra de arte, tomamos como refer\u00eancia o modo como eles leem o mundo e situa\u00e7\u00f5es concretas da sua vida?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Criamos contextos desafiantes para que eles possam partilhar, entre si e com a comunidade, os seus problemas sobre a realidade e realizar os seus sonhos \u00e9ticos e est\u00e9ticos? <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Freire, P. (1970). <em>Pedagogia do oprimido<\/em>. <a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Freire, P. (1967).<em> Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade <\/em><a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Freire, P<em>. (1970). Pedagogia do oprimido<\/em>. <a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Freire, P. (1967).<em> Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade <\/em><a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">5. Ibid.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">6. Freire, P. (2001). <em>Carta de Paulo Freire aos Professores<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/QvgY7SD7XHW9gbW54RKWHcL\/?lang=pt&amp;format=pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/QvgY7SD7XHW9gbW54RKWHcL\/?lang=pt&amp;format=pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">7. Freire, P. (1997). <em>Pedagogia da Esperan\u00e7a \u2013 Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido<\/em>. <a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/10.-Pedagogia-da-Esperan%C3%A7a.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/10.-Pedagogia-da-Esperan%C3%A7a.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da imagem: \u201cMural de Paulo Freire na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades da Universidade do B\u00edo-B\u00edo, Chile\u201d. <em>Wikipedia, a enciclop\u00e9dia livre.<\/em> <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Freire#\/media\/Ficheiro:Painel.Paulo.Freire.JPG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Freire#\/media\/Ficheiro:Painel.Paulo.Freire.JPG<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro comemora-se o centen\u00e1rio de nascimento do humanista e pedagogo brasileiro Paulo Freire (19 de setembro de 1921 \u2013 1997), fonte de inspira\u00e7\u00e3o quando se pensa a educa\u00e7\u00e3o e a escola \u2013 e a biblioteca \u2013 em liga\u00e7\u00e3o a um prop\u00f3sito social, de liberta\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o, individual e coletivo, face \u00e0 opress\u00e3o\/ autoritarismo e mentira\/ desinforma\u00e7\u00e3o. Da experi\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o de adultos ao Plano Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, cuja implementa\u00e7\u00e3o inicia em 1964 e \u00e0 sua vasta obra, da qual se destaca Pedagogia do Oprimido, de 1974, h\u00e1 tr\u00eas ideias que destacamos porque podem ajudar \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da escola \u2013 e da biblioteca \u2013 na comunidade e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a terceira publica\u00e7\u00e3o sobre este centen\u00e1rio e apresenta a terceira ideia. \u201cA alfabetiza\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 toda a pedagogia: aprender a ler \u00e9 aprender a dizer a sua palavra. E a sua palavra humana imita a palavra divina: \u00e9 criadora\u201d 1. O Programa Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Paulo Freire visa a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o popular, que trabalha com a pluralidade de pessoas &#8211; inclusive marginalizadas e silenciadas (\u201cnunca s\u00e3o chamados de analfabetos mas de alfabetizandos\u201d 2) &#8211; quest\u00f5es amplas sobre a sua vida, tais como: sa\u00fade, trabalho, ambiente e cultura. Este modelo de educa\u00e7\u00e3o inclusivo e participativo, que visa o bem viver e o reconhecimento social de todos, exige formas de escuta e express\u00e3o abrangentes e diversas. O c\u00edrculo de cultura \u00e9 uma ferramenta pedag\u00f3gica proposta por Freire, em que o coordenador, n\u00e3o o professor, integrando-se com o grupo de alunos, tem o papel de \u201cpropiciar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 din\u00e2mica do grupo, reduzindo ao m\u00ednimo sua interven\u00e7\u00e3o direta no curso do di\u00e1logo\u201d. Reunindo com um m\u00e1ximo de vinte alunos, trabalha com eles temas que eles pr\u00f3prios sugerem e que, estando interligados, podem organizar-se em c\u00edrculos conc\u00eantricos, do geral para o particular 3.\u00a0 Para incentivar o di\u00e1logo, o coordenador pode apresentar imagens sobre situa\u00e7\u00f5es reais desafiadoras a respeito de palavras relevantes, de uso comum e carregadas de experi\u00eancia vivida &#8211; \u201csegundo esta pedagogia a palavra jamais pode ser vista como um \u2018dado\u2019 (ou como uma doa\u00e7\u00e3o do educador ao educando) mas \u00e9 sempre, e essencialmente, um tema de debate para todos os participantes do c\u00edrculo de cultura. As palavras n\u00e3o existem independentemente de sua significa\u00e7\u00e3o real, de sua refer\u00eancia \u00e0s situa\u00e7\u00f5es\u201d 4. Estas imagens \u201cdevem poder expressar algo deles pr\u00f3prios e, tanto quanto poss\u00edvel, seguindo suas pr\u00f3prias formas de express\u00e3o pl\u00e1stica de modo a que estes homens particulares e concretos se reconhe\u00e7am a si pr\u00f3prios, no transcurso da discuss\u00e3o, como criadores de cultura\u201d 5. Sobre este reconhecimento de cada aprendente como sujeito de cultura (universo de cria\u00e7\u00e3o humana), Freire testemunha: \u201cCerta vez, uma alfabetizanda nordestina discutia, em seu c\u00edrculo de cultura, uma codifica\u00e7\u00e3o que representava um homem que, trabalhando o barro, criava com as m\u00e3os, um jarro. (\u2026) Agora, ultrapassando a experi\u00eancia sensorial, indo mais al\u00e9m dela, dava um passo fundamental: alcan\u00e7ava a capacidade de generalizar que caracteriza a \u2018experi\u00eancia escolar\u2019. Criar o jarro como o trabalho transformador sobre o barro n\u00e3o era apenas a forma de sobreviver, mas tamb\u00e9m de fazer cultura, de fazer arte. Foi por isso que, relendo sua leitura anterior do mundo e dos que-fazeres no mundo, aquela alfabetizanda nordestina disse segura e orgulhosa: \u2018Fa\u00e7o cultura. Fa\u00e7o isto\u2019\u201d 6. Esta necessidade e direito humano de (re)cria\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das artes \u2013 e da brincadeira &#8211; de novas perspetivas, sensibilidades e sentimentos, \u00e9 marca essencial da verdadeira aprendizagem e deve ser inteiramente livre e cr\u00edtica: \u201cEu acho que teria sido melhor se eles [em vez de um modelo de gato dado pela professora] tivessem tido na sala um gato vivo, andando, correndo, pulando \u2013 disse Claudius. \u2013 As crian\u00e7as desenhariam o gato como entendessem, como o percebessem. As crian\u00e7as reinventariam o gato de verdade. Ficariam livres para fazer o gato que lhes aprouvesse. Seriam livres para criar, para inventar e reinventar\u201c 7.\u00a0 \u00c9 uma abordagem \u00e9tica, baseada no respeito pela liberdade\/ autonomia dos alunos, que gera a sua interven\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que exprime uma cr\u00edtica ao presente e anuncia um ideal, sonho\/ utopia, desejo de transforma\u00e7\u00e3o que \u00e9 esperan\u00e7a &#8211; \u201cespera na luta\u201d, \u201cesperan\u00e7ar\u201d \u2013 de uma \u00e9tica humanista. \u00a0 No contexto da biblioteca escolar\u2026 \u00a0 Desenvolvemos mecanismos de escuta dos alunos a respeito do curr\u00edculo, das atividades, das rela\u00e7\u00f5es, do que deve ser ensinar e aprender? Quando dialogamos com os alunos sobre um livro ou obra de arte, tomamos como refer\u00eancia o modo como eles leem o mundo e situa\u00e7\u00f5es concretas da sua vida? Criamos contextos desafiantes para que eles possam partilhar, entre si e com a comunidade, os seus problemas sobre a realidade e realizar os seus sonhos \u00e9ticos e est\u00e9ticos? \u00a0 Refer\u00eancias 1. Freire, P. (1970). Pedagogia do oprimido. https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf 2. Freire, P. (1967). Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf 3. Freire, P. (1970). Pedagogia do oprimido. https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf 4. Freire, P. (1967). Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf 5. Ibid. 6. Freire, P. (2001). Carta de Paulo Freire aos Professores. https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/QvgY7SD7XHW9gbW54RKWHcL\/?lang=pt&amp;format=pdf 7. Freire, P. (1997). Pedagogia da Esperan\u00e7a \u2013 Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/10.-Pedagogia-da-Esperan%C3%A7a.pdf \u00a0 Fonte da imagem: \u201cMural de Paulo Freire na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades da Universidade do B\u00edo-B\u00edo, Chile\u201d. Wikipedia, a enciclop\u00e9dia livre. https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Freire#\/media\/Ficheiro:Painel.Paulo.Freire.JPG<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159],"tags":[],"class_list":["post-2506135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2506135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2506135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2506135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087571,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2506135\/revisions\/3087571"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2506135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2506135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2506135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}